Capítulo Um
✧ Créditos
Autor: KimSeogmin
Co-autor: PurpleGalaxy_Project
Avaliação por: aakiray
Betagem por: soobinvaqueiro
Design por: angellen
A vida em Atlântida era considerada ótima para alguns tritões e sereias, mas para outros, nem tanto.
Esse era o caso de Kim Taehyung, primogênito do rei dos mares; Poseidon.
O rapaz de olhos claros como o céu azul e as águas, via-se cansado da vida pacata que tinha na cidade perdida, a qual consistia em apenas nadar e nadar, sem cruzar as fronteiras dos oceanos; Pacífico, Atlântico, Ártico e Índico.
Taehyung se via cansado das ordens que o pai impunha em si e em seus irmãos: "Não faça isso, não faça aquilo". Chega!
Isso, naquele dia, iria mudar!
O garoto estava decidido a convencer (ou pelo menos tentar) o pai a lhe deixar ir para a universidade como os jovens normais, mas aí que 'tá. Taehyung não era um jovem normal.
Ele tinha cauda!
Havia uma cauda com nadadeiras azuis celestes e escamas reluzentes no lugar de pernas humanas. Porém, o mais novo filho de Poseidon já tinha um plano elaborado.
Só precisava da confirmação do pai e o resto, ele dava conta. Assim, foi quando avistou o rei dos sete mares nadar despreocupado.
— Papai! Eu preciso lhe pedir uma coisa! — Nadou o menino, afobado, em direção ao mais velho. — Uma coisinha mínima de nada.
Poseidon olhou desconfiado para o filho mais novo, já sabendo que não se tratava de coisa boa.
— Diga o que queres, meu pequeno, que prontamente lhe darei.
Sem relutar e muito direto, Taehyung rapidamente respondeu:
— Quero ir à superfície e estudar em uma escola de verdade! Uma universidade!
O rei tritão engasgou-se com sua própria saliva e arregalou os olhos. Taehyung apenas aguardava ansioso com um intenso brilho no olhar.
— Meu filho, à superfície? O mundo dos humanos? — O garoto assentiu, animado. — Aquela espécie são monstros! São criaturas que desprezam os seres marinhos e nos querem mortos!
— Eles não são monstros, papai! São pessoas como nós, só que eles têm pernas ao invés de caudas.
— Exatamente! Eles têm pernas e nós, caudas, Tae. Como pretende ir para o mundo dos monst- — o mais velho se interrompeu ao ver o olhar severo do filho caçula. Prontamente corrigiu-se: —, humanos, com uma cauda! Eu nunca deixaria meu filho mais novo ir para um lugar tão perigoso assim! Você é meu bebê, Tete!
— Pai, eu já tenho dezoito anos. Não sou um bebê! Me deixe desfrutar de uma vida universitária. Eu prometo não causar nenhum dano ou fazer confusão. Por favor?
Poseidon suspirou, derrotado. Encarou o filho e esboçou um sorriso pequeno, acariciando os fios macios mesclados com azul.
— Eu só posso estar louco.
— O senhor deixa...?
— Tudo bem, mas... — Taehyung revirou os olhos, porém cedeu com um sorriso alegre. Nunca foi tão fácil convencer seu pai a fazer algo perigoso. — O seu irmão vai junto!
— Ah, não, papai. O Namjoon hyung não! — Namjoon era o filho mais velho de Poseidon, e sempre que seus filhos mais novos saíam em alguma aventura, este os acompanhava.
— Ou vai com o Namjoon ou fica aqui, estudando com o Yoongi.
— Não, eu vou com o Nam! Eu amo o meu irmão!
O Kim saiu nadando apressado em busca do irmão mais velho, fazendo seu pai deixar algumas risadinhas escaparem.
Não muito longe dali, estava Namjoon aos beijos com seu namorado, Seokjin.
— Eca! Que nojo!
O mais velho se afastou do amado, selando os lábios minimamente.
— O que quer, Tae?
— O pai quer que você suba para a superfície comigo. — Igualmente ao pai, Namjoon também arregalou os olhos. — O que foi? Eu pedi para estudar em uma universidade e ele deixou, mas só se você for comigo. E você vai!
