02 | 두 번째 장
Olá cheirosos!
Apertem os cintos, peguem a pipoca,
preparem o coração e boa leitura!
#azuldameianoite
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- JEON JUNGKOOK -
Alguém batia insistentemente na porta do quarto, me despertando. Levantei e olhei o celular; era pouco mais de 8h da manhã, justamente no dia em que queria dormir um pouco mais.
— Sr. Jeon? O senhor está acordado?
A voz era de um dos meus seguranças que cuidam da mansão.
— O que você quer? — gritei, irritado.
— Desculpe, senhor, mas o Sr. Yoongi está na sala esperando para o café.
— Ok, diga a ele que já estou descendo.
Eu havia esquecido completamente que ele viria. Esse cansaço todo é justamente por culpa dele e de sua falta de responsabilidade nas negociações.
Vesti uma camisa social branca, uma calça preta, e fui para a sala, arrumando o cabelo enquanto descia as escadas.
— Você me convida e esquece de mim, JK? — Yoongi estava na sala fumando cigarro.
— Sim. Fiquei acordado até tarde na videochamada com o comprador das rubis, aquele mesmo que você fugiu de ligar.
— É por isso que sou seu sócio e seu amigo, você tem o talento para os negócios, enquanto eu cuido da parte prática e sangrenta.
— Não se acostume.
— Ok, senhor mafioso, farei a próxima ligação.
Nos sentamos à mesa, onde um banquete de café da manhã já nos aguardava. Enquanto comemos e conversamos sobre os negócios, Hoseok se aproximou.
— Com licença.
— Notícias do garoto? — perguntei.
— O barman saiu de casa há pouco, mas não parece estar fugindo. Estamos acompanhando para ver onde ele vai.
— Ok, peça para não perderem ele de vista, e me avisem onde ele estiver.
— Pode deixar. Com licença. — ele se retirou.
Yoongi se virou para mim, confuso, com a testa franzida e pronto para destilar sua maldade.
— O que eu perdi?
Terminei de mastigar antes de responder.
— No dia em que o barman esbarrou em mim, ele pegou por engano um envelope meu com dinheiro. Resumindo, roubaram o dinheiro dele, e eu dei 7 dias para ele me devolver. Ou agora, seis.
— Que moleque azarado... quanto era?
— Um milhão de wons.
— Sério isso? — ele debochou.
— O que?
— Jungkook, você gasta isso em um único dia. Você está perseguindo um universitário por causa dessa quantia?
— Não tem a ver com o valor, era algo meu, ele tem que devolver. E mesmo que tenha sido um acidente, quero de volta.
Ele riu e deu um gole em seu copo de suco.
— Você é cruel, Jeon.
— Eu peguei leve com o garoto. Quero só ver se ele vai conseguir me devolver.
— E se não conseguir?
— Vou amarrar ele e jogar no mar.
Yoongi arregalou os olhos e engasgou.
— Porra, JK...
— É claro que não vou fazer isso, caralho. Não vou matar ele, mas um susto, talvez.
— De você eu não espero e nem duvido de nada.
— Aprendi com você.
— Comigo não, você aprendeu com aquele velhote do Hwang... E falando neles, soube que estão tentando assumir o controle da região norte.
Respirei fundo e tomei um gole d'água. Chae Hwang é aquele que me criou, e hoje, acabou se tornando um rival por influência do filho mais velho dele, que me odeia, como se eu tivesse alguma culpa dele ser um fracassado desde criança.
— Se eles querem, nós pegaremos o controle primeiro. — meu sorriso se abriu de forma maldosa.
— É disso que eu gosto, meu amigo.
Ele levantou o copo de suco, e eu brindei com o copo d'água.
— Vai chegar um ponto em que será tudo nosso em Seoul, e talvez até nas cidades vizinhas.
— Disso eu não tenho dúvidas, mas vai ter coragem de ir contra os Hwang? Sei que você considera o velhote e tal...
— Ele não ficará no poder por muito tempo, já está velho. Logo o Hyunjin vai assumir, e não tenho consideração alguma por ele.
— Muito menos ele por você, e o cara tem bons motivos para te odiar.
— Parece que não me conhece, Yoon.
Ele terminou de mastigar e respondeu.
— Conheço bem. Isso vai gerar uma guerra, e eu adoro guerras e sangue.
— Eu sei que gosta, por isso somos amigos.
