Carta III

3: Onsia (v.); "amar pela última vez"

Eu prometi que não te escreveria mais, mamãe. Mas já se passaram alguns anos e eu preciso escrever essa última cartinha.

Eu estou com 8 anos e estou morrendo.

Há alguns meses eu comecei a me sentir bem mal. Vômitos, cansaços extremos, febres e outras coisas.

A sra. Ísis me levou a médico. Eu nunca tinha ído ao médico antes. E é um lugar assustador, eu não quero mais voltar lá.

O médico disse que eu estou com câncer. Câncer de linfoalguma coisa . O câncer é curável e estou fazendo todos os tratamentos necessários mas não aguento mais viver. Eu quero ir pro céu, onde não há dor nem sofrimento.

A sra. Ísis disse que vai dar tudo certo, mas eu sei que não. Eu estou morrendo aos poucos. Eu sei disso. Eu sinto.

Então, estou aqui relembrando que há alguns anos, depois de aprender oque era onsay e ongubsy, eu aprendi oque é onsia.

E como sempre, me lembrei de você mamãe.

Por que as crianças daqui do orfanato não sentem mais saudades nem sentimento algum pelas pessoas que os abandonaram. E eu sinto. Todos os dias.

Eu sinto sua falta, mamãe.

E queria que você estivesse aqui comigo, mas sei que está muito ocupada com a sua nova família.

Não tem problema. Eu sei que você sofreu demais com o papai quando ele começou a beber e logo depois a te machucar.

Não lamento por ele estar preso e fico feliz que você tenha recomeçado, mesmo me deixando para trás.

Eu quero que você seja feliz, mamãe.

E eu sinto muito por ter te atrapalhado em alguma coisa. Eu só queria que você me amasse como eu te amo.

E eu estou a partir desta carta que provavelmente nunca será enviada, me despedindo.

Eu estou te amando pela última vez.

Peter.

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