01 | 첫 번째 장

Oi gostosos,
Que bom te ver por aqui.
Sejam bem vindos ao primeiro capítulo,
e sem mais delongas,
apertem os cintos e boa leitura!

#azuldameianoite

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- PARK JIMIN -


— Porra, minha cabeça...

Senti o peso de toneladas sobre minha cabeça ao acordar com o maldito despertador. Abri os olhos com dificuldade, sentindo minhas pálpebras pesadas. Olhei ao redor, onde notei que ainda estava sozinho no apartamento.

— Sohee? — chamei, mas não houve resposta.

Eu estava mal, e me sentia de ressaca.

Levantei e fui me apoiando entre os móveis até alcançar meu celular, que estava na mesa. Liguei para ela, mas a chamada caiu.

Fui até o guarda-roupa, e vi que algumas das roupas dela estavam faltando. Nós brigamos na noite anterior e, depois disso, saí para beber com Namu e com o Tae, o que com certeza a deixou furiosa, mais do que já estava.

Tentei ligar mais uma vez, mas a chamada caiu novamente.

— Hoje nós temos aula, Sohee. Você não vai fugir de mim — murmurei.

Nós namoramos há quase um ano, mas ultimamente as coisas iam de mal a pior entre nós. Decidimos morar juntos há quatro meses, depois que ela foi expulsa da casa da mãe, mas essa foi a pior decisão que tomamos. As manias e os costumes dela conflitaram com os meus, e brigamos por qualquer coisa.

Além de todos os problemas entre nós dois, Sohee sempre insistiu para que eu desistisse da minha faculdade atual e cursasse algo "de verdade". Apesar de toda a insistência dela, nunca desisti, mas essas coisas estavam me esgotando.

Eu estava com fome, mas não tinha tempo para comer, estava atrasado para a aula e precisava correr. Tomei uma ducha rápida, um analgésico e saí apressado rumo à estação de metrô.
A chuva caía intensamente na cidade, e eu me protegia apenas com o capuz do moletom, abraçado à mochila.

Assim que cheguei à estação, vi o metrô saindo e corri ainda mais, mas não adiantou, e acabei perdendo. Olhei o relógio e resmunguei, já sabendo que chegaria atrasado na primeira aula do dia, justamente a do pior professor.
Eu já estava na merda, então fui até uma cafeteria ao lado da estação, e voltei comendo um pão de creme para esperar o próximo metrô.

Após mais vinte minutos de espera, o metrô chegou e embarquei. No caminho, até enviei mais algumas mensagens para Sohee, mas sabia que seria em vão.

E foram.

Desci na estação e corri mais um quarteirão entre as ruas frias e chuvosas.
Passei pelos portões e pelos corredores movimentados até chegar à sala de aula. Espiei pela janela de vidro na porta e vi o professor de costas, escrevendo na lousa. Era minha oportunidade.

Abri a porta com cuidado e entrei sorrateiramente, mas o silêncio na sala não colaborou para que eu passasse despercebido.

— Mais um atraso, Park? — o professor falou de costas, virando-se em seguida.

— Ah, desculpe, professor. O metrô atrasou, deve ter sido por causa da chuva.

— Metrôs não atrasam. Não jogue a culpa da sua irresponsabilidade no transporte público. Sente-se e pare com essas falsas desculpas.

— Ok.

Enquanto ia até minha mesa, todos os alunos olhavam na minha direção, e alguns até zombavam.

— Oi, Park, eu anotei as informações da primeira aula. Se quiser copiar, pode pegar meu caderno.

Olhei para o lado e vi que era Minjeong. Eu não tinha amigos na turma, mas a garota de cabelo loiro e curto, lábios rosa e perfume floral sempre estava por perto, me ajudando.

— Vai me ajudar muito, obrigado, Minjeong. — Sorri agradecendo, o que fez ela corar e sorrir junto.

Após essa aula, tiveram várias outras seguidas. Eu achava que a faculdade seria encenar e dançar o tempo todo, mas, diferente disso, as aulas eram quase sempre teóricas, e eu odiava.
Eu precisava cursar mesmo odiando, pois só assim teria ter a chance de ter uma vida melhor.

Eu não podia passar a vida toda vivendo nesse sufoco.

Assim que o alarme tocou, indicando a hora do intervalo, saí rápido da sala e fui procurar a Sohee. Enquanto circulava pelos corredores lotados de alunos, vi uma das amigas dela. Eu sei que essa garota me odeia, mas era minha única alternativa.

— O que você quer, garoto? — ela perguntou sem paciência.

— A Sohee veio para a aula?

— Não. — cruzou os braços e arqueou as sombrancelhas.

