Capítulo 9 - A invasão

- Pode se levantar. A seção com o Animus acabou por hoje. - Ouço Alex dizer de algum canto da sala. Abro os olhos lentamente, demorando alguns segundos para me lembrar onde eu estava.

- Mas já? Porque paramos? - Digo enquanto me espreguiço.

- O uso do Animus por mais de 3 horas pode ser prejudicial. Além disso, já está ficando tarde. Você precisa descansar, afinal seu cérebro recebeu muitas informações hoje. Deve estar cansada - Diz ele, girando na cadeira com rodinhas. Agora que parei percebo que estou realmente cansada. Todos os meus músculos estão doloridos, fora que estou toda suja de poeira e suor.

- Que horas são?

- Ahn... - Ele dá uma olhada rápida na tela do computador para verificar as horas. - 20:30.

- Já?! Tudo isso?! Will vai me matar... - Pulo do animus pensando no que dizer para Will: "Anh... Will? Desculpa ta? É que uns caras me levaram até San Fransisco, e fizeram eu reviver as memórias de meu antepassado indígena.. E consequentemente adquiri suas habilidades de manejamento de armas entre outras coisas.. E fiz tudo isso sem deixar sequer um bilhete avisando você sobre isso.. Mas não se preocupe, porque isso provavelmente vai acontecer de novo pois eles querem que eu encontre um objeto que vai salvar o mundo, ou sei lá o que, ma.." Minha linha de pensamentos é interrompida assim que olho para Alex, que me encarava com uma cara de "Você não vai voltar pra casa hoje". - Oh... Então deixa eu adivinhar: Vocês só me levarão embora quando eu encontrar esse tal objeto que vocês precisam?

- Na verdade, não. Decidimos que a escolha poderá ser sua. Sendo assim, você decide se vai nos ajudar ou não.

- Eu tenho que dar a resposta em quanto tempo?

- Você tem até amanhã a tarde.

- Certo... E até lá? - Digo, me referindo de como irei passar a noite. Porque tipo, não posso simplesmente passar a noite inteira em um lugar desconhecido, principalmente em outro país!

- Ah. É mesmo! Tinha esquecido de te avisar. Desculpe. - Ele anda até a porta e a abre. - Você dormirá aqui esta noite. Mas primeiro precisa de um banho. Dormir com toda essa poeira e suor não deve ser muito confortável... - Diz ele. - Siga em frente, até encontrar uma porta azul claro, do lado esquerdo no final do corredor. Lá você pode tomar banho. No banheiro também tem um armário que tem várias roupas de vários tamanhos. Pode vestir a que lhe servir. Assim que terminar, volte aqui, e eu lhe direi aonde você vai dormir.

- Ok então.. - Ando na direção indicada por Alex. Não encontro grandes dificuldades em achar a porta descrita por ele. Ela até que se destaca no curto corredor branco.

O banheiro era relativamente pequeno e pouco mobiliado. Havia um armário rústico que não combinava muito com o banheiro totalmente moderno.

Tiro as minhas roupas e vou para o esquisito chuveiro que, ao invés de um registro, tinha um painel eletrônico branco de plasma que parecia ser touch. Toco nele com o dedo indicador, com um pouco de medo do que poderia acontecer.

Quase que imediatamente uma água morna cai do chuveiro. Entro em baixo da água, e tomo um banho rápido de alguns minutos.

Assim que acabo, procuro algo no armário que me sirva. Bem, quando Alex disse "Tem várias roupas", eu esperava vários "tipos" de roupas. Bom, em quantidade sim, mas em estilo.. Havia apenas calças estilo militar, além de algumas calças saruel. Não tenho nada contra calças militares, eu até gosto de usá-las.. Mas só fico surpresa em ver um armário que não possui nenhuma calça Jeans. Tipo, que armário não tem ao menos uma calça Jeans?

Após ficar por pelo menos 5 minutos procurando algo do meu tamanho, encontro uma calça de Brim verde escuro com bolsos laterais que servia perfeitamente em mim. Depois visto uma camisa regata azul acinzentado, um casaco com capuz igual o de Henri e uma bota marrom. Para finalizar, faço uma trança embutida e saio do banheiro.

