Capítulo 31 - Morto ou vivo? (Animus)
É incrível como você consegue sentir o contorno certinho da faca quando ela está dentro de nós.
Ela é incrivelmente fria. Não sei quanto tempo se passou, mas para mim pareceram dias. Dias apenas encarando Cornélius espantado enquanto aquela faca perfurava cada vez mais meu abdômen. O tempo ficando cada vez mais devagar.
Começo a sentir um gosto doce em minha boca que julgo ser sangue, mas não deixo que escorra. Tento distrair minha atenção da dor, porém é praticamente impossível ignorá-la.
Conforme o tempo ia passando, a dor diminuía e uma outra sensação tomou conta de mim. Acho que isso significa que a morte está se aproximando. A cada respiração o ar ficava mais difícil ainda de puxar, parecia que estava levando uma nova facada no peito.
Cornélius vai tirando a faca lentamente, o que faz com que eu sinta milímetro por milímetro dela novamente. Sinto que minha visão vai escurecendo. Não aguentaria muito mais tempo.
Não. Eu não posso deixá-lo sair ileso novamente. Antes dele terminar de puxá-la, ativo minha Hidden blade da forma mais discreta possível e espero até eu conseguir sentir que a faca finalmente sair e o sangue começar a preencher onde outrora ela estava, para em um movimento rápido e preciso, eu fincar a Hidden blade em seu peito.
Ele me olha com uma cara surpresa, e ainda sem tirá-la levo a outra mão até minha aljava e tiro de lá uma flecha, e enquanto eu tirava a Hidden blade de seu peito, levava a flecha até sua cabeça, para o caso de não ter atingido nenhum ponto vital.
Escuto a faca de Cornélius caindo no chão e quicando algumas vezes antes de tudo ficar em silêncio.
Então eu desmaio.
Estou na floresta da tribo. Deitado em uma clareira. A minha volta está cheio de margaridas e girassóis. O sol aquecendo levemente meu rosto. Me sento devagar e observo o começo da floresta. Sinto alguém tocando meu braço de leve e olho para ver quem é.
O meu pai.
Me viro e o abraço. Ele estava com uma expressão preocupada e aflita, mas não me importo.
- Você precisa acordar, Teçá. - Ele diz. O encaro com uma expressão de dúvida.
- Acordar? Mas está tão bom aqui..
- Por favor, filho. Acorda! - Quando ele diz isso, sinto uma dor insuportável em minha região abdominal. Abro a boca para responder, mas começo a cuspir sangue. Minha boca também começa a doer. Parece que estou em dois lugares ao mesmo tempo, porém o outro lugar é frio e doloroso.
Me concentro na clareira.
- Porque tenho que acordar?
- Porque se você continuar aqui, vai morrer. - Ele me olha com uma cara suplicante. - Por favor!
Não sei se consigo.
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