2. Paradise city
Hellboy
Por conta de alguns rumores acusando a venda de drogas pelos arredores da escola, o diretor decidiu que seria uma boa revistar as mochilas dos alunos que ele achasse suspeitos e, claro, eu estava no meio desses alunos suspeitos justamente porque meu irmão era líder de uma gangue.
A Death Angels nunca se envolveu com tráfico de drogas, isso era trabalho de outras gangues, mas enquanto o sobrenome da minha família estivesse atrelado no submundo, teria um alvo bem no meio da minha testa para as autoridades, nem que a autoridade fosse o diretor Steven Walker.
— Algum problema, sr. Walker? — Perguntei, sabendo que o provocaria.
O diretor bufou, frustrado. Não tinha nada para ele confiscar na minha mochila daquela vez.
— Nenhum problema, Carter. Some da minha frente! — Me lançou um sorriso amarelo.
Sr. Walker abriu passagem para que eu entrasse na escola. O corredor se abria em três direções: para frente e para os lados, minha primeira aula era em uma sala à esquerda, mas eu pretendia fazer outra coisa antes.
E, assim como eu esperava, logo que virei para o corredor da direita, meus olhos pousaram sobre a menina ruiva de olhos azuis. A irmã irritante não estava por perto, o que era um bom sinal para mim. Era meio caminho andado para que Marianne simplesmente aceitasse de bom grado ir para a inauguração comigo.
Ela vasculhava o armário rapidamente, acreditei que estivesse procurando um livro ou caderno, mas ela tirou dali de dentro um brilho labial avermelhado. Olhou em volta, como se não quisesse que ninguém a visse fazendo aquilo, quase como se estivesse tentando esconder um pecado ou um crime hediondo. Passou o brilho labial sobre os lábios carnudos e os movimentou para espalhar o produto.
Marianne não costumava se maquiar muito, isso por um trato maluco que ela tinha com a irmã, onde, por vezes, elas trocavam de roupa para poderem trocar de lugar e fazerem provas se passando uma pela outra. Mas nem sempre Marianne queria ser o clone de sua irmã, ela queria ser ela mesma, se desvincular daquela imagem espelhada.
Ela passou os dedos pelos fios de fogo, ajeitou as ondas como se estivesse tentando domar labaredas, sorriu para si mesma e fechou a porta do armário, deparando-se comigo, encostado no armário ao lado com um sorriso que a desestabilizou por completo.
— Atrasada para a aula? — Perguntei.
— Isso muda alguma coisa para você? — Ela sorriu, provocativa.
— Não, na verdade — Dei de ombros. — Sabe que não me convence muito com essa pose fajuta de boazinha, muito menos com essa forçação de barra que você faz para parecer malvada — Provoquei e ela revirou os olhos.
— Vá direto ao ponto, Sebastian! — Ajeitou a mochila nas costas.
— Certo. Você vai à inauguração do Drive-in comigo, sabe disso, né? — Ergui uma das minhas sobrancelhas.
Ela apertou os lábios, espalhando um pouco mais o brilho labial. Eu sabia que ela tentaria bancar a difícil e inalcançável, mas sabia que ela queria mais-que-tudo ir comigo à festa, era como a forma que ela tinha de mostrar para todas as outras garotas que ela vencera aquele jogo idiota que todas elas jogavam.
Era inevitável.
— Vou pensar — Respondeu.
Eu ri, conformado.
— Mas preciso saber se você estaria disposto a ir mais longe por mim, preciso saber exatamente o que você sente por mim — Ela piscou para mim e se afastou pelo corredor.
Eu pensava poder considerar o jogo vencido. Ela sabia que eu nunca assumiria ela como minha namorada, eu não era esse tipo de cara. Eu não namorava, ela deveria se sentir privilegiada por eu dar uma segunda oportunidade para ela transar comigo.
Todo aquele jogo que ela tentava fazer era uma tentativa de me deixar inseguro, mas não tinha nenhum pingo de insegurança correndo pelas minhas veias, muito pelo contrário, aquela atitude dela me deixava ainda mais confiante.
Sorri sozinho para as costas de Marianne, que era tapada por parte de seu cabelo dançando para mim, uma fogueira fumegante e sedutora, que conhecia seus poderes e queria aprender a usá-los, já que a irmã nunca a deixava experimentar do próprio veneno.