— Você sabe onde ela está?

— Se você, que é o namorado dela, não sabe, como eu vou saber? Cai fora daqui! — Ela deu as costas e saiu andando.

— Garota insuportável... — revirei os olhos resmungando.

Fui até o refeitório e vi o Taehyung e Nam de longe, sentados em uma das mesas enquanto comiam.

— Que cara horrível é essa? — o Nam perguntou enquanto eu me sentava com eles.

— Não sei do que você tá falando, eu tô normal.

Os dois começaram a rir.

— Deixa eu adivinhar, você e a Sohee ainda não se resolveram?

— Não... Ela ficou ainda mais brava porque saímos, e sumiu, então nem sei como estamos. Nem se ainda namoramos.

— Engraçado, ela vive fazendo isso, mas quando é você, ela fica bravinha? Você sabe o que eu acho, certo?! Essa menina só te usa, Park.

— Você é cruel, Namu.

— Cruel e sincero. Larga essa maluca e segue sua vida. Aquela garota de cabelo chanel da sua turma tá doida por você, aproveita a oportunidade.

— Tenho que pensar com calma sobre a Sohee. E sobre a Minjeong, ela é só minha colega, é o que ela considera também.

— Você é cego, porra?

— Se eu sou cego, você é um louco. A garota é riquinha, alguém como ela não tá de olho em um pé-rapado como eu. Além disso, ela sabe que namoro a Sohee.

Taehyung ria enquanto assistia nós dois discutindo.

— Você vai esperar essa louca prejudicar sua vida pra acordar... Depois não diga que não avisei.

As acusações do Namjoon não eram mentiras, e no fundo, eu sabia disso.

— Eu já sou grandinho, pode ficar tranquilo que vou me resolver com ela.

O Namjoon deu com os ombros e voltou a comer.

— E você, como consegue ficar com essa cara de quem nem bebeu ontem? — perguntei para o Tae.

— Porque eu não tô sofrendo por amor? — zombou.

— Eu também não estou.

— Eu tô ouvindo isso há tanto tempo.

— Como assim tanto tempo? Você só tem 19 anos e acabou de chegar aqui, se liga, pivete.

Eles zombavam ainda mais de mim, e continuaram assim até o fim do intervalo.
Com o alarme tocando novamente, eles voltaram para suas respectivas salas, e eu também.

Após algumas outras aulas lentas e cansativas, o dia letivo finalmente terminou.

Nam estava parado do lado de fora da universidade esperando eu e o irmão dele.

— E aí Park, vamos naquele restaurante comer churrasco? Chega de correr atrás daquela garota.

— Não vai dar, já faltei ontem no trabalho, hoje não posso furar com meu chefe, ele está contando comigo... Tchau, amanhã vejo vocês.

Taehyung era o mais novo, mas já tinha um carro, simples, mas que funcionava bem. Eles foram embora, e eu fui até a estação, fazendo o mesmo trajeto de sempre para ir embora.

Já em casa, a mesma coisa, ainda estava vazio.

— Que droga, Sohee! — reclamei em voz alta.

Eu me sentia com raiva. Sempre odiei coisas mal resolvidas, e essas atitudes dela estavam me deixando fodido de ódio. Eu precisava pôr um fim nisso, pelo menos, por enquanto.

Por mais que quisesse beber e apagar, eu precisava trabalhar, e precisava de dinheiro. Coloquei uma calça jeans, uma camisa grande e larga, e um tênis.
Enquanto me arrumava, senti meu estômago embrulhar de fome. Àquela hora, a única coisa que não me atrasaria seria um lámen, então eu preparei no micro-ondas.

— Estou cansado de sempre estar correndo pra tudo... Preciso terminar essa faculdade logo e enriquecer. — falei comigo mesmo, conforme comia e observava meu redor.

Eu sabia que nada era fácil, e na minha vida, "difícil" era a palavra mais comum, mas desistir com certeza não estava no meu vocabulário.

Terminei de comer, peguei minha mochila e saí.

As ruas no meu bairro eram perigosas, mas era o único lugar onde meu salário conseguia pagar um aluguel, já que grande parte do meu dinheiro era destinado à faculdade, na qual eu já acumulava uma dívida gigantesca.
Eu sonhava acordado com o dia que nunca mais precisaria pisar em um lugar como esse, muito menos voltar para o interior.

Assim que cheguei na Blue Sky, dei de cara com meu chefe na entrada do vestiário.

— Eu já estava louco achando que você não viria, Park.

— Tô aqui... Desculpe.

