39. Risadas.

ARABELLA

Eu realmente gosto dos meus tênis, eles não são exemplos de sofisticação, mas é aquele sapato que eu não tiro dos pés por quase nada. Mexi as pernas sentada no gramado pouco distante do prédio onde seria minha última aula do dia. Meu pai queria muito que eu ficasse meu primeiro ano em um dos dormitórios e depois entrasse em alguma Irmandade. Só que não acho que seria algo muito "jeito Arabella", seria algo "Christian". E eu decididamente não irei fazer nada para agradar os outros. Já fui desse tipo e me fodi bem feio.

Então, entrei em uma casa alugada que já havia meninas, era meio que uma irmandade clandestina. Já que não tinha nenhum nome tipo kappa beta e afins. Era o casarão e decididamente fiz a melhor escolha. Universidade não é só festas e curtição como nos filmes estadunidenses mostram. Principalmente quando se decide por um curso onde irá cuidar de vidas. Suspirei sentindo o sol pinicar minha pele. As chuvas já não estavam tão frequentes como antes o que me deixava animada, frio demais me faz ficar muito... Sedenta por carinhos? Carente seria a palavra certa. Ouvi um sino e olhei no meu relógio de pulso. Vamos a última aula do dia, dona Arabella, pensei.


****

Quando final entrei no casarão, fui para o meu quarto em seguida e fechei a porta do mesmo. Simplesmente me joguei na cama completamente exaurida. Tivemos aulas no laboratório, o que decididamente me cansa mais do que ler. Muito. Senti o celular vibrando embaixo de mim e peguei, eu estava com preguiça até de ler mensagens.

Lucy Florestão*: Chegou e nem deu oizinho pra sua irmã maravilhosa aqui.

Eu: Sem drama, por favor. Eu não sinto meus pés.

Lucy Florestão: Hummm, veio caminhando? Eu estava na sala, alô alô.

Eu: Serio?? Nem ti vi!! Scrr, desculpa, manola.

Lucy Florestão: Está morta e estou falando com sua alma ou...?

Eu: Vire comediante, linda.

Eu: Acho que estou exausta mesmo, preciso tomar banho e dormir, mas ainda tenho uma matéria pra estudar!

Lucy Florestão: Por isso preferi ser das artes e não das ciências. Vendo minhas fotinhas na praia e já ganho uns trocados.

Eu: HAUEHAUEBAIEBAU puta! Por que estamos falando por mensagem se estamos na mesma casa?

Lucy Florestão: Eu não irei me levantar desse sofá delícia com minha bunda maravilhosa, subir degraus só pra ver você e sua bunda gorda. Obrigada.

Eu: Tão amorosa... Até me emocionou.
Ps' minha bunda NÃO É GORDA!

Lucy Florestão: Claro que é! E bonita, Gabriel deve te apalpar bastante né? Vocês já transaram o que? Umas duas vezes? Vocês são zzzzzz

Eu: Não é da sua conta, alô, alô.

Lucy Florestão: EU NÃO SOU DE EXATAS! PORRA! E conta, é de matemática, me deixe saber.

Eu: Você quer saber do meu homem e eu transando por quê? Terminou com o Louis por besteira! Quer fazer um dj pensando na gente?!

Lucy Florestão: ECA! Só homenageio o Louis, vez ou outra... Mas falando no TEU Gabriel, viu o que o TEU namoradinho fez nas redes sociais?

Eu: Ele não é meu *emoji revirando os olhos*

Eu: Não. O que ele fez?

Lucy Florestão: Você tem dedos pra pesquisar, não é só pra se masturbar não, boa noite.

Sorri ao ler o "boa noite", ainda não era nem seis da tarde. Claramente Lucy está querendo fazer aquelas saídas triunfais, que na verdade saem mais como dramáticas mesmo. Depois eu que levo a fama de drama em pessoa. Fiquei curiosa em saber o que o Gabe estava fazendo virtualmente por aí. Lutando contra a preguiça, joguei no navegador do celular o user do twitter dele. Cliquei e fui ver, eu fiquei rindo igual idiota olhando para a tela do celular. Fazia alguns poucos dias que eu não tinha tempo pra ver o que ele andava fazendo por aí, nem nas minhas eu tenho entrado, inclusive.