∞
Respirei fundo algumas vezes, aquela velha parecia nunca ter menos que três horas de fala entre cada frase, e eu já estava cansado de aula de história, queria me ver livre daquela prisão sem grades que a escola era.
Olhei para a porta, aquele ano seria a última vez que eu pisaria em uma escola, e aquilo era um alívio. Sempre odiei a ideia de ter que ficar trancado em salas de aula, eu gostava da liberdade do mundo lá fora, e quanto mais o tempo passava, mais eu me sentia como um pássaro engaiolado no inferno.
Eu contava os segundos para o sinal tocar e eu me livrar daquela sala com cheiro de gente cansada e lanche de pasta de amendoim pelo resto do dia. Intercalei o olhar entre os ponteiros do relógio em cima da lousa e o corredor.
Vinte segundos depois — que passaram tão lentamente quanto um milênio — e o sinal tocou, rápido e ensurdecedor. Era o meu grito de liberdade ou morte.
Enfiei todos os materiais para dentro da mochila de qualquer jeito, o importante era sair dali e esperar Ally-Grace sair da merda da escola para podermos ir embora.
Me levantei junto de Leight. Ele sempre fazia questão de ser da mesma turma que eu, quando nos separavam com a desculpa de que éramos improdutivos juntos, ele armava explicações gigantes e provas de que, sem ele, eu seria dez vezes mais burro e improdutivo, no fundo, ele sempre tinha razão e acabavam o colocando na mesma turma que eu.
Caminhamos lado a lado na direção da porta que nos daria a tão sonhada alforria temporária naquele dia.
Sorri para o corredor, ele era o melhor lugar da escola depois do campo de Futebol Americano.
Mas sorrisos sempre pareciam durar pouco para gente como eu em Brookline, era como uma maldição. Eu senti a raiva correr por todas as minhas veias em poucos segundos. Eu detestava saber que tinha algo no meu caminho e, daquela vez, quem estava no meu caminho tinha nome, endereço e uma cara de sonso que dava para ver a oito quilômetros de distância.
Anthony Cooper, o nerd quieto, esquisito e cheio de problemas de socialização estava dando em cima da garota que iria para a festa comigo.
Ele não era um cara mau, mas eu era um cara mau, e ele não era o cara que teria qualquer tipo de chance com a Marianne nem se ele se esforçasse muito.
Ele não era musculoso, apesar de estar no time de Futebol Americano, assim como eu. Diferente de mim, ele não estava na lista de garotos mais bonitos da escola, participava de alguns clubes que só desajeitados participavam, como o de xadrez e o de ciências, não gostava de festas e julgava todo mundo que amava se embebedar e não tivesse medo de experimentar coisas novas, tinha problemas para apresentar seminários e sempre ficava da cor de um tomate quando tentava falar em público.
Eu sabia que costumavam implicar muito com ele em todos os lugares, mas eu mesmo nem perdia meu tempo com um paspalhão metido a santo como ele.
Marianne sabia como os caras populares eram, e era daquilo que ela gostava.
— O que ele pensa que tá fazendo? — Grunhi, fechando os punhos.
— Conversando com a Marianne...? — Leight respondeu, mais como uma ironia que uma pergunta carregada de obviedade.
— Não, seu idiota, ele tá tentando chamar a Marianne para ir à festa. Ele não pode fazer isso! — Me virei para Leight, que revirou os olhos.
— Ele pode. Você que não quer que ele faça isso e se torne um concorrente! — Ele estreitou os olhos para os meus.
— Exatamente, ele não pode! — Dei um tapinha em seu ombro.
— Escuta, você sempre ignora o que eu falo ou você tem algum problema auditivo? — Perguntou, me segurando pelo braço, me impedindo de ir em direção aos dois. — Tá com medo de que a Marianne te troque por um nerd esquisito?
— Claro que não!
Me afastei dele, mesmo sabendo que ele vinha logo atrás de mim enquanto eu apertava o passo na direção de Anthony Cooper.
Passei o braço sobre o ombro de Anthony, percebendo o tanto que ele ficou desconfortável. A minha parte favorita daquela cena toda eram os olhos arregalados de Marianne para nós dois. Ela estava furiosa, mas eu não conseguia entender a sua fúria, eu queria livrá-la de um nerd idiota!
— Anthony Chupa Chups Cooper, quanto tempo! — Disse, puxando-o para mais perto. — O que fez nas férias de verão? Não te vi por aqui para encher o meu saco!
