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˖࣪ ❛ A CONVERSA
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JULES SENTIU UMA pancada na cabeça, abriu os olhos lentamente e viu o pé de Eddie em seu rosto.
— Nojento. — ela exclamou, tirando-o rudemente.
Se lhe pedissem para descrever como era dividir o quarto com Eddie Munson, ela certamente diria que não era higiênico.
Já se passou um bom tempo após o suposto incêndio no STARCOURT. O Sr. Munson não se opôs muito a que Jules ficasse com eles.
Foi bastante confuso no dia em que ele a levou ao trailer.
— Eu a encontrei na floresta. — avisou ele. — Ela ficará conosco.
— Eu não sou um cachorro. — Jules falou.
Eddie a ignorou e colocou a mão na cabeça da morena, balançando seus cabelos como se a estivesse acariciando.
Assim como um cachorro.
E voltando ao presente, o de olhos castanhos levantou-se e saiu do quarto, caminhando sonolenta. Chegou à cozinha e procurou o cereal ao lado da caixa de leite.
— Bom dia. — cumprimentou o Sr. Munson, assustando-a.
— Merda! — ela exclamou, e então olhou para ele envergonhada. — Me desculpe.
Embora lhe tivessem dito para ficar em casa e já estivesse lá há algum tempo, Jules não se acostumou naturalmente a xingar na frente do tio de Eddie.
O homem levou a xícara de café aos lábios, deixando o líquido quente descer pela garganta, depois lambeu os lábios e colocou a xícara sobre a mesa.
— Jules. — ela se virou para olhar para ele, enquanto despejava o leite em cima do cereal. — Tem certeza que não quer voltar para a escola ainda?
Ela soltou um suspiro enquanto enterrava a colher no café da manhã.
— Ainda não. — ela negou. — Só espero poder acordar um dia e me sentir pronta.
Ele assentiu e decidiu não abordar mais o assunto. A morena deixou claro que isso era algo que ela não gostava de falar.
Viram Eddie sair da sala arrastando os pés sem muita vontade de começar o dia. Ele esfregou os olhos e encostou-se no balcão da pequena cozinha.
Jules olhou para baixo, enquanto um sorriso nostálgico apareceu em seu rosto ao se lembrar de Dustin.
Ele sentia falta de passar a noite na casa do melhor amigo.
— Você tem aquela campanha hoje, certo? — Jules perguntou.
Eddie assentiu com sono.
A realidade é que ela adoraria fazer parte do 'Hellfire Club'. Mas como ela jogaria se não pudesse nem ir à loja?
Ela teve que superar o medo de que as pessoas a visse.
Mas o que aconteceria se os meninos a vissem?
Como eles reagiriam?
E como ela explicaria a eles por que permaneceu escondida todo esse tempo?
Ela decidiu parar de pensar nisso, pois não a ajudaria em nada se preocupar com esse assunto específico.
Jules ouviu um latido vindo de fora, olhou pela janela e viu que era um dos cachorros dos vizinhos. Ela sorriu, pois muitas vezes à noite, quando as lembranças e os pesadelos voltavam, ela saía, tomando cuidado para não ser vista, e ficava muito tempo desabafando seus problemas com o animal. Como se eu fosse seu terapeuta.
Ela pegou uma fatia de pão e uma última colherada de seu cereal com leite.
— Volto em seguida! — Jules alertou, vestindo o casaco e saindo do trailer.
Eddie e seu tio se entreolharam com a testa franzida e então cada um voltou ao que estava fazendo.
Jules colocou o capuz e caminhou rapidamente em direção ao animal, que assim que a viu mexeu o rabo de um lado para o outro de alegria.
— Olá, amigo. — sentou-se no chão.
Ela acariciou o cachorrinho, passando a mão pela pequena abertura no arame. Ela entregou-lhe um pedaço de pão e começou a conversar.
— Sonhei com ela... De novo. — o animal começou a mastigar o pão. — Gostaria de poder dizer a ela que estou bem. — ela soltou um suspiro. — Provavelmente ficará muito chateada se descobrir que eu tive a chance de procurá-la e não fiz. Você que acha?
O cachorro soltou um latido e continuou abanando o rabo alegremente, fazendo Jules sorrir.
★
Max entrou na sala da conselheira escolar e sentou-se em frente à mulher, que educadamente perguntou se poderia tirar os fones de ouvido e desligar a música.
