As Linguagens de amor de Kim Taehyung

CRÉDITOS:

Escrito por: mooheochan
Co-autor: TKFlex_Rot
Co-autor: PurpleGalaxy_Project
Betado por: MegNovis
Design por: amanddyh


Inacreditável. Taehyung parecia atônito ou o melhor, estava atônito. Olhava fixamente para a figura narigudinha e de olhinhos escuros com um tom de: "Ah, sim. Entendi, já vi alguns..." e esse "já vi alguns" referia-se ao fato de que os mais novos não aguentavam ficar muito tempo com a bunda colada na cadeira e logo compravam seus diplomas.

— Químico Kim, então...? — o homem de altura próxima da do Kim repuxou o questionamento de antes, tentando obter alguma resposta que, claramente, Taehyung não estava disposto a dar, ou melhor dizendo, contribuir.

— Você não é muito novo para ser doutor em biologia? — o químico questionou, com um sorrisinho de xeque-mate.

JungKook piscou uma, duas… três vezes? Isso não era uma reação pra lá de comum para alguém que sempre era questionado, deixando Taehyung ainda mais com aquela coisa de gente sabida demais.

— Ah, — o "suposto doutor prodígio” levou a palma até a cabeça, coçou os fios pretinhos e deu um sorrisinho amanteigado, derretido (sem graça), e Taehyung, que não era de acreditar em adolescentes burgueses, manteve a postura de homem sabido durante o período de espera por uma resposta, que já sabia que não seria nem um pouco convincente. — Todo mundo me fala isso, e eu não sou tãão novo assim, eu tenho vinte e quatro. Fiz ontem.

O químico fez questão de contar nos dedos para ver se realmente era um fato. Jungkook ficou ali, sem saber o que fazer, vendo o químico cético levantar dedo por dedo para ver se aquele moleque não estava mentindo.

Silêncio. Silêncio tímido, constrangido e, às vezes, engraçado, já que alguns que passavam pela sala olhavam curiosos pela janelinha da porta. Em certo momento, os dedos pararam de se levantar, tinham exatamente seis de pé e Taehyung parecia um aie-aie com aqueles olhos surpresos e bem arregalados.

— Feliz aniversário, eu acho? — ditou, sem saber bem como deveria reagir (embora, na sua cabecinha oca, ainda era uma baita mentira contada pelo Jeon, que começou a faculdade com dezessete). — Enfim, eu recebi seu e-mail. O que eu poderia fazer para contribuir com sua pesquisa?

— Eu te mandei um PDF de 59 páginas explicando detalhadamente o que eu precisava....

— Eu achei que era um vírus — Taehyung disse e cruzou os braços.

— Mas um vírus não tem 59 páginas.

— Eita! Que vírus grande, né?

É… foi um encontro muito estranho. Taehyung ignorava o e-mail de Jungkook há quase um mês, achando que fosse o suficiente para que ele pensasse em algo como: "ah, ele não me respondeu, logo, não quer trabalhar comigo... (insira emoji triste)" mas para a sua surpresa, depois de malditos trinta dias, lá estava o homem, em carne e osso, batendo na porta da sua sala e pedindo impacientemente para conversar com o "químico Kim".

Independente do que falasse ou do que pedisse, Jungkook sabia que estava lá, e maldito seja o pesquisador-chefe do projeto de biologia do Kim, que deu para o Jeon essa preciosa informação. Ai aconteceu aquele diálogo esquisito de mais cedo, sem pé nem cabeça e meio desconfortável. Agora, neste exato momento, sem ter como fugir, Taehyung andava atrás do garoto todo desajeitado e meio — extremamente —  sem graça de falar que não o ajudaria por ele ser um puta de um charlatão.