— Ok ok, agora vá para o bar. As pessoas já estão começando a chegar, e hoje é quinta-feira, então já sabe, né? O movimento do fim de semana começa hoje.

— Ok, vou me trocar.

Coloquei o uniforme composto de roupas pretas e um avental também da cor preta. A camisa era colada e marcava meu corpo, e no começo isso era algo que me incomodava, mas hoje em dia, já nem me importo mais, mesmo que no dia-a-dia eu prefira roupas largas.

Os clientes foram chegando gradativamente, e pediam todos os tipos de drinks que servimos na boate. Nunca fiz curso algum sobre preparação de bebidas, mas estava trabalhando nisso há tanto tempo que realmente me tornei um bartender, e entendia de todas as bebidas do mercado.

A casa foi enchendo cada vez mais, para a alegria do meu chefe, e minha tristeza, pois isso significava trabalhar mais. Eu já estava acostumado a ver alguns criminosos por ali, então a insegurança que tinha quando comecei a trabalhar na boate já não me atrapalhava, e conseguia servir e preparar as bebidas com tranquilidade para esse tipo de gente.

Entre o movimento de clientes e a música alta, meu chefe se aproximou do balcão.

— Park, soube que aquele cara dono da empresa Sixx virá hoje à noite aqui, então quero que capriche nos drinks dele, eu darei tudo de graça. O sujeito é ricaço, além de ter muita influência na região, então isso pode ajudar a Blue Sky a crescer. Você me ajuda e eu te ajudo, entendeu?

— Ou seja, quer que eu seja puxa-saco de um criminoso...

— Shhh, fica quieto, o cara não é criminoso, é um empresário, não acredite em boatos de invejosos. Posso contar com você?

— Tenho outra escolha?

— Não.

— Então, ok, vou servir o babaca.

— Você é o melhor! Quando eu ver ele, te mostro quem é. As pessoas chamam ele de Jeon, mas não esqueça de chamá-lo de senhor.

— Você está brincando comigo, né?

Ele saiu abanando as mãos, me deixando falando sozinho.

Que caralho...

As luzes azuis neon refletiam sobre a boate, acompanhadas de muita música, bebida e cigarro que circulavam livremente pelo local. Muitas pessoas dançavam na pista de dança ao som do DJ, enquanto músicas de diversos estilos tocavam.

Eu servia cliente atrás de cliente, e após mais uma hora nessa rotina cansativa, meu chefe voltou a se aproximar do balcão.

— Ele está entrando, é o que tem tatuagens nas mãos, e seu sócio tem uma cicatriz no olho. Se você tratar eles mal, eu juro que te coloco pra esfregar as privadas e o banheiro por um ano seguido.

— Eu já entendi, sai daqui.

Os dois olhavam ao redor e se aproximavam lentamente do balcão enquanto conversavam entre si. O primeiro que notei foi o cara com a cicatriz no olho, vestindo um terno completo, sem gravata. O colega ao lado usava apenas uma camisa social preta, com alguns botões abertos e as mangas levemente erguidas até o antebraço. Consegui ver que além da tatuagem na mão, também tinha em seu braço.

— Esse é o tal do Jeon... — sussurrei.

Os boatos de que a Sixx era uma empresa para lavagem de dinheiro percorriam toda a região, e eu já ouvi falar disso em várias situações. Eu odiava essa região cheia de bandidos asquerosos, e pra mim, todos eram lixos. Ter que tratar eles como "senhor" era o auge da minha humilhação por dinheiro, mas infelizmente, eu precisava desse emprego.

— Boa noite, eu quero esse drink aqui, por favor. — o homem com a cicatriz no olho falou de forma simpática, apontando para o cardápio com um sorriso no rosto.

— Ok, um drink colombiano. E o senhor, vai querer alguma bebida? — respondi e olhei para o tatuado, que cruzou os braços e apoiou no balcão.

— Qual é seu nome?

Pra quê diabos ele quer saber meu nome?

— É Jimin, senhor.

— O que você me indica, Jimin?

Pensei por uns segundos, e respondi.

— Se o senhor busca algo mais forte, esse drink aqui é o ideal. É preparado com absinto, gin, mirtilo e uma colher de mel — apontei para o cardápio.

Ele olhou onde eu apontava, e em seguida, para mim novamente.

—  Ok, faça esse.

— Vou preparar, com licença.

Me curvei e virei de costas, onde comecei a preparar as bebidas. Era possível ouvir eles conversando discretamente, mas eu evitava prestar atenção, assim também evitaria problemas com esse tipo de gente. Servi os drinks assim que finalizei.

— Obrigado — o tatuado agradeceu, e eles se afastaram do balcão, onde sentaram em uma das mesas.

