Capítulo Vinte e Dois

Drake Timberg:

Lili Alves era a irmã mais nova de Gisele Alves, a mulher que comandava todas as agências. Nos arquivos que eu havia lido, constava que Lili tinha dois filhos, mas ambos haviam desaparecido de forma misteriosa. Ela era conhecida por ser uma defensora ferrenha do trabalho de informantes, mas também era uma genial da ciência, da tecnologia e de outras áreas.

Lili liderava o Estigma, um pequeno grupo de pessoas em quem ela mais confiava, com a missão principal de "limpar" o mundo de indivíduos que considerava indesejados. Ao que parecia, ela criou os soldados como parte de seu plano original, mas eles enlouqueceram, matando indiscriminadamente. Depois de algum tempo, surgiu o boato de que a criadora havia morrido, juntamente com o último soldado.

— Isso é impossível. Em um arquivo que li uma vez, ela foi registrada como morta, e nada mencionava esses soldados. — Falei, incrédulo, e Malcolm olhou para mim com compaixão.

— Os Alves não tinham conhecimento dos planos de Lili e tentaram impedir o que ela estava fazendo. — Malcolm explicou. — Mas, como você pode ver, não tiveram sucesso.

— Então, após seu fracasso inicial, o novo objetivo dela tornou-se reformar os espiões das Alves como um todo e criar soldados leais a ela. — Larissa acrescentou. — Pelo que Bella nos contou, Lili esperou um longo tempo para atacar, aproveitando-se do fato de todos pensarem que estava morta.

— E agora que ela voltou, estamos em apuros. — Anna afirmou, preocupada com as possíveis consequências desse retorno.

— Ela é realmente tão cruel? — Ryan perguntou, e todos se voltaram para ele, surpresos com sua coragem ao fazer a pergunta.

— Isso é algo que você pode nos dizer. — Larissa respondeu, sua voz sombria. — Lili Alves tinha uma aparência cativante, carisma e charme que a tornavam popular entre as pessoas ao seu redor. Com sua personalidade manipuladora e carismática, rapidamente conquistou muitos seguidores. Ela fez amizade, em particular, com um grande grupo de estudantes impopulares e marginalizados, com os quais formou o Estigma, uma organização com o objetivo de reformar leis e a sociedade, governando com punho de ferro.

Ryan engoliu em seco e se manteve em silêncio, compreendendo a gravidade da situação. Tentei transmitir apoio a ele com um olhar, desejando protegê-lo da dura realidade que estávamos enfrentando.

Larissa suspirou profundamente e afundou na cadeira.

— Agora vão embora. — Ela disse, fechando os olhos. — Estou exausta dos espiões e de ajudar em sua busca por respostas.

Diante da exaustão de Larissa, todos nós nos levantamos e começamos a nos retirar da sala iluminada pelo brilho dourado do tapete, deixando a informante cansada para trás.

Anna liderou o caminho enquanto saíamos do ambiente opulento e retornávamos ao corredor que nos levaria de volta à entrada secreta do salão de Larissa Vex. O peso da revelação sobre Lili Alves e seu plano sinistro pairava sobre nós, criando um clima de tensão e urgência.

À medida que nos aproximávamos da saída, a voz de Anna cortou o silêncio.

— Drake, essa espada Eléctron que você tem em mãos... — Ela começou, mas parou, hesitante.

Olhei para Anna, curioso e ansioso para entender mais sobre a arma que eu havia sacado tão habilmente. A espada, agora desligada e sem o brilho elétrico, estava segura em minha mão.

— O que você quer saber? — Perguntei.

Anna franziu a testa, pensativa.

— As espadas Eléctron foram todas destruídas há anos atrás, por serem consideradas extremamente perigosas. Como você conseguiu uma? E como a ativou tão facilmente?

Eu estava relutante em revelar meu segredo, mas a confiança que havíamos estabelecido até agora me fez compartilhar.

— Esta espada foi um protótipo que meu pai desenvolveu há anos. Ele era um cientista renomado, mas acabou desaparecendo em circunstâncias misteriosas quando eu era criança. Eu herdei essa espada e descobri como ativá-la recentemente. Ela funciona absorvendo a energia do ambiente, transformando-a em eletricidade. É uma arma poderosa, mas também perigosa.

