Capítulo 28
Têm horas que você olha para si mesmo e pergunta: onde pequei? Como se algo ruim ou estranho para acontecer em sua vida fosse realmente uma consequência de algum ato seu. Não sei se esse pensamento é realmente verídico ou não, mas neste momento estou querendo me contrapor a ele, pois é impossível que minha sorte esteja prestes a mudar.
Em meio a confusões mentais me encontro cogitando várias respostas, quando os empresários começam a chegar um após o outro, e assim a minha resposta é esquecida.
Nesse meio tempo, Mark me apresenta aos homens e suas assistentes, a maioria delas estranhamente belas, sendo algumas com roupas apertadas que fazem os seios saltarem para fora.
Tento a todo custo não focar meus pensamentos nelas, e começo as anotações sobre a reunião. Enquanto anoto cada ponto importante das negociações uma pequena garoa começa a cair, trazendo-me uma sensação boa e agradável, tanto que nem observo que a reunião logo chega ao fim.
Durante o tempo em que aguardo o Sr. Ortega se despedir dos senhores, estendo a minha mão para tocar a fina chuva, sendo acariciada por suas gotas na palma da mão, trazendo-me uma sensação nostálgica, já que me encontro em frente ao restaurante.
No entanto, sou surpreendida por um braço de Mark envolta do meu ombro, enquanto ele me puxa correndo em direção ao parque logo a nossa frente. Paramos embaixo de um escorregador gigante, enquanto observarmos as pessoas correrem apressadas, já outras caminham tranquilamente com seu guarda-chuva em mãos ou não.
— Por que paramos aqui? Está chovendo, vamos para o carro. — Tentei dar um passo em direção ao seu veículo que se encontra do outro lado da rua, de frente ao restaurante.
— Espera. — Puxou-me delicadamente. — Observe a chuva, não é realmente linda? — Olhou para o céu acinzentado indicando que uma tempestade começaria.
— Não precisávamos caminhar para esse lado por causa de uma garoa — comentei não dando tanta atenção ao seu comentário.
— Nos contos de fadas os mocinhos param para observar o tempo, as estrelas ou até mesmo a neve com suas amadas. Concorda? — Mirou-me tendo um brilho estranho em seu olhar.
O que ele deseja com esse comentário? Na verdade, não entendo. É como se o seu pensamento fosse recuperar algo que nunca existiu.
Nesse pouco tempo em que nos conhecermos, percebi que Mark tenta a todo custo ficar próximo a mim ou fazer parte da minha vida. — Você realmente está com o juízo fora do cérebro. — Efetivamente, devo estar imaginando coisas. — Desistir dos meus pensamentos errôneos. Tendo em vista que, por que um homem como ele necessitaria se aproximar de mim? Não faz sentido.
— Nem sempre, mas é realmente lindo como eles fazem isso. Como você sabe? — perguntei o fitando enquanto este sorri em retribuição. — O que foi? — Estranhei sua atitude.
— Você realmente gosta de fantasiar. — Suspirou olhando novamente para cima após a sua afirmação. — Encontrei um porta-retrato das princesas da Disney em sua mesa, isso responde a sua pergunta? — Pausou a fala, mas logo continuou. — Já sentiu algo que não desse para explicar? E mesmo tentando a todo custo permanecer forte fosse praticamente impossível? — Encarou de perto, possibilitando-me a visão completa dos seus olhos mel.
E nesse meio tempo, me vi perdida em seu olhar, hesitando em responder a sua pergunta. O que está acontecendo comigo? — É fogo! — Ouvi alguém pronunciar em desespero.
Logo sinto seus dedos tocarem suavemente o meu rosto, como se quisesse passar alguma coisa com esse ato. Porém, minha mente se encontra tão inerte que não dou atenção ao seu ato, terminando por estranhar e não compreender a situação.
— O seu olhar parece que nunca vai mudar independente do tempo, continua com o mesmo brilho e... tristeza — sussurrou, mas pude ouvir claramente as suas palavras.
Causando estranheza aos meus sentidos, ainda mais por não entender as suas ditas. Mark, o que você está tentando fazer? O que você quer de mim? Estamos na realidade ou é apenas uma mera fantasia? Ainda inerte resolvi mudar de assunto, como modo de proteção... contra ele.
— A chuva está piorando, é melhor irmos — ao dizer, saí apressada em direção ao carro, enquanto ele me seguia, para assim entrarmos no automóvel seguindo em direção a empresa.
