Capítulo 27 - Entao era você...?! (Animus)
Sim! Seria perfeito! Isso sim seria um ataque surpresa!
Vou andando até a casa de pólvora e abro uma pesada porta de carvalho com o meu machado. Meus olhos saem a procura de alguma coisa que carregue pólvora o suficiente para causar uma grande explosão. Não encontrando nada na entrada, desço até o alçapão e acabo encontrando, no canto, dois barris cheios de pólvora. "Deve ser o suficiente" penso.
Coloco os dois barris até uma carriola de madeira que encontrei atrás da porta, e os levo até a casa de Cornélius. "E agora? Como vou fazer para coloca-los no andar de cima?" Fico pensando por alguns segundos até que tenho uma ideia.
Volto para a casa de pólvora e pego um grande pedaço de corda, depois volto para onde havia deixado os barris e saco uma flecha, amarrando a corda nela.
Posiciono-a na corda do arco e atiro por cima do corrimão sacada, de forma que a flecha caia com a corda, próximo aos meus pés. Amarro o primeiro barril na corda e puxo a outra extremidade. O barril foi subindo até que chegou na sacada.
Faço o mesmo com o outro barril.
Quando os dois barris estão um do lado do outro, me afasto e saco minha pistola, mirando no barril da direita e puxo o gatilho.
Acerto em cheio o barril, e assim que a bala crava no mesmo, não tenho tempo de fazer nada quando uma grande explosão acontece. Percebo que não estava longe o suficiente quando o calor da explosão começa a me levantar, me empurrando para trás, o que faz com que eu caia com um baque no chão. Minha visão vai escurecendo cada vez mais..
E então desmaio.
Acordo com um zunido infernal gritando em meus ouvidos.
- O que.. - Digo me levantando, mas paro me surpreendendo pelo som da minha voz. Ela estava rouca como se eu não bebesse água a séculos. O zumbido não havia parado ainda. Forço os olhos quando olho para frente, tentando me lembrar dos acontecimentos anteriores.
"Ah! É mesmo! Eu havia explodido a casa de Cornélius! Será que ele..." Não consigo terminar meu pensamentos, pois sou interrompido quando sinto a ponta gelada de uma espada em meu pesoço.
- Largue as armas. - Diz a voz atrás de mim. Lentamente, tiro a espada e meu machado da bainha, depois levo as mãos para o cinto de minha aljava e passo-a pelo meu pescoço, jogando ela para o lado e levanto as mãos em sinal de rendição. - A lâmina oculta também. - Como ele sabe sobre a lâmina oculta? Abro a boca para perguntar isso, porém ele me interrompe. - Apenas faça o que eu lhe mando. - Encurralado, abaixo as mãos e retiro as hiddens de meus pulsos, jogando-as pro lado também. - Perfeito. Agora... Foi você que explodiu minha casa?
- Então você é o Cornélius?
- Em carne e osso... Então foi você mesmo que a explodiu? - Isso foi mais uma afirmação do que uma pergunta, porém respondo assim mesmo.
- Sim, eu que a explodi.. Mas se me permite... Como é que você sobreviveu a explosão? Eu tinha certeza que você estava lá dentro... Não posso imaginar como você conseguiu escapar...
- Hahaha, jovem assassino...você tem muito o que aprender ainda.. Não lhe contaram? Ninguém vence Cornélius Procópio! - Ele não espera mais nenhum segundo e então desce a espada na direção de meu pescoço, pronto para arranca-lo fora.
Não penso muito quando rolo para a direita na direção de minha espada. Pego-a ainda rolando, e quando paro, entro em posição de defesa.
- Huhuhu. Você é bom.. - Ele me observa meticulosamente procurando alguma brecha em minha defesa, faço o mesmo, porém algo em sua testa tira minha concentração: uma fina, mas extensa linha branca.
Uma cicatriz.
Minha mente viaja até cinco anos atrás, no dia em que meu pai fora assassinado. Mais especificamente quando eu dei meu primeiro tiro com a pistola tentando acertar o assassino de meu pai. Eu errei o tiro, e ele passou raspando em sua testa.
No mesmo lugar dessa cicatriz.
- O que você tanto olha, assassino? Sou tão atraente assim? - Diz ele em tom de deboche.
- Você! Depois de todo esse tempo!
- Ahn? Eu o que?
- Não se faça de desentendido! Você que matou meu pai há cinco anos atrás!
- Seu pai? Desculpe-me, poderia falar com mais detalhes por favor? Matei tanta gente que não tem como eu lembrar quem é o seu pai.. Como ele era? Alto? Baixo? Gordo..? - Quanto mais ele falava, mais a raiva tomava conta de mim. Levo minha mão para dentro de meu casaco e tiro de lá a corrente Templária e a jogo no chão entre nós dois. Ele olha surpreso, ora pra mim, ora pra corrente. - Minha corrente! Ah! Lembrei! Você que era aquele indiozinho. E o seu pai era aquele grandalhão, não é? - Ele fica me encarando surpreso até que consigo escutar o barulho de vários cascos de cavalo se aproximando. Não demora nem trinta segundos e uma carruagem chega e para alguns metros atrás de Cornélius. Ele olha de soslaio para ela e então abaixa a espada - Eu adoraria continuar com esta conversa, porém estou atrasado. - Então dá as costas e entra na carruagem. - Guarde as minhas palavras assassino: da próxima vez você não me escapa! Liquidei com seu pai, e o próximo será você! - E então fecha a porta e a carruagem sai em disparada para fora de minha vista. Sinto vontade de correr atrás dele, subir na carruagem matá-lo da pior forma possível, porém estou cansado demais para isso.