@higabeyes: Aqueles sentimentos bons que a gente fica quando está com pessoas boas...

@higabeyes: Fazia um tempinho que eu não ficava tão feliz. Nossa.

@higabeyes: QUE SENTIMENTO BOM DO CARALHO.

@higabeyes: Certeza! Estou apaixonadinho.

@higabeyes: Que preguiça de sair...

Então voltei para os últimos tuítes e um me fez rir bastante, como ele consegue me deixar feliz com tão pouco?

@higabeyes: Eu nem tinha falado nada aqui, porque né

@higabeyes: Mas estou beeem feliz e só quero compartilhar a felicidade, mesmo que meio tardio

@higabeyes: Eu nem acredito que tô namorando HAUEHAIEBAODKAOEHA

Um sorriso idiota não saía do meu rosto. Eu fiquei surpresa por ele falar isso, Gabe é todo fechado. Mesmo que tecnicamente a gente namore desde ano passado. Final do ano passado.

Pulei da cama pegando uma toalha, hora do banho, aí eu iria terminar de ler.

Quando voltei para o quarto enrolada na toalha, peguei meu celular, soltando o cabelo molhado, continuando a ler. Algumas pessoas tinham dado parabéns! Sou uma filha da puta sortuda demais, muito. Mesmo que ele tenha tido suas atitudes idiotas. Deixei o celular cair da cama ao ouvir a porta do meu quarto ser aberta de uma vez, já ia gritar com a Lucy, mas notei que ela não tinha um e noventa de altura, não tinha aquela pele maravilhosa, nem aquele sorriso sacana que ele estava me dando. Muito menos aquele projeto de barba.

Não falamos nada, apenas caminhamos um na direção do outro nos beijando em seguida. Foi um beijo calmo, mas sem deixar de ter o desejo ali. O odeio por me fazer querê-lo tanto.

— Oi — soprei na sua direção. E ele devolveu o "Oi" rindo em seguida junto comigo. — Ao que devo a honra da sua visita? — perguntei brincando e pegando meu celular da cama, ainda apenas enrolada na toalha. Que situação... Interessante.

— Saudades, basta? — Aquele sorriso ainda me mata. E essa voz ainda mais. É, eu decididamente estou apaixonada.

— Claro que sim — murmurei. Como ele estava perto de mim, viu na página da web que eu estava e sorriu, dando um beijo demorado no meu pescoço. Ele ama isso.

— Bisbilhotando?

— A Lucy que fez eu entrar... Ela falou que você estava aprontando — resmunguei. Gabe deixou de ser um apelido para quando eu estivesse zangada com ele, como o mesmo dizia no início.

— Você me tem tanto... E não percebeu isso ainda. — Seu sussurro tão perto do meu ouvido me fez arrepiar toda, dando um leve tapa no seu braço. Eu ainda tinha minhas inseguranças, principalmente relacionadas a uma pessoa que Gabe nunca fala muito. Sempre é algo restrito.

— O que é aquela mala? — perguntei ao notá-la perto da porta do quarto.

— É meu equipamento de fotografia, amor. Estava num trabalho e resolvi passar aqui quando eu terminei, saudades da minha cacheada — falou ele, mordendo meu ombro.

— Para de me morder! Nunca vi alguém que ame tanto mordidas como você — ressaltei.

— Você fala como se não gostasse, Curly.

— Mas eu preciso falar uma coisa contigo. E se você não parar de me morder eu te bato. — falei altiva. Ele me olhou como se lendo minha alma. Às vezes me esqueço completamente que ele gosta de dominar, merda.

— Me bater? — Sua voz não deixava eu ter nenhum outro entendimento, ele queria uma afirmação.

— É que preciso te perguntar uma coisa. Além de que, estou só de toalha e você é tarado.

