Capítulo 32
Sinto braços ao meu redor, como se estivesse em um sonho adormecido, onde devaneios se misturam com a realidade, trazendo uma sombria nostalgia ao meu coração.
Sou envolvida e apertada prontamente, como se alguém quisesse me segurar até não sair mais. Sinto o cheiro amadeirado que tanto amo, trazendo-me lembranças picantes de horas atrás.
Sem perceber o prazer volta ao meu corpo trazendo uma chama elétrica, misturado ao desejo desenfreado da minha tentação, Mark Ortega.
— Fico feliz que tenha acordado, assim poderemos terminar o que tínhamos começado. — Ele sussurra em meu ouvido, apertando-me mais ainda contra si, como se já não fosse o suficiente.
— Pensei que tínhamos terminado — soei confiante, transmitindo um tom sexy e açucarado.
Ele virou-me de frente para si, pois minha costa estava apoiada em seu peito.
Sinto a pressão no meu peito subir ao encarar o seu olhar dourado, como um beijo do sol ao amanhecer. Sinto agora a firme e real constatação da sua beleza, com sua pele levemente amarronzada, evidenciando a sua descendência negra e caucasiana, comprovando o contraste entre o tom dos seus olhos e pele. Emerjo um enorme prazer em dizer: esse homem é perfeito para mim, como um Tarzan da selva africana. — É sério, até em um momento como esse você tem a perspicácia em incluir alguma princesa da Disney em sua observação? — Sinto o desespero da minha mente ao falar, mas não tenho tempo de contestar, pois logo sou envolvida em um beijo quente e prazeroso. Transbordando o meu coração de alegria e paixão.
— Você é incrível, dessa vez quero que fiquemos juntos de verdade — pronunciou assim que o beijo cessou.
— Como assim de verdade? — perguntei não entendendo esse comentário, porque nunca ficamos juntos.
— É modo de dizer, então, quer ter um relacionamento sério comigo? — Frisou a palavra sério em sua observação como se estivesse realmente convicto de suas palavras.
Como assim? E todas a vezes que ouvi no trabalho que você era um cafajeste sem coração, que eu saiba homens safados não propõem compromisso na primeira vez, estou certa? Será que fantasiei novamente, ou fui terrivelmente enganada pelas pessoas do trabalho?
Ele não me deu tempo de responder, pois me atacou novamente, logo, encontro-me imergida em seus braços assim como Ariel recorre à profundeza do oceano como sinal de alento e aconchego.
— Antes de aceitar namorar com você, tenho algo a dizer. — Um suspiro baixo saiu de meus lábios.
Realmente não esperava um pedido de compromisso na nossa primeira vez juntos, é totalmente estranho, dado ao fato que seus funcionários fizeram questão de dizer que Mark é um homem que se abstém de qualquer compromisso. Tenho que grifar isso em minha mente, pois até o momento não consigo acreditar. O será que aconteceu para isso mudar? A minha presença tenho a pura certeza que não foi, pois quando o conheci ele já era assim. Sinceramente preciso me atualizar sobre os acontecimentos particulares da vida de Mark Ortega.
Bom, preciso assustá-lo de qualquer forma, não é como se eu não o quisesse, pelo contrário, sinto que a nossa história é mais profunda do que aparenta, e isso me confunde. É como se nada que eu estivesse vivendo fosse para acontecer realmente, não sei ao certo, mas aquela lembrança mexeu de certa forma com a minha confiança. Poxa, quem é doida o suficiente para ter 12 relacionamentos, e todos fracassados. Não é de se enganar o motivo da minha pessoa acordar em um hospital, e acima de tudo sozinha. Sendo assim, tenho 32 anos, nessa idade as mulheres não brincam com a pessoa errada, creio, até porque, pretendo ter um casamento estável, por isso preciso da pessoa certa na minha vida. — Você é realmente, uma idiota. Nem quero saber a loucura que você está prestes a cometer. — Ouço alguém exasperar em desespero, mas não dou ouvidos, porque posso assim dizer, sou uma pessoa muito certa do juízo e as atitudes que tomo são comprovadas cientificamente, na visão dos romancistas de plantão.
— Sou todo, ouvidos. — Ele acomodou-se no colchão, sentando-se em linha reta e apoiando a cabeça na cabeceira da cama, enquanto estou ao seu lado encolhida no seu aperto, os dois devidamente cobertos.
