Apenas me Ame





          Quem você realmente é?

A empatia, em breves palavras, é a habilidade em compreender o outro para além do que se vê, e agir de acordo com isso.

Esse sentimento tão importante é uma das principais bases do ser humano.

A empatia em si ou a falta dela, sempre é julgada.

Somos julgados o tempo todo, e julgamos o tempo todo..
Se não fosse a bondade.. não seríamos nada além de animais.
Todos escondem segredos, sentimentos.. medos.
Ninguém é o que aparenta!
Você acredita no Destino? Ou no poder das escolhas? 
O amor verdadeiro é aquele que busca sempre o bem do outro, que não guarda rancores, que preserva a felicidade de ambos, que cuida sem esperar nada em troca.   
Mantenha seus pés no chão, mas deixe o amor tomar conta do seu coração.
Às vezes, tudo o que precisamos é nos entregar às forças do amor.






Primeiro Capítulo  Compaixão e respeito



Notting Hill  Casa cruz

Após um dia longo no restaurante, finalmente saio para uma pausa.
Já nos fundos encaro a noite fria sem estrelas, cansada respiro fundo e acendo um cigarro.
Pensativa em meus próprios problemas.. não havia notado uma inquietação não muito distante de mim.
Notei Ágata falando com um mendigo!
Algo nele chamou minha atenção. Me senti triste, talvez pena por ele. Era uma noite fria como de costume em Londres, e Ágata o encarava com desprezo!

—Por favor. Estou com fome! Nem me lembro da última vez que tive uma refeição!
— Onde pensa que está pedinte? Isso é um restaurante renomado! Se quer comida, deveria procurar uma instituição.
— Um pedaço de pão está bom. Não precisa me dar sua comida cara!

Encarei aquela cena curiosa, e com raiva admito! Não tinha um pingo de compaixão!
Existem muitos golpistas em Londres, eles te obrigam a comprar alimentos e depois vendem para conseguir drogas.
Outros mau caráter. Que agem de forma ilegal. Roubam e assediam as pessoas! Esse era o tipo que mais me irritava!
Mas este homem, realmente está com fome. Pediu apenas uma fatia de pão, como ela pode ser tão dura?
Observei aquele homem com mais curiosidade. Havia algo diferente nele! Admito que não tinha uma visão adequada para tirar conclusões a seu respeito.
Suas roupas eram largas, e seu capuz escondia seu rosto. Ainda assim minha intuição gritou!
A observo chamar o gerente, e por um instante, pensei que ele o ajudaria.
Joshua sempre foi gentil conosco, mas agiu da mesma forma que ela, com hostilidade, de forma rude, julgando o homem por sua aparência!
Cansada de tal cena, joguei meu cigarro e fui até eles.

—Ágata! Finalmente te achei. O deputado está te procurando. Ele quer elogiar vocês dois pelo excelente trabalho!
— Mesmo?
— Sim. Está a espera de vocês!

Tremendo pela mentira, respiro fundo assim que entram.

— Será que pode esperar pelo menos uma hora e meia?
— Esperar?
— Não importa quanto tempo demore, me espere na praça da esquina. Vou lhe levar algo para comer!
— Tudo bem. Muito obrigado!

Sorrio rapidamente.
Percebendo que ele poderia estar com frio, tiro minha jaqueta e lhe entrego.

—E você, não sentirá frio?
— Tudo bem! Eu vou ficar lá dentro! A propósito logo começará a nevar, e ficará ainda mais frio!
— Obrigado!
— Não por isso! Eu tenho que voltar.

Sentado na praça encaro os flocos de neve pensativo..
Perdi as contas de quantos restaurantes fui hoje atrás de comida, recebido por todos do mesmo modo.
Já estava desistindo, mas finalmente encontrei alguém gentil o suficiente.
Algumas horas depois a noto se aproximar, enlaçada ao seu próprio corpo tentando se esquentar.
Seu olhar encontrou o meu, então ela sorrio.
Aquele gesto me causou uma boa sensação. Foi um sorriso sincero.

—Você realmente esperou! Fiquei com medo que tivesse ido embora.
— Está com frio?

Ele tenta tirar a jaqueta para me entregar, mas o impeço.

—Não, tudo bem! Não estou com frio.
— Está tremendo!
— Não se preocupe!

Tirando a jaqueta me entrega.

—Tem certeza?
— A jaqueta é sua!
— Obrigada. Vamos voltar para o restaurante?
— Irão me expulsar!
— Tudo bem, todos já foram!

Caminhamos de volta..

— Não vai ter problemas por minha causa, não é?
— Não se preocupe, geralmente sou eu que fecho o restaurante!
— Isso não é função do gerente?
— Verdade. Mas Joshua não gosta de sair muito tarde, então eu o ajudo!
— Mas isso não é certo!
— Não é nada de mais. Ele tem família, se ele sair cedo consegue dar boa noite para o filho. Então eu diria que vale a pena!
— E quanto a você! Sua família não se importa?

O encaro surpresa, desvio o olhar um tanto triste.

— Eu não tenho família!

Respiro fundo..
Entrando no restaurante acendo as luzes, ele se senta na mesa em frente a lareira. Levo cinco pratos com diferentes refeições.
Ele os encarou com um sorriso, acabei sorrindo também. Me sentei a sua frente e encarei o fogo.

— A comida daqui realmente é boa! Obrigado.

O encaro.

— Não está no cardápio. É o primeiro a comer, que bom que gostou!
— Você fez isso?
— Sim. Depois que eu fechei, fui no mercado. Quando voltei preparei. Seria errado pegar as coisas daqui!

Ele começa a rir!

—Errado? Eles sequer notariam. Gastou todo o seu dinheiro comigo?

No modo como ele falou, pareceu zombar de mim, algo que não gostei nada!

— Talvez pra você seja normal pegar algo que não lhe pertença! Tem razão eles não notariam. Mas ainda assim seria errado, eu saberia. Não sou do tipo que gosta de dever algo, para ninguém!
— Me desculpe? Não foi minha intenção lhe ofender!
— Não ofendeu! Só não gosto que zombem de mim.
— Não foi minha intenção! Lorenzo! É um prazer.
— Valquíria!

Acendo um cigarro e volto a encarar o fogo.

— O que aconteceu com a sua família?

Levo meus olhos até ele.

—Se não quiser falar..
— Eles morreram!
—Sinto muito!
— Tudo bem. Já faz um tempo!
— Não é muito jovem para viver sozinha?
— Na verdade eu tenho um irmão!
— Onde ele está?
— Quando eu era pequena, nós éramos tão unidos. Tudo um para o outro, eu fazia qualquer coisa por ele! Coisas que não teria feito por mim. Mas então nós crescemos. Ele viveu sua vida normalmente, e eu fiquei presa no passado.
—Presa?
— Eu não tenho noção de tempo! O tempo passa diferente pra mim. Eu ainda estou presa aquela época. Ele no entanto cresceu, se apaixonou, se casou! Nós três vivíamos juntos, mas. Com o tempo, não conversávamos mais, o trabalho nos impedia de nos vermos, e quando nos víamos não era a mesma coisa! Eu me sentia incrivelmente solitária, eu me sentia um fardo! Eu atrapalhava a vida de casal deles, então decidi finalmente, o libertar. Arranjei uma casa e este emprego..
— O importante é que se amam! Pode pensar que estão distantes, mas aposto que ainda dariam suas vidas um pelo outro!
— Está certo! O sentimento de vazio me faz exagerar às vezes!
— É muito jovem para sentir tal vazio!
—Idade é só um número, não define quem realmente é!

Levo meus dedos até minha cabeça.

— Aqui eu sou mais velha do que você!
— Ainda tem muito o que viver. Muitas oportunidades.
— Não vai funcionar se eu às desperdiçar!
—E porque faria isso?
— Eu tenho o costume de me sabotar! Nada por muito tempo é interessante pra mim. Eu perco o interesse, desisto muito rápido. Eu não enxergo a vida, como as pessoas normais!
— Pessoas normais?
— Você realmente acha que existe algum valor na vida?
—Você é suicida?
— Suicida é uma palavra forte! Eu só não acredito na vida. Nas coisas boas que todos veem. Eu não entendo o mundo, os sentimentos nele!

Ele ri novamente, e me sinto ridícula por desabafar com ele!

—Acho que não tem coragem de viver de verdade!

Agora eu sorrio.

—Verdade! Mas se eu não tenho uma perspectiva de vida, porque tentaria?

Fui pego de surpresa. A encarei sem resposta.

— E você, porque vive na rua?
—E você, porque me ajudou? Se não vale a pena, por que ajudar alguém?
—A vida não tem sentido pra mim. Mas isso não anula o fato de me importar com alguém! Se eu tenho a oportunidade, porque não fazer?
— Você disse que sempre se sabota!
— Em relação a mim, não aos outros. Todos temos algum tipo de dificuldade, se eu tenho a chance de te ajudar, porque desperdiçar! Eu sempre gostei de ajudar os outros, nunca pensei duas vezes. Não me importo com as circunstancias, eu sempre vou tentar ajudar alguém. Faz parte de quem eu sou! Então..
—Então?
— E quanto a você? Já sabe muito sobre mim!
— Eu diria que não o suficiente!
—Ficou curioso?
— Um tanto!

Sorrimos rapidamente.

—Melhor eu ir. Já está ficando tarde!
— Mesmo? Não vai me dizer quem é!
—Acho que também lhe deixei curiosa!
—Um tanto!

Sorrimos.

—Eu já lhe disse meu nome!
— Não é o suficiente!
—O quê quer saber?
—Tudo!
— Tudo?
— Sou uma pessoa solitária! Nunca quero voltar para casa, e não desperdiço uma boa conversa!
—Isso me deixa triste!
—Não sinta pena de mim! Somos dois fodidos.
— Que linguajar!

Sorrio rapidamente ainda o encarando.

—Você não parece um mendigo comum! Tem certeza que é um?
— E como eu deveria me parecer?
— Eu já ajudei muitos moradores de rua. No entanto existe algo em você..
— Sou bonito demais?

Um sorriso escapa.

—Desculpe fazer tantas perguntas! Sou um tanto, curiosa. Mas tem razão está tarde.
— Obrigado pela refeição. Foi a melhor que eu já comi!

Sorrimos.

—Obrigada. Volta amanhã?
— Com toda a certeza!

Com um sorriso nos despedimos.

Na noite seguinte

O esperei por horas do lado de fora do restaurante, e nada. Provavelmente não virá mais.
Caminhando até a praça, me sento onde ele me esperou ontem, encarando as estrelas fumo pensativa, não querendo voltar para casa como de costume!
Algum tempo depois, percebo um homem correndo em minha direção, fiquei com um pouco de medo, mas sorri ao perceber que era ele!

