Capítulo 29

Assim que a esfera gravitacional de Armacell é desfeita, o caos da batalha volta a cair sobre o alien. Com um simples pensamento, a criatura cósmica aciona seus propulsores de voo - que assumem a forma de um par de asas em chamas - e, em um avanço rasante, parte em direção de uma das Unidades de Combate. As balas e morteiros disparados pelos invasores passam raspando ao seu corpo e, os poucos projéteis que o atingem, não causam dano algum.

Com o seu ombro projetado à frente do corpo, Armacell atinge a Unidade na altura do abdômen, arrastando-o através de toda gruta, até esmagá-lo contra uma rocha. A blindagem da Unidade é destruída com a força do impacto, juntamente de seu piloto, prendendo-o em meio aos destroços do traje. A última Unidade restante dispara uma saraivada de mísseis na direção do alien que, para ter uma chance maior de esquiva, se eleva no ar, alcançando quase o topo da caverna. Os mísseis seguem sua trajetória serpenteando no ar, à procura de seu alvo. Armacell decide por não se esquivar dos foguetes. Era hora de mostrar seu verdadeiro poder.

O alienígena se lança em um mergulho contra os projéteis explosivos, ativando uma vez mais seu escudo gravitacional. Todos os mísseis explodem ao tocar a esfera, dando a impressão ao piloto da Unidade de que ele havia destruído o inimigo. Um tímido sorriso surge por debaixo do elmo da armadura, apenas para desaparecer em instantes, conforme a silhueta de Armacell ia se tornando mais nítida, no meio da fumaça.

- Desgraçado! - Com os seus dois braços erguidos e apontados para o alien, o piloto dispara as duas metralhadoras acopladas neles, mesmo sabendo que se nem seus mísseis foram capazes de causar algum dano no inimigo, não seriam elas que causariam.

Armacell continua seu mergulho em queda livre em direção à última Unidade. Ao se aproximar, ele desfere um potente soco que atravessa a armadura de seu oponente, mas detendo seu punho antes de tocar o corpo desprotegido de seu piloto, o que não evita que o mesmo caísse desacordado com a armadura aos seus pés devido ao impacto do ataque.

Ao certificar-se que seu oponente estava vencido, Armacell vira sua atenção em direção ao túnel, onde Star Castor acabara de se recompor, após se desvencilhar da carcaça da Unidade que o atingira. E, pela primeira vez, ele nota o estado da sala de controle e da oficina, após os ataques dos invasores. Cerrando os punhos de raiva, o alien se lança em uma nova investida rasante contra Sage e sua armadura.

A distância entre os dois é percorrida em pouquíssimo tempo, mas não sem antes Star Castor lançar todos os seus mísseis contra o seu inimigo. Os dezesseis projéteis explosivos são habilmente esquivados e acabam explodindo contra as paredes da caverna, o que acarreta em um grande desmoronamento da gruta.

Armacell se choca violentamente contra Star Castor e o empurra através de toda a extensão do corredor, parando somente quando atingem a parede rochosa do poço do elevador. A armadura de Sage é esmagada contra a montanha, abrindo uma cratera na parede.

- Quem mandou vocês aqui? - Terry aproxima sua cabeça da cabeça de seu adversário, como que se o encarasse por detrás de seu visor. O brilho anil de seus olhos contrastam com o brilho âmbar emitido pelos olhos atrás do visor de Star Castor.

- O que importa? Você nunca vai ouvir falar de nós mesmo. - Com um sorriso sarcástico por debaixo do capacete Sage começa a se opor ao esmagamento de Armacell, sendo capaz de afastar o alien por alguns centímetros.

- Desembucha ou eu te mato! - Ao extrapolar a sua fúria, Armacell alça voo dentro do poço do elevador, subindo em direção à saída, enquanto arrasta e pressiona o corpo de Star Castor contra as rochas ao longo de todo o percurso.

Os dois oponentes logo alcançam a passagem que leva para o exterior da montanha. Em um movimento tecnicamente bem executado Armacell projeta seu oponente a alguns metros para frente, dando-lhe espaço suficiente para atingi-lo com seu ataque de longa distância. Da testa de seu capacete, um raio de partículas é disparado contra Star Castor que ainda lutava para retomar o controle do voo, girando descontroladamente no ar.

Sage é atingido em cheio pelo feixe, sendo cuspido pela entrada da montanha e, após percorrer quase duzentos metros, acaba se chocando contra a face de outra montanha.

- Mas não é possível! Essa armadura era para ser tão forte quanto o próprio Armacell. - Vários alarmes começam a soar no interior do traje informando ao piloto a gravidade dos danos sofridos.

