Descansem em paz

A onda de criaturas não parava de vir. Cada vez mais o númro de guerreiros mortos em toda a Artrix aumentava e os centros de contenção ficavam mais expostos ao ataque.

Allis ainda se mantinha firme junto a Keine em frente à taverna de Keth. O anão ocasionalmente vinha com seu machado para reforçar a defesa, mas logo retornava para o estabelecimento visando acomodar a quantidade enorme de pessoas.

- Quanto tempo aqueles três vão demorar para vencer essa batalha? Não pretendo ser transformado em uma criatura dessas- Dizia Keine acertando diversos elfos com toda a força de seu machado.

- Espero que não muito!- Allis disparava sua última flecha acertando a cabeça de uma criatura que corria em sua direção. Olhou rapidamente ao redor tentando localizar o máximo de flechas possiveis. Todas estavam jogadas no chão, pois o corpo onde estavam cravadas se desintegrou- Hora de encarar de frente-Anunciou à medida que corria na direção do primeiro inimigo que viu se aproximar.

Rapidamente sacou uma adaga e começou a degolar um por um enquanto rolava em direção a suas flechas e as atirava mais uma vez. Certamente ela estava conseguindo lidar com a situação, porém aquela batalha já estava ocorrendo a muito tempo e as energias estavam se esgotando. Manter um ritimo frenético era totalmente inviável.

- Fico admirado com sua saúde pequena elfa. Gostaria que esta energia toda durasse até o fim disto- Comentou Keine cravando sua arma no chão junto de um corpo já sem vida.

- Se está duvidando então está na hora de eu mostrar alguns truques- Após dizer estas palavras Allis chutou a criatura contra quem lutava para ganhar espaço e pegou um pequeno frasco amarrado ao cinto de sua cintura. Ele continha um liquido amarelado que, ao ser jogado no chão, se transformou em uma nevoa se espalhando ao redor. Inevitavelmente Keine respirou aquela fumaça e sentiu seu coração bater como nunca havia batido. Era como se seu corpo estivesse totalmente eletrizado e revigorado ansiando por ação. Aquele efeito atingiu os demais gerreiros próximos bem como algumas criaturas.

Estavam todos entrando em combate intenso de modo que os elfos atingidos pela fumaça morreram em instantes restando apenas os guerreiros com sede de batalha. Allis também estava assim, mas usou toda a sua energia em magia. Segurou seu arco com ambas as mãos e fechou os olhos. Uma aura verde surguiu de seu arco emanando de suas mãos. Seus olhos se abriram e revelaram uma coloração intensificada. Por fim uma flecha de mesma cor se formou e esta foi disparada na direção de um dos inimigos.

Assim que perfurou seu corpo esta se desfez dando origem a dezenas de estilhaços que seguiram na direção de mais criaturas como se estivessem sendo guiadas pela elfa que mal se mexia. Estava em alta concentração. Mais e mais monstros cairam até que os pedaços voltaram a constituir o objeto inicial viajando direto para a criadora.

Uma vez diante de sua face, Allis ergueu a mão fazendo-a parar no ar para que então girasse seu arco. O ato fazia com que várias das flechas espalhadas pelo chão se erguessem e se juntassem à verde formando um circulo ao redor da elfa. 

Todos os guerreiros pararam o ataque para olhar o que estava acontecendo, impressionados com o poder ali presente quando então todos os elfos começaram a gritar em dor e cair no chão. Aos poucos cada um se desfez. Era o momento da morte de Lauren.

Demorou para que entandessem o que estava acontecendo, mas no instante em que a certeza de que tudo havia acabado foi plantada em suas mentes a sensação de alívio foi descomunal. Cada um se jogou no chão para descansar e começaram a gritar em comemoração. Allis por sua vez parou o que estava fazendo, seus olhos voltaram ao normal e a magia se esvaiu. Como consequência todas as flechas cairam e a elfa perdeu a consciência.

Keine se aproximou para ajudá-la e colocar seu corpo em uma posição mais confortável a tirando daquele lugar, pois as pessoas já saiam aos montes da taverna. Melina conseguiu avistar os dois e ajudou o Orc a cuidar de Allis junto da princesa anímo que havia acabado de chegar ali.

- Ela está bem?- Questionou se aproximando e fazendo com que todo o poder retornasse para a lança.

- Creio que sim. Ela usou muito de sua força em uma magia. Creio que ela só precisa descansar um pouco- Relatou Keine fazendo Katty balançar a cabeça.

