Carta I
1: Onsay (v.); "fingir amar"
Hoje na escola eu aprendi oque é onsay. E isso me fez lembrar de você mamãe, e me fez querer escrever essa carta.
Eu me lembro como se fosse ontem. Outubro, dia nublado e frio. Quinta-feira, 15:37 da tarde. Você me disse adeus e simplesmente foi embora.
Eu tinha apenas 4 aninhos. Você era minha mãe. E Eu te amava mais do que tudo durante a pequena fase da minha vida.
Naquele momento eu quis, mais do que qualquer coisa, que Deus existisse, só pra ele amenizar a dor que a sua ausência causou em mim.
Eu chorei como uma forte chuva de inverno.
E esperei que você voltasse para me dizer que era apenas uma bricadeirinha e que me amava, mas você não voltou.
Depois de um tempo chorando e gritando pelo seu nome, a porta do lugar em que você me deixou se abriu. A moça me olhou com pena e se sentou ao meu lado.
- Ei, ei. - ela passou os dedos macios por debaixo de meus olhos tentando limpar as lágrimas que desciam descontroladamente por sua causa. - Cadê os seus pais?
Eu não respondi. Eu estava com medo. Eu queria minha família. E depois pensei: como eu queria minha família se eu nunca tive uma de verdade?
- Você está sozinho? - ela perguntou mais uma vez e eu assenti balançando a cabeça. Ela passou seus braços pelas minhas costas e me envolveu em um abraço. - Venha, vamos entrar. Não tenha medo, você está seguro.
Depois de alguns dias no orfanato com a sra. Ísis eu finalmente aceitei o fato de que você não vinha mais me buscar.
Eu era apenas mais um garotinho abandonado no meio de todas aquelas crianças, também abandonadas.
Eu não fiz amizades. As outras crianças me achavam estranho. A sra. Ísis dizia que com o tempo eu iria me enturmar, mas era mentira. Sempre foi. Tudo era mentira.
Inclusive, o fato de você me amava também era mentira. Você nunca me amou, mamãe.
Você fingiu me amar.
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