Capítulo 18
— Doutor ela ainda não acordou? Não sabemos o que fazer, tudo indica que a moça está prestes a entrar em estado vegetativo. — Ouvir vozes, mas eram tão oriundas do nada que parecem não existir em meio a minha vertigem de espírito.
— Vamos manter ela assim por um tempo, os sinais estão normais, apenas a consciência ainda não voltou. É normal para uma paciente em coma a pouco mais de seis meses — afirmou calmamente, mesmo aparentando um certo nervosismo na voz.
— O senhor e a assistente social não vão conseguir manter ela aqui por muito tempo, ainda mais pelo seu estado. Não sabemos quem são os seus familiares, estou temerosa em dar esse caso como perdido.
— Por enquanto mantenha o quadro dela estabilizado, enquanto eu for o gestor desse Hospital manteremos essa paciente aqui.
Ainda um pouco aérea consegui ouvir vozes ao meu redor, mesmo sendo difícil distingui-las.
Sentir umas pontadas invadirem o meu corpo, era como se pequenas agulhas perfurassem cada centímetro da minha pele. Ainda consigo ouvir o barulho da buzina, era como se alguém tentasse avisar que eu estava na contramão. Mas no momento estava tão perdida que nem me dei conta, como se uma nuvem negra estivesse nublando meu cérebro me impedindo de enxergar um palmo à minha frente. — Mas foi apenas um vislumbre de memória.
Tenho a impressão de sentir as dores da batida invadir o meu corpo. Onde sinto-me girar até perder completamente a consciência com o impacto na cabeça.
— Algu... — Tentei emitir um pouco de ruído na voz, mas foi completamente inútil, pois apenas o que conseguir pronunciar foi uma meia palavra. — Algu... — Tentei mais uma vez. É como se em cada letra algo rasgasse a minha garganta me impedindo de falar.
Nesse meio tempo tentei normalizar a respiração pela agitação exacerbada em meu corpo. Não senti quantos minutos passaram, mas logo ouvi alguém entrar no local pelo barulho das portas.
— Algu... — Pronunciei novamente, só que dessa vez obtive resposta.
— Acordou. — A voz feminina apareceu em estase. — Doutor, acordou. — Ouvir o barulho das portas novamente.
E aqui estou sozinha novamente. No Entanto, pouco tempo depois ouvi um pequeno ruído e alguém falar:
— Vejo que a dama está de volta. Olhe, antes de mais nada, preciso que você abra os olhos para eu te examinar com mais cuidado. — O homem soou com uma voz bem calma.
Tentei abrir os olhos, mas não obtive sucesso era como se uma barreira me impedisse.
— Ei! Não precisa ficar agitada. Apenas respire e faça no seu tempo. — Transmitiu palavras suaves e confiantes.
Respirei fundo, mas dessa vez com mais tranquilidade. Sem tentar abafar o tempo do meu corpo. Após alguns minutos consegui me acostumar com o momento e finalmente minhas pálpebras abriram. No entanto, a claridade veio com força sobre os meus olhos fazendo-me piscar várias vezes para enfim me acostumar com a luz.
Encarando o médico a minha frente, pude me acalmar um pouco mais. Ele pareceu sorrir com o ocorrido mesmo que seja pouco perceptível.
As suas feições cansadas não me impediram de enxergar o brilho dos olhos castanhos do homem à minha frente, aparentando ter cerca de 50 anos, com o cabelo preto demonstrando ter uma pequena quantidade de fios brancas, tendo um contraste na sua barba por fazer em tom escuro assim como seu cabelo. Seu rosto contém poucas rugas para a idade, ainda posso dizer que ele está bem conservado.
Diferente da mulher ao seu lado, uma moça jovem de pele branca e olhos verdes que formam um belíssimo contraste nos seus cabelos loiros em um coque cacheado, supus. Já que não pude enxergar com clareza pela touca fina em sua cabeça.
A jovem enfermeira sorriu com alegria e se aproximou para medir o meu pulso e anotar alguma coisa em sua prancheta encarando o aparelho que apitava suavemente ao meu lado.
— Não vou fazer perguntas agora, mas amanhã bem cedo gostaria de conversar com a senhorita, primeiro precisamos fazer alguns exames para descobrimos se estar tudo em ordem — comentou dando um sorriso singelo e saiu logo em seguida, enquanto a enfermeira continuou anotando algumas coisas em sua prancheta.
Quando ela terminou ficou de frente a cama, me fazendo ter uma visão completa sua.
— Então, qual é o seu nome? — Perguntou pronta para anotar algo em seu papel.
Nessa hora pude reparar as lacunas em minha memória. Meu nome? Qual é o meu nome?
