Capítulo 6
~Victoria~
-O Josh... Ele... O Josh tentou se matar. -falou minha mãe. No mesmo momento, saí correndo igual uma maluca pela casa, procurando minha pantufa e minhas chaves. Acabei acordando Anna e Cat, que foram junto comigo para o hospital.
Quando cheguei lá, o hospital me depositou uma energia extremamente pesada. Eu sempre odiei hospitais. Era frio e branco. Era horrível. Meu coração estava quase saindo pela boca, quando avistei minha mãe, um garoto e vários policias em um corredor. Fui até lá e abracei minha mãe.
-Mãe, pode me explicar o que houve? -pedi com os olhos lacrimejados.
-S-sim... Eu acordei com uma barulheira de coisas caindo... -explicou em meio ao choro. Explicava para os policiais também. -Então fui até o quarto de Josh e estava uma bagunça enorme. Tudo estava jogado no chão e havia várias coisas quebradas. Ouvi um choro no banheiro e fui correndo até lá. Quando abri a porta, Josh estava com vários comprimidos pra dormir na mão. Eu corri até ele e derrubei todos os comprimidos no chão, então... -soluçava com as mãos no rosto. -Ele se jogou no chão e começou a falar que queria morrer e que queria sumir... -minha mãe desabou a chorar, e a única coisa que eu conseguia fazer era imaginar a cena.
-O que fazem aqui? -por fim perguntei aos policiais.
-Bem... Ontem encontramos uma garota morta no meio da floresta de GreenGold. Ela estava seca e gelada, com certeza algum animal. Então, começamos a procurar alguma evidência e achamos um livro de ciências que pertence a Josh Colleman. Fomos até a escola e falamos com o diretor. Ele disse que os dois estavam juntos em um trabalho sobre o meio ambiente e disse também que talvez o melhor amigo de Josh, o Bryan aqui... -disse apontando para o garoto que estava sentado nas cadeiras ao lado. -...poderia saber alguma coisa. Bryan disse que tinha quase certeza de que Josh estava gostando de Lexi pra valer, por isso não tinha o menor motivo para fazer algo. E agora, ficamos sabendo que Josh tentou se matar. Podemos ter certeza de que seu filho é inocente Srta. Colleman. -declarou consolando minha mãe. -A possibilidade da morte de Lexi, é provavelmente algum animal que a atacou, pois já tivemos um caso assim antes de um garoto do colegial. Só queríamos conversar com Josh para sabermos o que realmente aconteceu, porque ele presenciou a cena da morte dela e por isso deve estar em choque. -finalizou indo em direção ao quarto onde Josh estava hospedado. Minha mãe olhava fixamente para o chão tentando processar tudo o que os policiais haviam dito. Abracei-a novamente de lhe dei um beijo estralado na testa.
-Vai ficar tudo bem, mãe. -sussurrei baixo para ela. Mas eu repetia essa frase para mim mesma várias vezes, para ver se me confortava. Andei até as cadeiras e me sentei ao lado do garoto.
-É Bryan, né? -perguntei tentando puxar assunto com ele.
-Sim... Você deve ser a Vic, irmã do Josh.
-Sou eu. Bem, eu... Queria saber sobre a Lexi. Ela e Josh estavam namorando?
-Eu não sei dizer, mas tenho certeza que Josh estava apaixonado por ela. Eu estou com o celular de Josh, olha. -falou ele, mostrando um celular aberto na galeria, repleto de fotos de Josh e uma garota muito bonita.
-Essa é a Lexi? -interroguei e ele assentiu com a cabeça. Imagino como Josh deve estar se sentindo. O que será que realmente aconteceu?
Saí de meus devaneios quando os policiais apareceram com um rosto que expressava desapontamento.
-Conseguiram falar com ele? -minha mãe perguntou aflita.
-Não... Ele não fala exatamente nada. Insistimos de várias maneiras, tentando ser cuidadosos, mas nada. -anunciou um dos policiais. -Vamos tentar investigar mais, juntando com o caso do garoto que morreu há um mês atrás.
-Esse garoto era Ryan, não era? -perguntei lembrando-me do que Anna contou na noite anterior.