—Desculpe a demora.
— Você me assustou por um instante. Mas fico feliz que pode vir!
— Eu também.

Ambos sorrimos.

—Vai cozinhar novamente?
—Vou!

Caminhamos até o restaurante.

—Como foi o seu dia?
— Bem, um pouco cansativo, mas ótimo! Gosto de ficar cansada, me faz pensar menos!
—É a primeira vez que escuto algo assim.
— Mesmo? Eu penso o tempo todo, geralmente besteiras. E você, como foi o seu dia?
— Cansativo também!
— E você, tem família?
— Tenho. Um filho, muitos parentes!
— Nenhum deles se importa?
— É complicado.
—Sempre é. Eu acho, que meus parentes fingem se importar. Mas nunca se importaram de verdade.
— Acho que é raro alguém se importar de verdade.
—Tenho a mesma ligeira impressão! E o seu filho, não tem contato com ele?
—Nossa relação é complicada!
—Todas são! Minha relação com meu irmão. Eu nunca digo o que penso, nunca o atormento com problemas, nunca digo o quão solitária ou triste eu me sinto. Sempre tento fazê-lo se sentir feliz. Quando nos importamos realmente com alguém, acho que não importa como realmente nos sentimos, com tanto que a outra pessoa esteja bem, segura.
—Nunca pensei desse modo. E acho que fui um tanto duro no modo como o criei!
— Nunca é tarde para dizer que se importa com alguém!
—Nunca é tão fácil.
—Eu sei.

Depois de comer rimos por algo bobo que ele disse!
Ele era inteligente e divertido. Fazia muito tempo que não ria tanto. Ele era tão intrigante, que me fez esquecer do tempo, ou dos meus problemas!

—Na próxima eu cozinho!
— Sabe cozinhar?
—Muito bem devo admitir!
—Olha, quantas qualidades.
—Você também tem muitas.
—Obrigada! Quer ver algo que nunca mostrei a ninguém?
— Sou muito velho pra você!

Um sorriso escapa

—Não seja rude! Eu já volto.

Coloco um vestido preto e passo um delineador e um batom vermelho.
Conecto meu celular no som do bar e caminho até o palco, me encarando surpreso se senta.
Já no palco imito a coreografia da companhia coronavideo.

Não consegui desviar o olhar dela. Ela dançava com paixão, raiva, feroz e ao mesmo tempo suave.
Parecia outra pessoa e me deslumbrava cada vez mais!
Encarei meu peito, ao perceber algo estranho, algo que não sentia há muito tempo!
Meu coração disparou, ela estava incrivelmente bonita e sensual! Estava tão irresistível, que desejei despi-la e fazê-la minha ali mesmo!

Assim que a música acaba respiro fundo e o encaro, após alguns segundos ele aplaude e se aproxima.

—Incrível.
—Gostou mesmo?
—Há quanto tempo dança?
—Desde de pequena! Mas nunca tinha dançado para ninguém.
—Então eu fui o seu primeiro?

O encarei um tanto surpresa, meu rosto queimou e percebi que fiquei corada.
Eu sei que interpretei errado, minha mente era um tanto, suja!
Eu era inocente, e também vulgar.

—Me desculpa, me deixei levar! Eu não tenho amigos, então exagero às vezes!
— Eu diria que você dança muito bem. Deveria fazer isso mais vezes.

Sorrio.

—Sabe dançar qualquer coisa?
— Mais ou menos, sim!
—O que acha de um tango?
— Sabe dançar?
— Eu tento!
—Adoro tango!
—Me daria a honra?

Ele estende sua mão, e a encaro com um sorriso.

—Eu adoraria!

Se aproximando escutamos um barulho! Ele sai rápido, desconecto meu celular, próxima a mesa me viro e encaro Joshua!

— O que faz aqui?
—Eu já estava fechando! Não percebi o tempo passar..

Me encarando de baixo para cima, me sinto incomodada!
Se aproximando bem perto ergue meu queixo e me encara.

—Porque está vestida assim? Está tentando me seduzir!

Ah que irritante!
Tentando me beijar, levo meu joelho contra o seu membro!

— Você não tem o direito de fazer nada, só porque ainda estou aqui!
—Sua vadia!

Me irritando ainda mais, pego minhas coisas e saio.

—Você está bem?

O encaro ainda caminhando.

—Ainda está aqui?
— Fiquei preocupado. A propósito belo chute!

Sorrio.

—Obrigada.

Parando de andar ergo minha cabeça e encaro a chuva começar a cair.

—É melhor nos escondermos!

O encaro e sorrio.

—Tem razão.

Ao sentir uma presença, encaro a minha frente. Noto um grandalhão nos encarando!

—Anda com mendigos agora?
—Não cansa de me seguir? Não é uma boa hora!

Vindo rápido até mim, sorrio de lado. Lorenzo tenta ir para cima dele, mas o impeço agarrando seu braço e o puxando para trás!

—Eu resolvo meus próprios problemas!

Digo indo até ele.
Correndo insinua um soco, correndo dou um pulo, chuto seu estômago e rosto o fazendo cair.
Me aproximando o encaro.

—Diga para o papai que eu não vou voltar! E se continuar a me seguir, na próxima eu te mato!
—Me desculpa? Desculpa..

Sorrindo me levanto e o encaro ir rápido em bora.
Encaro Lorenzo por cima do ombro, ainda no chão surpreso.
Me aproximando ele se ergue.

—Surpreso?
— Quem era?
— Um subordinado do meu pai!
— Seu pai não estava morto?
—Ele não é uma boa pessoa. Então está morto para mim!

A encarei surpreso.

— Você se defende muito bem!
— Você pega o jeito!

Sorrio.
Encaro suas roupas molhadas de baixo para cima, que realçam seu corpo forte!
Definitivamente, ele não se parecia nada com um mendigo!
O observei.. seu rosto estava sujo como suas roupas. Mas suas mãos e unhas, estavam completamente limpas! Aquilo me pareceu uma farsa!

— Que chuva fria! Quer tomar um banho em casa?
—Acho que não é apropriado!
—Apropriado? Lorenzo, posso te pagar um café qualquer dia desses?
— Que tipo de mulher convida um mendigo para sair?

Ergui minhas sobrancelhas surpresa, mas logo ri.

— Eu não preciso ouvir isso de alguém como você!

Me virando para ir, o encaro por cima do ombro.

— Não pense que me enganou com seu teatro em ser um mendigo! Se meu pai te mandou, é melhor desistir. Caso contrário vai se arrepender! Adeus Lorenzo.

Surpreso a encarei ir, e seu adeus pareceu um fim!
Senti um aperto no peito. Uma sensação que há muito tempo eu não sentia.
E acabei perdendo o controle!

Com um sorriso continuo meu caminho, de repente ele agarra meu braço e me beija!
O encarei surpresa por alguns segundos, mas logo não me contive, e o beijei também!
Mesmo encharcado pela chuva fria, seu corpo estava quente. Enquanto me beijava, segurei seu braço forte.
O querendo mais perto do meu corpo.
Meu corpo ficou quente, meu rosto queimou, meu coração disparou.
Sua língua invadia minha boca cada vez mais, brutalmente e suavemente.
Seu abraço firme enlaçava meu corpo completamente, e o mantinha perto do seu..
Aquilo me deixou excitada, eu queria cada vez mais.
Deslizando suas mãos sobre minhas costas, pressionou minha bunda, me deixando mais quente.
Mas do nada, ele se afasta!
Respirávamos fundo sem desviar o olhar um do outro..
Havia uma confusão e arrependimento em sua expressão.

—Desculpa eu não..

Sem dizer mais nada, ele simplesmente se foi!
Encarando o chão ainda eufórica, deslizo meus dedos sobre os meus lábios, e acabo sorrindo!

—Uhm, que interessante!




Segundo Capítulo Quem realmente somos? Quem é você?



Chamando a todos, Ágata nos coloca em fileiras, em um tipo de inspeção.
Esperamos o dono do restaurante chegar! Pela demora deve ser um idiota!
Assim que ele chega acompanhado de outros homens, todos bem vestidos, Ágata vai rápido até ele e o abraça.

—Querido!

Ele a afasta, e termina com ela na frente de todos!
Achei sua atitude imbecil, e a primeira impressão não poderia ser pior! Como poderia tratar sua namorada com tanto desprezo?
Joshua seu melhor amigo, também não o tratou diferente! Despediu os dois e mais alguns.
Todos o encaravam surpresos e com medo. Já eu o encarava séria, me pareceu um tipo desprezível! Capaz de pisar em qualquer um, simplesmente porque podia!
De repente ele me encara e sorri!
Ergui as sobrancelhas um tanto surpresa, mas logo o encarei como antes.
Seu olhar era penetrante, familiar!

—Porque está nos despedindo?
—Eu descobri que tenho câncer no fígado!

O encarei surpresa por um momento. Mas ainda assim, não lhe dá o direito de agir deste modo.
O que esse cara está armando?

—A doença já está um tanto avançada! Meus parentes, meu filho, não pareceram muito preocupados. Então eu decidi deixar todas as minhas redes de restaurantes para um, dos meus gerentes de confiança!

Não me diga! Que imbecil.

— Decidi fazer um teste com todos eles! Me vesti de mendigo e comecei a visitar todos os meus restaurantes!

Fecho meus olhos, um tanto incomodada!

—A procura de uma boa pessoa, que pensava no próximo. Assim que pisei no primeiro restaurante, fui recebido com olhares tortos e com grosseria! Estava prestes a desistir quando.. Quando encontrei alguém gentil!

Finalmente o encaro, completamente seria..

— Por isso decidi deixar tudo..
—Eu recuso!
—O quê?

Todos me encaram.

—Eu agradeço Lorenzo! Mas não pode dar algo tão grande, para alguém que não conhece, sem permissão!

A encaro sem palavras.

—Eu não quero o seu restaurante! Então se isso te incomoda, pode me demitir! Porque eu não vou aceitar.
—Qualquer um ficaria feliz com tal proposta!
—Se está realmente morrendo, deveria consertar as coisas com seu filho! Fazê-lo entender o significado desse lugar para você. Não dá-lo a um estranho, e fazê-lo te odiar mais! Só porque sua namorada foi rude com um mendigo, não justifica terminar com ela na frente de todos! Você culpa todos a sua volta, mas talvez, tenha um pouco de culpa também!

Surpreso me encara. Percebendo que fiz o mesmo que ele, lhe julgando na frente de todos, sai rápido de lá.
Fui para fora e respirei fundo, merda!
Sentada na praça acendo um cigarro e ergo minha cabeça, encarava o céu azul pensativa.
Acho que falei de mais como de costume! Quando algo me irrita, acabo sendo grossa.
Peguei pesado de mais com ele? Ahh, droga. Porque está me incomodando tanto? Ele com certeza vai me demitir por isso!
Depois de um tempo, tomo coragem e volto. O encaro sentado no bar de costas para mim examinando alguns papéis e bebendo uísque.