- Você não consegue se conter em apenas atirar algumas flechas Allis?- Disse com um falso tom de raiva- Levemos ela para a vila onde ela mora. Creio que eles saberão o que fazer, mas anes preciso encontrar meus soldados.

- Está bem Katty, eu e Erwin a levaremos até lá não se preocupe- Disse Melina sorrindo e em seguida chamou seu marido.

O resto daquele dia foi destinado à reparação dos danos causados por Lauren. Centenas de elfos, dentre eles nobres, guerreiros e simples moradores do reino, foram transformados e desapareceram como fumaça após a morte do rei. Junto deles os moradores de Artrix que não conseguiram escapar durante o ataque e até mesmo alguns anímos. No fim cada um se foi sem deixar rastros físicos, apenas a dor da perda.

Um reino agora completamente devastado e em crise. Os elfos estavam perdidos sobre o caminho que deveriam tomar dali para frente. Sem lideres, sem guerreiros para defender aquele lugar e sem o apoio de nenhuma outra raça por ali, seria de fato uma enorme missão se manter vivos.

Alguns poucos soldados se colocavam dispostos a tomar frente naquela jornada e reerguer aquele povo tão poderoso, mas isso levaria tempo e significaria passar por periodos tenebrosos repletos de discordâncias e crises. Uma realidade que teriam de enfrentar após Lauren ter destruído tudo aquilo que os elfos construíram por anos.

Para muitos a carga se mostrou pesada demais para carregar e estes decidiram sair pelo mundo em busca de alternativas melhores, porém por sorte a grande maioria estava realmente disposta a continuar unida. Não foi diferente para Eletha que sem pensar duas vezes se mostrou disposta a ajudar a construir um novo mundo. A morte de Knox havia caído como uma avalanche em sua vida e na de suas filhas, mas esta sempre soube o quanto o elfo lutou por aquele reino, o quanto desejou que aquele lugar se tornasse um verdadeiro lar para os elfos. Morreu se colocando à frente de sua família junto de diversos bravos guerreiros capazes de conter o ataque das criaturas e salvar inúmeras vidas.

Muitos foram os nomes exaltados como herois após o ocorrido e muitos foram os nomes homenageados alguns dias depois de quando o exécito de Lauren havia morrido assim como o próprio rei. 

Eletha andava entre meio à multidão que se reunia próximo às ruinas onde ocorreu a grande batalha entre Batrix, Lauren, Katty e Aria. No topo um soldado observava tudo pretendendo dizer algumas palavras e ao lado, afastado do aglomerado estava Darian. Este não havia encontrado com Eletha desde a morte de seu amigo e pretendia continuar sem encontrá-la, pois a todo momento se culpava poe tudo e vê-la chorar pela ausência de Knox causaria uma dor da qual ele estava querendo fugir.

Cada um que chegava ali seguia direto para os dois grandes pilares que havia no começo da escadaria. Assim que se aproximavam colocavam a mão sobre aquela estrutura de pedra e dizia algumas palavras para um ente morto por Lauren. Em seguida cada um seguia seu caminho para se acomodar e esperar as palavras do soldado elfo.

Darian não deixou de notar a presença de Allis que seguiu o mesmo procedimento e se posicionou em um local distante de onde ele se encontrava, aparentemente não tinha o visto. Logo depois veio Eletha acompanhada de Ava e Isa. No instante em que as viu deixou algumas lágrimas escaparem e desviou o olhar tentando se manter firme.

A elfa colocou a mão sobre a pedra e jurou que a luta de Knox não seria em vão. Suas filhas apenas acompanharam o momento em silêncio, mas com os rostos já inteiramente molhados. Foi então que os olhos de Ava encontraram Darian distante dali e logo a pequena avisou sua mãe que assentiu com a cabeça.  

A cerimônia por fim começou. O tal soldado desceu as escadas para ficar mais perto da multidão e passou a dizer algumas palavras em sua lingua natural. Enquanto isso todos escutavam em silêncio cercados pela tristeza que marcava aquele dia e os que viriam em frente, assim como o vazio dentro do mercenário que não parava de se quetionar sobre seu próprio destino, sobre suas decisões. Mal conseguia prestar atenção devido aos pensamentos altos e intensos.

Em sua mente ele imaginava diversas maneiras de ter salvo Knox. Diversas maneiras de ter matado Lauren antes mesmo dele receber aquela coroa. Diversas maneiras de ter já derrotado Aria ou até mesmo de ter desistido daquilo tudo. 

