Capítulo 29 - A tumba de Gaiseric
A tumba era gigante. De primeira impressão é essa conclusão que se pode tirar ao ver suas paredes perfeitamente polidas e pintadas com cores vivas e pulsantes. Padrões exotéricos de cor amarelada como ouro ocupava quase 90% de tudo ali, era um contraste interessante com o lado de fora que era feito de mármore negro. Grandes pilares sustentavam o teto maciço a quase vinte cinco metros acima. No meio do corredor, vários outros corredor que ligava a entrada onde eles estavam a uma outra sala. Nas laterais grandes buracos que não era possível enxergar o fundo. Chamas queimavam nos braseiros ao logo do caminho iluminando cerca de quarenta metros até a próxima porta, que por sua mês tinha uma textura de aço e ouro e ordenada com runas e brasões reais. No alto das paredes, grandes sacadas davam uma visão pouca privilegiada de quem está embaixo, mas uma ótima visão da entrada de quem está lá. Encima da grande porta, gravuras em relevo de oito esferas pegando fogo descascava judiadas pela ação do tempo sem manutenção adequada.
O brilho os deixou de frente a uma falsa-porta. Obeliscos erguiam-se nas laterais. Runas de encantamento estavam talhadas e brilhavam em vermelho. No chão s círculos alquímicos brilhavam pulsantemente. As runas de Trafalgar pararam de brilhar.
-O que foi que acabou de acontecer? –Perguntou Sirius.
-Uma engenhoca que você encontra em quase todas as ruínas antigas mais rudimentares. Um toque, e você é levado para você não sabe para onde. Isso se você souber ler essas runas. Os pontos mais delicados de como elas funciona eu não entendo muito, mas são úteis mesmo assim. O que mais um pirata do céu precisa saber? –Respondeu Gerlon.
Eles se deslocaram alguns passos para frente. No chão, um único círculo alquímico tinha no chão. Duas escadas nas laterais de onde eles estavam descia alguns metros e se conectava ao corredor. Eles desceram as escadas e os ecos de seus passos soavam como pedras, com sons finos e delicados. Sirius caminhou até um braseiros e olhou para baixo mas não enxergou nada. Deixou uma gosta de cuspe cair no escuro, a gota caiu alguns metros e foi engolida pela escuridão. Ele mexeu suas orelhas. Os azulejos do corredor eram de cor de areia e não seguia um padrão lógico, alguns tinham as mesmas cores mas outros tinham cores mais escuras, outros vermelhos, outros como se fosse queimado. Atrás deles um pequeno altar destruído e duas grandes estátuas de quase cinco metros faziam a guarda. De pele e aspectos metálicos tinham cabeças de dragão e seguravam duas espadas em frente ao peito. Seus pés direitos estavam um passo a frente, trajavam armaduras e encaravam a porta metros a frente deles, de onde quer que você estivesse, a sensação é que eles o observavam em qualquer direção. Seus olhos brilhavam num tom branco opaco.
Sendo uma armadilha para impedir que aqueles que não são de sangue real entrem no túmulo dos reis. Com espadas gigantes gêmeas desembainhadas e um pedaço de parede nas costas, as estátutas desafiam todos que procuram profanar o local de descanso de seu imperador. Pensava-se que estes dispositivos diabólicos foi construído durante a aliança de Nibelungo, e o conhecimento dos mecanismos de sua operação foi perdido em tempos imemoriais. Na parede, a imagem de Gaiseric está esculpida em relevo, sendo esta a última coisa que a maioria dos intrusos vêem antes delas exterminarem os intrusos de quem ousa atrapalhar o sono do imperador, com suas enormes espadas, esmaga seus ossos até transformar em pó. Eles caminharam pelo corredor até parar de frente a grande e pesada porta. Zafira recuou um pouco, com receio, ela temia que estivesse levando eles para a morte certa, ela não sabia o que tinha do outro lado. Ela esticou a mão a direita e tocou na porta. Como o som de algo pesado se arrastando, a grande porta se abriu e eles adentraram em outra sala totalmente escura. Eles não conseguiam enxergar mais do que alguns centímetros.