— Irei dizer alguns defeitos meus, que de certa forma atrapalham todos os meus relacionamentos anteriores, e com isso você tirará as suas conclusões sobre nós. — Não sei o motivo, mas desde a última lembrança, consigo recordar todos os meus envolvimentos amorosos anteriores, algo a ser estudado, porque foram bastantes. — Sou grudenta ao extremo, não consigo dormir sem um... boa noite e eu te amo, preciso conversar todos os dias com meu parceiro — apertei levemente o seu queixo, enquanto estes me encarava seriamente —, não me ignore, sou mais importante do que seu trabalho, sou chata, detesto bagunça, você não pode tirar uma meia do lugar, não dê ibope as outras mulheres se não quiser briga, não gosto de sugestões, choro em qualquer discussão sendo acrescido por dramas históricos. Por último, como em breve terei a menopausa vou começar a ser bipolar para você se acostumar e não correr depois. — Dei um sorriso sugestivo, e quando ele foi começar a falar, o cortei. — Espera, também reclamo de tudo que está ao meu redor, inclusive você. Detesto sogras, então, é melhor tomar cuidado, é só uma dica, não quero te assustar. — Tentei manter o controle a qualquer sinal de riso da minha parte, ao olhar seu rosto assustado. Coitado, está pensando que estou brincando, aguarde para ver. — A única coisa que esqueço são datas de aniversários, mas você não ouse esquecer as minhas datas comemorativas, além disso, recordo das coisas facilmente, isto é, devolva o dinheiro que paguei naquele jantar ao qual você me deu bolo. — Dei um suspiro colocando a minha palma da mão em sua frente. — Ainda tem mais, segundo a uma revista feminina, sou uma consumista de amores, pois não tenho nenhum problema em esquecer um homem em um dia e trocá-lo por outro. Então... ainda vai querer namorar comigo? — Dei um sorriso singelo, fazendo pequenos círculos pelo seu peito, enquanto este aparenta a perda temporária da fala. Claro que não tenho todas as características que descrevi, mas não custa assustar, não?
Não sei vocês, mas acho que exagerei um pouco. Coitado do homem, perdeu a fala. Se realmente ele acreditar nessa maluquice, comprovará a sua idiotice.
— Você é assim mesmo? — Após alguns minutos, ouvi o som de sua voz calma, trazendo em mim um suposto alívio, levando em conta que, ele ainda não correu, então, deve estar realmente interessado.
Tentei não rir diante a sua pergunta, porém, creio eu que em pouco tempo serei denunciada.
— Não, só quando estou em um relacionamento sério, nas outras áreas sou tranquila. — Disse a verdade, o meu problema sempre foram conjugais, pelo menos, os que consigo me lembrar.
Sério, ainda não consigo acreditar nas palavras: doze relacionamentos. E em breve serão treze, já que estou fazendo o possível para estragar um possível comprometimento.
— Então, não consigo entender o motivo de você está solteira até hoje. — Seu tom soou irônico, mesmo assim, tentei manter a cordialidade.
— Não se sinta mal, quero apenas que você compreenda os pontos, até porque, não sou mais uma menininha, por isso não tenho tempo para perder em relacionamentos. — Não sei ao certo, mas não me recordo em ter sido tão sincera assim com alguém antes, é como se não fosse... eu.
— Você é boa em assustar os homens, tenho que admitir, mas não sou uma pessoa que desiste fácil. — Deu uma reviravolta colocando-se em cima de mim, com suas mãos apoiadas no colchão e seu rosto próximo ao meu.
— Mark, não estou brincando. — Tentei ser clara mais uma vez.
Nem consigo acreditar, estou quase sem palavras. Rosa Vermelha, você é uma ótima atriz, qualquer homem sairia correndo com uma confissão dessas. — Mais precisamente, qualquer um sairia correndo ao concluir que você é uma louca de pedra.
— Também não estou. Estou disposto Rosa, e você? — Soltou já com sua respiração próximo a minha boca.
Meus olhos o encaravam sem entender. Será que ele não percebe o que estou realmente tentando fazer? É como uma ferida no meu peito que estou tentando cicatrizar. Não sei se realmente consigo me entender, mas desde que recordei que tive doze relacionamentos frustrados uma ferida se abriu em meu peito. Ainda para piorar, descobri que a pivô do fracasso da maioria deles foi a minha irmã, pois se ela não tivesse roubado de mim o homem pelo qual me apaixonei, certamente não teria tido tantas frustrações. Em observação, constatei que devo ter sido uma pessoa bem insegura e sem nenhum amor-próprio para ter chegado a esse ponto. Como não pude perceber que não preciso de alguém para me completar, eu mesma tenho que me tornar a outra metade da laranja. Relacionamentos são para duas pessoas inteiras e felizes consigo mesmo se unir para tornar-se companheiros, não é complemento, é união. Um estando com o outro, um apoiando o outro. Será que foi tão difícil para mim entender isso? Será que realmente consigo colocar essas teorias em prática?