Quando volto para a sala do Animus, encontro Alex com uma chave de fenda na mão, todo sujo de óleo. Percebo que ele montava a parte interna de um pequeno robô, que até então estava sem cabeça. Tenho quase certeza que ele estava em uma parte delicada do robô, pois estava tão concentrado nele que nem percebeu quando entrei.

- Anh... Alex? - Chamo timidamente.

- Anh? Ah! Alice! - Ele olha para mim com um sorriso meio bobo, ele se levanta rapidamente, enquanto batia nas calças, em uma tentativa falha de tirar o óleo delas ele olha para mim de cima a baixo. - Nossa! Você está parecendo a Lara Croft. Até melhor do que ela. - Ele cora um pouco ao dizer isso.

- Quem? - Pergunto. Sinto que já ouvi esse nome em algum lugar... Mas onde?

- Ah! É.. - Ele tropeça em algumas palavras, cada vez mais vermelho. - Ela é uma.. - Antes dele terminar a frase, alguma coisa faz barulho dentro do robô-sem-cabeça, e segundos depois, vejo faíscas saindo dele. Fazendo Alex corar ainda mais. Agora, ele parecia um pimentão, de tão corado que estava.

- Anh.. Tudo bem? - Pergunto com cautela. Não quero que Alex exploda de tão vermelho. Além disso, o que diria para as pessoas? Que ele explodiu de tanto ficar vermelho? Acho que não acreditariam.

Alex se vira rapidamente e mexe em alguns fios dentro do robô.

- Droga. Curto-circuito. - Diz ele enquanto corta alguns fios. - Culpa sua.

- Minha?! Eu não fiz nada!

- É. Quem mandou ser tão bonita? Me distraiu. - Quando ele diz isso, sinto minhas bochechas queimarem. Com certeza estou vermelha. Ele vira pra trás com um sorriso brincalhão nos lábios - Há! Revanche! Agora você também está vermelha. Hahahaha! Quem é a pimenta agora? Hahaha. Não, não! Melhor, melhor! Tomate! Hahahaha. Você está igualzinha a um tomate! Hohoho!

- Olha só quem fala! - Viro de costas e cruzo os braços, com uma zanga fingida - Hunf. - Alex rolava de tanto rir. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas, como se fosse pra variar, uma luz vermelha sai do teto, e começa a piscar, deixando toda a sala vermelha. Pra acompanhar, um alarme começa a tocar de uma forma ensurdecedora na sala.

Alex para de rir assim que o alarme começa a soar, e assume uma postura séria e preocupada. Um cara de mais ou menos 30 anos que tinha seu rosto escondido por um grande capuz entra na sala e grita para ser ouvido no meio do alarme alto:

- Templars! Quick, go into hiding underground!* (N.A: Templários! Rápido, vão para o esconderijo subterrâneo)

- What? Hide? No! I whant help!* - Respondo. Alex me olha surpreso por eu ter falado em inglês. - O que foi? Eu sou fluente. (N.a: O que? Esconder? Não! Eu quero ajudar!)

- Are you sure?* (N.A: você tem certeza?)

- Yes!* (N.A: Sim!)

- Ok.. It's up to you.. Then follow me.* (N.A: Ok... Você quem sabe... Então siga-me)

- I take her to the arsenal. Help others.* - Diz Alex, passando pelo assassino e correndo em direção à sala de treinamento. Sigo Alex e entramos na sala. (N.A: Eu a levo até o arsenal. Ajude os outros)

- O que nós vamos fazer aqui?

- Além de sala de treinamento, essa sala também é um arsenal-não-oficial.

- Porque então vamos no não-oficial ao invés do oficial?