—Posso voltar para o meu trabalho, ou já estou demitida?

Ele me encara por cima do ombro.

—Já demiti muita gente por hoje! Talvez amanhã.

Sorrio rapidamente e me aproximo, paro ao seu lado e o encaro.

—Pode ficar na cozinha hoje?
—Sim. Amanhã você contrata um cozinheiro! Gosto de ser garçonete.

Ambos sorrimos.

— Me desculpa? Não deveria ter sido tão abusada!
—Nisso concordamos!

Com as mangas dobradas e alguns botões da sua camisa branca abertos, o encarei completamente diferente de antes.
Ele era um homem muito bonito!
Senti meu rosto queimar enquanto o encarava, e me lembrar daquele beijo, me deixou excitada!
Ele se tornou outra pessoa. Incrível o que um banho pode fazer!
E claro, suas roupas sob medida!
O irônico disso, é que ele jamais olharia para alguém como eu. Se não fosse o seu joguinho!

—Vai nos ajudar hoje?
—Não tenho escolha! Não há muito pessoal, vou ter que ficar.

O ajudei a noite toda, mesmo não me sentindo bem. Por conta daquela chuva acabei pegando um resfriado.
Ah odeio resfriados!
Limpando uma das mesas o observo sem querer, e durante todo o tempo me peguei fazendo isso!
Eu me interessava muito rápido por alguém, e me desinteressava também! Eu nunca consegui amar alguém, nunca me interessei em sair com ninguém de verdade!
Quem gostava de mim, não me interessava, e aquele que eu gostava, não se interessava por mim!
Ahh..
Me pergunto se realmente estou interessada nele, ou se de novo é coisa da minha cabeça, e se eu teria chance!

— O quê foi?
—Uhm?
—Porque está me encarando?
— Não percebi desculpa! Estava distraída, não tem haver com você.
— Você está bem?
—Sim.
— Não parece nada bem! Porque não sai mais cedo!
—Tem certeza?
—Sim, pode ir!
—Nesse caso vou aceitar. Está começando a piorar!

Tento lhe perguntar algo, mas ela vai logo pegar suas coisas. Já perto da porta, noto seu rosto ainda mais vermelho, seus olhos cansados quase não os mantinha abertos.
Desmaiando, em um movimento rápido a enlaço antes que possa atingir o chão.
Chamei pelo seu nome mas não acordou, percebi que estava ardendo em febre, me preocupei ainda mais!

Na manhã seguinte  Whitechapel

Acordando esfrego meus olhos que doem. Abro meus olhos e percebo estar em um quarto estranho!
Levo meus olhos para cada parte do quarto curiosa, mas não me levanto ou tento correr.
Me sinto tão mal, que nem mesmo quero fugir! Se aproximando o encarei e ergui as sobrancelhas.
Ele vestia apenas a calça do pijama, encarei seu peito forte, sem querer fiquei excitada!
Me encarando desviei o olhar.
Meu coração disparou, me senti eufórica. Uma mistura nada sensata. Mal estar e euforia..
Ele se sentou ao meu lado na cama com uma bandeja de café da manhã, levei meus olhos até ele.

—Finalmente acordou! Está melhor?

Meus olhos se enchem de lágrimas, e acabo espirrando.

—Ótima!
— Aqui. Tome estes remédios, vai se sentir melhor!

Encarei os remédios em suas mãos surpresa, levei meus olhos até o café que ele preparou, e me senti triste.
Já fazia muito tempo, muito tempo, que ninguém fazia algo assim por mim.

— Não deveria se preocupar tanto com estranhos!
— Você não é uma estranha.

O encaro surpresa.

— Desmaiou porque não está se alimentando direito!
— Como sabe?
— Não vai sequer negar?
— Como percebeu?
— Chamei um médico!
—Uhm, obrigada.
— Não por isso!

Sorrio. Tomando o remédio, pego a xícara de café.


—Forte demais?
—Eu gosto!
— Eu também!

Sorrimos rapidamente. Percebendo algo estranho, encaro meu colo e percebo estar de camisola.
Levo meus olhos até ele desconfiada!

—Quem me trocou?
—Eu!

Ergo as sobrancelhas surpresa.

—Tirou minha roupa enquanto eu dormia?
— Sim!
— Porquê?
— Você vomitou, nela toda!
— Uhm. Então ainda bem que eu não me lembro!
— Te dei um banho também! Acredite você vomitou muito.
—Está mentindo!
— Não.
— Está! Eu sei quando alguém mente. É uma habilidade que tenho desde pequena.
— Habilidade interessante!
—Concordo!
— Ainda assim, vi as cicatrizes nas suas costas! Quem fez isso?

Desvio o olhar com certo incomodo. Encaro o maço de cigarros na cabeceira.

—Se incomoda?
— Vai fumar estando doente?
— E tem hora para isso?

Acendo o cigarro e dou um trago, soltando a fumaça lhe ofereço, aceitando, dividimos o cigarro.

—Então?
— Estou pensando se quero te contar!
—Tudo bem. Pode me contar quando confiar em mim!
— Eu nunca confio em ninguém! Nem mesmo em mim.
—Mesmo assim, vou esperar!
—Porque me beijou?
—O quê?
—Porque Lorenzo?
—Não tenho uma resposta pra isso! Só aconteceu.

Não sei se era a gripe, mas meu coração estava eufórico.
E sem resistir, eu o beijo!
Ele retribuí por alguns segundos, mas logo me afasta.

—O quê você..
— Porque me beijar antes, e me afastar agora?
— Você é uma criança!
— Que irritante! Odeio tal palavra. Eu nunca fui uma! Então não me chame mais disso.
— A culpa é minha. Não deveria ter feito aquilo. Está confusa!

Ele não gosta de mim! Como de costume.

—Já que é assim!

O empurrando contra a cama, me posiciono sobre ele, prendendo seus pulsos contra a cama o beijo.
Tentando se soltar o seguro mais forte, invadindo sua boca com a minha língua senti meu rosto queimar.
Seu membro roçava contra a minha calcinha, me deixando mais excitada.
Deslizando minha mão sobre seu peito cheguei até seu membro e percebi o quanto era grande.
Eu nunca havia feito isso antes, mas estava cansada, de sofrer por alguém, que sequer sabia sobre a minha existência!
Eu acho que gosto dele, eu desejo ele, então porque não tomá-lo pra mim!?
Se soltando me vira contra a cama e se levanta, acabo tossindo e o encaro.

— O quê pensa que está fazendo?
— Eu gosto de você! Então se não está interessado, pode apenas me usar! Eu não me importo.

A encarei surpreso.

— Como eu poderia me interessar por alguém que age de forma tão infantil, tão vulgar! Tive uma ideia errada de você. É melhor ir!

O encarei surpresa e sem resposta. Mas logo me levantei e caminhei até a saída!
Sai tão rápido que sequer percebi que estava descalça e de camisola!
Caminhando pensativa pelas ruas geladas de Londres, enlacei meu corpo tentando me esquentar, minha garganta doía mais.
Mas o que ele disse, estava certo! Eu não pensei, só fiz!
Admito que foi infantil. Mas estou cansada, cansada de nunca amar alguém, de ninguém nunca me amar!
Estou cansada de me sentir, inútil, incapaz de me expressar. Às vezes nem mesmo eu me entendo!  Droga.
Normalmente eu não digo nada, não faço nada. Porque fui tão longe com ele?
Merda! Paro ao perceber dois homens me encarando.

—Ei gracinha está perdida?
— Está com frio? Porque não vamos para minha casa, vou te aquecer!
— Porque não se olha no espelho? Eu não iria pra casa de um verme tão desprezível!
— O quê você disse?
—Ainda é surdo? Que irritante!

Tento seguir mas um deles agarra meu braço!
Passando por de baixo do seu braço, chuto a parte de trás da sua perna.
Pressiono suas costas com o meu pé e quase quebro o seu braço.

—Sua mãe nunca disse para não mexer com as garotas!
—Disse! Mas eu nunca dei muita atenção para ela!

O outro atinge minhas costas com um pedaço de madeira. Perdendo o equilíbrio ele puxa meu braço e acerta meu rosto!
Caindo o encaro com raiva.

—Quem você pensa que é sua vadia?
— Ahh eu vou adorar quebrar a sua perna!

Erguendo seu braço ameaça me bater novamente, levei meu braço até meu rosto tentando me defender.
Mas Lorenzo se colocou a minha frente e me abraçou, o encarei surpresa, o homem atingiu suas costas de novo e de novo.
Me senti triste e com mais raiva.
O enlaçando o virei e recebi o golpe, tentando de novo segurei o objeto e o encarei por cima do ombro.
Em um movimento rápido tomo o taco e me ergo, acerto seu rosto, caindo o acerto de novo e de novo.
O outro se aproxima, me virando acerto seu rosto, e volto para o outro.
Focando em sua perna, a quebro com prazer!
Largando o taco enlaço Lorenzo e saímos de lá.
Já um pouco distantes, vou para um beco e o sento. De frente para ele o encaro, ele parece com dor!

—Idiota! Porque fez isso? Se machucou por minha causa.
— Não poderia deixar ele te machucar!
— Já falei pra parar de se importar com estranhos! Desse jeito só vai se machucar.
— Você está bem?
— Melhor do que você suponho!

Pressionando sua nuca encaro suas costas, percebendo sangue absorver o tecido de sua blusa, me sinto mal.

—Vamos, vou fazer um curativo!

Est end

Sentado no sofá tiro sua roupa de cima com cuidado, mesmo assim ele faz cara de dor.
Limpando seu ferimento encaro os hematomas pela suas costas e me sinto ainda mais triste.

—E quanto ao seu rosto! Está machucada também.
— Eu estou acostumada! Não se preocupe.
—Isso me deixa triste.
— Porque veio atrás de mim?
— Você saiu apenas de camisola, não tive escolha!
— Uhm. Obrigada por me ajudar de novo!
— Está virando um hábito!
— É melhor parar enquanto pode! Eu gosto um pouco de você, mas estou acostumada com a rejeição. É melhor se afastar de mim. Eu não sou uma boa pessoa!
— Pelo pouco que conheci de você, eu diria que é uma ótima pessoa!
— Se você me conhecesse de verdade, sentiria nojo!

Se virando me encara, o encaro surpresa.

— Eu nunca sentiria isso, você é sim uma boa pessoa! Eu não sei pelo que passou, mas vou te mostrar um mundo diferente!

Acabo rindo.

—Diferente é?