-É sim, você conhecia ele? -interrogou o policial com um fio de esperança.
-Não, não conhecia. -respondi simplesmente. Eu ía falar que Anna o conhecia, par ver se ajudava, mas ela já estava abalada o suficiente e tentava esquecer o garoto, não poderia colocar mais pressão. Os policiais saíram e foram embora, levando Bryan junto. Anna e Cat quiseram ir embora, pois estavam cansadas. Só restava eu e minha mãe.
-Filha, vá para casa dormir. Amanhã tem escola. Eu posso ficar aqui com ele. -pediu com um bocejo demorado.
-Vou pra casa dormir um pouco, mas amanhã cedo venho ficar com ele. Aí você vai pra casa tomar um banho e resolver as coisas sobre os policiais, sobre o hospital e descansar. Pode deixar que eu passo a próxima madrugada com Josh.
-Mas filha... Você vai passar um dia inteiro com ele? Não vai se cansar? -disse ela com um pouco de receio.
-Relaxa, mãe. Pode ficar tranquila. Agora vou pra casa dormir um pouco e amanhã cedo estarei aqui. -falei e dei um beijo em sua bochecha. Entrei no quarto de Josh rapidamente e ele dormia. Estava deitado na cama com aparelhos e fios. Isso era uma imagem horrível de se ver.
-Calma, maninho... Tudo vai ficar bem, ok? Só precisa ter calma. -sussurrei em seu ouvido e beijei sua testa. Por mais que eu não gostasse do Josh por algumas atitudes irritantes, eu o amava. Era especial pra mim e eu não podia aguentar vê-lo naquela situação.
Peguei as chaves e saí apressada, não seria muito que legal as pessoas me vissem vestida assim. Entrei no carro e fui pra casa. Comi alguma coisa e me joguei na cama, apagando.
Acordei com o despertador apitando. Levantei num pulo, lembrando-me que eu teria de passar o dia todo no hospital. Tomei um banho rápido e fui me vestir. Coloquei uma calça jeans azul clara, uma regata azul escura e meu All Star preto. Fiz uma maquiagem bem básica e finalizei com o cabelo solto. Saltei da escada e apanhei uma bolsa. Coloquei meu celular, carregador, fone de ouvido, livros e dinheiro. Tudo necessário para sobreviver um dia no hospital. Não havia nada nos armários para levar pra comer, por isso optei por levar o dinheiro e sobreviver daqueles salgadinhos e doces das máquinas. Entrei no carro e fui em direção ao hospital, que era uns dois quilômetros dali.
Cheguei no hospital e caminhei até o quarto de Josh. Minha mãe roncava na poltrona, enquanto Josh a observava rindo.
-Parece que já está melhor, Josh. -falei sorrindo e colocando minha bolsa no canto do quarto.
-Ah, oi Vic! Você trouxe alguma coisa pra comer? Não vou sobreviver mais um dia com a comida que servem aqui!
-Não exagera Josh, você vai ter que tentar sobreviver mais um pouquinho, porque não tinha nada em casa e eu não trouxe nenhuma comida. -proferi e Josh bufou, se jogando para trás. Cutuquei mamãe, que com um ronco alto despertou e se levantou rapidamente. Me olhou envergonhada.
-Er... Desculpe, eu...
-Pode ir descansar em casa mãe. Eu cuido dele agora. -falei e ela assentiu. Deu um beijo em Josh e saiu.
-Já está melhor Josh? -interroguei preocupada.
-Eu nunca vou ficar melhor, Vic. Mas acho que estou um pouquinho melhor do que antes. Só queria que entendesse que, me aprisionar nesse inferno, não vai me fazer melhorar. -disse se virando de lado. Me aproximei dele e coloquei as mãos em suas costas.
-Ontem quando estava saindo pra ir na casa de Anna, ouvi você chorar maninho... Eu sabia que você ficaria bravo e não adiantaria nada eu tentar saber o que estava acontecendo. Então acabei deixando você lá. Mas se eu soubesse que você iria chegar nesse ponto, eu te ajudaria... -falei com os olhos marejados.
-Desculpe mana, mas é que... Eu não estou pronto pra desabafar com ninguém ainda. -declarou seco e se virou do outro lado. Esse não é o Josh que eu conheço...
