⚜️Amplexus⚜️
Tradução: Abraço
•°⚜️°•°️⚜️°•°️⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•
"Hoje ocorreu a primeira recepção da comitiva de Percus. Tudo estava belíssimo, logicamente organizado pela pessoa que melhor entende dessas situações... O rei Justino. Tudo ocorreu bem, pelo menos até uma doce apresentação da rainha Aniely — esposa do rei Navi e mãe do pequenino herdeiro — em sua harpa, quando a rainha Nídia foi flagrada dormindo.
Não acaba aí. Depois do jantar oficial as rainhas acompanhadas do fofo príncipe Octávio Vitigam, resolveram sair para um rápido passeio nos jardins. Seria um tranquilo passeio se a rainha de Crescite não fosse o tipo de lady que pode te matar até com um grampo de cabelo, mas morre de medo de insetos. Foi uma bela cena ver uma rainha correr mais rápido que um leopardo, com uma criança de dois anos de idade correndo atrás da mesma com uma pequena lagarta em mãos."
°•°️⚜️°•°
Margot está certa.
O grande livro que conta as linhagens de Deorum — com um maravilhoso adicional de relatos hilários preciosos sobre as famílias reais — foi uma luz, não do tipo "isso acabou com todos os meus problemas", mas é uma luz... talvez uma pequena vela. E apesar de ser decepcionante saber que o príncipe Dante é meu primo, me sinto lisonjeada de que minha mãe biológica — Nídia Concis, irmã mais nova do rei Eron — tinha uma personalidade similar a minha. Temos até alguns gostos parecidos.
Meu pai biológico — rei Justino Vaccim — era um amante das artes. O livro conta que era um musicista talentoso. Eles eram um casal bem opostos, se casaram por uma união Crescite-Avium, chegaram até a se odiar em seus primeiros encontros, mas no final de uma forma estranha — logo depois dela ter o desafiado à um duelo e ter feito meu pai, que não era o melhor dos melhores espadachins, perder miseravelmente — o amor veio a florescer de uma forma bonita.
É estranho pensar que toda essa beleza, resultou em uma catástrofe como eu.
Já faz um mês que estou aqui na base e digamos que foram as semanas mais tranquilas que já tive na vida.
Furry virou um xodó para mim e para Marti apesar desse cachorro dá uns sumiços esquisitos, em um momento ele está aqui e quando desvio a atenção ele some sem explicações. Estou em dúvida se é um cão ou um gato, mas o importante é que fofo, então está perdoado.
Aceitei a oferta da Sky de trabalhar na base e me coloquei a disposição para dar aulas de música e luta para as crianças que desejassem. Eu e Leon nos tornamos colegas de trabalho, que por incrível que pareça ele não é um completo idiota hostil, na verdade ele é até legal.
Octávio tem se tornado um bom amigo e um bom parceiro para o Marti no quesito de não me deixarem passar mais que nove horas dentro de casa. Eles assumiram um papel interessante neste tempo. É admirável a forma como eles se preocupam comigo, como se fossemos uma nova família.
Fui apresentada a ninfoídes, metamorfos, fadas com asas e chifres, bruxas, feiticeiras e híbridos de todas as espécies. Tudo muito curioso e diferente.
Várias séries de acontecimentos legais e interessantes, descobertas inigualáveis, mas nada apaga a preocupação com a minha família e os conflitos internos que me perseguem desde tudo que ocorreu em Salis. Muitas das noites, antes de dormir, me pego pensando em como estão, na falta que sinto do meu pai, da culpa que me corroe por sua morte. Não é como se eu pudessem concertar tudo que está quebrado apenas com algumas semanas ativas e vistosas. Tentar concertar leva tempo, muito tempo e no final nunca mais será a mesma coisa.
— Boa tarde, lady carrancuda. — Octávio me surpreende na saída da minha última aula de música do dia, me ajudando a levar algumas partituras para casa.
— Boa tarde, lorde bobão. — não sei por que, mas tenho a leve impressão que ele fica mais radiante a cada vez que uso esses apelidos toscos ou brincadeiras idiotas — Está bonito hoje.
Com o tempo tenho notado que o príncipe é do tipo espalhafatoso. Sempre com roupas de cores estravagantes, argolas douradas ou sombreados nos olhos. Hoje — vestido em calças marrons largas, blusa bege com mangas arregaçadas até os cotovelos e um delicado arco dourado em uma de suas narinas, combinando com um corrente dourado ao redor do pescoço — ele está bem mais básico.