— Epa, epa, epa. Quem disse isso? Eu não vou para o mundo dos humanos de novo nem que o papai grite comigo.
— Por favorzinho, Nam hyung. Eu nunca te pedi nada.
O tritão piscou os olhos como um cachorrinho abandonado pedindo por comida. Namjoon suspirou com força, relaxando os músculos tensionados.
— Tudo bem, Taehyung, eu vou com você.
— E eu, Joonie? Você vai me deixar aqui sozinho, amor?
Seokjin, que até então estava calado, apenas acompanhando a conversa dos irmãos, manifestou-se.
— Calma, meu bem, já chego nessa parte. — O mais velho olhou para o namorado com um sorriso carinhoso e, depois, voltou sua atenção ao irmão caçula: — Eu também tenho uma condição.
Taehyung fez birra, chacoalhando os braços de forma agitada e forçando um chorinho dramático.
— Ah, não! Eu só queria ir para a superfície logo, estudar em uma escola de verdade e não ficar levando bronca toda hora do Yoongi hyung!
— Calma, pequeno aventureiro. Eu ainda não terminei — exclamou Namjoon, tranquilizando o menino. — O Jin vai comigo, esta é a minha condição.
— Só isso? — perguntou Taehyung, desconfiado.
— Sim.
— Eu posso aturar os gemidos de vocês. — Deu de ombros.
— Taehyung! — repreendeu Namjoon, envolvendo o namorado completamente vermelho em seus braços, ao que o mais novo dava as costas, sorrindo malicioso. — Esse moleque malcriado!
— Ele não é tão inocente quanto imaginei — soltou Seokjin, ainda corado. O maior o envolveu ainda mais, deixando-lhe um beijo no topo da cabeça.
【🐬... 】
Depois de convencer o pai e o irmão, Taehyung nadou para as profundezas do oceano, indo em direção à caverna escura da feiticeira Úrsula.
Com alguns trocados, o garoto conseguiu fazer a bruxa ceder e lhe fazer algo que lhe tirasse a cauda e lhe desse pernas humanas assim que estivesse em terra firme.
— Úrsula? A senhora está?
Chamou uma vez, mas a mulher não respondeu.
— Úrsula?
Chamou mais uma vez.
— Feiticeira Úrsula?!
E somente na terceira tentativa, fora escutado.
— Aqui, menino, entre. — A voz soou das profundezas da caverna, onde o olho nu não poderia enxergar com clareza.
Taehyung nadou com pressa, seguindo os ruídos e os ecos causados pela voz estridente da feiticeira, chegando em seu local de trabalho.
— Já tem o que lhe pedi pronto?
— Mas é claro, garoto! Já me viu atrasar algum pedido antes? — Taehyung negou. — Eu sou uma bruxa velha, mas não esquecida. Aqui, tome. — Entregou-lhe um colar de cristal em formato de coração, de coloração azul celeste como sua cauda. — Assim que sair da água, depois de alguns minutos você sentirá uma sensação estranha. Como se algo estivesse arrancando sua cauda fora. — O menino a olhou, horrorizado. — Não se preocupe, sua cauda não será arrancada.
— Então por que irei sentir como se estivessem arrancando-a de mim? — indagou Taehyung, acanhado, ponderando desistir dessa história louca.
— Será o feitiço agindo. Você sentirá essa dor por dois minutos e, depois disso, puff! Olá, pernas humanas! — falou a mulher, visivelmente orgulhosa de seu trabalho. Logo sua feição mudou para uma mais séria: — Não retire o colar de forma alguma!
O rapaz respirou normalmente ao ouvir o que a feiticeira falara e assentiu com a cabeça para sua última fala. Já estava pronto para sair quando lembrou do irmão e do cunhado, os quais também iriam consigo.
— Er... Senhora?
— Sim?
— O Nam e o Jin hyung vão comigo... — A mulher de idade avançada encarou o menino com um olhar mortal. Taehyung arregalou os olhos. — E-eu não tive culpa! O papai só me deixou ir com o Nam hyung, e Nam hyung só vai comigo se o Jin hyung for, e Jin hyung-
— Já entendi! — Taehyung calou-se. — Agora vá! Verei o que posso fazer.
