Capítulo 16


Ainda continuo aqui parada a encarando, enquanto está se encontra estática no local sem saber o que falar. A nossa volta a natureza resplandece, deixando uma paisagem que faz gosto no olhar. Com flores dos mais variados tipos, o verde contagiante, a harmonia no desenho de cada arquitetura do jardim. As esculturas e bancos em pedra, trazendo mais ainda o desenho da paisagem fantasiosa e detalhista no jardim da casa.

— Sinto muito Rosa, eu... eu... — Seus olhos se matem distantes dos meus a todo momento durante a sua fala, demonstrando o quão inquieta ela estar. — Você precisa voltar ao psicólogo, sua mãe ela... — Demonstrou imprecisão em sua frase, mesmo tentando me ajudar.

— Não quero psicólogo! Preciso ter outra vida, realmente estou de saco cheio. — Passei a mão no rosto bruscamente, tentando ao menos afastar qualquer vestígio de lágrima que tenha caído durante a minha fala.

No decorrer do dia Sary não comentou nada sobre a nosso conversar no jardim, tendo isso seguimos o nosso dia normalmente, e mais uma vez tento seguir a minha vida e ela tenta fingir que nada aconteceu. Algo que sempre fazemos, por isso nos damos tão bem, as duas têm formas semelhantes de levar suas dores e desajuste, nunca enfrentando, sempre fugindo.

O restante do dia foi tranquilo e a noite também, nesse meio tempo não vi a minha mãe, sendo que Oliver ficou em todo momento ao meu lado, mesmo insistido que sou uma desajustada do mundo moderno com minhas roupas bregas e jeito desastrado.

Sem delongas finalmente estamos na cerimônia do casamento, os noivos estão fazendo seus votos finais enquanto olho admirada aquela cena, sonhando com o dia em que terei algo parecido, mas pelo andar dessa carruagem isso está na terra do nunca. Como queria ser a Wendy para ser levada por Peter Pan a terra do nunca, onde nunca cresceria, viveria em um mundo de contos de fadas, com sereias, anões, duendes, para enfim esperar o meu príncipe encantado sem pressa, já que não poderia envelhecer. Dessa forma teria o meu tão sonhado felizes para sempre.

Quando a cerimônia é encerrada todos aplaudimos assiduamente, pois um ciclo acabou e outro se iniciou. E como era de se esperar, não estou me contendo para o tão sonhado buquê da noiva. Mesmo estando com uma aliança super brilhante no dedo, não perco a oportunidade em estar no meio de várias mulheres desesperadas, que sonham a todo custo com o matrimónio.

Dessa forma me encontro aqui, apertada entre a multidão de loucas obstinadas. Ansiando por pegar o tão aguardado buquê. Enquanto ouvimos o um, dois e três. Mulheres em pleno delírio se amontoam uma por cima da outra para pegar a chave da prisão chamada casamento... espere, quis dizer, a chave da felicidade para nós mulheres, chamada felizes para sempre. E em meio a esse alvoroço todo, o buquê passa por minha mão para cair nos braços de outra donzela, se assemelhando a todos os homens que já passaram na minha vida. Suspiro terrivelmente, amargamente... desolada. Que tal, fui dramática o suficiente?

Aguardo Oliver ir ao banheiro para partimos para a festa, já que a noite ainda é uma criança e terei muita diversão pela frente. Enquanto imagino qual será a melhor forma de dançar com esse vestido rose longo com manga bufante, o primo Wique chega, me fazendo desejar mil vezes o aparecimento repentino da minha mãe para conversar com seu amado sobrinho de consideração. Dado que, ela ama dialogar com ele por este ter profunda admiração por ela, não sei o motivo, mas é algo que me traria uma escapatória. Infelizmente ela está metida em algum lugar da festa, impossibilitando a minha fuga.

— Rosa, auu... — Ele se aproximou de mim, me examino de cima a baixo, deixando-me profundamente constrangida. — Você está incrível, por favor, deixe-me ter a primeira dança com você. Tenho certeza de que todos ficariam com inveja de mim por sua beleza cativante. — Sorriu quando este finaliza o comentário.

Sinceramente, Wique não é um homem ruim, ele não é bonito nem nada parecido, mas é muito doce e gentil, penso que não teve sorte no amor como eu. No entanto, não estou disponível, ele não passa de um plebeu e no momento necessito de um príncipe, chega de desajustados na minha vida. Mesmo não sendo meu primo de verdade, em hipótese alguma nada surgiria, ainda mais depois que eu soube do seu amor platônico pela minha irmã. Antes que o primo Wique desse mais um passo, sentir um aperto no meu ombro e alguém me abraçar de lado. Olhei para o ser, e encarei aquele sorriso zombeteiro que tanto amo ver. Aí! Lindo.

