05 | 다섯 번째 장
Oi coisa mais linda,
Que bom te ver por aqui.
Apertem os cintos, e bora para mais um capítulo!
#azuldameianoite
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- PARK JIMIN -
Dois dias depois.
E mais uma semana se iniciava, com a minha vida se repetindo a mesma merda. Eu sentia que ia enlouquecer com tudo isso acontecendo na minha vida, e até duvidava da minha capacidade de aguentar sem surtar de vez.
Hoje eu tinha aula, e ela seria inteiramente dedicada à peça que vamos apresentar no festival de Kyoto daqui uns dias.
Essa deveria ser minha única preocupação atual, mas não. Para minha completa infelicidade, serei obrigado a viajar com aquele destruidor de almas para outro país. Tenho certeza que ele vai me despachar junto com as malas. Se pudesse, ele realmente faria isso.
Tomei banho, coloquei meu uniforme e desci, onde algum motorista dele estaria me esperando, ao menos, era o que eu achava.
— Bom dia, Sra. Lee. Sabe onde o motorista está?
— Olá, bom dia meu garoto. O Sr. Jeon avisou que ele te levará hoje.
Só pode ser brincadeira...
— Avise ele que estou indo de metrô, por favor.
— Tem certeza? Ele pode não gostar.
— Eu não me importo. Até depois.
Passei pelos inúmeros seguranças e saí. Por ser um bairro de alto padrão, a estação de metrô mais próxima não era tão perto, então eu precisava caminhar uma boa distância. Coloquei os fones e escolhi uma música pra caminhar.
Depois de alguns quarteirões, avistei a estação, mas mesmo com a música, ouvi um carro se aproximando por trás. Quando parou, olhei na direção do som e vi o mal em pessoa.
— Entre. — O Jeon desceu o vidro e falou.
— Eu sei andar.
— E eu sei torturar adolescente insuportável. Entra logo nesse carro.
Desgraçado... Suspirei fundo e entrei.
— Por que não me esperou? — perguntou já sem paciência.
— Porque eu não queria ir com você, não tá claro isso?
— Você não tem que querer nada.
— Que cara insuportável.
Ele se divertia com a minha raiva, e isso era tão óbvio. Mesmo assim, eu não conseguia não jogar o jogo dele, e vivia irritado, caindo nas provocações dele. Isso tem que acabar logo.
Ele ligou o carro e dirigiu até a universidade, em silêncio. Assim que chegou, eu desci sem falar nada, já irritado, e nem olhei para trás.
— Desgraçado!
Entrei xingando e fui direto para minha sala. Minjeong já estava sentada ao lado da minha mesa, pois hoje teremos o último ensaio antes da peça. Não vou conseguir nem praticar um pouco sozinho, já que aquele maluco quer me levar como mascote nessa porcaria de viagem.
— Oi Ji, bom dia. Hoje vamos provar nossos figurinos ajustados.
— Bom dia, Minjeong. Isso é ótimo. — Respondi tentando me acalmar, sem que ela notasse que eu estava cheio de raiva.
A professora entrou na sala e começou a falar sobre os figurinos, então fomos até o vestiário da escola, onde alguns alunos já estavam provando suas roupas. A peça é de época, então nossos figurinos seguiam o tema da Idade Média europeia.
Vesti meu traje, que consistia em um terno antigo e um chapéu. A Minjeong colocou um vestido branco rodado, que a fez parecer uma fada.
— Gostou? — ela perguntou enquanto girava.
— Ficou perfeito em você.
— Você quer sair comigo hoje à noite? — ela respirou fundo e falou de repente. — Podemos sair para jantar ou fazer algo que você goste. O que acha?
Ela estava definitivamente me chamando para um encontro.
— Ah... hmm, bem, eu adoraria, mas hoje vou viajar. Se ainda quiser, podemos marcar quando eu voltar.
— Combinado. — ela sorriu e, um pouco envergonhada, se afastou para pegar o restante dos acessórios que usaria.
Depois do que a Sohee fez comigo, eu não queria namorar tão cedo, mas conhecer melhor a Minjeong talvez fosse bom para mim. Enquanto pensava nisso, o rosto daquele louco veio à minha mente sem nenhuma razão.
Esse pensamento involuntário me irritou. Precisava esquecer da existência dele, pelo menos enquanto estava na universidade... Ele conseguia me incomodar tanto que até meus pensamentos não tinham paz.
Fizemos nosso último ensaio e quase tudo saiu como planejado. Eu ainda esquecia algumas palavras soltas, mas agora eram poucas, e eu tinha poucos dias para corrigir isso.
No intervalo, vi apenas o Taehyung sentado em uma mesa dos jardins da universidade, comendo uma tigela caprichada de tteokbokki.
— E aí Tae, cadê seu irmão?
— Eu também sou seu amigo, você pode conversar comigo também, sabia?
— Me desculpe — dei risada — Como estão as coisas?
— Tudo certo. Deixa eu te contar a novidade; Comprei umas criptomoedas à um tempo atrás, e elas estão valendo uma grana boa nessa semana. Vendi e vou sacar o dinheiro hoje.
— Que notícia boa. Não conte pra sua mãe que conseguiu dessa forma.
— Mas criptomoeda não é crime. Isso pelo menos, não.
— E sua mãe vai entender isso? — dei risada enquanto roubava um pouco do tteokbokki dele.