Nesse tempo encontrei-me perdida em pensamentos, cogitando hipóteses: é realmente necessário continuar nesse emprego? Será que esse lugar será o princípio da minha devastação emocional ou conhecimento próprio? Mas ainda me sinto confusa com foram as palavras anteriores de Mark. Sinto que ele me conhece de algum lugar, mas de onde? Rosa, não acredito que você está imaginando novamente, parece que você nunca vai mudar.
Quando chegamos ao local, abri a porto do carro, a tempo de ver Mark engatando a marcha apressadamente e saindo do prédio.
— Nem disse até, é... acho que mereço essa. — Caminhei lentamente em direção ao elevador da garagem, me sentindo um pouco triste. Tentei a todo custo não focar no motivo, porém meu coração gritou a resposta, mesmo que eu tentasse mentir para mim mesma.
Cheguei no meado da tarde e saí apenas às 21h da noite, realmente as palavras de Elisa foram sinceras, nesse lugar não possui fim de turno.
Durante o tempo que caminho pelas ruas movimentadas, com boates já em funcionamento, barzinhos a todo vapor e pessoas caminhando tranquilamente. Enquanto encontro-me voltando aos acontecimentos da tarde, porém quando percebi que estava pensando besteira balancei a cabeça dissipando essas lembranças, para enfim entrar no metrô às pressas. O céu ainda continua acinzentado mais a garoa que insistia em cair mais sedo perdeu espaço para a forte umidade. Com todo esse frio, tenho certeza de que a sensação térmica é de quinze graus célsius.
Não demorou muito e logo estou em casa, porém preferiria estar na rua, pois a visão que encontro não é das mais bonitas. Roupas estão espalhadas por todo o cômodo, cueca, calcinha, sutiã, blusa, entre outras peças. Tento não tocar em nenhuma, principalmente nas íntimas, entretanto, nada me impediu de ouvir altos gemidos no quarto.
— Poxa! Não acredito nisso. — Massageei as têmporas e tentei a todo custo não me estressar, já que tinha alguém fazendo sexo em minha cama.
Peguei o meu celular na bolsa e liguei para Alda, ela atendeu no primeiro toque.
— Se não é você quem está no nosso quarto fazendo a festa, quem será a felizarda? — perguntei ironicamente em irritação.
— Deve ser Nora, esqueceu da sedução do delegado? Ela deve estar fazendo isso — disse como se não fosse nada.
— Sei, mas temos regras, isso inclui homens fora de nossa casa, poxa Alda! Temos apenas um quarto, onde vou dormir? — chateei-me.
— Não sei, mas hoje não voltarei para casa — disse por fim.
Enfurecida desliguei a chamada na cara dela, a tempo de ouvi algo quebrando em meu quarto.
Revirei os olhos e me retiro novamente. Ninguém merece — pensei ressentida.
Enquanto passeio pelas ruas bastante movimentadas, paro em uma pequena praça para comprar cachorro-quente. Ao menos não ficarei com fome. Acomodo-me em um banco próximo à barraca, saboreando o delicioso lanche. Pouco tempo depois meu celular toca, indicando Mark Ortega na chamada.
— Oi... — falei ainda de boca cheia.
— É assim que atende o seu chefe? — Pareceu divertido do outro lado da linha.
— Por favor, não me venha com gracinhas hoje. Não estou bem, fui colocada indiretamente para fora de casa enquanto minha melhor amiga faz uma festa com alguém. — Transpareci irritação na voz, não compreendendo o motivo em está compartilhando isso com ele.
Sei que não deveria estar contando este tipo de coisa ao meu superior no trabalho, entretanto, Mark está tentando ser tão íntimo de mim — não, ele não está. Pare de fantasiar! —, por isso não custa nada ele saber dos meus problemas — grande erro, não se mistura pessoal com negócio —, como se ele fosse me ajudar em alguma coisa, já que nem a minha melhor amiga fez isso por mim. — Senti uma pontada de ressentimento em meu peito.
— Sinto muito, onde você está? — Ouvi alguma coisa caindo do outro lado da linha.
— Por que você quer saber? Isso não importa, estou em um parque perto do meu apartamento. — Dei outra mordida no lanche.
— Não saia daí, estou indo te buscar. — Sua voz se tornou séria.
— Não precisa, logo Nora acabará com a brincadeira e voltarei para casa. — Tentei despistá-lo.
— Você já reparou no horário? É perigoso uma mulher ficar sozinha na rua uma hora dessas. — Ele nem me deixou argumentar, pois desligou a chamada.
Droga! Não era para isso acontecer. — Se ele está a caminho é porque deseja algo, em hipótese alguma abra as pernas! — Meu subconsciente ousado entrou em ação, mas não me deixei influenciar.