Um tempo depois, Josh dormiu. Então aproveitei e saí para comer alguma coisa. Fui até a máquina de comida para ver o que tinha. E adivinha? Estava vazia. Fui na outra, estava vazia. Não tinha comida nesse lugar? Agora eu vou morrer de fome. Andei em direção à recepcionista.
-Moça, não tem comida aqui não? Eu não posso sobreviver um dia inteiro sem comida. -resmunguei olhando para ela. A mesma me encarava com cara de tédio.
-Os acompanhantes são servidos com a mesma comida dos pacientes. -disse falando lento e mascando um chiclete igual uma vaca mastiga capim. Revirei os olhos eu fui atrás de alguma comida comestível. Tenho dó dos pacientes desse hospital, que são obrigados a comer a gororoba que servem. Me recuso a comer aquele troço.
Andei pelo corredor vazio e frio. Comecei a vasculhar as placas para ver se achava algo interessante. Me deparei com uma plaqueta em uma porta escrito "Refeitório dos Funcionários. Permitida somente a entrada de trabalhadores do hospital!". Isso me parece uma boa. Como sou teimosa e adoro ser uma fora da lei, passei pela porta. Havia uma escada que servia de acesso a uma outra porta. A desci com passos leves, como se uma bomba você explodir a qualquer pisada que meus pés dessem. Abri a segunda porta. Uma sala não muito grande se mostrou como um troféu dos deuses. Havia uma mesa pequena no centro, uma geladeira enorme e logo mais adiante, um armário cheio de coisas maravilhosamente comestíveis. Havia salgadinhos, doces, frutas e pãezinhos. Do lado do armário, estava exposta uma grande máquina de café expresso. Meus olhos brilharam. Aproveitando o vazio do hospital, peguei apressadamente um pacote de salgadinhos e uns três pacotes de bolinho. Apanhei uma maçã, dando uma mordida profunda. Enquanto mastigava abri a geladeira para ver o que tinha, mas levei um susto quando a porta da sala se abriu. Olhei para o garoto que estava ali, em pé me encarando com uma mistura de olhos arregalados e dúvida. Engoli a maçã que estava na minha boca e dei o melhor sorriso que alguém poderia dar.
-Quer um pouco? -perguntei sorrindo. O garoto fez um sinal negativo com a cabeça e começou a gargalhar.
-O que está fazendo aqui? Pelo que eu sei como estagiário, essa sala é somente para funcionários. -falou vindo em minha direção. Ele tinha cabelos e olhos castanhos. Sua pele era extremamente branca e seus lábios eram rosados. Tinha covinhas. Resumindo: um deus grego.
-Er... É que eu estava com fome. E sinceramente, é impossível digerir a comida que vocês servem para os pacientes e acompanhantes.
-É, eu sei. -declarou rindo. Sua risada era fofa. -Mas isso não quer dizer que você pode assaltar o refeitório dos funcionários.
-Desculpinhas... Sou meio rebelde, sabe? -proferi com um sorrisinho gentil e ele começou a gargalhar. -Enfim, sou Victoria Colleman. -estendi a mão desocupada para me apresentar.
-Sou Chris Meyer. -apertou minha mão. Foi até o canto da sala e pegou uma bolsa não muito grande, me entregando. -Aqui! Pode pegar o que quiser, mas não conte pra ninguém que deixei você fazer isso.
-Obrigada! Já amo você! -disse e comecei a enfiar algumas coisas na bolsa.
-Você deve ser irmã do Josh! -exclamou ele.
-Sim, eu sou. Como sabe disso?
-Talvez pelo seu sobrenome. -riu. -É que eu estou responsável em supervisioná-lo.
-Ah, entendi. Então parece que terá de me aguentar mais um pouquinho... -finalizei fazendo-o rir novamente. Estou me sentindo uma palhaça de circo. Depois, ele me acompanhou e voltamos para o quarto de Josh. Ele dormia tranquilamente, até achei estranho ele não estar roncando.