— Não vai mesmo. — ele riu também — Vamos sair pra comemorar, o que acha?
— Valeu, mas infelizmente não vai dar, vou viajar com aquele louco.
Ele me olhou surpreso, tentando engolir rápido o tteokbokki que estava na boca.
— Espera aí, o que eu perdi? Vocês viraram amigos?
— Tá maluco? Isso nunca aconteceria, nunquinha, jamais, em hipótese alguma.
— Então qual o motivo da viagem?
— Pelo que entendi, ele vai para a Austrália organizar a abertura de uma filial. Na real, eu não vou servir para nada, mas é a oportunidade que ele tem de infernizar a minha vida, então está me obrigando.
— E se ele estiver te levando pra te matar e largar seu corpo para os bichos comerem?
— Cala a boca, não me assusta!
— Tô falando sério. Ele é um psicopata, deve ter algum motivo nisso, tudo o que ele faz é premeditado.
Nesse momento, o Namu se juntou a nós, com um notebook na mão.
— Onde você estava? — questionei.
— É um interrogatório?
— Sim.
— Ok, chefe. Estava escrevendo meu novo livro, e já fiz os primeiros capítulos, então quero que vocês leiam depois e me digam o que acharam.
— Sou bem crítico, então fique preparado.
— Essa é a intenção. Você vai sair pra beber com a gente, né?
— Não vai dar, vou viajar.
— Ele vai viajar com o sequestrador dele — o Tae rebateu, e o Nam também me olhou surpreso.
— É sério?
— Queria dizer que não, mas é...
Ele fechou a tela do notebook e me encarou.
— Park, te deram um soco esses dias, e você vai simplesmente aceitar ir em uma viagem com esse filhote de satanás?
— Esse soco não foi uma ordem dele, e outra, ele também bateu no cara que fez isso.
— Ihhh...
— Ihhh o que? Se liga.
— Você tá defendendo ele.
Minha postura ficou completamente defensiva, onde até minha voz mudou.
— Não tô não!
— Uhum, ok...
— Ele está me obrigando a ir nessa porcaria de viagem, eu não tenho escolha, não se eu quiser continuar vivo.
Ele abriu a tela do notebook e voltou a digitar enquanto ria.
— Eu prometo que vou tentar te ajudar a pagar essa dívida, só espera eu vender mais bitcoins ou conseguir mais alguns esquemas.
— Obrigado Tae. Você é o caçula, não vale nada, mas tem mais empatia comigo que esse seu irmão aí.
Ele começou a gargalhar, e nós três ficamos rindo.
Continuamos conversando até o alarme tocar, e cada um voltou para sua sala de aula.
Assim que cheguei na minha sala, meu celular vibrou com uma mensagem. Era de um número desconhecido, mas bastou ver a foto para entender quem era.
— Era só o que faltava... — sentei na minha mesa e bloqueei a tela do celular, onde na raiva, apenas joguei dentro da minha mochila.
Agora, com meu número, eu tinha certeza de que ele me perseguiria ainda mais. Sei que alguém como ele consegue descobrir tudo sobre uma pessoa, mas o fato de saber até desses detalhes do meu passado me deixava preocupado com meus pais.
Eu precisava pagar essa dívida o quanto antes.
Enquanto criava mil paranoias, o professor me chamou até sua mesa e entregou uma carta lacrada com o logo da universidade. Fiquei em estado de alerta, imaginando que fosse alguma notificação judicial. Ainda não paguei a mensalidade deste mês, e várias outras parcelas já se acumulavam. A universidade só não me expulsou ainda porque entrei com bolsa de estudos, mas uma hora ou outra isso poderia acontecer.
Sentei na mesa e abri o envelope. Quando tirei a carta, li o título: "Carta de Quitação".
— Espera aí... — comecei a ler, e a carta informava que todas as minhas mensalidades estavam quitadas, inclusive minha formatura, dívidas com a biblioteca e até com o refeitório.
Levantei assustado com a carta nas mãos e saí da sala correndo. Subi para o terceiro andar e fui até a diretoria, mas fiquei mais de trinta minutos esperando a má vontade da diretora em me chamar.
— Park Jimin, em que posso ajudar?
— Boa tarde, diretora. Gostaria de saber por que recebi esta carta. Acredito que seja um erro, pois infelizmente ainda não paguei minhas mensalidades.
— Vou conferir. Sente-se. — ela apontou para uma cadeira e eu me sentei.
Ela começou a digitar no teclado. Sua sala estava silenciosa, então o som das teclas ecoava de forma repetitiva.
— Park, aqui consta para mim que todas as suas mensalidades realmente estão pagas, não só as em atraso, mas todas as outras também. Seu curso está quitado.
— Não, espera aí, deve ter algum engano. Seria um sonho, mas não tem como eu ou qualquer outra pessoa ter pago essa quantia toda de uma vez.
— Entendo. Vou verificar com o departamento financeiro novamente. Volte para a sala de aula e assim que tiver uma resposta, te aviso.
— Tudo bem...
Saí da sala ainda sem acreditar. Era algo bom, muito bom, mas não podia comemorar, pois estava claro que isso era um erro que logo seria corrigido. Seria um sonho me livrar dessa dívida, mas não havia como isso acontecer no momento.
Voltei para a sala de aula e continuei o resto do meu dia. Ao fim, passei novamente pela sala da diretoria, mas ela já não estava mais lá. Saí pensativo, olhando para o chão.
