Lapsos de memória perdidos

Foi durante a quarta ou ou a quinta sessão que os lapsos começaram a aparecer, confidenciei isso a psicóloga que me fez perguntas sobre como aconteciam e quando aconteciam. Tentei explicar calmamente, me forçando a lembrar de todos os detalhes:

- Normalmente quando estou prestes a cair no sono é como se eu vivenciasse um pequeno trecho de uma cena que depois tudo desaparece como fumaça, fico sem entender se realmente é real.

- E por que você acha que não seria?

- Porque em minha cabeça outra história faz mais sentido! - disse pensativa - as vezes acontece quando estou concentrada, algo vem e vai como se eu estivesse desligando e ligando novamente.

- Entendo Jihye! - ela anotou algo e passou os dedos sobre antigas anotações - já está preparada para me contar sobre essa preocupação, sobre a história que faz mas sentido para você?

- Você me acharia louca! - ri coçando a cabeça

- Não estou aqui para achar, nem fazer julgamentos, estamos aqui para entender pelo que você está passando.

Ponderei sobre contar ou não é por fim dei o braços torcer e comecei a falar:

- Sinceramente acho que não pertenço a esse mundo - a doutora se debruçou sobre a mesa demonstrando interesse no que eu falava - antes de acordar eu pertencia a outra realidade ao qual eu não conhecia Jung Hoseok, minha empresa estava enfrentando sérios problemas com corrupção e... e meu namorado havia terminado comigo. Daí um belo dia desejei que tudo aquilo acabasse e então booom eu acordei no dia seguinte nesse corpo, nessa vida!

- Entendo, e quanto a esses lapsos que tem vindo e indo, o que pensa sobre eles?

- Eu penso que estou a tempo demais aqui, que isso tudo está se fixando em mim e daqui a pouco minha verdadeira essência sumirá.

- Não pensou em nenhum momento que tudo possa ser real?

- E como me explica essa afirmação dentro de mim? Quer dizer eu quero acreditar, mas ao mesmo tempo tem essa outra parte que me faz duvidar.

Seu suspiro me preocupou o que aquilo significava? Será que meu estado era pior do que eu imaginava?

- Olha eu sei...

- Você já conversou com Hoseok sobre isso? - ela me interrompeu - sobre essas dúvidas e sentimentos?

- Não, tenho medo!

- De que exatamente?

- De que ele ache que sou doida, que tenho problemas mentais e sei lá.

- Se ele lhe ama, procurará entender e arranjara uma solução, ficar escondendo tudo só piora seu avanço Jihye. Faça uma tentativa de conversa calma, pedindo para ele ouvir e depois ouça-o falar.

- Devo falar dos lapsos também?

- Se achar confortável, sim. Peça também para ele contar o que esconde, uma relação com segredos não faz nada bem.

Os lapsos começaram a aparecer depois da pergunta que havia me feito sobre os momentos felizes que eu me lembrava, risadas, o calor de uma viagem e até mesmo o vento batendo em meus cabelos aqueceram meu peito na noite daquela pergunta, parece que ela desbloqueou um acesso que até então estava esquecido, trazendo peças que eu ainda não sabia juntar e o que significavam para mim, mas eram doloridas só de ver pequenos pedaços.

Barulhos da chuva forte, pneu derrapando ou buzinas altas e exageradas eram o que vinham e iam como fumaça me deixando ainda mais confusa, entretanto Hoseok tinha a resposta e se eu quisesse saber teríamos que conversar para entender.

- Você acha que eu tenho concerto? - soltei antes de finalizarmos a sessão, ao levantar os olhos notei seu sorriso terno sobre mim.

- Você não está quebrada Ma Jihye, apenas ferida. E somente você e seu marido tem o poder de fazê-la se curar!

Me curar...

Mas exatamente do que?

Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top