Afastando meus cabelos, ele limpa meu ferimento no rosto e faz um curativo.
Durante todo o tempo o encarei, de forma diferente de antes, com o coração ainda disparado.
Ele era diferente de todos os outros que eu já conheci. Ele era o único, do qual eu não conseguia prever suas ações.
Em toda a minha vida, eu só me interessei de fato por uma pessoa! Que me rejeitou da pior forma!
Por causa dele. Eu me tornei alguém ainda mais fechada.
Por causa dele eu desisti do amor.
Mas ironicamente, eu percebo como eu me sinto com o Lorenzo.
Emoções sutis que parecem grandes.
A felicidade que surge pela sua simples companhia.
O sorriso em torno das conversas.
A sensação no peito..
A euforia.. e o desejo de estar perto dele..
Emoções sutis, que parecem grandes..



Terceiro Capítulo Porque não?



Algumas semanas depois Casa cruz

No fim do expediente me sento no chão perto da cozinha.
Escondida encosto minha cabeça contra a parede e acendo um cigarro.
Respiro fundo, o encaro se aproximar e se sentar ao meu lado esquerdo.
Como de costume dividimos o cigarro.

—Que dia cheio!
— Precisa contratar mais gente, logo!
—Eu sei, estive meio ocupado!
—Como você está?
— O mesmo de sempre! É uma doença incurável, não há o que fazer.

O encaro tristemente.

—Lorenzo!
—Uhm?
—Se existisse uma forma de você se curar, o que você faria?
—Agarraria com todas as forças!
—Claro..
— O quê foi?
—Já está apaixonado por mim?
— Não seja boba!

Sorrio.

—Não custa tentar! Você é bem difícil.
— Eu já disse, eu sou um homem velho e doente! Logo vai se interessar por alguém da sua idade..
— Ahh que irritante! Se você me visse com outro, não sentiria um pingo de ciúmes?
—Não!

Desvio o olhar.

—Sempre direto! Já faz um tempo que nos conhecemos, e continuo gostando cada vez mais de você! Mas suas desculpas, estão me irritando! Durma comigo ou deixe de ser meu amigo! Qual você escolhe?

O encaro, surpreso não me dá uma resposta.

—Você tem até amanhã a noite para me responder! Caso contrário vou te esquecer. É sério, já cansei desse jogo!

Me levantando saio sem dizer mais nada.
Terminando de limpar as mesas, ele se aproxima por trás de mim, o encaro por cima do ombro e sorrio.

— Porque não para de brincar!
—Você é mais experiente do que eu! Acha mesmo que eu estou brincando?
— Porque..

Me viro e o encaro de perto.

—Lorenzo! Eu gosto de você. Eu quero provar cada parte do seu corpo. Descobrir o seu gosto! Acredite, é muito difícil me interessar por alguém! Mas acabei me interessando por você. Então se sente um pingo de atração por mim, porque você, não para de brincar?
— Você é só uma criança!
— Porque não ensina algo para essa criança!
— Você é bem direta!
— Nem sempre. Só não gosto de mentir pra mim mesma. Em relação aos meus sentimentos sou sincera! Então, você vai me foder ou não?
— Não seja vulgar!
—Não seja medroso!
—Não estou com cabeça para isso!
— Não estamos tendo muitos clientes, não é?
—Não. Se continuar assim, vamos falir!
— Porque não me demite?
— Não é hora para isso.
— E me contrata como dançarina! Você tem um ótimo palco aqui, mas não o usa!
—Eu não sei..
— Um show a noite lotaria a casa, venderia muitos drinks. Nesta área a muitos restaurantes. Seria bom inovar! Não concorda?
—Vai conseguir? Disse que nunca dançou em público antes!
— Por você consigo qualquer coisa. Ou faço!
— Valquíria..
— É melhor não desperdiçar sua chance! Tem até amanhã para se decidir! Depois disso, não vou tentar mais nada com você!

O encaro e levo meus olhos até seus lábios.

—Boa noite Lorenzo! O que acha de começarmos com um tango amanhã? Talvez assim eu te seduza de uma vez!
— Tango é!

Com um sorriso o deixo.

Na noite seguinte

Preocupado examino alguns documentos do restaurante, quando Ágata entra sem qualquer convite.

—O quê faz aqui?
— Deveria ser mais gentil! Trouxe o que me pediu.
— Encontrou alguma coisa?
—Não existe nada sobre ela!
— Nada?
— Não há registro algum. É como se não existisse!
— Impossível!
— Bom, mas eu consegui alguma coisa!

Me aproximando lentamente, me sento a sua frente sobre a mesa. Curioso ele me observa.

—Consegui uma informação, de um velho amigo dela!
— Quem?
— O quê vai me dar em troca?
— Sem jogos!

Sorrio.
Me levantando, vou por trás dele e me inclino.
Enlaço  seu ombro e repouso a outra mão sobre seu ombro.  E sussurro em seu ouvido.

—Ela é uma ladra! Mentirosa! E já foi um membro importante da máfia no submundo!
—Tem certeza?
—Ahh tenho! A pergunta certa seria. O quê ela pretende aqui, o que ela quer roubar de você!

Virando meu rosto a encaro de perto...


Sentada no bar encaro o lugar ficar cada vez mais cheio. Sorrio ao pensar nele, que logo estaremos juntos, mesmo que seja só uma dança.
Ahh, porque não paro de pensar nele? Isso me irrita!
Pensativa encaro o garoto ao meu lado que fala comigo.

—O quê?
— Não se lembra de mim?
— Você é o cara do outro dia?

Ele sorri.

—Veio ver o seu pai?
— Como sabe quem é o meu pai?
— Bom você é a versão mais jovem dele! Seria impossível não notar.
—O quê você faz aqui?
—Sou dançarina!
— O quê vai dançar?
— Você vai ver! Vou chama-lo para você!
— Quanta gentileza! Não me disse o seu nome?
—Valquiria.
— Josef.
—Josef! Combina com você.

Indo até o escritório entro sem bater, e me surpreendo por um instante!

Assim que a porta abre levo meus olhos até ela e sorrio. Em um movimento rápido o beijo!

—Lorenzo!

Ele me encara e se levanta, ela faz o mesmo e se aproxima dele.

— Seu filho está aqui para falar com você!
— O mande ir embora! Não tenho nada para falar com ele.
— Ele é seu filho vá falar com ele!
— Quem essa garota pensa que é para falar assim com você!
— Família é algo importante! Vale mais apena ir falar com ele, do que ficar aqui e foder ela!
— Que garota vulgar!
— Saía!
— E quanto a dança? Estão esperando!
— Não tenho tempo para bobagens!
— Bobagem? Este restaurante está a beira da falência. Você prefere foder ela do que encher o caixa?
— Eu sou o seu chefe! Não pode falar assim comigo. Porque não se coloca no seu lugar!
— Meu lugar? Que irritante! Qual sua resposta?
— Não tenho tempo para esse joguinho infantil!
— Seu tempo acabou qual sua resposta?
— Já estou farto de você! Eu não quero nada com você. Uma criança vulgar e mentirosa, não me interessa nem um pouco!

O encaro  surpresa e com raiva! Odeio que me chamem de mentirosa!

—A única criança aqui é você! Culpa todos, julga a todos. Mas a verdade é que está aterrorizado por dentro, consumido pelo medo da morte. Medo da pena que os outros sentirão de você! Por isso mente para você mesmo, e ignora as pessoas que realmente são importantes! Espero que valha a pena!

A encaro de baixo para cima.

—Uhm..

Sorrio com raiva e saio.
Voltando para o bar me sento e acendo um cigarro.
Imbecil!
Porque meu tipo sempre são os idiotas?
Ahh..
Talvez eu seja a idiota! Porque é tão difícil enxergar o desinteresse dele!?

— Onde ele está?
— Fodendo a namorada no escritório!
— O quê?

O encaro surpresa pelo que disse!

—Brincadeira! Está ocupado, pediu para esperar um pouco!
—Aposto que ele não quer me ver!
—Seu pai está morrendo! Porque não tenta o compreender um pouco mais?
—Ele não quer falar comigo..
— Não importa! O obrigue a ouvir. Grite com ele se não tiver escolha. Peça desculpas mesmo se não tiver culpa! Família é algo importante, para se desperdiçar com bobagens! Não concorda?

Apagando o cigarro me levanto e caminho em direção ao palco. Encaro o garçom que coloca a música. Tango roxane moullin rouge.
Ao subir lenta e sensualmente tiro meu sobretudo e ergo minhas mãos, balançando o meu corpo.
Acariciando meu corpo, encaro e seduzo a plateia. Fecho meus olhos e danço sozinha..

A encarei surpreso, está incrivelmente sensual e sedutora! Sem resistir fui até ela, que se virando me rejeita.
Indo até ela se vira e a tomo, sem desviar o olhar dançamos!

Indo até o salão os encaro surpreso!
Dançando com ele, abraçada ao meu filho traidor, seus olhos encontram os meus e ela sorri, como se me desafiasse, ou apenas estava me instigando!
Sem desviar seu olhar do meu, sussurra algo em seu ouvido e meu sangue ferve!
Sem pensar vou até eles, e a tomo para mim, dançando juntos ele nos encara.

Dançando dou dois giros e ergo minha coxa contra ele, inclino meu corpo para trás, deslizando sua mão sobre meu corpo, encaro Josef.
Me erguendo deslizo minha mão sobre seu rosto e ensinou um beijo.
Josef me puxa..
Dançamos com desejo, paixão e raiva, os três juntos, os dois disputando.
A dança me obrigava a escolher um, dançando com um, queria o outro.
Fugindo de Josef fui até Lorenzo, que já estava convencido de ser o escolhido!
Dançando com desejo e ódio, girando, vou por de trás dele e finjo quebrar seu pescoço!
O empurro contra o chão e abraço Josef que nos inclina para baixo e insinua um beijo..
Nos erguendo todos aplaudem enquanto sorrimos.
Encaro Lorenzo por um instante, que parece não acreditar na minha escolha.
Após sair do palco caminho entre os clientes, Lorenzo agarra meu braço e me arrasta para fora.
Me prendendo contra seu corpo e a parede me encara com raiva, me deixando com mais raiva!

—Qual o seu joguinho? Porque estava com ele?
— Eu não o convidei, ele subiu! E qual o problema?
—Não conseguiu o que queria comigo, então agora vai tentar com ele?

Me surpreendo por um instante.

— E qual é o problema? Ele é bonito, temos quase a mesma idade, não é o que você queria?

Senti um aperto incômodo no peito!

— Não vai ficar com ele!
— Eu posso ficar com quem eu quiser! Eu disse que vou esquecer o quê quer que sinta por você! Não estava brincando! Você fez sua escolha.

