3. New sensation
Hellboy
Aquele lugar era a bagunça mais bem organizada da terra. De um lado se estendia o balcão de um bar, com estantes lotadas de bebidas e banquinhos redondos e compridos que abrigavam as bundas dos membros mais velhos e a bunda murcha do meu melhor amigo, que já devia estar na oitava latinha de refrigerante.
Mais para frente, um banheiro escondia o local mais limpo dali, do outro lado, um palco com hastes para pole dance que ninguém usava há muitos anos.
Tinha alguns instrumentos pendurados nas paredes também. Violões e guitarras enfeitavam o fundo do palco, uma bateria com pratos rachados e sem alguns pedaços brilhava mais para trás e um piano velho esperava para ser afinado.
De frente para o bar, a oficina da gangue se estendia com equipamentos sujos de graxa e uma van branca reformada passava pela manutenção.
A porta que ficava de frente para a porta do banheiro escondia o escritório do meu irmão, onde ele organizava tudo.
— Olha quem tá aqui! — Jeremy Griffin, YeyD para os membros da gangue, levantou a garrafa de cerveja ao me ver. — Hellboy, quanto tempo!
Sorri para ele, eu amava aquele lugar e aquelas pessoas. Eram como parte da minha família.
Todo mundo ali dentro tinha a mesma energia que meu irmão: uma mistura estranha entre responsabilidade, gentileza, descontração e um apreço muito estranho pela justiça com as próprias mãos. Mas eu ainda não conseguia sentir aquilo por Zachary Jacobson, o Fingers.
Ele era o recruta, e talvez por isso o meu santo não batia com o dele.
Fingers não era tão aberto e gentil quanto os outros membros, ele era estranho. Inexplicavelmente estranho, mas ninguém ali dentro era parâmetro para normalidade.
Ralph, por exemplo, tinha uma filha pequena, uma barba grisalha, cabelos longos, um barrigão de chopp e uma esposa incrível, mas colecionava cartões postais, tatuagens e muitas cicatrizes nos braços, frutos de várias sessões de tortura para revelar planos no passado.
Winston era um ano mais novo que meu irmão, mas era seu melhor amigo e vice-líder da gangue, adorava pirulitos rosas, detestava coca-cola e seu passatempo favorito era fazer minha lição de casa de matemática, não era à-toa que o chamavam de Neuron.
Ninguém ali era normal.
Penso que por isso eu me sentisse tão mal tentando julgar e colocar um padrão em Zachary, mas ele me incomodava. O anormal dele diferia do que eu estava acostumado. O pai dele era braço-direito do antigo líder da gangue, mas foi misteriosamente morto.
Zachary não tinha nenhuma história engraçada e cheia de controvérsias como todo mundo ali, ele apenas continuou sua vida após a morte do pai, trabalhava na loja da mãe e ganhava seu salário mensal, o problema é que ele decidiu abandonar tudo e ir para a gangue de repente, e como ele era um anjo da morte de sangue, meu irmão não pôde negar sua entrada.
Me sentei entre Leight e YeyD, que me entregou uma garrafa de cerveja, destampei-a rapidamente e tomei alguns goles.
— Desconfiei que estivesse por aqui quando esse palhaço entrou pra acabar com nosso refrigerante. Onde esteve durante o verão? — Perguntou, pedindo mais uma garrafa para Ralph. — Não apareceu por aqui as férias inteiras.
Suspirei em silêncio.
— Sneaky não me queria por aqui — Dei mais um gole. — Ele achou que se eu ficasse longe, desistiria da ideia de me oficializar!
Leight revirou os olhos, ele sempre estava do lado do meu irmão quando o assunto era me oficializar na gangue.
YeyD, por outro lado, riu. Todo mundo ali dentro sabia o quão superprotetor Mark era comigo.
— Seu irmão só te quer longe de problemas. Quer te proteger — Ralph colocou um copo vazio na minha frente.
Ele tomou a garrafa da minha mão e terminou de tomar toda a cerveja que restava ali dentro. Tentei protestar, mas ele encheu o copo com refrigerante e o empurrou em minha direção.