Vi um carro preto parado, e para meu alívio, não era uma Lamborghini. Ao me aproximar do carro, o homem abaixou o vidro, e não o reconheci. Era um rosto que nunca vi antes; um homem loiro, com cabelo um pouco comprido.
— D-desculpe, achei que era um conhecido.
— Você é o barman da Blue Sky, acertei?
Eu já estava me afastando, mas virei na sua direção de volta quando ouvi.
— Sim. Quem é você?
— Sou conhecido do Jungkook. Entre, vou te levar para casa.
— E quem é Jungkook?
— Ahh, você deve conhecer ele pelo sobrenome. Jeon Jungkook, reconheceu agora?
Eu não fazia ideia que esse era o nome dele.
— Desculpe, mas não te conheço, então prefiro esperar aqui.
Ele sorriu e pegou uma carteira, onde tirou um cartão de visitas e me entregou.
— Esse é meu contato. Vou ser sincero, sei que ele tem te perseguido por causa de dinheiro, então se quiser se livrar dele, me ligue. Só te peço para que não conte à ninguém que tivemos esse contato. Até.
Ele ligou o carro e partiu. Olhei para o cartão e li seu nome: Hwang Hyunjin. Sentei em um dos bancos em frente à universidade e olhei para o cartão. Isso me deixou pensativo.
— Como esse cara sabe quem eu sou? E sabe da dívida?
Fiquei parado assim por alguns minutos. Eu cogitei ligar, mas estava com medo da reação do Jeon se descobrisse. Ele sabia tudo da minha vida, e tenho certeza de que saberia como chegar até meus pais.
Nesse momento, vi um dos motoristas dele chegando, então rapidamente guardei o cartão na mochila. Senti alívio ao ver que era apenas o motorista de sempre, e não o próprio tirano em pessoa.
Dentro do carro, eu continuei pensando em tudo isso.
— Jungkook, então é esse seu nome... — sussurrei.
O motorista me deixou na mansão. Agradeci e fui até o quarto. Precisava ensaiar minha dicção com as falas, mas naquele momento, estava com vontade de dançar. Troquei de roupa e desci até o salão em frente à piscina, e lá comecei a praticar. Sabia que Jeon nunca frequentava aquelas áreas, e como ele não estava presente na casa, sabia que teria paz.
Ouvi a música e senti cada nota percorrer meus músculos, guiando meus passos com precisão. A melodia era hipnotizante, e minha mente sempre se desconectava de qualquer preocupação que eu tivesse. Cada movimento era uma liberação, uma expressão pura de liberdade.
Liberdade essa que eu só tinha na dança.
Perdido em meus passos, não percebi o dia passar. A tarde caía, e as sombras das árvores ao redor da piscina começavam a se alongar pelo salão. Eu já estava cansado e suado, e mesmo assim continuava, foi então que, após um mortal que executei, meus olhos se encontraram com os de Jeon, que estava parado na entrada do salão, me observando.
Senti um calafrio percorrer minha espinha e fiquei envergonhado, pensando à quanto tempo ele estava ali.
Desliguei o som e comecei a pegar minhas coisas que estavam espalhadas pelo chão.
— Por que parou? — perguntou.
— Não gosto de plateia.
— E cursa atuação por qual motivo?
— Não te interessa. Com licença.
Passei ao lado dele pra sair, mas ele segurou meu braço.
— Não seja mal educado, Jimin...
Puxei meu braço e ele soltou.
— Por que estava me olhando?
— Porque eu gostei do que vi, simples.
Não imaginei que ele responderia isso, e ainda conseguiu me deixar envergonhado.
— Vou arrumar minhas malas para essa droga de viagem. — disse enquanto me afastava dele e entrava na casa. Voltei para o quarto e comecei a organizar minha mala.
A Sra. Lee até me trouxe um lanche no quarto e ficou sentada conversando comigo enquanto eu arrumava e comia ao mesmo tempo.
Respirei, tomei coragem e perguntei para ela.
— Sra. Lee, o nome dele é Jungkook?
— É sim. Ouviu alguém falando?
— Uhum.
Ela colocou mais suco no copo e me entregou.
— Geralmente, vejo só os mais íntimos dizer seu nome ou apelido. Ele costuma usar apenas o sobrenome.
Que nome bonito...
— A senhora conhece ele há muito tempo?
— Desde pequenininho, acho que tinha uns seis anos quando o trouxeram para a casa onde eu trabalhava na época. Chegou todo magrinho, sujo e medroso... — ela sorriu com a lembrança, mostrando o quanto realmente gostava dele.
Pensando bem, nunca o vi falar com ela da forma como fala com qualquer outra pessoa. Isso também me fez sorrir.
Mas, por que raios eu estava sorrindo?
Continuei arrumando minhas coisas enquanto mudamos de assunto. Assim que terminei, ela levou a bandeja e saiu do quarto, e eu fiquei ali, esperando o tempo passar, conversando com os meninos por mensagem.
Nunca pisei fora da Coreia, e minha primeira viagem internacional seria com alguém como ele...
Perdido enquanto pensava nisso, eu já estava esquecendo do meu script e fiquei aliviado por lembrar. Peguei ele dentro da minha mochila, e quando puxei, o cartão de visitas daquele homem loiro veio junto. Sentei na cama e comecei a olhar para ele novamente, pensando se deveria ligar.