Sabe, não era que não queria ajudar o (falso) prodígio da faculdade — e sejamos francos, Taehyung não queria nem ter sido uma opção — mas sentia que, sei lá, a química não lhe parecia ser mais... excitante como antigamente. Embora fosse muito bom no que faz, que sentido tem fazer pesquisas que nunca irão para frente? E se forem, você tem que rezar para que nenhum professor espertinho se sobressaia sobre seus esforços e te faça de palhaço, roubando seus créditos e seus esforços?
E era exatamente isso que Taehyung pensava de Jungkook.
O cara comprou o diploma dele, conseguiu fazer pesquisas importantes e agora está pedindo ajuda para um futuro professor de química do ensino médio para resolver sabe-se-lá-o-que tinha naquele PDF de 59 páginas?
Puff, corta essa!

Taehyung conhecia o tipinho de cientista que o Jeon era, e embora tenha cedido suas vontades, faria com que ele se arrependesse amarguradamente de tê-lo chamado para sua equipe.

Logo, adentraram ao elevador do campus. Taehyung ficou de ladinho enquanto Jungkook balançava para lá e para cá, feito uma criancinha nanica que acabou de comer uma bananinha. Silêncio de novo, mas dessa vez parecia menos desconfortável do que da primeira vez.

— Por que você acha que sou muito novo para exercer minha função? — O químico virou sua cabecinha em direção ao homem dos olhos de pitomba e pensou, de verdade verdadeira, se deveria ser honesto. Se fosse, provavelmente machucaria o garoto que não parecia ser uma pessoa ruim, embora ele tenha comprado seu diploma e esteja mentindo descaradamente para todos, e esse nem era o pior! Estava pondo milhares de pessoas em perigo. Moleque irresponsável! — Sempre que pergunto, respondem a mesma coisa... Tipo, não é tão irreal ao ponto de acharem que eu comprei meu diploma, certo?

Errado! E Taehyung fingiu que não era com ele. Suspirou e, de novo, como se fosse coisa da rotina, teve que parar para pensar no que deveria falar, e assim que teve certeza das palavras certas, soltou:

— É meio inacreditável pensar que você passou na faculdade com dezessete anos. — E Jungkook parou de se remexer para prestar a devida atenção no restante da frase. — Não sei se você percebeu, mas a maioria dos pesquisadores iniciam suas carreiras com no máximo vinte e oito anos. Você começou com vinte e três.

— Dois, na verdade — corrigiu-o, e Taehyung, para variar, arregalou os olhos de pura surpresa. — Meu TCC foi muito atrativo para a banca e o pesquisador-chefe da época, então decidimos botar em prática. O que eu te mandei foi meu TCC... lá você entenderia seu propósito.

— Eu não cheguei a ler, — respondeu Taehyung se sentindo meio... não sei, esquisito? — Do que se tratava?

— Na verdade, é uma mistura de coisas, mas eu diria que é uma pesquisa aprofundada sobre a leucemia. Seu papel na minha pesquisa era encontrar uma molécula orgânica saudável que desse para ser reproduzida em laboratório, aí eu a modificaria pra ficar forte e acabar com o câncer da maneira mais efetiva e menos destrutiva para a pessoa.

O químico franziu o cenho, que coisa mal explicada. Chegava até a ser meio fantasiosa!

— Eu vou ler seu TCC, você explica como um garoto de vinte e quatro anos.

— Você fala como se tivesse trinta e dois anos, químico Kim.

— Bom.... — As portas do elevador abriram. — Na verdade, eu tenho.

— Ah — Jungkook respondeu meio assim, meio "nossa que velhote, fodido, capenga, acabado, xoxo..." e demorou para sair do elevador.

Taehyung só percebeu quando as portas se fecharam e Jungkook subiu para o último andar da faculdade.

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Jungkook era mais bobão do que Taehyung imaginava. Os dois estavam no laboratório, fazendo coisinhas básicas, como arrumar as amostras sanguíneas e esperar o restante da equipe aparecer para se apresentarem oficialmente para o químico orgânico; e quem diria que o prodígio da faculdade renomada iria quebrar tantas pipetas por ser irresponsável e deixá-la na borda da mesa? Risos, isso era obviamente um erro de alguém que comprou o diploma.

O biólogo juntava os caquinhos com uma mini vassoura que estava dentro de um armário muito mal posicionado no canto. O Kim percebeu que a bactéria de vinte e quatro anos havia se esquecido da pazinha e logo foi atrás de pegá-la também. Foi no mesmo armário, abriu a porta metálica e ela caiu em seus braços.