Isso foi mais fácil do que imaginei.

Era visível as mulheres que ficavam rodeando os dois, e eu observava disfarçadamente. As bebidas não paravam de ir para a mesa deles, e eu só conseguia pensar o quanto eu queria ser alguém assim, não pelas coisas erradas, mas sim, pelo dinheiro. Toda a minha luta para ter sucesso na vida só traziam cada vez mais dificuldades, e tudo o que eu precisava era de dinheiro pra me tirar do fundo do poço.

O homem com cicatriz ria e comemorava com as mulheres ao redor, já o tatuado permanecia quieto, apenas fumando e observando as pessoas enquanto bebia.

Num momento em que olhei novamente para a mesa deles, vi que Jeon já estava olhando na minha direção. Me virei imediatamente de costas, com o coração acelerado.

— Droga, droga, droga... O que ele vai pensar? E se ele vier tirar satisfações? Já sei, é só eu dizer que estava conferindo se as bebidas deles tinham acabado, é isso — murmurei em desespero.

Após isso, continuei trabalhando sem olhar mais nenhuma vez para a mesa deles, e não, ele não veio tirar satisfações comigo.

As horas foram se passando, e o relógio já marcava mais de 2h da manhã, mesmo assim, ainda havia movimento de pessoas na boate. Enquanto os dois homens estavam saindo, eu pude ver meu chefe puxando saco deles, e realmente deixando eles irem embora sem pagar.
Quando saíram, ele veio até o balcão.

— Precisava servir os drinks mais caros? Porra, Park...

— Foi você quem disse que era para agradar eles.

— É, você tá certo... pelo menos eles gostaram. Nossa, você está horrível, vá para sua casa, você já fez muito por hoje.

Eu estava exausto, em um misto de cansaço e desânimo.

— Posso mesmo?

— Pode, vá logo antes que eu mude de ideia. E não se acostume.

Sem nem trocar de roupa, fui até o vestiário e peguei minha mochila. Enquanto saía, vi uma única mensagem da Sohee, enviada há duas horas atrás, dizendo que estava indo no apartamento pegar o restante de suas coisas. Ela não podia fugir de mim.
Depois de ler, saí correndo, mas acabei esbarrando com força em alguém após a saída, o que me fez cair no chão. Como tinha saído com pressa, minha mochila estava aberta, e todas as minhas coisas também caíram ao chão.

— Merda...

Envergonhado, apenas comecei a recolher minhas coisas, até que vi no chão um cigarro aceso, e logo depois, uma mão tatuada pegando alguns papéis.
Senti o frio no estômago percorrer todo o meu corpo quando reconheci de quem era essa mão.

Olhei para Jeon, que devolveu o olhar com desdém.

— Preste atenção por onde anda, garoto.

— Me desculpe, senhor.

No nosso choque, alguns papéis e envelopes que estavam nas mãos dele também caíram. Recolhi tudo e entreguei os envelopes em suas mãos. Pedi desculpas mais uma vez e saí correndo, sem dar tempo dele dizer qualquer outra coisa.

— Eu não acredito que tropecei em um criminoso... E se ele me matasse? Seu olhar demonstrava o quanto ele queria fazer isso — eu falava sozinho e respirava aliviado pelo tatuado apenas ter me olhado com raiva.

A boate era perto de casa, então eu fazia esse percurso a pé, e hoje especialmente, fiz o caminho correndo.

Passei pelos corredores sombrios do meu prédio e, assim que entrei, vi Sohee ainda lá dentro, fumando um cigarro na varanda, com todas as malas prontas próximas à porta.

— Sohee, eu te procurei por toda parte.

— Jimin, me desculpe, mas vou passar uns dias na casa da Lin. Te esperei para falar pessoalmente, pois sei que é o certo a se fazer.

Eu sentei na cama, tentando recuperar o ar que perdi correndo para chegar logo.

— Por que você não joga limpo comigo em vez de ficar agindo feito uma criança?

— Você quer me ofender depois do que fez ontem? Você é muito imaturo. Se tem uma criança no nosso relacionamento, com certeza é você.

— Eu? Sohee, toda vez que brigamos você corre para a casa dessa tal amiga da qual eu nunca nem vi, e você quer dizer que eu sou imaturo? Só pode ser brincadeira...

— Eu não quero discutir de novo, Jimin. Se você não confia em mim, o que quer comigo?

Eu estava frustrado e nervoso. Enquanto a gente voltava a discutir, comecei a tirar minhas coisas da mochila com raiva, e entre elas, veio um envelope amarelo e volumoso, que com certeza não era meu.

— Que porra é essa? — sussurrei.