Lá na frente, chamas surgiram do nada. Elas estavam a alguns metros acima do nível deles. Em fileiras chamas surgiram uma após a outra, aumentando a claridade da sala. Cinquenta metros a frente deles, outra estatua guardiã se prestava em uma posição de guarda, com espadas dessa vez apontadas para frente, ela estavam numa posição de combate. Seus olhos brilhavam em um branco opaco, entre suas pernas outra grande porta semelhante a essa que eles acabaram de passar.
Eles caminharam lentamente quando ou viram um som de CLENK. Algo metálico eccou, o rosto da estatua se mexeu e os encarou. Seus olhos mudaram a cor de branco para vermelho.
-Aquilo não me parece um bom sinal –Disse Sirius.
Spike e Ferecks sacaram suas espadas. Gerlon puxou sua escopeta de seu coldre.
-Não sei como enfrentaremos isso. Seus olhos brilham como morte –Disse o pirata.
Flora e Mikka ficaram mais atrás com Sirius. Zafira tinha a sensação de que aquela luta era desnecessária. Ela encarou a estatua e, mesmo com medo andou sozinha.
-Majestade! –Disse Spike, mas ela não deu ouvidos.
Suas mãos estavam longe de sua espada. A estatua desceu do pedestal e com passos pesados avançou. Zafira parecia estar em um estado de transe, mas não estava, ela apenas sabia que não aconteceria nada. A cada passo um fio fino de poeira caia do teto em todas as direções. Os dois capitães avançaram para proteger ela.
-Pirata! Nos ajude! –Gritou Ferecks.
Nesse momento Zafira estendeu a mão para trás. O grupo se calou atrás dela. A estatua metálica ergueu a espada no alto e desceu com força, mas parou no último segundo. A arma de ferro parou alguns centímetros da princesa, seus olhos vermelhos encararam a princesa dos pés a cabeça e mudaram para a cor branca. Ele recuou sua espada e voltou para seu pedestal, assumindo novamente sua posição de guardião.
-Espera? Como você fez isso? –Perguntou Mikka, confusa.
Todos estavam boquiabertos com o que aconteceu.
-Como você fez ele parar de te atacar? –Indagou Gerlon.
-Eu não sei –Disse ela – eu simplesmente não sei. Eu só senti que ele não faria mal algum a mim...
-Por ter o sangue real. O sangue de Gaiseric. –Disse Flora.
Spike e Ferecks se entreolharam.
-A função das estatuas é eliminar qualquer intruso que tente profanar a tumba. –Disse Ferecks.
-Quem tem sangue real, jamais faria isso, não há necessidade do rei ou quem seja, de sangue real profanar, eles entenderam que é a necessidade do herdeiro. –Completou Spike, guardando sua espada.
-Se fosse qualquer um de nós, sema presença do sangue real conosco, a estatua já tinha eliminado e não haveria nada que pudéssemos fazer para impedir. Quem não garante que aquelas ali atrás de nós fizesse o mesmo? Zafira estava com a gente o tempo todo e nada aconteceu. –Comentou Gerlon, guardando sua arma no coldre.
-Quantas pessoas será que morreram para essa estatua? –Perguntou Sirius.
-Não sei, não vejo restos mortais de ninguém. –Respondeu Spike.
-E também não há cheiro de morte –Respondeu Flora –Se muitos tivessem sido mortos aqui, esse lugar deveria ter uma atmosfera propensa a fantasmas e almas lamentadoras.
-Essa tumba é um lugar muito bem escondida, não é qualquer um que chega até onde estamos. É capaz de sermos até o primeiros depois de séculos. –Respondeu Ferecks.
As orelhas de Sirius ficaram de pé, ele sentiu um calafrio gelar sua espinha.
-Vo-você di-disse fan-fantasmas? –Ele arregalou os olhos.
Flora deu um leve sorriso e fez que sim com a cabeça.
