Capítulo 6
Daniel Buarque
Encontrar a Alessandra nesse caso, foi mais uma das grandes surpresas que esse dia tinha reservado para mim.
"O que ela fazia ali?"
"Que carreira havia seguido, para estar em uma audiência?"
"A Fernanda seria alguma parente sua? Ou do seu esposo?"
Creio que não, porque enquanto eu a analisava, sentada, em toda sua postura ereta e magnífica com suas botas, eu não notei uma aliança nas suas mãos. Seria divorciada? Viúva? Ou o cara lá fora, era só mais um cara querendo comer uma mãe gostosa, solteira e com filhos?
Haviam tantas coisas se passando na minha cabeça naquela hora, que nem na audiência eu estava prestando atenção, isso, até um dos meus investigadores entrar em contato com o meu assistente e me dizer que havia encontrado algumas provas a respeito de compras ilegais, falsificação de documentos e subornos, onde envolvia tanto a construtora, quando a nossa empresa de advocacia. E o que tudo indicava, era que algumas suspeitas já estavam sendo levantadas e que o meu pai, queria claramente passar o risco jurídico para mim, onde eu assumiria as consequências; caso algo desse errado; e tiraria todas as suspeitas de cima dele, quando a empresa passasse para o meu nome.
Filho de uma puta!!!!! É claro que teria alguma coisa por trás disso tudo. E pelo visto não era só uma, era uma "caralhada" inteira, para me foder. Ele com certeza não iria me dar de bom agrado, o que eu tanto queria. Ele só queria livrar a bunda cabeluda dele da cadeia e me foder no processo. Mas as coisas não funcionam assim, Senhor Armando Francis. Você ainda vai descobrir do que sou capaz.
Logo, disposto a não me ferrar sozinho nessa merda toda, que antes parecia ser um caso simples para se ganhar, mostra ter um buraco negro muito mais fundo, onde ninguém mais quer descobrir. Porém, eu iria caçar no inferno, o que o senhor Armando Francis estava aprontando para mim. Como foder com essa nova aquisição da construtora. Seja lá o que esse pequeno terreno esconde, alguma coisa de muito valor ou muita merda, a escondido nele.
Assim, mesmo sem saber o que a Alessandra realmente te haver nesse caso, eu a chamo, como uma oportunidade de a ter por perto e poder esclarecer algumas coisas que essa história toda está envolvendo. Com pouco, usando da sua boa fé para com a cliente, eu meio que lhe intimido a vir ao meu encontro, sabendo que de boa vontade ela não viria falar comigo.
Logo, com pouco depois, ela bate a porta atrás de mim e já se aproxima com o seu novo temperamento explosivo, no qual eu estava amando descobrir.
— Quem você pensa que é Daniel, para usar o emocional da minha cliente, para me arrastar até aqui? Eu sabia que você era um cara sem escrúpulo e sem moral, mas parar uma audiência para falar comigo, como se você realmente tivesse alguma coisa para me contar e pode nos ajudar no caso, é realmente absurda. — Ela esbraveja com o seu cabelo esvoaçante e com a voz apertada, como se estivesse perdendo o folego. — Já não bastava ter me enxotado há 15 anos atrás, agora ainda precisa me humilhar no trabalho e querer me fazer de cachorrinha, para vir atrás de você? — Sinto a sua respiração perto da minha e nunca me sentir tão atentado e atraído como agora.
É inegável o que essa mulher consegue fazer comigo. Ela consegue me desafiar, me provocar, me irritar e me excitar ao mesmo. Logo, mesmo com todas as questões que temos que resolver agora, a respeito do caso, eu não consigo controlar os meus instintos, quando se trata dela. E com um único movimento, eu a impresso na parede e ergo o seu rosto, deixando-o a poucos centímetros do meu e olhando bem profundamente nos seus olhos, como um dia eu já fiz, na sacada da varanda há 15 anos atrás. Contudo, eu não tinha mais a mesma condescendência de antes.
— Olha só, se eu quisesse realmente te fazer de cachorrinha, princesa... você "só" não iria gostar, como iria ficar de quatro e de bom gosto, com essa bunda gostosa virada para mim e iria latir em alto e bom som, me pedindo para eu te foder força e com gosto, como se as minhas mãos fosse a coleira que você tanto precisava. — Olho para os seus lábios e não resisto ao impulso de passar os meus dedos por ele e pela extensão do seu pescoço, imaginando a cena que acabei de descrever.
Um gemido involuntário sai da sua boca e ela não consegue esconder a perturbação que lhe causei com as minhas próprias palavras. Aposto que a excitei e se tocasse agora na sua calcinha, saberia o quanto ela estaria molhada por mim, assim, como o meu pau que não parava de lateja dentro da minha calça. Maldito dia que lhe afastei da minha vida.
Se eu soubesse que essa paixão avassaladora pela minha princesinha nunca fosse passar, jamais a teria a afastado de mim e sim, dado um jeito de a manter por perto. Mas a porra do garoto medroso e inexperiente que eu era, não teria sido capaz de fazer isso.
E como se ela estivesse tendo um pouco da racionalidade que lhe sumiu, ela começa a falar tremulamente, tentando entender o que aconteceu.
