° Capítulo 03 °
Ela olhava para a caixinha com ironia, comida chinesa não era uma das suas preferências, mas ela mordiscou alguns pedaços para não fazer desfeita com Bruna. O convite inesperado a pegou de surpresa quando voltou do templo, a mãe de Malu convenceu a felina de participar de um jantar descontraído com boas risadas, os Monteiros eram uma boa companhia que ela sempre apreciara, quando foi obrigada a se afastar ressentiu a falta deles, mas era a decisão certa a se tomar. Logo estranhariam quando a gata não adoecesse ou ficasse velha e ela não poderia se por a esse risco, teve que deixar Malu, a pobre criança ficou meses atrás da gata, perguntando a todos os vizinhos próximos, a felina lembrava-se como foi doloroso.
Mas ela voltara agora como Cat, um trocadilho que achou divertido, a jovem mulher com um poderio econômico e um acervo de artefatos, não demorou para ingressar entre os doadores do museu, fazer parte do restrito conjunto de patronos.
— É muito bom ver jovens como você — John disse indicando para Bastet. — Interessados em algo que não seja celulares e redes sociais.
— Pai! — Malu resmungou.
John estendeu as mão em forma de rendimento, fazendo sua esposa ri timidamente.
— foi só uma observação, filha — ele brincou — Tenho certeza que a Cat não se ofendeu, não é mesmo?
Bastet assentiu sorrindo, depositou a caixinha, ainda com comida, sobre a mesa de madeira polida, John e Bruna continuaram a conversa por boas horas, a felina não foi tão participativa, pois Tarden ainda era sua preocupação. A deusa amava aquele garoto como filho, logo ser bruta com ele não era um dos seus métodos preferidos.
— Odeio ser indelicada, mas preciso ir — ela falou. — Obrigada pelo jantar.
— Você é sempre bem vinda, Cat — Bruna garantiu com um sorriso sincero.
O caminho até sua casa não era tão longo, como sempre ela optou por ir andando, aproveitando a brisa sobre suas feições delicadas, a noite era convidativa com seus sons naturais. Dessa maneira, ela não entendia como os humanos conseguiam se adaptar ao som irritante de carros, máquinas e outras invenções, tudo isso era o contrário do que era familiar. Prosseguiu sozinha pela rua pouco movimentada fazendo ela recordar do dia em que ele estaria convencendo-a a segui-lo, a felina riu amargamente, era tão tola e gostava de se submeter ao perigo, havia ganhado consequências de tais atos.
Quando passou pelo parque seus pés pesaram, os balanços seguiam o curso do vento, rangendo pela estrutura de metal degastada, como em uma retrospectiva as imagens sucediam com força total, ela rindo da ideia inesperada para adiante ao ver o sangue de uma deusa jorrar sem piedade, em nenhum momento ela viu arrependimento da parte dele. Eram lembranças que prendia na parte sombria da sua mente, mas elas sempre escapavam para lhe atormentar, se virou para seguir caminho, porém o farfalhar de folhas fez os olhos claros fitarem a o local de onde vinha, demorou alguns minutos atenta mas nada ocorreu, talvez fosse um gato, eles sem aproximavam dela sem temer, pois sabiam que estariam em segurança.
Fagulhas saiam do fogo após ter chegado em casa, Azila tinha mania de aquecer nesses últimos dias com a chegada do inverno, então a felina não deu atenção quando encontrou acessa, quem sabe não chamava Mason para fazer companhia, ela não duvidava que ele aceitaria com prontidão. Retirou os sapatos para logo se sentar diante da lareira com as pernas cruzadas, a casa ficou em silêncio como de costume, Azila se recolhia cedo e só restava a felina ler algum livro ou estar na com Malu ou Mason, quando se encontrava na cidade.
Mas como na noite anterior ela sentiu graus baixarem, o fogo já não supria mais o frio, a deusa olhou para todos os lados irritada, que tipo de brincadeira aquela novamente? Se o alvo era deixá-la furiosa haviam conseguido, a deusa levantou seguindo para o centro da sala com suas unhas crescendo gradativamente para por um fim naquela brincadeira estúpida, seu sentido ficaram mais apurados, percebendo que havia algo ou alguém presente, estava rondando ela.
— Mostre seu rosto antes de dar seu último suspiro — ela ordenou impaciente.
Os olhos amarelados foi a primeira coisa que vislumbrou, seguido do sorriso presunçoso e o maxilar marcante centímetros perto dela, não queria crer nos que seus olhos estavam vendo, como podia? Tomada por incredulidade e assombro ela fez um movimento rápido cravando suas unhas afiadas na garganta de Hades, sentindo uma enxurrada de emoções a invadirem.
Mas o deus do submundo só exibia um sorriso sarcástico em resposta, em uma velocidade sobrenatural ele a empurrou contra a parede mais próxima, fazendo a costa dela arquear com o contato inesperado, mas ele manteve sua mão sobre a cintura dela, enquanto a felina continuava com aos unhas ao ponto de mata-lo quando injetasse o veneno, uma dança da morte. O deus não aparentava estar nenhum pouco aflito, com ousadia levou uma das mão até os lábios carnudos da deusa, a deixando ofegante com contato, Bastet se odiou por permitir sentir aquilo, ele só merecia seu ódio, nada mais.
— Sentiu saudades, amor? — ele inquiriu com o polegar traçando linhas na sua boca.
— Tire seu dedo antes que fique sem ele — a felina silabou, sem desviar dos olhos amarelados.
o deus riu baixinho se divertindo com as ameaças dela, ele não mudara nada, a felina observou. Não só como o humor ácido a sua aparência também estava intacta, não tinha envelhecido uma dia sequer.
— Você já foi mais divertida, Bastet.
