❄️ 3 Neve de Hardar❄️

Oi floquinhos de escamas, e aqui está mais um capitulo do conto! Boa leitura

Me aproximei de Belial vendo-o puxar mais seu manto querendo se proteger dos ventos, por seu jeito já sabia que ele não estava se agradando em nada do que estava passando.

Ele deu um passo à frente mudando completamente sua expressão para algo mais raivosos e assim baixei o olhar junto com ele o vento afundar na neve e quase cair para frente. Meus pés descalços também estavam afundados na neve alta, mas o grande problema de Belial era que ele usava suas famosas botas de salto.

— Você é um deus e nunca andou na neve para saber que péssima ideia usar salto fino na neve? — perguntei segurando o riso.

Ele revirou os olhos ficando mais enraivecido atentar dar mais um passo.

— Maldição de neve! Isso aqui é o inferno. — Ele gritou tentando marchar em direção ao castelo.

"Bem-vindo ao polo sul, vossa divindade" Respondi ele em provocação.

Belial bufou.

— Venha. — Coloquei seu braço em volta de meus ombros.

Lembro-me na época que achava Belial um louco por vestir tanta roupa e ainda um sapato que vinha até seu joelho tapando tudo, isso era mortal para minha raça caso caísse na água, apenas tecidos leves usávamos para prevenir acidentes, caso um Sereiano quisesse usar roupas já que para nós era mais comum não vestir nada.

Na Antártida era totalmente oposto já que o clima lá era tão gelado que realmente sentia frio, algo que nunca senti fora e nem dentro da água mesmo no inverno.

Sinh Yekohr nos guiou para dentro do palácio feito dentro do próprio gelo, sua entrada era oval e alta onde o símbolo do clã Yekohr estava esculpido no topo da entrada, uma espécie de flor que era vista nas próprias roupas de Sinh e sua esposa.

Belial bufava a cada passo nos fazendo ficar para trás, porém, não me importava, era até divertido o ver tão revoltado com a neve e brigando com ela. Se pudesse aposto que ele acabaria com o gelo da Antártida, isso seria ruim para suas preciosas criações já que os mataria, e para minha raça também já que os Sereianos que viviam aqui perderiam suas casas e consequentemente poderia afetar o palácio real.

Belial começou a subir as escadas soltando-me.

A cada passo que ele dava com seu salto temia que ele pudesse resvalar, seu salto era fino e prata. Seu preferido. Escuro como seus cabelos longos que batiam pouco abaixo de sua cintura e pela primeira vez, Belial tinha prendido um pouco deles em um fino rabo de cavalo para cima onde uma presilha dourada prendia. Era estranho já que algo reto e fino como uma agulha atravessava seu enfeite de cabelo, deveria ser mais alguma coisa humana.

Belial espirrou novamente me deixando aflito.

Sinh nos levou até uma sala comum não muito grande onde poderíamos deixar as crianças, por sorte, havia dois sofás ali que estariam no agrado de Belial. Precisando verifica-lo, interrompi o líder da cidade gelada que desejava mostrar os aposentos de cada um, chamando Triton, levamos Belial até um dos sofás.

Teiron logo surgiu magicamente pulando nas pernas de Belial e deitando ali protetoramente.

— Você está bem quente — disse tocando em sua testa e bochechas.

Ele estava bem quente para um deus que sentia frio e calor e estava num local gelado com vento frio.

— Vossa majestade pode deixar os filhotes aqui. — Ouvi a voz de Sinh falando certamente com Aiken que segurava a Akeni. — Tem um cercadinho para eles sob um tapete bem fofo, e meu... ah, Bayen ficará de olho nas crianças enquanto os reis tiverem ocupados em seus afazeres.

Olhei sobre os ombros notando uma nova silhueta de cabelos brancos, o tritão que ficou próximo a Sinh e sua esposa, porém, sempre com a cabeça baixa e silencioso. Seus olhos eram ametistas como os dois líderes e pelo porte era claramente um ômega, bem sorridente.

As reuniões deveriam acontecer o mais rápido possível, além do mais não poderíamos ficar longe por tantos dias do palácio real.

Tinha deixado Tayga no comando do exército enquanto estivesse fora, meus dois pais ficaram pelo palácio para ajudar a resolver qualquer problema que viesse ter, e já que meu pai Reikal era o atual líder Schifno por nomeado ele como regente, ele era perfeito para tomar decisões. Minha ideia era apenas vir com um punhado de soldados e deixar meus mais confiantes guerreiros no comando, todavia, Mukay desobedeceu a minhas ordens e Saki também vindo junto.

Mukay era um subcomandante escolhido por Triton ao ser um dos guerreiros mais forte e capaz de suportar a presença poderosa de um deus quando eles chamavam suas armas, Saki era a primeira tenente, a sereia que maior se saiu nos treinamentos e como tinha vagas para ser fechadas Aiken decidiu escolher Saki mesmo com meus protestos. Ter minha própria filha no exercito só me deixaria preocupado, mas todos a adoravam lá.

O chorinho da Akeni me despertou de meus pensamentos.

