⚜️Occurrens et belli⚜️

Tradução: Reunião e estratégia

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Tesla nos conduz até um prédio semelhante a sala do comando na base anterior.

Estou nervosa, mas me sinto reconfortada pela mão de Octávio firme em minhas costas e o aperto da mão de Marti na minha. Ambos se recusaram a sair do meu lado.

" — Vai ser uma conversa de adultos.

— Não vou sair do seu lado. — Marti bate o pé no chão como uma criança birrenta. Teimoso.

— Você deve ter coisas a fazer. — tento a sorte com Octávio — Não precisa disso tudo.

— Não vou sair do seu lado. — ele diz resoluto. Outro teimoso.

— Você não pode me enxotar junto do seu namorado assim. E se precisar de apoio? E se alguém falar o que não deve? Como vamos dar uma lição no miserável se não estivermos próximos?

— Ele não é meu namorado. — aponto para um Octávio de bochechas rosadas, fracassando miseravelmente em tentar esconder a vergonha — E eu sei me cuidar, muito obrigado.

— Ele não é seu namorado. Ainda. Pelos deuses, já viu o jeito que ele te olha? Ele só falou de você esse tempo todo. — Marti diz revirando os olhos — E se meu plano der certo, preciso saber quem é esse povo todo.

— Que plano? — o que, em nome de todos os deuses, esse garoto está aprontando?

— Nós derrotamos esse rei vagabundo. Você se torna a rainha de Crescite. Você e Octávio se casam. Vocês me adotam, eu viro príncipe também e seremos uma família feliz.

Não me parece uma má ideia, devo dizer.

— Então todo nosso futuro, já foi planejado por você?

— Exatamente. — ele diz com um sorriso largo.

— Você é inacreditável. — me dou por vencida, quando esse garoto ficou tão teimoso, ele não era assim quando morava comigo — Vamos de uma vez, antes que eu desista."

Com um último e forte suspiro para me acalmar, entro na sala. Em geral, a sala é a mesma da anterior, porém o destaque são as pessoas do ambiente. Margot assim que me vê, vem ao meu encontro com um homem alto, de pele pálida, olhos tão cinzentos quanto seus cabelos presos em uma trança enraizada destacando suas orelhas ponte agudas.

— Alteza. Deixe-me apresentar o lorde Tarin, senhor dos elfos.

— É um prazer enfim conhecê-la, alteza. — diz com uma voz suave, prestando um reverência perfeita — É ainda mais bela do que comentam.

O elogio repentino me faz corar. Octávio ficar tenso e fecha a cara. Interessante. O lorde ainda com um ar sedutor, dá uma piscadela para Octávio ao ser instruído por Margot para se afastar para a próxima apresentação.

— Alteza, está é Nomed. Uma das poucas bruxas restantes.

— Vossa alteza. — a moça de cabelos negros como a noite e olhos cor âmbar, presta uma reverência.

— É uma honra conhecê-la.

— Este é lorde Lírio, grão-senhor das fadas. — ela se dirige ao homem alto à esquerda, sua pele é esverdeada e cabelos rosados recheados de cachos que cobrem um pouco o formado ponte agudo das orelhas — Essa é sua irmã gêmea, lady Melisandre, grã-senhora das fadas. — à direita, está a bela mulher de pele morena e cabelos alaranjados presos no alto da cabeça com adornos de prata, suas asas de borboletas parecem se unir ao seu vestido a altura dos joelhos, revelando uma pequena fenda quando faz a reverência.

— Oh, como é bom conhecer a senhorita. — sua empolgação é radiante. Ela Me abraça repentinamente — Acredite querida, você é uma cópia fiel da rainha Celeste.

— A senhorita a conheceu? — pergunto atônita

— Eu, meu irmãozinho e lorde Tarin, somos tão velhos que a senhorita nem imagina. — ela diz com uma risada.

— Melisandre! — o rosado repreende — Perdoe o comportamento inadequado da minha irmã, alteza, às vezes ela passa dos limites.

— Não tem o que perdoar, milorde. Ela é adorável.

— Por favor, senhores e senhoritas, vamos começar essa reunião. — Rei Navi pede, apontando para a grande mesa coberta com mapas e papéis.

