Capítulo 30 - Descance em paz
"Fecho os olhos esperando a morte."
Escuto o barulho do tiro, porém não sinto nada. "É assim que é morrer?" Penso. Curiosa, abro os olhos. Me surpreendendo quando vejo minha mãe com uma cara surpresa, olhando para o seu braço esquerdo claramente quebrado e sangrando. Sua arma acabara de cair no chão, e atrás dela estava Peter, segurando um galho do tamanho de um taco de beisebol.
A cara dele estava surpresa pelo que ele havia acabado de fazer. Ficamos assim nos encarando por mais ou menos uns quinze segundos. Cada um mais surpreso do que o outro.
Eu sou a primeira a me recuperar da surpresa, e com um movimento rápido, me abaixo apoiando todo o peso na minha perna boa, e corto uma das pernas de minha mãe. Ela grita e dá um passo pra trás, trombando com Peter, que bate novamente nela com o tronco, dessa vez bem em sua mão furada.
Ela dá um giro, e ignorando a dor, desfere um soco na cara de Peter, que cai no chão desmaiado. Aproveito o momento, e tento enfiar a Hidden blade em suas costas, porém ela se desvia para a direita, e a lâmina acaba acertando seu ombro. Ela cambaleia para trás e saca sua espada com a mão ensanguentada. Seu braço quebrado estava imóvel. Apenas balançava quando ela fazia algum movimento.
Antes mesmo que eu possa fazer alguma coisa, ela brande a espada habilidosamente, fazendo um rasgo na minha cintura. Por extinto, coloco a mão no corte, dando a ela a deixa perfeita para me golpear com um chute. Caio para trás e fico estendida de barriga para cima. Minha testa começou a sangrar. Tento manter minha vista focada, porém o sangue começa a tentar entrar nos meus olhos, impedindo que minha vista se foque muito bem.
Minha mãe coloca o pé em minha barriga e aponta a espada entre os meus olhos.
- Me surpreendeu, garota. Estou orgulhosa de você. Seria uma boa templária. Descance em paz. - Ela leva a espada para trás da cabeça, e começa a descê-la.
Minhas mãos procuram desesperadamente algo no chão. A primeira coisa que consigo tocar é em um galho. Não perco tempo e seguro-o com força, levando-o até sua coxa da perna que estava em cima de mim. Ela se contorce, diminuindo a força que usava para me manter no chão. Sem perder tempo, empurro sua perna e me levanto, já com a lâmina ativada, e cravo-a em seu coração.
- Eu que digo, mamãe. Descance em paz. - Ela tenta dizer alguma coisa, porém apenas sangue sai de sua boca. Então seus olhos se viram e todo seu peso vai para meu braço. Sua cabeça cai totalmente para trás, fazendo seu chapéu cair como uma folha. Com todo o cuidado, coloco-a no chão e passo o dedo em seus olhos. Fechando-os. Pego seu chapéu do chão e coloco-o em seu peito.
Permito que uma pequena lágrima escorra pela minha face.
- Você que escolheu o lado errado, mãe. - Digo por fim.
Vou mancando até minha pistola caída e a pego, colocando-a no coldre. Faço o mesmo com a espada e vou até Peter e o cutuco. Ele resmunga baixinho e abre os olhos.
- O que aconteceu? - Pergunta.
- Está feito. Você desmaiou. Vamos embora. Acho que lhe devemos explicações...
- Oh, certo. - Ele se levanta, e eu nos guio até onde o jato estava pousado.
Assim que chegamos, Alex desce correndo e vem até nós. Ele passa seu braço em minha cintura, e eu passo o meu em seu pescoço, de forma que ele me apoie.
- Henri já voltou? - Alex nega com a cabeça. Subimos a rampa do jato e eu me jogo em uma das cadeiras. Ele pega um quite de primeiros socorros e o abre, pegando um pano e em seguida enrolando-o em minha perna.
- A bala saiu? - Assinto afirmativamente com a cabeça, segurando a respiração pra quando ele for puxar. Assim que ele o faz, não contenho um gemido de dor - Pronto. Agora só mais esse da testa.. - Ele pega outro pedaço de pano e posiciona em minha testa, e começa a limpá-la. Quando ele acaba, nossos olhares se encontram, e ficamos nos encarando. Depois de alguns segundos assim, ele desvia o olhar, constrangido. - Esses foram os mais graves?
- Acho que sim.. - Ele assente e se vira para Peter.
- Your turn. Teve algum corte? - Ele nega com a cabeça. Alex anda até ele e começa a examiná-lo. - Pra ficarem com ferimentos desse jeito... Vocês entraram em alguma luta. Eles não caíram na do frasco?
- Não... Eles perceberam. - Respondo.
- Você lutou contra o Bartholomeu?
- Não. Bartholomeu saiu correndo procurando o frasco verdadeiro. Quem lutou comigo foi minha mãe.
- Sua o que?! - Ele para de examinar Peter e olha para mim surpreso. Depois ele abaixa o olhar e volta sua atenção a Peter. - Sinto muito, diz. Quando eu ia responder, Henri entra no jato correndo e arfante, com um grave ferimento na perna e no braço.
- BOTA ESSE BAGULHO NO AR, JADSON! - Fico sem entender o tamanho desespero de Henri, até que consigo ver um batalhão de templários aparecendo por entre as árvores.
Alguns segundos depois o jato já estava no ar, tentando sair desesperadamente da clareira. Henri anda alguns passos e se apoia na parede do jato, parando para respirar. Alex corre até ele e o ajuda a se sentar.
Peter estava sentado no animus, prensando um saco de gelo em seu olho roxo. Eu estava na cadeira, com a perna enfaixada estendida. Alex coloca Henri na outra cadeira, e este não hesita em bater a cabeça na mesa com um baque alto, porém não se dá ao trabalho de levantá-la.
Todos nós nos olhamos assustados, pensando que ele havia desmaiado, ou quebrado o nariz por causa do barulho.
- Eu não devia ter lhe dado a espada, droga. - Diz ele sem mesmo levantar a cabeça.
Soltamos um suspiro de alívio, e Alex começa a enfaixar seu braço.
- Conseguiu o frasco? - Pergunto.
Sem falar nada, ele leva o braço bom para o bolso interno da jaqueta, retirando de lá o frasco e estende pra mim. Ele está igualzinho desde que Teçá o escondeu. Pego-o e o examino com cautela.
- E o que nós vamos fazer com ele? Esconder de novo?
- Não. Vamos fazer uma cura e deixá-lo em um lugar seguro, pelo caso do pior acontecer. - Responde Alex. - Levanta essa cabeça Henri.
- Me obrigue. - Desafia ele, ainda com a cara na mesa. Alex revira os olhos, e eu solto uma risada.
- Mas o que houve com Bartholomeu? Você o matou?
- Não. Aquele bacalhau saiu correndo com aquela bunda gorda balançando que nem uma gelatina. O bombadão também fugiu. - Ele diz.
- Anh... Gente? - Diz Peter, que até agora estava em silêncio. - Alguém pode me explicar o que raios está acontecendo?! Que frasco é esse? Porque vocês estão todos machucados e agem como se isso fosse normal, e PRA ONDE ESTAMOS INDO?! - Henri apenas vira a cabeça, ficando de lado, mas mesmo assim não a levanta da mesa.
- Sempre paciente assim? - Diz ele com ironia.
- Calma. Eu disse que vamos lhe explicar as coisas. - Digo.
- Sério? Quando? Porque você disse isso antes mesmo da gente entrar nesse jato!
- Bem.. Se você está tão impaciente.. Por onde quer começar?
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