‹⟨ 19: O Cervo e o Corvo ⟩›

Horizon

Ayo caminha pelo corredor, segurando seu vestido negro com as mãos. Sobe as escadas adentrando a grande porta de madeira escura. Elas se fecham pela vontade mágica da feiticeira. Se senta na grande mesa redonda, onde os concelheiros levam a atenção para a única mulher entre eles ali. Ela se senta, de queixo erguido e sem baixar a guarda. Ayo se senta em frente a Girdwalfd.

—então, já sabemos porque estamos aqui—Yesken fala.

—sim—Ayo responde.

—Darkvin parou seu avanço, estabeleceu uma base em Elden—Balter continua—o quê eles planejam?

—não sabemos. Nenhum de nossos sentinelas consegue se aproximar, mas que estão totalmente parados não é verdade—Girdwalfd relata.

—diga, Girdwalfd.

Ela revira os olhos, pois pareceu uma ordem de Ayo e ele odeia receber ordem, mais especificamente dela.

—a movimentação deles está estranha, parados, sem se mover. Um reino que almeja conquistar outros não fica assim.

—ele está certo—olha para Yesken—parecem atrás de algo, além de novos territórios.

—a questão é:—a única mulher ali pousa o dedo indicador na madeira—o quê procuram e o quê planejam seguindo em frente? A rainha? Não ouvimos falar há tempos, Darkvin está fechada para apenas os seus.

—o quê temos até agora?—Balter direciona o olhar para Yesken.

—a rota em que estão é para o norte, Elden foi uma importante aquisição pelos minérios e fartura em metais—suspira—e estão procurando algo.

—ou alguém...—Girdwalfd completa.

Os quatro trocam olhares receosos. Uma tensão no ar se estabelece acompanhada de uma pitada de temor.

—se Darkvin chegar no norte, sabemos que será uma força imparável—Ayo diz—temos que interferir.

—não fazemos isso, Ayo—Girdwalfd responde—uma das nossas está lá. E até agora, Darkvin não manifestou qualquer intenção de ameaça contra nós.

—isso é questão de tempo!—Ayo se levanta, afastando sua cadeira.

—até onde sabemos, isso não irá acontecer!—o velho se levanta também—não somos soldados, não somos caçadores. Não queremos uma guerra!

—é exatamente isso que veremos acontecer se não nos posicionarmos. Quem não se posiciona é cúmplice!—aponta o dedo.

—já chega!—Yesken levanta, acompanhado de Balter—não somos selvagens para atuar como tais. Vamos convocar todos os magos e feiticeiros de Halla, essa decisão deverá ser tomada por todos que tem direito de falar—encara os dois.

—ele tem razão. Sempre agimos pela democracia, não é agora que isso irá mudar. Convoquem seus pupilos, eu irei enviar corvos para todos os nove reinos e além avisando de nossa reunião. Preparem-se.

Uma última troca de olhares entre todos, com a tensão e os nervos aflorados. Um olhar afiado e perigoso é disparado em chumbo trocado entre Ayo e o velho Girdwalfd.

Edward e o trio de irmãos seguem caminho pela floresta, seguindo para um caminho que desconhecem e que se deixam ser levados pelo destino. Loren acompanha o mais novo lado a lado, sendo companheiro e se recusando a sair de perto do garoto. As duas irmãs riem e se divertem zombando do irmão, que a mistura de seus sentimentos por Edward parece que irá provocar diabetes nas outras que seguram a vela.

Loren olha para ele, meio tímido e o dedo bate contra o tecido de sua calça, ansioso por algo. A cada passo, seus olhos cinzas percebem o aproximar do corpo do outro e com isso, a mão do menor. Suas orelhas se mexem involuntárias e sem controle do dono. Um barulho de galho se quebrando assusta todo o grupo. Anna se agarra em Calen, quase pulando em sua garupa.

—ah! Porra! Espera!—Calen tenta se livrar da caçula.

