Capítulo 23

Agora estou parada em frente à mesa de reuniões, onde os animais famintos estão prontos para me devorarem a qualquer falha. E como instinto de proteção meu, resolvo observa cada local da sala que será a minha (talvez) cova. Mesmo nesse declínio tento ser um pouco confiante com esses olhares na minha direção, porém, não obtive sucesso. Estou realmente em pânico, mamãe socorro!

A sala é escura possibilitando que a luz do Datashow focasse no meu rosto com mais intensidade, trazendo pavor ao meu coração. Mesmo assim me mantive firme, com uma pequena certeza que tudo ocorrerá bem.

Tentei encontrar ao menos um rosto conhecido para garantir algum ponto de equilíbrio. No entanto, apenas visualizei o rosto do senhor Ortega, algo que não foi favorável para me tranquilizar.

Ô céus, esse será o meu fim? Estou empregada a 24h e já perderei o emprego por não conseguir falar na primeira reunião, tendo em vista que meu chefe me designou tarefas que são para assistente e não uma secretaria.

— Então, como foi solicitado aponte os pontos necessários para a reunião. — Mark tentou me incentivar a falar, mas a voz resolveu sumir da minha garganta.

Nesse meio tempo o senhor Ortega demonstrou um semblante o qual falava: Cadê a ousadia que você comprovou na reunião?

Engoli em seco e comecei a falar tendo a certeza que fiquei mais ou menos 10 minutos em silêncio.

— Bom, o ponto que abordaremos será... — Em um só instante comecei a metralhar palavras como se alguém tivesse apertado o botão play da minha pessoa, para enfim terminar a fala me jogando na cadeira mais próxima, ganhando como prêmio um sorriso orgulhoso do senhor Ortega, suponho.

E com esse start eles começaram a discutir como um bando de animais sem educação. Sinceramente nunca imaginei que um setor especializado em gerir o lucro, custo e gastos da empresa fosse mais parecido com um ringue de briga.

Assim que o último "A" foi proferido não perdi tempo em sair da sala, para no meio do corredor encontrar uma porta que indicasse o banheiro.

Entrei rapidamente para tomar um ar em uma toalete que parece mil vezes mais caro que meu quarto, sem sombra de dúvidas.

Com revestimento em porcelanato em alguns utensílios do banheiro, aderido por mármore branca em toda extensão da bancada da pia, completando por um espelho gigantesco em altura e comprimento. Ainda para ressaltar, as cabines dos sanitários são modernizadas proporcionando uma defecada legal para todos.

Suponho que o esplendor desse banheiro seja por estar localizado no andar da gerência, mas espero que os outros sejam tão glamourosos como este.

Respiro fundo e antes que pense em uma palavra meu celular toca. Atendo com indiferença já sabendo o maldito que me ligou.

— Você ainda não foi liberada, por favor me encontre na minha sala. — Dito isso ele desligou o celular na minha cara.

Desgraçado! Em um murmúrio baixo saio apressadamente do banheiro em direção a sua sala, ocasionando a minha falta de observação em relação ao homem que colidiu comigo.

— Desculpe — dissemos em uníssono.

Encaro o seu rosto verificando o ser que resolveu trombar comigo.

Assim que levanto o meu rosto, observo o homem a minha frente que tem as feições como se fosse de um anjo, mentira, na verdade, ele me parece um ser bem normal sem nada de interessante ou que possa ser dito: é um pedaço de mal caminho. — Ei! Só estou dizendo a verdade, não vou fantasiar coisas, pois algo que faço é (não) viver no mundo do faz de conta.

— Incrível. — Sua voz soou bastante doce nessas palavras.

— O quê? — Olhei para trás tentando encontrar algo tão magnífico para ele falar isso.

— Não foi nada. Desculpe o acidente — disse sucinto em suas palavras.

Não respondi, apenas dei um sorriso sem graça e saí do local deixando o homem me encarando como se tivesse visto um fantasma.

Após uma longa procura finalmente achei a sala do ser. Sei, pareço uma desmemoriada. Contudo, já vivenciaram estar num corredor extenso com trezentas portas espelhadas por todos os lados? Então, se não testemunharam, também não tem o direito de falar.

Assim que me aproximo da porta de vidro, preparo mentalmente meu subconsciente para entrar na paz de espírito e amor. Qual é a dificuldade? Sei que o conheço a apenas 24h, porém o santo não bateu.

Antes que pudesse colocar a mão na maçaneta a porta abri em supetão e um Mark inquisitivo me encara.

— Qual é o seu problema? Por qual motivo ficou parada por 5 minutos em frente a porta? — falando isso ele balança a cabeça em negação e entrou novamente.

Droga! Por um segundo esqueci que a porta é de vidro.

Entrei rapidamente no local antes que fosse fulminada por seu olhar taxativo.