Continuamos conversando enquanto comemos. Assim que terminamos, ele saiu com o carro dele e eu com o meu, rumo à Sixx.
A Sixx era uma empresa de mineração, extração e exportação de petróleo que fundei há quatro anos. Além de atuar nessa área, também escondia uma das minhas maiores fontes de renda: mineração, contrabando e exportação de joias e pedras preciosas. Até tenho outras empresas em outros ramos, mas essa era a maior entre elas, e também, onde fico a maior parte do meu tempo.
Assim que chegamos ao prédio, fui até minha sala, sendo cumprimentado por vários funcionários puxa-sacos pelo caminho. Eu não tinha paciência alguma pra isso, e não sabia fingir simpatia.
Sentei na cadeira e a primeira coisa que fiz foi acender um cigarro. Girei a cadeira e olhei para a cidade através da grande janela atrás de mim.
Eu tinha sede de poder, e o que eu mais queria era dominar tudo. E sei que isso logo será uma realidade.
Enquanto observava tudo em silêncio, apreciando cada tragada, meu celular vibrou em cima da mesa; era uma mensagem do Hoseok, com o endereço onde o barman estava. Eu poderia simplesmente pedir para meus funcionários o acompanharem, mas levantei, peguei a chave do carro e saí.
Queria ver com meus próprios olhos se ele estava mentindo e usando o dinheiro.
O endereço ficava à 15 minutos de distância da Sixx, no subúrbio. Quando cheguei, estacionei à uma certa distância do local, mas em um ponto onde podia observar o endereço onde ele estava.
O local não tinha uma fachada, mas pela janela do segundo andar, pude perceber o movimento de várias pessoas.
Fiquei esperando do lado de fora até que, depois de pouco mais de vinte minutos, vi o garoto saindo. Ele se despediu de duas mulheres que pareciam estar no mesmo local, e caminhou em direção a um café alguns metros adiante. Fui atrás dele e fiquei aguardando próximo, do lado de fora.
Ele saiu com uma sacola em uma mão, e um copo de capuccino na outra. Assim que notou minha presença, ele parou.
— Você... o que está fazendo aqui?
Me aproximei dele um pouco mais.
— Vim verificar se você estava atrás do meu dinheiro, mas pelas roupas, acho que não estava.
Assim como no dia da boate, ele estava com uma roupa mais justa, que destacava seu corpo visivelmente definido e posturado. Era nítido que isso eram roupas de dança, e seu corpo confirmava isso.
— Estou procurando ela, mas pago por essas aulas aos sábados, não posso perder. Meu dinheiro não cai do céu.
— Então você é dançarino? — perguntei.
— Isso não é da sua conta. Meu dever é te devolver aquela grana, e assim farei.
— Você está bem corajoso, perdeu o medo do dia pra noite? — me aproximei de forma ameaçadora, mas o garoto não recuou.
— O que aconteceu com seu dinheiro foi só uma merda em meio a tantas outras que estão acontecendo na minha vida. À essa altura, não tenho tempo para ter medo.
Franzi a testa enquanto o encarava, já sentindo a raiva percorrer cada veia do meu corpo.
— Então vamos ver até quando você vai manter essa marra, moleque. Eu vou te perseguir todos os dias, até você pagar essa merda de dinheiro.
Ele parecia querer me xingar de todas as formas, mas apenas virou as costas e saiu pisando fundo.
Fiquei observando ele se afastar enquanto caminhava com raiva.
— Ai ai, moleque dos lábios carnudos, vou infernizar sua vida até você implorar para parar e devolver meu dinheiro, com juros e o mais rápido possível.
Fui para o meu carro e voltei para a Sixx. Assim que passei pela secretária, ela falou comigo.
— Sr. Jeon, o Sr. Hyunjin está na linha.
Parei por uns segundos tentando raciocinar a coragem dele de me ligar. Até pensei em recusar, mas estava curioso pra saber o que ele queria.
— Passe a ligação para minha sala.
Me sentei e atendi.
— O que você quer?
— Eu já estava convencido de que você não me atenderia...
— Atendi, agora diga o que quer comigo.
— Tenho algo para conversar com você, e é do seu interesse.
— Mas eu não tenho nada pra conversar, e nada que venha de você é do meu interesse.
— Pare com isso, Jungkook. Somos dois adultos agora. Garanto que será bom para você, e envolve muito cash. Te encontro no restaurante Ryuu daqui 2 horas. — Ele desligou, sem me deixar responder.