O elfo aceitou os poderes de Batrix e a missão de matar alguém que nem ao menos conhecia, para ter a chance de mudar o mundo ou ao menos faz algo maior por ele. No entanto, na primeira chance de fazer isso havia sido derrotado a ponto de ter sido salvo por Grimmer e apesar de ter se redimido matando Lauren e se tornando mais forte, o sentimento de impotência ainda estava ali.  

Tudo aquilo não parava de o perturbar e estar naquele lugar não estava ajudando de maneira alguma até que algo inesperado o atingiu. Em meio a todo seu devaneio um abraço na altura de sua cintura o assustou e rapidamente outro veio logo em seguida. Era Ava e Isa buscando apoio no elfo enquanto choravam discretamente fazendo-o ficar sem reação, mas ao fim as abraçou de volta observando Eletha se aproximar.

- Elas sentiram a sua falta Darian. Ainda mais depois de tudo o que aconteceu- Disse a elfa se colocando ao lado dele e virando-se para o soldado que seguia com as palavras.

- Me desculpe, mas acho que ver uma pessoa com tamanhos poderes deixar seu pai morrer não seria adequado- Comentou também observando o soldado.

- Você é poderoso, mas não é nenhum Deus para poder salvar tudo e todos Darian. Até mesmo as duas têm compreensão disso e você sabe muito bem que a última coisa que eu faria seria culpar você de algo- Darian se manteve em silêncio- Knox lutou como você e infelizmente morreu da mesma maneira que você também poderia ter sido morto por Lauren- Ainda em silencio enquanto Eletha se pôs da mesma forma até suspirar fundo e colocar a mão sobre seu ombro- Ele tinha orgulho de você por ter tido a coragem de abandonar isso tudo para ser melhor. Continue dando motivos para que ele e nós todos sintamos isso Darian.

O mercenário abaixou sua cabeça ainda reflexivo e então olhou para Eletha assentindo. Os dois voltaram a atenção para o soldado que agora já falava sobre a reconstrução do reino. Suas palavras eram repletas de emoção e traziam esperança para a multidão que ali estava de modo a tirar alguns sorrisos.

O dia já estava quase no fim depois de encerrada a cerimônia no reino dos elfos. Havia sido um momento de grande importância para que o povo se sentisse mais seguro e com um caminho difinido a seguir a partir dali. Mesmo que as dificuldades assustassem.

Darian passou um tempo com Ava e Isa tentando distraí-las um pouco de tudo aquilo bem como destrair a ele mesmo. Precisava de um tempo de descanso e ali estava a sua chance de voltar a ser um simples elfo sem grandes preocupações brincando de moldar coisas.

- Tio, você até hoje não fez o meu lobo- Reclamava Isa sentada no chão de sua casa junto de Ava e Darian enquanto este segurava um alaude moldado com extrema dificuldade.

- Acho que esse alaude usou toda a minha força mental Isa- Disse estendendo o instrumento na direção da elfa.

- Quero ver você tocar isso ai Darian- Provocou Ava cruzando os braços e o encarando bem como Isa.

- Olha só- Disse ele segurando o alaude em posição de tocar- Acho que vocês duas estão muito atrevidas- Protestou com a cara fechada- Mas de qualquer forma ele não é um instrumento de verdade. Não dá para fazer cordas acústicas com meu poder e segundo que isso é para bardos. Não gosto de bardos- Revelou surpreendendo as elfas que se indignaram.

- Como assim. Tão amigáveis e carismáticos- Começou Isa.

- E ainda tocam muito bem- Completou Ava.

- Não nego que toquem, mas essa parte do amigáveis e carismáticos pode ser até mesmo um pouco irritante. Algo como conviver com a Katty- Pensou o final em voz alta lembrando da princesa e então voltou para a realidade- Mas não, não gosto de bard...

A fala de Darian foi interrompida por um som ecoado pelo cômodo. Um acorde tocado suavemente em um alaude de verdade nas mãos de Eletha.

- Por que você tem um...- Dizia ele quando foi interrompido por mais um acorde e o inicio de uma música.   

- No alto e além das estrelas / Uma batalha que nos protege / Da qual você mesmo deconhece / E acabam dizendo que a gente merece

Nós lutamos por interesse / Eles por obrigação / Desprezando as belezas da vida / Pois estão presos na missão 

Lute contra o mundo / Tente se manter vivo / Você sempre irá persistir / Por que amanhã será mais um dia de guerra

-Wow. E você ainda toca- Comentou Darian quando Eltha finalizou o refrão e parou de tocar- De onde vem essa música?

- São apenas músicas que a gente encontra por ai. Na maioria das vezes contam sobre mitos, mas nunca sei a origem.