- Simples, aqui tem várias armas, e não é muito diferente do oficial. Além disso, é bem provável encontrarmos algum templário no caminho. - Ele vai até a cabine de vidro e aperta um botão que, como aconteceu no treino, fez a parede deslizar mostrando o arsenal cheio de armas. - Escolha todas as que sabe manejar. - Rapidamente pego o arco que usei anteriormente e uma aljava cheia de flechas. Meus olhos saem a procura de um machado, que foi encontrado com facilidade. Antes de embainhá-lo, observo sua forma estranha. A cabeça do machado tinha o símbolo da irmandade. - Tomahawk?- Me viro assustada. Não tinha percebido Alex atrás de mim. Ele segurava um par de Hidden Blades, mas não as colocou em seu braço. - Arma muito boa essa. Boa escolha. Foi usada pelos grandes mestres assassinos. De acordo com os registros, Teçá a usou quando se juntou a irmandade. - Olho para a arma. Me sinto honrada por usar uma arma que até mesmo Teçá usou. Ela me traz uma sensação reconfortante - Toma. Henri disse que você sabe usá-las. - Ele me estende as Hidden's e eu as pego, colocando-as rapidamente em meus braços. - Boa sorte.

- Obrigada. Até mais. - Digo e saio correndo na direção do som de armas e explosivos, deixando Alex na sala.

Corro cegamente pelos diversos corredores vermelhos, apenas guiada pelo som da batalha. A cada passo, o barulho ficando mais alto.

Quando o som das armas fica bem nítido, sinto que estou quase chegando. Coloco o capuz sobre a cabeça, respiro fundo e corro até o campo, onde, pelo que meus sentidos dizem, está acontecendo a batalha.

Perco o ar quando me deparo com a cena aterrorizante de pessoas morrendo de formas assustadoras. Acredite: se você acha que guerra e morte é como nos filmes, está completamente enganado. Ela é muito assustadora.

O campo está com vários círculos de fogo espalhados aleatoriamente em toda a sua extensão. Várias pessoas em chamas correm desesperadas pelo campo na tentativa de apagá-lo, antes de receberem facadas ou tiros.

O cheiro ácido de sangue invade as minhas narinas, e eu faço um grande esforço para não desmaiar.

Procuro desesperadamente algum ponto para que eu tenha vantagem na luta. Como o campo de batalha era literalmente um campo de futebol americano, obviamente eu não encontro nada em que eu possa subir. Ao menos.. Olho para a lateral do campo e vejo, satisfeita, uma grande e alta arquibancada. Saio correndo direção da arquibancada, evitando ser vista para não morrer antes mesmo de lutar, e subo até o último degrau. Lá de cima tive uma visão ampla da luta: os assassinos estavam em desvantagem: a maioria estava caída no chão, e os templários, em maior número, massacravam os assassinos encurralados no canto do campo. Os templários manejavam suas espadas brilhantes com agilidade e velocidade, como se fossem um só, mas com certeza isso não foi a causadora das mortes da maioria dos assassinos, pois eles também manejavam as suas armas com naturalidade. A grande desvantagem era que alguns templários tinham mini bazucas e granadas! Coisa que nenhum assassino tinha.

Penso que se eu conseguir destruir a maior vantagem deles, talvez a luta fique mais justa, e os assassinos consigam contra-atacar. Tiro uma flecha de minha aljava e a posiciono na corda. Miro no primeiro templário que portava uma mini bazuca, mas percebo que ele estava fora de ângulo. Seria praticamente impossível acertá-lo em minha posição.

Desço alguns bancos e ando para o lado, de forma que eu fique na posição perfeita, e atiro. A flecha passa de raspão em seu pescoço, o que deixa ele furioso. Ele procura por mim na arquibancada, e quando me acha, ele mira sua bazuca em mim, pronto para atirar. Ele me olhava com muito ódio, seu pescoço sangrando como um rio. Mal tenho tempo de sacar uma flecha, quando ele dispara sua bazuca, que passa rente ao meu abdômen, causando um ferimento não muito profundo, porém infernalmente doloroso. Ele começa a colocar mais munição, porém sou mais rápida. Ignoro a dor em meu abdômen, e coloco a flecha na corda, atirando rapidamente nele. A flecha atinge seu peito, mas incrivelmente ele não morre. Ele dá um grito alto, e corre em minha direção, agora ele havia largado a bazuca, e empunha uma pistola semi-automática. Ele atira diversas vezes em minha direção, mas devido a seu estado, sua pontaria, felizmente, não é das melhores. Porém, uma acerta minha coxa. Grito de dor, e saio rolando para evitar que mais balas me atinjam.