Nós dois crescemos juntos. O velho Hwang me encontrou e me criou à sua maneira, e rapidamente me tornei o preferido dele para seus crimes. Para o Hyunjin, minha presença foi o que fez seu pai nunca preferir ele.
Quando segui meu próprio caminho, ele foi o primeiro a se virar contra mim, e agora, com seu pai já velho, se aproveita do poder que ele conquistou.
Era claro que o meu poder era muito maior, e ele tentava a todo custo me ultrapassar, sempre fracassando.
Meu celular tocou; era o Hoseok.
— Jeon, você lembra daquele policial?
— Sim, como eu poderia esquecer?
— Agora que não conseguiremos esquecer mesmo. Ele prendeu dois dos nossos caras, justamente os dois que estavam organizando o assalto ao banco de Incheon, então ele tem informações preciosas em mãos.
— Desgraçado! Descubra o que puder sobre ele. Seu nome é Kim Seokjin. E garanta que os dois que foram presos não abram a boca sobre nós.
— Ok, farei isso.
— E sobre o assalto, peça para que esperem um pouco. Vamos pensar em um novo plano para não perder mais dos nossos.
Finalizamos a chamada.
Esse policial está na minha cola há um bom tempo, e ele é esperto. Quer me desarticular primeiro para só depois me atacar. Tenho que descobrir seus pontos fracos, e quero ficar cara a cara com ele de novo. Veremos quem consegue atacar quem primeiro.
Fiquei na empresa até a noite dar o ar da sua presença. As noites eram frias nessa época do ano, e hoje a chuva caía de forma fina e gelada. Fui embora pra casa, tomei um banho quente e me preparei para ir a esse maldito jantar e descobrir o que o Hyunjin estava armando.
O relógio marcava 19h.
— O senhor está levando a arma? — o Hoseok perguntou enquanto dirigia, me olhando pelo retrovisor.
— Você não precisa me chamar de senhor. E sim, está comigo.
— Ok. Se quiser, eu entro com você.
— Não precisa, pode esperar do lado de fora, vou ser rápido.
Chegamos e o Hoseok ficou me esperando no carro. Entrei no restaurante e vi o Hyunjin, já sentado em uma das mesas, com dois enormes seguranças parados em pé ao lado dele. Fui até sua direção e sentei à mesa.
— Essa é sua tentativa de me intimidar? — apontei para os dois seguranças com desprezo.
— Eles? Não, não. Sei que você não se intimida assim, mesmo que eu quisesse. Meu pai quer que eu ande com eles, alguém como eu sou muito invejado.
— Ah sim, eu acredito... Agora diga o que quer comigo?
— Calma, Jungkook, que falta de educação. — ele falou e sinalizou para o garçom, que se aproximou e anotou seus pedidos.
— Gosta de lagosta? Se não gosta, hoje vai comer.
— Não estou com fome, muito menos com tempo para suas brincadeiras.
Hyunjin suspirou e então respondeu.
— Ok, então vou ser direto. Quero uma parte do controle do sul, e pagarei por isso.
Isso me tirou uma risada sincera e profunda.
— E o que te fez ter coragem de me chamar aqui para isso?
Ele serviu mais champanhe em seu copo.
— Reparação de danos, Jeon.
— Você é uma piada.
Os garçons começaram a servir os pratos, enquanto eu o encarava até terminarem. Minha raiva era palpável no ar, e esse sorriso sínico no rosto dele estava me deixando com mais raiva ainda. Quando os garçons saíram, ele continuou.
— Não é uma brincadeira. É a região que mais dá lucros, e tudo o que você sabe, aprendeu com minha família. Você é um ingrato.
— É por esse mesmo motivo que não me meto onde é do controle do seu pai, mas se continuar assim, serei forçado a tomar conta de tudo.
Ele deu um sorriso de canto.
— Isso causaria uma guerra, Jungkook, você sabe... e estou pronto para ela.
— Isso é ótimo, pois eu também estou. E eu posso te garantir que consigo te derrubar.
Ele cerrou os olhos.
— Isso é uma ameaça?
— Interprete como quiser, eu não me importo. Agora, se me der licença, tenho assuntos de verdade para tratar.
Levantei e saí. Não tinha medo algum das ameaças de Hyunjin, e sabia que, se precisasse realmente agir contra eles, meu poder era muito maior.
Entrei no carro e liguei para o Yoongi.