Me livrar de um criminoso pedindo ajuda para outro não seria uma boa ideia. Na verdade, nem sabia se esse cara também era um mafioso, mas automaticamente deduzi isso ao olhar para ele. Seu cartão dizia que era empresário, mas isso não o impedia de ser como o Jeon.
Ou melhor, como o Jungkook.
Coloquei o cartão na mala e desci para a entrada da casa. Ele ainda não estava lá, então fiquei sentado na sala, mexendo no celular organizando a sequência da minha playlist pra ouvir na viagem.
Depois de alguns minutos, ele desceu, de mãos vazias, enquanto um funcionário carregava duas malas.
— Você só sabe usar essas roupas? — falou, apontando para mim.
Olhei confuso para minha roupa e depois para ele novamente.
— Não entendi, o que tem de errado?
— Roupas de adolescente.
Eu estava usando uma camiseta branca, uma jaqueta de couro, um boné e calça jeans.
— E quer que eu me vista como? De terno? Não sei se lembra, mas não sou CEO, muito menos tenho 50 anos como você.
Ele arregalou os olhos, que já eram naturalmente grandes.
— E quem disse que eu tenho 50 anos?
— E não tem?
— Vá se foder, moleque. Por causa da sua petulância, vai levar suas malas sozinho para o carro.
— Levo mesmo, tenho dois braços e não sou preguiçoso como você.
Eu sabia que ele não tinha essa idade, mas não ia perder a oportunidade de provocar ele.
Peguei minhas malas e fui para fora. Ele já estava dentro do carro, feito um esnobe esperando.
— Riquinho esnobe... — eu resmungava enquanto colocava no porta-malas.
— Eu estou te ouvindo, agricultor.
— Eu não sou agricultor!
Ele começou a rir discaradamente.
Ele conseguiu me irritar do mesmo jeito que eu o irritei. Fechei o porta-malas e entrei no carro, que já estava impregnado com o cheiro de perfume caro dele. Era tão bom que me dava raiva.
— Por que está me levando junto?
— Porque eu quero.
— Seja sincero, você vai me matar, não vai?
— Se ficar questionando, eu vou mesmo.
Cruzei os braços e virei para a janela.
Ficamos no carro por trinta minutos até chegar ao Aeroporto de Incheon. Assim que chegamos, ainda no carro, ele abriu o porta-luvas, pegou uma arma e começou a prender em um coldre no tornozelo.
— O que você está fazendo?
— Como assim?
Apontei para a arma.
— Relaxa, não é para te matar, não se você colaborar e disfarçar que sabe que estou com ela.
Ele era maluco, e era óbvio que não conseguiria embarcar com isso.
Assim que entramos na fila para o check-in, ele falou próximo de mim.
— Fica na fila e faz seu check-in, vou por um atalho. Você sabe que se fugir, eu vou te achar, então nem tente fazer isso.
Ele me entregou meu bilhete de embarque e se afastou, desaparecendo na multidão. Nunca tinha viajado de avião e não sabia ao certo o que fazer para embarcar. Senti um certo desespero por estar sozinho, o que me deixou pensativo.
Eu realmente estava me sentindo ansioso por estar sem ele. Qual o sentido disso? Eu deveria comemorar e não me preocupar.
Cheguei no guichê e, felizmente, o check-in foi tranquilo. A atendente me orientou a ficar na área de espera do embarque e explicou como chegar lá. Passei pela revista e pelo detector de metais, finalmente entrando na área de embarque.
Lá dentro, vi Jeon já sentado, mexendo no celular tranquilamente. Me aproximei e sentei próximo, com dois bancos de distância entre nós.
— Como você conseguiu fazer isso?
— Tá querendo saber demais, garoto.
Ele havia entrado sem passar pela revista de segurança e estava armado no meio de todas essas pessoas.
Enquanto esperamos o voo, me distraí olhando em sua direção. Mesmo sendo uma pessoa desprezível e má, ele era bonito, muito bonito. Na primeira vez que o vi na boate, tinha muitas mulheres ao redor deles... ele deve beijar muita gente.
Mas que droga é essa que eu estava pensando?
— Por que está me olhando?
— O quê? — voltei dos meus pensamentos ao ouvir sua voz.
— Você não para de me olhar.
— Não estou não. — Virei meu corpo e sentei de frente, evitando olhar na sua direção.
Ouvi uma risada baixa. Ele estava claramente zombando de mim.
— Eu não estava olhando para você, era para aquelas pessoas ali atrás.
Ele olhou para trás e depois voltou a me encarar, com seu sorriso sínico no rosto.
— Ok, vou fingir que acreditei nessa.
Desse momento em diante, eu não olhei mais na direção dele.
Após mais alguns minutos de espera, nós embarcamos. No voo, até passamos pela classe econômica, mas eu sabia que ele não ficaria aqui. Talvez ele me deixasse nessa parte, o que não seria problema algum.
Continuamos andando pelos corredores até que chegamos na primeira classe, e eu nunca tinha visto nada igual na minha vida. Eram pouquíssimos assentos em cabines completamente privativas. Havia garçons, decorações em ouro por todo lado e cada assento com sua própria janela, que parecia maior que as janelas convencionais.
Ele entrou e eu fiquei parado na porta, sem jeito. Jeon parou e olhou para trás, gesticulando com as mãos.
— O que foi dessa vez?
— Eu... hmm... eu vou ficar aqui?