Abri o envelope e me dei conta de que era dinheiro, muito dinheiro, tanto que jamais vi pessoalmente.

— O que é isso? Você tá escondendo dinheiro de mim? — A Sohee perguntou enfurecida.

Com um flash de memória, lembrei da esbarrada que dei no dono da Sixx.

— Mas que droga eu fiz... — levei as mãos na cabeça, sentindo meu corpo todo congelar quando entendi que esse envelope era dele.

— Estou falando com você! — ela insistiu de forma irritante.

— Esse dinheiro não é meu, Sohee. Eu preciso devolver.

— Devolver? Park, para com isso, essa quantia vai nos tirar desse lugar miserável, e você ainda vai conseguir pagar todas as suas dívidas com a faculdade, ou talvez, cursar até uma faculdade melhor, uma que te garanta um futuro.

— Você estava indo embora, e agora mudou de ideia magicamente? Para com isso, Sohee, esse dinheiro tem que voltar para o dono agora mesmo, isso se eu quiser continuar vivo.

— Não seja exagerado, eu não disse que queria me separar de você.

— Agora sou eu quem quer isso, Sohee, é o melhor para nós.

— Você está terminando comigo?

— Sim, estou.

Ela não respondeu e me olhou confusa, afinal, estava acostumada a tudo ser do jeito dela.

Eu andava de um lado para o outro no pequeno apartamento, tentando ligar para o meu chefe, que não atendeu em nenhuma das tentativas. Eu não queria ficar com esse dinheiro por mais nem um segundo, mas, às 03h da manhã, não tinha muito o que eu pudesse fazer. Coloquei o dinheiro de volta no envelope e deixei em cima da mesa.

Eu sentei na cama, e a Sohee sentou ao meu lado, suspirando e mexendo as mãos de forma impaciente.

— Eu gosto de você, Jimin, e não te quero mal.

Ouvir isso foi como passar um filme na minha cabeça. Ela nunca me amou, e eu estava esgotado disso, então apenas fiquei em silêncio.

— Posso dormir aqui pelo menos por hoje? Está tarde para uma mulher andar na rua.

— Faça o que quiser.

Eu levantei, bati a porta atrás de mim e saí do apartamento. Fui ate o terraço do meu prédio, onde havia alguns bancos e uma vista até que bonita de Seoul.

Eu sentia como se só atraísse problemas, e quase não tinha memórias boas recentes. Minhas boas lembranças eram quando estava bêbado, e isso era uma vergonha. O cara que precisa beber para conseguir ser um humano normal.

Por enquanto, o problema mais fácil de solucionar era devolver essa grana, mas por um segundo, eu realmente cogitei ficar com o dinheiro.

— Isso me ajudaria tanto... — falei olhando para o céu escuro, com nuvens densas de chuva que ameaçavam cair.

Mesmo com o pensamento e a vontade, o medo de encostar nesse dinheiro era maior. Eu sabia que pegar essa grana me colocaria em problemas, ainda mais considerando o fato que eu não sabia do que aquele cara era capaz.

Depois de pouco mais de uma hora no terraço, voltei para o apartamento. Sohee dormia na cama, e eu peguei um travesseiro, uma coberta e deitei no sofá pequeno e desconfortável.

Mesmo rolando de um lado para o outro por várias vezes, com minha mente fervendo em pensamentos ruins, eu consegui dormir.

🫐

No dia seguinte.

De novo, o maldito despertador me acordou do único momento em que eu tinha paz, que era dormindo.

Olhei para o lado e vi a cama arrumada. As malas e roupas da Sohee já não estavam mais, então eu sabia que ela já tinha ido embora de vez.

Meu olhar se direcionou até o envelope em cima da mesa, me lembrando que eu ainda precisava resolver isso. Liguei mais uma vez para meu chefe, que agora, finalmente atendeu.

— Park, a que devo a honra da ligação do meu barman favorito?

— Claro, sou seu único barman. Simon, sabe aquele cara dono da Sixx?

— Sim, o que tem ele? Você não tratou ele mal, tratou?

— Não. Ontem, na hora de sair, eu tropecei nele e acabei pegando um documento dele por engano, então preciso achar o cara para devolver.

— Ai ai Park, você sempre se mete em problemas. Vou descobrir o telefone de contato da empresa dele e te envio.

— Obrigado.

Mesmo com a partida da Sohee e esse dinheiro complicando as coisas, não dava para ficar esperando sentado as soluções caírem do céu, eu precisava ir para a aula. Peguei minha mochila e deixei o envelope no apartamento.

