Capítulo 12 - Quem está esperando no carvalho? (Animus)

Eu estava em minha estalagem, deitado em uma cama simples. Já estava quase amanhecendo, e até agora não consegui dormir. Passei a noite em claro remoendo as informações da noite passada. Não tinha sono, porém estava cansado. Me perguntei diversas vezes sobre o que ou quem estaria esperando naquele carvalho.

A curiosidade acaba vencendo, e eu acabo levantando da cama. Afinal, mesmo que eu ficasse aqui, não conseguiria dormir.

Olho pela janela. Ainda faltam algumas horas antes do sol nascer, mas como eu não faço ideia de onde fica esse tal de orvalho caído, resolvo sair logo. Pego meus poucos pertences e os coloco dentro de um pequena toalha, amarrando-a em minha aljava. Pego meu saco de moedas e saio do quarto.

A estalagem estava deserta a essa hora. O atendente que ficava no balcão quando cheguei não estava lá. Eu não faço ideia de quanto vale uma moeda, e nem o tanto que tenho que pagar, sendo assim, abro o saco e tiro de lá 5 moedas e deixo em cima balcão.

🔻🔻🔻

"Ali!" Penso assim que consigo ver o carvalho. Ele estava bem perto da praia. Não muito distante de onde eu me encontrava.

Como eu não achava de jeito nenhum aquele carvalho, e o sol já estava praticamente nascendo, acabei subindo no topo de uma igreja para ter uma visão mais ampla de recife. Até que foi uma boa ideia, pois além de eu ter encontrado o carvalho, eu pude ver a cidade, e caso eu precise ir para algum outro lugar, eu já teria o mapa na minha cabeça, e não perderia tempo procurando.

Desço da igreja pelas sombras e começo a andar até a praia. As ruas estavam totalmente desertas, o que facilitou para mim, que não precisei andar com tanto cuidado. Mas mesmo assim andei pelas sombras. A última coisa que eu quero é ser alvo de algum olhar curioso, ou de algum guarda holandês sem rumo.

Não demoro muito para chegar no local combinado, que também estava deserto. Quem quer que deveria estar aqui agora, ainda não chegou. Me abaixo para poder me sentar na areia, porém sou interrompido por uma voz conhecida que vinha de trás do carvalho:

- Até que você chegou na hora.. Muito inteligente ter subido naquela igreja para procurar o carvalho. A maioria fica andando até achar, mas nunca chega a tempo. - Dou a volta no carvalho, encontrando Victor sentado na areia. Ele estava praticamente irreconhecível com aquele capuz branco sujo e com uma roupa verde musgo com branco.

- Você estava me observando?

- Você não percebeu? Hum... Então você está pior do que eu pensava. - Ele se levanta. - Se eu fosse um templário, você estaria perdido. Bem, você disse que quer que eu te ensine.. Tem certeza? Meu treinamento é muito pesado.

- Sim! Pode ser o treinamento mais pesado ou mais fácil do mundo. Eu não me importo. Tudo o que eu quero é ficar mais forte para ajudar as pessoas.

- Bem.. Se tem certeza.. Seu treinamento começa agora, mas eu me recuso a ensinar alguém que usará as habilidades adquiridas aqui para outros fins sem ser ajudar os outros e depois virar um maldito templário.

- Eu não vou usar pra benefício próprio! Nunca. Muito menos virar um templário.

- Então jure. Jure que nunca usará suas habilidades para o mal da sociedade, mas para o bem, somente para o bem, e nunca para vingança ou benefício próprio.

- Juro. - Entre a escuridão de seu capuz, consigo distinguir um leve sorriso de satisfação no rosto de Victor.

- Ótimo.

🔻🔻🔻

Estou exausto. O treinamento de Victor é bem pesado. Nunca pensei que eu iria me cansar novamente por causa de um treino. Parece que eu estava enganado. "Não importa o quão bom você seja. Sempre vai ter alguém mais forte. Nunca subestime um treino, pois sempre há coisas novas pra aprender" disse Victor no final do dia.

Eu estava encharcado de suor e de água salgada, pois 80% do treino dele foi no mar. Acho que isso foi o que me cansou mais, pois todas as vezes que eu me desviava de Victor, tinha que fazer o triplo da força que usaria em terra.

Ficamos até começar a escurecer dentro da água, e depois fomos para terra firme e escalamos rochas altas. O treinamento só acabou quando a lua estava bem no centro do céu, e eu pedi, já pela quarta vez, para que parássemos.

E aqui estou eu, deitado na macia areia da praia, ao lado de Victor que dormia profundamente.

Embora eu esteja exausto, não sinto nenhuma vontade de dormir. Me levanto e ando pela praia. Pego do bolso a corrente templária. Ela brilhava com a luz da lua. Aperto ela com força e faço uma promessa silenciosa: "Justiça. É o que eu vou fazer. Vocês nunca mais vão matar ou prender gente inocente. E eu vou me certificar de que isso aconteça. Você vai ver pai. E vai ficar orgulhoso."

Fico mais algumas horas caminhando pela praia até o sono chegar, e volto para nosso acampamento improvisado.

Assim que me deito sinto-me desconfortável. Como se alguém estivesse nos observando...

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