- Bardos. Sempre Bardos- Resmungou Darian deitando no chão e desfazendo seu alaude quando então Ava se apoiou em sua barriga com violência o fazendo perder o ar.

- E a sua katana? Deixa eu ver denovo- Seus olhos brilhavam de modo a ficar impossivel a missão de negar.

- Saia de cima de mim que eu lhe mostro então Ava- Dizia ele se esforçando com toda a força que tinha para sair daquela posição confortável à medida que a elfa pulava de alegria. Certamente estar ali faria com que Darian relaxasse um pouco e esquecesse dos acontecimentos recentes. Ainda tinha a missão de sua aura a cumprir, porém não fazia ideia de como fazer e nem se teria vontade de fazer.

Aria havia recuperado seus poderes e tendo todo aquele poder cercando o seu corpo tirava o sentimento de vulnerabilidade constante. Podia projetar seu vestido sem dificuldade alguma e ao mesmo tempo ver a eletricidade correr em suas mãos.

De fato havia sido um enrome contratempo ter tido Lauren como seu inimigo naquele momento, mas com o problema resolvido estava pronta para seguir em frente tentando ignorar qualquer possível distração.

Após a batalha, Aria permaneceu em seu templo treinando e revisando os planos para seu próximo movimento, pois ter outro fracasso como o ocorrido com o rei elfo não era de se aceitar. Logo, buscava a mais pura escuridão dentro de si para que voltasse a ser a Aria Nix capaz de espantar a todos com seu olhar.

Junto dela estava sempre Grimmar que não deixava de alimentar os sentimentos da elfa que faria com que a batalha final com Batrix chegasse cada vez mais perto.

- Creio que se rebaixar a se unir a Batrix tenha sido castigo o bastante. No entanto, fique feliz em saber que não é a primeira vez que tenho que lidar com esse tipo de situação- Dizia Grimmar andando de um lado a outro segurando seu cajado enquanto Aria estava golpeando o ar com sua espada- Felizmente creio que já está preparda para mostra ao mundo quem é de fato.

- Nao pretendo mostrar ao mundo e nem a ninguém quem eu sou de fato. Já me tornei o que diziam de mim então só me resta causar o caos monstrando quem os outros são- Respondeu parando seus movimento e encarando a velha que revirou os olhos.

- Sempre tão melodramática. Ao menos ver o modo como não se importou com o elevado número de mortos no ataque de Lauren me faz ver que está firme em seu caminho. Nenhum deles gostava de você e apesar de eu ter certeza do rancor que guarda por mim eu sou a única que está aqui...- Foi interrompida pela elfa que se virou de costas e seguiu o que fazia.

- Está aqui sempre me dando sermões como se eu fosse uma criança.

- Não. Estou aqui para que você fortaleça seus poderes e se torne intocável. Já tentei abordagens amigáveis anteriormente, mas o resultado era muito menos satisfatório. Se está ai com este semblante que assusta até mesmo a mim é por que eu ajudei. E você vai me ajudar matando Batrix.

- Por que esta é sua única missão. Garantir que eu mate Batrix- Respondeu com uma voz de desdém à medida que absorvia sua espada- Não se preocupe, pois tratarei de fazer isso. Por agora obrigada pelo treinamento, mas tenho que seguir caminho- Encerrou ela tocando o ombro de Grimmar e desaparecendo dali.

A velha permaneceu parada olhando na direção de onde a elfa sumiu até que a presença de Grimmer foi notada e ela se virou para trás.

- Por um momento pensei que estivesse tudo perdido nessa luta...- Dizia ele escorado em uma pilastra próximo à maga- Darian tem sido correto demais, mas acho que seu trabalho com Aria pode garantir que haja algum vencedor.

- Algum de nós tem que ser eficiente. Algo que tem lhe feito falta já faz anos- Provocou ela se apróximando e cravando seu cajado no chão.

- Engraçado, pois se não fosse com a minha ajuda nunca teria conseguido que ela despertasse o poder daquele jeito- Retrucou fazendo o mesmo que Grimmar de modo a ficarem cara a cara e as orbes em seus cajados ascenderem.

- Vê se não tropeça nessa sua ingenuidade Grimmer.

- Posso até ser ingênuo, mas nossos treinos têm deixadp evidente o mais forte- Deu uma piscadela.

- Velho idiota. Lutemos então- Encerrou retirando seu cajado do chão e se colocando em posição de luta assim como Grimmer. Rapidamente entraram em combate e desapareceram dali, pois seria arriscado demais continuar no templo quando Aria poderia voltar a qualquer instante.

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