Capítulo 10 - Recife (Animus)
Embora meus objetivos fossem claros, eu não podia negar que Recife era linda: suas planícies e morros se estendiam até onde os olhos podiam alcançar, as ruas formavam lindos labirintos, que eram animados por desde crianças até velhos e bêbados. Embora eu estivesse relativamente longe da praia, a brisa suave que carregava o leve cheiro salgado do mar batia em meu rosto, o que me trazia uma sensação reconfortante. Embora eu só tivesse visto o mar uma vez na vida, e não me lembrasse direito como era, pois era muito novo, qualquer coisa que estivesse relacionada ao mar me deixava feliz.
Já estava anoitecendo quando cheguei, sendo assim, o movimento nas ruas diminuía rapidamente. Embora a roupa que usava escondesse perfeitamente minha pele, resolvi não arriscar e esperar anoitecer para sair da cobertura que a floresta me fornecia.
Assim que anoiteceu, sai agilmente de meu esconderijo e comecei a andar pelas ruas de Recife, um pouco sem rumo. Tudo bem, eu estava lá para libertar os escravos e achar esses templários, mas... Eu não tinha pensado em como eu faria isso.. Afinal, eu só tinha uma pulseira.. Nada mais. E também eu não faço ideia de onde os homens brancos deixam os escravos. O que dificulta meu trabalho.
Ando por mais um bom tempo, até que ouço o alguns homens gritarem ao longe:
- Amanhã vocês serão vendidos, então, se preparem e durmam para ficarem apresentáveis.. Talvez vocês possam valer mais se estiverem descançados. - Não é necessário continuar ouvindo, pois com certeza são os holandeses falando com escravos. Saio correndo em direção ao som, já com o machado em punho.
Quando finalmente chego, me deparo com uns cinco holandeses que gritavam com um grupo de mais usou menos quinze escravos amarrados uns nos outros. Eles estavam em uma jaula pequena demais para todos. Tão pequena que estavam praticamente uns em cima dos outros. Não me seguro quando avanço, com raiva, na direção deles com o machado acima da cabeça.
Os holandeses não percebem quando eu chego por trás, e ataco o primeiro homem, acertando sua cabeça. Antes mesmo que ele caísse no chão, parto para cima do segundo, que como estava surpreso pelo ataque súbito, não sabia o que fazer em seguida. Então simplesmente cortei seu pescoço.
O terceiro homem, já havia se dado conta do que estava acontecendo, e sacou sua espada. Mas isso não adiantou muito, pois, antes mesmo de ele conseguir entrar em defesa, eu ataco corto seu peito, e logo em seguida seu pescoço. Os outros dois restantes sacam suas pistolas, e miram em mim, prontos para atirar. Porém pego o corpo do terceiro e o uso como escudo quando atiram. Largo o corpo, e saco a espada.
Corro na direção do homem da esquerda, e a enterro em seu peito. O último homem, apavorado, sai correndo. Não posso deixar que ele chame reforços, sendo assim, saco minha pistola e atiro nas costas do homem.
Assim que ele cai morto no chão, guardo minhas armas e olho para os prisioneiros: de fato, eram quinze no total, todos com a pele igual a minha, ou mais escura. Eles me encaravam assustados.
- Calma. Vim libertá-los. - Tiro o capuz, para que possam ver minha pele. Imediatamente, vejo suas expressões mudando de medo para gratidão. - Aguentem só mais um pouco.. - Uso meu machado para quebrar o cadeado, e cortar as correntes que os prendiam. - Agora, não muito longe daqui, há uma floresta. Basta andar poucos quilômetros para o norte, e vocês chegarão até ela. Depois disso, vocês estarão livres.
- Somos eternamente gratos pelo que você fez. Obrigado. - Diz um deles, e todos os outros concordam com a cabeça.
- Não há de que, irmãos. - Respondo. - Boa sorte. - Dito isso, todos começam a se esgueirar por entre as casas, sumindo de vista. Me viro para ir embora também, porém sou interrompido por um dos escravos, o único que não havia saído do lugar até então.