— Yoon, me encontre naquela boate que fomos da última vez.
— Hmm, e se eu estiver ocupado?
— Desocupe.
Desliguei e dirigi até a boate, entre as ruas escuras e chuvosas.
Assim que entrei na boate, automaticamente olhei para o bar, onde o ladrãozinho estava distraído preparando os drinks.
Sentei nos assentos do balcão onde ele trabalhava.
— Não vai me atender, barman?!
Ele olhou na minha direção e respirou alto.
— Era só o que me faltava... — ele sussurrou, revirando os olhos.
— Tá falando comigo?
— Você é o único me perseguindo aqui.
— Eu vim para beber, mas se você quiser, vai ser um prazer infernizar o ladrão da minha grana.
Ele lavou as mãos, secou e jogou o pano no balcão com força.
— O que o senhor quer beber? — disse ironicamente.
— Quero aquele drink azul que fez da última vez.
Ele virou as costas e começou a preparar. Eu observava ele fazer tudo com ódio, e era visível que ele tinha força. Seus braços eram definidos, assim como seu corpo. Ele se virou e serviu em seguida.
Peguei o copo e olhei para ele por todos os ângulos.
— Posso confiar que você não envenenou?
— Por mais que eu quisesse, não trouxe meu veneno hoje.
Eu sorri, peguei o copo e me apoiei no balcão, me aproximando um pouco mais.
— Engole esse ego de merda, moleque, antes que eu conte para o seu chefe que você me roubou. Aposto que ele não vai gostar de saber disso.
— Faça o que quiser. Me dá licença, preciso trabalhar. — ele respondeu nervoso e se afastou, atendendo outros pedidos.
Um sorriso sutil se abriu no meu rosto com a audácia dele.
Saí do balcão e fui até uma das mesas, onde fiquei bebendo até o Yoongi chegar. O barman não olhava na minha direção, mas era claro o quanto minha presença incomodava ele.
O Yoon chegou e pediu alguns drinks para ele, que foram servidos por um garçom.
— O Hyunjin teve coragem de me chamar para um jantar e falar que quer uma parte do sul.
— Esse cara é um louco. Eu te falei, a paz que temos com o pai dele no poder, não teremos quando esse cara assumir de vez o lugar do velho Hwang.
Dei um gole na bebida e respondi.
— Eu já mandei gente pro inferno por muito menos, ele não é louco de fazer algo contra mim.
— Mesmo assim, não podemos ficar sentados apenas esperando ele agir.
— Sim, eu sei disso, e não ficaremos.
— Com licença, senhores. — uma voz veio da nossa lateral; era o dono da boate — Estou feliz que voltaram, rapazes.
— Obrigado.
O homem começou a falar sem parar, até que interrompi sua fala.
— O barman ali... ele trabalha à quanto tempo com você?
Ele olhou confuso para o garoto, e novamente para mim.
— Ele fez alguma coisa? Tratou vocês mal? Podem me dizer, eu já falei para el...
— Não tem nada disso, é só uma curiosidade.
— Ah, sim, claro — ele deu uma risada nervosa — Desculpe... ele começou a trabalhar comigo assim que chegou em Seoul, acho que tem uns dois anos. Ele quer se formar para ser ator e dançarino, uma coisa assim. Vou sentir sua falta quando ele sair, os melhores drinks são feitos por ele.
Então é por isso que ele estava com aquelas roupas, ele realmente estava dançando.
— Bem, rapazes, não quero mais atrapalhar, fiquem à vontade e curtam a noite. Se precisarem de algo, não hesitem em me chamar — ele se afastou.
Olhei mais uma vez para o barman, que preparava um drink após o outro sem parar.
— Ainda tá nessa? — Yoongi perguntou.
— Claro, ele me roubou. Quero saber até onde vai a coragem desse moleque conhecendo quem ele é. Consiga a ficha completa dele, quero saber de tudo.
— Hmm, ok, vou pedir para providenciarem.
Durante a noite, em todas as vezes que eu olhava para ele, meu ódio aumentava.
E após pouco mais de uma hora bebendo sem parar, o Yoon já estava bêbado. Por mais que eu quisesse ficar mais pra irritar o barman, nós levantamos e fomos embora.
Assim que cheguei em casa, tomei uma ducha bem quente e demorada. Esse assunto com o Hyunjin estava começando a tirar a minha paz, assim como essa situação com o barman. Nem era tanta grana assim, mesmo assim, eu queria infernizar a vidinha medíocre e infeliz dele.