Me beijando o encaro surpresa!
Tentando afastá-lo ele prende meus pulsos para o alto, e invade minha boca com sua língua.
Com raiva, desejo..
Ahh acabo não resistindo! 
Me beijando, desliza sua mão sobre minha coxa e aperta minha bunda.
Trás meu corpo para mais perto do seu..
Se afastando respiro fundo com a cabeça baixa, sem conseguir encará-lo.

—Tente me esquecer agora!

Sem dizer mais nada ele se vai..
Com o corpo eufórico, com o coração disparado, respiro fundo sem conseguir pensar em nada!

—Que imbecil! Porque fez isso seu idiota!?

Encarava o chão confusa, me sentia estranha, triste!
Foi um ato rude e triste!
Caminhei sem perceber até em casa.
Depois de tomar um banho, encaro a vista pensativa e acendo um cigarro.
Se ele não se importa, porque?
É divertido brincar com os sentimentos de alguém! Que tipo de babaca ele deve ser!

No dia seguinte

Caminhava até o restaurante pensativa, não dormi a noite toda pensando nele, um simples beijo. Ah, que irritante!
Ao chegar o encaro sentado no bar encarando alguns papéis.
O observo por alguns momentos com o coração aflito, respiro fundo, e me aproximo.

— Bom dia chefe!

Ele me encara e meu coração dispara.

—Chefe?
— Você é meu chefe, não?
—Nunca me chamou assim!
— É mais profissional senhor!
—O quê..
— Com licença, vou começar os meus afazeres!

Durante o dia todo não o encarei, e me mantive indiferente. Ainda estava irritada com ele, e com razão!
Enquanto limpava as mesas ele deu um grito chamando a atenção de todos!
Ao encará-lo sua expressão era de raiva, ele nos colocou em fila e nos encarou.
Principalmente a mim! Algo no modo como ele me encarava, me deixou desconfiada e com raiva!

—Sumiu uma grande quantia no caixa! Quem foi o ladrão?

Fiquei surpresa por um instante, mas logo percebi do porque o modo como me encarava.
Estava desconfiado de mim!

— Se devolver não te mando embora!
—Então tem certeza que fui eu?
—Quem mais! Eu te vi no caixa.

Que babaca!

— Eu não preciso da merda do seu dinheiro!
—Então porque pegou?

Fecho meus olhos e viro meu rosto.
Percebo uma das funcionárias me encarando com uma expressão, apavorada!
Deduzo a situação..
Ergo as sobrancelhas e volto a encará-lo.

—Tem razão, fui eu! Me desculpe? Eu seria despejada, entrei em desespero e peguei o dinheiro! Lhe devolvo amanhã. Se quiser me demitir se sinta a vontade!
—Não posso perder mais ninguém. Mesmo sendo alguém igual a você!
—Igual a mim?
— Uma ladra mentirosa! Mas não se engane, todos ficarão de olho em você!
— Se é assim que você quer!

O encaro com raiva e tento sair, mas ele agarra meu braço com força.

—Onde pensa que vai?

Eu pensei em derrubá-lo, mas ao invés disso o encarei.
Puxando meu braço sai rápido!

Mais tarde naquela noite

Ao voltar vou direto para o seu escritório. Entrando sem qualquer aviso, jogo um envelope com todo o dinheiro que estava faltando!

—O quê é isso?
—O quê você acha?
—Não precisava ter roubado! Poderia ter me pedido.
— Quanta gentileza! Eu não preciso e não quero nada de você!
—Um tanto contraditório não concorda?

Enquanto o encarava com raiva, meu coração doeu. Algo que acontecia com frequência ultimamente.
Respirei fundo e nos encaramos em silêncio por alguns segundos.

—O quê você quer?
—De você nada!
— Qual o seu plano? Quer roubar este lugar? Quer me sequestrar?
— Eu não aceitei a droga desse restaurante, porque estaria armando alguma contra você?
—Me responda você?
— Na verdade me chamar de mentirosa ontem a noite me deixou curiosa! Ágata lhe disse alguma coisa?
— Porque a pergunta? O quê aconteceu hoje só prova que é verdade!
—Não julgue alguém pelo passado que desconhece! Só ignorantes fazem isso!
—Porque roubou?
— Porque não me demitir e afastar uma ladra dos seus negócios?
—Já disse!
—Não sabe o quanto me irrita!
— Porque será não é?
—Não seja tão convencido. Eu já te esqueci!
—Mesmo?
—Pode apostar!

Se aproximando meu coração fica eufórico, caminhando para trás tento me afastar.
Abrindo a porta ele a fecha bruscamente e me prende contra ela.
Me encarando bem de perto, desliza uma mecha do meu cabelo por trás de minha orelha. Afastando meu rosto ele sussurra em meu ouvido.

—Olha para você! Está louca para eu te foder!

Fecho meus olhos completamente eufórica. Abrindo meus olhos volto a encará-lo e respiro fundo.
Deslizando minha mão sobre seu peito, ergo seu queixo.

—O único que está implorando aqui é você! É melhor tomar cuidado com os seus jogos! Eu era uma estrategista na máfia. Se eu quiser, posso te dilacerar!

Enlaçando minha cintura me traz para mais perto.
Sorrindo levo minhas mãos contra seu peito e o giro, insinuando um beijo o encaro, bem, de perto.

— Uhm, se eu te beijasse agora, acabaria não resistindo. E acabaria te devorando, em cima da mesa! Na cadeira, no chão, até estar satisfeita!

Deslizando minha mão sobre seu peito, cravo meus dedos sobre seus cabelos e os puxo!
Sem desviar o olhar  sussurro em seu ouvido.

—Uma pena não estar mais interessada!

O encaro com um sorriso por breves  segundos, empurro sua cabeça e abro a porta.
Assim que a porta se fecha respiro fundo.
Quase não resisti! 
Acabo sorrindo rapidamente.
Indo para o bar acendo um cigarro.

—Oi!
—Você de novo! O quê faz aqui?
—Queria te ver dançar!
—Conseguiu falar com seu pai ontem?
—Porque não falamos sobre algo mais interessante! Realmente não sabe quem eu sou?
—Deveria?
—Sou um cantor famoso!
—Que bom pra você!
—Tem namorado?
—Quantos anos tem?
—Vinte e quatro!
—Uhm, prefiro homens mais velhos!
—Não me diga que está interessada no papai!
— Não gosto de idiotas! Não deveria estar fazendo um show ou sei lá o quê!?
— Tirei um tempo pra mim!

Lorenzo se aproxima.

—O quê faz aqui?
— Porque não nos ajuda como gerente?
—O quê?
— Não preciso da ajuda dele!
—Não seja egoísta! Porque não passa um tempo com o seu filho.
—Porque não se coloca no seu lugar!
—Na verdade é uma ótima ideia papai! Afinal logo o restaurante será meu..
—Porque sempre tem que se intrometer?
—Que irritante! Porque não age como um adulto!
—Qual o seu plano? Quer seduzir pai e filho?

Surpresa me levanto e lhe dou um tapa! Segurando meu pulso, ambos nos encaramos com raiva!

—Não me admira ele te odiar. Você é desprezível!
— E você é uma ladra. A escória da sociedade!
—Ahh como você me irrita! Idiota!

Com mais raiva puxo meu braço e o encaro por mais alguns segundos.
A música começa a tocar, Andrey arhipkin.
Vou para o palco e com outro dançarino, dou tudo de mim.
Sentindo extremo ódio pelas atitudes ridículas dele.
Danço com ódio, paixão e desejo!
Assim que a música acaba todos aplaudem de pé.
Respirando fundo os encaro e agradeço.
Voltando para o bar acendo outro cigarro e converso com Josef.

—Falou com ele?
—Vou ficar no cargo se é o que está perguntando!
—O quê você fez?
— O quê?
—O que fez para ele te odiar?
— Não é algo fácil de contar a uma estranha! O quê acha de ficarmos íntimos?
—Já disse que não é o meu tipo! Mas nunca se sabe o dia de amanhã, não é?
— O quê há entre vocês dois?
—Porque pergunta?
—Ele desconfia de você! Falar daquele jeito com você, com certeza o irritou.
— Me pergunto quando? Sempre fui educada com ele. O problema do seu pai, é que ele não confia em ninguém. Desconfia de tudo e todos!

O encaro um pouco distante, Ágata se aproxima e conversa com ele.

—Está com ciúmes?
— Odeio tal palavra. Acho desnecessário, e infantil!
—No entanto.

O encarando sorrio.

—Vai tentar resolver as coisas?
—Vou tentar!
— Ótima escolha. Se me der licença, meu turno já acabou!
—Porque não vamos para outro lugar?
—Até que eu gostaria. Mas você é o gerente agora, tem ficar até fechar! Boa noite Josef.
—Boa noite Valquíria!

Ao sair acendo um cigarro, pensativa encaro as estrelas..
Lorenzo sai bruscamente respirando fundo, preocupada me aproximo!

—Você está bem?

Ele me empurra!

—Fica longe de mim! Você é igual a ela, uma vadia!

Me surpreendo!

—Qual a droga do seu problema, idiota!
—Estou farto de gente igual a você! Quer sempre tirar vantagem, se acha muito inteligente. Mas não passa de uma coitada!
— E você se acha superior aos outros, só porque tem dinheiro! Você é o único digno de pena! É um coitado..

Ele leva sua mão até seu peito e geme de dor, enlaçando seu ombro pergunto se está bem, mas ele desmaia!
Entro em desespero, senti um nó na garganta, uma dor que jamais imaginaria sentir!
Grito por ajuda!

Com dificuldade para manter os olhos abertos, percebo estar em uma ambulância!
A encaro com a cabeça baixa ao meu lado, segurando minha mão, chorando.
Fiquei surpreso, e percebi que fui cruel!

Hospital St Paul

O encaro dormindo.

—Ele está bem agora. Mas isso é normal na condição dele, e ficará pior com o tempo!
—Obrigada doutor!

Assim que ele sai, me sento ao seu lado e seguro sua mão, com aquela dor no peito de novo.
O encarava com pesar, triste.
Eu não o conhecia há muito tempo, mas já me importava. Estava apaixonada, isso era um fato!
Eu não queria que ele se fosse, não queria que ele sofresse!
Eu queria protegê-lo, e lhe dar uma chance, uma chance de viver de novo!
A vida era tão preciosa para ele.
A vida era tão inútil para mim.
Porque  eu não fiquei doente? Porque eu nunca morro?
Ah eu vou tentar de tudo para salvar você Lorenzo.
Porque eu te amo!
Mesmo sendo um idiota!

Na manhã seguinte

Acordo com a luz do sol sobre o meu rosto.
A noto dormindo ao meu lado na cadeira, ainda segurando minha mão.
Agarrei a sua, e por um instante, não quis deixá-la!
Tenho consciência do quão idiota eu fui. Mas tê-la ao meu lado não é uma opção! Mesmo que eu deseje isso.. meus dias estão contados!
Ao acordar afasto rápido minha mão e encaro o outro lado. Ela se ergue e se aproxima.