— Obrigado, senhora Brux- Úrsula! — Soltou um risinho envergonhado. — Já estou indo!
Taehyung saiu nadando ligeiro e acabou por esbarrar em alguns potes de ingredientes da feiticeira.
— Desculpa.
— Deixe aí, menino. Depois eu arrumo. — A bruxa negou com a cabeça, sorrindo.
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— Eu quase assinei minha sentença de morte com a Úrsu- Ah, pelo amor dos Siris-Cascudos!
Taehyung havia chegado ofegante, pronto para contar o que aconteceu na caverna da feiticeira ao irmão e ao cunhado, quando encontrou os dois praticamente se comendo. Os tritões mais velhos estavam em um beijo afoito, cheio de línguas.
— Que culpa a gente tem se você só chega nas horas erradas? — Seokjin sorriu com a feição do mais novo.
— Vocês sabem que eu estou na seca e ficam se pegando na minha frente, poxa. — Demonstrou uma carinha triste, o que fez os outros dois rirem ainda mais.
— O que você estava falando mesmo?
— Que eu ia morrendo na caverna da Úrsula. — Fez uma pausa, mas logo continuou: — Ela me deu esse colar aqui. — Levantou o objeto na altura dos ombros, mostrando aos demais. — Vai me fazer ter pernas!
— Pelos Siris! Isto é ótimo! — comentou Seokjin, animado.
— Mas enquanto a nós? — Namjoon se referia a ele e ao namorado. — Como vamos ter pernas?
— Então, a Úrsula ainda está pensando no que fazer e-
— O que aquela bruxa aprontou? — Taehyung foi interrompido pelo seu pai, que passava por ali.
— Er... fala você, Nam.
— Eu não. Foi você que procurou por ela.
— Vamos lá. Estou esperando. — Poseidon cruzou os braços, esperando por uma explicação da parte do filho.
Sem nenhuma saída, Taehyung decidiu se entregar. Mostrou o colar de cristal ao pai e este arregalou os olhos, os globos quase pulando para fora.
— Mas o que é isso?
— É um colar. O senhor não está vendo? — respondeu Seokjin, sendo repreendido pelo namorado logo em seguida.
— Isso eu sei, Jin. — O rei lutou em não revirar os olhos com a lerdeza do genro. — O que quero saber é o que significa essa joia.
— Ah! Pelo que entendi, ela faz com que o Tae tenha pernas ao invés da cauda — o menino linguarudo falou, sem nenhuma intenção de encrencar o outro. Porém, fora em vão. — Legal, 'né?
— Jin! — o garoto fez manha. — Era para eu falar! Eu falaria de uma forma mais formal e não tomaria bronca do pai!
— Desculpa, Tae!
Seokjin se pronunciou, atracando-se aos braços fortes e bronzeados do namorado. Poseidon tomou a frente:
— Você foi ver aquela bruxa sem me consultar antes? — interrogou, irritado. — Taehyung, eu permiti que fosse para a superfície, mas eu cuidaria de sua parte com escamas, sem envolver magia ou aquela feiticeira façanha!
— Me desculpe, papai. No entanto, eu estava ansioso. Queria tanto ir para uma universidade de verdade que não pensei direito. — Ergueu o colar novamente. — Mas veja pelo lado bom! Eu já tenho o que preciso, bem aqui! Não se irrite comigo.
Poseidon suspirou fundo e encarou o caçula:
— Tudo bem, meu filho, não irei puni-lo por isso. — Taehyung sorriu. — Namjoon?
— Sim, pai?
— Não deixe esse garoto fazer nada que o prejudique.
— Não deixarei.
— Obrigado, filho. Mas enquanto a vocês? — referiu-se às caudas dos mais velhos.
— A Úrsula vai ver o que pode fazer.
— Aquela bruxa não vai deixar isso barato! — Passou a mão pelo rosto. — Irei me resolver com ela.
Dito isso, o rei nadou em direção a caverna da mulher.