— ‘Cê ‘tá bem? — questionou Jungkook, levantando-se rapidamente e chutando os caquinhos que agrupou para longe. Taehyung só escutou um “droga” de fundo e os bracinhos medianos tirando a porta de seu corpo. — Desculpa, eu esqueci de avisar que essa porta ‘tá quebrada.

O químico só olhou meio feio e disse um “está tudo bem” e foi se sentar em um banquinho.

— Não senta aí! Esse também… — Jungkook gritou ao ver o homem se sentar e parou abruptamente de falar quando viu o corpo desabar no chão, como uma pecinha de lego — …está quebrado…

Já Taehyung, que não acreditava na furada que havia se metido, permitiu-se ficar no chão, refletindo sobre o quão meticulosamente azarado ele era.

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Não demorou nadinha para os outros da “gangue do diploma comprado” aparecerem. Enquanto vinham como gansos desengonçados, Jungkook lhe fazia um curativo horroroso na cabeça. Taehyung parecia uma múmia viva e o enrolador das fitas, talvez com dó de ter o deixado tão feioso, tentou se desculpar dando uma bala Halls toda peguenta. Bom, pelo menos era o sabor que o Kim gosta, e não foi tão difícil de chupá-la — apesar que se arrependeu quase de imediato quando sentiu o gosto de bolso-jeans bem acentuado derreter na língua.

— O que aconteceu com você? — questionou o novo pesquisador-chefe, Namjoon, ao ver o embrulho de fitas na cabeça do químico. Taehyung respondeu um “hum” com gosto de “Vocês trabalham para o jigglesaw? Ou é impressão minha?”. — Jungkook esqueceu de avisar que a sala tem algumas imperfeições?

— Esqueceu — respondeu o judiado.
Namjoon olhou meio feio para o mais novo e ele olhou para o teto, depois para os pés e virou para fazer alguma coisinha importante, como pegar o resto de caquinhos de vidro.

— Agora faz sentido essa coisa na sua cabeça — gargalhou o homem mais velho e o químico respirou profundamente, buscando mais um pingo de paciência muito bem escondido em sua consciência.

Aí foi a mesma coisa com os outros, Seokjin, toxicológo, foi mais gentil com a abordagem, enquanto Yoongi, outro biólogo esquisito, era um pouquinho mais seco, parecia um gato desconfiado. Jimin, químico inorgânico, já sabia que Jungkook havia se esquecido de ter avisado sobre as coisas quebradas do laboratório e gargalhou como se não houvesse amanhã, e só parou quando percebeu que Taehyung estava com cara de poucos amigos. Homem sensato. Hoseok foi o último a chegar, ele era um médico-intrometido — para os mais íntimos, chegado com todos os pesquisadores, mas não tinha nada a ver com a pesquisa em si — e ele também teve a mesma reação que Jimin, mas não parecia se importar nem um pouco com a expressão irritada na cara do químico orgânico.

Apesar disso, eles pareciam — e eram — mais velhos que Jungkook. Namjoon tinha trinta e seis, Seokjin quarenta (e Deus sabe o quanto Taehyung ficou surpreso ao ver aquele homem lotado de prêmios trabalhando com aquelas pessoas que compraram seus diplomas), Jimin tinha uns 31; Yoongi trinta e sete, e, para sua surpresa, Hoseok tinha também trinta e sete. E nossa, deve ter sido difícil para Jungkook, porque ele realmente era um pirralho perto de todos os outros pesquisadores. Taehyung pareceu questionar se realmente o tal do prodígio era alguém especial, pois, apesar de conhecer Namjoon e Seokjin, os outros — menos Hoseok, por não conhecer nada de medicina e não acompanhar seus feitos — eram muito prestigiados dentro do campus.
Depois de quase meia hora de papo jogado fora, apresentações tortas e birrinhas vindas do químico orgânico, o trabalho realmente começou. Taehyung estava perdido — óbvio — e teve que atrasar sua função. Namjoon lidava com a burocracia de o adicionar na folha de pagamento e nas contribuições da pesquisa; os outros, bom… faziam coisas comumente associadas com “coisas de nerdola”.