Coloquei uma roupa mais leve pra ficar em casa e fui até o escritório da mansão.
Enquanto mexia no computador respondendo alguns e-mails de compradores, vi um e-mail do Yoongi chegar, com um documento anexado intitulado "ParkJimin.PDF".
— Vamos ver quem é você de verdade.
Eu esperava achar qualquer comportamento ruim em sua ficha, mas não havia nada. 21 anos, saiu do interior da Coreia para estudar dança e atuação em Seoul.
— Que vida chata e desinteressante.
Vi também suas dívidas com a universidade, e a quantia que ele pegou pagaria isso. Essa dívida continuava aberta, então ele não usou o dinheiro pra isso, não ainda.
Acendi um cigarro, apoiei as costas na cadeira e cruzei os braços, enquanto observava a tela do computador.
— Preciso desligar minha cabeça.
Levantei e fui até meu quarto. Tomei um remédio pra dormir, e poucos minutos após deitar, consegui pegar no sono.
🫐
Dois dias depois,
Segunda-feira.
Desde cedo, já estava na academia em casa, suando em exercícios pesados. Depois, ainda fiquei treinando com meu mestre de taekwondo por mais de uma hora. Faço luta desde criança, pois o Chae Hwang sempre me obrigou. Eu odiava quando era menor, mas com o passar dos anos aprendi a gostar, e se tornou um hobby que pratico quase todos os dias.
E é claro, já usei muito o que sei pra quebrar muita gente.
Após um banho revigorante, coloquei uma camiseta preta simples e uma jaqueta também da cor preta, de couro. Pra acompanhar, escolhi uma calça jeans escura. Eu não costumo usar roupas casuais no meu dia-a-dia, ainda mais para ir trabalhar, mas hoje queria ir de moto, então era a melhor escolha.
Desci as escadas e fui até a garagem, onde escolhi uma das minhas motos preferidas, uma 1300 cilindradas que corria feito um jato. Montei nela, coloquei o capacete e fui para a Sixx.
Um caminho que costumo levar vinte minutos de carro, fiz em 8 minutos de moto.
Na empresa, segui com a rotina de sempre; negociações, delegação de tarefas e toda aquela coisa chata de sempre. O assalto foi por água abaixo, pelo menos, por enquanto. Eu precisava de um novo plano, e precisava do Yoongi para isso, mas ele estava em Busan, finalizando uma negociação, finalmente. Precisou de muita insistência minha para ele realmente ir, então não posso ligar para ele antes de finalizar.
O Hyunjin não desistiu fácil, e segue tentando comprar parte do sul. Ele está enviando vários e-mails e tentando me ligar a todo momento, e ignorei todas as suas tentativas de contato. A insistência dele estava me tirando do sério cada vez mais.
Os boatos sobre os planos dele para dominar o norte, que é de um terceiro mafioso, estavam ficando cada vez mais intensos. Decidi que não ficaria parado e passei a manhã organizando um ataque, caso ele também atacasse aquela região.
Seriam dois golpes em uma tacada só.
— Com licença, JK. — Hoseok bateu na porta entreaberta.
— Entre.
— Nós pegamos o traidor.
Levantei imediatamente ao ouvir a primeira notícia boa do dia.
— Me leve até ele.
Saímos da Sixx e fomos ao cativeiro onde haviam levado o maldito traidor. Ele era um dos meus capangas, mas acabou sendo um informante para uma gangue rival, de fora da cidade. Assim que descobrimos sua traição, o desgraçado fugiu, mas ninguém consegue escapar de mim por muito tempo.
Nós chegamos e ele estava amarrado em pé, em um dos pilares de sustentação do local.
— Kyug, parece que sua fuga não deu muito certo.
— Jeon, me desculpe, eu...
— Cala a boca!
Ele tremia de medo, e o suor escorria do seu rosto conforme cada músculo tremia.
— Eu confiei em você, te dei os melhores trabalhos, e você simplesmente me traiu. Foi em troca de quê?
— Eles... eles me forçaram.
Dei risada enquanto andava de um lado para o outro, até que acertei um soco na barriga dele, que perdeu o ar e abaixou a cabeça assim que o acertei.
— Você me conhece o suficiente para saber que eu odeio mentira. Levanta essa cabeça! Eles te ofereceram dinheiro, não foi?
Ele desviou o rosto, e mesmo com medo, concordou com um movimento da cabeça.
