⚜️Per Deorum⚜️
Tradução: Por Deorum
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Estávamos tão bem alí, que dormimos até pouco depois do almoço.
Octávio encontrou alguns livros antigos em um baú quase escondido e passamos o resto da tarde deitados juntos, lendo e comentando. O dele era um romance bem doce de anos atrás, já o meu era um romance erótico da época em que minha mãe era adolescente. Uma tarde repleta de uma atmosfera tranquila.
Uma leve batida na porta, nos fez olhar ao mesmo tempo, desta vez o indivíduo só entrou após ouvir uma permissão clara de que poderia entrar. Uma serva.
— Perdão pela interrupção, altezas. Mas o rei Eron requer de ambos na sala do trono, os rebeldes da base de Percus acabam de chegar e...
— Judithhhhh! Octáviooooo! — Escandalosamente Marti entra no quarto, quase atropelando a pobre serva e se jogando na cama — Esse lugar é tão lindo!
— O que está fazendo aqui? — com um breve agradecimento dispenso a serviçal, me voltando para o cacheado que abraça Octávio, logo vindo fazer o mesmo comigo — Era para você estar na base.
— Ele consumiu minha paciência para vir. — Margot diz na porta do quarto — Fui vencida pelo cansaço. Cheguei bem perto de lançar um feitiço para que parasse de falar.
— Eu entendo. Quase joguei ele do cavalo assim que nos conhecemos.
— Marti nos tínhamos combinado que nos encontraríamos assim que recuperarmos Crescite. — Octávio diz sério para o cacheado, que apenas abaixa a cabeça.
— Eu sei, mas eu não aguentava mais ficar lá sem notícias e só esperando o pior.
— Entendo, mas nos tínhamos combinado, precisa confiar no que dizemos, para que possamos mantê-lo seguro. Dessa forma irá matar nos dois de preocupação. — digo na mesma seriedade que Octávio.
— Me desculpe. — ele diz cabisbaixo.
— Está tudo bem, desde que não se repita. — digo bagunçando seus cabelos.
— Posso explorar o palácio? — o cacheado diz com os olhos brilhantes.
— Pode ir, mas nada de confusões, tudo bem? — Octávio diz e o garoto assente com o início de um sorriso largo — Vamos jantar com o rei Eron hoje, esteja arrumado e cheiroso.
— Sim, senhor. — ele bate continência e sai saltitante arrastando Margot consigo.
— Me lembre de que quando tudo acabar, arranjar milhares de atividades para gastar a energia dessa criatura. — digo me lançando de volta aos lençóis, enquanto Octávio ri e começa a vestir sua blusa — Para onde vai?
— Precisamos atender o chamado do rei, não seria muito legal se eu chegasse a sala do trono com peças de roupa faltando.
— Eu discordo completamente, seria uma ótima visão do futuro consorte de Crescite. — ele me olha abruptamente ao ouvir o título de "consorte", mas ignoro sua surpresa — Eu não sou uma especialista em conduta real, mas a sobrevivência do reino dele depende de mim e dos que estão ao meu lado, ele não tem muita fala por aqui mesmo.
— Mesmo assim, ele ainda é um rei e um possível aliado futuro. — certo, ele venceu dessa vez — E você disse... Consorte?
— Porcaria de coroa. — digo com uma careta, me arrastando para o baú da minha mãe para pegar uma calça de couro, blusa larga branca e um par de botas — E sim, algum problema em ter uma posição de destaque ao meu lado?
— Não! — ele se apressa em negar, logo abrindo um doce sorriso.
Compartilhando de seu sorriso, envolvo meus braços, apoiando meu queixo em seu peitoral. Ele afastar alguns fios rebeldes da frente do meu rosto.
— Que bom. Por que terá que me impedir de matar qualquer um que me irritar, me arrastar para sei lá quais reuniões ou coisas de rainha, aturar meu mal humor matinal e ter noção que vou ignorar qualquer responsabilidade para prendê-lo em minha cama para momentos bem pervertidos.
— Será um prazer. — ele dá uma breve risada e sela nossos lábios — Minha rainha.
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Um grande mesa foi posta no meio da sala do trono. Todos já estavam presentes — com exceção do rei Navi que ficou para tomar conta da base em Percus e lorde Tarin que está escoltando a chama celestial junto com meu irmão —, rei Eron se senta na cabeceira da mesa. Dante, Annelise, Giselly, Margot e Leon se sentam ao lado direito da mesa. Príncipe Saul se senta a outra ponta da mesa. Tesla, lorde Lírio e lady Melisandre ao lado esquerdo da mesa, deixando duas cadeiras próximas ao rei de Avium.
