‹⟨ 25: A batalha da Muralha ⟩›
Corpo coberto pelos panos improvisados, em um sono tranquilo e calmo. Seus olhos se abrem quando ela escuta um grande barulho alto do ar afiado cortado. Yen se depara com uma bola feita de sombras, totalmente preta com algumas partículas roxas, ela cai na direção do centro da muralha. É rápida em se por de pé. Ergue suas mãos abertas e a escuridão é parada no ar pela feiticeira.
—ahg!—seus olhos se preenchem com a cor púrpura—rah!—arremssa para o lado oposto da fortaleza, com a bola de escuridão atingindo a terra da grande floresta que cerca a muralha.
Distante, na colina acima das árvores, Rita observa a movimentação da muralha. O exército dos corvos atrás de si, aguardando os Sombras a frente. Ela dirige o olhar para Sayon. Ele acena em resposta e vira o pescoço para seus homens, os Sombras.
—de novo!
Um círculo de soldados das sombras é formado. Apontam as mãos para o centro distante. Os olhos brancos começam a brilhar, a boca tapada pelas máscaras impede que vejam os movimentos que pronunciam palavras antigas, palavras desconhecidas para uma geração mas que faz parte da história da dinastia Wyndrivver: Dothrariano, a língua esquecida. São unidos por um coral, juntos e uma nova esfera de escuridão é formada no centro deles. Sayon se aproxima, puxando o poder para suas mãos. Ele simplesmente o arremessa na direção da muralha, impulsionado pela força da magia que usa, a essência das trevas que eles usam.
Mais uma vez, o poder lançado é atirado para o outro lado por algum mago ou Feiticeira de dentro. Na muralha, Yen grita aos berros mandando todos despertarem de seus sonos e levantarem de suas camas. Começam a se preparar.
Na colina, Rita observa a grande muralha. Soldados dos corvos empurram grandes jaulas, cobertas por lonas mas dentro, dentro pode se ouvir rugidos, gritos e uma agitação selvagem animalesca descontrolada e mortal. Várias gaiolas prontas para serem abertas. Das mãos de Rita, surge uma caixinha pequena. Entrega para um dos Sombras ao seu lado.
—faça eles saírem como cães acoados... Não vamos perder para magos fracos.
Na manhã seguinte, o grupo de magos e feiticeiras sobem a muralha. Observam no campo aberto ao longe o exército de Darkvin parado.
—como chegaram aqui tão rápido?—Vivian questiona.
—não importa—Leyra segura firme o cabo de sua espada—não podemos esperar os exércitos do norte. Temos que agir agora!
—alguns de nós fugiram, somos apenas 20 agora—diz Irene.
—covardes!
Ayo se levanta. À passos lentos, fica ao lado de Yen na ponta da muralha. Uma névoa escura, cinza se espalha pela grande floresta, como um parasita rápido que se alastra no corpo do hospedeiro. Um Sombra corre pela floresta, sem sua máscara e com sua boca expelindo a névoa pesada.
—estão vindo! Para os campos!—Leyra se vai com dois magos ao seu lado.
—Vivian, leve os aldeões para dentro, perto da artilharia. Deixe-os seguros!—a feiticeira corre após a ordem de Ayo—Irene, você vem comigo. Yen—olha para a mulher ao seu lado—você vai para a fortaleza.
—a fortaleza?
—sim. Você é a nossa melhor chance, fique de vigia e guarde sua essência.
Ayo parte depressa deixando Yen para trás. Ela avista mais uma vez a névoa tomando tudo e todos próximos, em quilômetros. Morde os lábios, deixando uma marca.
—merda!—parte para a fortaleza.
Castiel
—hm, não estou gostando dessa nevoa... Não é natural.
Ouço a voz de Dylan mas não o vejo. Sinto a carroça tremer e o barulho dos cavalos mas não consigo me mexer. O suor escorre pela minha pele em chamas, qua aumenta a temperatura sem parar. A luz do sol me cega e confunde, essa mera luz parece ter som que agride meus ouvidos. Tudo tão confuso, minha visão embaçada não deixa eu ter certeza de nada.