Quando Loren percebe, foi Edward que tomou atitude e entrelaçou os dedos com o elfo, apertando com o suor e susto que levou. Seu peito sobe e desce com respiração afoita.

—ei, calma!—Loren não pode negar que achou fofo e engraçado. O coração do elfo se aquece com a aproximidade de Edward, o qual busca refúgio instintivamente—deve ter sido só algum animal ou cervo.

—tem certeza?—os olhos azuis fitam os cinzas profundos—e se for algum Sombra?

—ei!—ri um pouco. Pega as duas mãos pequenas comparadas às suas—se for algum, tenho certeza que você acaba com ele. Você é muito mais forte que eles.

O outro sorri, se sentido seguro e confortável. Os dois mergulham em um mundo de flores e calmaria que existe somente o elfo de olhos cinzas e o garoto de cabelos brancos prateados.

—aah, AI!

O grito de Anna puxa os dois para a realidade, e quando olham, Calen já deu uma cotovelada na irmã a obrigando se desgrudar de seu corpo.

—já disse pra sair!

—ah, desculpa! Doeu!

—foi com o meu cotovelo, não com uma flor que eu te bati. O que esperava?!

—grossa!

Calen deixa os olhos baixos.

—sou mesmo. Enfim,—Calen caminha na direção dos outros dois—ae, casal—passa pelo meio deles, os separando—eu sei que parece lindo esse início de jornada—se vira, com Anna se juntando aos garotos—mas é só o início—ela puxa um ar inflando o peito—e depois disso, o negócio não vai ser bonito, ainda mais se encontrarmos com os Sombras—olha para Edward—então, como no momento não sabemos para onde ir, proponho um treinamento até termos uma direção. O quê acham?

Os três a frente trocam olhares, em seguida acenam, sem muita escolha já que o tom que a mais velha usou deixou isso bem claro.

O grupo encontrou um riacho calmo que seu único agito é as ondas provocadas por uma cachoeira pequena próxima. O verde rodeia as extremidades da água, acompanhado de árvores lindas e grandes que acalma o espírito de quem esteja perto. Na beira das águas, com seus pés sob as pedras molhadas e úmidas, Calen com as mãos para trás discursa para os outros três em sua frente.

—primeiro, antes de começarmos, quero que mostrem o que sabem fazer.

—eu nem sei lutar—diz Edward.

—mentira. Numa luta pela sobrevivência, nosso instinto é ativado e nesse momento, nos tornamos feras na batalha. Mostrem o pouco que sabem, ou o nada que sabem—o garoto fica em silêncio.

Calen deixou seu lado de irmã guardado em um baú esquecido na sua mente, no lugar, ela libertou a elfa guerreira que treinou por toda sua vida superando até mesmo os homens de sua casa. Ela vai ensinar essas crianças a dançaram, a seguirem o ritmo até dominarem a pista. Ali, está os seres pelos quais ela mais sente carinho e medo de perder... Precisa prepara-los, é seu dever como mais velha e ela adotou esse peso por vontade própria e o leva em suas costas, como uma responsabilidade honrada e digna dos deuses.

—Edward, Loren, os dois, venham.

Os chama. Os coloca um em frente ao outro, lhes entregando dois galhos compridos e finos pelos quais ela encontrou no chão. Antes de apanha-los, ela se abaixou e pediu permissão para a floresta, para as árvores e o vento que responderam em um sussurro calmo e relaxante para seus ouvidos.

—agora, lutem.

—o quê?—os dois são pegos de surpresa.

—foi o que ouviram. Mostrem o que sabem lutando um contra o outro.

—mas... Eu posso machucar ele—Loren aponta para o outro. Edward fica indignado, serrando o cenho.

—acha que eu não posso acabar com você?—o outro garoto dá um passo para frente.

—o quê?! N-não! E-eu...

—pois bem—segura o galho com mais firmeza—me ataca—sorri o desfiando.

Calen sorri pela atitude do garoto. Ela olha para o irmão mais novo.