— Não é da sua conta, Carter! — Ele me empurrou.
Anthony Cooper, exatos trinta dias mais velho que eu, e mesmo assim era mais baixo e menos encorpado. Existiam poucas coisas que Anthony tinha que eu não chegava nem perto de ter: notas altas, dentes caninos encavalados e uma cabeça desproporcional, que o deixava parecendo um pirulito Chupa Chups de morango.
O cabelo castanho-claro, quase loiro, caía sobre seu rosto em uma moldura que condizia bastante com sua classe social no meio da cadeia alimentar estudantil. Os olhos amendoados e tão castanhos quanto o cabelo me encaravam, desafiadores, ele queria saber até onde eu iria para irritá-lo, porque ele gostava desse jogo de provocação que tínhamos, mesmo que tenhamos trocado poucas palavras em todos os anos do ensino médio.
Ele era um nerd com atitude, tinha que admitir. Ele era tão competitivo quanto eu.
— Não sei se já te contaram... — Olhei rapidamente para Marianne, apenas para dar um recado mútuo para ela também. — Mas a gatinha ruiva vai comigo, não adianta pedir, ela já tem um acompanhante!
— Sério? — Ele riu. — Ela me disse que ainda não tinha um acompanhante, e que pensaria no meu caso!
Aquele era o jogo dela. Esperta!
Ela queria ver o máximo de garotos possíveis competindo por ela, como se quem fosse inalcançável fosse ela e não eu. Eu toparia competir por sua companhia, desde que eu tivesse certeza de que venceria a competição.
— Certo... — Tensionei o maxilar, tentando pensar.
— Vocês podem competir, o vencedor me leva para a inauguração! — Marianne se pronunciou, dando de ombros. — Eu escolho a prova!
— Fechado! — Anthony estreitou os olhos em minha direção, lançando um sorriso provocativo.
Leight passou as mãos pelos olhos, inconformado.
— Uma corrida — Disse a garota. — É rápido, fácil, e vocês podem fazer a hora que quiserem!
Talvez Marianne não soubesse, mas Wide Receivers costumam correr muito mais que Quarterbacks, o que os tornam mais rápidos. Anthony praticamente festejava mentalmente, porque ele sabia ser um pouco mais rápido que eu.
Claro que eu não me daria por vencido, mas não tinha as melhores perspectivas para a corrida.
— Amanhã, na saída, na pista em volta do campo de Futebol Americano! — Marianne se afastou, nos deixando para trás.
Estalei a língua.
— Te vejo amanhã, perdedor!
Saí da escola junto de Leight, ainda tinha que esperar minha irmã para poder voltar para casa, mas ela sempre enrolava para sair. Ally-Grace parecia nunca querer sair da escola. Não conseguia entender como alguém era capaz de passar tanto tempo dentro daquele lugar sem surtar.
E eu ainda combinara de levar Leight para casa, ela estava só me empatando.
Fiquei sentado no primeiro degrau da escadaria na frente da escola, girando a chave do carro nos dedos, por vinte minutos. Se Ally-Grace demorasse muito mais, eu a largaria na escola, como já fizera algumas vezes.
Quando a chave enroscou-se nos nós dos meus dedos, a porta da escola foi aberta por Ally-Grace, que a atravessou acompanhada da menina nova. As encarei, curioso, Ally-Grace não era a pessoa mais próxima das gêmeas Fletcher, e como sabia da briga que existia entre elas, sabia que Ally estava tentando fazer uma amiga que pudesse a suportar longe das gêmeas, que pareciam armar um complô contra minha irmã sempre que possível.
— Bom, sobre a escola, acho que é só isso que você precisa saber. — Ally sorriu para a nova amiga. — Ah, verdade... Não usa o banheiro que fica embaixo da escada do primeiro andar, as pessoas vão lá para transar escondido e usar drogas. — Forçou uma risada amena, tentando descontrair o ar tenso que ela mesma criara. — Cuidado com as Fletchers, elas não são tão legais quanto parecem!
— Elas me parecem inofensivas — A menina nova respondeu.
Foi a primeira vez que ouvi sua voz. Era como ouvir uma leoa tentando ser gentil, ela era forte e voraz, mas tentava manter o tom doce e calmo. Pensei que perdera o fôlego quando me levantei para encarar as duas.
— Elas não são tão ruins assim, Ally-Grace é exagerada. Não leva tudo que ela fala ao pé da letra! — Me pronunciei, parando atrás da minha irmã.
