07 | 일곱 번째 장

Oi amô,
Seja bem vindo ao 7° capítulo,
Esse promete hehehe
Prepare o coração, apertem os cintos
e boa leitura!

#azuldameianoite

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- PARK JIMIN -

Acordei com o som do despertador de mesa, mas desliguei e voltei a dormir. Ultimamente eu sentia muito sono, que parecia não melhorar nem dormindo.

Enquanto enrolava na cama, alguém bateu duas vezes na porta. Quando falou, percebi que era a Sra. Lee.

— Menino Park? O Sr. Yoongi chegou.

— Merda! — pulei da cama — Ahh, hmm, diz que saio em cinco minutos, por favor.

Corri para o banheiro, escovei os dentes e coloquei meu uniforme. Meus cadernos e livros estavam espalhados, então perdi dois minutos só procurando eles. Joguei tudo dentro da mochila de qualquer jeito e saí correndo.

Assim que pisei para fora do quarto, tropecei em algo e caí no chão. Bastou isso para eu xingar todas as minhas gerações futuras... se é que existirão algum dia.
Quando olhei para ver o que era, notei uma caixa azul, grande e bonita. Ajoelhei em frente a ela e abri, sem nem mesmo saber se eu poderia abrir.

— Não pode ser...

Dentro, havia um envelope, algo que parecia uma roupa, e no canto, a caixinha de um celular novo.

O sócio dele estava esperando, e não tinha tempo pra olhar tudo agora. Coloquei o envelope e o celular na mochila, deixei a caixa com a roupa no quarto, e desci as escadas correndo.

— Tchau, Sra. Lee, bom dia para a senhora! — gritei antes de sair.

Ela riu enquanto se despedia.

Assim como Jeon, o sócio dele também tinha um carrão, que imaginei ser uma Bugatti.

Entrei meio sem jeito e sentei ao lado dele.

— Bom dia, me desculpe, eu não ouvi o despertador.

— Bom dia, está tudo bem, vamos?

— Uhum.

Enquanto dirigia, ele puxava alguns assuntos. Sempre foi bem simpático desde o primeiro dia, então eu não estava tenso, tirando a minha demora, que poderia ser um bom motivo para ele me deixar para trás...

Ou me matar.

— O que está achando do seu trabalho na Sixx?

— Ah, é bem legal, mas é temporário. Mesmo sendo uma empresa grande, meu sonho é dançar.

— Eu imagino. O JK sempre diz isso quando estamos juntos.

JK, então esse era o apelido dele...

— Ele diz? — olhei curioso, sem acreditar que o senhor das trevas falaria algo sobre mim.

— Não tenha dúvidas. Ele comentou que te viu dançando e que você tinha muito talento. Espero que tenha sucesso com isso.

— Obrigado... — olhei para frente e senti um frio na barriga ao ouvir isso.

Será que ele realmente falou de mim? O sócio dele não saberia que ele me viu dançando se ele mesmo não contasse.

— Você... hmm, você já foi ao festival de Kyoto?

— Fui uma vez, há alguns anos. Por quê?

— Hoje à noite vou apresentar uma peça lá, com minha turma da faculdade. É meio musical, então tem algumas danças também. Não sei se gosta, mas se quiser ir, está convidado.

— Claro que vou, obrigado pelo convite.

— Imagina... bem, se puder, poderia convencer ele à ir?

— O Jungkook?

— Uhum... — respondi meio sem jeito.

Ele deve achar que sou um louco masoquista que gosta de sofrer.

— Vou convencer ele, pode ter certeza disso.

— Obrigado. Ahh, e poderia não contar para ele? Caso ele não vá, vou me sentir meio estranho se ele souber que eu te pedi isso. — Dei uma risada bem sem graça.

— Relaxa, não vou falar, ele nem precisa saber disso.

Ele não parou o carro em frente à faculdade, e sim um pouco antes, e até nisso ele foi legal.

— Obrigado pela carona... tchau.

— Tchau, Jimin, até depois. — ele acenou e saiu.

Eu corri para a faculdade, mesmo que não estivesse atrasado. O alarme da primeira aula ainda não tinha tocado, e o motivo da minha pressa era a biblioteca. Eu sabia que lá não seria incomodado por ninguém.

Sentei em uma das mesas de estudo e abri a mochila. Quando abri o envelope e vi o logo na carta, fiquei incrédulo. Continuei abrindo e percebi que não era loucura da minha cabeça.

Soltei o envelope e tapei a boca.

— Como isso é possível? — sussurrei.

Peguei a carta novamente e li de novo, imaginando que fosse uma alucinação da minha cabeça, mas não era. Era uma convocação para uma audição na instituição de arte de Seoul, a mesma que sempre sonhei entrar.

Comecei a me sentir mal e abaixei a cabeça entre os braços, apoiando eles na mesa e tentando me acalmar.

— Por que... por que ele está fazendo isso?

Ontem, no mirante, ele parecia outra pessoa, até seu tom de voz soava diferente. Nem notei quantas garrafas ele bebeu, mas qual era o sentido de eu ter bebido apenas duas e me sentir daquele jeito com ele?

O pior de tudo é que, eu não estava tão bêbado quando deitei naquele maldito sofá, no hotel. Eu quis olhar seu rosto de perto enquanto ele dormia, e acabei dormindo também, e isso estava corroendo meus neurônios.

Pressionei meus olhos contra minhas mãos, como se isso pudesse me fazer parar de pensar.

— Que merda, o que tá acontecendo comigo? — sussurrei em meio ao silêncio absoluto da biblioteca.

Eu... eu quis beijar ele no mirante. Esses presentes, seu olhar para mim em várias situações, assim como sua mudança, só provam que ele também queria. Isso não poderia acontecer, nunca. Não fazia sentido algum me sentir assim por um cara, muito menos o cara que me persegue por causa de dinheiro.