Esgotado, deixo minha espada cair no chão, me abaixando logo em seguida e sentando-me, contemplando a grande nuvem de fumaça de pelo menos oito metros a minha frente.
- Desculpe-me pai, não foi dessa vez. Mas na próxima eu prometo que o matarei!
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- Teçá! Voltou mais cedo do que eu esperava... E então? Conseguiu derrotar Cornélius? - diz Victor assim que ele me avista chegando na praia. Estou exausto. Não queria me lembrar das horas anteriores. Eu queria mesmo era dormir um pouco. Mas mesmo assim faço um esforço para falar com Victor.
- Não... Ele escapou da explosão que eu causei em sua casa e...
- Você o que!? Explodiu a casa dele?? - Faço um sinal afirmativo com a cabeça. - Idiota! O ponto forte de Cornélius é o fogo. Você deveria te-lo atacado sorrateiramente. Principalmente em seu lado esquerdo, onde ele sempre deixa uma brecha aberta.. Bom, primeiro você precisaria silenciar o gato dele... Mas nunca, em hipótese alguma use fogo!! - Ele parecia tão certo do que estava falando, como se conhecesse Cornélius como ninguém. Como ele sabe de tudo isso? Arrisco uma pergunta.
- Fico me perguntando... Como sabe tanto sobre Cornélius? Você não tem cara de quem luta com ele toda hora.. Ou que são parentes ou algo do tipo. - imediatamente sua expressão muda para uma mistura de tristeza e dúvida. Ele lentamente se senta em uma pedra e fecha seus olhos, apoiando sua cabeça em suas mãos entrelaçadas.
- Bem, acho que está na hora de lhe contar a verdade. Sente-se pois isso vai ser longo. - Olho em volta procurando algo em que eu possa me sentar. Como não encontro nada, me sento no chão mesmo, olhando com curiosidade para Victor. Ele então abre os olhos lentamente e olha para mim com um olhar profundo. Por fim ele dá um longo suspiro e começa a falar. - Teçá, sabe por que eu abri uma exceção pra você quando aceitei treiná-lo? Mesmo depois de ter dito que não treinava mais ninguém. Que já estava aposentado, mas mesmo assim eu resolvi treiná-lo.
- Sim, eu me lembro. Mas você não me disse o porque de ter mudado de ideia.
- Bem, eu já estava prestes a ir embora quando olhei para sua expressão. Não sei descreve-la perfeitamente, mas conheço-a como ninguém. Um misto de raiva, indignação e tristeza por ter lutado, sacrificado tudo o que tem para então chegar onde está, e tão perto da vitória, você cai. - Ele fez uma breve pausa e depois continuou. - Como eu disse, eu já à havia visto antes em um garoto um pouco mais novo que você. Por causa dele eu me aposentei.
- Mas você o treinou?
- Ah, sim. Eu o treinei de bom grado. Ensinei tudo o que sabia, tudo mesmo. Quando o treinamento acabou, ele disse que queria se tornar um assassino. Claro, a irmandade o recebeu de braços abertos. Quando a cerimônia estava acontecendo, um grupo de templários invadiu o local. Fomos pegos de surpresa, não tínhamos como nos defender, pois como você bem sabe, não levamos nossas armas nas cerimônias.
Nós conseguimos nos defender relativamente bem, porém os templários conseguiram pegar o meu aprendiz.
Flashback: (Victor's POV)
- Victor!! - Consigo escutar meu mais jovem aprendiz gritando desesperado. Termino de nocautear meu oponente e dou um giro de noventa graus na direção de onde eu ouvira o grito. Lá estava ele: no colo de um templário que o segurava com força, impedindo-o de escapar.
- Aguente firme! Estou chegando! - Digo isso começando a correr na direção do templário que estava segurando meu aprendiz. Quando finalmente estava há cinco passos do templário, escuto um grito surpreso atrás de mim. Reconhecia aquele grito de qualquer lugar: era de João meu melhor amigo. Me viro para ver o que estava acontecendo, me deparando com a cena dele lutando desesperado contra três templários armados até os dentes. João não estava tão longe de mim também. Era óbvio que ele iria perder se eu não ajudasse, mas era evidente também que meu aprendiz não iria conseguir se livrar do templário. Não conseguiria salvar os dois.
Então eu tomei a decisão mais difícil da minha vida.
Dei meia volta e fui ajudar João. Juntos conseguimos derrotar os templários. Assim que eles foram derrotados, olhei rapidamente para onde meu aprendiz estava sendo segurado, foi então que eu vi pela primeira vez aquela expressão estampada em seus olhos.
- Raiva, indignação, tristeza, ódio, a sensação de ser traído.. Tudo junto em apenas uma expressão. Nunca pensei que isso seria possível, mas foi. Eu à vi por uma fração de segundos, pois logo depois o templário fugiu o carregando. Porem ela grudou em minha mente como cola. Sempre que fecho meus olhos eu vejo essa expressão.
- E o que aconteceu com seu aprendiz? - Pergunto com medo de onde isso vai chegar.
- Ele virou um templário sem pensar duas vezes. Até hoje ele está vivo e forte. Tanto é que você o conheceu esta noite. - Assim que ele diz essas palavras, minha "ficha cai". Engolindo em seco, pergunto com receio das minhas suspeitas estarem certas.
- Você está querendo dizer que...
- Sim, Cornélius Procópio foi meu aprendiz. - Como temia: eu estava certo.
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