-Mas relaxe, não são assombrações, há fantasmas neste salão mas são criaturas que habitam esses ambientes, nós a chamamos como criaturas tumulares.
-Você consegue enxerga-los?
-Nós conseguimos enxerga-los. Se você tiver sorte, poderá ver um nessa tumba, não desista –Disse ela, lhe dando uma piscadinha.
Eles seguiram em frente, desviando os caminho da estatua guardiã. Deram a volta no pedestal e subiram os degraus da escada a esquerda da estatua e se deram de frente com outra grande porta, Zafira abriu novamente.
Eles chegaram em um local alto, no meio um enorme vão. Nas laterais infinitos corredores e passagens escuras formavam uma espécie de labirinto vertical. Braseiros queimavam e davam um aspecto assustador a tumba. Enormes teias de aranhas bloqueavam portas e cobriam partes do teto. Olhares selvagens brilhavam dentro de frestas das paredes, sons de corrente e animalescos podiam ser ouvidos acima e abaixo deles. Os caminhos eram retos e perfeitamente alinhados com os andares acima. A medida que ia para baixo, o vão iria se afunilando e os corredores e passagens se tornavam mais próximas. Nas paredes, grandes estatuas guardiãs faziam a guarda, algumas faltavam cabeças, outras braços e pernas. Sirius e Mikka tiveram quase certeza que viram uma inacabada.
A frente deles, o caminho descia em enormes e confusas escadarias de pedra. Elas foram construídas em todas direções, que saiam de corredores e conectavam a outras passagens e outras que ligavam o lugar nenhum para canto algum, justamente na intenção de confundir ladrões que soubessem usar magias. O teto estava tão alto que não era possível medir sua altura, mas ele estava lá. Ferecks arregalou os olhos, surpreso com a tumba. Gerlon e Flora se apoiaram no parapeito.
-Incrivel... –Disse o lobo - Dói-me ver como eles pilham um lugar tão solene.
-Os poucos que conseguiram –Corrigiu Spike.
-No entanto, sem ajuda, você e eu não somos nada. Não é assim? –Respondeu Zafira.
Ferecks bufou e desviou o olhar para baixo. Zafira continuou:
-Ele pensa sempre e sempre em seu próprio lucro. Assegure-o disso, e ele permanecerá fiel à nossa causa.
Ferecks cerrou os punhos.
-Não compartilho da confiança de Vossa Majestade!
-Continuaremos isso mais tarde. Agora devemos nos preocupar em encontrar o Tesserato Esmeralda. Dorme, na espera. Em algum lugar no fundo.
-Como você pode ter certeza? –Ele cruzou os braços.
Por um momento, sua voz falhou. Zafira mais uma vez se pegou distante dali. Algo perturbava sua mente. Sua voz soou calma e serena.
-Eu... eu... eu posso ouvir seu chamado. Desculpe, eu não sei explicar. Você agora não querem pensar que estão seguindo alguém sem ter consciência do que está fazendo...
-Entramos nessa juntos, majestade. Seguiremos firmes a você. –Comentou Spike.
Zafira deu um leve sorriso e ela se sentiu um pouco mais segura de si.
-E para onde ele está nos chamando? –Perguntou Mikka.
Zafira olhou ao redor as incontáveis passagens, mas ela sabia (não saberia como dizer como sabia, mas sabia) que não era nenhuma daquelas, uma presença, uma sensação mágica alisava seus pés sutilmente com um calor. Não um calor de fogo, mas uma sensação reconfortante, um calor materno, fraternal. Ela caminhou até o parapeito a sua esquerda e apontou para baixo. Sirius voltou a sentir calafrios em sua espinha.
-Lá tem fantasmas?
-Vamos descobrir –Disse ela.