Olhei a carta de novo, ainda sem acreditar. Seria a realização de um sonho, mas não poderia aceitar, pois sabia que ele transformaria tudo isso em uma dívida ainda maior.

Quando peguei a caixa do celular, também fiquei assustado. Era o melhor aparelho da atualidade e, consequentemente, o mais caro de todos.

— Pronto, agora são três dívidas... — murmurei indignado.

O alarme tocou e eu fui para a sala de aula.

— Bom dia, Ji — a Minjeong falou quando sentei na mesa, se inclinando um pouco na minha direção para sussurrar.

— Oi, Minjeong, bom dia.

— Quer almoçar comigo no intervalo?

Ultimamente eu recusei todos os convites dela, e isso não era legal com alguém como ela.

— C-claro, quero.

— Vou te mostrar algumas mudanças que a professora deixou eu fazer nos meus passos, e quero saber o que você achou.

— Tudo bem.

A aula começou, e era com o pior professor. Ele falava de forma tediosa, o que fazia minha mente mal raciocinar o que dizia.

Enquanto tentava prestar atenção, o pensamento mais inconveniente possível surgiu na minha mente: lembrei do Jeon trocando de roupa na minha frente ontem, no hotel. Ele achou que eu estava dormindo, e meu problema foi ser curioso demais e abrir a droga do meu olho.

Deveria ser algo normal pra mim, afinal, ele me viu na piscina. É isso, era algo normal, e eu tinha que focar nisso, e não me sentir estranho por ver um cara qualquer de cueca.

— Park, está me ouvindo? — o professor bateu forte com a régua na lousa, chamando minha atenção.

Quando despertei dos meus pensamentos e olhei para o lado, todos estavam me olhando.

— Me desculpe, professor.

— Me acompanhe imediatamente, e traga seu material.

Puta merda...

Peguei minha mochila e saí. A Minjeong me olhou preocupada durante todo o caminho.
Parei do lado de fora e ele começou com o sermão.

— Se não quer estudar, por que faz faculdade? Você não tem responsabilidade alguma, e é o tempo inteiro essa mesma palhaçada. O tempo passa e você só piora, seu irresponsável!

A aula dele era a única que eu tinha problemas, e eu já estava de saco cheio dele e dessa forma de falar com as pessoas.

— Eu acho que o problema tá em você e nessa sua aula de merda, chata pra caralho!

Ele arregalou os olhos pra mim, e gritou cheio de ódio.

— O que você disse, seu marginal?

— É isso mesmo que você ouviu! Se sua vida é fodida o problema é todo seu, não venha descontar suas frustrações e sua infelicidade em mim.

— Você vai para a diretoria agora! — gritou enfurecido.

Eu dei as costas e realmente fui em direção a diretoria. Sentia minhas mãos trêmulas de ódio, mas sem motivo algum, comecei a me sentir mal.

No corredor, antes das escadas, fui perdendo as forças do meu corpo, e em segundos, perdi a consciência e desmaiei.

🫐

Eu não sei por quanto tempo fiquei desacordado, mas quando acordei, estava na enfermaria da universidade. Namjoon estava ao meu lado, e foi a primeira pessoa que vi.

— Caralho, Park, o que você fez pra apagar assim?

— Discuti com o professor.

— Eu já tô sabendo que você xingou ele, todos da sua sala ouviram, e a universidade inteira já sabe. Você é louco, Park — ele riu.

Enquanto contava sobre a discussão, a enfermeira voltou.

— Park Jimin, como está se sentindo?

— Tô melhor...

— Certo. A princípio, pode ter sido só uma queda de pressão, mas se esses desmaios persistirem, você precisa procurar um médico.

— Certo. Eu posso ir embora?

— Se estiver se sentindo melhor, sim, mas você precisa passar na diretoria até o fim da tarde.

— Ok, obrigado.

O Nam me ajudou a levantar, e fomos andando devagar pelos corredores.

— Você me deixou preocupado.

— Tá tranquilo. Na Austrália eu me senti assim também. Tenho certeza que são essas mudanças de temperatura.

Fomos andando até a arquibancada da quadra de basquete e ficamos sentados, conversando.

— Você tá matando aula? — perguntei.

— Não, a professora me liberou, tenho a desculpa de que meu amigo idoso desmaiou.

Nós rimos.

— Como foi a viagem? Você voltou vivo, então é um bom sinal.

— Eu quase beijei ele, nem noção disso?

Ele engasgou com o ar e começou a tossir desesperadamente enquanto eu dava tapas nas suas costas.

— O que você disse? — perguntou entre as tosses.

— É isso mesmo que você ouviu, não vou repetir. Não te contei porque depois disso eu derrubei meu celular do mirante onde a gente estava, mas, olha isso.

Mostrei o celular, e ele olhou mais surpreso ainda.

— Esse é o melhor celular.

— Eu sei... ele me deu dentro de uma caixa com outros presentes.

— Espera, isso é muita informação.

— E não é tudo — entreguei o envelope para ele e também contei como foi toda a viagem.

— Agora tenho mais certeza ainda que foi ele quem pagou sua faculdade.

— Não, isso não. Se fosse ele, por que me cobraria?

— Pra ter uma desculpa pra ficar perto de você? São muitas possibilidades, essa é só uma delas.

— Eu vou descobrir isso hoje mesmo — falei decidido.

— Você gosta dele...

— O quê? Não! — respondi indignado.

— Gosta sim, seu mentiroso. E ele também gosta de você, caso contrário, não pagaria suas dívidas, nem te levaria pra casa dele, e muito menos ficaria nesse clima com você.

— Não tem clima algum. Não gosto dele, muito menos ele de mim. Nós dois bebemos, foi só isso... ele ficou louco e eu mais louco ainda, não vai se repetir.

— Nem você acredita no que está dizendo.

— Eu não gosto de homem.

— Isso não te impede de gostar dele.

— Você só pode ter ficado maluco, todo escritor é alucinado assim... Tá achando que sou personagem das suas histórias?