Onde caralhos eu tô? Eu fui drogado? Porra... Eu não consigo fazer nada.
—você foi mordido, Castiel. Está delirando mas continua vivo—olho ao redor, sem reconhecer nada. Tiro meu bracelete, vendo a mordida em carne viva e escura. Tudo treme em meu corpo e meu braço formiga. Tento me apoiar em meus braços mas acabo cedendo, batendo as costas na madeira da carroça—e se depender de mim, continuará vivo—mais uma vez a voz de Dylan mas não consigo vê-lo—cê tem que ficar quieto, estamos a caminho de uma fazenda que tem aqui perto. Espero que esses cavalos lerdos cheguem a tempo—minha pálpebras pesam e não há ponto fixo para meu olhar—você não pode dormir! Castiel! Fica acordado!
—mãe! Mãe!—ouço o choro da garotinha.
Assim que me aproximo dela na estrada abandonada, fria e escura, ela se assusta erguendo um galho para se defender.
—fica longe! Eu sei o que você é, monstro!
—calma, garota. Não vou te machucar—digo—onde está a sua família?
—eu não sei!—caí mais uma vez aos prantos. Olho ao redor, não vendo nada além da escuridão da noite.
—deixa eu te ajudar, huh?—estendo minha mão vestida com luvas pretas.
Olho confuso ao meu redor, enquanto tudo balança sem parar. Só consigo ver essas lembranças, essas memórias.
—filha...?—falo em um sussurro sofrido.
—Castiel! Não desista agora!—sinto sua mão me chacoalhar.
Narrador
As flechas são distribuídas entre os que vão lutar, passadas de mão em mão com seus arcos de madeiras e cordas resistentes e duras. Vivian surge por uma das pontes que liga as torres, em frente ao horizonte coberto pela névoa espessa, ela agarra um arco junto da aljava.
—vamos fazer isso agora. Agora e aqui, não vamos deixá-los passar!—parte dali com um grupo de homens e garotos sobre o seu comando.
Mais garrafas com as pedras explosivas são dadas para aqueles que lutarão. A porta de entrada é fechada com uma enorme tora de madeira posta para trancar, mais duas toras são colocadas contra elas para dar mais apoio no bloqueio. Yen entrou na Fortaleza que Ayo a designou. Com uma espada comum na cintura, ela se prepara ficando em alerta com os olhos atentos na névoa. Seus olhos brilham púrpura antes de serem fechadas pelas pálpebras. Seus ouvidos escutam a vibração da terra, o marchar dos soldados e o caminhar calmo dos Sombras, escuta rodas girando na terra levando o peso de grandes gaiolas com pano as cobrindo por completo.
—Ayo... Ayo! Está ouvindo?
—estou.
—estão a caminho.
Do lado de fora, Ayo leva Irene através da ponte que é segurada de pé por Deus sabe o que. Chegam até a terra do outro lado
—é com você agora—diz para a mais nova.
Irene concorda e então fica de joelhos. Suas mãos tocam a terra. Seus olhos se fecham, brilhando com o verde da natureza. A terra parece se manifestar, atendendo o chamado da feiticeira que clama por ela. A grama cresce com vida e mais rápido que o normal em anos, se enrolam pelos dedos de Irene, subindo e apertando os braços da mulher. Ligação entre duas vidas, entre duas almas, entre duas essências. Abre as orbes que agora são um farol para o verde.
Reizes das árvores se espreitam como cobras pelos cantos, até ser tarde demais e então elas atacam. Perfuram, destroçam e esmagam os homens dos corvos que marcham por uma direção. Cipós lançam seus espetinhos que acertam cabeças e corações. Cogumelos venenosos brotam rapidamente lançando ares quando são pisados e então mais homens despencam cuspindo sangue misturado com espuma. As árvores se movem, batendo contra eles como mosquitos.