Eles desceram as escadas e chegaram a uma plataforma com três grandes círculos alquímicos e runas de Trafalgar. Nas laterais, escadarias que levavam a níveis inferiores através de grandes passagens esculpidas em rocha. Acima deles morcegos brancos voavam livremente e se penduravam de cabeça para baixo no alto. O morcegos de ferro, como são conhecidos, são uma espécie de morcegos com quase um metro e meio de envergadura, possui um cefalotórax achatado e uma boca fina. Sua pelagem é numa espécie de branco que, quando refletida no sol, dá uma aparência metálica daí o nome. E sendo assim, seu corpo é envolto em uma fina pelagem branca, e favorecendo a escuridão a luz do dia. Conhecido por empregar gritos de um tom extremamente alto como meio de navegar na escuridão (eles não tinham olhos), bem como privar suas potenciais presas de seu senso de direção, uma abordagem um pouco mais convencional sendo usada posteriormente para elimina-las. Alimenta-se de insetos e criaturas menores, mas também é famoso por atacar em bando criaturas maiores, dando a visão extraordinária (e aterrorizante a ponto de se ter fobia) de um brando de criaturas de asas brancas salpicadas de vermelho como sangue fresco quando acabam com seus inimigos.
Eles desceram inúmeros degraus até que chegaram em outro andar. Vários morcegos voaram sobre suas cabeças. Eles seguiram em frente, ignorando a escada ao lado, caminharam alguns corredores e encontraram uma porta. Zafira abriu.
-Não estamos perdidos, né? –Perguntou Sirius.
-Eu espero que não. Vai saber o que esse lugar nos reserva? –Disse Gerlon.
A porta se abriu e eles foram parar em outro comodo. Um caminho para a esquerda e outro para a direta. As chamas nos braseiros voltaram a se ascender, eles pegaram o caminho da direita e encontraram algumas sacadas de ossos. Eles caminharam até chegar a um outro grande salão, no meio um altar com um caldeirão soltando uma fumaça amarelada. No chão símbolos alquímicos brilhavam.
-Essa tumba é bem guardada para um morto. –Gerlon analisava o caldeirão.
-Isso não é magia, é alquimia. Elas não tem função mágica. –Respondeu Zafira
-Isso são símbolos de mágicos. Alguém está tentando criar novas magias ou funciona apenas como um loop mágico –Respondeu Flora.
-Loop mágico?
-Existem algumas formas de se aprender e criar magia. Alquimia é uma delas. Você sabendo como funciona algumas ciências mágicas, a alquimia consegue produzir. Claro, há diferenças para quem sabe usar e para alguém que não sabe. Loop mágico pode ser que esse troço esteja reproduzindo alguma magia de ocultação. Pode não ser das melhores, mas funcionou por séculos. Ela reaproveita suas propriedades mágicas para se renovar, assim que se cria Loops mágicos.
-Você consegue reproduzir? –Perguntou Gerlon.
-Não, eu tenho força vital, nenhum ser vivo que eu conheço consegue entrar em um Loop mágico. Apenas objetos e só objetos conseguem fazer isso. Assim eu acredito.
-Então isso é obra de alguém que já morreu? –Perguntou Mikka.
-Eu acredito que sim, apenas veja os sinais. Este caldeirão é velho, ele está com aparência desgastada, ninguém vem fazer a manutenção necessária a no mínimo quinhentos anos.
A sala começou a ecoar rugidos bestiais. Eles olharam ao redor mas não encontraram nada. Ferecks sacou sua grande espada, de repente, cabeças de estatuas em formato de touro com seis chifrer rugiram. Seus olhos amarelos como outro brilhavam. É uma criatura aterrorizante, se não fosse o fato de ser apenas a cabeça esculpida na parede. Uma vez uma estátua orgulhosa foi criada para proteger a tumba de Gaiseric por toda a eternidade, as lâminas e chifres em sua cabeça são símbolos e poder do imperador. No solstício de inverno e no equinócio da primavera, monstros invadem o santuário e com eles veio uma grande onde na Névoa mística interna, o véu que separa o mundo físico do metafísico ( o mundo dos espíritos). Talvez isso tenha causado a falha dos mecanismos de seu controle, pois agora não é melhor do que as feras que foi encarregada de manter longe, e ataca os corredores da morte até que tenha seu descanso final.
