24. Arrepios.

ARABELLA

Acabei sendo empurrada pela Lucy para não ficar parada feito idiota na porta do carro, meu corpo estava momentaneamente tenso com a surpresa de vê-lo ali. Mana praticamente me guiou, fazendo eu me sentar no banco do passageiro da frente, ao lado do motorista, no caso, o Gabriel. Foi então que entendi que aquilo de taxista nada mais tinha sido que uma ironia da Lucy, talvez uma forma de brincar comigo me deixando surpresa e nervosa.

Suspirei, me sentindo nervosa, porém uma mão grande pousou na minha coxa exatamente encima da borboleta. Ao olhar na direção, vejo o sorriso amistoso do Gabriel estampado em sua face, impossível não sorrir junto. Ele rapidamente uni nossos lábios, sem se importar com a pequena plateia atrás de nós, Lucy e Anastacia.

— Eu shippo vocês, sério, muito nhom nhom. — Ouvi a Mana falar e ri levemente, colocando o cinto de segurança. Não consegui identificar do que o Gabriel estava fantasiado.

— Shippo é o que? — Gabriel perguntou, olhando de relance para mim. Suspirei, pensando rapidamente em como explicar.

— É tipo, um casal que tu vê junto e acha eles muito compatíveis, então você shippa eles e une os nomes, o que viria a ser um shipper. Isso geralmente acontece com famosos, fazem uma junção dos nomes dos dois juntos e tudo mais.

— Qual é a união dos nossos nomes? — perguntou ele, me fazendo encará-lo sem saber o que responder.

— Nunca pensei nisso — murmurei, o fazendo sorrir. Senti alguém batendo no meu braço e era a Mana me dando um batom, o que eu estava usando.

— Para o caso de você beijar muito e ele sair, está aí a solução. — O sorriso malicioso estampado nos lábios dela me fez ver que minha irmã está armando para eu ficar beijando o Gabriel. Não odeio isso, longe disso, eu gosto muito, porém seus amigos estarem em complô é engraçado.

— Vai precisar — Gabriel sussurrou, enquanto uma de suas mãos voltava para cima da minha tatuagem.

Anastacia parecia sem fala.

Deixei o assunto morrer, não demoramos muito até o carro estar estacionado na rua do Louis, a casa dele já estava barulhenta o suficiente, barulho de música alta, Rehab da Rihanna atingiu meus ouvidos me fazendo cantarolar, essa música me marcou bastante.

Todos desceram e seguiram para dentro, mas o Hayes me puxou pela mão impedindo de seguir as meninas, ele encostado no carro fez nossos corpos colidirem, uma de suas mãos apertando a minha cintura enquanto a outra levava minha cabeça para mais próxima da sua, nossos lábios juntos e o beijo sendo aprofundado aos poucos. Ao pararmos o beijo, mordi o seu queixo fazendo ele rir em um tom rouco.

— Incorporou bem a vampira, hum?

— Você que é meio vampiresco, adora me morder — murmurei, passando os dedos pelos seus lábios. Que ele não tardou em morder.

— Já falei, você é mordivel — rimos do seu comentário.

— Falar nisso, ainda não identifiquei a sua fantasia — falei, olhando melhor para a sua roupa. Camisa social preta e calça cáqui de um tecido que não consegui identificar, mas ele estava tão "arrumadinho" e vestido socialmente, lindo.

— Foi coisa de última hora, não pretendia vir para cá então vesti o que achei e estou aqui de Mr Bean — falou e eu ri. Mr bean é o humorista mais engraçado e não fala nada.

— Gostei da escolha — sentenciei, distanciando meu corpo do seu, olhei no retrovisor do carro ajeitando o batom sangue completamente borrado.

— Já vamos entrar? — perguntou, fazendo um biquinho. Tão adorável, argh!

— Vamos logo, que você só quer me beijar.

Sai puxando-o pela mão, sem dar grandes chances de resposta.

A casa estava com jogo de luzes coloridos e praticamente escura. Realmente não gosto de baladas até porque ainda não tenho vinte e um anos de idade para frequenta-las, nem posso beber bebida alcoólica, o que não acho errado, não bebo nada mesmo.