Meu tio, assim que me vê, da leves tapinhas na cadeira ao seu lado, bem de frente para a cara medonha de Dante. A contra gosto me sento no lugar que me foi destinado.
— Está cinco minutos atrasada. — Dante resmunga.
— Pelos deuses, cala a boca almofadinha irritante. — antes que eu pudesse abrir a boca, Annelise repreende o príncipe, fazendo-o olhar incrédulo para a ruiva — Então, qual será o próximo passo?
— Temos três prioridades no momento. — príncipe Saul toma a frente — Proteger Avium e a chama, reconquistar Crescite e trazer as coroas para nossas mãos.
— Já solicitei alguns homens da base para completar as tropas de Avium. — Tesla diz com uma postura soberana. Assim teremos seis mil homens para marchar para Crescite e o reino não ficará desprotegido.
— Já contatei os espiões em Crescite, só temos cem homens ao nosso lado lá dentro. Eles tem quinze mil soldados, estamos em desvantagem.
— Temos dominadores de magia, isso torna nossas tropas duas vezes mais poderosa que eles. — lady Melisandre contesta.
— Ainda é arriscado demais. Tivemos sorte nesse motim, pura sorte.
— Entendo sua cautela, lorde Lírio. — intervenho nos pontos de vistas dos irmãos — Mas eu concordo com a sua irmã, temos dominadores de magia e uma semente de Crescite ao nosso favor.
— O que sugere, alteza?
— vamos dividir nosso exercício em dois, colocá-los em completo caos, atacando por todos os lados utilizando o que temos ao nosso favor. — um plano começa a maquinar em minha mente. Plano esse que tenho uma grande chance de dar certo.
— E sobre as coroas? — Octávio questiona.
— Posso roubar. — Giselly se pronuncia e Annelise engasga com o vinho — Sei onde elas estão guardadas.
— É muito arriscado. — Annelise adverte.
— Eu quero ajudar. Ele precisa ser parado. — ela diz com determinação — são quatro dias de viagem daqui para Salis, é o tempo perfeito em que vocês podem atacar Crescite. Ele ficará focado em tentar reaver o controle de ambos os reinos, me dará tempo de pegar as coroas e sair daquele reino nojento.
— Faz sentido. — observo.
— Eu li alguns livros de Vincent sobre estratégias. — ela diz com um sorriso orgulhoso.
— Então eu vou com você. — Annelise diz — Para te dar cobertura.
— John irá te reconhecer. Aparentemente o que eu achei que fosse nosso relacionamento segredo, era mais claro que a luz do sol.
— O merdinha do John ainda está vivo? Nunca gostei daquele filho da puta. — ela diz rancorosa se virando para Leon — Pensei que já tivesse matado aquele desgraçado, capitão.
— Não me deixaram completar o serviço.
— Annelise pode ser a ponte de apoio para a fuga, mas conheço alguém que será perfeito para ajudar a roubar as coroas.
— Quem? — Giselly pergunta.
— Vincent.
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— Está me dizendo que meu pai é um maníaco sedento por poder? — o loiro diz incrédulo.
Após uma hora de debates no "conselho" sobre os detalhes do plano e sobre um plano reserva, eu, Giselly e Annelise viemos ao quarto onde Vincent está detido, para conversarmos. Desde que eu e a ruiva nos dividimos para contar cada detalhe das atrocidades do rei para o príncipe, ele parecia dividido entre ter um síncope nervosa e criar desconfiança sobre o assunto.
— Exatamente isso.
— Isso é perturbador. Esse não é meu pai. Meu pai é um homem rígido, mas não cruel e monstruoso.
Tenho vontade de socar sua fuça por tamanha burrice, mas antes que eu possa fazer isso, Giselly — com uma expressão chorosa, mesclada a raiva — toma a frente.
— O que você vê é uma ilusão! Uma ilusão que ele criou para te manter sob controle. Ele é um monstro! Ele é cruel! Ele bate na nossa mãe! Eu fui humilhada e espancada apenas por gostar de garotas. Meu próprio pai alegou ter nojo de mim e que eu merecia morrer. E você só não vê isso por que é o filho homem forte e viril. E por que é um egocêntrico que só nota que algo estar errado quando afeta sua vidinha confortável.
Após jogar toda a verdade na cara do irmão, Giselly caí em um choro copioso, sendo levada para fora por Annelise.