Fiquei algum tempo conversando com Chris, mas ele logo teve que voltar ao trabalho. Passei a tarde toda no celular, vendo séries ou ouvindo músicas. Também dormi um pouco. Josh dormiu o dia todo, mas Chris disse que era por conta dos calmantes e remédios que ele estava tomando. Já era de madrugada e eu estava jogada no chão do quarto, quando decidi ir atrás de Chris. Sua companhia me fazia bem, ele era engraçado e pelo menos não me deixava falando sozinha. Indireta para uma certa pessoa, que não sai da minha cabeça. Saí do quarto e andei pelos corredores procurando Chris. Até que vi ele conversando com a recepcionista. Percebi que a tapada estava se jogando em cima dele, mas ele estava ficando sem graça. Aproveitando a oportunidade, fui até lá deixá-la mais irritada comigo.
-Olá, amor. -falei beijando a bochecha de Chris. Ele me encarou confuso, mas depois percebeu que eu estava tentando ajudá-lo. Lerdo.
-Ah, oi Vic! -disse apenas. A garota nos olhava com interrogação no rosto.
-Que tal sairmos para comer algo? Estou com fome. -resmunguei abraçando-o. -Não saímos juntos desde nosso terceiro encontro!
-Pode ser, amor! -concordou, segurou minha cintura e me deu selinho. Fiquei surpresa, mas tentei não demonstrar. Que safadinho. -Só preciso levar uns papéis para o meu chefe. Espere um pouco. -terminou e saiu andando pra lá. A recepcionista me encarava incrédula.
-Que foi tapada? Perdeu alguma coisa aqui? -interroguei e ela apenas desviou os olhos para o computador, fazendo sinal de não com a cabeça. Estava apoiada no balcão e me virei para a entrada. Mas uma pessoa tinha que estar ali, no mesmo lugar e no melhor momento. Liam me olhava com dúvida e com um olhar triste. Essa não! Ele viu Chris me beijar, droga! Mostrei um sorriso amarelo, mas ele saiu andando para o outro lado. Bufei e fui beber um pouco de água. Fiquei um tempo andando pelo hospital, mas parei quando passei pelo corredor do quarto de Josh e vi Liam saindo de lá. O quê? Corri apressada até Liam, que estava indo embora.
-Ei, Liam! -gritei, e o mesmo se virou.
-O que quer? -perguntou revirando os olhos.
-Por que estava no quarto de Josh? -interroguei curiosa.
-Isso não é da sua conta! Por que não vai encher o saco do seu namorado? -falou e arregalei os olhos. Isso seria ciúmes?
-Ele não é meu namorado! O conheci hoje. Vi que a recepcionista chata estava dando em cima dele e ele não estava gostando. Então fui ajudá-lo a espantar a atirada! Se você está incomodado com isso, por que não me chama para sair? -bufei e desviei o olhar para a parede.
-Não estou incomodado. -disse fitando o chão. -E não quero te chamar para sair.
Saiu andando, deixando-me boquiaberta. Eu acho que nunca vou entender esse garoto...
~Liam~
Já era de manhã e eu estava assistindo TV. Passei a madrugada toda assistindo televisão, e isso é totalmente horrível para quem ainda tem mais alguns séculos de vida. Subi para meu quarto e tomei um banho. Quando desci as escadas, avistei uma cena, até que engraçada. Ryan estava no chão e Mia em cima, prestes a enfiar um garfo na cara dele.
-MIA! Será que dá pra você parar de tentar matar o Ryan com utensílios de cozinha?! -gritei, correndo para separá-los. Agarrei a cintura de Mia e a joguei com força, fazendo-a cair de bunda no outro lado da sala.
-Imbecis. -resmungou. -Eu mato quem eu quiser!
-Ah, vai nessa então irmãzinha! -falei sorrindo debochado. Ela me mostrou a língua e subiu para o seu quarto.
-Queria voltar pra escola. -disse Ryan se jogando no sofá com tédio.
-Sinto muito... Você sabe que todos acham que você morreu né? E aliás, quem tem saudades da escola?!
-Não, claro que não! -respondeu cínico. -Estou com saudades de uma garota, e não da escola.
-Ah... Entendi. Como ela se chamava?
-Anna. -declarou com um sorrisinho apaixonado nos lábios.
