Capítulo 3 - TURN OFF
“E logo atrás de seus olhos estão interruptores que podem te reiniciar.
Para limpar de hoje até todas as suas memórias serem perdidas.”
— Jayme Dee, Rules
ON
Acordo me sentando imediatamente. Logo noto a cama macia em que estou deitada.
Dr. John está sentado perto de mim, me observando atentamente por trás dos óculos de grau. E ele sorri pra mim.
— Como está se sentindo?
Penso e avalio a situação. Tudo parece certo, então respondo.
— Me sinto bem, confortável até, mais do que naquela mesa em que eu estava da última vez. Como o senhor está?
— Eu estou bem, Zoe.
Mesmo com o rosto amigável, noto que ele parece triste de alguma forma.
— Como o senhor está se sentindo, Dr. John?
— Meu nome é William John, mas você pode me chamar de Will.
— Certo, Will — Eu sorrio inconscientemente. — Como o senhor está? Parece um pouco triste.
— Estou bem, Zoe, não se preocupe.
— Aconteceu alguma coisa? — insisto, e ele toca a lateral do meu rosto.
— Eu comecei o seu projeto há dez anos. — conta ele. — Quando minha filha, morreu em um acidente de carro. Ela também se chamava Zoe.
Respiro fundo. Sou a substituição para a falecida filha de Will.
—Meus sentimentos. — digo, pondo minha mão sobre a dele, que ainda acariciava meu rosto.
— Ela era minha única filha. — diz ele. — Ela era tudo na nas nossas vidas, e quando ela se foi, minha esposa me deixou. Eu não tinha mais nada. Foi aí que comecei a planejar você.
— E quem era Zac? — pergunto com curiosidade.
— Zac foi uma exigência do investidor. O senhor Thompson achava que seria bom ter um menino e uma menina. Mas ele não funcionou, não como você, Zoe, você é perfeita. Minha maior criação, e a última também.
— Por que a última?
Ele tira a mão do meu rosto e baixa para o colo, seu olhar cai também, encarando os próprios dedos.
— Eu vou te desligar, Zoe, e depois vou me desligar de tudo também.
O medo me invade.
— Não faça isso. — peço — por favor.
— Eu pensava que você poderia amenizar minha dor. — diz ele, ainda sem me olhar. — mas olhar para você é ainda pior. Sinto muito, Zoe.
Lágrimas molham meu rosto. Eu não quero ser desligada. Eu quero viver. E digo isso em voz alta.
— Eu quero viver.
Minha voz sai embargada. Em poucos instantes estou soluçando. Will me abraça e sussurra em meu ouvido.
— Você não pode viver, é apenas um autômato. — ele mexe em algo nas minhas costas. — Adeus, Zoe.
OFF
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