— Eu...
— Cale a porra da boca. — ele engole em seco e fecha a boca — Uma coisa é clara, te contamos toda a verdade que queria saber. Agora cabe a você decidir se acredita ou não. Você é um homem, Vincent, pense como um e não como o moleque que depende do papai para pensar. — ele me olha atordoado — Tem até amanhã para decidi o que fazer.
Sem mais delongas, me retiro do aposento, batendo a porta ao sair. Esse era mais um motivo que nunca facilitou nossa relação, Vincent é como uma criança mimada, que enquanto tiver tudo que lhe proporcione o bem estar será um docinho, mas assim que tudo ruir ele abre o berreiro. Isso sempre me irritou. Será que ele não pode pensar por si só uma vez? Como pode ser tão manipulado?
Os soldados que guardam o quarto arrumam a postura com a chegada de uma silhueta, me tirando do meu pequeno momento de raiva.
— Princesa Agatha. — rei Eron se aproxima — Me concederia a honra de um breve passeio?
— Claro.
O rei é um homem sereno e compassivo, ele tem traços faciais muito parecido que minha mãe. Vi uma pintura do dois quando mais novos, pareciam Unidos e felizes, não entendo como pôde deixá-la morrer e não fazer nada para impedir, muito menos vingar sua morte.
— Conversa difícil? — ele tenta puxar assunto.
— Apenas tentando fazer um almofadinha pensar com os próprios miolos. — ele dá uma breve risada.
— Você fala igualzinho a ela. — ele olha minunsiosamente — Mesmo tento muita semelhança física com a descendência do seu pai, seu temperamento é idêntico ao dela.
Me mantenho em silêncio e ele continua.
— Nossa mãe ficava louca toda vez que ela se colocava em enrascadas. Meu pai queria casar ela com o rei Navi, mas ela bateu o pé e disse que não ia se casar para ter quer viver em um lugar cheio dos odiosos insetos. Ela era inacreditável. — paramos em frente ao seu escritório.
Ele abre a porta dando passagem para que eu entre primeiro. Ele segue em direção a um baú no fundo da sala e de lá retira uma pequena caixa feita de madeira nobre, talhada em ouro e safiras. Sinto como se um pedaço dela estivesse em minha mãos, um pedaço da mulher que todos dizem ser a melhor pessoa que o mundo já conheceu, mas que não tive nem a oportunidade de ter ao meu lado por mais que um mês de vida.
— Quero que fique com isso e com todos os pertences dela. São mais seus do que meus.
— Eu só quero entender por quê. — lágrimas ameaçam cair — Por que permitiu que ela morresse? Por que não fez nada?
— Por que fui fraco. — ele diz cabisbaixo, seus olhos também estão marejados — Me fizeram escolher entre meu marido, meu filho e minha irmã. Os homens de Valentino sequestraram Kayan e Dante, ameaçaram matar ambos se eu partisse em socorro de minha própria irmã. Fui forçado a me submeter aquele monstro, sempre com uma ameaça pairando sobre nossas cabeças. Eu sinto muito. Sinto muito mesmo.
— Está tudo bem. Todos temos algo pelo qual lamentar e o senhor é apenas mais uma vítima daquele ser desprezível.
— Posso abraça-la? — ele pergunta choroso e eu aceno positivamente.
Ele vem até mim, banhado em lágrimas. Nos encaixamos em um abraço. O rei é um bom homem, vejo isso agora. Foi machucado tanto quanto eu.
— Eu falhei com a sua mãe. — ele diz após alguns minutos — Mas não quero falhar com você, minha sobrinha.
— Obrigado, meu tio. — seu corpo se enche de felicidade ao ser chamado dessa forma — Mas ainda detesto seu filho.
— Ele consegue ser irritante quando quer. — ele gargalha.
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Lorde Kayan preparou um lindo jantar em família. Pratos típicos de Crescite, Avium e Percus. Um momento casual para que todos nos conhecemos melhor. Foi um belo jantar, Octávio estava meio nervoso por conhecer o mínimo que me resta de família biológica, de certa forma transformar o que temos em algo um pouco mais oficial e sério. Marti se esbaldou com a refeição, lorde Kayan olhava com uma felicidade contida por vê-lo se alimentar tão avidamente. Eu até consegui arrancar o tal segredo de Dante sobre mim, que no final foi extremamente decepcionante por que apenas se tratava do dia em que passei a noite não acompanhada de uma única pessoa, mas dois homens e uma mulher.