Me despedi de Ryan e fui pra escola, já estava em cima da hora. Mia demora demais para se arrumar, às vezes tenho que deixá-la sozinha ou dá vontade de ir puxar ela pelos cabelos.
Adentrei o colégio e logo já tinha olhares de milhares de garotas me encarando. Peguei meus materiais no armário e quando fui em direção à minha sala, trombei com alguém. Uma garota, muito bonita por sinal. Mas logo ela sorriu e passou as mãos pelo cabelo. Mais uma atirada. Nenhuma dessas garotas era igual a Victoria.
-Oi. -disse tímida mordendo os lábios. -Sou Kate.
-Oi e tchau. Preciso ir. -falei apressado e ela me olhou com o cenho franzido, então eu a deixei ali.
As primeiras aulas se passaram em um piscar de olhos e o sinal do intervalo havia acabado de tocar. Saí da sala e fui em direção ao refeitório. Quando terminei de beber o pouco de sangue que havia em minha garrafa, fui até o banheiro. Adentrei o mesmo e andei até a pia. Ali tinha dois garotos em pé conversando atentos, que nem perceberam minha presença.
-Você ouviu sobre aquela garota do 9°ano? Foi encontrada morta na floresta aqui perto. Estavam falando que é a segunda pessoa encontrada morta lá, e com mordidas no pescoço. Mas dizem que são apenas lobos ou animais revoltados. -fala um deles fazendo-me arregalar os olhos. Tentei afastar o pensamento de ter um vampiro matando pessoas inocentes, deve ser somente um animal mesmo.
Saí do banheiro e voltei até a minha sala. Eram duas aulas de química. Eu gostava de química, era legal combinar líquidos e aprender fórmulas, embora muita gente ache chato e desnecessário. Estava concentrado fazendo um desenho em meu caderno, quando uma pessoa senta do meu lado. Levanto o olhar e me deparo com a mesma garota de mais cedo. Acho que é Karen.
-Olá. -disse curiosa. -O que está fazendo?
-Isso não é da sua conta. -respondi desviando os olhos e percebi que Kelly arregalou os olhos. Nem lembro mais seu nome.
-Não achei que fosse tão irritadinho. -retrucou Kiera. Ou é Kayla?
-Achou que eu fosse mais um garoto que corresponde a qualquer garota atirada que vem dar em cima de mim, não é?
-Bem... Eu... Só queria conhecer você.
-Ah, tem certeza? Porque eu tinha certeza que você ía me convidar para fazer o trabalho de artes com você. Aí, quem sabe você não me convide para ir na sua casa e depois poderíamos nos agarrar no seu quarto. O que acha?-proferi e ela engoliu um seco. -Ah, nossa! Que peninha, acabei de me lembrar que eu já tenho uma dupla pra isso. -esculachei ela sorrindo sarcástico. Mas não que eu queira que Vic me convide para sua casa. Para nos agarrarmos em seu quarto. Não, claro que não!
-Jura? Quem? -perguntou ansiosa.
-Isso também não é da sua conta. -disse autoritário e Karla bufou. Saiu pisando duro, fazendo-me revirar os olhos. O problema é que nessa situação, minha mente se desviava a Victoria.
Já estava em casa, deitado no sofá pensatvo. Não vi Victoria hoje, e isso não me deixava frustrado. O que me deixava frustrado era que isso me fazia falta. Bendita Victoria que mexia com minha cabeça! Na última aula, um bando de garotas começaram a distribuir convites para a escola inteira. Fui convidado também. A festa seria mais ou menos dali uma semana. Eu me perguntava se Vic ía. Pare! Pare com isso Liam, isso está ficando fora de controle.
Saio de meus devaneios quando Mia se joga em cima de mim, me assustando.
-Está maluca garota?!? -grito jogando ela do outro lado do sofá e ela começa a rir.
-Então maninho... Você vai na festa do colégio?
-Como você pode saber sobre a festa se nem foi na escola hoje?
-Ah, eu tenho amigas sabia? Elas me chamaram pra ir por mensagem. Mas então... Você está bem? Quer alguma coisa? Posso limpar seu quarto...
-Pode ir tirando o cavalinho da chuva, Mia. Eu sei que você só quer meu dinheiro pra comprar uma roupa. A culpa não é minha se você não sabe valorizar o dinheiro que ganha do Aaron e fica gastando com bobagens.