Até que não foi uma experiência desagradável. Jimin, embora piadista e bem-humorado, ajudou-o a entender algumas coisas e Taehyung fez questão de o ajudar com as propriedades orgânicas da hemoglobina. Hoseok, que não atrapalhava, ficava em cima, olhando como se fosse um supervisor de laboratório. Aí, o Kim que não estava muito acostumado com a pressão de ser visto tão de perto, derrubou as novas pipetas arranjadas por Seokjin e encolheu os ombros, esperando uma bronca, mas recebeu um:

— Um brinde às bactérias!

E todos levantaram a mão, sejam elas vazias ou com peças de vidro melecadas de sangue.

— Levanta a mão, Kim — mandou Jimin, e Taehyung, com um ponto de interrogação na testa, levantou a mão. Depois, abaixaram e voltaram com seus trabalhos. — Acostume-se, quando algo quebra, fazemos um brinde de mãos e utensílios
— E por que diabos vocês fazem isso?

— É para evitar que mais coisas sejam quebradas durante uma discussão.
E o químico orgânico soltou um “ah” e ficou meio perplexo, eles eram importantes, claro que eram! Mas tanto assim para quebrarem as coisas e saírem impunes? Talvez, pensou ele. Era provável, que Seokjin sempre arranjasse tudo que eles precisassem por causa de seu grande poder no campus. Até mesmo Jungkook, mesmo que não fosse levado a sério.

É, eles eram bem esquisitos.

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No final do expediente, Jungkook se ofereceu para levar Taehyung até sua casa. Como esperado, o Kim recusou, mas ficou com dó ao ver que o garoto era o único que ia embora sozinho para casa, então fez questão de se redimir e aceitar que fosse levado. E, surpreendentemente, o biólogo tinha um puta carrão à disposição.

Já do lado de fora da faculdade, Taehyung permaneceu imóvel enquanto o Porsche manobrava para chegar mais perto, e isso o deixou confuso. Porra, é claro que Jungkook ganhava bem, mas bem ao ponto de comprar um PORSCHE!? O homem se sentiu imensamente frustrado.

Entrou depois que a coisinha nariguda estacionou, então conferiu se os sapatos não estavam sujos. Jungkook apenas gargalhou e perguntou onde o químico morava. Ele respondeu, o carro começou a andar e tudo parecia muito suspeito.

— O que foi? — questionou o biólogo. Taehyung não percebeu que ficou encarando fixamente para ele. — Estou com alguma amostra no rosto?

— Não, é só… — Limpou a garganta. — Não me entra na cabeça que você tem esse carro só com seis anos de trabalho.
O homem mais novo riu de novo e logo respondeu com a maior humildade possível:

— Meu pai que me deu, foi meu presente de aniversário quando fiz dezoito anos.
Taehyung piscou umas cinco seis vezes, tentou falar algo, mas não apareceu nada, então se calou.

— Não quero que pense que só porque sou rico ou mais novo que sou incapacitado. Eu apenas tive sorte, a minha única obrigação era estudar, então era esperado que eu passasse de primeira na faculdade… e se eu não passasse, bom…

— Mas Jeon, isso não é problema de ninguém — respondeu com certo tom de grosseria, mas por incrível que pareça, não tinha sido proposital. — Se você nasceu rico, pobre, isso não é problema de ninguém. Se você sabe seu propósito, sabe o que fez para estar aqui, tudo bem…

O garoto fez um bico e resmungou um “desculpa”.

— Por que você está se desculpando? — Taehyung perguntou.

— É que, sei lá, hoje deu a impressão de que você não estava feliz por trabalhar comigo — admitiu, com uma sinceridade dificilmente vista, e tudo que o químico fez foi congelar e ficar sem graça. — Só fui atrás de você porque o Namjoon disse que eu deveria te trazer para a equipe, e que você era um cara meio difícil… mas que era um ótimo profissional.

