Capítulo três
Abri a barraca e sai de dentro dela, acho que invés de esperar o maldito sinal, eu posso esperar o pessoal na saída do acampamento, dessa forma eu poupo os meus ouvidos, o inuzuka é barulhento demais, não quero ouvir a tentativa do som de coruja.
Caminhei com passos lentos e cuidadosos para longe das outras tendas, as pessoas já devem estar dormindo, não quero ter que me preocupar em explicar alguma coisa.
— Fugir de madrugada? Nunca pensei que teríamos essa conversa. — parei de caminhar, nessa mesma hora meus pelinhos do braço ficam espetados devido ao arrepio que me encontro no momento. Tive que me controlar muito para não ter gritado devido ao susto que o platinado me deu.
— Que susto, Kakashi! O que está fazendo acordado a essa hora? — Cochichei.
— Caminhada noturna — respondeu de forma simples, mas algo me diz que não é isso. Apesar do mascarado tentar manter uma vida saudável em meio às nossas condições, ele sempre priorizou muito as suas noites dormidas, é o que ele diz… Mas duvido muito que consiga. Kakashi sempre está repleto de olheiras profundas, sinalizando noites mal dormidas. — Penso que sua intenção não seja a mesma que a minha.
— Na verdade é sim. — retruquei.
— Os anos passaram e você não aprendeu a mentir? — balançou a cabeça fingindo uma falsa decepção — Imagino que grande parte dos jovens não pensam em ir até a cidade, não é?
É óbvio que o mais velho ficou sabendo, Kakashi sabe de tudo que acontece entre as pessoas do acampamento. Pergunto-me, como ele descobriu isso. Aparentemente, o pessoal estava planejando isso há tempos e com uma descrição invejável.
— Kakashi…
— Não acho que seja uma boa ideia você ir.
— Vai ser rápido, não vai dar tempo de sentirem falta da gente.
— Sakura, não. — negou — Não dá para ficar brincando com a sorte, você era pequena, pode não lembrar de muita coisa, mas aquelas máquinas arruinaram famílias! Mataram, escravizaram, torturaram os humanos! Nada impede de você ser a próxima.
— Muitas pessoas morreram sem uma única memória boa, eu não quero viver a minha vida com medo! — apertei os meus punhos — Não vai acontecer nada!
— Faça o que quiser, garota. — desistiu de insistir — Mas não venha chorando e dizendo que está arrependida.
— Eu não irei fazer isso. — garanti.
No mesmo instante, foi audível o som de uma gralha morrendo, percebi que era Kiba imitando uma coruja. Kakashi permaneceu em silêncio, foi perceptível a sua cara de reprovação atrás da máscara.
— Até daqui a pouco. — foi a última coisa que eu disse antes de desaparecer no meio da escuridão.
Apressei os meus passos e encontrei os meus companheiros: Kiba, Ino, Hikari, Tenten, Neji, Hinata e Shikamaru. Não é um número muito grande, contudo, é o suficiente para me enlouquecer.
— Acha que me ouviram? — escutei o inuzuka questionando.
— É difícil não escutar algo estridente desse jeito — Hikari reclamou — Eu não queria ter ouvido essa porcaria.
— Se for para ficarem discutindo, é melhor nem irem — o Hyuuga se prontificou — Isso só vai atrair a atenção das latas velhas.
— Neji tem razão. — me intrometo no assunto.
— E não é que a testuda veio mesmo?! — A Yamanaka sorriu animada — Eu já estava indo te buscar.
— Teria sido melhor — murmurei. — Vamos logo?
— Estávamos no seu aguardo, boneca — O moreno anunciou.
Meus amigos e eu partimos, tentamos manter o silêncio durante a ida até a cidade, aparentemente estávamos conseguindo, claro, que se não fosse pelo Akamaru - que latiu durante o caminho todo - estaríamos mais tranquilos. O que passa na cabeça do inuzuka em trazer um cachorro para essa expedição?! Certamente é merda.
Apesar de ainda estar de madrugada, parece que quando amanhecer irá chover, o céu não possui nenhuma estrela, espero que não chova enquanto estivermos separados do grupo, vai ser difícil voltar depois.
O caminho foi estranhamente tranquilo, nunca imaginei que seria algo desse jeito, sempre pensei que teria corpos jogados pelas ruas, temor e crueldade pelas esquinas. Não vi nenhum humano na rua, além da gente, é claro. Isso é meio preocupante.
Conforme andávamos, percebi que o gramado foi diminuído, o verde foi sumindo aos poucos, logo apareceu ruas de terra, entretanto, não demorou muito para ser substituído por asfaltos, os prédios começaram a surgir, eles são imensos! A organização é evidente, nesse lugar, olhando desse jeito, não parece ser uma sociedade que as máquinas tomaram controle. Não vi um carro voador, andróides perambulando por aí, robôs e nem tão pouco ciborgues. Está tudo calmo. Após algumas horas, chegamos no nosso destino.