Seguindo a mesma rotina de sempre, corri para a estação e acabei perdendo o metrô, onde tive que esperar pelo próximo. Eu dormi mal hoje, então fiquei cochilando várias vezes durante o percurso do metrô, o que acabou fazendo com que eu errasse a estação em que deveria descer.

— Que merda de vida! — eu reclamava enquanto corria para a faculdade. O que deveria ser o caminho de um quarteirão se transformou em quatro quarteirões.

Entrei atrasado na sala de aula, mas por sorte, era a professora de atuação que estava dando aula, e ela era a pessoa mais tranquila daquela instituição.

— Me desculpe pelo atraso, professora.

— Tudo bem, Park, sente-se e respire um pouco.

Sentei na minha mesa e respirei fundo.

Mesmo tentando focar na aula, eu só conseguia pensar em devolver aquele dinheiro o quanto antes.
Aquela quantia com certeza me ajudaria e pagaria todas as minhas dívidas estudantis, mas isso seria como dar um tiro nos meus próprios pés. Os boatos que diziam que o tatuado fazia parte da máfia eram algo que corria entre todas as pessoas do bairro, e eu não queria pagar para ver se isso era realmente verdade.

— Aquele cara é tenebroso... — murmurei.

No intervalo, encontrei apenas o Namjoon, e fui até ele, olhando para os lados.

— Cadê o Tae?

— Não quis levantar cedo hoje. Por que você está agindo como se estivesse fugindo da polícia?

Conferi se não tinha ninguém perto e contei.

— Acredita que peguei por engano um envelope cheio de dinheiro? E o pior, é de um mafioso.

Namjoon arregalou os olhos, engasgando com um pedaço de carne de porco.

— E por que você fez isso? Tá querendo se matar?

— Cala a boca, foi um acidente. Meu chefe vai me enviar o telefone da empresa dele, vou devolver e vai ficar tudo bem.

Nam me encarou enquanto levava mais comida para a boca.

— É muito dinheiro?

— Muito... Pagaria todas as minhas dívidas da faculdade.

— E se você ficar com ele?

— Sem chance. Você está parecendo a Sohee. Não vou ficar com isso, não quero morrer.

— Não me compare com essa sanguessuga aproveitadora.

Eu abri a caixinha de suco e dei um gole generoso antes de responder.

— Eu terminei com ela.

— Mentira.

— Tô falando sério.

— Wow, tô orgulhoso de você. Tenho certeza que logo você estara com aquela gata da sua turma.

— Não vou namorar tão cedo, agora só quero parar de me meter em problemas e estudar.

Depois de conversar e comer, ao fim do intervalo, nós voltamos para nossas aulas.

A professora pediu para que os alunos formassem duplas, e eu já estava conformado que teria que fazer a atividade sozinho, como sempre.

— Oi Jimin, eu posso fazer dupla com você, se quiser. — a Minjeong falou.

— Ahh, está tudo bem, pode fazer com suas amigas.

— Elas já formaram seus pares, então estou sozinha.

Ela é o tipo de pessoa boazinha e popular, ninguém deixaria ela ficar sozinha. Era meio óbvio que ela fez isso pra fazer dupla comigo.

— Obrigado. — cocei a cabeça enquanto respondia sem jeito.

Será que ela realmente gosta de mim? Não, isso é loucura.

A professora anunciou que todos os alunos iriam para o festival de Kyoto apresentar uma peça daqui algumas semanas, e todos os alunos comemoraram, mesmo com o pouco tempo para os ensaios. As duplas eram para aumentar a afinidade entre os personagens, e a professora pediu para manter as mesmas duplas para as atividades até a peça.

Nós também saímos da universidade juntos, conversando sobre nossos personagens. Eu até vi o Namjoon me esperando do lado de fora, mas quando percebeu que eu estava com a Minjeong, ele sorriu e foi embora na frente.

Fomos caminhando até a estação. Eu até achei que ela pegaria o metrô, mas tinha um motorista esperando por ela

— Eu adorei o dia de hoje, e estou ansiosa para a peça. Obrigada, Jimin. Te vejo na próxima aula.

— Eu gostei também. Obrigado, Minjeong. Até.

Ela foi até o carro, e eu peguei o metrô.

A estação do meu bairro costumava ser vazia nesse horário, e eu não podia vacilar. Desci do metrô e caminhei apressado pelas ruas escuras e pouco movimentadas do bairro.
Ao virar a esquina, vi um homem parado no meio da rua, alguém que eu nunca tinha visto antes.

— Eu estava te esperando — o homem falou assim que eu me aproximei um pouco mais.

Eu olhei para trás, mas não havia ninguém. Voltei a olhar para frente e apontei para mim mesmo.