Yen vê tudo isso, ouve tudo isso e sente tudo isso.
—está dando certo—ela ouve mais um grupo se aproximando por outro lado—estão próximos do seu lado, Vivian!
Vivian fecha seus olhos. Vê os homens de Darkvin marchando com suas espadas. Vê seus pescoços, seus braços, suas pernas... Então, eles quebram como madeira fraca de um galho. Todos eles caem mortos.
—Vivian, prepare seu ataque. Mais se aproximam!
Os homens seguram as garrafas de vidro com as pedras. As giram no ar amarradas com trapos.
—esperem até estarem em seu alcance!—eles Zé aproximam em marcha—esperem... Esperem...—Vivian levanta seu arco—Esperem!—estão perto o suficiente—agora!
Amerrssam a primeira pedra. Viviam dispara o arco num sinal. Mais pedras são lançadas. Elas atingem o chão, explodindo o vidro das garrafas e levando o ácido com eles. Atingem os soldados que tem suas peles derretidas como massinha enquanto gritam desesperados e em agonia.
Mais uma frota marcha, mas muito atrás. Num campo aberto numa colina distante, está com eles Rita que surge do meio dos homens e Sayon com seus 20 Sombras fiéis até a morte. O líder do exército observa a movimentação abaixo onde a primeira frota é massacrada. Segura o cabo de sua espada guardada na bainha.
—não estávamos esperando por isso—diz o primeiro tenente do exército.
—hm. Eles tem espírito...—responde Sayon—e garra. Hah!—olha para Rita, com um sorriso divertido—eu adoro isso. Ah, vai ser divertido. Hm, vamos dar a volta—se meche, ainda rindo da situação.
—DIREITA!
A maioria dos soldados marcham no chamado ao comando do primeiro tenente. Rita some igualmente, sem sabermos qual caminho escolheu percorrer. Os Sombras foram com o tenente, ficando apenas alguns soldados menores com Sayon. O líder dos Sombras observa ali de cima, onde a névoa não chega e ele tem total clareza do campo de batalha enquanto o sol da manhã chega no seu auge.
—Leyra, AGORA!
De um portal invisível, Leyra pula rolando pelo chão. Arremessa adagas que acertam as cabeças de três soldados inúteis, avança trocando apenas um golpe de espada com o quarto até decapita-lo. Corta a barriga do quinto, a garganta do terceiro, quebra o pescoço do sétimo, tudo isso enquanto Sayon permanece de costas. Após matar todos os soldados ali, Leyra arremessa sua espada num giro mortal. Sayon apenas inclina um pouco a cabeça, deixando a espada seguir seu caminho até atingir uma árvore fina.
—huh—ele sorri ainda de costas, enquanto Leyra materializa mais uma espada em sua bainha—olha só, temos um mago que sabe lutar com espadas. Hah!—se vira para ele, finalmente. Um olhar tranquilo e debochado, divertido, enquanto Leyra permanece sério e carrancudo—uuu, olha a carinha dele. Se forçar mais caga—ri mais uma vez. Então, Sayon puxa sua espada. Tão escura quanto sua alma corrompida.
—briga de espadas... Será que a minha é maior que a sua?—Leyra corre, pula e ataca com sua lâmina. Sayon bloqueia facilmente. Levanta a sombrancelha pro mago—uuu, eu acho que é, hein.
Desfazem o bloqueio. Giram suas lâminas enquanto rodam em um círculo imaginário. Os olhos vidrados um no outro. Sayon debochado, Leyra irritado com isso. O Sombra líder não tem seu capacete para protegê-lo, mas tem sua armadura no resto do corpo.
Leyra ataca, Sayon se inclina para três passos fugindo da lâmina, ele ataca Leyra que se defende fugindo para o lado. Tenta acertar um Sayon distraído mas é segurado pelo cotovelo. Recebe uma rasteira, em seguida um chute no estômago. Bate contra o pé de uma árvore, com sua espada caindo longe de seu corpo. Sayon não ataca, apenas põe sua espada no chão a usando como bengala, se apoia nela enquanto espera o outro levantar. Leyra se levanta raivoso. Forma mais uma espada feita com sua essência.