Como anfitrião, o pai de Octávio se senta na cabeceira da mesa. Tesla, Tarin, Nomed e Margot à direita. Príncipe Saul, Leon, Lírio e Melisandre à esquerda, com a cadeira da cabeceira oposta destinada a mim. Por Octávio não fazer parte do comando e nem que imaginassem sua presença nesta reunião, não tinha uma cadeira a mesa para ele, mas diferente de Marti — que se senta em um pequeno sofá um pouco afastado da mesa — o moreno não arreda o pé da direita do meu acento.

— Seu lugar é entre seu pai e Tesla, não? — cochicho para ele.

— Meu lugar é aqui. — ele diz no mesmo tom. Sua afirmação me deixa esquisita.

— Antes de começarmos. — lorde Lírio se pronuncia — A senhorita está comprometida com a nossa causa e com a coroa, princesa Agatha?

— Não vou negar que meu principal comprometimento é matar Valentino, mas se para isso eu tiver que aceitar essa coroa e essa responsabilidade. Então sim, milorde, estou comprometida.

Margot sorri orgulhosa. Talvez meus pais — biológicos e adotivos — também estejam orgulhosos de mim e pela primeira vez em muito tempo tenho a sensação de estar fazendo a coisa certa.

— É isso aí, Judith! — Marti bate palmas do sofá — Não, espera... Agatha. Ai, seja qual for, a coroa é pesada, mas você aguenta! — sua fala me faz engasgar em uma gargalhada e Octávio, Margot, Leon, Tesla e Melisandre também se seguram para não desatar a rir.

— Marti! — faço sinal de silêncio, quase rindo.

— Oh! Desculpa, podem continuar. Não falo mais nada.

— Quem é está criança? — Lady Nomed diz, seguida de um protesto de Mati alegando não ser uma criança — Não creio que seja adequado discutir um plano de guerra em sua presença.

— Ele é meu protegido. — declaro para que fique claro a todos do recinto, em seguida me viro para Marti — Pirralho é melhor você ir, o assunto aqui vai demorar.

— Mas eu quero ficar!

— Eu sei que quer, acredite deixaria você no meu lugar se pudesse. Você não poderia me dar apoio de outra forma?

— Como?

— Que tal uma torta? — digo sugestiva, o fazendo rir.

— Faço a torta e saio daqui se me deixar falar sobre todas as coisas que soube da base e se for na festa que farão daqui a dois dias comigo. — ele faz sua proposta. Pilantrinha.

— Fechado. — como um raio o moleque sumiu pela porta, sorridente e saltitante — Agora podemos começar?

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— Durante muitas das sessões de tortura que passei, em todas eu estava com uma quantidade de veneno e ópio em minhas veias, algumas vezes Valentino estava presente junto com um livro, talvez um diário. Enquanto estava desacordada, principalmente ao final de cada sessão eu sentia como se algo estivesse sendo drenado de mim. — faço meu relato a todos.

Antes de criamos uma estratégia, precisamos ter uma ideia de qual é o plano principal. Precisamos derruba-lo do poder. De preferência mata-lo.

— Ele sabia que a senhorita é descendente de Crescite? — Lady Melisandre pergunta.

— Todos parecem saber mais da minha vida do que eu. — digo com uma risada anasalada — Ele sabia, logo que fui levada a sua presença ele falou de seus poderes, não sei como, mas sabia.

— Não entendo. Qual o objetivo dele então? — Leon questiona um pouco confuso.

— Poder. — digo me debruçando sobre o mapa de Deorum — Vamos traçar uma linha cronológica dos fatos. Margot disse que ainda príncipe, Valentino insistiu o povo já desconfiado de todo ser mágico ao medo extremo, matam vários e fazendo os que restaram a se esconder. Depois ele deu um jeito de se livrar do príncipe Saul e assumir o trono. Para que seu plano sórdido desce andamento, precisava se livrar da famílias reais Vaccim e Vitigam, olha só! As duas famílias com a genética híbrida nas veias, sendo a minha partida da própria deusa.

"Antes do baile, encontrei os livros de feitiços da magia antiga na biblioteca abertos e sobre posse do rei que 'não acreditava' em magia. Pode ser um palpite errado, mas o objetivo dele é poder. O absoluto poder. Ele quer ser um deus nessa terra."

Todos parecem concorda com meu raciocínio. Faz sentido, apenas por um único detalhe que não sei o por quê.

— Um dos meus espiões disse que ele tem as quatro coroas. Na noite do baile, quando foi anunciado o noivado da princesa Giselly e o príncipe Dante, a coroa de Avium não retornou com o rei Eron. Foi deixada lá, para firmar o acordo. — disse lorde Tarin — O que impede que ele realize o feitiço e unifique as coroas?