- Hey, templário. Tome isso! - Ele parte para cima de mim sem aviso prévio, e tenta dar um soco em meu peito, porém me abaixo antes.
- T.. Templário? O que sabe sobre eles? Porque está me atacando? Não quero lhe machucar. - Digo, me desviando de seus repetidos golpes, mas sem revidar.
- Hahaha. Se fingindo de desentendido é? Pois tome isso. Irei lhe mostrar um pouco de minha força verdade. - Ele se joga em cima de mim, e rola, fazendo-me perder o equilíbrio e cair. Agilmente, ele se senta em cima de mim, e puxa meus braços para trás, me imobilizando. - Da próxima vez, templário, guarde bem seus pertences quando for ficar na frente de um assassino como eu! - Ele joga um objeto na minha frente. Demoro um pouco para focalizar o objeto que cintilava com a luz da lua:
A pulseira do templário.
- Como você...
- Você deixou cair quando estava cortando nossas amarras. Mesmo grato por ter nos tirado de lá, você continua sendo um templário. E templários devem morrer, independente de suas ações! - Ao dizer isso, ele pega minha espada da bainha, e a levanta acima da cabeça.
- Espere! - Ele para a espada assim que toca em meu cabelo. - Olha, eu não sei porque você quer me matar. Eu não sou esse templário do qual você está falando! Pelo contrário, eu quero matá-lo tanto quanto você.
- Se este é o seu desejo, porque carrega um objeto templário?
- A pulseira que deixei cair.. Meu pai a cortou de um templário cinco anos atrás, quando ele estava invadindo minha tribo.
- Oh. Então você não é um templário? É só um garoto comum? Hum.. - Ele se abaixa e olha nos meus olhos. - Bem, seu olhar traz a verdade. - Ele sai de cima de mim e estende a mão. - Desculpe por isso garoto. - Aceito sua mão e me levanto.
- Ei, você sabe o que são templários? - Ele faz um sinal afirmativo com a cabeça. - Ótimo. Então, me conte o que eles são, por favor.
- Porque eu deveria lhe contar?
- Porque eu quero fazer justiça. Eles mataram meu pai e destruíram minha tribo. Preciso saber o que eles são ou pelo menos o que planejam, para então impedi-los.
- Certo.. Me convenceu. Te contarei a história, mas preste bastante atenção, pois não falarei novamente. - Ele me conta a história dos templários, seus planos, representantes, etc. desde sua origem até os dias atuais. Ele também me contou sobre a ordem dos assassinos, que lutam contra os templários, impedindo-os de dominarem o mundo. Ele finaliza contando sobre os maiores mestres assassinos: Altair e Ezio Auditore.
- E como eu encontrarei os templários? - Pergunto impaciente, assim que ele termina a história.
- Calma garoto. Se você veio até aqui só por causa dos templários, então dê meia volta e volte para sua tribo. Nós, assassinos temos tudo sob controle e estamos cuidando disso. Além do mais, com essas habilidades, você não sobreviveria em uma luta nem mesmo contra o mais fraco dos templários.
- Eu imploro para que me ensine. Porfavor, eu não aguento mais ficar parado sem fazer nada, principalmente agora que você me contou tudo isso.
- Percebo que seu espírito anseia por justiça. Provavelmente eu lhe ensinaria o que sei de bom grado. Porém, estou aposentado. Então, nada feito. - Ele se vira para ir embora, mas para subitamente. Ele fica parado, pensando baixo por alguns minutos, e diz: - Mas, se você quiser mesmo aprender, vá até o carvalho caído, a leste daqui, amanhã assim que o sol nascer. - Então se vira novamente, e começa a andar para ir embora.
- Espere! Ao menos me diga o seu nome.
Sem mesmo se virar ele responde:
- Victor. - E vai embora, me deixando sozinho com meus pensamentos.
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