— Tá falando comigo?

— Tem mais alguém aqui além de você?

O homem parecia simpático, mas mesmo assim eu não estava com um pressentimento bom.

— Quem é você? — perguntei apreensivo.

Ele tinha um rosto angelical, com um sorriso em formato de coração e um nariz arrebitado. O homem se aproximou ainda mais, girando uma moeda nos dedos de forma habilidosa.

— Se cair "cara", eu digo meu nome e para quem eu trabalho, mas se cair "coroa", nós vamos sair para passear juntos.

Passear? Que merda esse cara quer dizer?

O homem jogou a moeda para o alto, pegou e a colocou na mão.

— Hmm, deu coroa... vamos ter que dar um passeio. Acertem ele.

Foi tudo muito rápido; eu senti uma única pancada na minha nuca e, após isso, perdi toda a força do meu corpo e tudo ficou escuro.

🫐

Meus olhos se abriram com dificuldade, e eu ainda tentava entender o que tinha acontecido.

Olhei para frente e vi dois homens de costas. Um estava ligeiramente virado de lado, e vi que era o mesmo homem que girava a moeda.
Tentei mexer os braços, e senti que eu estava amarrado a uma cadeira. Meu estômago estava doendo, além da minha cabeça, que parecia que iria explodir.

Quando respirei mais profundamente, os dois olharam na minha direção, e ali, tudo fez sentido.

O outro cara era Jeon, dono da Sixx.

Ele estava usando roupas formais, completamente pretas, e se aproximou lentamente de mim quando me viu acordado.

— Park Jimin, vou perguntar apenas uma vez: onde está meu dinheiro?

Como ele sabia meu nome completo?

Ele se aproximou um pouco mais de mim, com um sorriso completamente sínico.

— Eu não gastei aquele dinheiro, ele está na minha casa. Eu ia te devolver.

— Um cara com tantas dívidas como você? Eu duvido que tenha pensado em me devolver.

— Eu sei quem você é, tá legal? Jamais ficaria com algo que não é meu. Tenho dívidas sim, mas vou pagar elas com o dinheiro vindo do meu suor, e não com dinheiro de um criminoso.

Ele cerrou os olhos para mim, e na hora notei a loucura que cometi ao falar isso.

— Criminoso?

— Desculpe, n-não foi isso que eu quis dizer.

— Cale a boca, moleque. — ele levantou a voz.

Fiquei em silêncio, já imaginando que morreria. O tatuado levantou e respirou fundo, arrumando o blazer.

— Vamos até sua casa buscar o dinheiro.

— Vocês podem esperar aqui, e eu trago.

Ele riu assim que falei.

— Que inocência a sua de achar que eu vou confiar em alguém como você. Hoseok, desamarre ele, coloque as algemas e o leve para o carro.

— É pra já, chefe.

O homem da moeda desamarrou as cordas dos meus braços, mas colocou uma algema, onde me levaram até um carro. Um terceiro homem dirigia, enquanto o tal do Hoseok me segurava forte pelo braço durante todo o percurso.

O carro era quase uma limousine, e Jeon estava sentado de frente para mim. Sua postura era ameaçadora, e durante toda a viagem, ele ficou me olhando, enquanto eu desviava meu olhar a todo custo.

— Pode soltar meu braço? Você está me machucando... Não tem como eu fugir de dentro desse carro.

— Não.

— Hoseok, solte ele.

Assim que o tatuado pediu, ele obedeceu e me soltou. Após alguns minutos, senti o carro parar, e pela vizinhança, sabia que tínhamos chegado.

— Se eu descer algemado assim, meus vizinhos vão estranhar.

— Eu não tô nem aí, vamos. — Jeon respondeu e saiu, e nós descemos logo depois.

Passamos pelos corredores escuros do meu prédio até chegar no meu apartamento, onde o desgraçado começou a olhar com desdém para o imóvel.

— Te levamos para um cativeiro, mas você já vive em um? Por isso não teve medo de me chamar de criminoso, huh?!

— Aqui é temporário. Seu envelope está ali. — apontei com o rosto para a mesa.

Ele foi até o envelope e abriu.

Eu já estava tranquilo, sabendo que esses dois iam finalmente sair do apartamento, até que a pior coisa que poderia acontecer, aconteceu.
Ele tirou todo o conteúdo do pacote e tinha vários papéis picados, nenhuma nota.

— Não é possível isso... — arregalei os olhos quando vi.

Jeon riu e colocou o envelope em cima da mesa novamente. Sua mão foi rapidamente até suas costas, onde ele sacou uma arma. Ele não apontou para mim, mas ficou segurando ela, que era praticamente a mesma coisa.