— Ele conseguiu uma audição onde você sempre quis, além de muito provavelmente ter pago sua faculdade inteira, isso não significa nada pra você?

— Significa que ele tem pena de mim.

Ele revirou os olhos, nervoso.

— Caralho, que cara cego...

— Vou te deixar alucinando sozinho, tchau.

— Mas você acabou de desmaiar, volta aqui.

Eu mal ouvi ele e saí andando. Fui até o andar da diretoria e esperei um pouco. Assim que ela desocupou, entrei na sua sala.

— Não vamos perder tempo aqui. Por que você ofendeu o professor daquela forma?

— Peço desculpas, mas eu não estava bem na aula, e como a senhora soube, acabei desmaiando. Eu já estava me sentindo mal na sala de aula, e mesmo assim ele me tirou da sala e começou a me ofender.

Ela me olhou pensativa, pois no fundo, conhecia o humor desse professor.

— Bom, hoje será só uma advertência, mas se isso se repetir, vou precisar te dar suspensão, e você sabe que isso constará no seu histórico da faculdade.

— Tudo bem... Me desculpe.

— Ok, agora pode ir.

Antes de levantar, eu respirei fundo e tomei coragem para pedir.

— Diretora, a senhora poderia me mostrar as câmeras do setor financeiro no dia e horário em que minhas mensalidades foram pagas?

— De novo esse assunto, Park?

— Desculpe, mas eu preciso saber quem fez o pagamento. Não consigo só ignorar isso e continuar estudando normalmente.

Ela pensou por uns minutos e então, concordou. Ela achou as imagens e virou a tela do computador na minha direção, e eu fiquei sem palavras no mesmo momento em que reconheci quem era.

O Namjoon estava certo...

— Você conhece ele?

— S-sim, é um amigo... Preciso ir para a aula, obrigado, diretora.

Saí rápido da sala, ainda em choque, tentando assimilar o que tinha acabado de ver. Nos corredores, desacelerei o passo e me sentei em um banco qualquer.

Quem eu vi nas imagens era o Hoseok.

O valor que eu devia para o Jeon era quase o valor da minha dívida com a faculdade, então, qual o sentido dele pagar isso?

Eu me sentia zonzo, mas respirei fundo e fiz de tudo pra não desmaiar de novo.
Enquanto esperava ali, de cabeça baixa, a Minjeong se aproximou e sentou do meu lado.

— Te procurei por todo lado. Você está melhor?

— Oi Minjeong, tô sim, obrigado.

— Você ainda não parece bem... Quer que eu chame alguém?

— Não precisa. Acabei de sair da enfermaria, então logo estarei melhor.

— Tá... A peça ainda está em pé?

— Com certeza. Eu não faltaria por nada.

Ela sorriu enquanto olhava para as próprias mãos, que se mexiam impacientes.

— Vou voltar para a aula, fique aí repousando, outro dia combinamos o nosso almoço. Até mais tarde. — Ela sorriu e saiu.

E de novo, eu furei com ela.

Fiquei no corredor esperando o sinal do fim da última aula. Saí acompanhado do Nam, mas vi de longe a Lamborghini Aventador preta, chamando atenção em meio a todos os outros carros comuns parados.

— Parece que vou até a estação sozinho, não é mesmo? — Namu falou, me provocando.

— Foi mal... Quando chegar na sua casa, conta o que te contei para o Tae, ele odeia que eu deixe ele de fora.

— De boa. Vai lá logo, depois a gente se fala, e cuida dessa saúde aí.

— Valeu Namu.

Fui até o carro dele e entrei.

— Achei que era seu sócio quem viria.

— Ele está preso em uma reunião online.

— Hmm.

— Você tem habilitação?

— Sim, por quê?

Ele abriu a porta dele e saiu do carro, e em segundos, estava ao meu lado, abrindo a minha porta.

— Dirija.

Olhei surpreso na sua direção.

— Tá louco? Eu nunca dirigi um carro desses na minha vida.

— Carro é carro, se sabe dirigir um, sabe qualquer um. Vai logo, eu tô com dor.

Ele insistiu até eu ir para o banco do motorista. Olhei ao redor, assustado com os quinhentos botões que havia na minha frente. Nem sabia como ligava o carro e fiquei procurando uma chave, até lembrar que ele ligava com um botão.

Considerando a complexidade do carro, eu saí e estava dirigindo bem. Ele não explicou simplesmente nada, e ficou em silêncio.

— Vire essa rua. — ele apontou e finalmente falou algo.

Virei e caímos em uma parte da rodovia.

— Esse carro não foi feito para andar devagar, Jimin, acelera.

— Mas aqui tem radar.

— E quem disse que eu ligo para isso? Pisa nesse acelerador.

Assim que ele falou, eu pisei fundo, e o carro chegou a 180 km/h em menos de 7 segundos. Eu nunca tinha sentido isso na minha vida, era como uma sensação de liberdade intensa.

Fui costurando entre os carros, e só desacelerei próximo do acesso na rodovia que precisava entrar. Meu coração estava pulando no peito.

— Isso foi bom demais... — Falei animado e olhei para ele, que já estava me encarando com um sorriso de canto. Disfarcei assim que percebi, acompanhado de algumas tosses de nervosismo.

Chegamos na Sixx, e alguns funcionários que estavam no estacionamento nos viram chegar juntos, e o pior, eu dirigindo o carro dele. Ele sempre parecia nunca se importar com nada, mas eu estava trabalhando aqui e me importava.

Pegamos o elevador em silêncio. A porta se abriu no meu andar, e eu poderia simplesmente sair de boca fechada, mas por algum motivo, decidi me despedir.

— Tchau.

— Tchau, Jimin — respondeu me olhando até a porta voltar a fechar.

Quando cheguei à minha mesa, percebi que ele me distraiu tanto com o carro que nem mencionei os presentes.

