Capítulo 2

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Um barulho vindo do telhado me fez despertar e levantei rapidamente da cama. Coloquei os chinelos e caminhei até a porta da sacada do meu quarto. Peguei um taco de basebol que estava encostado no canto e fui andando até o lado de fora. Olhei em volta e o céu estava negro e estrelado. Mas não havia ninguém. Graças a Deus! Entretanto, quando fui me virar, um vulto passou com muita rapidez e jogou meu taco contra o chão, me derrubando também. Olhei ao redor e não vi nada. Mas o que foi isso? Levantei num pulo e peguei minha "arma", entrando correndo pra dentro e trancando a porta. Meu coração estava a mil. O que era aquilo? Apanhei meu celular para ver as horas. Eram três horas da madrugada, então um frio na barriga me invadiu. Quer saber? Eu não vou ser mais essa menininha indefesa que todos acham que eu sou. Está na hora de mostrar que mudei.

Vesti uma blusa de frio e desci as escadas silenciosamente, para não acordar minha mãe e meu irmão. Abri a porta e saí de casa. Estava muito frio e eu estava tremendo. Comecei a ouvir um barulho estranho, então fui em direção à ele. Estava vindo do lado da casa dos novos vizinhos. Fui me aproximando, mas estava escuro e não dava para ver muita coisa. O que deu pra ver foi uma sombra agachada comendo alguma coisa. Meus olhos se arregalaram quando vi que essa sombra se levantou, tomando forma de uma pessoa. Meu sangue gelou. Por que diabos eu tinha que inventar de ser corajosa essa hora e aqui fora? Poderia ter provado minha coragem apenas pegando um pouco de leite na geladeira da cozinha, não? A criatura se ergueu e foi vindo em minha direção com passos rápidos, enquanto eu ía me afastando. Quando essa coisa começou a correr atrás de mim, um vulto passou e eu senti mais frio. Não vi quase nada, apenas o corpo da criatura caindo no chão com um baque. Algo me arremessou contra a parede, fazendo-me bater a cabeça. Apaguei e não vi mais nada.

Acordei com uma forte tontura na cabeça. Levantei e fui fazer minhas higienes matinais. O que aconteceu mesmo? Olhei no espelho e havia um corte na minha testa, acima da minha sombrancelha. Eu realmente sabia que tinha acontecido alguma coisa, mas não sabia o que. Que bizarro! Dei de ombros e fui trocar de roupa. Vesti um short jeans rasgado e coloquei uma camiseta do Chicago Bulls. Eu amo basquete. Coloquei um tênis todo preto e passei um maquiagem básica. Finalizei com o cabelo solto e alguns acessórios.

Desci as escadas e minha mãe estava preparando o café. Sentei no balcão e peguei uma torrada para comer. Meu irmão desceu as escadas com seu skate nas mãos. Meu irmão era maneiro, mas era muito chato às vezes. Tipo muito.

-Eai maninha? Tudo bem? -perguntou ele se jogando no sofá. Ele quer alguma coisa.

-Por que a pergunta?

-Eu não posso mais saber como minha irmãzinha está? -falou sorrindo cínico.

-Não, não pode. -resmunguei enfiando o último pedaço da torrada na boca e levantando pra sair e ir para a escola.

-Nossa maninha, eu só queria que você me emprestasse uma graninha...

-Pode crer que se você continuar falando no diminutivo, com essa voz irritante e com essa cara de bosta, o máximo que você vai conseguir é um tapa nessa sua cara. Tchau mãe, te amo. -bati a porta e saí correndo à caminho da escola.

Adentrei o colégio e avistei Anna e Cat encostadas nos armários conversando. Fui até elas e as cumprimentei.

-O que é isso na sua testa? -perguntou Cat me olhando torto.

-Eu não faço a mínima ideia... Acordei com isso na cara. -dei de ombros e abri o armário para pegar meu material.

-Amiga você é sonâmbula? -perguntou Anna tirando sarro de mim.

-Acho que sim... -falei pensativa.

-Ai meu Deus! Não olha agora... Mas tem um garoto maravilhoso olhando fixamente em sua direção Victoria! Meu Deus de onde ele veio? -Anna arregalou os olhos e sorriu em alguma direção atrás de mim.

-Quando você diz "Não olhe agora" é pra eu olhar né? -virei o rosto e meu olhar se encontrou com Liam. O meu novo vizinho. Um lindo par de olhos azuis, que fizeram meu coração acelerar. Mas rapidamente ele desviou os olhos e saiu andando para uma direção com sua irmã maligna.

-O que foi isso? Você conhece ele? -interrogou Cat sorrindo maliciosa.

-Bem, mais ou menos. Ele é meu novo vizinho...

-Jura? Nossa, que sortuda! Nem pra contar pra gente ir na sua casa mais vezes. -proferiu Anna me empurrando. Mostrei a língua pra elas e fui à caminho de minha sala.

Ao virar o corredor, ouvi um baque e depois fui de encontro com o chão. Ah não! De novo não!

-Está tudo bem? -Matt disse me ajudando a levantar.

-Está. -respondi seca e revirei os olhos.

-Algum problema? Se quiser eu posso te empurrar no chão de novo. -riu e coçou a nuca em seguida. Estaria nervoso?

-Idiota. -resmunguei e saí andando. Mas eis que uma forte mão agarrou meu braço e me puxou para trás. Matt me prendeu contra seu peito e me pressionava contra a parede.