Taehyung suspirou, olhou para fora e abriu — tentou, na realidade — a janela do carrão. Logo, desgrudou a boca para falar:

— Quer que eu seja honesto? — Jungkook parou no sinal vermelho e virou a cabeça para prestar atenção no outro. — Eu acho que você comprou seu diploma, não me entra na cabeça que alguém tão novo tenha tamanha oportunidade.

O biólogo deu um risinho chateado, Taehyung fingiu não se importar, mas se importou. Oh, pobre burguês! Sendo desmerecido por ser rico.

— Eu não… comprei — disse o biólogo, visivelmente abalado, mas agora, tirando as ironias e piadinhas internas que Taehyung fez, começou a se sentir imensamente culpado. — Eu sei que parece uma coisa impossível, até pra mim, mas eu me esforcei e fiz o que eu deveria ter feito a vida toda. Meu pai queria que eu fosse um empresário, mas eu gostava de biologia, sabe? E ele me apoiou, principalmente depois de dizer o que eu queria fazer com meu diploma…
— E o que você queria fazer?

Uma buzina intrometida tocou ao fundo e os dois pularam de susto. Jungkook acelerou e virou na esquina da casa de Taehyung.

— Eu? Eu queria achar a cura do câncer, mas isso ainda não está no meu alcance… então fui para a leucemia, que apesar de terem estudos para tratar um paciente, queria achar uma cura indolor.

Taehyung ficou em silêncio, talvez tivesse desenvolvido uma empatia pelo não-comprador-de-diplomas ou só simplesmente estava morto de inveja.
— Eu sempre soube o que eu queria fazer, químico Kim. E eu tive muitas oportunidades para realizar meu sonho…

— É uma causa bonita, Jeon — respondeu Taehyung, com a voz fina de amargura. — Você é jovem e decidido, um bom garoto.

Jungkook franziu o cenho, levemente intrigado, e ao estacionar na frente do apartamento do outro, questionou:

— E você? O que te fez se tornar químico?

Taehyung lhe olhou com um certo pesar, pensou em mentir, dizer que queria fazer drogas ou até mesmo abrir um quartel de cocaína. Mas decidiu ser honesto, pela primeira vez na vida.
— Pela grana, Jeon. — E sorriu, saindo do carro. — Obrigado pela carona, te vejo amanhã no laboratório.
Ele deu um sorrisinho de canto, parecia decepcionado, mas logo desejou um boa noite e sumiu da vista de Taehyung, que logo entrou no apartamento, desfez-se de suas roupas e foi dormir.

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No dia seguinte, como Taehyung não tinha nada para fazer, dar palestras ou pesquisar algo por conta própria, foi para o andar do laboratório de biologia. Adentrou a salinha e encontrou Jungkook sentadinho, olhando para os dois canos do microscópio. O químico lembrou que deveria ter lido o TCC de noite, então, para disfarçar que estava fazendo algo, sentou-se ao lado do banco da mesa de Jimin e começou a ler pedaço por pedaço daquele agrupado de informações.

“Quero agradecer à minha mãe por me encorajar a seguir meus sonhos e me doar parte de seu sangue para minha pesquisa. Também quero agradecer ao senhor Jung JiJae pela oportunidade e brilhante instrução que me fez durante a pesquisa deste TCC, ao Kim Namjoon, por sempre acreditar em mim e ao seu esposo, Kim Seokjin, por conseguir novas pipetas para meu laboratório improvisado e me ajudar com questões toxicológicas; se não fosse por ele, talvez eu tivesse criado um super veneno intravenoso.”.

Agora as coisas faziam sentido. Jungkook se tornou biólogo para achar uma cura para a mãe e… Espera! Namjoon e Seokjin eram casados?

— O que ‘cê ‘tá fazendo? — Taehyung deu um pulinho na cadeira e se desestabilizou, mas Jungkook estava lá para segurá-lo. Ele gargalhou e Taehyung ficou todo vermelho. — Está lendo meu TCC só hoje, é? Que feio.
— Melhor hoje do que nunca, não?
Jungkook desgrudou do homem e este se virou para ficar a sua frente. Deram um sorrisinho tímido, meio torto.