Ao entrar do início da madrugada, o reforço da base Percus e mais uma tropa convocada por lorde Lírio chegaram ao reino, dando a deixa para que o jantar fosse encerrado para descansar para o dia seguinte quando iniciaria a marcha de dois dias para a reconquistar Crescite. Meu lar.
— O que é isso? — Octávio pergunta apontando para a caixa cheia de relíquias em minhas mãos.
— Era da minha mãe. Diários, cartas e jóias. Relíquias que foram dela. Eron me deu tudo que está nesse quarto, incluindo essa armadura.
A armadura é feita de prata. Resistente e forte, sem perder a leveza. Meus cabelos foram trançados em uma trança enraizada e adornada com um belo enfeite também de prata. Tudo para gerar um impacto ao me verem liderar as tropas principais. Diferente de mim, Octávio se mantinha em suas costumeiras calças de couro, blusa leve verde e duas belas argolas prateadas na orelha direita. Segundo o mesmo, detestava armaduras, elas a deixam mais pesado e "apertam seus mamilos sensíveis".
Nunca participei de uma batalha nesse nível, no máximo conter homens em bailes reais ou brigas generalizadas em tavernas. Estou temerosa em estar cometendo algum erro e mandando esse homens para a morte certa. Não posso deixar que isso aconteça.
— Vai dar tudo certo. — o moreno diz beijado minha bochecha. Ele parece ler meus pensamentos às vezes.
— Me convenceria mais se você usasse uma armadura.
— Tenho a pessoa mais poderosa do mundo ao meu lado. Por que uma armadura se posso simplesmente amedrontar o inimigo, dizendo: Minha namorada vai te fazer em pedacinhos, seu merda.
Sua tentativa de descontração funciona um pouco, mas uma batida na porta me faz tencionar novamente. Com um leve pedido para que entrasse, uma cabeleira loira adentra ao cômodo. Vincent. Parece cansado e um tanto pálido.
— Juju...
— Por favor me chame de Agatha. — digo com uma falsa tranquilidade. Tudo depende dele agora.
— Certo. — ele sorri sem graça — Agatha. Eu tomei uma decisão. Eu... Vou ajudar. Pela Gigi. Não quero carregar o peso da morte do meu pai em minha mãos, mas não posso deixar que ele continue com essa loucura.
— Não se preocupe, a morte do seu pai será um peso que vou carregar com muito prazer. — ele assente pronto para se retirar — Vincent.
Ao me ouvir chamar, ele apenas me encara. Aquele belos olhos azuis que passei anos admirando, estão carregados de uma certa tristeza e culpa. Eu nunca quis ver meu amigo assim, mas são os custos de uma guerra. Como uma tentativa de conforto, eu o puxo para um abraço, que é retribuído na mesma intensidade.
— Obrigada por estar ao meu lado nesse momento. Obrigada de verdade.
— Você estava certa, preciso tomar minhas próprias decisões. Ser independente. Talvez seja por isso que nunca pude te ter ao meu lado da forma como sempre quis e estou pagando o preso por isso. Eu que devo agradecer por sempre estar ao meu lado independente de tudo.
— É o que melhores amigos fazem. — lembro o seu lema de adolescência, quanto livramos as enrascadas do outro. Sinto ele abrir seu doce sorriso.
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— Me sinto uma espiã. — Giselly diz empolgada se despedindo de mim com um abraço — É tão empolgante.
— Só tenha cuidado e escute todas as instruções de Annelise. — digo a abraçando mais forte — Cuide dela, Vincent.
— Eu irei. — ele diz convicto — Eu já ia me esquecendo. Me desculpe por aquele dia no corredor, quando você foi capturada.
— Está tudo bem. Você é bem idiota, mas eu te amo mesmo assim.
Ele gargalha com a declaração e me manda um beijo no ar, entrando na carruagem logo atrás de Giselly. Annelise monta em seu cavalo para acompanhá-los de longe, não sem antes berrar aos quatro cantos do vento que se eu morresse ela daria um jeito de me trazer de volta e me matar com suas próprias mãos.
Só quando os perco de vista pela estrada, monto em meu cavalo. Octávio assume a forma de uma pantera negra muito maior que o normal, me seguindo para a frente do exército, se colocando a minha direita.
— Hoje será nosso ato de guerra contra aquele cretino. Lutaremos por liberdade, por tudo que nos foi roubado e por justiça. Lutaremos por Deorum!
— Por Deorum!
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