— Pensei que veria algo mais perturbado — Hinata comentou, a garota tomou uma das frentes — Será que vamos achar alguma coisa útil?
— Eu quero achar álcool. — Kiba respondeu de forma simples.
— Você está colocando a sua vida em perigo por uma garrafa de bebida alcoólica?! — o Nara questionou incrédulo.
— Ele arriscando a própria vida, é problema dele, não nossa.
— Obrigado, Neji, pelo menos alguém tem bom senso — Inuzuka sorriu em agradecimento, mas logo desmanchou o sorriso com a resposta do perolado.
— Se você quer morrer, que morra sozinho. Vamos pegar o necessário.
— Vocês são sem graças — Declarou.
— Vamos pegar o que precisamos e nos encontraremos aqui, certo? — Shikamaru perguntou e todos assentiram.
Ino e Hikari optaram por vir comigo.
— Vocês perceberam que o Neji está próximo da Tenten? — A Akimimuri puxou assunto.
— Menina, eles estão mais que próximos — A loira comentou com um sorriso malicioso — Semana passada, eu fui até o lago, vi esses dois na maior pegação.
— Eu treino perto do lago — fiz careta.
— Ah, para, é super normal você ficar com alguém — Ino afirmou — Deu sorte de não ver os dois transando.
— Para, Ino! — Hikari começou a rir. — Eles estão aproveitando, pelo menos.
— Vocês duas não tomam jeito, hein — coloquei a mão na boca para abafar o riso. — Kakashi praticamente me expulsou da barraca para poder ficar sozinho com a Shizune.
— Mentira! — A Menina de olhos azuis respondeu interessada — Bem que eu estava desconfiando dessa aproximação.
— Eu não duvido que logo, logo o acampamento esteja repleto de pestinhas.
— Eu acho que não, Hika — coloquei a mão no queixo pensativa — Não acho que eles colocariam uma criança ao mundo sabendo que vivemos em risco constantemente.
— Quem sabe um dia, né? — Comentou.
Entramos em um lugarzinho e colocamos muitas coisas nas nossas mochilas, peguei até um livro para o Hatake, é da mesma saga que ele está lendo. Vou provar para o próprio que estava enganado. Nada de ruim vai acontecer.
Depois de ter juntando todas os utensílios, nos reunimos na entrada da cidade, infelizmente não deu para desbravarmos mais do local, devido ao fato que já estava bastante claro, mesmo com as nuvens carregadas.
—Bem, é me… — Hinata foi interrompida por um carro que caiu ao nosso lado.
Peguei o meu arco, contudo, não consegui pegar as flechas já que dessa vez foi uma moto que foi arremessada.
Algo como uma silhueta de homem apareceu, juntamente a chuva que estava surgindo, algumas gotas tinham acabado de cair do céu, seu corpo era todo robótico, certamente é um andróide, esse é diferente do que me atacou anos atrás, bem diferente na verdade.
Corri para longe, o pessoal acabou se afastando novamente. Me escondi atrás de um prédio e peguei as minhas flechas, voltei para o lugar anterior aos poucos, consegui ver que aquela coisa ainda estava ali, então apontei a flecha e mirei.
É a mesma coisa que fiz na floresta, mantive todo o meu foco para atirar, entretanto, Akamaru começou a latir exasperado, Hikari pegou o cachorro que Kiba havia deixado para trás, nesse mesmo instante, a máquina pegou a minha amiga pelo pescoço, como se não fosse nada e torceu ele.
— Não! — Gritei exasperada.
Meu corpo começou a tremer, e fiquei totalmente sem saber o que fazer. Minha amiga acabou de perder a vida diante de meus olhos.
Tentei ao máximo revidar e peguei o meu arco. Meu braço estava tremendo, então foi difícil para mirar no desgraçado.
O meu grito chamou atenção do filho da puta, ele correu até a minha direção e me puxou pelo pescoço, o aperto dele estava me sufocando, minhas pernas não estavam mais encostando no chão.
— Solta ela! — Alguém gritou, a máquina me arremessou para longe.
No mesmo instante que entrei em contato com o chão, senti algo caindo por cima de mim. Meus pulmões estão na tentativa falha de puxar oxigênio, mal consigo respirar. Qualquer movimento que eu faça, sinto o meu corpo se contraindo pela grande onda de dor que me atinge como resposta. Minha perna direita é a parte que mais está doendo. Engraçado, há dez anos atrás, eu estava em uma situação semelhante a essa. Tive a sorte de ter encontrado Kakashi, teria morrido sem ele… Bem, acho que foi ele que me encontrou no fim das contas.
Odeio quando o mais velho está certo, eu não deveria ter vindo, torço para encontrar a paz depois disso. Se é que existe paz em um mundo onde os humanos perderam a razão e se deixaram levar pela própria ganância.
Pela falta de força, meus olhos foram se fechando e a escuridão tomou conta do meu campo de visão.
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