-Pelo jeito são inofensivas, são só cabeças. –Respondeu Sirius, saindo de trás de Gerlon.
Eles olharam ao redor e encontraram outra escada que os levaria para um nível ainda mais inferior. Eles andaram a esmo por horas, subindo e descendo escadas. Em alguns pontos ele lutaram com caveiras e esqueletos de ladrões e antigos guerreiros, mas nada que Spike e Ferecks pudessem derrotar com menos de meia dúzia de golpes. Sirius não gostava da ideia de perambular e lutar entre os mortos. Flora concordava, foi em mais de duas situações que, para a tumba de um imperador "benevolente" havia muita magia profana de necromancia e maldições, o que ela repugnava fortemente.
Eles entraram e saíram de inúmeros salões todos exatamente iguais: com caldeirões mágicos velhos rodeados por símbolos alquímicos. Eles emanavam uma nevoa mística que varia os efeitos colaterais para cada pessoa, mas Zafira parecia não se importar muito. Esqueletos, homens cujas almas foram arrancadas da carne e levadas por magias profanas e obrigadas a marchar ao som de outros, são normalmente chamados de almas perdidas. Avistamentos dessas pobres criaturas servindo como guardas de ruinas antigas ou túmulos são comuns ao redor do mundo. Nos tempos modernos, mesmo aqueles com poder e títulos são impedidos de realizar os rituais de extração necessários para moldar essas monstruosidades e traze-los para formar seus exercito necromante. Magias desse tipo são malvistas e seus praticantes são seres das trevas ou que se venderam a elas, garantindo que nada mais seja feito com os corpos dos infelizes abastardos. Para libertar suas almas da escravidão, nenhum outro meio é conhecido a não ser pulverizar seus ossos e devolvê-los a terra, cujo ritual era comum no mundo antigo. Zafira os derrotava com sua espada na esperança de que suas almas (onde quer que ela esteja descansa-se.
A cada nível que eles desciam, mais escassos ficavam esses esqueletos, só poderia se pensar que era muito difícil de chegar até onde eles estão. Mas aqueles mortos só estavam ali e só foram mortos por não ter alguém de sangue real com eles. A tumba era amigável com quem tinha o sangue de Gaiseric correndo nas veias, ela transmitia uma sensação de lar, aconchego, mesmo sendo macabra. Ao descer das escadas eles chegaram a um grande salão com um grande e robusto pedestal de pedra, nesse pedestal uma gema esverdeada brilhava fracamente. Ao redor runas de proteção brilhavam na mesma intensidade na parede atrás. Eles se aproximavam e puderam ler numa placa de ferro presa ao pedestal: "Pedestal Sul". Zafira tocou e o brilho verde desapareceu.
Uma enorme estatua esculpida na parede revelou uma passagem secreta abaixo de seus pés. Logo, um assobio macabro soou para dentro de seus ouvidos. Eram gemidos e lamentos de torturados e mortos da pior forma possível. Sirius começou a se tremer, o grupo sacou suas armas. Do chão, do teto e das paredes, um grupo de nove fantasmas surgiram. Suas aparências eram de formas de uma matéria negra, mas que mudava para cores mais mortas como um vermelho escuro e depois um marrom gélido. Usava mantas reais ao redor do pescoço por cima dos ombros presos num broche de gema vermelha. Seus braços eram curtos mas suas mãos eram grandes e desproporcionais, com três grandes e longos dedos e robustos. Ao redor do pulso argolas de ferro rodavam vagarosamente. Suas caudas eram longas e esbranquiçadas, e ficava difícil ver até onde ela iria por ia sumindo num degrade macabro. Suas cabeças eram cobertas por elmos de ferros velhos e pontudos. Das legiões de fantasmas que se apegam a este mundo, os maiores são chamados de linches. Quando um homem morrer com ódio duradouro, ele é retirado de sua posição nesta vida e recebe uma nova posição e forma na morte-vida de acordo com a profundidade de sua paixão. Em várias mitologias e culturas ao redor do mundo, lich é um ser morta-vida. Muitas vezes a criatura é o resultado de uma transformação, como um poderoso mago ou rei que luta pela vida eterna usa feitiços ou rituais para ligar seu intelecto ao seu cadáver animado e assim alcançar uma forma de imortalidade. Mas o problema é que não se sabe quem foi transformado em lichs. Eles não tinham aparências de reis, logo deduz que sejam de outros mundos além deste.
