Capítulo 15
O sabor daquela pizza ainda continua em minha boca, por quê? Nesse momento estou tendo uma combustão pela dor em meu intestino. É como se existisse uma briga intensa em meu estômago, onde grandes bolas lutam para sair sem a minha permissão. Como posso aguentar isso? Será que sobreviverei a uma dor de barriga? Porcaria! Isso tinha que acontecer logo agora, ainda mais com um homem louco para entrar no banheiro, ao qual bate na porta desesperadamente.
— Rosa, anda! Saia dessa porcaria de banheiro estou apertado, droga! — Mark disse quase colocando a porta de madeira abaixo.
— Não fale comigo desse jeito, estou... — Pensa burra, você não pode dizer que está cagando, o que ele vai pensar? — Estou me maquiando... é isso, preciso está bela hoje para o trabalho.
Bem sacado Rosa... maquiagem, toda mulher faz — só você que não.
— Não acredito que você não quer abrir a porta por causa de uma porcaria de maquiagem! — O tom de sua frustração foi nítido em sua voz, chega me deu...
— Tem um banheiro em seu quarto. — Não acredito que esse homem está aqui sendo que tem uma suíte só para o prazer dele. Patético.
— A sua mãe entrou — disse em uma voz embargada.
Não acredito, ele está chorando, sério? Tenho que ver. Minha empolgação foi tanta que apenas em um segundo minha dor de barriga desapareceu magicamente, me limpei e abrir a porta dando de cara com um Mark fingindo se encontrar em lamento. Ao qual o semblante mudou completamente, demonstrado nojo em suas feições. Nesse momento me toquei, que não havia dado descarga, ou seja, o fedor entrou em cada fresta do corredor da casa, incluindo no nariz de Mark ao qual colocou a mão sobre para distanciar qualquer aproximação do odor, totalmente inútil, pois ele já estava impregnado em todo corredor.
— Que maquiagem é essa? — perguntou ainda com a mão na boca e nariz.
Nesse momento qualquer cor resolveu fugir do meu rosto e uma súbita vergonha me abateu. Como? Nem conheço o rapaz e esse é o presente que entrego na nossa segunda manhã juntos acordando no mesmo teto, era para ser uma manhã memorável, afinal de contas, ele é o meu marido de mentira.
Mentalmente agradeci por eu não ter aceitado dormi no mesmo quarto com ele, já que o meu aposento foi roubado pela mamãe. Consequentemente tive que me acomodar no quarto de Oliver, com a desculpa que o menino estava tendo problemas para dormir a noite. Imagina a minha cara a ter que encará-lo todo dia recordando o que deixei em seu vaso. — Até parece que ele não caga. — Mas isso é diferente, eu sou uma dama, o meu cocô deveria ter cheiro de flores.
Contudo, para eu não sair com a cabeça baixa resolvi me transforma em uma Rosa espinhosa, uma vez que, de burra não tenho nada.
— O que foi? Não me diga que você defeca tulipas? — Sai com uma postura confiante enquanto o fedor me acompanha em cada passo.
Finalmente ao chegar na sala respirei fundo, tanto que nem percebi que estava prendendo o ar, só não sei se foi pelo odor do gambá ou pela sua presença trazendo pressão em minha mente.
A passos rápidos vou em direção a saída para mais um dia de trabalho deixando um amontoado de lençóis e travesseiros da noite anterior no sofá, já que dormir neste, por causa dos roncos absurdos de Oliver. Sinceramente, não estou acreditando que terei que me acostumar com isso enquanto mamãe estiver aqui.
Para a minha completa alegria, Mark deixou um pouco de dinheiro em cima da estante branca na sala de estar. Aproveitei e usei o agrado para pagar o moto táxi ao qual me extorquiu. Como estava atrasada não pude reclamar, apenas montei em cima da moto de forma desajeitada, agarrando a barriga saliente do motoqueiro, enquanto minha cabeça bateu durante todo o trajeto na cabeça do homem. Ao qual pilotava de maneira apressada, como ordenei.
Quando finalmente desço do veículo de duas rodas, entrego o dinheiro ao homem e dirijo-me a modesta biblioteca.
Sinto uma pressão no peito, mas tenho certeza de que é de algo momentâneo e sem sentindo, que não me afetará em nada, presumo.
Ainda com esse sentimento, pego minha bolsa já que estou com tempo e começo a procurar aquele livro esquisito para ler, em meio a isso avisto aquela carta que vi na casa da minha mãe endereçada a ela em um canto escondido da bolsa, algo que tinha esquecido por completo. Sendo assim, pego o papel já gasto pelo tempo, presumo, e começo a lê-lo.