— Pra você é refrigerante hoje — Disse firmemente. — A Ally-Grace tá ali fora, se souber que andou bebendo cerveja antes de dirigir um carro, ela te mata e me mata depois!
Revirei os olhos. Não gostava quando me tratavam como criança, mas eu era um dos mais novos ali. Se eu me oficializasse com membro, o título de bicho de estimação passaria de Neuron para mim, já que Winston era o mais novo dos membros oficiais.
— Hellboy, meu garoto! — Winston pulou ao meu lado, passando o braço sobre meus ombros e sobre os ombros de Leight.
Ele abriu um sorriso largo para nós dois, soltou Leight e puxou meu copo com refrigerante, tomando alguns goles largos, deixando apenas um restinho do final.
– Tem lição de casa de matemática? — Perguntou, entusiasmado.
— Tem de Estudos Sociais! — Respondi.
— Estudos Sociais eu passo.
Ninguém gosta de Estudos Sociais em plena consciência.
— Winston! — A voz da minha irmã ressoou por todas as direções.
Ele sorriu gentilmente para ela. Ela parecia uma boba apaixonada.
Winston era quase cinco anos mais velho que Ally-Grace, que estava para fazer dezesseis anos, mas isso não queria dizer que ela não pudesse ser perdidamente apaixonada por ele, que não a enxergava como mais que uma irmãzinha mais nova, o que comumente a frustrava.
— Caramba, Ally, como você cresceu! — Winston disse, segurando a mão da garota e a girando como uma bailarina. — Tem comido o quê?
— Tenho me exercitado — Ela sorriu, tentando parecer sedutora, mas parecia uma garotinha prestes a roubar um doce. — Ser líder de torcida não é tão fácil quanto parece!
— E você é péssima nisso — Revirei os olhos e Leight riu.
— Não liga pra esse imbecil — Winston me empurrou. — Tenho certeza de que é ótima no que faz!
— Eu dou meu melhor — Ela se afastou com um sorriso petulante, que era quase um dom de família.
— Falando em escola... — Leight começou e eu revirei os olhos.
Leight passou as mãos pelos olhos, enquanto sacudia a perna incansavelmente abaixo do balcão, ele pensava em tudo o que acontecera na da escola. Provavelmente me considerava um belo de um idiota, mas isso não mudava muito o que ele sempre pensou ao meu respeito.
— Que merda você tem na cabeça para aceitar entrar em uma competição por uma garota? — Perguntou, irritado.
Leight puxou a latinha de refrigerante de cima do balcão, ele não gostava muito de álcool, então sempre acabava tomando litros de refrigerante como se fossem menos nocivos para a saúde. Eu sempre o dizia ser apenas uma ilusão que ele se forçava a acreditar, mas ele sabia bem.
Bati os dedos sobre a madeira do tampo do balcão. Iron Fists parecia se divertir à custa do Leight reclamando sobre o que acontecera mais cedo, era inevitável, o jeito desesperado de Leight sempre o fazia rir. Para os outros, aquilo poderia até ser engraçado, mas sempre que eu me lembrava das circunstâncias tinha certeza de que era o meu fim.
Anthony Cooper era um cara rápido, mais rápido que eu. As pernas finas faziam ele parecer um foguete toda vez que corria pelo campo, por isso eu era o Quarterback e ele o Wide Receiver. Eu arremessava, ele agarrava e corria.
Aquela competição seria vencida por mim se Marianne tivesse pensado em qualquer outra coisa que não envolvesse a velocidade.
— Eu tô fodido! — Passei as mãos pelo rosto.
— Você quem se enfiou nessa merda! — Leight franziu o cenho e bateu a latinha no balcão. — Porra, o que seu cérebro faz nesses momentos? Levanta e sai correndo? Não é possível que alguém seja tão burro!
— O cérebro dele é programado para pensar apenas em sexo quando se trata de garotas, Bloody! — Ralph entregou mais uma latinha para Leight.
Bloody. Leight detestava aquele apelido, mas preferia esse que o antigo...