—Você está bem? Sente alguma coisa? Quer que eu chame o médico?
— Não, eu estou bem!

Respiro aliviada.

—Ainda bem! Fiquei tão preocupada. Nunca mais me assuste desse jeito idiota!
— Obrigado por me ajudar, por ficar!
— É claro que eu ficaria!

Sorrio.

— Porque ficou? Depois do modo como falei com você!
— Então você se lembra!
—Infelizmente sim!
— Porque age desse jeito? Porque sempre me insulta?
—Boa pergunta. Você me irrita!

Sorrio.

—Eu te irrito? Então temos algo em comum!

Ambos sorrimos.

—Porque roubou?

Respiro fundo.

—Quer que eu te responda sinceramente, ou minta? Já que sou uma mentirosa!
—Por favor!
—Devido a situação vou ser sincera com você! Mas o que eu falar fica aqui!
—Tudo bem!
— Eu não roubei você, foi a Maria!
—Porque mentiu?
—Ela tem muitos problemas em casa! O marido é agressivo, toma tudo dela. Ela tem um garotinho! Eu assumi sua culpa porque ela merecia! E você já tinha a sua verdade!
—Ela vai fazer de novo! Continua no mesmo ciclo..
—Na verdade não! Eu dei um jeito no marido dela, e também lhe dei algum dinheiro! Tenho alguns amigos que ainda atuam na máfia, se ele encostar nela de novo..

Acho que esse é o tipo de pessoa que ela é!

Enquanto nos encarávamos, notei meu coração doer de novo!

— Mas você já roubou antes? Porque entrou para uma máfia?
— A escolha não foi minha!
—A escolha sempre é nossa!
—Nem sempre Lorenzo!

Me sento ao seu lado.

—Quando eu era pequena, eu era feliz! Eu amava minha mãe, protegia meu irmão. Meu pai por outro lado, sempre foi.. nunca estava presente. Minha mãe era uma cientista! Eu admirava sua inteligência! Ela estava criando, algo inovador! Uma empresa privada tentou roubar sua fórmula. Papai era ganancioso, ao invés de ajudá-la, protegê-la. Ele foi em busca da fórmula. Em seus últimos segundos, mamãe nos escondeu. Eu tampei os olhos do meu irmão. E não desviei os meus! Ela estava no chão, com os olhos arregalados, em uma poça de sangue!

Meus olhos se encheram de lágrimas, respirei fundo.

— Eu fugi, para o mais longe possível. Eu protegi o meu irmão. Roubei o suficiente para alimentá-lo. Nunca roubei uma pessoa, somente comida! Mas não demorou muito, para o nosso pai nos encontrar! Eu não queria ir com ele, mas meu irmão sim! Não importava o que eu queria, com tanto que visse aquele sorriso de novo em seu rosto. Meu pai era o chefe da máfia. Acabei me deixando levar. Eu o odiava, mas ainda queria perdoá-lo. Eu cresci como membro! A mais jovem, era respeitada, temida. Mas eu odiava machucar pessoas, não me importava de machucar criminosos, mas já estava cansada daquilo! Quando meu irmão fez dezesseis, saímos de lá. Eu o protegi, o escondi. E ele se tornou um bom homem! Justo, inteligente, fiel. O oposto do meu pai. Ele se apaixonou e se casou. Eu tenho muito orgulho dele! E sei que em algum lugar, mamãe também!
—Eu não tinha ideia..
—Por isso eu lhe disse. Não pode julgar o passado de alguém que desconhece! Você foi um belo idiota!
—Me desculpe?

Sorrio rapidamente.
Pego um maço de cigarros no meu bolso e acendo um cigarro.

—Não sinta pena Lorenzo! Isso foi há muito tempo.

Lhe ofereço o cigarro, ele aceita e dá um trago.

—Então confia em mim?
—Com certeza não!
— Você mesma disse, se contasse confiaria em mim!

Ele devolve o cigarro.

—Não confio em ninguém! Você deu tal ideia. Só contei porque isso morre aqui! E porque não quero lhe causar desconforto no trabalho!
—Você me ama?
— O quê?
—O quê quer que diga ficará aqui não é?
—Porque quer saber? Já que não se importa! Não faz diferença para você?
—Talvez eu me importe!
—Vamos parar de jogos! Estou cansada, não tem mais graça Lorenzo! Você nunca vai se importar. Eu sou nova demais, infantil demais, tenho uma longa vida pela frente. E você, mesmo enxergando a vida de modo precioso, se priva de vivê-la! Não se dá uma chance. Eu não me importo que esteja morrendo! Porque mesmo não sentindo nada por mim, sentindo até mesmo um pouco de ódio. Eu vou fazer o possível para te salvar! E mesmo sentindo algo assim no meu peito, quando estiver bem, quando for feliz de novo. Eu vou embora, e vou te esquecer de uma vez! Porque isso dói, amar alguém. Que não sente o mesmo, é aterrorizante, doloroso e triste! Eu sempre me saboto, mas quando tomo uma decisão, não volto atrás! Você fez sua escolha, e me obrigou a fazer a minha! Ambos vamos arcar com isso agora! Espero que melhore logo Lorenzo! Sentir dor é uma merda!

Sem palavras ele me encara surpreso.
Me erguendo com um sorriso, beijo seu rosto e saio.

Alguns dias depois

Com Lorenzo hospitalizado, Josef e eu nos aproximamos com os cuidados no restaurante.
Que a cada dia fica mais lotado, a maioria vinha vê-lo! Mas o caixa estava cheio, então não dei importância!

—Tem certeza?
—É claro que tenho! Temos um plano, você faz sua parte e eu faço a minha!
—Sua parte me deixa preocupado!
—Quanto sentimentalismo Josef! O que suas admiradoras irão dizer?
— Que abusada! Não pode falar assim com seu chefe! Eu posso te demitir.
— Pode tentar!

Acabamos rindo.
Ao desviar o olhar o noto na entrada!
Surpresa uma felicidade toma conta de mim, e acabo sorrindo.

— Porque não me ligou eu teria te buscado?
— Não preciso da sua ajuda!
— Está melhor?
—Bem melhor Valquiria obrigado.

Meu sorriso se alarga.

—Josef pode nos dar licença!

O encaro ir, e logo volto meus olhos para ele.

—Não deveria tratá-lo assim! Ele realmente ficou preocupado..
— Quer sair comigo?

Sorrio de forma inesperada.

—Não!
—Porque?
—Perdeu sua chance!
—Sempre a uma segunda oportunidade!

Meu coração começou a doer de novo, sorrindo o encarei.

—Quer sair comigo?
— Eu..

Ágata entra e se aproximando o abraça enquanto fala com ele.
Sai rápido sem paciência, mas de repente ele agarrou meu braço e me beijou na frente de todos!
Enlaçando meu corpo, me trazendo para mais perto..
A surpresa se vai, restando somente o desejo e a saudade.
Fecho meus olhos e o beijo por um instante, um instante que eu não queria que acabasse!
Mas não havia volta, eu me tornei perigosa novamente, não poderia arriscar sua vida!
O afastando o encarei com pesar rapidamente e logo o deixei.
Na sacada do restaurante, me sento no chão e encosto sobre a parede.
Acendo um cigarro e encaro o céu azul, pensativa.
Pressionando meu ombro se senta ao meu lado, o encaro surpresa.

—Qual o problema?
—O quê faz aqui?
—Prefiro a sua companhia a dela!

Sorrindo desvio o olhar!

—Eu aceito sair hoje com você!
—O quê te vez mudar de ideia?
—Não sou do tipo que desperdiça uma segunda oportunidade!

Ao encará-lo sorrio, e logo desvio o olhar.

—Vamos para o seu escritório?
—Para quê?
—Quero que escute uma coisa!
—Que misteriosa!
—Se depois ainda quiser sair comigo, será um prazer!
—Então vamos!
—Só me prometa que vai escutar?
—Prometo!
—Promessa é divida, não se esqueça!

Apagando o cigarro seguimos até seu escritório. Assim que ele entra, fecho a porta e saio.

Surpreso encaro Josef a minha espera!

—Temos que conversar papai!
—Não tenho tempo pra bobagens!
—Você não tem escolha! Ela se foi, e a porta só será aberta depois de me ouvir!
— Você acha que isso tem graça? Eu não quero ouvir nada de alguém como você!
—CHEGA!

O encaro surpreso!

—Já me cansei disso! Tudo bem eu errei. Você está decepcionado, eu estou decepcionado! Eu não dormi com a sua namorada! Ela só estava interessada no seu dinheiro. Eu a provoquei para descobrir a verdade. O quê você pensou ter visto não foi a verdade! Eu a beijei pra provar que estava certo. Pra proteger você! Porque me importava, ainda me importo! Você é meu pai e eu morreria por você! Mas você me interpretou errado e me julgou mal! Suas palavras foram duras, sua teimosia avassaladora. Eu não queria brigar, não queria me afastar. Mas não me deu escolha, não me deixou explicar! Eu te odiei por não confiar em mim, por não me dar o benefício da dúvida! Eu nunca trairia você desse modo! Eu te respeito, admiro, eu te amo pai! Eu te perdoou, você me perdoa?

O encarei sem palavras e surpreso!
Sem perceber fui rápido até ele, e depois de muito tempo, finalmente o abracei novamente!

—É claro que eu te perdoou! Me desculpa. Senti tanto a sua falta! Eu fiquei cego de raiva, me desculpa!?
— Também senti sua falta pai!

Assim que Josef abre a porta vou a procura dela.
Mas não a encontro em lugar algum! Esperei por ela, na esperança de voltar, mas me decepcionei!

Whitechapel

Pensativo volto para casa. Ao abrir a porta me surpreendo!

Fumo admirando a bela vista, e penso no quão é perigoso estar aqui!
Ao ouvir a porta se abrir, o encaro por cima do ombro e sorrio.
Se aproximando sorrimos um para o outro e voltamos a encarar a vista.

—O quê faz aqui?
—Temos um encontro não?

Sorrio e encaro seus lábios.
De frente para mim, acaricio seu rosto.

—Porque está tremendo?
— Estou nervosa. Nunca fiz isso antes!
— Você não..
— Nunca me interessei por ninguém. Então seja gentil!