【🐟... 】
Passaram-se duas semanas desde a última conversa que Taehyung teve sobre a superfície com o pai e o irmão.
O dia em que ele poderia, enfim, estudar em uma universidade de verdade, com pessoas e coisas de verdade, estava cada vez mais próximo.
Faltavam apenas dois dias para que ele, Namjoon e Seokjin subissem para o mundo dos humanos. Estava muito animado.
Taehyung não via a hora de conhecer os humanos, interagir com eles e ter a certeza se eram mesmo quem demonstravam ser.
Será que eles falavam a mesma língua?
Atlântida estava localizada ao sul da Coreia, então eles falavam coreano. Mas será que os humanos também falavam a língua asiática? Ou eles falavam humanês?
Taehyung não sabia. Já lera quase todos os livros da biblioteca do gabinete de seu pai que falava sobre as espécies humanas, mas não encontrara nada. Somente que eles se alimentavam de seres do mar, como ostras, polvos, peixes, camarões, caranguejos, frutos do mar e mais mil infinidades de animais marinhos. Tadinhos.
A primeira coisa que o pequeno tritão jurou para si mesmo que faria assim que chegasse no mundo dos humanos era vingar seus aliados!
— Perdido nos pensamentos? — Uma voz o acordou de seus devaneios. Era Yoongi, o seu professor. — Fiquei sabendo que vai estudar em uma universidade no mundo dos humanos. Não gosta das minhas aulas?
— Não é isso. — Encarou o mais baixo sem muito interesse na conversa. — Eu só quero ser um adolescente normal, e em Atlântida não tem nada para uma pessoa da minha idade!
— Eu também pensava assim quando tinha sua idade. — Yoongi riu. — "Atlântida é a cidade mais horrível para um adolescente viver", era isso que pensava. — Taehyung encarou o mais velho, agora interessado em saber sua história. — Eu também já quis ir para o mundo dos humanos, sabia?
— Sério? — Os olhos do menino brilharam. — E você foi?
— Ah, não! Eu percebi que o meu lugar é em Atlântida.
— Então porque queria ir para o santuário dos "monstros"?
— Eu queria me formar em professor de biologia marinha, como eles fazem. Mas aqui, no fundo do mar, é muito melhor. Aqui eu tenho todas as espécies de seres marinhos que posso estudar sempre que quiser, e também já sou formado como professor em Atlântida. — O biólogo encarou o garoto. — Vou sentir sua falta, meu aluno exemplar.
— Está mentindo. Você só me dava broncas o tempo todo!
— Isso era para você ver o quão inteligente é. Você era de longe o meu melhor aluno, mas sempre se diminuía aos outros, por isso o repreendia. Para te fazer enxergar o quão você é bom.
— Também sentirei sua falta, professor Min. — O platinado envolveu o mais novo em seus braços e lhe deu um abraço apertado. — Esse seu lado, eu não conhecia.
— Boa sorte no mundo dos humanos. — A voz estava trêmula.
— O senhor está chorando?
— Não! É impressão sua. — O professor limpou uma lágrima fujona do canto do olho e bagunçou os cabelos azulados do jovem, que, por ironia dos mares celestes, era bem mais alto que si. — Eu estou tão orgulhoso de você.
— Obrigado, senhor Min.
— Preciso ir. Tenho que dar continuidade a minha aula: diferenciar e entender diferentes tipos e espécies de tubarões!
— É minha aula preferida!
— Você ainda não foi para a escola dos humanos, então pode assistir esta última aula.
— Posso mesmo? — O sorriso em formato de caixa de Taehyung era tão grande que podia se rasgar a qualquer momento.
— É claro que pode!
Em um pulo, Taehyung levantou-se de onde estava sentado e seguiu o mais velho sem conter a empolgação.
A cauda vermelha escarlate com traços de vermelho-vinho e preto fosco do Min reluzia na luz do sol escaldante ao que nadava sem pressa em direção ao departamento de estudos.
O Kim sempre achou a cauda do mais velho extremamente linda e às vezes até o invejava por tamanha beleza.
Nadaram mais um pouco e, por fim, chegaram à sala de aulas do professor.