— Bom, acho que você já pôde perceber o tipo de reunião que são feitas aqui. Não se assuste no primeiro momento, apenas quero que você coordene a situação e não deixe que o ringue entre em conflito — dito isso, puxou o nó da gravata como se tivesse feito alguma besteira e continuou a falar —, quis dizer as pessoas não devem começar a discussão. Por isso, não precisa ficar sentada na cadeira me olhando com o semblante de cachorro abandonado, apenas aja. — Mas essa não deveria ser a tarefa dele? — Continuando, como foi exibido no seu currículo que você não conhece nenhuma língua adicional, sugiro o começo da aula de ao menos um idioma e de preferência o Inglês — comentou em um tom pacato e solene, me deixando realmente confusa com sua atuação misteriosa. — A empresa garante a você as aulas de idiomas, então não se preocupe.

Será que ele tem problemas de bipolaridade ou está realmente querendo me ajudar? Não sei, pois, não tive tempo em perguntar, visto que em um piscar de olhos veio-me a brilhante ideia — loucura — a dizer:

— Do que o senhor está falando? Claro que sei outro idioma, só não achei de fundamental importância comentar no currículo porque acabei parando na entrevista errada — disse sorrindo.

Ótima ideia Rosa, assim você não acabará por baixo e ele entenderá de uma vez por todas que contratou uma pessoa com competências — de demência.

Entrevista errada, então foi por isso... — O ouvi sussurrar, mas este fez questão em mudar o assunto.

— Sério? Qual? — perguntou parecendo intrigado.

— Espanhol, falo fluentemente e com aplausos — disse com o gostinho da vitória escorrendo por meus lábios.

— Ótimo, estava pensando em não a levar para a viagem que farei no final de semana para a Espanha, porém não terei mais esse problema, tendo em vista que não terá dificuldade com a língua nativa. — Ao dizer isso ele puxou os lábios em um sorriso casto, mesmo estando com a boca em um formato de linha reta.

Droga! Me lasquei. Eu e minha boca grande. — Avisei, mas a mocinha aqui só tem o desejo de fazer besteira.

— Espera, o senhor não pode repensar? Ainda não tenho passaporte. — Excelente Rosa, a sua genialidade ainda me impressiona.

— Não se preocupe, tudo está sendo resolvido. Falarei com o Rh.

Sendo assim, ele pediu para me retirar e concluir meus afazeres do dia, informando que minha mesa já está perfeitamente arrumada, logo em frente a sua sala ao lado direito.

Perfeito, agora durante o dia terei uma visão ampla dos arranha-céus da cidade, pela parede coberta em vidro blindado, suponho. Tendo a secretária do gerente de operações me encarando como se eu tivesse alguma doença. Dado o posicionamento da sua mesa próxima à minha, tendo em vista que, o seu gestor trabalha na sala ao lado.

E para completar, o restante da semana passarei relembrando a burrada que acabara de cometer.

O restante da manhã e tarde foi corrido considerando que não parei ao menos um minuto para comer, apenas pausei para fazer minhas necessidades fisiológicas e beber água.

No final da tarde, Mark passou e parou em minha mesa.

— Vamos — afirmou.

— Para onde? — questionei em dúvida, não entendendo a sua aparição.

— Almoçar, sei que não comeu o dia inteiro — disse e só após a sua fala percebi que ele também não saiu para alimentar-se.

Dei uma risada sem graça, imaginando qual a mentira que inventaria para fugir desse percalço, já que em hipótese alguma comerei com meu o chefe ainda mais o acompanhar no restaurante em que ele frequenta, até porque deve custar uma fortuna.

— Não posso, ainda tenho muitos documentos para arquivar. Provavelmente, vou terminar às 19h e não posso deixar para amanhã. — Excelente plano Rosa, você não poderia ser mais engenhosa.

— Sem problema. É o tempo que refaço alguns ajustes, enquanto você deliga o computador para me acompanhar — disse e por fim saiu em direção ao elevador principal.

Qual é o problema desse cara? Ele não deu atenção a minha fala? Bom, se apresse Rosa, você precisa sair do prédio antes dele te encontrar.

Me apressei em terminar o trabalho, enquanto a outra secretaria observa tudo calada.

Após meia hora, terminei o trabalho e saí apressada em direção ao térreo do andar. Para quase ser pega no pulo do gato, pois Mark estava passando pela recepção. Como sou esperta optei em descer mais um andar em escadas até o primeiro subsolo, que fica logo após o terceiro e segundo. Só com essa descrição vocês já entenderam quanto peso perdi.

Cheguei ao local indicado com louvor e para a minha surpresa teria que ir para casa em plena chuva. Poxa vida, hoje não é o meu dia de sorte. Logo no primeiro dia de trabalho tomarei um banho sem o meu agrado e sairei às 19h do prédio.

Caminho apressada pela garagem escura enquanto pressinto ser seguida por uma luz luminosa de um carro. Paro a tempo de receber um apito sonoro no meu ouvido quase me causando um infarto. O ser desequilibrado passou com a BMW preta e estacionou ao meu lado.

— Princesa, por que demorou tanto? — O inconveniente disse sorrindo pela primeira vez. Entretanto, infelizmente esse sorriso não era direcionado a minha pessoa, mas como forma de chacota a uma Rosa Vermelha que se encontra assustada tentando entender o pingo no "I" dessa tal fala.

ESPERO QUE TENHAM GOSTADO DESSES DOIS CAPITULO, ATÉ. NÃO ESQUECAM DE VOTAR E COMENTAR, ME AJUDA BASTANTE. 

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