Armacell surge pairando a alguns metros do chão, à frente da cratera formada pelo impacto de Star Castor contra a montanha.

- Você não faz ideia do poder que possuo, Star Castor. - As asas de fogo de Armacell dançam livremente às suas costas, iluminando o campo de batalha. - Agora me diga quem são vocês.

Os sensores de Armacell logo começam a percorrer cada centímetro da armadura de seu oponente em busca de informações.

- Ei. Espere. O que é isso? - Com um comando mental, a imagem capturada é ampliada algumas vezes no visor de seu capacete. – Uma máscara?

Nas placas metálicas que protegem o coração de Sage, um emblema na forma de uma máscara de ferro medieval fora estampado. Alguns dizeres em uma língua desconhecida para Terry circundam o símbolo.

- Esse é o grupinho de vocês? Os "Cabeça de Prego"? - Terry não consegue disfarçar o sarcasmo em sua voz.

Sob o elmo da armadura de Star Castor, Sage fecha seu semblante. Nunca gostara de levar desaforo para casa.

- Você pode rir agora, mas o dia em que nosso nome retumbará gloriosamente nos quatros cantos do universo vai chegar. - Star Castor lentamente se ergue da cratera visivelmente com dificuldades. Sage ainda não se dera por vencido.

- Nossa, será que você se importa em usar palavras que eu conheça? Nem sei o que significa "retumbará".

- Imbecil! - Sage avança contra Armacell, em um último ato de desespero, e, por puro descuido - ou soberba - de Terry, sua investida tem sucesso. As mãos de Star Castor acabam se fechando sobre o pescoço do alien.

Os dois oponentes sobem em direção ao céu noturno. Armacell tentando se desvencilhar da pegada de Star Castor e, este por sua vez, tentando arrancar a cabeça do alienígena.

- Ei, calma aí, Sr. Esquentadinho. Você acha que já estamos íntimos o suficiente para você me agarrar desse jeito? - Sem muito esforço, Terry agarra os braços de Castor e consegue afastá-los de seu pescoço. - Não vai nem me convidar para jantar antes?

- Você pode brincar o quanto quiser, Armacell. Mas logo todo o temblórium da Terra será nosso. E então, não haverá nada que você ou qualquer um poderá fazer para impedir a nossa ascensão! - A gargalhada eletrônica de Sage sai abafada através de seu capacete.

- Então é do temblórium que vocês estão atrás. Bem, sinto informá-los que essa mina de temblórium aqui está oficialmente fechada. Vocês nunca mais verão esse metal por aí. - O tom confiante na voz de Terry só causa mais repulsa em Sage.

- Então você é mais idiota do que parece. - Dessa vez, é a voz de Sage que soa confiante. - Você não é mais a única fonte de temblórium da Terra!

"- Mas do que é que esse cara está falando? Armacell foi a única fonte do metal por quinze anos..."

De repente tudo passa a fazer sentido na cabeça de Terry.

- Vocês pretendem ir atrás de Berserker também... - As palavras deixam a boca de Terry de forma quase inaudível.

- Correção, nós já fomos. - Sob o visor de seu elmo, seus olhos brilham vitoriosos.

- O quê? Mas ele está sob a custódia da Libra.

- E eles nunca saberão de onde partiu o ataque.

"- Não. Erika e Janet foram ao encontro dele, para conduzi-lo à Sibéria." - Finalmente Terrence se dá conta que suas duas amigas estão entrando na linha de frente de uma guerra que elas nem sabem que está sendo travada.

- Espero que tenha se despedido apropriadamente de suas namoradas, garoto.

- O quê?

- Sabemos que suas colegas do C.O.D.A. estão indo escoltar Berserker junto da Libra para a Sibéria. Em pouco tempo elas, junto de todos que se colocar em nosso caminho, estarão mortos! - A risada desdenhosa de Sage não dura mais de alguns poucos segundos.

Com um potente soco desferido diretamente na cabeça da armadura, Armacell arremessa Star Castor novamente contra o solo. Uma nova cratera se abre no local da queda. A armadura permanece imóvel no fundo do buraco, com pequenos curto circuitos estalando e iluminando a cova de Sage.

"- Preciso alcançar Erika e Janet antes desses malucos!"

Armacell se vira para ooeste e aciona os seus propulsores na máxima aceleração. Em outros tempos, essepercurso seria percorrido em questão de segundos, mas com apenas alguns minutosapós a fusão entre Terry e o alienígena, a sincronização entre as duas formasde vida ainda não estava tão grande. Iriam demorar um pouco mais para chegaraté Hong Kong.

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