-Me solta, Matt! Agora! Eu vou me atrasar pra a... -gritei mas ele tapou minha boca com a mão e foi me arrastando pra dentro do armário de limpeza. Eu esperneava e tentava bater nele, mas ele era bem mais forte. O idiota trancou a porta e me jogou contra a parede com força.

-Então... Parece que você mudou não é? Está tão perfeita... -pronunciou Matt e veio se aproximando de mim.

-Não encosta em mim! Seu tarado! -berrei e ele correu em minha direção tapando minha boca novamente.

-Shiiiu, lindeza... Relaxa, te tocar é o que eu mais quero agora. -passou a mão pelo meu corpo e eu tentava gritar de alguma maneira, mas ele não me soltava. Me prensou na parede e começou a passar os lábios pelo meu pescoço. Eu não conseguia chorar. Apenas estava com raiva da situação, muita raiva. Como uma garota não consegue deter um ex namorado babaca? Matt começou a puxar a minha blusa para cima e a passar as mãos em minhas coxas.

-Matt... -disse tentando tirar sua atenção.

-Sim? -Aproveitando seu momento de distração, soltei minha perna e dei-lhe uma joelhada nas jóias preciosas com toda minha força e ele caiu no chão, gemendo de dor. Saí correndo do armário e nem reparei na minha situação. Virei o corredor pra ir embora e assim que ía sair da escola comecei a chorar. Essa não. Chorar não. Arrumei minha blusa e fui andando pra casa, chorando.

Virei a esquina e fui à caminho de minha casa, precisava de um banho e de comida. Cheguei em frente a ela e olhei em volta. Estava tudo vazio, então sentei na sarjeta e debrucei nos joelhos para chorar. Mas é claro que alguém tinha que aparecer. Uma pessoa em especial.

-O que houve? -Liam apareceu do meu lado e colocou as mãos em meu ombro. Seu gesto me assustou e eu dei um pulo.

-Meu Deus! De onde você saiu? Achei que estivesse na escola. -levantei rapidamente e enxuguei as lágrimas que ainda escorriam. Sorri e abaixei a cabeça. -Não foi nada, eu só... Passei por um momento difícil.

-Também achei que você estivesse na escola... Bem, seja o que for, pode me contar se quiser. -esclareceu ele colocando as mãos em meu queixo e o erguendo. Ele olhou fundo em meus olhos e meu coração parou. Mas foi apenas pensar no que aconteceu que meus olhos se encheram de lágrimas novamente e eu comecei a chorar. Olhei para Liam que me encarava confuso, então por impulso, eu fiz uma coisa. Por impulso eu me aproximei para abraça-lo, mas acho que isso não foi uma boa ideia. Liam se afastou rapidamente e virou o rosto.

-M-me desculpe, eu... Eu preciso ir. -falou ele e saiu andando apressado. Isso foi um motivo a mais para me fazer chorar. Entrei correndo pra dentro de casa e fui para o chuveiro.

Deixei a água gelada escorrer pelo meu corpo. Precisava relaxar um pouco. Mergulhei na banheira e apoiei minha cabeça. Eu ainda não conseguia aceitar o que tinha acontecido. Não conseguia acreditar que Matt era capaz disso. Não conseguia acreditar que eu já o havia deixado me tocar e me beijar. Não conseguia acreditar que eu realmente já havia gostado dele.

Saí do banho e vesti um short jeans e uma camiseta da Melanie Martinez. Prendi meu cabelo num coque bagunçado e desci para comer alguma coisa. Peguei um pote de sorvete e sentei no sofá para ver algum filme triste. Sempre é bom chorar e botar tudo pra fora. Fiquei um tempo ali e apaguei.

Depois de um tempo, acordei com Anna e Cat pulando em cima de mim. Levantei depressa e saí correndo para o meu quarto. Ela me seguiram.

-Ei, o que aconteceu? Primeiro, porque você fugiu da escola no segundo dia de aula. E segundo porque você não quer conversar. Pode explicar... -Anna exigiu se sentando ao meu lado na cama.

-Fechem a porta. -falei em meio ao choro.

-É, o negócio é sério... Você nem chora, Vic. É a garota mais durona que já conheci. -disse Cat.

-O Matt quase me estuprou hoje. -falei aos soluços.

-O QUÊ? -berrou Anna, e a única coisa que Cat conseguia fazer era ficar com a boca aberta, tentando processar o que eu havia dito.

-Vocês entenderam...

-Não! Não entendemos, por isso pode começar a explicar isso direito! -exclamou Anna.

Depois de ter explicado tudo às meninas, elas juraram que iam acabar com o idiota do Matt, mas falei que não era necessário perder tempo com ele. Eu realmente era durona, por isso era capaz de lidar com isso. Mas bem que a irmã do Liam podia me dar algumas aulas. Já que toquei no assunto... Liam. Eu efetivamente não estava entendendo esse garoto. Não mesmo. Só sei que ele, de alguma forma, mexia comigo. Toda vez que nossos olhares se encontravam, meu coração acelerava. Mas não daria para assumir que gostava dele, pois eu mal conhecia o garoto. Eu precisava tentar me aproximar dele.

Já era de noite e eu estava deitada em minha cama para dormir. Desliguei a luz e adormeci.

Oien unicórnios
Tudo bom com vocês?
Então... Eu prometo que o próximo capítulo vai ser o Pov do Liam, é que demorou pra chegar nas 10 visualizações. Comentem aí o que estão achando e o que eu deveria melhorar. Quero que me encham de comentários❤
Quando o livro chegar a 500 visualizações (tá longe ein?) eu vou fazer um grupo no Whatsapp e postar um capítulo somente para vocês me mandarem os números.
Beijim❤🌈👑

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