Nesse momento, ele já estava praticamente do meu lado. Ele mira em minha cabeça. Não tenho tempo de reagir dessa vez, e ele puxa o gatilho.

Click - Click

Ele olha assombrado para a arma quando percebe que estava sem munição. Não perco tempo desta vez, e ainda deitada, saco outra flecha de minha aljava. Atiro a flecha em seu coração fazendo ele morrer finalmente.

Assim que ele cai, me levanto gemendo de dor. Ando na direção do homem caído, e rasgo uma parte de sua camisa. Tremendo, envolvo minha perna baleada com o tecido e puxo com força para estancar o sangue. Não contenho um grito de dor quando o faço. Me levanto cambaleante, e volto a minha posição anterior, continuando a atirar nos templários. Dessa vez, me concentrando mais no alvo.

Meu próximo alvo foi um homem prestes a jogar uma granada em um grupo de assassinos que lutavam acuados na lateral do campo. Acerto a mão do homem, fazendo-o largar a granada surpreso, e olhar para a flecha atravessada em sua mão. O que fez ele abrir uma brecha em sua defesa. Um assassino do grupo não perde tempo, e corre até ele, terminando de matá-lo com uma facada no peito.

Atiro em mais homens com bazucas e granadas até que começam a perceber a minha presença. Quando mato o último cara que tinha uma bazuca, os assassinos começam a contra-atacar. "Agora sim a luta está justa" penso.

Um grupo de 7 templários furiosos com o contra-ataque, me localiza, e corre em minha direção com suas espadas em punho. "Droga" penso.

Consigo matar 3 com minhas flechas antes que eles possam chegar até mim. Os outros 4, porém, conseguem se desviar delas, e me cercam. Largo meu arco no chão, e saco o tomahawk rapidamente enquanto ativo a Hidden blade.

- Quatro contra um? Vão mesmo fazer isso? - Digo, enquanto fico em posição de defesa.

- Tudo pelo progresso templário. Você nos atrapalhou, agora deve sofrer as consequências. Devia ter se escondido garota. Mas agora já é tarde. - O templário mais alto dos quatro diz com raiva, e avança com sua espada cintilante. Me abaixo agilmente, fazendo-o dar o golpe em vão, e consequentemente, abrindo sua defesa. Minha coxa ferida queimava como ferro em brasa, minha vontade era de de gritar, mas não posso demonstrar fraqueza para meus inimigos. Enfio a Hidden blade em seu crânio antes que ele possa revidar, e ele cai no chão, já sem vida.

Os outros três, surpresos com a facilidade que matei seu colega, partem para cima de mim com raiva. Rolo para o lado, bem a tempo de desviar de um tiro, que acertou bem no lugar onde estava meu pé segundos antes. Porém, eles já esperavam por isso, e assim que terminei de rolar, me vi aos pés de um dos templários.

Tento me levantar, mas minha condição não permite que eu o faça rapidamente. Ele chuta meu abdômen com força, bem na área em que a bazuca me acertou, fazendo-me cair novamente. Ele me empurra levemente com o pé, fazendo-me ficar de bruços.

Ele coloca um pé em minhas costas, me impedindo de levantar, me prensando cada vez mais no chão. Ele pega meus braços e os puxa para trás. Parecia que eles iam descolar de meu corpo.

O ar saiu rapidamente de meus pulmões. Eu lutava para respirar. Com seu braço livre, ele coloca a mão dentro de seu terno, e tira dele uma pistola. Ele a aponta na minha cabeça:

- Xeque-mate - Diz ele com um sorriso triunfante.

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top