— O q-uê... v-ocê, não. Eu... Jesus!!! — Ela afasta a minha mão do seu corpo e tenta arrumar a compostura que a pouco tempo atrás havia perdido. Depois de respirar fundo, ela se vira para mim e voltar a falar. — Olha, você não pode fazer isso comigo, entendeu? Eu não sou mais aquela garotinha que facilmente era manipulável e caia na sua teia ilusão como uma boba patética. O tempo de me ludibriar com as suas palavras, já se passaram. — Ela respira fundo mais uma vez e olha bem nos meus olhos, antes de falar roucamente no meu ouvido. — E se for para alguém me chamar de cachorra, eu já tenho quem faça isso para mim. E se quer saber, eu me saciei muito bem ontem à noite. Nem preguei os meus olhos de tanto que eu fui fodida com força. — Ela soletra essas últimas palavras, como se elas fossem uma maldição ou um encantamento para mim. — Hum... E então? Satisfeito, senhor Francis?
Olho se soslaio para ela e os nossos rostos ficam muito perto um do outro, enquanto uma fúria involuntária invade o meu corpo e eu desejo tremendamente reivindicá-la para mim. Logo, fazendo-a engolir cada palavra que disse até agora, inclusive, essa de me chamar de Senhor Francis.
— Porra, Alessandra! Meu nome é Daniel Buarque! — Me aproximo mais, segurando no seu braço. — Dan, como lembro bem que era assim que você me chamava. Nada de Francis, lembra? — Rosno no final, como se essa última palavra me doesse falar.
— Não somos mais tão íntimos para isso, Daniel. E Francis, é agora o seu sobrenome. Não foi por isso que você foi para São Paulo? — Ele ainda me encara ressentida e eu a consigo entender um pouco, por ter toda essa raiva e amargura comigo. Eu a fiz sofrer, depois de ter lhe dado o meu amor e a deixado no escuro, sobre tudo o que eu era e o que se passava na minha vida.
Logo, ela se solta do meu braço e se afasta de mim.
— Enfim, você disse que tinha algo do caso para me falar. O que seria? Ou isso tudo só foi mais um joguinho para você, para querer me provar o seu grande poder de influência agora? — Ela cruza os braços, querendo logo ouvir a minha resposta.
Eu tento me recompor da melhor maneira que eu posso e por fim, esquecer um pouco o nosso lado pessoal nessa história toda. Alinhando melhor os meus cabelos para trás e respirando fundo, para focar no que eu realmente tinha para lhe dizer, eu me volto novamente na sua direção.
— Sim, eu tenho algo para lhe contar. É sobre a construtora. — Ela parece não acreditar que eu vá realmente lhe dizer alguma coisa para lhe ajudar e semicerra os olhos.
— Porque você me diria algo que pode prejudicar o seu cliente. Isso é algum truque, Daniel? Porque se for, a Fernanda não merece passar por mais esse sofrimento. Ela já foi pisoteada demais pela vida, para também ser pisoteada desse jeito no tribunal, por causa do seu ego de grandiosidade e de querer destruir todos ao seu redor. — Ela me encara séria, como se tivesse tirado todas as conclusões sobre mim.
— Eu não sou assim, Alessandra. — Esbravejo, fechando mais a minha cara. — Mas agora não temos tempo para discutir sobre isso. Você precisa me ouvir e acreditar no que eu digo. Depois, nos encontramos e eu te explico melhor...
— Eu não vou me encontrar de novo com você. — Ela logo me corta, não querendo me dar espaço.
Assim, eu me aproximo dela novamente e chego perto do seu rosto, para lhe esclarecer algumas coisas.
— Olha Alessandra, eu sei que você está magoada, ressentida, brava, com raiva ou até com ódio de mim, por tudo que eu já fiz você passar, mas a sua amiga ou sei lá o quê que essa Fernanda seja para você, ela pelo menos merece uma chance de ter o que deseja. E se eu posso ajudar, eu agarraria de qualquer forma essa oportunidade, se eu fosse você. Então se você quer botar os seus problemas pessoais na frente dos dela... Ótimo. Então fique com o seu orgulho inabalável por causa disso. — Fecho o meu paletó e começo a me distanciar dela.
Sei que foi uma jogada arriscada, brincar com a sua solidariedade e empatia pelos outros ao seu redor, mas ou era isso ou botar tudo a perder. Sei que a Alessandra jamais deixaria esse seu lado de ser, mesmo depois de tantos anos. Não é algo que se mude tão facilmente. Logo, ao escutar a sua voz atrás de mim, sei que nem tudo estava perdido com a minha princesinha.
— Dan... Daniel!! — Ela logo se corrigi, achando que eu não havia escutado o seu sussurro, ao me chamar pelo apelido que usava na adolescência. —Qual informação que você poderia me dar, para ajudar a Fernanda?
Um sorriso brota nos meus e eu me viro para ela. Linda, como eu sempre me lembrei dela. O seu rosto ingênuo, mas não tão vulnerável como já foi um dia. Nunca pensei que fosse gostar tanto de ver quem a minha princesinha havia se tornado, sem ter perdido o seu jeito único de ser.
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