— Como está a sua mãe? — perguntou Taehyung, para tentar desfazer aquele clima esquisito que ficou na sala.

— Ah, ela faleceu faz um tempo…
Silêncio.

— Você deve ter lido nos meus agradecimentos, né? Ela ainda não tinha ido embora. — Ele se sentou ao lado do mais velho, numa coisa íntima, meio esquisita, mas não parecia forçada, pelo menos não para o Kim. — Aí meio que ela faleceu uma semana depois da apresentação do trabalho, mas eu já tinha recolhido um pouco dos glóbulos vivos. A última parte dela faleceu há mais ou menos umas… duas semanas.
— Eu sinto muito, Jeon…. Deve ter sido difícil, ainda mais trabalhar com a amostra da sua mãe e… tipo, isso ser a única coisa que você tinha dela. Deve ter sido barra.

— Foi, mas ela foi um passo muito importante para todos nós da equipe. Agora estamos com outras pessoas, outros códigos genéticos. Ela foi o começo de tudo, sabe?

E aquela pontinha de inveja miserável voltou a atiçar os sentidos do Kim, que limpou a garganta para tentar disfarçar a sua própria amargura. Ele, queria gostar tanto da profissão quanto Jungkook gostava da dele, mas não conseguia, não gostava, e para piorar, nem rendia tanta grana assim. Talvez Jungkook tenha percebido a cara de bunda que o homem fez e ficou sem graça, indo para longe como se fosse o culpado de algo, sendo que nem era, para começo de conversa.

Suspirou. A vida sempre tinha sido tão deprimente assim? Aí, para piorar, chegou a gangue dos compradores de diploma para exercerem suas funções com o maior gosto do mundo, enquanto Taehyung não parecia ser verídico no que fazia.

Parecia que era ele quem havia comprado o diploma.

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Jungkook tinha uma estranha facilidade de supor que tudo era culpa dele, mesmo que isso fosse longe de ser a verdade. Para se redimir da conversa que teve com o químico orgânico mais cedo, levou-o para jantar em um restaurante — dito nas suas próprias palavras — incompreendido pela sociedade.
E realmente, o Mcdonald 's era mesmo um baita poeta. Mas aí lembramos que ele está morto e que cospem no seu lanche, que o tempero é feito com coisas que, depois que você se torna químico, não consegue botar na boca.

Mas quem disse que Taehyung teve coragem de falar não para o biólogo boca-grande?

Como era uma coisinha “baratinha”, o químico se ofereceu para pagar, mas Jungkook fez questão de inflar o peito e falar: “Eu pago! pode deixar que eu pago!”, e bom, vocês sabem que Taehyung não é nem um pouco bobo e pediu logo um pacote de nuggets e um bigtast para acompanhar sua big fome.
Mas Jungkook parecia ter um buraco no lugar do estômago. Ele comprou três big macs, dois sucos de uva gigantescos, três batatinhas (uma com cheddar e as outras sem) e, pasmem, sete molhos ranch e ainda disse que pediu pouco para caber um sundae de sobremesa.

Deus tem seus favoritos mesmo.

Taehyung ficou sentado durante o pedido todo, guardando lugar e só se levantou quando viu as três bandejas aparecerem na bancada de pedidos. Recolheu a bandeja com os três sucos, e foi para a mesa todo miudinho de medo, achando que a qualquer falha nas pernas o suco cairia e ele pagaria o maior mico de sua vida.