Ele me olhou com estranheza, como se eu tivesse dito algo esquisito.
— Não entendi sua pergunta. Entra logo e sai da porta.
Entrei e sentei no assento que ele apontou, exatamente ao lado dele. Ele era a pessoa mais contraditória que já conheci. Ao mesmo tempo em que me fazia sofrer até meus antepassados, proporcionava uma vida moderadamente boa. Isso me lembrou o que o Namu disse, que ele está só criando o peru para matar no Natal, ou antes mesmo disso.
Pela tela do meu assento, vi que eram treze horas de viagem sem escalas. Sentia que ia enlouquecer durante todo esse tempo dentro de um avião e precisava me distrair para não surtar. Coloquei meus fones de ouvido e minha playlist para tocar. Minha poltrona deitava completamente, e foi o que fiz, deitei e fiquei observando a janela.
De olhos fechados e sentindo a música, consegui cochilar.
Algumas horas depois, acordei e vi pela janela que ainda estava escuro. Conferi meu celular e o relógio marcava 4h da manhã. Eu não tinha dormido quase nada comparado às treze horas que levaria. Quando me virei para o outro lado, notei que ele estava dormindo... ou fingindo, afinal, ele não deitou o banco, apenas inclinou um pouco para trás.
Por uns minutos, fiquei olhando na direção dele, pensativo.
— Como pode alguém tão bonito desse jeito ter uma personalidade tão ruim? — sussurrei para mim mesmo.
Não era apenas sua personalidade que era ruim; ele era um bandido que cometia vários crimes. Eu tinha certeza de que havia algo errado com aquelas pedras que ele vendeu no jantar. Não sabia qual crime era, mas sabia que havia algo de errado.
E o pior é que eu também tinha essa sensação sobre essa viagem.
Olhei de novo, notando cada piercing que ele usava. Mesmo que ele use roupas sociais quase sempre, ele não tirava eles. O piercing na boca era sem dúvidas o mais bonito, e combinava com o formato da boca dele.
E ele ainda ficava mexendo nele com a língua sempre que estava nervoso ou ansioso.
Olhei para cima, com a cabeça fervendo, pensando em mil coisas ao mesmo tempo. Quando virei para o lado e olhei na direção dele novamente, vi que ele estava claramente acordado, me observando. Fechei os olhos rapidamente e cobri o rosto com meu boné.
Não queria confirmar se ele realmente estava acordado, então continuei assim até dormir novamente.
🫐
Depois de várias horas evitando olhar na direção dele, revirando de um lado para outro e também comendo tudo o que serviam, finalmente desembarcamos no aeroporto de Melbourne, na Austrália.
A mudança de temperatura foi drástica, e eu já estava suando só de chegar aqui.
Ele alugou um carro SUV, colocou o endereço do hotel no GPS e começou a dirigir. Achei que ficaríamos aqui na cidade, mas o endereço que ele colocou estava a mais de uma hora de distância do aeroporto.
— Não vamos ficar aqui?
— Não.
Assim que saímos de Melbourne, começamos a pegar estradas meio desertas. O país era árido, e nessa área realmente parecia um deserto. Era a primeira vez na minha vida que eu sentia tanto calor, e em pouco tempo dentro do carro, já estava tirando a jaqueta e o boné.
— Que calor, eu vou desmaiar...
Eu realmente comecei a sentir meu corpo fraco e minha pressão caindo. Tentei me abanar com o boné. Sem dizer nada, parou o carro em uma conveniência no meio da estrada e saiu. Eu olhava pela janela e só via cactos e areia por todo lado, além de um sol escaldante. Definitivamente não estava acostumado com um lugar assim.
Ele voltou para o carro com uma sacola na mão, abriu uma garrafa de água gelada e me entregou.
— Beba.
Peguei e comecei a beber. Ele abriu a porta do carro, molhou um lenço com água gelada e colocou sobre minha testa, apoiando minha cabeça no banco.
Eu queria reagir e afastar ele, mas não fiz isso. Assim que colocou o pano, ele mesmo afastou as mãos e ligou o ar condicionado do carro.
— Se eu soubesse que ia me dar trabalho antes mesmo da gente chegar, não te trazia.
— Me trouxe porque quis. É só me largar aqui no meio do deserto com os cangurus e ir embora, não preciso de você.
— Precisa sim. Vamos.
Ele ligou o carro novamente e saiu, e enquanto dirigia, ficou a todo momento conferindo se eu estava melhor.
E depois de uma hora na estrada, chegamos em uma cidade pequena, que pelos letreiros vi que chamava Castlemaine. Era bem pequena mesmo, então, diferente de Melbourne que era mais fresca, aqui era tão quente quanto nas estradas que viemos.
Ele literalmente me trouxe para o meio do nada.
Fiquei sentado na sala de espera do hotel enquanto ele fazia o check-in. Quando terminou, veio até mim.
— Cadê o cartão do meu quarto? — perguntei quando vi que ele segurava apenas um cartão de acesso.
— Eles só têm um quarto disponível, então ficaremos juntos.
— O que? Não, sem chance.
— Qual o problema?
— Não vou ficar no mesmo quarto que você. Vamos sair daqui e ir para outro hotel.
— Acho que você notou que estamos em uma cidade minúscula. Não tem outro hotel desse nível aqui.
— Tem que haver outro jeito... podemos ficar em um hostel, ou algum lugar mais simples.