— Eu quero bem mais do que apenas beijar — sussurrou o Gabriel, com um braço possessiva na minha cintura. Procurei por nossos amigos, os encontrando em um canto se agarrando, Louis e Lucy também são um casal super shippavel.

Começou a tocar No Angels, eu reconheceria aquela música em qualquer lugar, apesar de ser na versão remixada a voz do vocalista do Bastille eu não confundiria, música foda. Comecei a cantar sem ninguém realmente ouvir, já que o som estava muito alto.


****

Gabriel ficou conversando com um grupo que só reconheci o Scott, sou desconfiada com esse cara agora, suspirei encarando o líquido preto no copo vermelho, era coca-cola. Bebi mais um gole, tentando achar o Louis. Queria tirar a jaqueta, estava fazendo muito calor naquela aglomeração de pessoas vestidas com fantasias diversificadas, algumas meninas estavam praticamente nuas e eu não gostava da ideia de deixar o Gabriel sozinho ali, com aquelas oferecidas por volta, porém... Não é como se fôssemos namorados ou algo assim.

Até que finalmente encontrei o Louis e caminhei em sua direção, Lucy não saía de perto dele. Garota possessiva, pensei rindo.

— Louis, eu posso ir no seu quarto deixar essa jaqueta? — perguntei ao pé do seu ouvido, repetindo mais uma vez até que ele assentiu.

— Terceira porta à esquerda, tem uma placa de stop na porta — ele falou com a Lucy dando um sorrisinho para mim, dei de ombros seguindo até a escada e depois as instruções do Lou, afinal, nunca tinha estado na casa e quarto dele antes.

Ao entrar no local notei ser o típico quarto de Louis Sanders, havia discos de vinil, miniaturas de personagens de desenho animado, além de pôsteres de banda de rock, The Black Keys meu amor, até The Beatles. Além de outros grandes relacionados a Oasis, agora entendo porquê Louis é o melhor amigo do Gabriel, aposto que o quarto dos dois devem ser muito parecidos. Tirei a jaqueta, colocando—a junto com umas dele, me olhei em um grande espelho na parede retocando o batom e ajeitando a minha roupa, principalmente o meião até os joelhos com cinta liga. Eu realmente estava sexy e isso me faz rir, acho cada coisa engraçada...

Peguei meu celular colocando no bolso da frente do short, saindo em direção a festa novamente, a mesma que ocorria apenas no primeiro piso e não parecia com aquelas house party que eu via nos filmes que sempre saía do controle.

Assim que estava novamente no meio daquelas pessoas em suma desconhecidas, senti um par de olhos sobre mim, o cropped deixava muito das minhas costas à mostra, além de uma parte da barriga acima do umbigo. Encontrei o par de olhos castanhos e sorri, ao menos meus cabelos estavam soltos e ocultava um pouco mais isso de nudez.

— Tirou a jaqueta? Não estou gostando desses caras te olhando demais — sentenciou Gabriel, com as mãos descansando no meu quadril, sorri complacente.

— Sentiu esse cheiro? — perguntei e acabamos rindo.

— Eu sinto ciúmes da minha garota, o que isso tem demais?

Apenas uni nossos lábios, sem me importar muito com pessoas nos rodeando e em borrar o batom.
Nossas línguas trabalhavam juntas, minhas mãos bagunçando seu cabelo e as suas possessivamente sobre mim. Foi então que notei que não havia mais o copo de refrigerante em mãos. Mas também não era algo que eu me preocuparia agora, pensei voltando atenção a sensação maravilhosa dos lábios do Gabriel sobre os meus. Sua barba estava crescendo, poderia sentir com o contato dos rostos o que fez eu me arrepiar um pouco mais.

Comecei a ouvir ao fundo Hallellujah do Panic! At the Disco e percebi que naquela trilha da festa tinha um toque da Lucy, ela é simplesmente louca por essa banda.

— Tem muita gente aqui — murmurei, encostando meu rosto no peitoral do Gabe, ouvindo a vibração do seu peito e o mesmo sorrir.

Peguei seu pulso, olhando as horas no seu relógio, quase três da manhã, ok. O tempo realmente passa muito rápido, nossa.

— Quer ir embora? — ouvi ser proferido no meu ouvido, fazendo novamente me arrepiar.