Os lichs cercaram o grupo, rodando no ar, Sirius se encolheu de medo atrás de Mikka. O grupo sacou suas armas. Gerlon com velocidade atirou em um deles, que caiu desapareceu como uma leve névoa. Um outro avançou e passou pelo braço de Gerlon, que soltou a arma e se curvou de dor, seu braço pesou e ele sentiu ficar dormente. Mikka correu para socorre-lo. Zafira, Spike e Ferecks sacaram suas espadas enquanto Flora conjurava uma magia de luz para afugenta-los. Os corpos dos linchs se tornavam materiais e sólidos quando eram expostos a magias arcanas. Zafira decapitou um, Spike cravou sua espada no meio de outro e Ferecks partiu ao meio outro como se não fosse nada. Um outro linch entrou no chão e surgiu ao pés de Sirius, o fazendo cair. Ele sacou sua espada e cravou na cabeça dele enquanto corria de medo. Outros quatros linchs avançaram para atacar Gerlon e Mikka que amarrava um lenço em seu braço esquerdo, prestes a serem feridos Zafira, Spike e Ferecks acabaram com os inimigos restando apenas um. Ele voou para longe e antes que pudessem atravessar as paredes, Gerlon pegou sua arma no chão e o acertou nas costas o fazendo desaparecer como névoa.
-Você está bem? –Perguntou ele a Mikka, que respondeu positivamente com a cabeça.
Ainda nas costas de Flora ele guardava novamente sua espada na bainha.
Zafira viu o braço de Gerlon e arregalou os olhos.
-Seu braço! Você está bem?
-Sim, não se preocupe não foi nada –Após isso, ele fez uma careta de dor.
Flora se aproximou dele e tocou em seu braço: magia profana, magia de necromante. As vibrações mágicas se impregnou em seu antebraço.
-Necrosador. Precisamos de alguém que saiba curar esta magia urgentemente.
Os outros se entreolharam. Eles nunca ouviram aquilo.
-Você não consegue curar o senhor Gerlon? –Perguntou Mikka, com um ar triste.
Flora fez que não com a cabeça, e todos os outros mudaram suas feições para preocupados.
-Essa magia está além dos meus conhecimentos. Acho que nem mesmo Wiz saiba reverter isso.
-Então o que faremos? Voltamos? –Perguntou Spike.
-Não. Vamos seguir em frente, estamos perto demais para desistir, e em algum lugar daqui há um tesouro que me espera. – Disse o pirata, se pondo de pé.
-Talvez algum xamã possa fazer algo. Afinal, eles mexem com magias no limitar entre a arcana e a profana – Comentou Flora.
-Só me diga quanto tempo eu tenho antes de meu braço necrosar?
-Não sei, talvez três dias, ou cinco, mas não passará de uma semana. Até lá, você sentirá dores horríveis, sua pele e depois sua carne irão apodrecer. Você aguenta?
Gerlon deu um sorriso malicioso. Aquilo não era nada perto do que ele já vivenciou quando mais novo.
Após os primeiros socorros médicos, eles atravessaram a porta abaixo da estatua e se depararam com uma sala sem saída. No chão, círculos alquímicos e runas de Trafalgar. Assim que Zafira pisou na sala, os círculos e as runas brilharam. Eles adentraram e uma luz forte os cegou e de repente eles se viram devolta a sala lá encima, em outros círculos que eles tinham avistado antes. Eles tinham acabado de voltar para a bifurcação.