— Eu sabia.
Segurei seu rosto com força e virei na minha direção, cravando meus dedos na sua pele.
— Me dê um motivo pra não te matar agora.
— Me perdoe, por favor, eu juro que faço o que o senhor quiser. Tenho minha família, eles dependem de mim... — Ele respondeu desesperado entre lágrimas.
— Engole esse choro, seu covarde. Eu não tô nem aí pra você, muito menos pra sua família. Você tem mais uma tentativa de me convencer.
Ele respirava ofegante, e tentava segurar as lágrimas enquanto falava com a voz trêmula e gaguejando.
— E-eu prometo que vou sumir, você nunca mais vai me ver. P-por favor, eu te imploro...
Soltei o rosto dele, que ficou marcado, e comecei a andar enquanto pensava e limpava as mãos.
— Vou te deixar viver, mas realmente não quero te ver nunca mais. Não cruze meu caminho e suma de Seoul. Se eu ou qualquer um dos meus te ver de novo, não serei bonzinho, e você sabe o que vai acontecer.
— Eu prometo... prometo que sumirei.
— Soltem esse desgraçado na rua, larguem ele amarrado e deixem que ele se vire.
Eles colocaram ele dentro de outro carro e saíram. Virei para o Hoseok e falei.
— Vamos embora daqui.
— Ok.
Ele foi dirigindo até a Sixx, enquanto eu mexia no celular.
Além do Yoon, Hoseok era quem eu mais confiava. Ele também era um dos capangas do Hwang, e quando saí do clã deles, ele veio junto comigo sem hesitar.
Chegamos na empresa e subimos até minha sala.
— Achei que deixaria eu me divertir com o Kyug. — Hoseok falou assim que entramos.
— Não vamos sujar as mãos com alguém como ele, deixe que ele se acabe sozinho. Fez a venda das jóias?
— Fiz. O valor foi creditado na minha conta, conforme você pediu — ele respondeu.
— Ótimo, ele é seu.
Ele me olhou surpreso.
— Desculpe, Jungkook, mas é muito dinheiro, não posso aceitar.
— Não importa. Ele já é seu, você merece.
Ele se curvou agradecendo.
— Muito obrigado, farei bom proveito desse dinheiro.
— Eu sei que vai. Agora pode finalizar o dia e ir embora.
Ele agradeceu novamente e saiu da sala, e eu fiquei trabalhando, fumando um cigarro atrás do outro. Eu me sentia inquieto, já me organizando com aliados para contra-atacar o Hyunjin. Eu também estava preparado para me proteger do Seokjin e da polícia, e se ele tentasse agir, eu agiria antes deles.
Eu deveria estar preocupado apenas com essas situações, mas a existência do barman continuava me incomodando. Me irritava o fato de eu não ter coragem de quebrar a cara dele, sendo que eu quebraria a cara de qualquer um por muito menos.
Ele nasceu na dificuldade, assim como eu, mas enquanto ele escolheu seguir o caminho certo, eu sempre fui todo errado. Nunca fui de ter empatia por ninguém, mas até parecia que eu estava sentindo por ele. As dificuldades que ele passa e já passou só me provam que fiz a escolha certa, a bondade não leva ninguém a nada.
Batidas ritmadas ecoaram na porta, e pelo padrão, já sabia que era um dos meus capangas.
— Com licença, senhor. Não podemos afirmar se é a tal namorada que o barman falou, mas um dos nossos informantes na universidade me enviou essas fotos.
Ele me entregou o celular, e vi o barman acompanhado de uma garota no intervalo das aulas dele. Devolvi o celular e respirei fundo.
— Então ele mentiu para mim...
— Parece que sim, mas não temos certeza.
Tentei conter minha inquietação, mas era impossível. Levantei, peguei a chave e me afastei rapidamente da mesa.
— Quer que eu vá com o senhor?
— Não precisa, vou de moto. Dispense todos que estão o seguindo hoje.
— Ok, com licença.
Peguei minha moto na garagem e fui até a universidade, onde esperei um pouco à distância.
Escutei o sinal tocando, e logo depois alguns alunos começaram a sair. Após alguns minutos, vi ele saindo acompanhado da tal garota, a mesma das fotos.
— Você vai pagar caro por isso, garoto.
Segui os dois, que estavam indo em direção à estação de metrô. Assim que chegaram, ela entrou em um carro, e ele, em um metrô que chegou após um tempo. Eu sabia que ele iria para casa, então liguei a moto e fui na frente.