Suspirei em indecisão, imaginando quais são as alternativas que terei de avaliar. Ele não é o príncipe dos meus sonhos, mas também não é um homem para se jogar fora. — Aceite logo, é isso que você quer, apenas não pague de louca, como daquela vez que você pegou seu quarto namorado com outra e mandou uma pessoa pichar a casa do cara em letras ressaltadas, escrito: Aqui temos um cara que precisa aprender a agradar as mulheres... — Bom, ainda bem que tinha a chave da casa dele, senão seu carro que pagaria o preço, sendo completamente amassado.
Lembrei, não acredito. Questões amorosas se tornaram tão primordial na minha vida que estão me fazendo recobrar a memória, mas não deveria ser assim... Rosa, que tipo de pessoa você era?
— Eu... — Tentei pronunciar alguma coisa, mas de repente minha mente ficou vazia.
— Aguardo até o final da viagem — falando isso, ele saiu de cima de mim e seguiu para o banheiro.
Enquanto encontro-me, em completa confusão enrolada nos lençóis, como se eles fossem me proteger de alguma coisa.
— Espera, conte novamente sua doida — Nora falou histérica do outro lado da linha.
Após aquele incidente com Mark, ele saiu para jantar com alguns investidores, tendo em vista que, perdeu o almoço com outros empresários, mais cedo. Por esse motivo, neste momento encontro-me contando cada detalhe da história para Nora, pois preferi não acompanhar Mark.
— Exatamente, inventei vários defeitos da minha parte para Mark, uma vez que, preciso ter a certeza do interesse dele por mim — murmurei.
— Rosa, ele provou quando foi buscar você no parque a levando-a para a casa dele?
— Não, ali mostrava o seu interesse em me levar para cama, e isso já conseguiu. O ponto agora é, preciso que ele sinta desejo em estar comigo, como se fosse uma parte do corpo dele. Lembra da Bela e a Fera? Hoje sou a Fera e ele terá que provar o seu amor por mim — pronunciei com uma vontade até pouco tempo adormecida.
— Traduzindo. — Sua voz soou em um tom brincalhão.
— É simples, ele terá que encontrar meu coração, não apenas o meu corpo, entendeu? — Tentei ser clara.
— O seu objetivo é criar nele o desejo em te conhecer?
— Não apenas isso, quero que ele anseie por mim, não quero torná-lo especial, como ocorreu nas outras doze vezes, isso dará a ele pretensão de me largar. — Funguei, tendo essas memórias dolorosas novamente.
Poxa, já fui largada doze vezes e nunca dei um fora em alguém? Isso deveria não existir, uma dama não tem tanta decepção assim. Queria poder dispensar Mark, só para ter esse gostinho que todo mundo na face da terra já sentiu, mas ele... já faz parte de mim, por isso não posso perdê-lo, preciso fisgá-lo e essa é a única forma. — Doida, até agora não entendi o seu plano.
— Doze? Depois fala que sou eu que tenho uma fornalha na bunda. Espere, você lembrou, de tudo? — Sua voz pareceu estranhamente temerosa.
Estranhei o fato de Nora mudar o tom da voz, pois ela deveria estar feliz, não assustada.
— O que Nora, por que parece estar assustada? Deveria ter outra reação.
— Desculpa Rosa, mas realmente não esperava. Já se passaram tantos meses que imaginei que isso nunca aconteceria. Então, me conta o que você lembrou?
Suspirei entendendo a sua preocupação, realmente, pensei que seria tarde para mim.
— Não foram muitas coisas, apenas os relacionamentos, ao qual só lembro as histórias de alguns deles. E sobre a minha irmã... parece que tínhamos intrigas causadas pela minha mãe. Efetivamente, foi bom não ter procurado a minha família, parece que não tive um lar estruturado. — Minhas palavras soaram tristes.
— Ei! Eu e Alda somos a sua família, disso você pode ter certeza. Não esqueça, sempre estaremos aqui por você. Agora vamos esquecer esse assunto melancólico e focar na sua vida atual.
Sorrir. — Nora de fato tinha problemas em demonstrar tristezas, para ela a vida é curta e não se deve viver a maior parte dela se lamentando por algo que é real e já aconteceu, não podemos mudar o passado, já o futuro é outro termo.
— Resumindo, deixarei os dias de Mark inesquecíveis, tornando assim, a minha passada ou estadia pela vida dele memorável. Ele terá que ficar de quatro por mim, custe o que custar. — Sorri convicta ao mudar de assunto. Mark Ortega Mitt, verá a minha marca de sedução.
— Rosa, você está me deixando com medo, se lembra quando você tentou seduzir o vizinho? Terminou com um lado do rosto roxo, ainda mais agora que você acrescentará a esse plano uma porção de desastre em não o tornar especial, como você diz. — Nora soou estranhamente temerosa.