O que Mark deseja comigo para tratar-me assim? — Não Rosa, pare de pensar besteira. Você é uma mulher forte e ele não irá te seduzir. Lembre-se, seu príncipe ainda vai chegar.
Durante o tempo que aguardo minha mente se encontra uma terrível bagunça, mas ele logo chega para piorar a situação. Adentrei em seu carro enquanto este trajava um moletom cinza.
— Obrigada — digo um pouco envergonhada pela situação aparente.
— Sem problemas. — Começou a dirigir.
O trajeto todo foi em um silêncio harmônico, fazendo-me ficar ainda mais duvidosa pela situação.
Ele entrou em uma garagem de um prédio alto e bonito. Mesmo a distância pude reparar na beleza do lugar, com edifícios completamente padronizados, com árvores em cercas espalhadas em dois metros de distância uma da outra no condomínio. Tenho a certeza de que só o meu salário é o preço do condomínio de cada proprietário. Tudo bem, não vou exagerar, mas deve ser quase isso.
Enquanto estamos no elevador em direção a cobertura ele iniciou a conversa.
— Bom, não sabia que você viria, então, não repare muito na bagunça. — Sorriu timidamente.
Tímido? Desde quando esse homem é tímido? Qual será a próxima surpresa?
Quando ele falou em bagunça, não cogitei seriamente que seria uma, porém... sim, esse lugar parece que o furacão fez um passeio. Tem uma pilha de roupas em um canto da sala, enquanto nota-se uma pilha de pratos na pia da cozinha americana. Tendo como principal enfoque algumas peças de roupas no chão, ao qual ele usou mais cedo e um pouco de sujeira no piso.
— Ei! Disse para não reparar, a diarista essa semana ficou doente, por isso a bagunça. — Deu uma batida em minha cabeça.
— O problema não é a diarista, é você. — O meu olhar foi de negação.
— É assim que você me agradece? — perguntou parecendo indignado.
O encarei e dei um sorriso aberto, enquanto este revirava os olhos e caminha em direção a cozinha.
Sua casa é grande, em tons claros e uma vista arejada, tendo uma visão belíssima da cidade pela janela de vidro por toda extensão da parede que fica do lado oposto da cozinha.
Os móveis são marrões, combinado perfeitamente com o piso de porcelanato branco bem-apanhado. Enquanto observo mais do local, sou cortada por sua voz me chamando.
— Espero que goste. — Mostrou-me um filé queimado por fora e cru por dentro, com um arroz integral ainda duro.
— Acho que não, você tem mais? — Olhei para a comida nada bonita e muito menos saborosa.
— Não olhe assim para o meu prato, estava fazendo enquanto falava com você. Tenho outros bifes na geladeira. — Fez um pequeno bico nos lábios, mas rapidamente voltou ao normal.
Uma pena, pois ele estava encantador daquele jeito. Reparo no chão sujo de molho e suspiro, então deve ter sido a panela que caiu quando nos falamos.
Mandei-o pegar o restante da carne já temperada, enquanto coloco o olho para esquentar na frigideira. Concluir a comida em 20 minutos, agora com o arroz completamente cozido e a carne tostada.
— Nossa! Você é ótima com comida. — Provou um pouco da carne.
— É o jeito, quando mora com duas pessoas que tem pavor de cozinha. — Me deliciei com a refeição, agora tendo dessa vez minha barriga completamente forrada.
Não dialogamos mais, porém o silêncio reinou harmonicamente.
Alguns segundos depois a campainha tocou, Mark se levantou do banco para atender enquanto continuei a comer na divisória de madeira do balcão. Pouco tempo depois estranhei a sua demora, por isso fui encontrá-lo. Mas me arrependi profundamente, só deu tempo de abrir a porta e encontrar ele abraçando outra mulher enquanto a cabeça dela se encontrava posicionada em seu peito.
Isso doeu meu coração, mesmo sendo difícil admitir. Por quê? Só nos conhecemos a quase quatro dias, não era para eu estar sentindo essas coisas.
Tranquei a porta calmamente para não haver barulho, enquanto voltava para o meu lugar de origem, tendo meu subconsciente repetindo mil vezes em minha mente: você é uma tola, avisei.
— Príncipes encantados não existem e a vida não é um conto de fadas como você imagina. — Ouvi alguém dizer, mas minha mente estava muito nublada para discernir se foi uma memória ou fruto da minha própria imaginação.
Espero que tenham gostado desse capítulo, até...
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