Parei em uma das vielas próximas ao apartamento dele e fiquei ali esperando. Eu sabia que ele passaria por esse caminho, e ali não havia como ele escapar de mim.
E após mais de trinta minutos, ele finalmente apareceu. Estava distraído, usando fones de ouvido e mexendo no celular, e nem notou minha aproximação.
Segurei seus braços e o empurrei com força contra a porta metálica de um comércio que havia na viela. Ele se assustou, e arregalou os olhos, já aumentando a voz comigo.
— Que porra você tá fazendo?
— Você achou sua namorada, então cadê meu dinheiro, seu filho da puta?
— Do que você tá falando, você tá louco?
— Eu odeio que me façam de idiota. — eu pressionava ele contra a porta com meu corpo ainda mais.
— Você tá falando da Minjeong... ela não é minha namorada, ela é minha colega de turma! Me solta!
— E cadê essa tal namorada que nunca vi?
— Ela sumiu, ou você acha que ela ia roubar o dinheiro e ficar aqui? Se liga! Não suporto mais olhar pra essa sua cara, por que eu ficaria passando por isso à toa por dias?
— Os dias estão passando e você só tem mais três dias, mas esses seus comportamentos comigo me fazem querer te torturar à partir de agora.
Ele ficou louco de ódio e me empurrou com força, me jogando contra a parede em frente.
Eu poderia ter evitado isso, afinal é nítido que tenho mais força que ele, mas não impedi.
— Seu psicopata! — ele gritou e saiu correndo para o apartamento dele, e não fui atrás dele.
— Você me empurrou, seu desgraçado corajoso... — dei um sorriso sútil enquanto colocava a mão no ombro, sentindo o impacto que meu corpo deu.
Poucas pessoas me enfrentaram nessa vida, e todas pagaram caro por isso. Saber que um universitário dessa idade teve essa coragem me deixava com mais raiva ainda, e mais vontade de incomodar mais e mais sua vidinha miserável.
Montei na moto e voltei para a Sixx apenas para buscar meu celular, que acabei esquecendo quando saí com pressa.
Assim que entrei na sala, o Yoon entrou depois de mim.
— Gosto de te ver com roupas descontraídas assim, mas aqui na Sixx você fica parecendo a porra de um funcionário qualquer, não use isso aqui.
— Foda-se, eu sou o dono.
Ele riu.
— Falando sério agora, onde você estava? Te procurei por toda parte desde que cheguei, pra mostrar a venda que fiz. Não vale dizer que estava atrás do barman.
— Ele me empurrou. Você tem noção disso? O desgraçado teve coragem de me empurrar...
— Porque será que eu já sabia que tinha ele no meio?! Por que não esquece essa grana e deixa o menino em paz?
— Porque tô me divertindo, não tá claro ainda? — levantei e fui até a janela — Ele é corajoso, gosto disso... mas ele precisa sofrer um pouco pra perder esse ego e essa coragem toda.
O Yoon encheu um copo com meu whisky e apoiou na mesa.
— Se quer fazer ele sofrer, deixe ele um dia com o Hoseok, ele vai sofrer tanto quanto nunca sofreu na vida dele.
— Não.
— Hmm, então sequestra ele, e aqui a gente quebra o garoto todinho.
— Não seria uma má ideia, mas não quero que ninguém encoste a mão nele, isso é assunto meu. Inclusive, repasse essa ordem à todos; ninguém deve encostar um dedo sequer naquele garoto.
Ele deu com os ombros e virou o copo na boca.
— Ok. Se decidir bater nele, me chame. Vou ir nessa, quero beber e dormir a noite toda. Até amanhã.
— Esqueça disso, não vou mudar de ideia. Até.
O Yoon saiu e eu fui embora logo depois. Eu estava faminto e, com esse dia de merda, mal toquei em comida alguma.
Já era tarde, e eu queria comer algo rápido. Passei em uma cafeteria 24h e comprei algumas coisas pra viagem. Enquanto esperava meu pedido ficar pronto, uma mulher sentou na mesa em que eu estava, sem mais nem menos. Olhei na sua direção sem entender, até que ela falou com um olhar bem sugestivo.
— Seria muito louco se você me passasse seu número, não acha?
Ela colocou seu celular na mesa e empurrou em minha direção.