— Não vou ignorá-lo, até porque, não quero espantá-lo, apenas darei um pequeno toque de Rosa Vermelha na vida dele — Meu riso se tornou estonteante.
— Esse é o problema. Quando você inventa essas ideias mirabolantes, terminam em desastres, espero que aconteça algo que chame mais atenção nessa sua vida tediosa do que esse plano absurdo. — Jogou praga.
— Pare Nora, você tem que ser uma boa amiga e me apoiar. — Ouço o som da porta batendo indicando a sua chegada. — Preciso ir, me deseje boa sorte... — Ao sorrir animada encerrei a ligação.
Dei pequenos pulinhos em comemoração pela minha sacada, algumas horas antes aproveitei a saída de Mark, fui ao meu quarto e peguei uma lingerie sexy que as meninas tinham colocado em minha mala. Supostamente, isso deve ter sido ideia de Nora, provando o seu interesse em ser a minha casamenteira. Com essa deixa, agora estou devidamente sexy para atrair qualquer homem. Meus cabelos castanho-escuros estão devidamente arrumados com cachos volumosos, meu corpo está completamente aderido a lingerie dourada, trazendo uma perfeita harmonia com minha pele pálida. Bom, sou uma mulher que não possui curvas exuberantes, mas nem por isso sou feia como uma mocreia, sou linda do jeito que estou e isso já me deixa bastante confiante.
Passei um batom vermelho paixão, e me encarei no espelho constando que estou pronta para a ação.
Caminho lentamente até Mark, ele está sentado na cama vidrado em seu notebook. Aproveito a oportunidade e subo sorrateiramente na cama, ficando atrás de si, não percebendo a webcam ligada e um moço na tela me encarando, enquanto Mark mira-me assustado não entendo a minha aparição repentina, ainda mais em um traje extremamente sensual. No mesmo instante Mark abaixa a tela do notebook e impossibilita a visão da pessoa que estava bem interessada no meu corpo.
— Rosa, o que você está tentando fazer? — Perguntou me examinando enquanto tentava cobrir o meu corpo com algum lençol da cama.
— Te seduzir — pronunciei sincera e sem graça, surpreendendo a mim mesma pela transparência.
— Parabéns, acaba de enfeitiçar o meu primo. — Sorriu me dando um selinho.
— Sou uma tola. — Soltei me jogando na cama, em completo lamento pelo meu azar e falta de atenção iminente.
— Não posso discordar — disse ao passar a mão pelo meu rosto acariciando.
— Chato. — Bati em sua mão, emburrada.
Sou prensada de repente na cama, tendo o em cima de mim me beijando afoitamente, como se precisasse desesperadamente disso. Corresponde imediatamente ainda sem entender.
— Esse seu jeito me deixa maluco — falou ao finalizar o beijo, deixando-me ainda mais confusa.
O seu celular toca, interrompendo o sono diálogo momentaneamente.
— Essa imagem foi Rosa sendo Rosa, depois falo com você. — Atendeu a chamada e disse, enquanto um olhar repreendedor era dirigido em minha direção. Dei um sorriso sem graça.
— Qual é o seu problema? Tentei ser sensual e você nem aí. — Me abati, que homem confuso.
— Não estou procurando uma mulher sexy, me encantei pelo seu jeito, não preciso de nada mais que isso. Desde que te vi naquele shopping senti que você seria diferente, e provou isso. — Me beijou novamente, em uma demonstração de afeto sensual e apaixonado.
— Shopping? — O encarrei em dúvida, mas este apenas se levantou, não respondendo me ignorando por completo. — Hei! volte aqui e me explica essa história direito. Não lembro de nenhum shopping. — O segui até o banheiro, enquanto este se despia prontamente na minha frente. — Estou aqui se não percebeu. — Indaguei quando este se despiu na minha frente sem nenhum pudor.
— Não é nada que você já não tenha visto antes. — Entrou no box me ignorando por completo.
Contrariada me dirigi à cama, como milhões de questionamentos na minha mente. Como por exemplo, esse relacionamento não dará certo. Estamos indo rápido demais, ainda tem o acréscimo dele ser meu chefe e ter uma "filha". Piamente, algo que não preciso é mais confusão na minha vida, já não basta a minha amnésia, a carta e todos os segredos que estão rodeados no emaranhado do meu sumiço. Agora vem esse homem confuso, para me deixar ainda mais louca. Rosa Vermelha você não é normal.
COMO OS CAPÍTULOS ESTÃO SENDO MAIORES QUE O NORMAL ESTOU LEVANDO MAIS TEMPO PARA POSTAR. MAS ESPERO QUE VOCÊS TENHAM PACIÊNCIA.
ATÉ AGORA ESSE É O MEU CAPÍTULO PREFERIDO, ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DELE TANTO QUANTO EU. ATÉ...
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