—pronto? Ótimo. Vamos, bebê, mostra pra mim que você é um bom garotinho. Haha!
Leyra avança, eles trocam golpes com suas lâminas se chocando em sons estridentes em meio a terra aberta onde lutam. Leyra lança uma estocada com sua lâmina, Sayon o segura, entortando sua mão que não vê outra escolha a não ser largar sua espada. Faz um corte rápido no braço do mago.
—ah!—em seguida mais um corte e mais outro no braço oposto—ahrg!
Ataca mais uma vez mas Leyra consegue segura-lo. Sayon pula de alegria com sua atitude.
—bom garoto!
Puxa o braço de volta e então pega Leyra rapidamente sob seus ombros o lançando para trás de suas costas, onde ele caí com o rosto na terra. Sayon volta a se apoiar em sua espada como uma bengala, aguardando o oponente se levantar. Leyra forma uma nova espada. Ataca, é bloqueado, recebe uma cabeçada, um soco e um chute, o afastando do inimigo, fica perto do fim da colina alta e rochosa.
—o quê você quer?! O quê vocês estão atrás?!
—huh—dá dois passos a frente.
Leyra ataca, sua mão é bloqueada e sua espada arrancado de si. Sem perder qualquer tempo, Sayon o atravessa com sua espada, com a lâmina sendo agressiva o suficiente para abrir um buraco com outro lado.
—a-ah...—cospe sangue.
—apenas chegar na antiga glória que este país foi um dia—puxa a lâmina encharcada com o líquido vermelho.
Com um último olhar, Sayon o chuta com força, o arremessando colina abaixo, girando e rodopiando, batendo contra as pedras até se sumir entre as árvores baixas.
—hm—Sayon guarda sua espada—a minha era maior, afinal de contas.
Yen sentiu tudo e ouviu a dor de Leyra. Apenas deixou o suspiro da perda fugir de sua boca.
Rita caminha para o meio da floresta. Seus olhos se fecham. Seus dedos se entrelaçam uns nos outros
—k'rabon!
Com a ordem de sua voz, a porta de entrada da muralha estoura, abrindo caminho para invadirem. a névoa adentra o interior da muralha, tomando a visão de todos. Em meio a isso, um Sombra aproveita e se infiltra tranquilamente pela entrada. Desprende de sua cintura a caixinha de metal que lhe foi entregue por Rita. A deixa no chão, bem no centro de tudo. Após isso, abre seus braços. Uma escuridão viva surge de seu corpo, como cobras vivas. As sombras cobrem seu corpo por completo. Espinhos afiados surgem, ninguém percebe pois estão ocupados demais fugindo da Nevoa e correndo para se esconder.
Yen se apoia na encosta da torre. Seus olhos procuram algo na névoa, ela sabe o que tem ali, sabe que há alguém ali. Por um breve momento, consegue enxergar o Sombra preparando um ataque.
—PROTEJAM-SE!!—grita.
Ela se abaixa, o Sombra dispara os espinhos feitos de escuridão, eles são certeiros e acertam grande parte dos magos e feiticeiras, além de vários aldeões e inocentes perto. Corpos despencam, cabeças são estouradas, corações atravessados literalmente. Yen se ergue, rapidamente, suas mãos se aproximam e giram formando uma esfera de energia púrpura. Dispara na direção do Sombra, mas ele é rápido em abrir um portal no chão e fugir, antes da esfera de energia atingir o local, causando uma grande explosão.
—Ayo? Ayo?! Temos que parar Rita, agora!
A velha feiticeira caminha calmamente entre as árvores. No caminho, ela encontra Rita sozinha em meio ao nevoeiro. Apenas alguns poucos metros distanciam as duas feiticeiras.
—ainda pode desistir, Rita. Não é tarde demais.
—eu disse para você ficar fora disso.
—ainda pode voltar. Não morra por uma rainha que não morreria por você.