Enquanto trabalhava, ele veio algumas vezes ao meu andar. Um dos funcionários até comentou que era quase impossível ver ele aqui, mas ultimamente, aparecia várias vezes ao dia, todos os dias.

— Será que ele percebeu que eu vi ele de cueca e está me rodeando, esperando a oportunidade certa pra me matar? — sussurrei, paranoico.

Eu estava perdido nos meus pensamentos, olhando para o computador, e fiquei assim por um longo tempo. Levantei e fui até a máquina de café, tentando distrair a mente.
Um funcionário do setor também veio e começou a falar sobre um trabalho.

— Jimin, te enviei um PDF com as informações que precisamos enviar para o pessoal de comunicação visual, então verifique as pendências e passe até o fim da tarde para o supervisor.

— Ok, farei isso. — peguei o expresso e dei um pequeno gole enquanto ele continuou explicando, até ficar em silêncio de repente.

Senti a presença de alguém e olhei para trás, onde o Jeon estava parado feito um fantasma.

— Você, me acompanhe. — Ele apontou para mim e saiu andando, e eu, sem outra opção, o segui.
O tirano e o patinho amedrontado andando pelos corredores da empresa.

Assim que entramos na sua sala gigantesca, ele foi até sua mesa, e eu sentei à sua frente.

— Por que me deu esses presentes caros?

Ele deu com os ombros.

— Mas não são caros.

Era óbvio que eram caros apenas para alguém como eu.

— Eu não posso aceitar essas coisas.

Ele apoiou as costas na sua cadeira e cruzou os braços.

— E por que não?

— Não preciso dos seus favores, nem da sua piedade. Além disso, eu poderia conseguir o convite para a audição com meu próprio esforço.

— Não foi um favor, muito menos piedade.

— Então o que foi? Pra aumentar minha dívida com você?

— Não sei, talvez.

— Seu filho da put...

— Olha a boca. Nem ouse me xingar, garoto.

Cruzei os braços irritado, empurrei a cadeira para trás e levantei.

— Vou voltar para o meu trabalho, com licença.

— Eu deixei?

— Não tô nem aí pra você! — andei nervoso até a porta.

— Alexa, tranque a porta.

Assim que ouvi ele falar com a assistente de voz, eu corri, mas não deu tempo, e a porta realmente trancou. Comecei a forçar a maçaneta para abrir, mesmo sabendo que não abriria.

Ele levantou da mesa, com as mãos nos bolsos, e começou a vir lentamente até mim. Estava vestido com uma camisa social branca e um colete preto, sutilmente ajustado ao seu corpo por cima da camisa.

Seu cabelo estava penteado para trás, com alguns fios soltos, caindo no rosto. Ele estava tão bonito, e eu só conseguia me culpar por pensar isso de alguém como ele, ainda mais depois dos últimos dias.

Quando ele chegou perto de mim, fechei meus olhos com força.

— Por que está fechando os olhos? — Ele questionou.

Não havia desculpa alguma para inventar, então apenas abri novamente. Ele estava muito próximo, me pressionando contra a porta, e eu precisava sair de perto dele, o mais rápido possível.

— E-eu preciso voltar ao trabalho — gaguejei.

— Não precisa.

Ele apoiou uma das mãos na porta atrás de mim, enquanto a outra permanecia no bolso, com o corpo à centímetros de distância do meu.

— O supervisor do setor está precisando de mim.

— Mas eu sou o dono da empresa, sou eu quem manda aqui.

— Pior ainda. O dono não está dando o exemplo para os funcionários.

— E desde quando eu sou exemplo para alguém?

Ele olhava para mim, mas era evidente onde seus olhos estavam focando, diretamente na minha boca. Aquela energia que teve entre nós ontem não poderia de forma alguma se repetir.
Eu precisava sair dessa sala, e até cogitei pular pela janela, se não estivesse no 12º andar.

Tentei me afastar e desviar para o lado, mas ele foi mais rápido, e com a mão que estava no bolso, envolveu minha cintura e me segurou.

Nesse momento, alguém bateu algumas vezes na porta dele, mas ele ignorou completamente.

— Me solta! — tentei empurrar ele.

— Me obrigue.

A pessoa que estava batendo na porta, falou.

— Sr. Jeon? O comprador de Dubai chegou para a reunião.

— Ok, diga que já vou. — ele respondeu enquanto continuou me olhando e me segurando.

Eu insistia em tentar me soltar, mas era inútil, ele era muito mais forte do que eu.

— Me solta logo, Jungkook, eu prec...

— O que disse?

Eu gelei quando notei. A Sra. Lee já deixou claro que são apenas as pessoas mais íntimas que chamam ele assim. Eu só posso ter ficado louco em abrir minha boca pra falar isso.

— Me desculpe, eu não sei por que te chamei as...

— Fala de novo! — ele me interrompeu.

— E-eu preciso ir pra minha sala, me solta.

— Você não vai à lugar algum, não antes de repetir o que falou.

— Se não gostou, por que quer que eu repita?

— Porque quero te ouvir falando.

Mesmo receoso e com medo de morrer ali mesmo, eu falei.

— Jungkook... me desculpe.

Ele inesperadamente sorriu, enquanto sua língua circulava pelo seu piercing na boca, no mesmo movimento que sempre fazia para mim. Ele suspirou, me soltou, e foi até sua mesa, onde apoiou as mãos sobre ela e ficou de costas.

— Alexa, destranque a porta — falou.

A porta destrancou, mas eu não saí correndo.

— Eu vou para minha sala...

— Ok. — ele respondeu sem virar na minha direção.

Voltei para meu andar com a mente fervendo. Ele não parecia zangado, então por que me soltou e agiu assim? Eu deveria estar aliviado por ele ter me soltado, não questionando seus motivos.

Voltei para minha mesa e continuei trabalhando nas tarefas que me foram passadas. O dia foi exaustivo e eu não queria me sentir assim durante a peça mais tarde.