—você escolheu bem, Loren. Esse sim é o meu cunhadinho dos sonhos.

—o quê?—Loren olha para a irmã e em seguida para Edward. Solta um ar pelo nariz, sorrindo, finalmente se entregando ao desafio—muito bem. Que assim seja.

Então os dois partem correndo, se encontrando com suas armas se chocando, enquanto dos dois mantém os sorrisos convencidos e desafiantes nos lábios.

Calen se afasta, se juntando a caçula que está sentada num tronco de árvore.

—acha que foi uma boa idéia botar os dois de início?—pergunta. A outra ri.

—claro. Vamos ver se esse casal vai vingar—diz se divertindo.

—você é tão horrível—balança a cabeça.

—hum, encare isso como teste hahahah!

—você ainda vai tortura-los bastante, né?—encara a mais velha, que reponde com um sorriso e olhar perverso—medo de você—volta sua atenção para os dois que lutam.

Edward é jogado para o chão, pela força do maior, que mesmo que fosse um ser humano já teria uma certa vantagem sobre o outro que é inexperiente, mas Loren tem a adição de ser um elfo que naturalmente é mais forte que um humano normal... Mas Edward até agora se mostrou tudo, menos normal. O menor se levanta. Loren por um momento se sentiu culpado pelo golpe, desejou ir até o menor e acolhe-lo mas se manteve firme na posição de adversário.

—isso é tudo que tem?—pergunta—esperava mais de um elfo, ainda mais de você.

—como assim?—ergue uma sobrancelha, mas acaba entrando na onda do outro.

—o quê que cê acha, hã?

Loren sorri. O elfo corre, confiante e determinado, com o pensamento que será mais uma vez fácil derrubar aquele garoto. Ataca, Edward desvia já sabendo como seria o primeiro ataque do outro. Dá uma rasteira no elfo, que despenca batendo as costas no chão. Edward aproveita e sobe em cima do outro, praticamente sentando em sua cintura, ficando cara a cara com o galho apontado para seu rosto.

Loren não gera reação já que foi pego de surpresa e com tamanha confiança que teve, manteve a guarda baixa. O garoto por cima respira fundo, com um sorriso de campeão enquanto o outro tem o sentimento de admiração e parece que a paixão em seu coração se ardeu e queimou mais do que ele achava ser possível. O elfo adora ver o menor por baixo, mas admite que a visão que encara no momento não é de todo ruim...

—eu venci!—o outro sorri. A mão do elfo solta o galho e desce até a cintura do menor, que treme pelo toque e perde a postura.

—até que perder, não é tão ruim...—diz expondo seu sorriso, com suas presas a mostra—se eu sempre tiver essa visão sua.

Edward engole uma saliva, soltando o galho de seus dedos. Loren levanta seu tronco, ainda segurando a cintura do outro e o deixando em seu colo. Encara os lábios finos e rosado do de cabelos brancos.

—aqui não...—pede, em sussurro—suas irmãs estão logo ali.

Como se estivesse hipnotizado, Loren encara as irmãs. Calen encara de volta, brava e bufando. Anna olha pro outro lado, vermelha de vergonha.

—foi mal—sorri sem jeito.

—RAHH!!

—OPA!!

Os dois se abaixam, desviando da pedra que foi arremessada pela mais velha. Ela se levanta.

—vamos de novo. Anna, você vai contra mim. E o casal, acho melhor esperar até acharem uma cama para se comerem.

Loren sorri malicioso para Edward que o acerta com um soco no peito e logo se levanta, recuperando sua postura. Loren fica de pé igualmente, ainda se recuperando do golpe que levou. Com os garotos afastados, agora é a vez das garotas.

—vamos, Anna, vamos mostrar como se faz—a outra sorri.

—tem certeza?

—absoluta. Vamos deixar a coisa mais séria—em vez do galho, escolhe sua espada—hã, que tal?