— Você me roubou e ainda tirou onda comigo...

Eu fiquei desesperado.

— E-eu não roubei. O dinheiro estava aí, alguém pegou, eu juro.

— Dentro da sua casa? E por que eu deveria acreditar nisso?

— Porque é a verdade. Minha namorada... ela estava aqui, e deve ter pegado antes de ir embora. Eu vou atrás dela e vou recuperar esse dinheiro, me dê só alguns dias, por favor.

O tatuado andou de um lado para o outro, tentando controlar sua ira. Eu sentia que morreria ali, e vi um filme da minha vida passar pela mente.

— Você tá querendo me dizer que sua namorada te roubou? Isso não é nada convincente.

— Sim, eu juro. Nós terminamos ontem, e quando achei o dinheiro na minha mochila, ela ficou de olho nele. Eu deveria saber desse risco, mas eu sou um idiota.

Ele respirou fundo por alguns segundos, e então guardou a arma.

— 7 dias.

— O que?

— Você tem 7 dias pra devolver meu dinheiro.

Eu não tinha ideia do paradeiro da Sohee, mas sabia que precisava encontrar ela o mais rápido possível.

— Ok, eu vou te devolver cada centavo.

— Hoseok, solte as algemas dele.

Ele me soltou e eu caí na cama com um empurrão que me deu assim que abriu as algemas.

O tatuado se aproximou, apoiando seu joelho na cama e as mãos na parede, me prendendo contra ela. Ele se aproximou tanto que eu pude sentir o calor do seu corpo através do meu. Com as mãos suaves, ele segurou meu queixo e completou.

— Se você tentar fugir, eu não vou ser compreensivo e vou acabar com sua vida.

— Eu não vou fugir, eu juro.

Seus olhos eram grandes, e sua postura era intimidadora o suficiente para assustar até a pessoa mais corajosa do mundo.

— Ótimo.

Ele se afastou e olhou para o seu comparsa.

— Vamos embora.

Eles saíram, batendo a porta logo depois. Só então eu consegui realmente respirar de verdade.

— Eu não acredito que você fez isso comigo, Sohee.

Enquanto falava sozinho e indignado, eu andava pelo apartamento tentando ligar para ela. Diferente dos dias anteriores, que chamava até cair, dessa vez, dava direto como desligado. Suas redes sociais sumiram para mim, o que aumentou mais ainda o meu desespero, pois eu sabia que ela tinha me bloqueado.

De tudo o que ela já fez, isso foi de longe o pior e mais sujo. Mesmo sabendo de quem era o dinheiro, ela não pensou duas vezes em pegar e fugir, ciente que isso poderia custar a minha vida.
Sentei na cadeira e abaixei a cabeça na mesa, perdido e sem saber por onde começar a procurar ela.

Hoje eu estava de folga da boate, então peguei minha carteira e fui até uma pequena conveniência, onde comprei várias garrafas de soju. Eu não queria correr o risco de beber na rua e encontrar com algum capanga daquele cara, então voltei apressado para casa e fui até o terraço do prédio, que por sorte, estava vazio.

Eu sentei e ali, comecei a beber. Uma garrafa não era suficiente e esse número foi aumentando consideravelmente enquanto eu olhava para a vista. Minha cabeça não parava, e era como se houvesse várias sociedades em guerra dentro dela.

A brisa gelada da noite batia na minha pele, e o ato de segurar a garrafa congelava meus dedos ainda mais.

Meu celular vibrou, e vi que era uma mensagem do Namjoon.

Após responder ele, abri outra garrafa, e depois mais uma, e mais uma, e assim por diante.

— Eu odeio a minha vida. — eu reclamava com a voz trêmula. Por mais que eu quisesse chorar, nem isso eu conseguia fazer. Única coisa que me restava era beber até perder a consciência.

O tempo gelado foi piorando, e mesmo bêbado, eu estava com frio. Peguei as diversas garrafas que bebi, joguei fora e voltei para o apartamento.
Eu caí de bruços na cama, e do mesmo jeito que caí, eu fiquei.

Bebi pra esquecer de toda essa merda, mas só estava me fazendo pensar mais e mais.

Se eu pudesse voltar no tempo, não pediria essa filha da mãe em namoro.

Enquanto remoía meus erros, acabei apagando, completamente bêbado.

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Obrigada por acompanhar o primeiro capítulo!
Te vejo no próximo capítulo, com o ponto de vista do mafioso mais gostoso e egocêntrico que existe.

Não esqueça de votar e comentar, isso me incentiva muito a continuar. Eu amo saber o que estão achando.

Até lá! 💙

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