— Pode se acomodar na sua carteira, Tae.
Taehyung seguiu rumo a sua carteira estudantil e sentou-se, atraindo olhares curiosos.
— Nossa aula de hoje será bem produtiva, então já tratem de se preparar e sem moleza!
【🦀... 】
A aula passou rápido como o vento, mas Taehyung pôde aproveitá-la bastante.
Assim que acabou, o menino fora se encontrar com o irmão mais velho para que pudessem decidir melhor como seria a subida até a superfície e se informar com a bruxa do mar o que ela conseguira fazer para os outros dois subirem junto de si.
— Os mares estavam ao meu favor hoje — comentou Taehyung ao se aproximar dos mais velhos. Seokjin pôs uma expressão de dúvida no rosto bonito.
— O que quer dizer? — perguntou.
— Tive uma última aula sobre as espécies diferentes de tubarões com o professor Min, e não encontrei vocês aos beijos quando cheguei. Veja se não é uma benção dos mares!
— Você é um idiota. — Namjoon revirou os olhos.
Os três tritões discutiram sobre como fariam a viagem até o mundo dos humanos e, depois de muita conversa, entraram em um acordo.
Namjoon e Seokjin trocariam suas caudas por pernas do mesmo modo que Taehyung, porém usariam um anel de cristal também azul para fazê-lo.
Os três tritões foram descansar para o dia corrido que se aproximava.
A caminho de sua fortaleza, Taehyung acabou esbarrando em uma sereia que nadava apressada. Parecia sem rumo.
— Me desculpe.
— Não tem problema! — Sorriu à menina e voltou a nadar como se nada tivesse acontecido.
Ao adentrar seu quarto, ficou imaginando como seria o mundo humano e o que ele guardava.
Pensou em como seriam os seres que lá viviam e se eles seriam legais. Com essas reflexões, o menino adormeceu.
【🦐... 】
Quando o dia amanheceu, Taehyung praticamente pulou de sua concha. Seria o dia em que iria para o mundo dos humanos! Estava afobado.
Mal levantou-se e escovou seus dentes branquinhos, e já estava nadando afoito pela Atlântida, esbarrando em trabalhadores e pedindo desculpas pelo ato.
Nadou mais rápido ainda até chegar ao gabinete de seu pai. Este se encontrava em uma reunião com outros imperadores dos oceanos vizinhos, mas a animação do pequeno aventureiro tritão era tanta que não pôde esperar até que os mais velhos terminassem. Com isso, abriu a porta com tudo, causando um enorme estrondo e chamando a atenção de todos ali presentes.
— Kim Taehyung! Onde estão seus modos, meu filho? — perguntou Poseidon, um tanto surpreso e irritado.
— Me desculpe, papai, mas não pude me conter! Eu vou para o mundo dos humanos!
— Sim, meu filho, mas agora estou em reunião.
— Deixa o menino, Poseidon — falou o rei do oceano Ártico. — Ele é jovem. Deixa o garoto aproveitar!
— Eu peço mil perdões, senhores. Porém, podem voltar outra hora? Posso hospedar vocês em minha fortaleza hoje à noite — tentou Poseidon. — O menino irá estudar no mundo dos humanos hoje e eu preciso aprontá-lo.
— Mas é claro! Aproveite sua juventude, meu jovem!
Os reis saíram do gabinete, deixando pai e filho a sós.
— Então...?
— Então o quê, Tae?
— Já está na hora de subir, não é?
— Meu filho, o dia ainda nem raiou direito. Vamos acalmar os nervos, sim?
— Eu preciso transformar a minha cauda agora! Temos que partir enquanto é cedo, Vamos, papai!
O rapaz saiu arrastando o mais velho em direção ao local isolado dos demais, no qual acontecia a transformação.
— Fique aqui. Eu já volto!
Dito isto, o menino saiu apressado em busca dos outros dois. Avistou-os ao longe, quase abraçados.
— Venham! Vamos nos transformar agora! Olá, perninhas!
O garoto estava empolgado, tanto que os namorados não se contiveram e riram da afobação deste.