Já Jungkook exibia suas habilidades com a “arte de levar bandejas” e em cada mão levou uma, empilhando os lanches até a mesinha que o Kim tinha reservado. Taehyung pensava coisas do tipo: “Nossa, ele se sente com esses lanches do mec. Nossa, como ele se acha (emoji revirando os olhos)” mas aí surgiu a dúvida de porque aquele garoto de vinte e quatro anos estava se tornando tão atrativo aos seus olhos?Quer dizer, Jungkook sempre foi bonitão, mas o que deixava ele feio era a compra do diploma, só que ele não comprou e fez questão de provar — com palavras, o que é bem suspeito em algumas partes, se bem analisarmos — para Taehyung que ele era honesto, sonhador e devoto à sua profissão.
Que coisa esquisita, né? Até agora o químico sentia uma tremenda inveja de Jungkook, mas agora o corpo reagia de uma forma muito interessante, como se realmente estivesse indo para seu encontro feito imãs rompidos ao meio.
Quer saber? O Químico nunca admitiria sentir atração por Jeon Jungkook, o prodígio.

Taehyung foi o último a se sentar, com os sucos sobre a mesa. O biólogo zoiudo fez questão de o esperar, mas desde que o outro pôs a bunda na cadeira, ele já estava desembrulhando o primeiro lanche e o devorando como se fosse um animal esfomeado. O Kim não sabia nem o que fazer, se comia o seu lanche, se encarava aquela cena e tentava entender como aquele garoto tinha tanta fome… De qualquer forma, para não parecer estranho, ele logo tratou de desembrulhar o próprio bigtast e devorá-lo bem devagarinho.

Para você, caro leitor, ter noção da pressa que o biólogo comia, Taehyung mordeu exatamente dois pedaços do lanche e ele já estava no segundo, comendo-o como se fosse o primeiro, com pressa e vontade; um maluco.

— ‘Que foi? — JungKook perguntou com as bochechas cheias.

— Você não pode comer tão rápido assim, vai te dar dor de barriga.

— Vai nada. — E continuou a comer despreocupado.

A noite seguiu assim. Jungkook comeu os três lanches dele e Taehyung estava barrigudo só de comer um. Ah, e vale lembrar que o biólogo comeu toda a batata dele e o restante das batatas do químico com o bendito do sundae.

— Como você consegue? — perguntou Taehyung, entrando no Porsche preto e sentindo uma vontade maluca de abrir os botões da calça.

— Eu tenho o metabolismo rápido, então consigo comer muita coisa!

— Igual os coelhos. — O químico deu uma risadinha e Jungkook o encarou num misto de surpresa e irritação.

— Não sou igual a um coelho.

— Você lembra eles por completo, na real. Seus olhos, dentes, nariz, até mesmo o formato de suas orelhas….

— Eu não acredito que você ‘tá falando isso para um biólogo, Kim Taehyung!

— Pois acredite, coelhinho — ele disse todo se sentindo, enquanto JungKook ligava o carro e dirigia reclamando pelo percurso todo.

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No dia seguinte, Taehyung descobriu que Jungkook pediu licença por ter tido um forte problema estomacal. Namjoon lhe passou seu número de celular e o Kim lhe enviou um “eu te disse, não disse?” e aí o Jeon respondeu “não enche”.

E por incrível que pareça, os dois começaram a conversar até que bastante. Falavam sobre coisas triviais como “eu odeio a Taylor” e um “COMO ASSIM VOCÊ ODEIA A MINHA LOIRINHA?!” ou coisas do trabalho tipo: “você analisou sangue AB positivo contaminado com HIV? Fez o teste que eu te pedi?”, recebendo de Taehyung um “não”, para logo depois parar de ser respondido.

Aí, quando Jungkook voltou dos dias fora, em que estava de atestado — três, em específico — ele e o químico ficaram inseparáveis. Faziam as coisas juntos, comiam MC juntos, às vezes até visitavam a casa um do outro para jogarem vídeo game ou só verem a coleção de discos de Taehyung.
Mas aí, talvez, o Jeon tenha percebido que Taehyung não era o cara que ele achava que era.

Num dia desses, quando dois nerds super inteligentes estavam fazendo pesquisas num sangue tipo O, Jungkook puxou um papo nunca antes puxado:

— Tae, por que você trabalha por dinheiro?

O citado demorou para responder, pois estava concentrado em analisar as amostras no microscópio.

— Hum? Eu? Bom, eu precisava de algo pra fazer da minha vida.

— Mas não é… ruim?