— O coroatio. — Margot diz mais pálida que um papel.

— Coro o que?

— Coroatio. É o dia em que as coroas foram forjadas. Esse feitiço só pode ser realizado sobre a lua desse dia com o fogo da chama sagrada.

— E onde está essa chama? — pergunto quase não querendo saber onde ela está.

— Em Avium. Escondida no subsolo sob o palácio e só pode ser aberto por uma feiticeira ou bruxa.

— Porra. — Octávio pragueja em voz baixa.

— Temos que pegar essa chama e dar um jeito de pegar as coroas.

— Precisaremos de pelo menos um mês para contatar e agrupar tropas para isso, só temos quatro meses até o Coroatio. — lady Nomed diz exaspera.

Isso é ruim. Muito ruim. Não dá para arquitetar uma guerra em tão pouco tempo.

Há não ser...

— Acho que tenho ideia.

°•°⚜️°•°

Passamos horas dentro daquela sala, planejando, pensando. No final chegamos em um consenso sobre o que fazer. Vamos reconquistar. Mas não é isso que me importa no momento.

É a Mirela.

Não a vi no jantar, uma curandeira foi designada para cuidar dela. Ela havia acordada, porém continuava em um estado quase vegetativo. Não pensei duas vezes em largar meu jantar e todos a mesa apenas para tentar fazer-la comer.

Quebraram a minha irmã, fizeram grandes atrocidades a ela. A perda dos nossos pais e Hendrik a estilhaçaram, porém a perda de May foi um golpe duro demais para suportar. Eles eram como unha e carne, inseparáveis.

— Mi? — adentro a tenda, a encontrando sentada na cama co. Um olhar vazio — Trouxe sopa de lentilhas. Sua favorita.

Ela não me responde, apenas olha para um canto fixo. Sem reação.

— Você precisa comer. — tento novamente, sem sucesso — Precisa reagir, Mirela. Por favor, minha irmã, estou implorando. Fale alguma coisa. Brigue comigo, me alfinete, me xingue. Só reaja.

Não há qualquer sinal de que ela saia desse estado. As lágrimas começam a banhar meus olhos. Estou perdendo ela, estou perdendo minha irmã para a melancolia. Não posso perde-la. Não irei suportar.

Sem aguentar, me retiro em direção a minha tenda, o mais rápido que posso. Me sinto de volta à um mês atrás, perdida, não sei o que fazer e estou impotente. Não posso fazer nada.

Em meio as lágrimas sendo derramada no travesseiro, Veja a aba da tenda ser aberta e Luuk entrar. Sem palavras, ele apenas se deita ao meu lado, me abraçando forte.

— Me desculpa. — digo entre um soluço e outro.

— Pelo que? — sua pergunta sai meio abafada.

— Por tudo. Por não protegê-los, por não ter feito o meu melhor para manter vocês seguros. Me desculpa. Me desculpa.

— Judi, me escuta. — ele se afasta, me olhando no fundo dos olhos — Você não tem culpa de nada. Não tem que se desculpar por nada. Você é tão vítima daquele desgraçado, quanto qualquer um, talvez mais que qualquer um. Ele é o monstro dessa história. Você me entendeu?

— Mas a Mirela...

— Não existe mas, nem meio mas. Ela vai sair dessa, só precisa de tempo e apoio. Apenas isso.

Sua palavras são duras, mas me sinto confortada, ao menos um pouco. Ficamos ali abraçados por bastante tempo, até ele me desejar boa noite, alegando que precisava descobrir mais sobre a base e os dominadores de magia.

"Minha sede de conhecimento não pode ser abalada por um tirano louco e sua prisão estúpida."

Fui deixada aos meus pensamentos e meu silêncio. Penso que preciso dar um rumo a minha vida. Judith Redder está morta, será esse o momento de me descobrir, me reinventaram? Talvez essa seja a coisa certa a fazer. Aceitar de uma vez por todas esse destino como Agatha Vaccim e trilhar um novo caminho. Apenas não sei como fazer isso.

— Tudo bem? — Octávio, com seu sensor para saber quando não estou bem, aparece a entrada da tenda.

— Sim. Só estou cansada. — devagar ele entra, meio desconfiado da minha clara mentira e fica parado ao pé da cama. Parece nervoso — Vem, deite aqui comigo.