"Carie, a estranha," era como o pessoal da gangue o conhecia, isso porque a primeira vez que ele entrou no covil acabou tendo a cara estampada na porta de uma van que estava no conserto. Não fora proposital, mas rendeu uma enxurrada de risadas e um nariz sangrando.
Seu nariz sangrou tanto que ele precisou trocar de roupa para voltar para casa sem parecer ter saído de um filme de terror.
Após dar alguns chiliques, decidiram chamá-lo apenas de Bloody, que era menos humilhante que lembrá-lo da pancada que ele levou.
— Você precisa me ajudar — Disse para Leight, mas ele riu. — Eu tô falando sério!
— Não vou te ajudar com isso! — Franziu o cenho. — Você vai ter que se virar!
Revirei os olhos. Ele não conseguia entender, ele mal tentava. Ele me ajudaria querendo ou não.
— Não tem essa de "não vou te ajudar", você vai me ajudar, caso contrário, não terei par para a festa!
— Larga a mão de ser mimado!
Ficamos naquela discussão por horas a fio, ele negando firmemente e eu insistindo, incansável e teimoso. Até que Neuron deu a brilhante ideia de uma trapaça que não era tão grande assim, só para não pesar tanto na consciência gentil de Leight.
Só precisávamos de um barbante grande o suficiente para ser amarrado na bandeira do campo de Futebol Americano e se estender até a arquibancada.
Talvez por ser oferecido por Neuron, Leight concordou, relutante.
Sei que parece uma idiotice sem tamanho trapacear por uma garota, mas eu estava desesperado, era a segunda oportunidade que eu daria para Marianne e, daquela vez, sem precisar me esconder da irmã dela.
— Não é um plano perfeito, mas é melhor que arrancar as pernas dele — Neuron deu um tapinha nas costas de Leight. — Só uma brincadeira de adolescentes, entende? Você não tá matando ninguém, nem roubando um banco, muito menos batendo numa velha, você só vai derrubar um garoto no chão!
— Para outro garoto vencer uma corrida! — Leight revirou os olhos, ele sabia fazer aquilo melhor que qualquer outra pessoa. — É trapaça, não quero participar disso. Sabe, jogo sujo não é o meu forte!
— Você é um saco de batatas chorão! — Retruquei.
Leight detestava saber que era um garoto certinho, mas não conseguia agir de outra forma, seu coração mole sempre fazia sua consciência pesar mais cedo ou mais tarde.
— É jogo sujo — Ele grunhiu. — Não é porque seus amigos são foras da lei que você também tem que ser um!
Minha vez de revirar os olhos.
— Leight, é a porra de um barbante, não estamos assaltando a casa da moeda e nem roubando bengalas de velhos pra bater em crianças — Encarei-o firme.
Thalia se aproximou do balcão, suas sobrancelhas pretas se destacavam na pele pálida, assim como a maquiagem pesada, ela não estava muito contente. Os lábios pintados de roxo escuro se espremeram.
Ela sentou-se ao lado de Leight, pediu a primeira dose para Ralph, que não demorou a entregar. A mulher, que tinha uns trinta anos, virou-se para Leight, bateu a mão pesada em seu ombro direito e apertou-o com força, massageando a região de forma intimidadora.
— Bloody, meu queridinho, é melhor ajudar seu amigo, antes que ele fique os próximos meses chorando nos nossos ouvidos por perder a merda de uma corrida e uma garota de índole duvidosa! — Bebeu a primeira dose de uma vez. — Conhece esse pirralho melhor que ninguém!
Leight hesitou na hora. Ele passou os olhos por cada um ali dentro, ele sabia que eles me conheciam desde pequeno e sabiam que eu podia ser bem irritante quando queria.
— Certo — Suspirou. — Mas não vou te passar cola na primeira prova de Estudos Sociais, vai ter que estudar!
— Fechado! — Sorri.
Eu podia arrumar cola com outras pessoas.
— Hellboy, acho que já podemos colocar a mão dentro daquele motor e descobrir o que tem de errado! — Mark deu um tapinha em minhas costas.
Arregacei as mangas assim que atravessei a porta do covil.