— Não, não podemos. Agora pare com essa merda de desespero e vamos guardar nossas coisas.
Ele saiu andando, e sem escolhas, apenas o segui. Desde que cheguei nesse lugar maldito, só tive problemas. Na verdade, estou me ferrando desde que conheci esse cara.
Mesmo indignado, não pude deixar de notar como era bonito e espaçoso o quarto quando entramos, e realmente fiquei surpreso. Minha surpresa sumiu do meu rosto quando vi uma única cama de casal.
— Não é possível isso... — sussurrei.
Olhei ao redor desesperado e vi também um sofá, era minha salvação.
— Eu já volto. — ele falou mexendo no celular e saiu do quarto.
Enquanto eu admirava a vista das janelas e explorava o quarto, meu celular tocou. Achei que fossem os meninos e corri para atender, mas vi que era o número da universidade.
— Alô?
— Olá, Park Jimin?
— Sim, sou eu.
— Olá, sou do setor financeiro da universidade. A diretora nos pediu para verificar suas mensalidades, e está tudo certo, elas estão devidamente pagas.
Aquilo não fazia sentido.
— Você sabe quem fez o pagamento?
— Não temos essa informação. Mas estamos felizes que você conseguiu liquidar suas pendências, agora é só focar nos estudos e se formar.
Fiquei sem palavras, confuso, e sem saber o que dizer.
— O-obrigado.
— De nada. Nos vemos na próxima aula.
Após ela desligar, eu me sentei no sofá, sem acreditar no que acabei de ouvir.
— Isso é inacreditável. Eu não devo mais para a faculdade... parece um sonho.
Mesmo sentindo alívio por me ver livre da maior dívida da minha vida, precisava descobrir quem tinha feito isso, afinal, ela não se pagaria sozinha.
Com o celular na mão, levantei e tirei uma foto da vista da cidade pela janela, e enviei para o grupo que incluía apenas eu, Namu e Tae.
Assim que viram a foto, o Nam me ligou por chamada de vídeo.
— Que bom saber que você está vivo.
— Tô, pelo menos por enquanto. — brinquei.
O Tae apareceu do lado do Namu e falou.
— Que porra de cidade é essa que você tá? Tá no velho oeste em 1880?
— Pequena, né? Olha — apontei a câmera pela janela mostrando mais da cidade, e voltei para mim. — Achei que ficaríamos na capital, onde desembarcamos, mas viemos ao fim do mundo, no meio do deserto.
— Isso é um sequestro mesmo, puta merda. — Tae falou.
— Se for, saibam que eu amo vocês.
— Não brinca com isso, Park.
Dei risada.
— Vocês não vão acreditar. Alguém pagou minha faculdade inteira. Pensei que fosse mentira, até procurei a diretora, que verificou com o setor financeiro. Está tudo pago, desde as mensalidades até minha formatura.
Os dois me olharam surpresos e comemoraram, sabendo o quanto isso significava para mim.
— Espera aí... você tem ideia de quem fez isso? — perguntou Nam.
— Não faço ideia.
— Será que foi o Jeon? — o Tae sugeriu.
Eu caí na risada com a maior palhaçada que ele disse.
— Impossível. Ele está me perseguindo por dinheiro, não faria sentido pagar uma dívida minha. Além disso, ele me odeia e não é caridoso assim. Preciso descobrir quem foi.
— Vamos tentar descobrir também.
— Obrigado. Vou desligar antes dele chegar, depois eu ligo de novo. Tchau pra vocês.
Nos despedimos e desligamos.
Notei uma notificação de mensagem e fui conferir. Para minha surpresa, era a Minjeong, que enviou uma foto do palco em Kyoto quase pronto para a peça. Desde que ela foi transferida para a universidade, sempre tentou se aproximar de mim, e sinceramente, não entendo por que alguém como ela veria algum benefício em ser próxima de alguém como eu.
Um pobre, endividado e agora envolvido com bandidos...
De outra janela, vi uma grande piscina e, com o calor insuportável, decidi dar um mergulho. Coloquei uma sunga e minha roupa por cima, e peguei uma toalha. Nesse momento, a porta do quarto se abriu e Jeon entrou. Ele começou a agir como se eu não estivesse ali, desabotoando a camisa e tirando ela.
— E-eu vou olhar a vista lá fora. — levantei e apressei meu passo até sair do quarto, sem dar tempo dele sequer questionar.
Isso foi por pouco. Não que seja um problema ver um homem qualquer sem camisa, mas vai que ele se irrita por eu ver ele assim. Não quero arriscar.
O hotel era bonito e bem arrumado. Fui até a piscina e sentei em uma cadeira de descanso, com o celular na mão. Fiquei por mais de meia hora sentado, só pra ter certeza que ele não viria atrás de mim. Tomei coragem, tirei minha roupa e mergulhei na piscina.
A água estava uma delícia, e parecia aquecida de tão quente que estava por causa do calor. Eu nadei de um lado para outro por um bom tempo, até que cansei e sentei na beira da piscina. Ali eu fiquei relaxando, com as mãos apoiadas para trás e sentindo o sol na minha pele.
Eu tinha a sensação que era um sol para cada pessoa aqui.
Quando levantei pra levar minha toalha, lá estava ele, parado feito um espírito obsessor ao lado da cadeira onde estava minhas coisas.
— O que você quer? Não posso nem nadar?