— Eu sempre sou bonito, alteza. Porém sou mais ainda quando acordo, só não deixo que veja por quê pode se apaixonar.
— Acredito que será o contrário. — digo com um sorriso ladino — Você me parece o tipo de pessoa que se apaixona no primeiro beijo. Me admira que não tenha se apaixonado por mim naquela taverna.
Antes que ele possa retrucar um Leon furioso passa por nós em direção a um grupo de soldados escoltando uma silhueta alta a uma certa distância. O capitão possesso empurra os soldados me dando uma melhor visão da silhueta presa por grilhões.
John.
Em um ataque de fúria, ele soca o rosto do meu amigo com tanta força ao ponto de derruba-lo no chão. Descontrolado o capitão dá socos atrás de socos no rosto bonito de John, fazendo a cada golpe desferido uma coloração escarlate marcasse ambos.
— DESGRAÇADO! EU VOU TE MATAR! — ele berra soco após soco na face do loiro, agora totalmente ensanguentado.
— Leon! Chega! Calma! — Octávio junto de alguns homens tentam conter o capitão em fúria — Precisa se controlar.
— Ele a matou! Ele matou a minha mãe bem diante dos meus olhos! Ele precisa pagar! Ela não merecia morrer! Ele precisa pagar, precisa morrer!
— Calma, meu amigo! Tudo ao seu tempo. — Octávio tentar contornar a situação, enquanto eu tento socorrer o loiro ensanguentado.
— Senti... Sua... Falta. — ele tenta falar, cuspindo sangue em seguida.
— Eu também senti sua falta. Agora cala a boca seu soldadinho de merda.
Enquanto o ensanguentado perdia a consciência em meus braços, gritos e mais gritos de um homem perdido na dor da perda e na fúria se seguiam a fundo. Feiticeiras e curandeiros foram chamados para levá-lo a enfermeira para prestar assistência médica.
°•°⚜️°•°
Um nariz quebrado.
Um olho roxo.
Uma mandíbula deslocada.
Dois dentes arrancados.
John está arruinado e não tiro a razão de Leon por deixá-lo nesse estado. Era a mãe dele, assassinada de uma forma horrível, diante dos seus olhos. É totalmente compreensível que reagisse dessa forma, mas é o meu amigo de infância que está sendo feito de saco de pancadas. Ele estava seguindo ordens.
O cheiro do emplastro de ervas medicinais banha o leito do loiro. Duas feiticeiras foram precisas para curar as contusões e aplacar a dor com feitiços e magias. Soldados guardam a cama e se não fosse pelos grilhões prendendo seus pulsos às barras da maca, diria que estavam o protegendo de Leon.
O rosto inchado, a roupa ensanguentada e os hematomas que não eram tão graves para o uso de magia, fazem do que foi um dos homens mais bonitos do reino de Salis parecer um baiacu. A surra foi tão bem dada que o coitado está apagado a duas horas e segundo o último curandeiro que veio checar seu estado irá demorar mais algumas horas para que acorde.
— Oi. — Octávio surge na cortina divisória de leitos com duas canecas de chá — Ainda apagado?
— O capitão tem um bom soco.
— Ele está péssimo. — ele constata o óbvio — Chá de camomila para te tranquilizar. A tiazinha do refeitório disse que era o melhor. — ele diz me entregando uma caneca e se sentando ao meu lado me observando.
— Obrigado.
Ficamos por um tempo em silêncio, ele apenas analisando meu rosto. Agora que John está aqui não faço ideia de como me sentir. Nesse mês tudo que fiz foi bloquear qualquer coisa que me remetesse ao meu antigo lar a maior parte do tempo possível. Agora que ele está aqui, tudo retorna como uma avalanche, isto é, uma das poucas pessoas que me amam está aqui e me sinto feliz por ter alguém em quem confio a minha vida ao meu lado novamente, mas temo por ele. Ele agora é um desertor da coroa e um assassino de uma lady rebelde que é a rainha por direito. O que Leon fez com ele não é nem dez por cento do que podem fazer com ele, será odiado por todos, isso se não pedirem por sua morte.
— Está preocupada com o que faram com ele. Acertei? — Octávio faz a sua mágica irritante de conseguir ler minhas emoções novamente.
— Sim. — digo tomando o último gole do me chá nada calmante — Não quero que matem ele. Sei o que ele fez, mas eram as ordens. Seria condenado a morte por deserção. Eu não quero perder mais ninguém que amo. — sem a minha permissão uma pequena lágrimas escorre, mas a seco rapidamente. Não irei chorar — Mas você não é obrigado a ver ou ouvir isso, me desculpe.