— Não ainda — respondi da mesma forma.

Ele assentiu enquanto fazia um tipo de massagem na minha nuca, estávamos próximos da cozinha e a sede me rendeu, porém aquele carinho estava tão bom... Faltei gemer de tão maravilhoso, se é que não fiz.

Ele é realmente bom com as mãos.


****

Já estava praticamente acabando a festa, com poucas pessoas e a música mais baixa, Gabriel e eu estava sentados no sofá com a Lucy perto e o Louis estava longe conversando com alguém, um rapaz. Anastacia também estava sentada perto, não vi muitas pessoas do casarão ali, Scott sumiu da festa, achei até melhor.

Olhei para mana ao ouvir Drag Me Down começar a tocar, percebi ela cantando baixinho como se ninguém tivesse ouvindo, sorri, ela vive dizendo que não gosta dessa boyband de gays e sabe música deles? Interessante. A mão firme do Gabriel na minha coxa fazia eu rir com os leves apertões que ele, volta ou outra, dava. Chegou na parte do Niall e eu comecei a cantar junto, Mana rapidamente me olhou fazendo careta. Outra pro bando, sofredora.

— Nobody, nobody — cantei alto, sem me importar muito. Gabriel riu, balançando a cabeça. Até que a música terminou e o Louis estava caminhando na nossa direção.

— Estou muito chateado com você, Arabella Roth — ouvir sua sentença me fez olhá—lo sem entender.

— Quê? Por que cheateado?

— Todo mundo sabendo da sua tatuagem e, eu, seu irmão, não sabia de nada. Estou de greve da nossa amizade. — Com o som mais baixo dava de ouvir claramente tudo que era dito. Eu faltei gargalhar com o que ele havia dito. Lou é meu irmão mesmo, dramático na mesma medida.

— Irmão? Lá vai eu lembrar do incesto que vocês cometem, seu dramático — falei, olhando da Mana para o Louis, os dois riram dando de ombros.

— O proibido é mais gostoso — Lucy falou, beijando o Sanders, apenas fiz uma careta.

— Nojentos — resmunguei.

Eles gargalharam, então começou a tocar uma música que não identifiquei e o Louis estava na pista de dança improvisada na sala dançando. Eu não me contive e fiquei rindo dele, apenas por achar divertido, quase não havia ninguém ali, além do próprio. Quando senti minha mão sendo puxada, pude notar mãos cheias de tatuagens tocando—a.

— O que? — perguntei, sentindo meu corpo ser puxado e colidindo com outro corpo.

— Vamos dançar — disse Louis contra a música, eu ri balançando a cabeça.

— Não está de greve da nossa amizade? — perguntei, o fazendo rir ainda mais.

— Te amo demais para isso — murmurou, dando os ombros e me rodando. Puxei um pouco o short que havia subido quando me sentei.

— Ponto atingido.

Fiquei sem entender o que ele havia dito até que senti um par de mãos grandes segurando firmemente na minha cintura. Virei levemente o corpo fazendo meus olhos encontrarem outros castanhos, suspirei, sentindo a pressão daquelas mãos.

Louis sumiu de perto de nós. Gabriel não falou nada, apenas impressando meu corpo contra o seu, uma de suas mãos subindo até segurar minha nuca, me fazendo sorrir com o carinho, nossas testas unidas seguimos um ritmo completamente diferente do da música ao fundo.

— Você foi uma garota tão levada — sussurrou, como se fosse um segredo só nosso.

— Eu nunca falei que era uma boa garota — sentenciei, fazendo seus olhos me avaliarem ainda mais, um sorriso de lado brincando nos seus lábios.

— Uma garota má, então?

Seus lábios estavam sobre os meus em uma fricção leve, passei meus braços ao redor do seu pescoço, ouvindo uma música diferente ao fundo, I'm Into You, inconfundível voz de Chet Faker.

— Quer descobrir?

Me sentia tão ousada e segura, porém isso não me impedia de ficar nervosa e corada. Aprofundei o beijo sentindo a textura macia dos seus lábios pressionando os meus, senti como se tivesse me levantado do chão.