Minha caçula bufou. Se tinha uma coisa no mundo que Ally-Grace detestava, essa coisa definitivamente era que eu falasse com suas amigas.
— Não liga para ele também, ele é um canalha!
Eu sabia dos motivos de Ally-Grace, mas não pensava que fosse algo suficientemente grande para que ela tentasse privar as pessoas de fazerem amizade com as ruivas. Não eram meninas tão ruins assim, só eram muito cheias de si.
O que desencadeou tudo isso foi um garoto do sexto ano, quando elas eram mais novas, Ally-Grace era melhor amiga das gêmeas, andavam juntas e tudo mais, e minha irmã se sentiu confortável de dizer para elas que estava gostando de Cody Quinn, o que ela não esperava era que Samantha dissesse que ela não podia gostar de Cody Quinn porque ela gostava dele também.
Ally disse que aquilo não era justo, porque ela conhecia Cody há mais tempo, mas Marianne disse que elas não poderiam mais ser amigas por conta disso. Depois disso, elas nunca mais se bicaram e tudo era motivo para briga, como as gêmeas eram mais populares, as outras garotas acabavam se voltando contra Ally, que saiu como "a garota que tentou roubar o namorado da Samantha", já que pouco tempo depois Cody e Samantha tentaram um namorico de criança — que não durou mais que três semanas.
As alfinetadas entre elas sempre foram constantes. Como Ally-Grace sempre estava na desvantagem, por serem duas contra uma, acabou desenvolvendo uma aversão tão grande pelas gêmeas que ela não queria que nenhuma amiga que ela eventualmente arrumasse se relacionasse com as Fletchers.
Sorri para a menina nova, descarado, e pude vê-la congelar por inteiro. Puxei Ally-Grace pelo braço, indo em direção ao carro e deixando a menina petrificada para trás, no topo da escada.
Eu estava perdendo a paciência, mas ainda tinha que manter a pose de badboy cafajeste. Ally cruzou os braços assim que se sentou no banco de trás, ela chutou o encosto do meu banco como uma criança birrenta e eu revirei os olhos, vendo Leight sentar-se ao meu lado.
Ela começaria mais um dos seus dramas.
Eu tinha planos para aquela tarde e nenhum deles incluíam lidar com os dramas pessoais da minha irmã caçula.
— Você poderia parar de flertar com todas as amigas que eu faço? — Ela bateu as mãos nas coxas. — Você sempre faz isso!
— Eu não fiz nada — Bufei, me ajeitando no banco. — Não fiz nada de mais!
— Fez, sim! — Olhou-me, incrédula. — Por sua culpa, minhas amizades nunca duram. Tudo tem que ser sobre Sebastian Carter, todos os assuntos giram ao seu redor. Quando eu finalmente acho alguém que não fala sobre você, porque nem te conhece, você faz com que seja sobre você! — Baixou os olhos, irritada. — Eu só queria conversar um pouco sobre roupas, sapatos, lição de casa e garotos, e não sobre o meu irmão mais velho!
Por um lado, aquilo era uma deleitosa massagem no meu ego, que tinha o tamanho de Júpiter. Ally-Grace, por outro lado, não ficava contente com aquilo.
Ela era uma menina desajustada, em partes. Ela era bonita, sarcástica e cheia de si, era confiante e durona, tinha tudo para ser a menina popular, se eu não estivesse por perto para roubar toda a atenção que ela eventualmente poderia ter.
Ally se afundou no banco com a cara fechada.
— Acha que vão continuar com essas vistorias por quanto tempo? — Leight perguntou, olhando para mim.
— Pegaram todo o carregamento do Fire Hands — Ally comentou, olhando pela janela do carro.
— Tomara que acabe logo, jogaram um dos meus maços de cigarros no lixo — Apertei o volante entre os dedos.
Ally-Grace mantinha os olhos presos na janela e na paisagem ficando para trás, mas sabia que seus ouvidos estavam focados no que meu melhor amigo e eu tínhamos a dizer.
Eu sabia daquilo porque eu sabia que ela estava tão preocupada quanto eu para saber quando as vistorias acabariam, por mais que ela pensasse que apenas ela, Lauren Tinker e Selina Chase soubessem do seu maior segredinho.