Estacionado sobre o chão de pedras, o carro vermelho e velho do meu pai implorava por uma aposentadoria, mas enquanto não tivéssemos dinheiro nem para pagar a conta de luz, ele precisaria se contentar com milhares de visitas à oficina dos Death Angels e aos milhares de reparos que fazíamos.
Mark me entregou a lanterna e abriu o capô novamente, respirou fundo enquanto observava o motor, procurava por algum problema superficial, mas não encontrou nada muito diferente.
— Como foi a aula? — Perguntou, enfiando a mão para dentro do carro.
— Uma merda, como sempre — Dei de ombros.
Mark riu.
— Ilumina mais para a direita... — Pediu e eu obedeci. — O que tem de errado com a escola hoje em dia? Eu adorava!
— Tudo é errado lá dentro, Mark! — Respondi, irritado.
Enfiei minha mão para dentro do motor também, tateando suavemente as peças que eu já conhecia bem, tudo parecia no lugar e em bom estado, não fazia muito tempo desde a última vez que a lata-velha deu problema.
— Todo mundo é tão sem graça por lá — Completei. — As garotas são sempre apaixonadas pelos caras populares, as nerds são sempre sem graça, os garotos só pensam em sexo e em ficar doidão. — Balancei a cabeça, enojado com as lembranças. — Os professores não dão a mínima, o sistema educacional é uma merda limitante, os desajustados são sempre esquisitões. Tudo é muito monótono, parecem que seguem sempre a mesma fórmula e não muda em lugar nenhum! — Afastei meu corpo do carro e limpei minhas mãos em um trapo. — As pessoas não são legais como aqui, e lá ninguém liga para quem não tem grana. Eles não estão nem aí pra gente!
Mark afastou-se do carro também, ele me encarou, pesaroso. Meu irmão nunca quis que eu os endeusasse, mas não conseguia não os admirar, eles faziam muito pelas pessoas.
— E daí? — Perguntou, ignorando tudo o que eu acabara de dizer.
— E daí que eu queria ficar por aqui, com você, com o YeyD, com o Ralph, com as garotas. Queria ajudar! — Umedeci os lábios com a língua. — Eu sei me cuidar, sei me virar, não preciso da droga da escola!
Mark suspirou e virou-se novamente para o carro. Ele não me respondeu por um longo tempo. Sempre que eu tocava naquele assunto, ele ignorava tudo o que eu dizia, e eu sempre desistia de insistir.
Passamos horas vasculhando aquele carro velho atrás do problema, Mark era bom com carros e eu sempre acabava aprendendo algo novo com enquanto consertávamos a lata-velha juntos. Ele enrugou a testa, surpreso.
— Encontrei o problema, e ele tem nome e vomita bolas de pelo na varanda de casa de vez em quando! — Anunciou. — O gato do vizinho comeu os fios de novo e... Empresta a lanterna. — Pediu, e eu entreguei a lanterna, que iluminou os fusíveis. -—Tá vendo aquele ali? Tá queimado.
Confirmei com a cabeça.
— Para a sua sorte, acho que temos alguns desse modelo lá dentro — Mark retirou o fusível queimado.
Meu irmão o entregou para Stubborn, um dos velhotes do grupo, ele era tão antigo lá dentro que nem Mark sabia seu verdadeiro nome. O homem entrou novamente no quartel-general para procurar o fusível do mesmo modelo, nos deixando a sós do lado de fora.
Mark se escorou no carro e limpou as mãos no trapo velho antes de cruzar os braços na frente do peito, amassando a regata branca, encardida e manchada de graxa. A jaqueta dos Death Angels estava amarrada na cintura, ele não desgrudava dela um segundo sequer, aquela era a sua segunda pele, a sua marca e identidade, ele não podia deixar largada em qualquer canto, tinha que honrar seu título de rei da morte.
— Vou mandar o dinheiro das contas depois da noite do Drive-in — Disse, me observando cautelosamente.
— Vai voltar para casa? — Perguntei.
Sempre que eu tocava naquele assunto, me sentia como uma criança novamente. Quando Mark entrou para a gangue, ele tinha dezesseis anos e eu, treze, desde então ele sempre era expulso de casa por colocar "dinheiro sujo" em casa para ajudar a pagar as contas. Eu sempre o perguntava quando ele ia voltar para casa, e ele nunca tinha respostas muito conclusivas.