Os três seguiram até o local escolhido. Taehyung, agora mais tranquilo, tentava se concentrar nas palavras que a bruxa tinha lhe dito outro dia. O feitiço só aconteceria se as palavras fossem proferidas perfeitamente.
"Lembre-se de falar as palavras que lhe disse, garoto. Não gagueje ou fique nervoso. Quando estiver transformado, não tenha contato de forma alguma com água!"
A fala da velha bruxa do mar se fez presente em sua mente e chacoalhou a cabeça, espantando os sentimentos ruins.
Sem nem perceber, já haviam chegado. Taehyung e os meninos se aconchegaram atrás das pedras e com os objetos nas mãos, olharam um para o outro.
— Vocês estão prontos? — indagou Taehyung, acanhado.
Namjoon e Seokjin balançaram a cabeça em afirmação.
Logo, o mais novo colocou a joia brilhante em volta de seu pescoço delicado.
— Tenha cuidado, meu filho.
Taehyung assentiu e segurou a pedra da joia com força, fechando seus olhos e sussurrando as palavras ditas pela bruxa.
Ao se calar, uma sensação estranha se apossou de si. Suas mãos começaram a tremer e os lábios ressecavam. Poseidon observou alarmado o filho e Namjoon lhe deu apoio.
Os olhos do jovem começavam a revirar conforme a magia acontecia. As dores já se faziam presentes, e as lágrimas rolavam. Gritos de agonia saíam de sua boca, e o rei, sem aguentar mais, deu às costas.
Dois minutos se passaram e a dor se foi, restando somente uma sensação de diferença. Ao olhar para baixo, Taehyung arregalou os olhos ao ver pernas clarinhas e roliças ao invés de uma cauda escamosa azul. Seu sorriso cresceu automaticamente.
— Papai! — chamou. — Eu tenho pernas, papai! Pernas de verdade!
O rei não pôde conter as suas lágrimas e estas caíram, abraçando o filho logo em seguida.
Não demorou muito e Namjoon fora o próximo. Colocou o anel em seu dedo anelar e proferiu as mesmas palavras que o irmão. A mesma sensação lhe atingiu e sua pele parecia que ia rasgar a qualquer momento. Quando aconteceu a transformação, sentiu-se diferente.
Seokjin fora o próximo. Estava um pouco assustado com as dores que sentiria, mas se acalmou ao ter a mão do namorado envolvendo a sua.
Com os três possuindo pernas em substituição às caudas, se entreolharam sorrindo.
— Tomem cuidado, meninos. Sejam cuidadosos ao voltarem para o mar. Não deixem ninguém descobrir vocês. Cuidem-se e-
— Já entendemos, pai.
Taehyung sorriu carinhosamente e abraçou o mais velho. Chorou mais um pouco, pois sentiria saudades do seu progenitor.
Namjoon também não perdeu tempo e envolveu Poseidon em seus braços fortes.
— Vem cá, garoto — Poseidon chamou o genro. — Não vai dar um abraço no seu sogro?
— Ah, senhor!
Jin também abraçou o outro com força.
Depois de tanto chorar, os três, enfim, subiram para a superfície.
【🐙... 】
Ao adentrarem os enormes portões, os três Kim's se surpreenderam com o tamanho daquele santuário. Era tudo tão enorme e encantador.
Os olhos de Taehyung brilhavam com tudo aquilo. O menino sempre sonhou em frequentar uma escola com pessoas ao invés de peixes e sereias, então não poderia estar mais feliz.
Ao longe, puderam avistar um rapaz um pouco alto e de cabelos vermelhos como fogo aproximando-se sorridente. Taehyung engasgou-se com a própria saliva ao ver aquele que jurava que era um deus do mar.
— Olá. Sou Jung Hoseok e irei apresentá-los à nossa universidade. Me acompanhem!
O rapaz era lindo! Tinha um sorriso enorme em formato de um coração fofo e sua alegria contagiava.
Taehyung não tirava seus olhos do menino sorridente e se atrapalhou nos seus pés uma ou duas vezes, quase indo de encontro com o chão se não fosse pelos braços fortes do irmão.