— Desculpa, mas ela já tem um parceiro. Mas aquela tiazinha está sozinha naquele canto, quem sabe vocês se tornam um lindo par. — Deu um sorriso, apontando para uma senhora com aproximadamente 60 anos, trajada com um vestido tubinho amarelo mostarda, evidenciando suas curvas bem mais abundante do que as minhas. Lástima, isso é uma vergonha Rosa.

Wique nada disse, apenas deu um maneio de cabeça de forma negativa e se retirou, comprovando o quão fino e educado ele é, muito diferente de um suposto príncipe que se encontra feliz da vida ao ser deselegante com uma pessoa.

— Qual é o seu problema? — Tirei o seu braço do meu ombro, comprovando o meu espírito nem um pouco bem-humorado.

— Nada, apenas te ajudei. Você parecia bem desesperada, não fiz mais do que a minha obrigação como um bom marido. — Encarou-me com sua expressão mais natural de bom moço, como se não o conhecesse o suficiente.

Não tive tempo de retrucar, pois logo minha mãe chegou com Oliver falando que a nossa família não pôde vir, que isso é o cumulo, porque essa seria uma ótima opção para as meninas arranjarem pretendes ricos e blablabla... Agora fiquei feliz pelas minhas irmãs, pois tenho certeza de que estão aproveitando muito bem as férias da mamãe, inclusive o pai que finalmente terá um tempo para ler seu jornal em paz.

~***~

Em meio a delírios da festa, finalmente tirei um tempo para mim, dançando, bebendo e extravasando. Enquanto Mark fica o tempo todo no meu pé ao perceber a minha falta de sanidade, pelo alto teor de álcool no organismo. Nunca fui de beber, na verdade, é a primeira vez que faço essa loucura, porém não ligo, preciso disso, pelo menos uma vez na minha vida necessito esquecer de tudo.

Enquanto estou um pouco entorpecida pelo álcool, carrego Mark até o salão de dança, o arrastando pelo emaranhado de pessoas. Para enfim colocar o meu braço envolta do seu pescoço, enquanto dançávamos uma dança lenta e romântica.

— O que aconteceu com você hoje? Parece que teve um surto — disse encarando os meus olhos, trazendo em minha uma sensação entranha, mesmo que ele esteja absolutamente sério em suas palavras.

— Essa sou eu, nunca percebeu? — O encarei, tentando ser ao menos uma vez na minha vida uma pessoa impenetrável.

— Desde que nos conhecermos, a única coisa que você fez foi fugir, isso aconteceu quando te pedir em casamento — riu, deve ter lembrado que qualquer mulher fugiria em uma situação daquela. —, quando sua irmã morreu, e desde que sua mãe chegou você vem fugindo de todos — acrescentou mantendo o padrão sério no rosto desde o início da conversa.

— E o que mais você observou em mim? — Percebi que o tão da conversa foi para algo sério, e realmente não quero falar sobre isso, não com ele, por isso resolvi partir para a técnica da sedução.

— Você quer descobrir? — Devolveu com outra pergunta, deixando seu rosto a milímetro de distância do meu.

— Desculpa interromper os pombinhos, mas preciso conhecer o garanhão — pronunciou Sary dissolvendo um começo do clima no ar.

A encarei puxando o canto do lábio para cima expressando o meu descontentamento. Em contrapartida, ela apenas riu com a minha expressão, avaliando Mark minuciosamente.

— Agora entendi o porquê você não disse não — comentou abertamente, deixando a fera ao meu lado bastante confuso e meu semblante tomado por um tom de vergonha.

— Você pode pedir para a minha mãe colocar Oliver no quarto? Obrigada. — Com essa lacuna de espaço arrastei Mark em direção a mansão, já que estávamos no salão de festa do terreno e a cerimônia foi no jardim, algo magnifico, posso assim dizer.

Em meio as pessoas, puxei Mark sem pestanejar e este me seguiu prontamente. Essa foi a melhor solução que achei, antes que Sary começasse a fazer perguntas constrangedoras, algo muito comum para uma ginecologista, então vocês já devem imaginar o tipo de comentários indiscretos ela faria?

Assim que chegamos ao quarto de hóspede, bati a porta com força encostando-me nela logo em seguida para aliviar a tenção em meu corpo.

— O que aconteceu Rosa? Por que você fez isso? — Seu semblante se transbordou em dúvida, assemelhando-se a suas palavras em questionamento.