Anna sorri fechando os olhos com o cenho agora baixo. Abre suas orbes encarando a irmã com uma expressão que Edward nunca viu antes... De desafio, de garra e determinação pura.

—huh—ri abafado—que assim seja—Anna puxa seu arco.

Prende a aljava em suas costas. Puxa uma flexa, deixando na mão esquerda, entre os dedos, abaixo da cintura ela balança aquilo como um ioiô. Calen olha aquilo, ri consigo baixando a face. Abre os olhos, ainda sorrindo. Balança sua espada para baixo.

—hah!

A mais velha põe o pé direito para trás. Os garotos olham as duas encantados, por todo o clima que paira ali. Na mente das duas, elas se lembram de quando eram crianças, onde desafiavam uma a outra até uma das duas cair. Calen olha aquele balançar de flechas sem parar, como um relógio de bolo que balança... Tic, tac, tic, tac...

Calen inicia sua corrida, usando toda sua força nos pés. Anna dispara a fecha. Calen desvia, abaixando sua cabeça. A lâmina do disparo corta um fio de seu cabelo. A mais nova continua a disparar, uma, duas, três flechas seguidas. Calen gira no ar lateralmente, fugindo delas. Ela corre, pulando. Sua espada bate contra o arco. As duas irmãs se encaram ferozes, mas com grandes sorrisos nos lábios.

—eu nunca vi esse lado da Anna...—Edward comenta distante.

—eu também não...

As duas começam uma grande disputa de quem acerta mais golpes na outra. O arco e a espada de chocam várias vezes, mais flechas são disparadas e desviadas. Calen chuta uma flecha de volta para a dona, que corre para desviar. Isso dá uma passagem e Anna é derrubada, com Calen se agarrando em seu corpo. As duas rolam pelo chão, trocando golpes. Anna ataca mas é bloqueada, Calen acerta um soco mas recebe um chute. Quando Ann se vira se costas para aplicar um golpe certeiro, Calen a prende em seus braços e a impede de se mexer quando aponta a lâmina de sua adaga para seu rosto.

—perdeu, irmãzinha—Anna solta uma rizada.

—hah. Eu acho que foi empate.

Calen olha para baixo e vê o objeto que sentiu fazer pressão contra seu abdômen. Anna tem uma adaga apontada bem onde provavelmente causaria um sangramento mortal.

—huh. Como te ensinei—após mais risadas de ambas, Calen olha para os garotos—então, vamos continuar?

Os quatro continuaram seus treinamentos, orientados pelas experiências de Calen que os ajuda. Após horas de treinos, já se encontram cansados e atirado pelos cantos, encostados nas árvores. Edward deita  a cabeça no ombro de Loren, recebendo um cafuné que é muito bem vindo.

O garoto escuta um ruído de uma folha seca se quebrando. Levanta a cabeça, olhando para os lados. Atraído pela movimentação na mata, ele se levanta e corre até o som.

—Edward!!—Loren parte atrás do garoto. Suas irmãs o seguem pelo caminho, sem entender o que aconteceu.

Os galhos das pequenas árvores e arbustos não são suficiente para impedir o garoto que os atravessa, determinado a encontrar de onde veio o barulho. Abre espaço com as mãos, encontrando um local que é coberto por árvores mas em seu topo, os galhos se abrem em uma forma muito parecida com a de um trevo. Por aquela passagem, a luz dourada e quente do sol atravessa, atingindo a pele e todo o ambiente puramente verde e cheio de vida, preservado em sua beleza. Edward aprecia os raios de sol de olhos fechados, sentindo o calor gostoso que é um relaxante natural para a mente.

Abre suas orbes azuis, encontrando o responsável pelo barulho que chamou tanto a atenção. Ele surge do outro lado. A realidade é totalmente diferente do que ele se quer havia imaginado. Espera tudo e qualquer um, mas não que o responsável... Fosse um cervo branco.