Dessa vez eles pegaram o caminho da direita. Descendo as escadas, acima deles, vários morcegos de ferro voavam rasante, indo de um buraco no teto para outro. Sons agudos eram audíveis no limiar do possível. Os degraus eram velhos e desgastados, mas os braseiros brilhavam na escuridão. Ao descer em um outro andar, o caminho que dava para a esquerda estava bloqueado por enormes rochas, eles pegaram o caminho da direita e seguiram pelo corredor escuro. A sensação de estar sempre vigiado incomodava um pouco Sirius, mas ele ignorava. No final do corredor havia uma grande porta, Zafira a tocou e ela se abriu se arrastando pesadamente, fazendo levantar poeira. O caminho continuava a direita e esquerda. Eles optaram pela esquerda. A cada passo os braseiros iam se ascendendo e iluminando o caminho. Nas paredes, mais gravuras em relevo mostrava dessa vez, estranhos seres humanoides, não animais, de cores fortes e únicas. Um homem de cabelos amarelos como ouro estava num navio enfrentando uma criatura marinha com uma Cimitarra. Do outro lado da parede, um grande homem de pele negra e barba volumosa com um enorme machado encarando as estrelas e três luas no céu, com um estranho espaço para uma possível quarta lua. No final do corredor, eles foram levados a uma sacada que dava uma visão alta de um outro salão, porém sem saída e eles deram a volta. No meio do corredor, eles avistaram mais esqueletos. Eles se levantaram e apontaram suas espadas. Mas nada que fosse considerado um desafio, Zafira, Spike e Ferecks derrotaram alguns deles facilmente, limpando o caminho. No teto, alguns sons de algo estralando ecoou. Não querendo saber o que era, aceleraram o passo e desceram as escadas que se encontravam no final.
Chegando a um outro salão, encontraram outro caldeirão soltando fumaça amarelada. Seguindo em frente, devem ter passado por cinco ou seis salas conectadas por longos corredores e escadas, cada um delas com caldeirões que brilhavam com símbolos alquímicos. No final das galerias eles avistaram uma escada que os levava para um salão que emanava um brilho esverdeado. Acelerando os passos, subiram as escadas e se depararam com outro pedestal e uma luz. Na parede outra grande estatua. Ela tocou na luz que repousava sob o pedestal e ela sumiu. Uma porta se abriu nas pernas da estatua.
-Certo, e agora? –Perguntou Sirius.
-Estamos perto, eu sinto. –Disse Zafira.
-Meu tesouro está perto, hm? –Disse o pirata
Atrás deles, gemidos surgiram aos poucos. Múmias erguiam-se do chão vindas de algum lugar, pois quando eles entraram, não havia nada. Da parede elas caiam aos montes. Criaturas mortas, com a carne de seus corpos podres (o que não agradou muito Gerlon) , outras tinham apenas mantos sujos e velhos cobrindo seus corpos, mas olhos opacos e sem vidas e bocas ressecadas e mandíbulas quebradas a amostras. Zafira não sabia explicar, mas em sua cabeça lhe veio "feiticeiros". Flora também reconheceu. E veja o destino de feiticeiros que procuram satisfazer suas obscuras curiosidades intelectuais por meio da extensão anormal de sua vida natural e infeliz através de magia profana, embora todos os tipos de precaução sejam tomados e revisados sempre, eles não podem parar a decadência gradual e cansativa da carne esse entregar por inteiro as trevas. No entanto, que outros meios eles tem para conhecer os mistérios desse e além-mundo? Uma briga milenar de magos e alquimistas que disputam os deveres e a extensão de seus conhecimentos e, quantos já trilharam seu caminho sombrio? Nunca saberemos, pois eles guardam seus segredos ferozmente com unhas e dentes até seus túmulos e no pós-vida.