Terminei o expediente, desci para o estacionamento no subsolo e fiquei esperando onde o motorista geralmente me buscava. Com o barulho de um carro esportivo se aproximando, eu sabia quem poderia ser.

Ele parou a Lamborghini ao meu lado e desceu, já indo para o banco do passageiro.

— Não é legal eu ficar saindo junto com você no mesmo carro, as pessoas podem pensar outra coisa, ainda mais eu dirigindo o seu carro.

— Ninguém tem que achar nada aqui, entra logo.

Ele se sentou no banco do passageiro e, sem jeito, fui novamente para o volante. O carro era uma máquina, e só o ronco que emitia ao ligar arrepiava todo o corpo.

Assim que comecei a dirigir, ele abriu o porta-luvas, pegou um par de óculos de sol e colocou no rosto.

— Por que tá me pedindo pra dirigir? — aproveitei a pergunta para olhar na direção dele, que conseguiu ficar ainda mais bonito com um simples óculos no rosto.

— Já disse que estou com dor.

— Dor onde?

— Dor. Não importa onde.

— Então precisa de um médico, não de um motorista. Além disso, você tem uma infinidade de seguranças, qualquer um poderia dirigir.

— Qualquer um não é você. Pare de reclamar e preste atenção na direção.

E de novo, ele me deixou sem jeito.

Dessa vez, dirigi dentro da velocidade normal. Até acelerei algumas vezes, mas não cheguei perto da velocidade que corri mais cedo. Melhor não arriscar bater um carro desse, se não o preço seria literalmente a minha vida, e eu ainda morreria devendo.

Chegamos e deixei o carro na entrada da casa, onde uma pessoa o pegou para manobrar até a garagem.

— Vou para o quarto, preciso descansar para a peça.

— Ok.

Subi as escadas e, assim que entrei no quarto, tranquei a porta. Estava aliviado por não passar mal de novo, um sinal de que era apenas cansaço acumulado. Ou talvez seja culpa do meu cérebro que não para de pensar na existência desse cara.

Enquanto estava deitado, jogado na cama e desmotivado, meu celular tocou. Era uma ligação da professora do meu curso de dança clássica.

— Oi Jimin, boa tarde. Desculpa a demora para te agradecer, mas as coisas estão tão corridas ultimamente que não consegui te ligar antes.

— Oi professora, tudo bem. Mas, agradecer pelo quê?

— Por ter quitado seu curso, e com uma quantia muito maior. Com certeza poderemos investir mais na nossa escola e torná-la mais conhecida, graças a você. Te agradecemos imensamente.

— Ahh... eu... — Eu mal conseguia falar, meu corpo e voz travaram.

Eu sabia o que isso significava, ele também pagou meu curso...

— Começaram a chegar alunos aqui, depois continuamos nosso papo, até depois, Park, te vejo no sábado.

Ela desligou, e eu não estava nem raciocinando. Não dava mais para deixar passar, isso era nitidamente proposital pra me prender nessa dívida, e não posso aceitar.

Levantei enfurecido e comecei a procurar ele pela casa. O escritório estava trancado, então deduzi que ele estava lá, e comecei a bater na porta insistentemente, em socos fortes que ecoavam pelo corredor da mansão.

— Abre essa porta!

Ele abriu, e realmente estava lá. Entrei no escritório e fechei a porta atrás de mim, louco de raiva.

— Por que você está fazendo isso? — falei alto.

— Do que você está falando, moleque?

— Você pagou tudo. Minha faculdade, meu curso, simplesmente tudo! Por que está fazendo essas coisas? Você tá mais louco que o normal?

Mesmo que eu estivesse exalando raiva, ele estava calmo, e até isso estava me deixando mais e mais nervoso.

— Como soube?

— Não interessa! Você não tinha esse direito.

— Achei que eu vivia em um país livre para fazer o que eu quisesse.

— Mas eu não sou um país, você não tem o direito de fazer o que quer comigo e com minha vida.

Ele não respondeu, apenas cruzou os braços, e eu continuei falando alto, enfurecido.

— Você foi esperto, pagou todas as minhas dívidas pra me deixar completamente atrelado à você, aumentando ainda mais a grana que te devo... Você só sabe jogar sujo, em tudo.

— Eu não quero seu dinheiro.

— Então o que quer me perseguindo assim? Alimentar o seu ego?

— Você.

Uma palavra... Uma única palavra e ele conseguiu desarmar toda a raiva que eu estava sentindo. Sem saber o que fazer, simplesmente saí do escritório, mas ele veio atrás de mim e segurou meu braço no corredor.

— Eu vou embora da sua casa.

— Não, você não vai.

— Você não manda em mim!

Consegui me soltar dele, que até tentou me seguir, mas entrei no quarto antes e tranquei a porta.

— Jimin, abre essa porta.

— Eu vou fazer minhas malas, se quiser me matar, mate, eu não tô nem aí.

Enquanto arrumava minhas coisas, comecei a sentir tontura, da mesma forma que me senti mais cedo, mas não tinha tempo para isso. Respirei fundo e continuei.

Saí do quarto puxando minha mala, mas encontrei  ele parado na frente da porta, de braços cruzados e com a pior expressão possível.

— Você realmente fez essa porra de mala?

— Sim!

— Você já me conhece o suficiente pra saber que não vou deixar você ir.

— E vai me proibir como? Ameaçando? É só isso que você sabe fazer.

— Você não vai conseguir sair dessa casa.

Eu realmente não conseguiria passar pela quantidade de seguranças que ele tinha.

— Por que insiste em me manter aqui?

— Eu quero você aqui, não consegue entender, caralho?

Até tentei responder, mas não havia formas de responder isso. Eu dei um passo pra trás e voltei para o quarto.

— Me deixa sozinho.

Eu sabia que ele estava atrás da porta, mas não insistiu depois que falei.

Ficar aqui me confundiria ainda mais, e eu precisava eliminar essa possibilidade, e precisava pensar em um jeito.