O animal avista Edward. Os dois ficam parados, enquanto se olham profundamente em um caminho que leva para dentro de seus seres. Loren e suas irmãs logo chegam, se juntando ao garoto.

—uau... Um cervo branco—comenta Anna.

—é bonito não é?—pergunta Edward.

—com certeza—Loren concordo.

O cervo dá passos com seus cascos, atravessando a grama verde e saudável chegando até Edward. O animal é muito maior do que visto de longe. O trio de irmãos fica com suspeitas perante a aproximação repentina, mas Edward não, ele aceita isso e está tão curioso quanto o belo animal em sua frente.

olá—diz o cervo, com uma voz aveludada e meiga.

Os outros arregalam seus olhos e trocam olhares surpresos. A voz falha ao tentar falar qualquer coisa em resposta ao cervo.

—o-olá? Você fala?!—Diz Anna, impressionada.

—sim—diz simples o cervo—meu nome é Kaolim. Qual o de vocês?—sorri, o que deixa Edward e os outros mais assustados e inacreditáveis.

—eu sou Edward. Aquele é Loren—o elfo atravessa a distância que o separava de Edward, ficando logo atrás do garoto. Não consegue evitar que sua mão rodeie os ombros magros de Edward—aquelas são Calen e Anna—aponta para cada uma. Anna acena, sem jeito enquanto Calen apenas encara suspeita.

—bom... Já ouvi falar de você, Edward.

—ouviu?—fica curioso, dando um passo a frente. Loren o acompanha.

—sim. Desde o anúncio da chegada dele.

Todos se encontram confusos pelo que Kaolim diz. Calen se põe a frente, com Anna logo atrás.

—do que está falando, cervo?

O grande animal olha para os lados, como se alguém estivesse a espreita e o que for dito aqui não deve ser espalhado. O grupo se encontra mais confuso que antes. Porque tanto cuidado? Kaolim dá mais passos, se aproximando do jovem rapaz.

Ahady está à caminho.

Todos são hipnotizados pela fala do animal, inconscientemente, um arrepio atinge suas colunas por só ouvirem esse nome forte numa frase com um contexto desses. É mais que isso, é o sinal de que as coisas estão evoluindo para algo muito mais sério do que pôde se quer imaginar. A maior lenda de todo continente Halla e do mundo de Halla, mesmo em outras crenças, está regressando.

Depois de sua saída de Montór, Castiel seguiu seu caminho. Escala o penhasco rochoso de cor amarela, com os farelos e pedras despencando no processo. Veste sua armadura por completo com o manto cobrindo seu corpo, deixando seu rosto mergulhado em uma sombra que destaca seus olhos amarelos. Leva sua espada nas costas, que agora, tem o pingente de lobo branco com os olhos de rubi preso no limite entre o cabo e a lâmina. Uma lembrança que leva consigo para as batalhas, principalmente depois de se lembrar a quem pertencia isso e indiretamente, lembrar que já faz anos que não vê Yen ou teve notícias suas ou até mesmo de Dylan. Porque se lembrou disso agora?

No topo do penhasco, ele avista uma grande frota em linha que marcha pelas estradas das montanhas. Carregam o símbolo do reino a quem servem. Um corvo de asas abertas em frente a um escudo vermelho, circulado com a cor dourada e folhas da mesma cor abaixo. Além dos próprios detalhes em dourado da bandeira que eles erguem com orgulho.

O símbolo de Darkvin. O reino dos corvos marcha na direção do norte. Castiel sente um aperto em seu coração. Darkvin finalmente está pondo seu plano em prática, depois de anos em planejamento, uma coisa que não ocorre desde da era de ouro, quando houve a queda dos Wyndrivver: o norte corre perigo.

Castiel desce o penhasco, entrando em uma estrada paralela mas que leva para a mesma direção de onde Darkvin marcha, mas não possuem o mesmo destino. O caçador continua em sua estrada solitária e com seu objetivo próprio: descobrir quem está fazendo mutações nas criaturas.

[...]

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