Peguei a toalha com força e comecei a secar meu cabelo, ja que meu corpo já tinha secado com o calor.
— Não lembro de ter deixado você se divertir.
Dei uma gargalhada nenhum pouco engraçada.
— Era só o que faltava... — peguei minhas coisas pra voltar para o quarto, mas ele parou na minha frente. Tentei desviar, e de novo, ele me impediu de ir.
— Sai da minha frente.
— Pede com educação.
— Vaza da minha frente, por favor.
Com as mãos no bolso, ele deu um passo na minha direção, e eu, um passo para trás.
— Isso não foi nada educado, Jimin.
Eu estava de sunga, e a gente estava discutindo em uma piscina que todos os hóspedes têm acesso. Eu queria ir para o quarto o mais rápido possível.
— Ok, agora deixa eu passar, antes que alguém nos veja.
Ele me olhava dos pés à cabeça, e era alguém tão óbvio que nem se importava em tentar disfarçar.
— Vejo que a dança te trás bons frutos, já que você tem um corpo assim sem ter responsabilidade alguma com exercício.
Olhei para o meu corpo, e novamente para ele.
— Assim como?
Ele deu um passo na minha direção, com um sorriso sínico de canto. Mesmo sugestivo assim, ele não respondeu. Deu um passo para o lado e deixou o caminho livre. Eu me afastei, enrolei a toalha no corpo e fui para o quarto em passos apressados.
Ele demorou para voltar, o que era ótimo pra mim, que aproveitei esse tempo de paz. Peguei meu script, sentei no sofá e comecei a treinar minhas falas. A piscina me deixou com o corpo cansado, além claro, da viagem longa. Bastou ler algumas linhas pra pegar no sono contra a minha vontade.
— Acorda — senti alguém encostar no meu braço, falando comigo. Eu despertei e vi que o Jeon estava me acordando.
— O que você quer? — perguntei enquanto coçava meus olhos.
— Vá trocar de roupa, nós vamos sair. E nem pense em falar que não está afim.
Levantei cheio de preguiça e perguntei de novo.
— Onde nós vamos?
— E isso interessa?
— Sim. Preciso saber qual roupa colocar.
— Você sempre está vestido como um adolescente, que diferença isso faz?
Olhei para o que ele estava vestido. Diferente das roupas formais que ele costuma usar, hoje estava com peças casuais. Seu cabelo também estava solto, sem gel, e é como se ele tivesse ficado uns anos mais jovem. Me sinto um hipócrita em assumir, mas ele ficou tão bonito qu...
— Gostou?
— Que? D-do que você tá falando? — respondi gaguejando.
— Você não para de me olhar, de novo.
Comecei a rir, indignado.
— E por qual motivo eu olharia pra você? Só pode ser uma piada...
— O motivo quem tem que me dizer é você.
— Não existe motivo. Vou trocar de roupa.
— Ok, então... Vou te esperar no estacionamento, você tem cinco minutos no máximo para sair.
— E se eu passar dia cinco minutos?
— Tenho força o suficiente pra te levar à força.
— Você é um louco!
Ele se aproximou e sussurrou próximo do meu ouvido.
— Consigo ser bem pior...
Ele se afastou e saiu.
Eu terminei de me arrumar e saí também, dentro dos cinco minutos. Como ele estava com roupas casuais, foi o que coloquei também.
Depois de entrar no carro, ele dirigiu por alguns minutos e parou no drive thru de um fast food.
— Você nem come hambúrguer, o que tá fazendo aqui?
— Hoje eu quero comer.
Ele fez os pedidos, pegou os pacotes e dirigiu até uma parte um pouco mais alta da cidade, passando por umas estradas completamente desertas.
Até achei que seria uma tentativa de acabar comigo, mas ele parou o carro em um lugar que mais parecia um mirante, e nossa, a vista era linda.
Eu desci apressado do carro pra olhar melhor.
A cidade de poucas ruas era a única iluminação em todo o seu redor. Não havia cidades vizinhas próximas, então era uma completa escuridão.
Por ter poucas luzes artificiais, o céu era incrível. Era possível ver muitas estrelas, muito mais do que vemos em Seoul, e o céu tinha cores lindas e reluzentes.
— Uau, isso é tão bonito, nunca tinha visto algo assim — murmurei sozinho.
Escutei um barulho, e olhei para trás. Ele abriu o porta-malas da SUV virado para a vista, e sentou nele com os pacotes de hambúrguer.
Então era isso, ele queria comer aqui.
Sentei do seu lado e começamos a comer. Ele não falou nada, e eu me sentia incomodado pra puxar algum assunto, mesmo sendo com alguém como ele.
— Quer provar o meu hambúrguer? Vi que o seu é diferente...
— Quero.
Eu realmente achei que ele recusaria, por que é que eu fiz isso?
Tentando disfarçar minhas mãos um pouco trêmulas, levei o hambúrguer na direção dele, que mordeu me olhando.
— G-gostou?
— Sim. Prove o meu.
Ele aproximou o hambúrguer, eu segurei por cima da mão dele e mordi.
Ele não tirou os olhos de mim, nem após a mordida terminar.
Eu gostei disso, e estava me sentindo um hipócrita, mesmo que dividir comida com alguém seja algo tão normal. Essa não era a primeira vez que tinha essa sensação com atitudes dele, e em todas elas, eu me culpava.
Eu não queria gostar de nada vindo dele, e nem podia gostar.