'Running Up That Hill' parou de tocar e a ruiva olhou para baixo.
— Desculpe. — Mad se desculpou.
A mulher de cabelos negros começou a ler suas anotações, enquanto fazia caretas de surpresa.
— Sete em inglês e você tem seis em espanhol. — ela falou, juntando as mãos e deixando-as descansar sobre a mesa.
Max estalou a língua. — Sim.
A conselheira inclinou a cabeça. — Isso não é normal para você.
— Se você diz... — Max murmurou em resposta, começando a brincar com o cabo do fone de ouvido e movendo a perna com impaciência.
— Como está sua mãe?
Max pareceu hesitar: — Tudo bem. — ela encolheu os ombros. — Bem, ela odeia nossa nova casa, que... Sim, é terrível, mas ela está bem.
A de cabelos encaracolados assentiu. — Ela ainda está bebendo álcool?
— Sim, um pouco, mas... Ela tem dois empregos. — falou. — Isso não é fácil.
— Também não deve ser fácil para você, principalmente para seu padrasto.
A ruiva respondeu rapidamente: — É melhor assim, sinceramente.
A mulher franziu a testa um pouco.
— Por que diz isso?
— Ele foi um idiota. — admitiu ele. — Então há menos... Coisas idiotas.
Ela assentiu, procurando alguma coisa em seu caderno e depois começou com as perguntas casuais que fazia a Max em todas as reuniões.
— Você dormiu melhor?
— Sim.
— Não tem mais dor de cabeça? — a garota de olhos azuis balançou a cabeça. — Pesadelos?
Max parecia permanecer em transe, lembrando daquela noite. Até que ela voltou e negou novamente.
— Não.
A mulher percebeu como ela evitava olhar nos olhos dela, então soltou um leve suspiro.
— Max... O que você vivenciou e o que continua vivenciando é difícil para qualquer um, e está tudo bem não estar bem. — ela a informou. — Mas só posso ajudá-la se você for honesta e se abrir comigo.
— Sim, eu sei. Estou me abrindo. — Max respondeu e então viu o olhar que lhe foi enviado. — Estou me abrindo. — ela repetiu.
A conselheira assentiu e juntou as mãos novamente.
Ela se inclinou um pouco sobre a mesa e sorriu suavemente para Max.
— Você quer falar sobre ela?
A ruiva olhou para baixo, sentindo um nó no estômago.
— Quem? — perguntou ela, fingindo não entender para fugir do assunto.
— Jules. — a mulher respondeu. — Você quer me contar mais sobre ela?
Max encolheu os ombros: — Ela se foi. — seu tom fez a mulher entender que era um ponto delicado. — Não há nada a dizer sobre isso.
— Max...
— Não. Isso é tudo. — ela interrompeu, movendo a perna mais rápido.
Assim que terminaram a sessão, ela saiu da sala e ameaçou colocar os fones de ouvido novamente, mas Lucas a interrompeu naquele momento.
— Max, olá.
Ela bufou: — Você está me seguindo?
— Não, eu só queria te dar isso.
Ele estendeu um pequeno papel na mão para ela, enquanto a ruiva o pegou e franziu a testa.
— O que é?
— Um ingresso para o jogo. — ele falou, a fazendo virar para olhá-lo com cansaço. — Eu sei que você nunca quer ir aos meus jogos, mas este é muito importante.
— Importante? — perguntou com certa zombaria. — Lucas, você se importa mesmo?
— Sim, eu me importo. — eles continuaram andando. — Isso deveria importar um pouco para você também, certo?
Max parou de andar e se virou: — O que isso significa, me explique?
— É só que... — ele demorou. — É como se você não estivesse mais aqui, Max. É como se você fosse um fantasma.
A garota de olhos azuis franziu a testa. — Um fantasma? — Max perguntou. — Sério?
Lucas deu um passo à frente.
— Max... Eu sei que você tem problemas.
— Sim, claro. — Max admitiu sarcasticamente. — Sim, devo ter problemas porque quase não estou mais no grupo.
— Não. — ele negou, soltando um suspiro. — Não estou falando sobre isso.
— Lucas, ei... As pessoas mudam, ok? — Max falou. — Isso é tudo. Eu fiz. É simples assim.
Max se afastou de todos depois de perder os dois.
Jules se afastou de todos depois de saber que eles pensaram que a haviam perdido.
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