Capítulo 2


— Estou cansado de você, desse seu temperamento. — Resmunguei, incapaz de esconder toda a minha insatisfação.

— Se está tão cansado assim, por que se nega a terminar essa farsa toda?

Antes que ela volte a abrir a boca eu lhe pressiono contra a parede gélida e minha mão esquerda recai sobre seus lábios avermelhados.

— Você sabe o porquê mantemos nosso relacionamento. — Era fato que eu nunca a amei e ela sabia bem disso. — Não queremos seus pais te forçando a ir em encontros a cegas, não depois daquele fatídico dia.

Ainda era vivida em minha mente a lembrança da situação em que a encontrei depois dela me ligar em meio a uma noite fria do início do outono.

— Você precisa se conter, por favor. — Pedi, suspirando em frustração.Stella sempre fora uma boa amiga, mas seu comportamento tem mudado bastante depois desses seis meses de "namoro".

— Eu prometo que irei mudar, só não finja que não estou aqui.

Resolvi lhe dar um gelo depois que ela praticamente arrancou os cabelos de uma garota em uma festa a três dias. Eu estava farto dela intervir nas minhas paqueras, nosso trato era sobre agirmos como namorados em frente aos seus pais e em nossa faculdade, não existia nenhuma cláusula que me impedisse de tentar me relacionar com outras pessoas.

— Você consegue ao menos entender o que você fez aquela garota? — Me afasto com os punhos cerrados ao lembrar da cena.

— Eu estava alterada, você sabe disso.

— Nada justifica você ter machucado ela, eu precisei pagar os medicamentos e explicar na delegacia que a louca da minha namorada havia espancado a garota porque julgou que eu estava aos amassos com ela. Eu tive que mentir por você, e agora minha ficha está lá suja por sua causa, pois para livrar a sua cara sujei a minha.

— Quem mandou você agarrar a cintura dela também. — Sua voz saiu um tanto infantilizada. — Eu havia visto Matteo, precisava manter nosso disfarce! Você sabe que ele é louco por mim e se não estou amarrada a ele é porque meus pais te idolatram.

— Que merda Stella, por que você é tão impulsiva? — Suas mãos tocam as minhas. — Não sei até onde irei aguentar, é o último aviso que lhe dou.

— Eu prometo que essa é a última vez que algo assim acontece! — Choraminga.

— Essa vai ser minha última tentativa, depois disso você que volte a ser controlada por seus pais e aprenda a se defender sozinha. — A vejo destravar a tela de seu celular parece procurar algo. — Não quero que apanhe de outro babaca só por que rejeitou transar com ele no primeiro encontro, mas também não vou mais aceitar que me prive de conhecer alguém.

— Você tem a mim, porque iria querer outra mulher? — Seus olhos corriam pela tela.

— Você não é minha dona, entenda isso sua filha da mãe! — Perdi minha calmaria e pela primeira vez explodi.

— Temos um trato e você me deu sua palavra. — Seu tom é carregado de deboche.

— Finalmente! Aí está a verdadeira Stella, cruel e controladora... Que diabos eu estava pensando quando concordei em te ajudar? — Pergunto a mim mesmo, sem entender o motivo de continuar a me sujeitar aquilo tudo.

— Talvez nos benefícios que essa mentira te dá? — Reviro meus olhos diante de suas palavras. — Não seja hipócrita Hoseok, você não é e nunca foi nenhum santo. Seu passado o condena.

— Você não sabe nada sobre mim e menos ainda sobre meu passado, su... — Minhas palavras morrem no ar no momento que ouvi passos atrás de mim.

— Vá em frente, continue! Ou você não consegue nem me xingar? É tão covarde assim? — Sua proximidade faz-me prender a respiração. Como ela ousa me chamar assim? — Você não resiste a mim... Vamos, me beije de uma vez por todas.

Suas mãos descem pelas minhas costas, em movimentos de vai e vem, sua boca está próxima de minha nuca e sinto seu hálito quente tocar-me a pele e o cheiro de seu perfume adocicado fez meu estômago revirar.

— Pare com isso agora mesmo! — Me viro, segurando suas mãos com certa força. — Não caio mais na sua sedução barata. — Vejo seus olhos me queimarem e com brutalidade ela puxa os punhos, os desprendendo de mim.

— Seu idiota, sabe quantos dariam tudo para estar no seu lugar?

— Não, não sei e pouco me importa.

— Você realmente não entende, não é mesmo?

— O que eu sei é que precisa pedir desculpas a aquela garota!— Afirmo, impaciente. — Você tem que amadurecer!

— Vai se ferrar Hope! — Sua face está avermelhada. Stella Bernardi jamais pede desculpas, ainda mais a uma vadia como aquela da festa.

Sem mais delongas eu lhe dou as costas, estava farto de todas as bobagens que ela proferia. Desço as escadas sem muita atenção, tudo que queria era me livrar de sua voz irritante que insistia em me seguir.

— Calada! — O grito explode de minha garganta e fecho meus olhos por breves segundos quando sinto meu corpo se chocar com algo que não dei atenção. Não sei o que ou quem era, mas nada poderia ser mais importante do que eu me livrar daquela maluca da Bernardi.

Estou praticamente no final da escadaria quando sinto mãos me puxarem. Estava pronto para lhe afrontar por tal ousadia quando meus olhos vão ao encontro do desconhecido. A jovem que me tomava os braços com certo fervor de fúria era bela como o amanhecer, mas seus modos eram de uma caipira.

A repreendi por me tocar, pois eu detestava ser tocado por estranhos. Tentei seguir meu caminho, mas ela tornou a me segurar e nesse momento eu mergulhei na imensidão que eram seus olhos e, como se o mundo se desligasse, eu me vi onde só existia eu e aquele par de olhos negros. Medos me tomaram e um arrepio percorreu toda minha espinha, fazendo-me contorcer por tamanho o incômodo.

Não sei quanto tempo permaneci ali, mas só me recordo das mãos sedosas de Stella me trazendo a realidade ao me mostrar a fonte central coberta por folhas agora praticamente derretidas.

— Criticou-me tanto, mas foi ainda pior com aquela garota. — Suas palavras rasgavam-me os ouvidos. — Custava ter se desculpado?

— Não me encha o saco, estou farto de vocês mulheres.

Dou-lhe as costas, mas não antes de apanhar algumas folhas caídas próximo aos degraus acima. Meus olhos correm por entre as linhas e param em uma frase certamente proferida pela protagonista.

" — Sua face era como a do próprio diabo, suas mãos me tomavam e de seus lábios eu provava do pecado que era lhe amar."

Então sua histeria era por conta de um romance... É notável como sua escrita me cativou, desabrochando em meu peito um desejo insaciável para descobrir mais, não apenas sobre aquele pequeno trecho que consegui ler, mas também a respeito da moça com espírito caipira que me fez mergulhar encantado das meninas dos seus olhos. 












Notas da autora:

Olá amores, então esse foi nosso curto capítulo 2. 

Esse capítulo foi betado por @Psicat do blog WonderfulDesigns

Comentem o que estão achando e votem mto nesse bebê, volto em breve!

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