—pelo menos essa rainha da qual você fala viu o meu potencial, e me deu a chance de mostrar meu verdadeiro poder. E você?—dá alguns passos a frente—sempre escolheu Yen, sempre facilitou para ela... A sua preferida.
—sabe que não é verdade.
—jura?—mais alguns passos—você realmente acha isso?
É a vez de Ayo dar alguns passos a frente, serrando os olhos para a mais nova.
—fale o que quiser, dedique-se a nos destruir, lute por isso... A verdade é que você nunca passará disso—se aproxima, os metros que separavam as duas tornou-se centímetros—uma servente—Rita serra os olhos—acha que tem poder? Acha que é poderosa? Não é. Agradeça por não existirem mais dragões, pois aí sim você não seria nem lembrada e apagada pelo verdadeiro poder que sua mente nunca ousou imaginar.
—sua puta!
Rita a empurra. Afastadas, rapidamente Rita dispara sua rajada de magia, da cor preta apenas. Ayo é rápida em interceptar esse poder com o seu, lançando o vermelho alaranjado que compete com a escuridão de Rita. Olhos pretos, olhos vermelhos fogo que se enfrentam.
—sabe como Darkvin dominou Elden?!—o som dos dois poderes se enfrentando a faz gritar—uma grande névoa misteriosa destruiu os navios que traziam armamento e comida para o reino. Adivinha quem estava por trás?!
—foi você!
—poder não é isso que lançamos, poder é conseguir deixar reinos de joelhos!
Rita intensifica o ataque. Ayo é obrigada a recuar, fugindo do contato com aquele poder. Vai para trás de uma árvore que aguenta a energia lançada da outra. Ayo lança sua mão para o lado, uma lasca de metal é formada e é arremessada, batendo contra o chão, depois contra três árvores seguidas e enfim corta o ombro de Rita, a fazendo parar.
—ah!
Ayo surge por trás. Lança uma rajada, mais outra, mais outra, afastando Rita que não tem tempo de reagir. Ayo fecha seu punho e puxa o ar, uma árvore despenca, quase acertando a mais jovem, faz novamente o mesmo movimento, uma árvore do outro lado vem ao chão e Rita quase não escapa dessa vez. Ela contra-ataca, lançando três bolas de fogo onde Ayo se protege com escudo criado rapidamente por suas palavras e gestos feitos com as mãos. As duas correm, carregando seus poderes e quando se chocam, é uma explosão que ocorre como resultado. Yen que está distante apenas vê árvores despencando. Enquanto elas caem, Ayo e Rita trocam rajadas de energia.
—vamos acabar com isso!
Ayo levanta o pó da terra, criando uma cortina de fumaça. Desaparece em plena vista. Surge atrás de Rita, sem dar tempo de reação, a levanta no ar e então arremessa seu corpo que quebra galhos de árvores próximas. Caída e derrotada no chão, Ayo se aproxima da ex-aluna.
—chega dessa luta. Podemos lhe dar mais do que Darkvin jamais daria!
De costas, Rita se levanta e arremessa uma poeira negra nos olhos de Ayo.
—ah! Urg!
A visão da mesma fica escura, não vê nada, mas uma dor atinge seu corpo e ele pesa. Ela cai de joelhos aos pés da outra. Rita agarra os cabelos de Ayo, ergue seu rosto onde os olhos estão confusos e não se fixam em nada, numa pura escuridão sem fim. Materializa uma adaga em suas mãos e crava na barriga de Ayo.
—a-ah!—se aproxima do ouvido da derrotada.
—não preciso mais da sua ajuda, tutora—a deixa cair ainda com a adaga cravada—não tire, ou vai sangrar até a morte.
Vira as costas, seguindo em frente sem olhar para trás, com um sorriso de satisfação nos lábios.
—abrite sina.
A caixinha deixada pelo Sombra dentro da Muralha se abre, com uma fumaça preta dentro que não se expande ou foge, apenas fica ali, pulsando, chamando... Emitindo uma isca.
