Capítulo 23 - Templários, preparem-se! (Animus)
A cerimônia dos assassinos foi mais rápida do que eu pensava, apesar de todos aqueles "rituais" estranhos, transcorreu tudo rapidamente.
Antes dos assassinos irem, eu ganhei uma roupa bem parecida com a de Victor, e se eu não me engano, com as dos outros assassinos também. Era uma roupa simples, azul marinho com alguns detalhes brancos e tinha também um grande capuz. Grande o suficiente para que ninguém veja meu rosto.
Eu até que gostei dela.
Victor concordou em me dar o nome de alguns templários daqui. Há vários, porém o que mais me chamou atenção foi o Cornélius Procópio, um senhor de engenho que escraviza índios mais do que ninguém.
A minha sorte é que ele não mora muito longe daqui: bastava andar por alguns quilômetros que já era possível ver seus campos de plantação ao longe.
Cornélius também era o senhor do engenho mais poderoso do Brasil, e que ele não iria parar de escravizar índios, ao menos que estivesse morto, afinal, ele era muito insistente.
Não perdi tempo, e assim que escureceu me dirigi até onde ele mora.
E aqui estou eu, em baixo de um Salgueiro à alguns metros da plantação de Cornélius, esperando ficar totalmente escuro. O que não demora muito.
Saio de meu "esconderijo", e desço o morro onde me encontrava.
Meu plano era simples: chegar escondido na plantação, libertar os escravos, entrar na casa dele, matá-lo e sair.
Assim que desço, vejo uma grande cerca me impedindo de continuar. "É claro que teria uma cerca" penso irônico.
Me preparo para subir, colocando as mãos e os pés nos espaços entre as tábuas e pulo para o outro lado com um pequeno baque.
- Ei! Tem alguém aí? - Escuto alguém dizer não muito longe de mim, seguido por diversos passos.
Eu chutaria de umas três pessoas. "Acho que não devia ter pulado" penso, me repreendendo.
Me escondo rapidamente entre umas canas-de-açúcar. Não estava totalmente escondido quando o primeiro homem apareceu. Ele olhou para os lados (inclusive em.minha direção), porém não viu nada.
- Provavelmente deve ter sido aquele maldito gato de Cornélius. - Disse o homem assim que os outros dois chegaram olhando para os lados. - Ele sempre faz isso.
- É... Provavelmente sim. - Diz o outro ainda olhando em volta. - Aquele gato é obra do capiroto.. Não me surpreenderia se fosse ele.. De qualquer maneira é melhor voltar para os nossos postos. Se Cornélius nos ver aqui.. Vish! Não quero nem imaginar..- Diz enquanto se virava seguido dos outros.
"As pessoas geralmente vêem o que esperam ver" um ensinamento de Victor passa pela minha cabeça assim que os guardas vão embora. Espero mais alguns minutos antes de sair do meio das canas e vou direto para senzala, onde Victor me disse que os escravos ficavam.
Os guardas não ouvem quando corto as correntes com meu machado. Porém os escravos sim. Todos eles levantam sobressaltados me encarando com um misto de medo e curiosidade.
- Estão livres agora. Vim ajudá-los. - Todos os escravos se aproximam de mim me olhando com agradecimento. Eles saem da senzala um por um e começam a se esgueirar entre a plantação... Com exceção de uma escrava anciã, que continuava encolhida em um canto olhando para a parede. Parecia que ela segurava algo. - Senhora? Está livre agora. Precisa de ajuda para se levantar?
Ela se vira lentamente, e então, com muita dificuldade se levanta. Me aproximo para ajudá-la, porém ela me impede com um aceno de cabeça.
Ela vem até mim e fica me encarando. Depois ela olha para os meus braços e toca em meus músculos com a ponta do dedo. Por fim ela diz:
- Fico grata por ter nos libertado. Porém preciso de um grande favor seu. - Diz abaixando a cabeça. - Você parece ser forte e habilidoso. E seu ato provou que é digno de confiança.. Já estou velha, e não tenho muito tempo de vida. Fui a guardiã desse objeto desde meus dezesseis anos.. Não conseguiria protegê-lo por muito mais tempo. Assim como foi passado para mim, eu lhe entrego isso. - Ela estica para mim um objeto embrulhado cuidadosamente em um cobertor. - Pode descobri-lo, mas não o abra por nada. Não o deixe cair. Cuide dele como se sua vida dependesse disso. O que é um fato... Coisas terríveis irão acontecer se ele cair em mãos erradas.. Por favor, é o que eu lhe peço. Cuide dele. Eu confio em você. - Levanto a ponta do pano para ver o que era esse objeto. Me surpreendo quando vejo apenas um frasco de vidro totalmente vazio.
- Mas.. O que é isso? Um frasco vazio? Porque teria que protejer isso?! O que acontece se eu abri-lo?
- Não posso explicar.. É algo que ainda não é inteiramente conhecido pelos humanos.. Mas uma coisa é certa: devemos cuidar dele como se apenas isso importasse. E ele não está vazio. - Então ela dá a volta em mim e sai, porém para na porta. - Eu confio em vocês. Teçá, Alice. - E então sai porta afora.
- Espere! Alice? Quem é Alice? - Tento alcançá-la, porém ela já se foi.
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