— Em partes, mas não é como se eu me arrependesse de ter me transformado em um químico orgânico. — Ele parou de olhar aquelas bolinhas vermelhas e levantou o item em direção a Jungkook. — Mas, acho que se eu tivesse chances… teria feito outra coisa. Algo que me fizesse realmente feliz, como a biologia é pra você.

— Hum, hum… entendi — cantarolou, feliz por finalmente estarem trocando informações importantes. — Tae, qual é o seu verdadeiro sonho?

— Eu não tenho sonhos….

— Todos nós temos um. — Jungkook deu um empurrãozinho no ombro do homem. — Você também tem um!

— Deixa eu ver... Acho que quero ser artista.

— Cantor de Jazz?

— Não, não — gargalhou. — Artista que pinta quadros. Na verdade eu sempre gostei de pintar, desenhar, mas nunca tive vontade de seguir esse sonho por… sabe… saber que eu tenho que escolher entre pagar minhas contas ou ser feliz.

— Entendi… mas agora nada te impede de fazer esse sonho se tornar realidade, né?

— Mais ou menos — respondeu simplista, trocando as amostras no microscópio e pondo os olhos nos dois canos de lente. — Eu não acho que tenho tempo, dinheiro e motivação para me manter sonhador.

Ai Taehyung percebeu que tinha alguma coisa de errado quando Jungkook calou a boca. Era impensável imaginar o garoto tagarela sem retrucar ou falar algo, mas o Kim estava mais intrigado com aquelas reações do que de fato com o silêncio do amigo, mas, às vezes, o lado do “eu não quero ser só seu amigo” o fazia desviar sua atenção das células e ver o que aquela coisa parecida com um coelho humano estava fazendo.
E pela primeira vez, Taehyung não conseguiu supor o que era, muito menos envolver com o fato de que não era algo que provasse ser feito por alguém que comprou seu diploma.

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Fazia um mês desde que tiveram aquela conversa. As coisas ficaram estranhas. Jungkook estava esquisito. Taehyung não ia mentir, estava chateado, mas o que poderia fazer? Continuou com sua vidinha medíocre enquanto contribuía arduamente para mais um abuso de autoridade.

Talvez Namjoon tenha contado essa história para Jungkook, aí ele ficou com pena de si por se sentir muito culpado. Não era a primeira vez que pediam para o químico orgânico fazer uma pesquisa, e então, quando ele achava algo brilhante, roubavam dele e ganhavam os créditos.

Chato, né? Mas era real. Taehyung sempre foi bobo e nunca percebeu esse charlatanismo dentro da área da química, mas era real e, por isso, decidiu virar professor de ensino médio. Independente de seu bacharelado, de suas falsas conquistas, não tinha mais cabeça para tal, de lidar com esses abusos, sabe?

Estranhamente naquele dia, a gangue se atrasou por mais de três horas. Jungkook estava na sala, mas ele olhava para muitas coisas ao mesmo tempo, e Taehyung teve que soltar uma risadinha de lado, essa coisa meio ansiosa do mais novo lembrava-o um adorável coelho.
Repentinamente, o homem tirou da geladeira um pratinho, Taehyung franziu o cenho quando este se aproximou e lhe entregou uma arte feita em bactérias.

— O que é isso?

— Eu tentei desenhar você, mas as colônias cresceram demais e ficou meio… esquisito.

E realmente ficaram, mas a intenção foi boa o suficiente para lhe arrancar um sorriso bem quadrado do rosto.

— Você gostou? — ele questionou e Taehyung mordeu os lábios, balançando a cabeça felizinho. — Eu te fiz pra te dizer que mesmo que não seja fácil, te apoio no seu sonho de ser artista. A vida é uma arte, Taehyung! E você deveria fazê-la seu grande quadro.

Subitamente uma vontade maluca de beijar Jungkook surgiu em Taehyung, e quando os mini Taes apertaram o botão, ele o fez. Juntou seus lábios aos do garoto numa coisa meio desajeitada.

Quem diria que o apoio que nunca teve sua vida inteira viria de alguém que supostamente comprou seu diploma, não é mesmo?

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