Aiken a largava no cercadinho enquanto ela protestava não querendo ficar sozinha ali, era um cercado tão grande para uma filhote. Pegando Akon no ar, Aiken colocou seu primogênito no cercado também onde ele correu para ver os brinquedos que tinha lá e com isso fez Hunter também querer entrar lá.

Para minha surpresa e alegria! Não iria correr pelo palácio atrás dele.

Akeni ainda chorava olhando para seu pai alfa, ela tinha apenas um ano, mas compreendia bastante coisa.

— Se me permitir, meu rei, posso deixar meu filhote para fazer companhia para a princesa. — Sinh mostrou seu embrulhinho coberto, seu filho, um tritão de cabelos brancos e bem curioso com seus olhos ametista.

Aiken aprovou e assim Sinh aproveitou para conversar mais abertamente com meu filho adotivo.

Toquei novamente na testa de Belial que resmungou se jogando para trás.

— Vou ficar com você para te cuidar — falei a ele baixinho. — Acho que uma sopa de caramujos e algas vai te ajudar.

Belial fez cara de desprezo. Tinha receitas que ele odiava, mas poderia melhora-lo então enfiaria em sua boca mesmo.

— Quem é o encarregado pela comida, Sinh Yekohr.

— Apenas Sinh está bom. — Ele disse sorridente. — Pode pedir para qualquer tritão que encontrar que eles passaram seu pedido para a cozinha, mas se quiser posso pedir para um Sereiano ficar a posto.

Balancei a cabeça em negativa.

Olhei para Triton, talvez ele pudesse curar Belial com seus poderes da luz.

— Eu estou bem, pode fazer seus assuntos, só vou ficar resfriado, não estou morrendo! — Ele disse rindo. — Tá achando que sou que tipo de homem? Consigo vencer um resfriado.

Ele se aproximou de mim dando um rápido selinho.

— Vou ficar aqui de olho nas crianças, vocês têm assuntos a resolver.

Não gostava da ideia de deixa-lo e Belial notou isso em meu olhar.

Ele sorriu de leve para tocando em meu queixo.

— Eu vou ficar bem! — Seu olhar foi rapidamente até a porta. — E Khaim faz companhia para mim, né filhão!

Khaim piscou assentindo rapidamente nem cogitando em pensar.

Suspirei alto tocando meu próprio rosto.

— Tudo bem — disse. — Mas você vai ter que tomar a sopa e se não tomar eu mesmo ficarei do seu lado e enfiarei goela a baixo! — O ameacei apontando o dedo para ele. — Khaim vai me contar tudo, ele que não ouse encobrir você.

Khaim desviou o olhar assustado.

Afastei-me de Belial deixando seus dois filhos sentassem ao seu lado e assim fui até Sinh e Aiken que conversavam observando os dois bebês. Akeni não gostou da companhia e quando era que ela gostava de amiguinhos? A princesa dos oceanos mordia até próprios irmãos não querendo ficar perto de ninguém além do pai alfa.

— Pode pedir para trazerem uma sopa de caramujo e algas para Belial, isso vai fazer a febre dele baixar.

— É claro, general Hardar.

— Vai precisar de mim nessa primeira reunião? — Dirigi minhas palavras a Aiken.

Ele fez uma expressão pensativa demorando a responder e depois balançou a cabeça negando.

— Cuide primeiro dos soldados, consigo aguentar até você voltar, pai. — Ele disse rindo dando ênfase irônica na palavra pai.

Revirei os olhos.

Muito guiei e ensinei Aiken a como governar um reino que chegava um continente caso ele reunisse todo o nosso território.

E admito que ele tinha crescido muito. Não era mais aquele garotinho inseguro que se negava a ser um rei, dizia que ele não era um rei de verdade, não sabia ser. O filhote ruivo que se agarrou nas minhas pernas quando pequeno e com isso todos diziam que ele tinha me escolhido, mas para que? E o futuro mostrou a resposta.

Estivesse presente em seu crescimento mesmo Aiken tendo seus pais desde pequeno, mesmo assim ele sempre recorria a mim e pedia a meus ensinamentos. Quando sua mãe morreu foi quando Aiken realmente se grudou em mim.

— Mandei Triton ficar de olho em você mesmo assim. — O provoquei.

Aiken riu.

— A interação de vocês parece de pai e filho. — Sinh comentou rindo baixinho.

— De certa forma, Hardar é meu pai — respondeu ele, enquanto pegava uma mexa de seus cabelos enrolando nos dedos. — Ele criou-me também, e tudo que sou e sei hoje foi graças ao tio Hardar. E tio também se casou com meu pai o que fez dele meu padrasto, então... tudo da família mesmo.

Sinh arregalou os olhos piscando e fitando-me, mas como um servo diante de um rei mantivesse a postura trancando sua curiosidade e surpresa.

— Preciso ver Saki e Mukay. — Avisei.

Virei-me caminhando até a frente de Belial o que fez ele parar a conversa com os filhos e sorris safado para mim.

— Você se comporte!

Ele assentiu fazendo um cumprimento militar com a mão.

Por que tinha a sensação que Belial ia aprontar alguma coisa? Só esperava que não fosse nada que pudesse prejudicar sua saúde e muito menos os assuntos reais.

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