— Não precisa se desculpar, gosto de te ouvir. É para isso que amigos servem. — ele diz fazendo um leve carinho em meus cabelos.
— Somos amigos?
— Se você quiser mais que isso, terá que esperar na fila. Não é por que você é uma princesa e futura rainha que vai furar fila. — ele diz me fazendo gargalhar, logo sendo repreendida por um curandeiro meio carrancudo pedindo por silêncio — Você tinha muitos amigos em Salis, certo?
— Não. Além de minha família, as únicas pessoas que não me odiavam eram o baiacu aqui, — aponto para John deitado inconsciente — Vincent e Giselly.
— Odiavam?
— Eles tem a ideia estúpida de que uma jovem deve ser recatada, delicada, dedicada ao lar e se preservar para o casamento. Deveria se casar com um bom partido e gerar herdeiros. Eu não me encaixo nesse pensamento, não tenho nada de recatada ou delicada, já tive várias pessoas sobre os meus lençóis, gosto de ir a tavernas e beber até não poder mais e não quero gerar filhos. Me odiavam por isso, por não pensar ou agir como eles.
— Sinto muito por ter passado por isso. Esse povo é nojento.
— Está tudo bem.
— Não está nada bem. — ele estende a mão para mim — Vou te levar para um lugar.
— Que lugar?
— Um lugar que já deveria ter te levado antes.
°•°⚜️°•°
— Deveria te matar por não ter me dito que tinha uma taverna aqui.
— Achei que você precisava de um tempo do seu lado alcoólatra.
Já é o meu quarto copo de cerveja. A taverna é rústica, na base de um cajueiro rei, suas ramificações formam o telhado, mesas feitas de madeiras pintadas e detalhadas acolhem os clientes. Do lado de fora o sol se põem, dando uma belíssima vista, acompanhada da boa música e boa cerveja.
— Você gostou?
— Claro que gostei. Me lembra a taverna Calli's, onde eu ouvia Margot contar as histórias e lendas antigas de Deorum.
— Me conte uma história sobre você. — ele diz com um sorriso tranquilo.
— Sobre mim? — ele acente — não tenho histórias boas sobre mim.
— Duvido.
Penso em minha vida em Salis. Foram poucos os momentos em que fui completamente feliz ou que tivesse a sensação de plenitude. A verdade é que eu me afogava em treinos, trabalho, livros ou música para evitar meus conflitos internos.
— Meu pai sempre foi muito família, amava nos levar a passeios nos bosques e sempre nos dava presentes. Seu jeito durão sempre morria assim que passava a porta da casa.
"No meu aniversário de vinte e quatro anos, ele resolveu que iríamos comemorar acampando nas ravinas de Percus. Vincent, John e Giselly também foram. Um lugar mágico, cheio de flores, vagalumes e uma brisa agradável e revigorante. Tinha alguns mosquitos também, mas nada que não fosse suportável.
Na hora do jantar nos sentamos em torno de uma fogueira, meu pai e Luuk se alternavam nas histórias assustadoras. Em um momento tenso da história teve um gato que pulou do meio dos arbustos, bem ao lado da minha irmã Mirela. Ela deu um berro tão alto e literalmente pulou em cima de Vincent que estava ao seu lado. A sopa que estava em sua mão voou pelos ares e caiu bem na cabeça do coitado Vincent.
Antes que a minha irmã pudesse reagir da petrificação da vergonha, por está no colo do príncipe, ela começou uma série de espirros molhados por causa de sua alergia a gatos. Meu amigo se transformou em uma mistura de sopa e espirros catarrentos."
— Que nojo! — Octávio diz com uma careta desgostosa — Vocês não fizeram nada?
— Rimos. Bastante. — digo gargalhando de sua cara de descrença — Depois minha mãe nos obrigou a ajudá-los, mas rimos bastante primeiro.
— Quem precisa de inimigos, tendo você como amiga ou irmã, não é mesmo?
— No fundo eu sou alguém legal.
— Eu sei disso. — ele diz com um sorriso brilhante.
— Por que não está na base de Percus ao lado do seu pai? — pergunto acenando para uma fada com chifres de cervos e cabelos esverdeados por mais um copo de cerveja.
— É uma longa história.
— Ótimo. Já te contei uma sobre mim, é a sua vez agora. — retruco e ele ri finalizando seu copo de cerveja.