🫐

Eu já tinha aceitado que não tinha uma solução imediata pra isso, ainda mais à essa hora, então a única coisa que me restava era ir para a peça e ficar aqui, pelo menos, por hoje.

Arrumei minha mochila e destranquei o quarto, me sentindo aliviado por ele não estar parado ali. Eu estava decidido a tentar ir de metrô, mas já sentia que talvez seria impossível.

Ele estava me esperando na sala.

— Acalmou? — perguntou cheio de cinismo enquanto colocava um copo vazio na mesa de centro.

Dei as costas ignorando ele, e fui até a entrada da casa. Segurei na maçaneta da porta para abrir, mas ele veio por trás e me impediu.

— Você não vai sozinho, nós vamos juntos.

Virei para ele e voltei a falar.

— Não quero que você me assista, nem que me olhe com esses olhos grandes e malignos.

— Que pena, vou assistir da mesma forma, vamos.

Ele afastou as mãos da porta e me deixou sair, mas, ao abrir, vi que do lado de fora havia muito mais seguranças que o normal. Eu sabia que isso era pra me impedir de ir embora.

Entrei no carro dele e cruzei os braços, onde fiquei em silêncio por todo o caminho.

— Vai ficar com essa cara? — perguntou.

Eu não respondi.

Após alguns minutos nesse silêncio infernal, chegamos ao festival, que já estava lotado. Desci rápido do carro e fui em direção à minha turma, largando ele para trás, torcendo para que fosse embora.

Vesti meu figurino e acertamos os últimos detalhes. Estava de cabeça quente e queria me forçar a esquecer dessa briga e do que ele fez.

Desejamos boa sorte uns aos outros e subimos ao palco, onde demos início à apresentação.

Alguns personagens cantavam, mas minha parte e a da Minjeong eram focadas na atuação e danças teatrais, então assim fizemos. Por várias vezes, me peguei olhando para a plateia, procurando aqueles olhos entre a multidão, mas não o encontrei.

Eu não deveria pensar nele e isso estava me desconcentrando, mas era impossível evitar.

Próximo ao fim da peça, eu me sentia exausto fisicamente, muito mais do que o normal. A Minjeong se aproximou de mim e pegou minhas mãos para dizer nossas últimas falas, mas aquela exaustão do meu corpo chegou a um nível insuportável.

— Minjeong, eu... — eu desmaiei no palco, estragando a peça que todos se esforçaram para dar certo.

🫐

Abri os olhos, percebi que estava em um quarto de hospital.

— Que merda aconteceu comigo? — sussurrei.

Queria sair correndo, mas havia vários acessos de soro em mim, assim como diversos fios conectados ao meu peito.

Há tempos eu não apresentava uma peça, e o festival de Kyoto era a oportunidade que eu teria de talvez ser reconhecido por algum caça-talentos, e eu simplesmente fodi com tudo.

Quando voltei a olhar ao redor, percebi que não era um quarto de hospital qualquer. Era tudo luxuoso, com uma grande televisão, videogame e até um frigobar. Meu plano de saúde com certeza não cobria um lugar como esse.

Após alguns minutos tentando raciocinar, a porta abriu e vi uma mulher entrar, com um jaleco branco e cabelos grisalhos presos em um coque solto.

— Olá, rapaz, que bom que acordou.

Ela pegou outra bolsa de soro e conectou ao acesso que já havia no meu braço.

— Oi... o que aconteceu comigo?

Ela deu um longo suspiro antes de responder, o que já me deixou em alerta.

— Bem, fizemos alguns hemogramas, e os exames indicaram que você tem miastenia gravis. É uma doença autoimune que afeta a transmissão dos sinais entre os nervos e os músculos.

Meu coração começou a acelerar de uma forma que doía. Com tudo o que estou passando, achava que não tinha como as coisas piorarem, mas a vida é realmente uma caixinha de surpresas. Sempre surpresas ruins.

— O que causa isso? — minha voz saiu fraca pelo medo.

— Essa condição ocorre quando seu sistema imunológico produz anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores nos músculos, impedindo que os sinais nervosos cheguem adequadamente neles, causando a fraqueza muscular e fadiga.

Era como um abismo escuro e frio se abrindo abaixo de mim, me arrastando para dentro dele cada vez mais. Um balde de água fria caindo em cima da minha cabeça e dos meus sonhos.

— Eu... eu vou morrer? — Eu estava segurando o choro, mas era nítido na minha voz.

— Não é uma doença fatal, mas requer tratamento e cuidados para não piorar seu quadro, pois em uma situação mais grave, pode prejudicar sua locomoção.

Eu fiquei com o olhar fundo, perdido, com um turbilhão de pensamentos passando na minha mente ao mesmo tempo.

— Tem alguns amigos seus lá fora, se quiser, posso pedir para entrarem.

— Eles sabem disso? Dessa doença?

— Ainda não.

— Não conte para eles, por favor.

Ela pareceu pensar por uns segundos antes de sua resposta.

— Se prefere assim, nós respeitamos. Não esqueça que em um momento complicado como esse, é essencial ter pessoas por perto te apoiando.

— Ok, obrigado...

Ele saiu da sala, e uns minutos depois, o Nam e o Taehyung entraram no quarto. Eles estavam preocupados, e era nítido no olhar deles.

— Eu sabia que tinha alguma coisa errada, você desmaiou duas vezes em um dia só — O Namu já entrou falando desde a porta.

— Agora tô bem.

— O que a doutora disse.

— Ahh, é... foi minha pressão que caiu.

— Só isso?

— Uhum...

Eles olharam um para o outro, e em seguida para mim, desconfiados.

— Quem me trouxe pra esse hospital?

— Seu amigo mafioso. Inclusive, foi ele quem te socorreu quando você caiu no palco. Nós te vimos cair e corremos, mas ele estava mais perto e foi mais rápido — o Tae respondeu.