— Sim, seria uma loucura mesmo, afinal eu jamais passaria meu número para uma completa desconhecida. Com licença. — Levantei, peguei meu pedido e saí. Pra minha surpresa, ela veio atrás de mim.
— Vamos lá, não seja durão assim, Jeon. Se eu sou desconhecida, vamos nos conhecer.
Eu parei e a encarei com o pior olhar possível.
— De onde você me conhece?
Ela deu com os ombros e respondeu.
— Todos aqui sabem que você é o dono da Sixx, e eu em especial, sempre fui sua fã.
— Não quero fãs, muito menos seu número. Com licença.
Montei na moto e pilotei até minha casa. Eu não confiava em quase ninguém, e alguém chegando assim com certeza levantava minhas suspeitas.
Pilotei rápido pra sentir a potência da moto, e acabei chegando em poucos minutos em casa.
Guardei a moto na garagem e fui apertando meu próprio ombro enquanto entrava em casa. A forma que aquele moleque me empurrou conseguiu me machucar. Mesmo que estivesse doendo pouco, eu estava completamente incomodado com o que ele fez.
Eu precisava me vingar dele, e só incomodar sua vida não era suficiente, eu queria mais.
— Boa noite, senhor Jeon, quer que sirva o jantar? — perguntou a governanta da casa.
— Não precisa, obrigado Sra. Lee, vou comer essas coisas no meu quarto. Pode finalizar e descansar.
— Tudo bem, obrigada.
Ela já tinha uma certa idade e cuidava de mim desde pequeno na mansão dos Hwang. Ela era a única que realmente gostava de mim naquela casa, e quando fui embora de lá, além do Hoseok, também trouxe ela comigo.
Ela se afastou e subiu para o quarto dela. Não era um quarto de funcionários, mas sim um quarto normal da casa.
Subi para o meu quarto, tomei banho e fui para a cama. Por mais que eu quisesse desligar e ter uma noite de uma pessoa normal, comendo e assistindo algo, eu não conseguia, então deixei o notebook ligado na cama, e fiquei verificando uns e-mails enquanto comia.
Eu tenho mais de uma empresa, e precisava cuidar dos negócios de todas, afinal, só crimes não me proporcionariam a posição social que tenho hoje.
Entre os vários e-mails enviados e recebidos, vi o e-mail do Yoongi, e abri de novo o anexo que ele me enviou sobre o barman.
Fiquei remoendo o fato dele ter me empurrado, ainda mais por não ter reagido. No PDF havia algumas fotos dele, tiradas em emissão de documentos e também pelos meus capangas que estavam vigiando ele 24 horas por dia.
— Por que eu tô tendo toda essa paciência com você, Jimin?
Abaixei a tela do notebook e coloquei na mesinha de cabeceira.
Talvez o Yoongi tenha razão, e eu esteja pegando pesado demais com ele, mas agora vou ser pior. Ele vai devolver meu dinheiro por bem ou por mal, mas até isso acontecer, vou me divertir ainda mais com ele.
Terminei de comer e deitei. Fiquei mexendo no celular inquieto, e até tentei dormir sem remédio, mas era quase sempre impossível. Peguei a cartela pra tomar, mas, tive uma ideia melhor.
Guardei ela, levantei da cama e desci até a adega no subsolo da casa. Peguei algumas garrafas de soju e voltei para meu quarto.
Enquanto bebia, eu também fumava e ouvia música. Apaguei as luzes e deixei apenas um refletor aceso no quarto, projetando no teto luzes que se assemelhavam a auroras boreais e nebulosas de estrelas.
Além dos treinos e lutas, meu estilo de vida era o pior possível. Já tentei parar de fumar várias vezes, mas quanto mais o tempo passava, mais eu fumava, além de beber diariamente.
A música se tornava um refúgio, seu ritmo hipnotizante me afastava momentaneamente dos meus pensamentos, que nunca desligavam. Cada trago e cada gole eram uma tentativa de abafar a inquietação que pulsava dentro de mim.
Sentado na poltrona, enquanto curtia o som e sentia a bebida formigar meu corpo cada vez mais, eu apaguei.
Hoje consegui não precisar de remédio algum, mesmo que seja de uma maneira pior ainda.
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Ele é terríveeeeel, e esse é só o começo.
Espero que estejam gostando, e se preparem para muitas emoções.
Não esqueçam de votar e comentar para incentivar essa probi aspirante a autora, hihi
Até mais! 💙
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