— Antes de se casar com a minha mãe, meu pai tinha uma namorada secreta. Uma fada muito poderosa, seus poderes eram os mais raros. Ele a amava muito e desse amor nasceu a Tesla.
"O relacionamento deles não poderia ser exposto, por que o povo estava caçando todo ser mágico que pudesse existir, muitos dizem que por medo de seu poder ou algo do tipo. Eles continuaram em segredo, mesmo depois do nascimento de Tesla, mas uma noite descobriram que tinha uma fada em meio a eles e invadiram a casa, mataram a mãe de Tesla, mas ela foi escondida em um cesto mágico e enviada a um esconderijo do palácio que só meu pai conhecia.
Depois de caçar e punir os assassinos, meu pai resolveu criar Tesla como uma anônima, por medo do que poderiam fazer por ela. Ela é mais fada do que humana e uma filha concebida fora do casamento, ele não a poderia salvar da mente perversa dos muitos que existiam.
Meu pai se casou com a minha mãe, um acordo política nada mais. Eu nasci com todos pensando que eu era o herdeiro. Depois do massacre ao meu rei e a morte da minha mãe, com todos achando que estávamos mortos, meu pai ficou mal, no fundo minha mãe era uma grande amiga dele. Foi quando conheci ela como irmã. Ela ama meu pai mais do que eu e tem um relação muito melhor que eu e o coroa. Quanto mais eu crescia mais sem sentido fazia para mim ser chamado de príncipe herdeiro por todos da base, quando a primogênita de meu pai não era reconhecida como tal.
Então no dia do meu aniversário de dezesseis anos, na frente de todo o povo mortal ou mágico, exigi que parassem de me tratar como o príncipe herdeiro e que aceitassem Tesla Nymoid como sua herdeira real."
Por uma história como essa eu não esperava. A capitã Tesla é uma fada e futura rainha de Percus, caso venhamos a derrotar Valentino.
— Eu não sei exatamente o que comentar sobre tudo isso. — digo embasbacada.
— Tem mais coisas, mas isso é história para outro momento.
— Agora estou curiosa. Ande conte-me.
— Em outro momento talvez. — ele diz com um sorriso grande.
— Você é um estraga prazeres. — digo rolando os olhos, enquanto ele ri de meu descontentamento — Por que não pegou um cargo no comando? Você tem porte para tal posto.
— Prefiro ser comandado do que comandar. — ele diz simplista, me fazendo pensar em coisas errôneas — E eu não falei de forma maliciosa, sua pervertida. — ele completa me fazendo gargalhar.
— Eu não disse nada, oras.
— Você não me engana, sua mente é banhada em lascívia.
— Eu não vou ficar aqui escutando suas acusações perfeitamente corretas. — digo me dirigindo a roda de dança — Tragam me mais cerveja!
— Tente não ficar bêbada. — ele grita sobre a música.
— Eu não garanto nada, alteza.
°•°⚜️°•°
Eu não sei quantas canecas de cerveja eu já tomei, mas eu já sinto o efeito alegre e hesitante do álcool em minha corrente sanguínea. Octávio resolveu ser minha babá, me observando sentado na mesa enquanto rodopio e me sinto livre em meio a humanos, híbridos, ninfoídes e fadas.
Olhando aqui em meio a tantos corpos ritmados, ele é definitivamente bonito. Ele é forte, atraente, engraçado e muito bonito. Seria realmente incrível ter tudo aquilo sobre os meus lençóis.
— Eu quero você. — digo me lançando cambaleante em direção do moreno.
— Perdão?
— Eu disse que quero você. Na minha cama. — digo apoiando o queixo em seu peitoral, a nossa diferença de altura é engraçada.
— Você não acabou de beijar uma ninfoíde, três humanas e uma híbrida? — ele diz arqueando uma sombrancelha.
— Sim. Elas são magníficas, mas eu gosto de quem tem um brinquedos grandes entre as pernas.
— Pelos deuses! — consigo ver suas bochechas ganharem um tom levemente rosado — Você está muito bêbada. É melhor pararmos por aqui.
— Não. Não quero. — digo relutante — Eu quero você, desnudo, com cordas prendendo esses fortes braços a minha cama para que eu possa te montar e comandar da forma mais prazerosa.
Estou começando a ficar tonta, mas consigo ver como ele engole em seco. Com força seguro em sua blusa o puxando para mim, colando nossos corpos. Olhando mais de perto ele é ainda mais bonito. Seus lábios são fartos e convidativos, os olhos brilhantes. Meu corpo responde rápido quando suas mãos pousam delicadamente em minha cintura.