— Ele não é meu amigo, não é nada meu, para com isso.

— Olhando o desespero que ele ficou pra te socorrer, parecia ser até mais do que amigo.

O Namu concordou com ele, confirmando que ele realmente ficou desesperado pra me ajudar.

Por que ele estava fazendo isso comigo?

— Você tem certeza que está bem? — o Nam perguntou, preocupado.

— Eu tô, pode confiar. Foi só minha pressão.

Depois de uns minutos conversando, a enfermeira trouxe algumas comidas, então nos despedimos e eles saíram. Eu não queria comer, e quando ela saiu, peguei a bandeja e coloquei de lado.

A porta abriu de novo. Achei que a enfermeira estava voltando, mas pra minha surpresa, era o Jeon.

Ele entrou e se aproximou de mim.

— Você está bem?

Concordei com a cabeça, sem responder verbalmente.

— Por que não me falou que desmaiou na universidade?

— Isso não é da sua conta.

Ele suspirou profundamente após minha resposta.

— Por que me trouxe nessa droga de hospital de rico? Eu não tenho dinheiro pra isso, ainda mais considerando tudo o que eu tenho que te pagar agora.

— Eu paguei tudo porque quis, isso não tem nada a ver com aumentar ou não sua dívida. Que porra de moleque teimoso!

Eu fiquei em silêncio.

— O que a médica te falou?

— Não importa.

— Se não falar, vou sequestrar a doutora e torturar ela até abrir a boca.

— Você é louco? — olhei assustado para ele.

— Com certeza sou.

Olhei para baixo, e preferi manter a mesma coisa que falei para os meninos.

— É só pressão baixa.

— Eu não acredito em você.

Eu queria discutir com ele, mas nem para isso eu tinha forças.

— Não preciso te provar nada.

A médica voltou pra minha sorte, e ele precisou sair. Após algumas recomendações e receitas de remédios, ela me deu alta.

Já era madrugada quando saí do quarto, 3h da manhã pra ser mais exato. Vi ele sentado na sala de espera do hospital, com os braços apoiados nas pernas e a cabeça baixa.

— Não era pra me esperar.

Ele me viu e levantou rápido.

— Vamos.

Em silêncio, nós saímos e entrei no carro. Eu via ele me olhar enquanto dirigia por várias vezes, mas continuei com meu olhar para a janela.

Nós chegamos na casa dele em poucos minutos, já que aquele hospital caro era próximo a casa dele.

— Quer que eu te ajude a descer?

— Não, obrigado.

Assim que saí do carro, fui com cuidado até o quarto, e me tranquei.

Eu só conseguia pensar como tudo veio tudo de uma vez. Eu mal estava processando o fato de só pensar nesse cara, e também, todas as minhas dívidas pagas por ele, agora, também tem essa porcaria de doença.

O pior era pensar o quanto eu era covarde, ao ponto de ter vergonha de contar isso para as pessoas.

— Jimin? — Era a voz dele, me chamando do lado de fora do quarto.

Eu não respondi, mas ele continuou insistindo.

— Eu sei que você está me ouvindo. Abre essa porta.

— O que você quer? — falei em voz alta.

— Não torne as coisas mais difíceis, por favor.

— Eu tô bem, tá legal? Pode ir dormir.

— Um, dois, três...

As coisas sempre são do jeito dele.

Levantei devagar, escondi as medicações e exames, e abri a porta, me apoiando nela.

— O que está acontecendo com você? — ele perguntou em um tom de certa forma, triste. Não sei se era só impressão, mas mesmo assim, preferi pensar que realmente era isso.

— Nada, eu só preciso dormir um pouco.

— Por que sinto que você está mentindo?

— Porque você não acredita em ninguém.

Ele deu um passo e se aproximou de mim. Eu estava apoiando a cabeça na porta, segurando ela com uma mão, na altura do rosto. Ele colocou sua mão em cima da minha e também apoiou a cabeça na porta, em silêncio e me olhando.

Ele começou a fazer carinho na minha mão, e bastava esse único toque pra me deixar com o coração acelerado, mesmo que meu corpo estivesse completamente lento.

— Posso te mostrar uma coisa? — ele falou.

Olhei desconfiado para ele.

— O que?

— Confie em mim.

Nunca pensei em dizer isso, mas naquele momento, sabendo dessa doença, de certa forma, eu realmente confiei.

Ele estendeu a mão, e eu peguei, e ele não soltou mais depois disso.

Conforme andamos pela mansão enorme, ele abriu uma porta na qual eu nem sabia que existia. Logo após ela, havia uma escada, que dava acesso à um sótão.

— Vai me matar aqui, né?

— Vou.

Ele riu sem jeito e continuou andando, até uma grande janela de vidro. Eu fiquei tentando entender o que ele estava fazendo, mas continuei seguindo. Ele abriu a janela, e tivemos acesso ao telhado da casa.

E quando saí, entendi o que ele queria mostrar.

A casa dele era no alto do bairro, praticamente em cima de uma montanha, o que não deixava barreiras alguma na vista. E era simplesmente incrível. Era possível pra ver a cidade de Seoul praticamente inteira.
As luzes urbanas eram intensas, cada uma brilhando na sua cor. Cada pessoa pequenininha lá embaixo, com sua vida e seus problemas, cada uma protagonista da sua própria história.

— Isso é tão lindo... — falei surpreso, com os olhos vidrados no céu.

Não havia galáxia à mostra, por causa das luzes da cidade, mesmo assim, o céu estava estrelado, e a lua cheia brilhava de forma majestosa no céu, exatamente de frente para nós.

Ele sentou no telhado e fez um gesto, me chamando pra sentar também, e assim o fiz.
Ficamos olhando a vista em silêncio por alguns minutos, até ouvir sua voz novamente.

— Quando me mudei para essa casa, costumava subir aqui de madrugada, pra ficar olhando essa vista da cidade, sem acreditar nas coisas que eu estava conquistando. Mesmo que de uma forma errada... — ele sorriu sem jeito.