-Você é um idiota chato! -resmungou e saiu pisando duro em direção ao seu quarto. Garota mimada.
Hoje eu e Ryan vamos até a casa do meu irmão, Aaron para buscar os anéis, assim Mia pode voltar para escola, algo que ela não está nada afim, e Ryan pode sair durante o dia apesar de que nessa cidade chata não tem nada pra fazer.
O dia passou rápido demais. Ryan e eu ficamos jogando videogame e conversando. Olhei as horas e já era quase onze horas da noite. Pegamos algumas coisas e fomos para o carro para ir até a casa de Aaron. Sua casa ficava numa cidade vizinha ali perto, entrando em uma floresta. Podemos dizer que meu irmão gosta de ficar sozinho.
Depois de alguns minutos na estrada, entrei em uma rua que seguia para a floresta. Logo já estávamos na casa dele.
Adentramos a casa, que estava vazia. Chamei por Aaron mas ninguém respondeu. Ele deve estar fazendo hora extra no hospital, onde ele trabalha. É lá que ele consegue bolsas de sangue para alimentar eu e Mia. Andei até seu quarto e me direcionei até o quadro que estava na parede. Tinha um cofre ali atrás onde ele guardava algumas coisas de vampiro. Abri o mesmo e peguei dois anéis, fechando-o em seguida. Voltei para a sala e Ryan estava com um pedaço de papel nas mãos. Fui até ele e peguei o papel. Era uma carta. Mas não era uma carta qualquer, era uma carta do conselho de vampiros da Transilvânia. Abri-a e comecei a ler.
"Caro Aaron Blake,
Nos direcionamos a você por essa carta, pois algo está acontecendo. É de extrema urgência que o convidamos a passar alguns dias aqui com o conselho, para estudarmos alguns problemas e casos sobre um vampiro. Não diremos através da carta, é algo extremamente sério. Venha o mais rápido que puder.
Conselho de Vampiros Dark"
Dobrei a carta novamente e sentei no sofá. Era ruim participar de um mundo desses e não saber de nada que está acontecendo. Isso dá nos nervos.
-O que foi? -perguntou Ryan se sentando ao meu lado.
-Nada, é que... É ruim você ser um vampiro e não saber do que se passa nesse mundo sabe? Meu irmão foi convocado com urgência para ir até o Conselho de Vampiros Dark, que são responsáveis por tudo que acontece. E hoje na escola eu ouvi sobre uma garota que foi encontrada morta na floresta com mordidas no pescoço. Igual a você. -expliquei passando as mãos pelo cabelo.
-Seja o que for, creio que não é responsabilidade nossa se envolver. Tenho certeza que está tudo sob controle e é melhor ficarmos bem longe de tudo isso. -falou Ryan. Ele estava certo. Mais do que certo. Eu me mudei de cidade com Mia de novo para minha vida dar uma acalmada, não posso ficar correndo atrás de perigo novamente.
Deixamos a casa de Aaron e voltamos para minha casa. Ao chegar lá, me deparei com uma Mia com olhos arregalados em frente à tela de seu celular. Ela desviou o olhar para mim e levou uma de suas mãos para a boca surpresa.
-Mia, você vai contar logo o que está havendo? -perguntei ansioso.
-Bem, é que... Uma amiga deixou uma mensagem de voz no meu celular. É fofoca. Não acho que você gostaria de ouvir. E além de tudo, só lhe causaria mais preocupação. -disse apenas e saiu andando. Mas em um piscar de olhos eu estava a segurando contra a parede da sala.
-Conte de uma vez. -proferi com os dentes cerrados. Mia me entregou seu celular.
-Ei, Mia! Você não responde minhas ligações então vou deixar um recado mesmo. Bem... Sabe aquela menina que foi encontrada morta na floresta? Então, os policiais revelaram que ela estava na floresta com um garoto, acho que se chamava Josh. Soube que ele tentou se matar noite passada e agora está internado no hospital. Os policias falaram que eles estavam namorando, não é triste? Também falaram que ele é irmão de uma garota. Seu nome é Victoria e acho que é sua vizinha. Só queria fofocar mesmo, te vejo na escola. Beijos! -a ligação encerrou e eu encarei o celular em choque. Vic deve ter ficado arrasada com seu irmão. Mas ela não vem ao caso. O fato é que se Josh estava lá, ele deve saber o que aconteceu. Joguei o celular na cara de Vic e saí voando dali até o hospital.