Ao todo, eram dez deles. Zafira sacou sua espada, e os outros fizeram o mesmo, mas as múmias não avançaram. Eles caminhavam lentamente, os cercando. Uma nova batalha se deu inicio, com os três atacando e abrindo caminho. Alguns braços e pernas voavam longe e Flora teve quase certeza de que viu algumas cabeças também. Eles correram para a porta abaixo da estatua mas mais múmias surgiam no caminho. Várias delas conjuravam magias de fogo e cuspiam em direção do grupo, queimando suas aliadas mais próximas. Uma saltou e agarrou Mikka que ajudava Gerlon. Sirius cortou fora seus braços com um único golpe em formato de arco. Descendo as escadas, Spike e Ferecks terminavam de derrotar as múmias mais próximas e logo desceram também. Os círculos alquímicos brilhavam junto com runas de Trafalgar, e de novo eles foram engolidos pela luz.
Eles voltaram novamente para o salão da bifurcação, onde haviam encontrado pela primeira vez os círculos alquímicos e as runas de Trafalgar. O ar estava diferente, luzes fracas dançavam no alto e ao redor do próprio salão numa espécie de ar etéreo que dançava como uma aurora. O grande salão estava vazio e silencioso pela primeira vez, nenhum sinal de vida podia ser ouvida ou sentida. A atmosfera era leve, mas ao mesmo tempo densa, era indiferente. Sirius e Zafira encararam o teto com admiração, Spike e Ferecks ainda empunhavam suas espadas. Mikka foi até o parapeito para ver de mais perto aquele fenômeno. A luz refletia como espelho, semelhante a um fino véu mágico.
-O que é isso? Uma aurora? No subterrâneo?
-Não é uma aurora, e nem névoa, isso se chama Brana. –Respondeu Flora, parando ao seu lado.
-Você pode ver a Brana? Com seus olhos? –Perguntou Mikka.
-Onde é grossa e forte o suficiente, você pode ver. O inferior deste lugar é mais profundo. Até onde sabemos, ela surge do interior do planeta e se estende até o espaço.
-Então, a Brana é perigosa?
-Sim, mas é também um auxílio. Uma Brana densa permite o funcionamento de magias poderosas. É um fluxo de energia que permite que as magias arcanas, profanas, elementares e bélicas funcionem. Ela é como se fosse o combustível necessário para a realização. Se for usada de forma errada e abusiva, pode se tornar prejudicial a qualquer um, tome cuidado.
-Vou manter isso na mente.
Elas olharam para o grupo um pouco mais afastados e viu Sirius conversando com Zafira e Ferecks.
-Não pode contar Sirius para aprender essas coisas. Isso com certeza, ele deveria achar que era apenas o reflexo dos braseiros.
Flora riu.
-Ele não tem obrigação de saber tudo neste mundo, principalmente sobre a Brana, ela é ainda um conceito desconhecido para nós. Ao mesmo tempo que temos respeito por ela, temos medo. Não sabemos o que é realmente de fato, ou o que vive além dela ou sua real origem, pessoas que não usam magia não tem a que temer.
Os pelos de seus corpos se arrepiavam quando se aproximavam de um grande foco de Brana, que se acumulava em alguns pontos como bolas de gás brilhantes. Eles desviavam delas como se fossem a coisa mais perigosa do mundo (o que não estava totalmente errados, mas também não estavam certos). Só depois de um tempo que eles notaram que uma ponte havia surgido entre a Brana que levava até uma grande porta de ouro do outro lado do salão e impossível de se chegar por outros caminhos. Eles seguiram como podiam, o coração de Zafira palpitava de forma acelerada e uma voz na sua cabeça pedindo para liberta-lo. A ponte tinha quase cinquenta metros de comprimento, e dava na entrada da grande porta. Um brasão do Império de Gaiseric esculpido a ouro reluzia as luzes da Brana.
-Vocês estão prontos? –Perguntou.
Todos fizeram que sim com a cabeça.
-Certo.
Ela tocou no brasão. A porta brilhou e abriu, e lá de dentro da escuridão um bafo quente bateu em seus rostos. Sem saber o que tinha por lá, eles entraram no desconhecido.
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