Capítulo 32 - Um novo membro na irmandade?
- Certo.. Eu só não entendi uma coisa: isso onde estou sentado é um animus, certo? - Assentimos com a cabeça. - Então.. Se eu deitar aqui eu posso reviver a memória de qualquer antepassado? Templário, assassino, cidadão..?
- Exatamente. - Digo feliz por ele finalmente ter entendido. Havíamos explicado tudo para ele desde o começo da ordem até hoje, além do objeto e suas utilidades. Somos interrompidos por mais um ronco de Henri, que acabou dormindo no meio da conversa.
Nós três nos encaramos e então rimos. Assim que paramos de rir, eu e Alex ficamos nos encarando.
- Vocês dois.. - Começa Peter. Desviamos o olhar corados.
- Não! Claro que não. - Dizemos em uníssono.
O jato começa a balançar abruptamente fazendo Henri acordar em um salto. Minha perna ferida começa a quicar no banco, o que faz com que ela volte a sangrar.
- Sinto que o Jadson esqueceu de avisar que estamos pousando.. - Diz Alex se segurando desajeitadamente na mesa. Peter também estava segurando firmemente o animus.
- Também sinto.. - Diz Peter.
Finalmente pousamos com tudo, fazendo eu e Henri quicarmos pra fora da cadeira.
- Só digo uma coisa: ai. - Reclamo.
- Jadson! Ô seu filho-da-mãe! Porque diabos você não avisou que íamos pousar?! - Diz Henri se levantando irritado. Nós três trocamos olhares surpresos.
- Henri ferido é sinônimo de bom humor master. - Alex diz irônico. Henri olha para ele e mostra o dedo.
- Olha só quem fala. - E então entra na cabine do piloto. Assim que a porta do jato se abaixa, nós três descemos e fomos direto para a irmandade.
- Hey.. - Começa Peter sem jeito. - Será que eu poderia.. Tentar ir no animus? - Alex e eu trocamos olhares.
- Porque você iria querer isso? - Pergunta.
- Bem, acreditem ou não. Eu passei um dia inteiro sendo torturado por templários. Estou com raiva.. Mas também não quero que ninguém mais passe o que eu passei lá. - Abaixo a cabeça, lembrando-me das horas de tortura que tive lá no Senado. - Além disso, se meus tios eram templários, eu provavelmente tenho alguma linhagem de assassinos. Por favor. - Alex parece pensar por alguns segundos, mas por fim diz com um sorriso.
- Claro. Espero que você se junte a nós também. - Peter sorri
- Pode ter certeza.
- Proponho um desafio. - Diz Peter para mim. - Vamos apostar uma corrida de telhados.
- Uma corrida? - Repito incrédula pela infantilidade de meu amigo. - De telhados?
- Sim. Não podemos pisar no chão. Só ir de telhado em telhado. A linha de largada e chegada é o telhado da irmandade. Ganha quem dar a volta por esse bairro primeiro. - Diz.
- Já está tão confiante assim? Você só se juntou a irmandade a cinco dias. Ou seja, apenas seis dias de animus, e já acha que pode me vencer?
- Hum.. Sim. O meu antepassado, diferentemente do seu, era muito rápido e vivia pulando de telhado em telhado. Eu sei que posso te vencer. Moleza.
- Há. Vamos ver então. - Digo já correndo em direção a saída e subindo no telhado da irmandade e espero até Peter subi-lo. - Pronto pangaré?
- Já nasci pronto.
- Então.. JÁ! - Assim que digo isso, começo a correr. A distância entre o telhado da irmandade e o telhado mais próximo era grande, mas nada do que o impulso que peguei não daria conta.
Aterrisso no outro telhado com um baque, e para amortecer a queda coloco as mãos na frente e rolo. Sem vacilar continuo correndo, pulando de telhado em telhado com naturalidade até que um grande paredão me impede de continuar meu caminho. "E agora?" Penso.
- Empacou Allye? - Diz Peter logo atrás de mim. Então ele começa a escalar o paredão sem o mínimo de esforço. Quando ele chega no topo ele grita: - Quem é o pangaré agora? - então se vira e continua correndo.
Olho bem para a parede lisa: ela quase não tem imperfeições.. Somente uns três metros acima de mim. Teria que pegar um grande impulso para conseguir subir três metros até a imperfeição.
Ando vários metros para trás e corro o mais rápido que consigo. Quando faltava menos de um metro para eu bater com a parede, eu coloco um pé na frente, topando com a parede. Impulsiono com esse pé para cima. A parede é áspera, o que permitiu que meu pé não escorregasse. Uso as mãos para continuar com o impulso. As luvas não permitem que minha mão escorregue, o que deu um bom impulso.
Finalmente consigo alcançar a imperfeição com a mão direita. Meus pés procuram desesperadamente algum apoio, sem sucesso. Com a outra mão, pego outro ponto de apoio e escalo apenas com os braços até que os pés cheguem no nível dos apoios.
Chego no telhado arfante, mas orgulhosa. Perco alguns segundos recuperando o fôlego e volto a correr. Depois de alguns telhados consigo distinguir a silhueta de Peter, que estava parado na ponta do telhado, meio perdido. Quando finalmente o alcanço, paro também e descubro o porque dele ter parado: uma praça estava separando esse dos outros telhados.
Olho para ele triunfante.
- Observe e aprenda. - Dou alguns passos para trás e pulo, torcendo para que eu tenha calculado bem.
Pouso em um tronco grosso de uma árvore com um baque. As crianças que antes brincavam, olharam para mim com olhares surpresos, e logo em seguida as mães. Automaticamente levo a minha mão para meu capuz, me certificando se ele estava bem colocado. Olho para Peter, que tinha uma expressão incrédula, que mostrava claramente a frase: "Como diabos eu vou fazer isso?". Dou um sorriso e subo no topo da árvore e logo em seguida pulo para o escorrega. Olho em volta, procurando algum lugar para eu pular, porém só encontro o balanço.
Rapidamente, pulo para ele e subo pelas correntes, indo para o topo. De lá, pulo para outra árvore e enfim para a parede de tijolos, onde escalo e olho para Peter, que continuava no mesmo lugar.
Me viro e continuo correndo, completando o percurso calmamente.
Quando chego de volta no telhado da irmandade, sento-me com os pés balançando enquanto esperava Peter chegar. Espero uns cinco minutos até que ele chega arfante.
- Ganhei. - Digo. - Índios não se dão bem na cidade urbana? Hehe.
- Está certo. Você venceu. Vida longa aos índios. - Diz com ironia. Depois de alguns minutos conversando, descemos do telhado e entramos na irmandade.
Fomos em direção aos nossos quartos, porém Alex aparece com uma cara confusa.
- O que foi? - Pergunto.
- Algum de vocês sabe onde dá pra esconder um frasco de bactérias dizimadoras?
- Conseguiram fazer a cura, finalmente?
- Sim. Mas agora não sabemos onde colocar..
- Eu sei de um lugar perfeito. - Digo e os dois olham para mim curiosos.
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