Vendo o meu rosto confuso ela franziu as sobrancelhas perfeitamente alinhadas, repetindo a mesma pergunta anterior:
— Qual é o seu nome? — Me encarou dubitativa como se estivesse temendo por algo.
— Meu nome? — Encarei o lençol branco que me cobria, sem saber o que falar. — Não sei qual é o meu nome.
Seus olhos se arregalaram, mas pude notar ela voltando a sua postura normal rapidamente.
— Não se preocupe, isso pode ser normal, afinal de contas, você passou um pouco mais de 6 meses em coma. Por isso o seu cérebro está tentando se adaptar. Devido ao tamanho da batida que você levou no acidente, deve demorar um pouco para que tudo esteja em completa ordem. Imaginamos que isso poderia acontecer. Contudo, não se preocupe creio que tudo ficará bem agora. Pegue, quase esqueci, acharam esse livro nas suas coisas antes do carro explodir, mas infelizmente perdemos todos os seus pertences, incluindo documentos. — Me entregou um livro velho um pouco queimado.
— E agora? — perguntei ainda receosa.
Ela apenas suspirou e transmitiu várias palavras, dizendo que tudo daria certo, que eu não precisava me preocupar, etc.
Mesmo assim, pude sentir um mar de descrença surgir no meu interior. E agora?
Ainda com esse sentimento suspirei. A mulher apenas saiu me deixando sozinha e angustiada no local. Em meio a angústia peguei o livro folheando as páginas rapidamente, na intenção de ter algum vislumbre do que se tratava o livro, como se dessa forma fosse aparecer alguma lembrança em minha mente. Enquanto faço isso, estranhamente acho uma carta dentro dele. O papel aparenta estar desgastado pelo tempo, e logo no início refere-se a uma carta de amor. Bastante interessada começo a lê-la, deixando-me ainda mais extasiada com as palavras que estão descritas ali, ainda mais pela última frase endereçada a Fiona, será que sou essa mulher? De uma coisa é certa, o mistério que há nesse papel criou em mim o instinto de desvendá-lo, não apenas pelo seu palavreado pouco poético, mas pela paixão e melancolia que despertou em mim. Ainda um pouco confusa guardo a carta novamente no livro e começo a ler os primeiros capítulos deste.
Quando cheguei no final do segundo capítulo, algumas frases me chamaram a atenção. Ao que parece a obra conta a história de uma moça que busca um amor verdadeiro. E nisso ela escreve várias frases no final de cada capítulo como resumo do seu dia e esses trechos que nós leitores teremos que ler em voz alta como presságio em nossas vidas.
Pelo que entendi, a epígrafe explica que as frases mudam de acordo com os exemplares. Então, se eu comprar o mesmo livro outra vez serão outras palavras.
"12 conselhos para uma Cinderela antes da meia-noite".
🕛 Sei que você acabou de sair de uma barra, mas calce um scarpin, nada melhor do que dá a volta por cima em grande estilo.
🕛 Você encontrou grandes amigas, parabéns, agora lembre-se, essas são as melhores para te meter em uma grande enrascada.
🕛 Tem vezes que é melhor esquecer o passado, mas não esqueça, ele pode vir como uma avalanche na sua vida e te confundir com a beira da praia.
🕛 Diversão, é algo que você está prestes a esquecer, porém em compensação, dinheiro não faltará.
🕛 Lembre-se, você é uma mulher ousada, entretanto não deixe isso subir à cabeça, senão você se perderá.
🕛 Mentira tem perna curta, mas você pode alongá-la com um pequeno toque de diversão.
🕛 As vezes, sonhar te fará perder o andar, mas com uma boa dose de humor tudo ficará bem.
🕛 Eta! Problemas a frente, porém não esqueça, quem toma a direção da sua vida é você!
🕛 Não deixe os outros te afetarem, berre, grite sem parar, só assim para entenderem quem é a dona do jogo.
🕛 Um investimento arriscado é como um chiclete, cuidado ele pode grudar em você!
🕛 Príncipes e sapos são duas coisas diferentes, não confunda os dois, em hipótese alguma!
🕛 Às vezes é difícil ouvir palavras duras, mas não esqueça, elas são como escudo de defesa.
E com essas frases acabei caindo no sono, em meio a um turbilhão de pensamentos. O medo me cercou, mas não posso deixá-lo me dominar. É uma realidade ao qual preciso ater. Com uma grande interrogação na cabeça, a maresia me dominou. E um pensamento me paralisou: quem sou?
Espero que tenham gostado dos dois capítulos postados, até... Votem e comentem pessoal...
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