Sorrindo acaricio seu rosto e o beijo.
Enlaçando meu corpo retribuí.
Devorei aqueles lábios tão sedutores, e aquela língua quente e gostosa..
Ahhh. Sua boca me deixou completamente excitada.
Me beijando intensamente me ergue em seus braços e me leva para sua cama!
Acariciando e beijando meu corpo, agarrei os lençóis com os olhos fechados, e gemi de prazer.
Ahh...
Sua língua.. suas mãos, e seu corpo..
Ahh.. era tão quente, sedutor e gostoso!
Meu coração, meu corpo estavam eufóricos.
Ele me deixou louca de desejo.
Sua língua percorreu meu pescoço e chegou até os meus seios..
Seu beijo e suas mãos provocaram mais gemidos, e deixaram meu corpo ardente..
Ele ergueu o meu vestido e tirou a minha calcinha com o olhar sobre o meu.
Um olhar que excitava os dois.
Usando sua língua e boca, inclinei meu corpo e agarrei os lençóis..
Todo aquele prazer expurgou um gemido satisfatório que o instigou mais.
Minha boca estava aberta e meus olhos fechados.. meu corpo se contorcia já no limite..
Desejando mais..
Se inclinando com o olhar sobre mim, Lorenzo tira sua blusa..
Tal visão me instigou!
O enlacei com as minhas pernas e o girei sobre a cama.
No controle, o encarei profundamente..
Deslizei minhas mãos sobre o seu peito e tirei completamente o meu vestido.

— Também quero sentir o seu gosto!

Abrindo o seu zíper, tomada pelo desejo usei minha boca.
Seus gemidos me instigaram e me deixaram mais excitada.
Com suas mãos sobre os meus cabelos, seu corpo se contorceu e finalmente chegou ao limite.
Pressionando meu queixo trás minha boca até a sua, e a invade com sua língua..
Me girando sobre a cama, finalmente nos tornamos um..
Ahh que gostoso!
Seu corpo tão quente e forte contra o meu..


Como se fosse a primeira e última vez, provei cada parte do seu corpo.
Enlouquecemos juntos, e não desperdiçamos sequer um segundo.
A luxúria nos corrompeu, o desejo e a paixão nos prendeu naquele instante.
Não houve pudor ou vergonha.
Apenas dois corpos ardentes..
Que enlouqueceram juntos..
E se entregaram completamente um ao outro...


Acariciando meus cabelos e rosto com um sorriso, me beija suavemente.
Abraçados com a respiração ofegante, deslizei meus dedos sobre o seu peito.

—Você está bem?
— Você está Lorenzo?
— O quê foi?
— Só estou pensando. Talvez tenha sido um erro!
— Algo tão bom, não poderia ter sido um erro!

Meu coração começou a doer de novo! O encarei com pesar.

— Eu tenho muitos segredos Lorenzo! Seria um erro continuar próximo a mim!
— Mas a escolha é minha! Eu demorei mas percebi, que me importo com você!
— E se for apenas desejo? Logo vai se cansar de mim!
— É mais do que desejo! Mas você parece arrependida!

Sorrio rapidamente e acaricio o seu rosto.

— Não estou nem um pouco arrependida Lorenzo! Pelo contrário! Mas agora as coisas mudaram! Agora sou eu quem vai te afastar! Mesmo te desejando completamente!

Minha intuição me alerta e percebo uma movimentação suspeita no prédio em frente!
Me levanto rápido e coloco meu vestido preto.
Puxando o lençol para cima eu corro!

Enquanto o lençol caia lentamente, a vi correndo em direção a parede de vidro!
Ao mesmo tempo que um homem arromba a porta e corre atrás dela!
Pulando contra o vidro se vira e o encara, ele pula atrás dela!
Surpreso corro e os encaro do alto!

Caindo de costas dou um giro e caio de pé, assim como ele.
Nos erguendo nos encaramos com um sorriso.

—Pitter! Tem certeza que vai querer brigar comigo? Vai acabar morto!
— Vai ser divertido!
— Com certeza vai!
— Como nos velhos tempos!

Corremos um em direção ao outro!
Nos aproximando dou uma cambalhota e continuo a correr, se virando corre atrás de mim.
Apoiando um pé contra a parede dou impulso e lhe acerto um soco!
Girando meu corpo tento acertar seu rosto com um chute, se abaixando desvia, com uma rasteira me derruba.
Tentando um soco giro e me ergo. Caminhamos para lados opostos e nos encaramos com um sorriso.
Indo para cima um do outro ambos acertamos um soco.
Chutando seu estômago agarra minha perna se vira e acerta seu cotovelo contra meu rosto.
Indo para trás, limpo o sangue em meu nariz enquanto o encaro.
Com um golpe giratório, acerto seu rosto e o derrubo com uma rasteira.
Se levantando rápido enlaça minha cintura e acerta minha costela algumas vezes.
Acerto meu cotovelo contra suas costas e nos afastamos.
Pressionando minha costela respiramos fundo.
Correndo piso contra seu joelho e subo contra suas costas. Pressionando seu pescoço nos derrubo e o sufoco até ficar inconsciente.
O virando para o lado, fecho meus olhos e respiro fundo!
Virando meu rosto o noto me encarando!
Me levantando o encaro também.

—Matou ele?
— Não, somos amigos!
— Amigos?

O encaro inconsciente.

—Como pulou de uma altura dessas? Como pode estar viva?
— Eu disse Lorenzo, tenho muitos segredos! Talvez agora entenda.
—O quê você é?
— Não sou a mesma garota que conheceu! Sinto muito!

Erguendo Pitter em meu ombro, vou embora sem dizer mais nada!

Dias depois

Já faz um tempo que ela não aparece!
Josef me disse que ela se demitiu no dia em que voltei do hospital.
Sinceramente fiquei irritado com isso, com ela!
O quê ela é?
Quem ela é?
E porque foi embora?
Justo agora que me importo! Ahh, deixar isso pra lá está começando a me irritar!
Ela é tão estúpida quanto eu!
Mas já que invertemos os papéis, acho que já é hora.. de insistir e não desistir.

Est end

Pensativa tomo um copo de uísque na cozinha..
Ao ouvir um barulho vou rápido para o quarto!

Subindo pela sua sacada, quebro o vidro e entro em seu quarto!
Se aproximando agarro seu braço e a empurro contra a cama!
Prendo seus pulsos e tomo o controle!
Agora ela é toda minha!

—Lorenzo! O quê está..
— Porque foi embora?
— Depois do que aconteceu não está bravo? Pensei que não quisesse me ver!
— Talvez isso responda a sua pergunta!

Sua língua invade a minha boca, e ele devora os meus lábios..
Ahh.. que golpe baixo! Mas irresistível!
Deslizando sua mão sobre o meu corpo, faz amor comigo!
Sua boca degusta cada parte do meu corpo.
Sua língua e sua boca..
Ahh..
Suas mãos me tocam..
Seus braços fortes me enlaçam..
Sua pele arrepia a minha e a instiga.
E o amiguinho lá embaixo me devora completamente sedento..
Ahhh.. meu Deus! Como resistir a esse corpo?
Tão gostoso..
É impossível.. meu corpo o quer cada vez mais.
Ceder é tudo o que eu posso fazer. Me entregar completamente, e desfrutar desse belo corpo....



Se afastando do meu abraço, meu corpo sentiu falta do seu calor e suor.
Ela se sentou e acendeu um cigarro.

—Porque se demitiu?
—Voltei para a máfia!
—O quê! Porque?
— Tenho que roubar algo deles! Não posso deixar que percebam então voltei para conseguir a confiança deles de novo!
— Está agindo de modo infantil! O quê quer roubar deles?
— Ah odeio quando diz que sou uma criança!

Me levantando coloco minhas roupas, se erguendo faz o mesmo.

—Então pare de agir como uma!
—Porque não para de me julgar, sem saber o que estou fazendo!
—Então porque não me diz?
—Ainda não posso! Se eles te pegarem, se desconfiarem que você sabe sobre isso. Irão te matar imediatamente!
—Deveria ter um pouco mais de fé em mim! Porque não para de jogos.
—Não é um jogo Lorenzo! É a minha vida, é quem eu realmente sou! Uma criminosa!
—Não acredito em você! Você não é uma má pessoa!
—Você não me conhece!
— E nem você!

Ouvindo um barulho levo meu rosto para a direção da sala.
Percebendo que alguém está tentando entrar, saímos rápido pela sacada!
Andando rápido somos cercados no estacionamento!
Os encaro por todos os lados!

— Antônio! Que brincadeira de mal gosto!
— Não é uma brincadeira querida! Não deveria ter destruído a minha fábrica!
— Suas drogas eram uma porcaria, deveria me agradecer!

Um deles atinge minha nuca com um taco!
Caindo ele prende meus pulsos com uma algema.
Encaro Lorenzo que está imobilizado por um dos seus capangas.
Volto a encarar Antônio, e me ergo.

—Vai resolver da forma antiga?
— Com certeza vou!
—Ótimo, então vamos logo!
—Alguém parece empolgada com os velhos tempos! Achei que odiasse isso!
— Não tanto quanto fiz parecer! Se puder deixar esse cara aqui eu agradeço! Eu o conheci em um bar, e dei o azar de cruzar com ele novamente! Homens são tão grudentos, não concorda?
—Não. Acho que ele vai junto!

O encaro com desdém  em um movimento rápido chuto o homem que segura seus braços.

—Foge!

Lorenzo não se moveu! Isso provocou minha estranheza.
Percebi algo em seus olhos, algo que não estava ali antes!
Seu olhar era assustador!
Sua raiva expressiva.
Por um instante senti medo!
Toda aquela intimidação apenas com um olhar!
De fato eu não o conhecia! Quem é esse homem?
Em um movimento rápido ele acerta um soco contra um dos homens a sua frente!
E incrivelmente rápido quebra seu pescoço!
Imediatamente ele enlaça a cintura do segundo o ergue e o empurra para trás. Com uma incrível brutalidade, o fazendo  quebrar o pescoço.
Se erguendo ele me encara por cima do ombro!
Completamente surpresa, não tive reação alguma!
De repente um dos homens saca sua arma!

—Cuidado!

Corro e pulo em sua frente, o tiro pega meu ombro e me faz cair!
Se abaixando tenta ver se estou bem.
O homem aponta a arma para ele, mas não consegue atirar!
Seu olhar era tão frio e aterrorizante, que o paralisou!
Se erguendo ele toma sua arma e lhe dá um soco após o outro, até seu rosto virar uma massa de carne e sangue!
Em um movimento rápido ele vai para cima dos outros, matando um a um!
Ele parecia um psicopata, havia sangue sobre seu rosto, e enquanto ele os matava, sorria!
Alguns deles conseguem o machucar.
Com raiva me ergo e quebro as algemas!
Me juntando a ele!
Destroçamos cada um deles, sem piedade, com ódio.
Ódio por terem se atrevido, a nos ferir!
Com sangue sobre nossos rostos e feridos, respiramos fundo e nos encaramos.
Sem pensar nos aproximamos e nos beijamos intensamente.
Finalmente enxergávamos um ao outro, de verdade!
O nosso verdadeiro eu, estava diante um do outro!