Anna assentiu, parecendo intrigada pela história.

— É uma história interessante. Mas, por favor, tenha cuidado ao usá-la. Não sabemos até que ponto Lili Alves está disposta a ir para alcançar seus objetivos.

Eu concordei com um aceno solene, compreendendo a gravidade da situação. Enquanto continuávamos nosso caminho pelo corredor iluminado por lanternas de papel, eu me perguntava o que mais descobriríamos sobre Lili Alves e seus planos sinistros. A batalha estava apenas começando, e tínhamos que nos preparar para enfrentar um inimigo tão astuto quanto implacável.

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A noite estava repleta de mistério, e enquanto Ryan e eu caminhávamos pelo beco estreito, eu me perguntava sobre os segredos que estavam escondidos sob a superfície daquela cidade. Anna tinha seus próprios segredos, e eu sabia que havia muito mais a descobrir sobre seu passado e sua conexão com Malcolm Young.

Fomos interrompidos por uma garota de cabelos cacheados, que nos entregou um embrulho de veludo com uma mensagem de gratidão de Malcolm Young. Anna parecia conhecer o motivo do agradecimento, mas optou por não compartilhar todos os detalhes naquele momento.

— Vou demorar um pouco mais — disse Anna, esticando-se como um gato. — Vocês dois podem pegar o carro e irei para minha casa.

Com o canto do olho, examinei o embrulho de veludo e, ao abri-lo, encontrei várias lâminas de joias delicadamente elaboradas. Era um presente significativo, e minha admiração não passou despercebida por Ryan.

— Um presente de verdade — murmurei, impressionado com o gesto de Malcolm. Olhei para Ryan, que também parecia surpreso. — São joias criadas em laboratório para dar energia a equipamentos.

Ryan assentiu, ainda processando a reviravolta que tínhamos testemunhado naquela noite.

— Eu nunca imaginaria que aquela Bella estava envolvida em envenenamento — ele comentou.

— Você se surpreenderá com o que os espiões conseguem fazer. É por isso que falei com Dawn antes de apresentá-lo aos meus amigos — disse Anna, gesticulando na direção do carro. — Tenho olhos afiados para saber quem posso ter ao meu lado sem ficar entediada.

O caminho de volta para a casa de Anna foi feito em silêncio, mas eu não conseguia ignorar a inquietação que se instalava em meu peito. Apertei a espada de Eléctron com força, sentindo a energia pulsante da arma. As estrelas no céu noturno brilhavam intensamente, mas eu não conseguia encontrar paz.

Chegamos à casa de Anna, onde esperaríamos por notícias dos outros. Eu sentia que todos na instalação já deveriam ter percebido nosso desaparecimento, e meu pai provavelmente estava furioso.

Nicky e Dawn não estavam se comunicando, e era óbvio que eles estavam preocupados conosco.

Ryan quebrou o silêncio, preocupado com minha aparência tensa.

— Drake, está tudo bem? — ele perguntou, colocando a mão sobre a minha. — Você parece à beira de um colapso. Talvez seja melhor sair deste carro.

Olhei para ele, com os olhos cheios de incerteza e medo, e finalmente me abri sobre meus temores.

— Você não entende, Ryan. Se a agência for destruída, o que sobrará para mim? — desabafei, revelando minha preocupação com o futuro incerto. — Ela me deu algo pelo qual lutar e a chance de mudar o mundo! Agora tenho que me preocupar que uma mulher louca possa destruir tudo o que construímos.

Foi um alívio compartilhar esses pensamentos com alguém, especialmente com Ryan, que sempre foi gentil comigo, mesmo quando eu não era tão popular na escola.

— E agora, estou aqui, abrindo meu coração para o garoto que eu amo! — eu disse com um sorriso triste, tentando aliviar a tensão do momento.

Encostei-me no ombro de Ryan, que inicialmente ficou tenso, mas sua mão não largava a minha, mostrando apoio silencioso em um momento de incerteza.

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Gostaram?

Até a próxima 😘



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