O relacionamento dele com o meu pai nunca fora um dos melhores, mas sempre que meu pai não sabia mais o que fazer para alimentar os três filhos em casa e pagar as contas, ele acabava aceitando a ajuda de Mark e o dinheiro que ele tanto abominava.
Eu era o terceiro de quatro filhos, e Mark, o mais velho de nós quatro, sempre tomou responsabilidades muito grandes sobre nós. Por vezes, ele era mais meu pai que meu próprio pai, sempre entrava no meu quarto para perguntar se eu estava bem ou se eu precisava conversar, sempre me dava puxões de orelha e me punia pelas merdas que eu fazia.
Sentia falta dele em casa, mas não podia contrariar meu pai. Eles tinham que resolver aquilo sozinhos.
— Não sei, Seb... — Ele espremeu os lábios. — Não acho que seja bom para nós se eu voltar para casa definitivamente, principalmente agora que entrei em acordo com o papai. — Ele suspirou. — Mas hoje vou dormir lá!
Baixei os olhos.
— Eu posso vir pra cá? Posso morar com você? — Perguntei, eu sabia a resposta, mas queria tentar. — Eu não me importo de dormir no sofá do quartel-general!
Seus olhos azuis acinzentados me encaravam profundamente, como se ele tentasse me passar a resposta por telepatia, mas Mark sabia que aquilo nunca funcionaria comigo. Talvez desse certo com Mason e com Ally-Grace, mas ele sabia que eu nunca me contentava com o silêncio.
— Não adianta querer que eu ceda, eu não vou deixar você entrar para gangue, largar a escola e sair de casa pra dormir num sofá velho e estragado, Sebastian! — Bateu os dedos na lataria do carro. — Sei que você gosta daqui, sei que pensa que é um lugar melhor que a escola, mas não vou deixar você cometer os mesmos erros que eu!
Ri, desacreditado.
Mark não se formou. Apesar de ele ser extremamente inteligente, ele largou a escola no penúltimo ano para se aliar a gangue e conseguir dinheiro para ajudar meus pais a nos sustentarem.
— Se pudesse voltar no tempo e escolher melhor, não teria escolhido entrar para a gangue. — Ele suspirou, dando uma olhada para os membros que andavam de um lado para o outro. — Eu amo eles, são minha família também, mas eu só estou aqui por você, pela mamãe, pelo papai, pela nossa família!
Soltei todo o ar de meus pulmões lentamente, estar dentro da gangue e ajudar meu irmão era tudo o que eu mais queria, mas decidi permanecer em silêncio.
— Uma hora você vai entender, Seb! — Ele deu um tapinha em meu ombro.
Stubborn voltou com o fusível novo e alguns fios para trocarmos os mastigados. Mark fez todo o trabalho sozinho, eu não estava mais no clima de o ajudar com aquilo. Se ele não queria minha ajuda com a gangue, certamente não precisava da minha ajuda com a porra de um carro velho.
Depois de mais algumas horas mexendo naquela droga, ele terminou pouco antes de escurecer. Me entregou a chave do carro e chamou Leight e Ally-Grace para que eu os levasse para casa. Eu não fazia ideia de quando ele chegaria em casa, mas tinha certeza de que eu já provavelmente já teria me embalado nas cobertas há tempos quando ele chegasse.
Dirigi em silêncio, deixando primeiro Leight em sua casa e depois estacionando o carro na garagem de casa, que tinha tanta tralha e caixas de papelão que poderia servir como ninho para umas trinta famílias de ratos.
-— Mark disse que os preparativos para a festa de inauguração estão melhores do que planejaram — Ally comentou, fechando a porta do carro.
— Que bom pra eles — Tranquei a porta, meio sem motivação alguma.
— Já chamou alguém?
— Marianne vai comigo.
— Como pode ter tanta certeza de que vai conseguir vencer e levar a vadia laranja? — Perguntou revirando os olhos.
— Eu sempre venço!
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