Centro de Londres Cafeteria

Sentados um em frente ao outro, nos encaramos em silêncio!
Acendendo um cigarro, encaro a garçonete servir o café.
Assim que ela se afasta, volto meus olhos curiosos para ele!

—Quem é você?
—Qual seu plano Valquíria?
— Primeiro você!
— Quando eu era jovem, eu gostava de reabilitar outros jovens! Membros de gangues, ou valentões. Eu dava uma surra neles, e os ameaçava! Eles sentiam tanto medo, que acabavam voltando para o caminho certo! Me tornando adulto, com o tempo. Acabei pegando mais pesado, indo atrás de animais!
—Era um assassino?
—Como me enxerga agora?
— Posso dizer que você é alguém bem interessante! Eu jamais imaginaria isso! Comecei mais cedo, mas já fui como você!
—Sua vez! Há quanto tempo voltou?
— Desde que saí do hospital!
— Porque?
— Por você! Eu resolvi o problema no restaurante. Consertei o drama com seu filho. E mais uma vez na máfia, iria roubar algo valioso para lhe dar! E assim que conseguisse desapareceria! Josef está ciente, eu pedi sua ajuda!
— O quê vai roubar?
— Minha mãe era uma cientista. Ela conseguiu criar algo, que não deveria! Uma fórmula, capaz de.. sem ninguém saber, ela fazia os testes comigo! Na teoria tal fórmula, curaria qualquer doença grave, ou destrutiva! Retardaria o envelhecimento. Tornaria o hospedeiro mais forte, mais resistível a qualquer, agressão! Uma versão melhorada dos humanos ela dizia!
— Por isso não morreu com a queda?
— Existe apenas uma amostra! Meu pai o guarda em seu cofre! Talvez pela culpa, ele não a vendeu!
— Porque usar em mim?
— A vida é preciosa para você Lorenzo! Eu queria te dar uma chance. Não queria te perder!
— Disse que ela fez os testes em você!
— Eu odiava viver! Só prolonguei por conta do meu irmão! Eu tentei, algumas vezes! E mesmo na máfia, não importava.. o quanto eu me machucasse, quantos tiros eu levasse. Eu nunca morria! Uma suicida incapaz de morrer, que deprimente! Meus órgãos vitais nunca eram atingidos, um milagre todos diziam!
—Me admira seu pai não ter percebido!
—Ele é tão esperto quanto ela era!
—Seu irmão sabe?
— Ninguém sabe. Além de você é claro!
—Eu vou te ajudar!
—Não!
— Porque?
— Tenho que falar com o papai sozinha! Já que mudamos nossos caminhos, tenho que seguir um novo plano! A partir de agora, seguiremos um novo caminho!



Quarto Capítulo Nós criamos nosso próprio Destino.


Pensativo no passado, encaro seu retrato sobre minha mesa...
Quando de repente uma lâmina é pressionada sobre meu pescoço!

—Finalmente voltou para casa filha!
—Oi pai!

Com um sorriso o encaro.

—Porque a faca?
—Talvez eu lhe mate!
—Não fez antes, porque faria agora?
—Tenho meus motivos!
—Tomará meu trono?
—Não é o seu trono que me interessa!
—Porque não se senta? Já faz muito tempo!

Afastando a lâmina caminho até a lareira a sua frente, de costas para ele encaro o fogo.

—Ah que devo a honra? Finalmente voltou para casa?
—Nunca foi minha casa!

O encaro.

—Porque insiste em manda-los me capturar? Sabe que é uma perda de tempo!
—Você é mais parecida comigo do que imagina!
—Discordo plenamente papai! Tem visto o Gabriel?

Lhe pergunto já me sentando a poltrona.

—Apenas de longe! E você?
—Eu não vou voltar!
—Tem certeza?
—Absoluta! Essa vida não me interessa mais! E por tudo o que eu já fiz por você, e por essa máfia. Desta vez dará minha liberdade!
—Ninguém sai!
—Eu não sou ninguém! Sei que tem medo que eu tome o seu precioso trono! Séria mais vantajoso me deixar fazer o que eu quero!
—Pois bem. Irá me expor de alguma forma?
—Se me deixar em paz e não cruzar o meu caminho, não!
—Porque realmente está aqui?
—Vim lhe roubar o que é mais precioso!
—Não é tão imprudente a esse ponto. Acabaria me obrigando..
—A me matar? Sabe, eu nunca entendi, porque a matar, e não vender a fórmula?!
—Porque eu a amava! É tudo o que restou dela!
—Preza mais um líquido do que seus próprios filhos!
—Todos cometemos erros, é o que nos torna humanos!
—Seus erros te tornam um monstro! Mas o papo já está longo! Vai me dar a amostra?
—Não!
—Nesse caso terei que te matar!
—Talvez eu te mate primeiro!
—Estou pedindo a sua ajuda! É para alguém que amo, ele está morrendo!
—Se apaixonou por alguém, logo você?
—Reviravoltas da vida, vai entender! Eu vou levar a fórmula de um jeito ou de outro! Mas estou te dando uma oportunidade de se redimir!

Sacando a arma aponto para ele!

—Não consigo enxergar como!
—Você matou a mulher que amava pela fórmula! Eu estou tentando salvar o homem que eu amo, com a fórmula! Redenção!
—A resposta ainda é não!

Respiro fundo e o encaro pensativa..

—Vai obrigar a sua própria filha a te matar? Não acha que já tenho traumas o suficiente?
—Sua escolha!
—Sua escolha me obriga a fazer a minha! Não sei se sinto raiva, ou pena! Gabriel é a cópia dela! Mas se mantém preso, com uma seringa! Você realmente deve ter ficado louco!
—Eu amo os meus filhos!
—Mas nunca esteve ao lado deles! Você nos abandonou imbecil! Tem a oportunidade de mudar isso, mas se mantém apegado!
—Seu irmão é a cópia dela, e você a minha!
—Infelizmente é verdade. Percebi isso há algum tempo! Ainda dá tempo de mudar as coisas papai! A escolha é toda sua! Nos ter de volta, ou morrer! O que vai ser?
—Já aprendeu a amar a vida?
— Ela anda diferente ultimamente, mais colorida. Todo aquele cinza foi embora!

Sorrio rapidamente surpreso.  A observo discretamente. Não havia percebido quanta saudade carregava.
Me senti feliz por ela, por finalmente conseguir enxergar o amor!

Me aproximando aponto a arma para sua cabeça!

—Adeus papai!

Horas depois

Após uma ligação do Josef corro para o hospital!

Hospital St Paul

Avistando Josef me aproximo, e ambos o encaramos através da janela na porta.

—Como ele está?
—Nada bem! Eles o sedaram por conta da dor!
—Eu consegui Josef, vai ficar tudo bem!
—Como conseguiu tão rápido? Você disse que..
—Só mudei os planos!

Assim que o doutor sai, entro sozinha e seguro sua mão.

—Oi Lorenzo! Não se preocupa eu estou aqui!

Soltando sua mão pego a seringa com um líquido roxo e levo até seu peito, igual adrenalina!
Em alguns segundos ele começa a ter convulsões e os monitores disparam!
Os médicos entram e tentam entender qual o seu problema!
Me obrigando a sair, seguro a mão de Josef sem desviar os olhos dele!
Ambos com medo e esperança.
Seus batimentos começam a cair e.. eles atingem seu peito para reanima-lo de novo e de novo..
Mas nada..
Eles desistem!
Encaramos aquilo tomados pelo medo, e culpa.. mas ainda assim, mantínhamos a fé!
Como um sopro de vida, seu peito estufa e seus batimentos voltam!
Estável, Josef e eu nos abraçamos, e voltamos a encara-lo com um sorriso..

Meses depois  Notting Hill  Casa cruz

Preparando o prato principal, Lorenzo me abraça por trás e beija meu pescoço.

—Ah seu perfume me fascina!
—Só o meu perfume?

Ambos sorrimos, me virando o abraço e o beijo.

—Mas que tentação!

O encaro de baixo para cima, e repouso meu olhar sobre os seus lábios.

—A intenção era essa, te deixar louca para mais tarde!
—Não me mime, acabarei abusando de você!
—Você sempre abusa!

Ambos sorrimos.

—A casa está lotada?
—Está sim!
—Já acabei aqui, vou servir as mesas então!
—Ou, podemos ir para o escritório!
—Como sócia, minha obrigação é fazer de tudo um pouco!
—Prefere servir mesas, do que desfrutar do prazer comigo?
—No momento sim querido! Mas não se preocupe. Terá o resto da noite, até o amanhecer..

Inclinando meu rosto sussurro em seu ouvido.

—Para desfrutar de todo o meu prazer!

Afastando meu rosto o encaro profundamente.

—Está me tentando a morder a maçã?
—Sempre querido!

Ambos sorrimos.

—Talvez não seja uma má ideia, te foder a noite toda!
—Nunca é! Mas que linguajar é esse?
—Aprendi com a melhor!

Nos beijando, me afasto rápido antes que não resista!
Pegando uma bandeja vou em direção as mesas, Josef se aproxima.

—Gracinha, já terminou lá atrás?
—Com certeza sim! Já não era para estar no palco?
—Ainda faltam alguns minutos!
—Uhm.

O noto encarando uma garota em uma das mesas.

—Vai falar com ela?
—Já falei!
—Ela é bem bonita!
—E inteligente! Acho que fui fisgado!
—Que merda!
—Desta vez não!
—Já que é assim, não perca a oportunidade! Dê o seu melhor! Não se faça de difícil igual ao seu pai!
—Já estou fazendo isso!
—Ótimo, agora vá para o palco! E não desvie o olhar dos dela! Finja que a música é para ela!
— Bom conselho! Obrigado.
—Não por isso!

Se afastando, percebo Gabriel em uma das mesas, surpresa vou até ele.

—Gabriel! Porque não me avisou que vinha?
—Era uma surpresa!
—Oi pai!
—Quanto tempo Valquiria!
—Encontro em família?
—Estamos tentando recuperar o tempo perdido!

Sorrio rapidamente.

—Fico feliz por você papai! Vou trazer o prato principal, sinta-se a vontade!
—Valquiria!
—Sim irmão?
—O quê acha de nos encontrar na minha casa, amanhã? Nós três!
—Eu não perderia isso por nada!

Ambos sorrimos..

—Só não poderei ir na parte da manhã! Já tenho compromisso com o Lorenzo! Mas estou livre na parte da tarde.
—Ótimo! A tarde então.
—Com licença!

Me afasto com um sorriso.
Peço para outro garçom lhes servir e vou de encontro ao Lorenzo perto do bar.
Me abraçando admiramos Josef cantando uma bela canção de amor!
Com um sorriso nos encaramos e nos beijamos.

E esse é o fim da nossa história! Pelo menos por hora..


                           Fim.






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