— Já batizamos meu quarto, podemos batizar o seu também... — Sua voz... Ah, aquilo era uma tortura por si só. E seu corpo calmamente ir deitando o meu, se colocando entre as minhas pernas não ajudava.

— Eu tô nua, Gabe! — falei como um alerta pra parar. Ele apenas respirou pesado contra meu pescoço antes de sair de cima de mim.

— Ok, também não quero sair com uma ereção daqui. O que você quer perguntar? — Gabe perguntou sentadinho, essa sua carinha de santo não me engana.

— Você já esta duro, querido namorado — sentenciei vendo o volume na sua calça, ele bufou — E eu espero que você não ria de mim, promete que não vai rir?

— Prometo, você já deveria saber que não precisa disso.

— Então... Veja bem.... Assim... Eu leio muito, né? E nessas leituras tem esses livros eróticos e tal. E quando as mulheres lá iam perder a virgindade, depois elas ficam com um fogo infinito, toda oportunidade que tinham acaba em sexo, sexo no chão, na pia do banheiro, sexo na escada, sexo num avião, e isso tipo, isso tudo em uma semana depois da primeira! — falei contrariada, ele me olhava como se eu fosse um E.T., certo, eu não havia chegado no ponto. — E tipo, eu, Arabella Roth, não fico com esse fogo na xana louca pra dar em todo lugar, entende? Não me entenda mal! Não estou falando que não sinto tesão por você, sinto sim, muito inclusive, mas...

— Eu entendi. Tudo bem. Eu sei que você não me acha broxante. O ponto é: Nos livros, principalmente eróticos, no caso. Eles colocam mais. Entende? Isso não te faz anormal, até porque se fosse por ti a gente teria transando na viagem a tua cidade.

— Gabriel!

— É a verdade. Eu não me deixo dominar por sexo e essas coisas, porém eu sei deixar tudo ficar gostoso, você teve a prova disso só duas vezes e ficou com bastante fogo sim.

— Não te pergunto mais nada! — Emburrei cruzando os braços. Ele beijou meu "bico" me fazendo notar o quão melosos estamos. — A gente tá tão meloso, eca.

Amorzinho, eu te foderia gostoso aqui, agora. Mas infelizmente não podemos, porque eu não ando com camisinha. Eu irei te apresentar muitas coisas, você aprenderá e se satisfará muito — falou ele.

— Broxei no amorzinho, já.

— Eu falei pra te irritar, mesmo. — Ele teve a audácia de apertar meu nariz.

— Quero o Gabriel quente, prometendo aquelas coisas quentes de volta! — Ele gargalhou com minhas palavras, me puxando para um beijo. Eu me derreto muito fácil, pior que sorvete. — Dorme comigo? Hum?

— Você sabe que é proibido rapazes dormirem no casarão e a última coisa que quero é complicar pro teu lado.

— Mas tem a Anastacia, ela livra a gente... — falei esboçando um sorriso amarelo, isso não fez o olhar desconfiado dele desaparecer. — Pelo menos teremos o spring recess e serão cinco dias aproveitando você — falei sorrindo. Ele me olhou confuso. — Se você quiser que eu passe na sua casa, claro...

— Você ainda pergunta? Aproveite e prepare sua bunda para as minhas mãos pesadas, Curly — ele falou, se levantando. Oh, aquela voz de novo. Tão sexy e envolvente, me sinto envolta de promessas poderosas. E já sei que ele cumpre.

— O que você está sugerindo? — perguntei ao vê-lo com a mala com os equipamentos na mão.

— Praticaremos spanking e bondage de leve, espero que esteja prepara, Curly, você está sendo muita ousada... Meninas ousadas merecem punições. — Sentenças. Amo-as quando saem da boca dele.

— Adoro isso — sussurrei.

— Vamos ver se você irá adorar enquanto eu pratico contigo, Curly. — Ele me deu um selinho e simplesmente saiu do quarto.

Me joguei na cama sentindo meus olhos pesarem, mas o sorriso não saía dos lábios. Sentenças serão executadas logo, logo. E meu anseio por isso só aumenta a cada milésimo.

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