Entrei no mesmo apressado, mas congelei ao ver um garoto beijando Victoria, em frente à recepção. Um risco de ciúmes se passou por mim, mas eu ignorei. Não tenho nada com Vic, e preciso ficar longe dela. Ela se virou e me viu mostrando um sorriso. Ignorei-a e saí andando até a sala de Josh. Tomara que Vic não apareça aqui.
-Quem é você? -perguntou o garoto loiro com uma expressão de dúvida.
-Isso não vem ao caso. Mas eu preciso, mesmo, falar com você.
-Sobre?
-Sobre Lexi. Eu sei que você não deve estar em condições de me falar, mas eu posso ajudar entendeu? Me fale, por favor, o que realmente aconteceu na floresta. -implorei me sentando ao seu lado na cama.
-Nada. -disse desviando o olhar para a parede.
-Josh, é sério! Eu posso te ajudar! O que realmente aconteceu? -repeti a pergunta olhando para ele com esperança. Josh estava sentado com a postura ereta e não esboçava nenhuma reação no rosto, mas logo ele desmanchou a postura e bufou.
-Eu não sei se devo contar... Vai achar que sou louco. -confessou com um olhar triste.
-Você deve me contar a verdade, Josh. Tinha um homem lá? -indaguei e o garoto assentiu. Meu sangue gelou. -Me conte mais sobre isso Josh.
-Eu... Eu e Lexi estávamos nos beijando. Eu realmente gostava dela. Mas aí apareceu um cara totalmente pálido e esguio. Ele pegou Lexi, e... Do nada... Seus olhos ficaram negros e apareceram presas afiadas. Ele mordeu Lexi bem no pescoço. Na minha frente. Eu vi o corpo dela cair branco e frio na minha frente. -confessou Josh e percebi uma lágrima teimosa tentando escapar de seus olhos. -V-você acredita em mim?
-Eu acredito Josh. Eu acho que conheço esse homem. Pode me dizer como ele era?
-S-sim... Ele era alto, tinha cabelos negros, antes de seus olhos ficarem negros eram azuis bem claros. Ele era magro e sua voz era realmente amedrontadora. -finalizou e senti uma gota de raiva crescer em mim. Era ele. O maldito ser que acabou com a minha vida, acabou com a de Mia, de Ryan e agora de Lexi. Estava de volta.
-Obrigado Josh. De verdade. -falei e saí correndo para o lado de fora do hospital.
-Ei, Liam! -gritou uma voz conhecida fazendo-me virar.
-O que quer? -perguntei revirando os olhos.
-Por que estava no quarto de Josh? -interrogou curiosa.
-Isso não é da sua conta! Por que não vai encher o saco do seu namorado? -falei e ela arregalou os olhos. Acho que acabei de demonstrar um pouco de ciúmes...
-Ele não é meu namorado! O conheci hoje. Vi que a recepcionista chata estava dando em cima dele e ele não estava gostando. Então fui ajudá-lo a espantar a atirada! Se você está incomodado com isso, por que não me chama para sair? -bufou e desviou o olhar para a parede. Acredite Vic. Tenho vontade de falar com você o tempo todo. Tenho vontade de te chamar pra sair, de te beijar e de te agarrar. Meu coração dizia isso. Mas como a razão estava ali para me ajudar, o máximo que consegui dizer foi:
-Não estou incomodado. -disse fitando o chão. -E não quero te chamar para sair.
Saí deixando ela lá. Pela milionésima vez. Odeio-me por fazer essas coisas com Vic e queria que soubesse que sentia completa atração por ela. Mas era perigoso.
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Eai cherosos,
Tudo bom?🌚
Espero que sim.
Votem, comentem e recomendem minha história para os amigos. Amo vocês, mesmo que eu esteja falando com uma parede.
Beijo no cu... ração, é claro!❤🌈
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