O beijo continuou, mesmo que com uma possível plateia vendo-nos, não me importei com aquilo e não era como se tivesse querendo esconder o que eu sinto pelo Gabriel, por mim o mundo todo saberia. Nossos corpos dançando ao ritmo sereno e sexy da música enquanto nossas bocas se conectavam cada vez mais uma a outra.


****

Com a festa terminada e apenas Louis, Lucy, Gabriel e eu ali, tirei os sapatos ficando apenas com a meia extremamente macia, eu poderia passar todos os dias vestida com cinta liga, faz se sentir sexy.

Anastacia havia saído com uma amiga, sumido literalmente.

— Bom, acho que já está mais que na hora de irmos — Gabriel falou, me olhando.

Assenti com a cabeça, levantando do sofá com o sapato na mão, ele ficava encarando as minhas pernas, não deixava de ser constrangedor.

— Podem ir e cuidado — Lucy sentenciou me fazendo olhá-la.

— Você não vem? — perguntei.

— Vou ajudar o Lou com a limpeza, sabe como é.

— Sei bem que limpeza — Gabriel pronunciou, fazendo os meus dois amigos rirem.

— Não quero nem entender isso — falei, agarrando o braço do Gabriel e saímos em seguida.

Entramos no carro e ele ligou o rádio que estava tocando uma música com uma batida legal, me sentei na poltrona do automóvel com os pés em cima, cansada e querendo um banho. Porém Gabriel não ligou e dirigiu de imediato. De repente, uma de suas mãos foi parar na minha bunda e em um movimento rápido me colocou no seu colo com uma perna de cada lado.

— Oh! — exclamei de surpresa.

— Posso me aproveitar um pouco da garota má agora — sentenciou, sem me dar chances de respostas.

Seus lábios estavam contra os meus, sua língua pedindo passagem, aquele beijo era diferente de todos os outros. Tinha algo animalesco, mais feroz. Suas mãos apertaram a minha bunda, fazendo meu corpo ser ainda mais colocado ao seu. Ok, aquela situação estava ficando muito... Excitante, mas minha mente não processava muito com os lábios dele tomando o meu de forma tão feroz.

Seus dentes morderam meus lábios, descendo para o meu queixo até chegar ao meu pescoço, ele é realmente bom nisso tudo, muito bom...

— Gabe...

— Shii... — Seus dedos na minha boca, seus olhos me olhando intensamente. Então eu simplesmente me deixei ir.
Apertei seus fios de cabelos entre meus dedos, trazendo sua cabeça para mais perto de mim e seus lábios novamente para os meus, melhor sensação.

Acabei soltando um gemido, ficando extremamente envergonhada depois, porém ele apenas sorriu mordendo meu queixo, adora mordidas. Me aventurando nisso também, mordi de leve o seu, ouvindo um gemido rouco, foi então que senti algo me cutucando, nunca havia sentido aquilo antes, num momento de reflexo simplesmente friccionei meu quadril contra o seu, merda!

— Vamos com calma... Eu não sou de ferro — Gabriel segurou meu quadril, o olhei vendo seu peito subindo e descendo rapidamente. Uma felicidade me contagiou, não é todo dia que o rapaz que você gostava fica extremamente duro por ti.

Foi então que notei minha respiração descompensada também, respirei fundo tentando acalmar—me. Minha cabeça foi parar no seu peito, sentindo seu coração pulsar frenético.

— Acho melhor você se sentar no seu banco — sussurrou, me ajudando a sair de cima dele, meio constrangida olhei para aquela direção com a curiosidade aguçada, era nítido o volume ali. E que volume!

Virei meu rosto parar a janela notando praticamente o amanhecer, olhei no meu relógio de pulso, quase cinco da manhã.

Preciso de um banho frio.

O carro começou a se movimentar e não demorou tanto até estarmos em frente ao casarão. Fiquei com vontade de perguntar se ele iria querer uma ajudinha para resolver o... hum, problema entre as pernas, mas minha timidez venceu, nos despedimos com um beijo calmo.

Assim que entrei no meu quarto, joguei os sapatos no chão de qualquer jeito, retirei a roupa pegando um roupão.

Banho. Cama. Dormir.

Essa é a ordem que eu iria fazer, além de tentar acalmar tudo o que eu sentia naquele momento.

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