Ele hesita, mas por fim se senta ao meu lado como uma estátua.

— olha, eu só mordo se você pedir. — digo tentando descontrair a tensão do moreno.

— Você é inacreditável. — ele diz rindo — Só estou pensando em um jeito de dizer o que tenho para falar sem parecer um idiota.

— Se serve de consolo, você já está parecendo um idiota, então vá em frente, diga. — ele gargalha e respira fundo.

— Antes de sua captura, quando estava cega pela raiva e berrou comigo... Quando disse que estava deixando alguém especial por medo. Estava...

— Falando de você? — ele assente positivamente — Sim. Para ser franca, quando tive um ataque de nervos no Quievit e você foi atrás de mim, se preocupou comigo, aquilo já me fez te ver diferente de um príncipe besta. A cada dia você me cativou mais. O jeito brincalhão e galanteador, o flertes nunca levados a sério, a doçura e paciência como sempre suportou meu mal humor. Tudo me faz querer estar com você. Acredito que mereça mais, muito mais, porém...

Sou interrompida por um breve selar em meus lábios. Nesse momento perdi toda a noção do que falava ou te qualquer coisa ao meu redor. Octávio me beijou. Breve, mas ainda assim beijou.

— Estou apaixonado por você. — ele diz meio afoito — Depois que você me beijou naquela taverna, completamente bêbada, eu me encantei por você. No ano seguinte vi você de longe em uma taverna em Crescite e foi como se meu coração tivesse vontade própria, pronto para sair do peito. Sempre dava um jeito de ir, apenas para tentar te observar de longe. Você é ousada, linda, determinada, engraçada e uma infinidade de outras coisas boas. Você não enxerga, mas é o melhor que pode haver nessa terra fodida e eu sou perdidamente apaixonado por você.

Ele despeja tudo de uma vez e ficamos alí por minutos que parecem uma eternidade, até que puxo sua boca contra a minha, como o único meio de comunicação que consigo no momento. Acho que vou explodir em euforia e medo desse sentimento que queima meu peito.

O beijo é cheio de significados que estiveram ocultos esse tempo todo e não me atrevo a dizer em voz alta. Suas mãos seguram firmes meu rosto, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo para ele. Um sensação totalmente diferente do que já tive com qualquer um.

— Finalmenteeeeee!

O berro corta todo o clima, assustando o próprio coitado que cai da cama, fazendo o palhaço interruptor gargalhar. Marti.

— Seu fedelho fedorento do caralho! — meu coração está acelerado pelo susto, Octávio se levanta do tombo mais vermelho que um tomate e pelo ardor em minhas bochechas indica que não estou muito atrás.

— Trouxe uma nova receita. É um manjar de frutas cristalizadas e polvilho de açúcar. — como se não tivesse interrompido o melhor momento do meu dia, o melequento diz todo tranquilo puxando um pequeno banco para se sentar perto da cama — Vamos as notícias.

°•°⚜️°•°

Acredito que estamos a horas escutando literalmente tudo que aconteceu na base no último mês. Marti deve ser a pessoa mais bem informada de toda Deorum. Tesla está tendo um romance com um ninfoide dominador do ar, Collyn — uma feiticeira — foi traída pelo namorado, uma metamorfa deu uma surra no Leon e uma bruxa que trabalha na enfermaria anda jogando charme para cima de Octávio. A última notícia me deixou um pouco... Desconfortável.

— E a última notícia. — Marti parece meio nervoso — Eu dei meu primeiro beijo.

Octávio vibra com a notícia, enquanto não consigo reagir a tal coisa. Quando ele cresceu tanto?

— Com quem foi? Como foi? Você gostou? Se te fizer algo ruim é só falar que arranco a cabeça. — Octávio dispara.

— Calma, criatura. Deixa ele falar.

— Foi com West. Foi... Mágico. Eu adorei. E não precisa arrancar a cabeça dele, eu mesmo faço isso se ele pisar na bola.

— Esse é meu garoto. — elogio o abraçando — Mas mesmo assim, vamos jantar nós quatro, para sabermos as intenções futuras dele.

— Você vai assustar o coitado! — ele acusa rindo.

— Eu? Nunca. Vamos só... Conversar. Apenas.

A noite a dentro foi cheia de risadas, coisas aleatórias e uma atmosfera leve. Estar com eles é como um norte, uma estrela guia para me descobrir.

Eu irei me reerguer.

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