— Vai por mim, te poupei de um enorme constrangimento. — Um sorriso agudo escapou de meus lábios, e logo em seguida peguei um pouco de vodca que se encontra em um dos armários do quarto.

A decoração de toda casa se remete ao século XX e não é muito diferente nesse aposentando, onde todos os moveis são de madeira, com requinte antiquário, comprovando os longos anos de vida destes. Bebi cada gole da vodca calmamente, que desceu queimando pela minha garganta. Contudo, assim que Mark percebeu tirou o copo e a garrafa da minha mão, repreendendo-me logo em seguida.

— Ei! Posso misturar as bebidas sim, já tomei tantas nessa noite. — A minha risada histérica foi ouvida por todo o quarto, enquanto Mark colocava os seus braços em volta de mim, para que eu não trombasse com nada.

— O que aconteceu para você está assim? — Pareceu perguntar mais para si mesmo do que para mim.

— Nada, só preciso que alguém fique comigo, você fica? — Encarei seus olhos mel, mesmo sendo bastante difícil, pois ele está me apertando muito junto assim, dificultando o meu olhar para cima, para encará-lo.

Ele não respondeu, apenas continuou a mirar-me, como se quisesse descobrir algo que não está claro no meu olhar, como se desejasse descobrir os mistérios da minha alma, me desvendando.

— Você quer ficar comigo? Sem mentiras, sem segredos, você quer? — Fiquei na ponta dos pés para ter meu rosto junto ao seu, quando percebi que seu aperto afrouxou após a minha fala. — Se você prometer ficar, seremos como alma gêmeas e você só terá a mim, basta dizer que quer ser o meu príncipe encantado, sem mentiras, sem segredos, você quer? — Refiz a pergunta dando mais ênfase em nossa relação.

— Você está bêbeda.

— Qual é o problema, desde quando isso é um empecilho para alguém? — A minha postura mudou, não entendendo a sua rejeição. — Ou você não quer ficar comigo porque sou eu?

— Não coloque palavras na minha boca Rosa. Simplesmente não fico com mulheres que não estejam no seu juízo perfeito, ainda mais quando essa está altamente carente. — O seu olhar foi pacífico entrando em contradição com suas palavras bruscas. — Olhe, amanhã você irá se arrepender, e não quero terminar te machucando. Provavelmente você não irá lembrar de nada. — Suspirou. — Por que tinha que ser você? Tudo seria tão mais fácil.

Não conseguir ouvir a sua última frase, mas a sua rejeição fez uma lacuna no meu peito. No entanto, nem eu mesma estou me reconhecendo, a ponto que me aproximei dele tocando o seu rosto, o pegando desprevenido. Os seus olhos mel transpareceram uma luz em meio à confusão deixando-me ainda mais em esteses, como se já não estivesse louca o suficiente, graças a bebida. Mesmo sendo uma romântica incontrolável, que provavelmente se arrependerá amanhã por fazer algo que não devia com um estranho, tecnicamente, que ainda por cima tem um contrato de casamento, algo que não faço ideia do motivo. Definitivamente Rosa, a sua vida está se tornando uma comédia romântica.

Não quero que ele fique apenas por uma noite, mas para sempre, até porque não há a Cinderela sem o príncipe encantado, não existe Bela sem a Fera, não há Jasmim sem Aladim e não existe Tiana sem o príncipe Naveen. Mesmo sendo diferentes eles se completam e isso que torna a história deles tão bonita. Mesmo a senhorita aqui vivendo no mundo da fantasia, quero algo novo... preciso de algo novo.

Nesse momento criei coragem e dei um beijo casto em seus lábios, mesmo sem uma resposta sua decidi arriscar, afinal, o não já tenho como resposta.

No primeiro momento ele continuou parado como uma estátua, mas depois os seus movimentos surgiram e sem me dá conta estamos em um beijo romântico. Onde os meus lábios se moldaram com os seus, trazendo sensações deliciosas ao meu ser e profundamente relaxantes. Enquanto meu corpo entra em combustão por ter os nossos corpos tão próximos e, ao mesmo tempo nos braços um do outro.

Com uma mão acaricio seu rosto e a outra puxo-o pelo colarinho na intenção de telo ainda mais próximo a mim, como se a nossa proximidade já não fosse o suficiente. Enquanto a minha reação é desesperadora, a dele é calma e relaxante, sem violência nem pressa, apenas sinto sua mão deslizar pelo meu corpo de forma sutil e relaxante, transmitindo tudo aquilo que jamais senti.

Até o próximo capitulo pessoal.  

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