Ally queria manter aquele segredinho o mais longe de todas as pessoas, mas eu acabei descobrindo, mesmo que sem intenção. Ela comprara maconha, algumas vezes, com Fire Hands. Era algo que ela vinha fazendo desde antes das férias de verão. Entrara oficialmente para as líderes de torcida, na tentativa de fazer algo realmente mais impressionante que cálculos avançados, apesar de eu sempre dizer para ela que cálculo avançado era impressionante demais.
Ela costumava dizer que as líderes de torcida eram cruéis, até conhecer Lauren e Selina. As duas também eram novatas ali no meio, mas já vinham de um árduo treino para serem líderes de torcida. Elas toparam ajudar Ally-Grace, mas talvez a Ally já soubesse que aquela era a desculpa delas para chegarem perto de mim... Porque eu acabei transando com a Selina antes das férias de verão.
Selina e Lauren tinham uma única filosofia: as pessoas funcionam melhor quando estão relaxadas. Então elas sempre fumavam maconha antes de fazer qualquer coisa, menos antes dos treinos, elas mantinham a compostura ao menos ali. E Ally-Grace queria se encaixar, e se aquilo fosse a deixar mais impressionante que uma nerd que sabia fazer cálculo avançado, ela o faria.
A peguei fumando maconha com Lauren e Selina na rua de trás da escola quando ia comprar um maço novo de cigarros. O resto da história eu descobri depois de transar com a Selina.
Eu sabia que ter transado com a amiga da minha irmã fora o fator crucial para que elas brigassem. Admito, fui um babaca, mas ela era uma gata. Depois daquilo, prometi para Ally-Grace que nunca mais transaria com alguma amiga dela.
Franzi o cenho para o painel, tinha algo errada com o carro e eu esperava que ele sobrevivesse por tempo suficiente para que eu chegasse, pelo menos, em casa.
— Droga! — Resmunguei, dando alguns tapas em cima do painel.
Ally e Leight não entendiam muito sobre carros, mas sabiam ter algo errado só pela minha cara. Ally revirou os olhos assim que virei o carro no primeiro retorno que achei, eu tinha que chegar ao quartel-general dos Death Angels. Era mais perto que minha casa.
Ela detestava aquele lugar, vivia dizendo que aquilo só nos afundaria cada vez mais, mas sempre agarrava uma oportunidade de fazer uma visitinha quando sabia que Winston Brannon estaria por lá.
Eu, por outro lado, adorava aquele lugar, e com Leight, passava a maior parte do meu tempo por ali. Eu não estava muito feliz de ter que levar Ally-Grace junto comigo para o meu lugar favorito, mas o carro não aguentaria chegar em casa.
Era como se tudo estivesse cronometrado. O carro se desligou por completo assim que os pneus pararam de girar na frente do estacionamento do quartel-general. A fumaça saía pelos espaços entre o capô e o resto do carro, aquela lata-velha dera problema de novo.
Ally desceu, irritada, chutou a roda do carro, soltou um grunhido birrento e se afastou, caminhando até as outras garotas da gangue. Soquei o volante, tão irritado quanto Ally, se eu não consertasse aquela merda até o dia da festa, não teria nem chances da Marianne ir comigo.
Mark apoiou os cotovelos na beirada da porta e sorriu gentilmente para mim, bagunçando meu cabelo com os dedos e achando graça da minha cara de raiva.
— Desce daí, a gente arruma a lata-velha juntos. — Puxou a porta para que eu descesse. — Leight, tem seu refrigerante favorito na geladeira!
— Que ótimo! — Disse, empolgado e pulando para fora do carro, me deixando com meu irmão.
Eu o obedeci. Não tinha mais o que fazer. Desci do carro e arrumei a jaqueta na cintura. Encarávamos o capô do carro como se já soubéssemos que a merda era grande.
— Espero que não tenha fundido o motor... — Mark levantou o capô.
A fumaceira que saiu dali parecia nunca mais acabar, eu esperava que o carro ficasse pronto antes de eu precisar voltar para casa com Ally-Grace e deixar Leight no caminho, detestaria ter que ouvir meu pai ou Mason reclamando que o carro quebrara na minha mão de novo.
Mark apertou a bandana vermelha em sua testa e ajeitou o cinto de couro ao redor de sua cintura.
— Deixa esfriar um pouco, é melhor — Ele me levou para dentro do covil. — A gente dá uma olhada daqui a pouco. O pessoal ficou com saudade!
— Eu não via a hora de pisar aqui de novo!
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