As gaiolas do exército dos corvos se agitam e balançam, com rugidos e gritos animalescos desconhecidos vindo de dentro. Os soldados abrem as grades, um silêncio perturbador ocorre mas é quebrado pelo estremesser da porta da jaula. Em uma delas, uma enorme garra de cinco dedos, afiadas e retorcidas como metal enferrujado. De dentro, o som de um rosnar lança um bafo quente que pode ser visto pelo ar quente.
Castiel
Agarro a lateral da carroça, puxando meu corpo pesado, tentando erguer meu tronco mas mal consigo virar de posição.
—ei, Castiel, não se mexe! Por favor!
Por trás dele, ao longe avisto um forte nevoeiro abaixo da grande colina que passo. Psico várias vezes pois meus olhos podem me enganar, ainda mais na situação em que me encontro.
—uhh, o que é isso?—Dylan olha na mesma direção.
—pela direção eu diria que Darkvin já chegou a muralha de Stagobor. Que azar... Se você passa pela muralha você pega o norte, é o que dizem—Dylan simplesmente agarra meu braço infectado.
—aahhrrrg!! Rrrgh!
—pelos deuses...—puxo, não suportando a dor latente—tá horrível isso, cara.
—rrrghh!!—levanto, criando forças enquanto tudo dói e arde ao mesmo tempo. Olho meu braço—porra...—a ferida escureceu, o sangue secou mas continua em carne viva sem a menor intenção de se curar—porra, porra, porra...—tiro minhas ombreiras, arranco meu peitoral, toda a minha armadura por completo eu tiro, a jogando em qualquer canto aleatório. Fico somente com minhas roupas comuns e botas pretas, e claro, o meu colar—a minha bolsa...
—o quê?
—a minha bolsa, caralho!—exalto minha voz para ele ouvir. Dá um pulo com o susto.
—ah, tá, claro, tá aqui.
Empurra a mercadoria da carroça e debaixo de tudo puxa minha bolsa de couro. Arranco de suas mãos. Encosto minhas costas na madeira da carroça, de dentro da bolsa pego um elixir de líquido vermelho. Tiro a rolha, bebo um pouco e em seguida derramo na minha ferida. Ela é coberta por uma espuma vermelha que estoura ardendo minha carne.
—rrrrrgghhhh!!! Ahhrg!
—isso deve doer...—deixo minha cabeça cair para trás.
—isso... Isso vai servir.... Ah, me tira daqui, porra... Eu tô começando a ver coisas...—mal consigo manter meus olhos abertos.
—ei, ei, Castiel, fica acordado, porra!—bate em mim mas não reajo—mas que merda!—volta para frente, dando partida.
—o mundo tem fim, pai? Se o mundo tem fim, então se a gente ir até ele vamos cair pra fora?
A levo em minha frente, sob a cela cavalga comigo e Destiny por um estrada no caminho de casa.
—não se preocupe, não vamos cair pra fora. O mundo é infinito, várias possibilidades. Vamos explorar todas—sorrio para ela—aqui—tiro da minha bolsa uma maçã—algo bom pra você se entreter.
No caminho, acabamos por parar. Desço da minha égua deixando Masea esperando por um tempo. Com um balde, me aproximo de uma cachoeira, deixando a água encher, cristalina perfeita para consumo.
De repente, escuto um grito agudo e rapidamente largo o balde correndo de volta. Subo para a estrada, encontrando somente Destiny sozinha, mas Masea... Masea sumiu.
—Masea! Masea! Masea!—começo a chamar pelo seu nome—Masea! Masea! MASEEEEAAAA!!!! FILHAAAAA!!!
—Castiel... Estava esperando por você—me viro, encontrando uma figura mais que familiar.
—Sayon.
Narrador
—Darkvin está avançando! Estão nos invadindo! Carol, volte e não pare de correr!—grita Yen para uma das feiticeiras que corre fugindo dos soldados que começaram a avançar sem parar.