— Está muito distraído hoje, Tae — comentou Namjoon, já notando o interesse do irmão sobre o rapaz bonito.
— Ele é lindo! — fora a única coisa que o azulado conseguira falar.
— Encontramos um pretendente para o Tete! — comentou Seokjin, alegre.
Os quatro seguiram para dentro do colégio e não passaram despercebidos por olhares e cochichos curiosos das pessoas espalhadas por ali.
— Esses são os armários de vocês. Aqui está a chave. — Entregou um metal comprido para cada um.
— O que são essas caixas vermelhas? — questionou Seokjin, curioso.
O rapaz sorriu, provavelmente divertindo-se com a confusão no olhar dos três.
— São onde vocês guardam seus livros e cadernos. Também têm seus horários das aulas e os números das salas.
Seguiram mais à frente e o moço apresentou todas as salas daquele andar aos novatos. Mostrou também o refeitório, vestiário, quadra de jogos e as piscinas onde teriam aula prática de natação.
Andaram mais um pouco, os três seres do mar atrapalhados com a nova forma de locomoção. As pernas podiam dar nó!
O rapaz de cabelos avermelhados parou bruscamente de seguir o caminho, causando um enorme engarrafamento "humano". Seokjin fora de encontro com as costas do namorado, que fora de encontro com as costas do irmão, que fora de encontro com as costas do ruivo.
Taehyung inalou o cheiro que exalava do garoto à sua frente e encantou-se. Que tipo de fragrância era aquela? O cheiro era tão bom e doce, ao mesmo tempo que amadeirado. Era incrível!
— Oh, perdão — proferiu Hoseok, envergonhado. — Não foi minha intenção causar esse "trânsito".
Taehyung sorriu quadrado com o rosto sem graça do menino.
— Não tem problema, Hobi. É que essas pernas são tão difíceis de andar e- Ai! — Recebeu um tapa na cabeça em forma de repreensão do irmão mais velho.
— Hobi? — o garoto que aparentava ser mais velho perguntou, sorridente. Taehyung agradeceu aos mares por ele não tocar no assunto das pernas. — Gostei do apelido.
Taehyung corou como um caranguejo vermelho.
— Esses são os representantes do grêmio estudantil — referiu-se a um garoto loiro e baixinho, e a um moreno alto. — Este é o Jimin, ele é quem controla a parte literária da universidade. Biblioteca, livros escolares, atividades eletivas e outras coisas. — Apontou para o loiro com a mão que cumprimentou os três mais novos chegados. — Este é o Jungkook. Ele cuida da parte "vândala" da universidade. Caso vejam uma discussão entre os estudantes ou acabem em uma, vocês precisam urgentemente falar com ele. — O moreno alto balançou a mão tatuada. — O que precisarem, podem falar com os dois.
— Olá! Eu sou Park Jimin, mas vocês podem me chamar apenas de Jimin e, para os mais chegados, Ji — começou o loirinho, animado. — Esse grandão aqui, com cara de malvado, é o Jeon Jungkook. E vocês podem chamá-lo de JK!
— Olá, pessoal. Sou o JK.
— Oi. Eu sou o Taehyung e podem me chamar de Tae ou como quiserem. Esse é meu irmão, o Namjoon, e do lado, o Jin. Os dois são namorados, então não liguem se verem eles agarrados o tempo todo.
— Taehy! — repreendeu Seokjin, envergonhado.
— Bom, esse é o fim do colégio. Qualquer coisa, podem me procurar ou procurar os meninos. Agora preciso ir para minha aula de gastronomia.
— Posso ir com você? — perguntou Seokjin, os olhinhos brilhando em alegria.
— Claro!
Os dois seguiram conversando animados para a sala 12, onde aconteceria a aula. Jimin e Jungkook se despediram dos irmãos e partiram em direção aos corredores, a mão forte do moreno não deixando a cintura do loiro nem mesmo um segundo.
— Parece que meu pequeno está apaixonado — exclamou Namjoon, visivelmente orgulhoso.
— Eu quero ele pra mim!
Namjoon negou com um um sorriso e abraçou o irmão.
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