Terminamos de comer e ele deitou no porta-malas, enquanto eu fiquei olhando para o céu.
Até que em poucos minutos assim, ele levantou.
— Vamos comprar algumas bebidas.
— Eu não quero beber.
Ele deu com os ombros com desdém.
— Não beba, não tô nem aí, eu quero.
Ele levantou e entrou no carro. Mesmo xingando ele de todos as ofensas possíveis, eu entrei também.
Ele até procurou alguma conveniência, mas a única coisa que achou foi um bar aberto, então fomos nele.
Ele se aproximou do barman e pediu algumas bebidas para viagem, e enquanto esperava, também pediu um copo para tomar agora.
Assim que o homem serviu, ele deu um gole, apontou com o rosto para o barman, que estava de costas.
— Muito melhor que os drinks que você prepara. Até a postura dele é melhor para trabalhar.
Eu olhei desacreditado para ele.
— Se não me acha bom é só não ficar me perseguindo na boate toda vez que vou trabalhar. Não te obrigo a comprar bebida comigo.
Ele começou a rir.
— Não tem graça alguma. E outra, nunca mais vou fazer porcaria de drink algum pra você.
— Se não fizer, eu conto para o seu chefe que você me roubou. Ele não vai gostar de saber disso.
Peguei o copo da mão dele e virei tudo de uma vez
— Porra... — reclamou.
O barman entregou as sacolas, e enquanto ele pagava por elas, eu saí enfurecido na frente.
Entramos no carro e ele voltou para o mesmo mirante. Mesmo irritado, eu queria voltar lá, então nem reclamei.
Quando chegamos, ele abriu novamente o porta-malas, mas diferente dos hambúrgueres, agora era só álcool, do jeito que eu gosto.
Peguei um drink e comecei a beber. O copo tinha 700ml, e bebi tudo com facilidade.
— Se ficar bêbado, eu não vou te ajudar.
— Eu não tô nem aí pra você, muito menos preciso da sua ajuda.
Peguei outro copo e virei novamente. Ele também pediu algumas garrafas de gin e estava bebendo elas junto com os drinks.
— Você teve a audácia de falar que isso é melhor? Eu sou muito melhor, nisso e em tudo o que faço.
Ele aproximou sua mão e deu uma apertadinha rápida no meu queixo, assim como já fez outras vezes.
— Eu não tenho dúvida alguma disso — sorriu de canto.
Eu senti minhas bochechas pegarem fogo quase instantaneamente com sua resposta, e desviei para o outro lado. Ele não pode notar que me deixou assim.
— Então por que me provocou?
— Porque eu gosto de te irritar. Sou um vilão, lembra?
— Esqueci que você é um ser obscuro vindo das trevas.
Eu continuei bebendo e podia notar ele me olhando por várias vezes. Se ele for me matar hoje, eu preferia estar bêbado pra enfrentar isso.
Após alguns copos e também, alguns goles no gin, minha cabeça já estava zonza, e eu não conseguia coordenar meus pensamentos. Peguei mais um pouco de gin e coloquei no copo já vazio de drink.
— Vai devagar... — ele falou.
— Cala a boca, Jeon Jungkook. — falei o provocando, exalando álcool.
Ele cerrou os olhos para mim.
— Como sabe meu nome?
— Eu sou seu prisioneiro, não posso saber nem isso sobre você?
Eu estava muito bêbado e nem conseguia raciocinar o que eu falava.
O céu, que estava iluminado com tamanha quantidade de estrelas, foi ficando cada vez mais escuro.
— Jim... — escutei sua voz ao fundo me chamando, mas, apaguei de tanto beber.
Eu até senti alguém me pegando, mas não tinha forças nem pra abrir os olhos, e novamente, perdi a consciência.
Não sabia dizer por quanto tempo fiquei assim, mas quando finalmente consegui abrir os olhos um pouco, vi que alguém estava me segurando dentro de um elevador. Eu não tinha forças nem para levantar a cabeça e ver quem era.
Ouvi o som da porta abrindo, e a pessoa continuava me segurando. Minhas pernas não correspondiam aos meus comandos, e eu via tudo embaralhado. Era como se só meus pensamentos funcionassem.
Quando me colocou na cama, consegui olhar na direção e ver quem era, o que me lembrou que estamos nessa merda de cidade que parecia uma amostra do inferno.
Eu não estava pensando nada com nada, e abri a droga da minha boca pra continuar falando merda.
— Você... eu... eu não q-quero sua ajuda.
— Fica quieto. — escutei a voz dele longe, arrumando um travesseiro em baixo da minha cabeça.
Esse cheiro dele... merda, como isso estava me irritando...
— Você é tão cheiroso, seu desgraçado! Eu não quero sentir seu cheiro, muito menos olhar pra essa sua boca com esse piercing do caralho, que você não para de mexer quando tá me secando!
Ele sorriu e mexeu exatamente na droga do piercing, e isso me deixou mais nervoso ainda.
Nem pra empurrar ele eu tinha forças.
Ele estava do meu lado e respondeu algo, mas não entendi o que ele falou. Eu queria me defender dele se tentasse me matar ali, mas acabei apagando de novo, com a certeza que eu não acordaria nunca mais.
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Que bom te ver por aqui!
Espero muuuuuitíssimo que estejam gostando. Votem e comentem muito, estarei te esperando ansiosamente no próximo capítulo.
Até lá! 💙
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