— Se veio lutar faça logo — ela falou ignorando seu comentário. — Assim derramo seu sangue de uma vez.
— Não seja tão rancorosa — provocou. — Um licor seria melhor.
Para surpresa da deusa ele a soltou, mas mantendo a mesma distância, Bastet revirou os olhos com sua petulância costumeira, Hades adorava brincar antes de partir para seu propósito.
— Você veio procurar a morte.
Ele se aproximou novamente pressionando o corpo curvilíneo da deusa contra parede, ela sentiu a respiração quente perto da sua orelha provocando leve arrepios, praguejou pela resposta do seu corpo, era uma mulher não um bichinho vulnerável.
— Eu sou a morte, princesa — ele sussurrou lentamente despertando algo nela. — Você que deve temer.
Bastet o empurrou nos ombros saindo da encruzilhada indesejada, não daria o triunfo para ele, ficou séria como se nada há cinco segundos tivesse afetado alguma parte dela.
— Você não me assusta, Hades.
Não permitiria que fosse intimidada, em toda sua imortalidade muitos tentariam fazê-la recuar por medo ou lutas, todos a subestimavam, mas Bastet era mais forte do que demonstrava, afinal quanto menos o inimigo soubesse mais suscetível seria.
Hades observou a sala, parando por milésimos no lugar onde ficou o quadro, calmo se se importar com todo ódio nutrido pela deusa do seu lado, a felina pensara o quão irracional ele foi aparecendo aqui, ela poderia matá-lo. No entanto, uma parte sua estava curiosa com ele ali, ela queria indagar, mas mordeu a língua.
— Sei de todos os seus passos — ele falara por vez. — Sei do humano que a quer, da humana que você tanto protege e Tarden.
O frio percorreu pelo espinha dela reagindo com o assombro no rosto, ela tentava formular um explicação coerente para aquilo, lembrava de tomar todo cuidado em relação a proteção de Tarden, desde de entrar e sair do templo, tinha certeza de que não havia deixado rastros, então como ele descobriu e o que faria se soubesse a localização de Tarden? Bastet não era ingênua de acreditar que Hades não procurava de vingança, não esqueceria tão facilmente a traição dos dois deuses.
— Como? — balbuciou intrigada, ele estaria blefando?
Ele arregaçou a manga da camisa preta com tranquilidade, aumentando a ansiedade da felina pela explicação para se situar, pois o quanto Hades soubesse era uma vantagem para ela, cuidar e proteger Tarden era uma responsabilidade que ela pegou pra si e qualquer a ameaça tinha que ser liquidada.
— Eu tenho meus meios de obter o que quero — respondeu.
— Matando se for necessário suponho — ela replicou se referindo a deusa chinesa.
— Se eu não a matasse ela mataria você — ele disse compreendendo onde ela quis chegar.
Dessa vez a deusa riu da desculpa esfarrapada, em nenhum momento algum ele se preocupou se ela viveria ou estaria morta numa vala, Hades só nutria afeto pelos seu próprio interesse, ela pensou.
— Você já foi mais criativo, amor — ela repetiu suas palavras com ironia. — O que você procura aqui?
Quebrou espaço entre eles olhando para cima devido a diferença de altura, ela conseguia ver cada traço da beleza sobrenatural dele, os olhos amarelados era o toque irreal na sua masculinidade com os lábios levemente rubros. Ele por sua vez a fitava de volta, se ela não estivesse tão perdida naquela imensidão.
— Talvez eu aprecie olhar sua beleza — ele sussurrou sorrindo, mas a deusa engoliu seco desviando os olhos.
Mais uma vez ele brincava se esquivando de perguntas, atrás de respostas sedutoras, afinal era de Hades que estamos falando, o astúcia mora em seus olhos. Saturada daquela ladainha inútil ela se afastou dando alguns passos até a porta, girou a maçaneta abrindo a mesma, os olhos da felina miraram o deus num sinal autoexplicativo par ele ir.
— Dê o fora daqui e não me venha dizer que em algum momento se importou com minha existência — a deusa falou mantendo a pose impenetrável. — Não tente nenhuma façanha contra Tarden, não é culpa dele ter os pais que tem, ele não pediu pra nascer.
Mas suas palavras não teve o efeito que ela queria, o deus do submundo esboçou um sorriso simples com se já esperasse tal defensiva da parte dela, sendo assim andou até a soleira da porta vislumbrando a luz do luar sobre o rosto da felina, dando um contraste a mais na sua beleza, se isso ainda fosse possível. Ela tinha conhecimento que ele a reparava com precisão, mas Bastet apenas tomou aquilo como uma provocação, afinal foi para isso que ele veio, imaginou ela.
— Saiba que eu voltarei — garantiu com a voz firme.
— Você seria suicida se considerasse isso — ela replicou séria, queria deixar seus pesadelos presos. — É tarde demais para reparar seus erros.
Em algum momento dos anos que se passaram ela se pôs a esperar por ele, o mesmo nunca veio. A teimosia da deusa foi tão grande que se destinou a ir no submundo, afinal todos ali eram culpados, mas ela ainda sustentava uma centelha para os acontecimentos e isso envolvia uma explicação do próprio rei do submundo, nada disso se sucedeu, assim que ela tocou em um dos portais sua entrada foi impedida por ele, deixando a deusa entender que não era bem vinda. Sua vida seguiu adiante sem olhar para trás, na maioria das vezes.
— A raiva é uma escolha com consequências — confessou antes de olhar a última vez para deusa.
Desceu a pequena escada da entrada caminhando para parte menos iluminada da rua, se dissolvendo na escuridão.
Bastet olhou até ele sumir e voltou para dentro deixando o corpo cair na cama, ela sentiu orgulho de si, não havia derramado nenhuma lágrima.
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