Eu olhava para ele, enquanto ele olhava para o céu.

— Não importa se é certa ou errada, só você sabe o que passou pra chegar até aqui.

Ele olhou para baixo, mexendo em algumas folhas de árvores que estavam no telhado, que se espalharam com o vento.

— Tudo o que você me deve, está pago.

Olhei surpreso para ele quando ouvi.

— Como assim?

Ele me olhou novamente e respondeu.

— Eu não quero que você me pague dinheiro algum. Mesmo que eu queira você aqui comigo, não posso te forçar a isso, então se quiser ir embora, eu vou respeitar sua decisão.

Os olhos dele eram tão expressivos, e quase sempre eram ameaçadores, mas nesse momento, pareciam perdidos e tristes.

Eu não conseguia raciocinar como isso começou, mas eu também não queria ir. Eu pensava que odiava ele mais que tudo, mas agora, sentia como se um furacão tivesse passado na minha mente e feito uma enorme bagunça em tudo o que eu achava que sabia.

Ele era o furacão.

Ele virou o corpo e sentou um pouco de lado, na minha direção. Sem eu esperar, ele levantou sua mão devagar e posicionou no meu rosto, onde começou a fazer carinho. Era tão bom sentir seu toque que eu facilmente ficaria aqui pelo resto da minha vida.

— Sua existência tá me enlouquecendo... — ele sussurrou.

Eu sentia um exército de borboletas no meu estômago, e mal conseguia respirar em um padrão certo. Apoiei meu rosto na mão dele e continuei olhando nos seus olhos grandes, que pareciam brilhar tanto quanto as estrelas.

Eu poderia me culpar pelo resto da minha vida, e sabia que isso era quase certo, mas naquele momento, eu estava disposto a arriscar qualquer coisa.

Sem margem para raciocinar, eu fui na direção dele e o beijei.

Assim que senti seus lábios no meu, ele envolveu minha cintura com o braço e retribuiu. Era como se naquele momento, toda a cidade ao nosso redor tivesse silenciado, onde eu podia ouvir apenas o som do meu coração batendo de forma desesperada.

Uma de suas mãos se apoiou na minha nuca, como se tentasse trazer minha boca ainda mais para si, me guiando entre o beijo. Nossas línguas seguiam um ritmo completamente perfeito, como se tivessem praticamente sido criadas uma pra sentir a outra.

Eu nunca senti um beijo tão bom em toda a minha vida.

Entre o beijo, ele parava e mordia meu lábio inferior, enquanto sua mão circulava pelo meu cabelo. Até sua mordida era gostosa.

— E-espera. O que a gente tá faz...

Antes mesmo de eu terminar de falar, ele voltou a me beijar, e eu retribuí, no que rapidamente virou um beijo intenso. Minha mão, impaciente, segurou na sua roupa, puxando ele na minha direção ainda mais.

Quando nós paramos, ele continuou me olhando, ofegante, com nossas bocas próximas e nossas testas apoiadas uma na outra. Sua mão intercalava entre minha nuca e meu cabelo, em um carinho expressivo e gostoso.

— Não vai embora, por favor... — ele sussurrou.

Eu sentia meu rosto ferver, assim como minhas mãos trêmulas. O gosto dele ainda estava na minha boca, me lembrando o quanto eu gostei de sentir isso.

— Eu não posso ficar...

— Por que não?

Eu sabia que se eu ficasse, isso continuaria me confundindo ainda mais, mas meu subconsciente queria continuar se confundindo com ele.

— Não sei.

— Então você pode.

Eu não sabia se ele já tinha beijado ou não outros caras, mas era nítido que eu nunca tinha feito isso. Eu sentia meu rosto cada vez mais vermelho, e ficava cada vez mais tímido. De certa forma, até esses sentimentos deixaram meu corpo cansado.

— Eu vou para o quarto, preciso dormir um pouco.

Ele olhou para baixo e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.

— Tudo bem.

Sua expressão confessava que não estava tudo bem, e que ele não queria que eu fosse, mas eu precisava, não dava pra ficar e desmaiar aqui, muito menos arriscar gostar ainda mais dele.

Ele me ajudou a levantar, e eu entrei. Ele preferiu ficar no telhado, e não veio atrás de mim.

Assim que passei da porta do quarto, tranquei e me apoiei nela. Meu corpo foi deslizando, até eu alcançar e sentar no chão.
Abracei meu joelho e coloquei a cabeça entre meus braços.

Toquei meus próprios lábios, tentando processar que esse beijo não foi um delírio. Mesmo que meu corpo estivesse um pouco fraco, minha mente estava em completa agitação, e não parava de pensar especificamente nisso.

— Nós realmente nos beijamos... — eu mal conseguia acreditar.

Levantei do chão e fui até a cama, onde tomei o remédio que a médica me prescreveu e deitei.

Mesmo com o cansaço físico, eu não estava com sono, então a única coisa que fiz foi ficar deitado pensando no que aconteceu entre nós. Meu coração batia acelerado, e eu me sentia ridiculamente feliz.

Eu gostei tanto que sabia que isso não poderia se repetir mais. Nós somos completamente diferentes, e no fundo, sentia que isso era apenas uma confusão passageira da minha mente, ou da nossa.

Seu perfume caro estava nas minhas roupas, me lembrando a todo momento o quanto ele bagunçou minha mente.

Depois de um tempo ali, sem trocar muito de posição e com a mente silenciando aos poucos, eu consegui dormir.

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SAIUUUUUU! O beijo saiuuuu!
Me emocionei escrevendo, gente, confesso.
Espero que eu esteja conseguindo transmitir essas emoções para a história, pois eu mesma estou me apaixonando por eles!

Me desculpem pelo capítulo enorme,
eu estava inspiradinha KKKK
Conto com sua presença no próximo capítulo.

Até lá! 💙

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