Carol, uma mulher alta e loira com vestidos elegantes mas suja pela luta que enfrentou, se vira para os soldados. Mais alguns magos se juntam a ela.
—não façam isso!—Yen vê o que eles planejam—parem! Fujam!
Carol estende suas mãos e todos aqueles que os perseguiam param. Ela está prestes a quebra-los quando uma criatura desconhecida, enorme pula das árvores atrás dela. Suas garras douradas destroçam a feiticeira, em pedaços, rasgando sua carne e chacoalhando como um pano sujo, restando apenas uma parte de seu tronco e metade de sua perna direita. Uma grande coroa de crista na cabeça, dourada, com expressão esquelética, torso largo e cintura fina, de quatro patas, algumas manchas douradas pelo corpo. O monstro modificado rosna e grita para os magos sobreviventes. Sua calda longa, com mancha dourada na ponta, raspa no chão em ameaça.
Os magos não tem chance quando gosmas se prendem em suas pernas. São arrastados para onde surge outra criatura, enorme com várias patas e braços, quatro olhos pela cabeça de aranha grotesca. Ela rasga os magos do meio, bebendo seu sangue no processo. As duas criaturas trocam olhares, antes de levarem sua atenção para um mesmo lugar: a muralha. Algo está atraindo eles para dentro. Os dois partem correndo naquela direção. As árvores aos arredores tremem, balançam com a movimentação de mais criaturas chegando, mais monstros se aproximando, atraídos para a grande fortaleza.
—IRENE!!—Yen grita se apoiando na lateral da torre—estão vindo! Consegue fechar a porta?!—no campo abaixo, Irene troca olhares entre a entrada e Yen.
—eu vou tentar!
Ela corre para a porta aberta, que está prestes a ser invadida. Estende suas mãos, raízes grosas e poderosas surgem da terra, cobrindo em movimentações rápidas como cobra, elas tampam a entrada. Após fecha-la totalmente, Irene comunica telepaticamente a Yen.
—vão segurar, mas não por muito tempo!
—tentarei achar Ayo, precisamos de ajuda!—se vira para o horizonte—Ayo, Ayo! Onde você está?!
Abaixo, os monstros surgem, irritados com o que quer que esteja atraindo eles ali para dentro. Yen percebe algo estranho, els parecem descontrolados. Seus olhos olham para dentro da muralha, são rápidos em avistar uma caixinha de metal que lança uma escuridão arenoza para os arredores.
—Vivian!—grita—a caixa!
A feiticeira avista o que ela aponta. Pula da escada próxima em um mortal, descendo até onde o objeto está. Suas mãos agarram a caixa, lança por um portal que leva até Yen, onde a feiticeira segura a caixinha. Seus olhos brilham púrpura e usa seu poder para esmagar, para destuir a caixinha e ela explode. Olha para os monstros mas eles não parecem diminuir suas agitação. Alguns Sombras aparecem entre eles, como os verdadeiros comandantes das criaturas. O que divide eles da muralha é a ponte decadente que passa por cima do pequeno rio que cerca a frente da grande fortaleza.
—merda!—pregueja. Quando ela se vira, uma adaga perfura sua barriga—ah!—segura o braço da autora do golpe que se revela ser Vivian, com um sorriso perverso.
Yen percebe os olhos da amiga, banhados em uma escuridão arenoza.
Os Sombras juntos formam uma esfera de poder, de pura escuridão. Arremessam o poder, que atinge a muralha por um todo. Uma grande explosão, lançando todos ali dentro em suas torres para longe. Yen é atirada para fora, acompanhada de Vivian. As duas caem no rio abaixo, sendo levadas pelas ondas agressivas. Batem contra as pedras enquanto são levadas.
Um dos Sombras dá um passo a frente, estendendo sua espada para o alto. Ele abaixa, cortando o ar. Todos os monstros pulam e atacam, destruindo o que resta da entrada da muralha. Conseguem a adentrar e o que fazem lá dentro, é uma pura carnificina.
[...]
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