— Você está bêbada. — ele sussurra, curvando a cabeça até a altura do meu ouvido, me fazendo arrepiar — Me procure quando não tiver álcool influenciando em suas decisões e te deixarei fazer o que quiser.
Me surpreendendo, de forma ágil, Octávio me joga por cima de seu ombro como um saco de batatas, começando a marchar para longe da taverna.
— Eu não quero irrrrrrrr.
— Vai me agradecer amanhã de manhã.
°•°⚜️°•°
Octávio lava meus cabelos delicadamente. Ele é delicado demais para alguém de seu tamanho. Seus movimentos relaxantes no meu coro cabeludo me deixam ainda mais sonolenta e enervada.
— Aqui tem uma toalha e uma camisola que encontrei em seu baú. Seque os cabelos, que estou te esperando aqui fora.
Ele não espera que eu responda antes de sair pela porta da sala de banho. Com cuidado me livro da blusa encharcada — que ele me obrigou a manter no corpo para que pudesse me dar banho — e colocar a camisola bege, uma das poucas camisolas que tenho que não se funde a todas as minhas curvas.
Nunca tive alguém que cuidasse dessa forma de mim depois das minhas bebedeiras. Sempre acordava em camas estranhas com corpos estranhos ao meu lado. É uma sensação nova e até gostosa de se sentir. Me passa pela mente como seria ter um relacionamento com alguém como Octávio. Que não aquecesse apenas o corpo, mas o coração e a alma.
Quando abro a porta da sala de banho, o príncipe me espera com uma manta quentinha, a colocando delicadamente sobre meus ombros e longas mechas de cabelos úmidos, me conduzindo até a minha cama para pentear meus cabelos.
— No que tanto pensa? Você parece menos pervertida e mais melancólica.
— Sinto falta da minha família. Sinto falta do meu pai. — olho para um ponto fixo na parede, vendo as cenas com as pessoas que amo passarem diante dos meus olhos — Ele morreu nos meus braços e eu não tive a chance de dar um enterro digno a ele, por minha causa ele morreu. Eu o matei.
As lágrimas que tanto segurei no último mês, escorrem descontroladas. A cada soluço a dor invade meu corpo. Não quero que ele me veja dessa forma, frágil e vulnerável, mas não consigo mais segurar, dói. Uma dor dilacerante, que corroe cada pedaço da carne e espírito. Eu tentei me reeguer, tentei me encontrar, mas não sei como fazer isso, não sei o meu propósito. Estou caindo em meu próprio abismo, em um mar profundo sem uma bóia.
Devagar sinto um par de braços fortes envolver ao meu redor, como uma âncora me acalentando em meio a dor. Um abraço singelo, como poucos que já recebi e que me faz derramar ainda mais lágrimas.
— A dor precisa ser sentida, mas não ao ponto de te destruir dessa forma — ele diz baixinho — Você não teve culpa alguma pela morte do general Redder. Pode se sentir vazia e despedaçada, mas ainda continua sendo alguém forte e determinada. — ele aperta mais seu abraço confortante, me fazendo me sentir segura para derramar ainda mais lágrimas que eu imaginei ter — Forte, doce, alcoólatra e pervertida. Uma combinação singular, mas vistosa. Independente de coroa, status ou qualquer situação do passado, nada vai mudar o fato que você é incrível.
Consigo sorrir com seu tom de humor sobre a minha relação com bebida. Até em momento drásticos como cuidar de uma bêbado melancólica, ele mantém seu jeito engraçado. Eu gosto disso.
— Você precisa dormir agora. — ele diz me soltando, deixando uma sensação fria.
Devagar ele me ajuda a me deitar e me aconchegar nas cobertas, todo delicado e bondoso. Ele está pronto para me deixar e ir embora.
— Não. Não vai. Fique aqui.
— Você tem que descansar.
— Só um pouquinho. — digo apertando sua mão com o pouco de força que ainda me resta, o álcool voltando a tomar controle de mim — Não quero ficar sozinha.
— Tudo bem.
Talvez eu esteja tendo alucinações por conta do álcool, mas vejo o momento em que Octávio solta a minha mão delicadamente e o belo rapaz dá lugar a Furry. Meu adorável amigo de quatro patas sobe na cama se aninhando ao meu lado, em seu lugar habitual e com essa doce imagem sou puxada para a incidência.
•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°⚜️°•°️⚜️°•°⚜️°•°️⚜️°•
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top