Querida, a cidade é linda, é uma pena que você e nossa adorável flor não estejam aqui. Não se preocupe logo terei dinheiro o suficiente para buscá-la e vivermos bem como você sempre sonhou, apenas tenha paciência. Enquanto isso escrevi um texto para você sempre lembrar o quanto a amo:
Ela estava ali com seu sorriso angelical transbordando insegurança, mesmo tendo uma certa idade ainda não era madura o suficiente para dirigir a sua própria vida, ser a protagonista da sua própria história. Era um lamento para ela, pois está sabia que poderia ser aquilo que jamais sonhou, mesmo sendo muito ingênua para descobrir o mistério que a persegue, isto é, os lobos em pele de cordeiro que a rodeia.
Ainda posso ouvir ela sussurrar o meu nome, mesmo não sabendo, aquele que ela chama desesperadamente todas as noites em sua cama fria, sou eu. Não se preocupe minha Rosa do amor, em breve estarei aí para te resgatar, mesmo você não entendendo a mudança que posso te causar.
De Hermes Wright para Fiona Brown, minha rosa com amor.
Espera, o que aconteceu aqui? Não acredito, lembro vagamente desse homem, mas não consigo recordar perfeitamente. Se não me engano minha tia falou vagamente sobre ele quando eu e Camélia éramos pequenas. Poxa, o pior de tudo é que essa porcaria não tem data, quem em sã consciência escreve uma carta sem datar? Pare Rosa isso não é da sua conta, deve ter sido algum amor do passado da mamãe, nada de mais, você também já teve vários, por isso exclua qualquer pensamento questionador da sua mente. Fique calma e respire.
Ainda meio em declínio mental guardo a carta no livro e começo a ler aquele livro das doze freses. Concluo o capítulo e começo a leitura daquelas frases malucas, ao qual descobrir depois ser uma espécie de conselhos visionários que devem ser seguidos. Escrito por uma cigana de 100 anos, isto é, segundo eles a senhora tem muita experiência na vida, e com sua "visão" te ajudará a ter uma vida de sucesso. Mas contém uma advertência: cuidado! Esse livro pode burlar a realidade.
12 conselhos para uma Cinderela antes da meia-noite
🕛 Ao invés de sorrir, chore, eventualmente pode ser um ótimo hidratante facial.
🕛 Não seja o seu contra, corra atrás ou na frente das coisas, só não esqueça de levar uma topada, elas podem te impulsionar para um futuro brilhante.
🕛 Amores vem, paixões vão, mas não esqueça, a principal pedra preciosa é você.
🕛 Quem te disse que você é uma mulher para se jogar fora? Só não esqueça, uma maquiagem não te faz bonita, mas uma mulher com personalidade, aí sim, te torna uma preciosidade.
🕛 Não custa nada ser madura, porém, não esqueça, os seios não precisam cair para você mostrar responsabilidade.
🕛 Sexo é bom, mas você não precisa de prazeres físicos para mostrar que ama alguém.
🕛 A moda não dita você, contudo, não custa nada comprar um Armani para mostra tendência.
🕛 Uma mulher decidida segura qual quer homem, mas eles esqueceram de um detalhe, a senhorita não é normal.
🕛 Ei! Se valorize, você não precisa de maquiagens, mas com um batom vermelho você seduz até uma mosca.
🕛 Mães são como um espelho para o futuro, só não esqueça, você pode ter uma visão distorcida do seu presente.
🕛 Um coração bate quando é marcado, mas não é porque ele foi premiado que vou deixa-lo me dominar.
🕛 Decepções vem e vão, porém, o que te torna um diferencial é a sua atitude perante elas.
Em meio a esses conselhos confusos, sendo alguns, um tanto esquisito e outros profundos, mas que de alguma forma acarretam verdades em suas entrelinhas. Eram como um vendaval em alto mar, onde para um ser humano à deriva não há escapatória, entretanto, em meio a tudo isso pode haver uma saída.
Sinceramente, nem sei mais o que pensar, são tantos questionamentos confusos que me deixam realmente inquieta. Essa carta e esse livro maluco são para enlouquecer qualquer um.
Em meio a esses sentidos desconexos o telefone toca.
— Rosa, o que deu em você? Sério, estava me lembrando de um acontecimento do passado que você fez questão em errar comigo.
Ouvi esse comentário indignada, não acreditando que ela irá retomar águas passadas.
— Mãe, sério que a senhora... — Fui drasticamente cortada.
— Sem desculpas, lembra quando você falou quem em hipótese alguma assumiria algo que era da sua irmã? Mas você filha ingrata e egoísta, quis arrancar de mim o filho da minha preciosa Camélia. Agora, estou aqui para rever o que é meu e o seu egoísmo não irá manchar o nome da nossa família. Você não imagina o que estão falando de mim: que a filha sem futuro e objetivo na vida roubou o que era meu por direito, ainda por cima, terminou ficando com toda a herança que era da nossa família, pois quem tem o menino, desfruta dos benefícios — disse em frases taxativas e sem nenhuma abreviação.
Apenas deixei sua voz soar aparentando estar angustiada, enquanto meu coração quebrava em mil pedaços. Para enfim ouvi o bipe da ligação que caiu, arrancando-me daquele impetuoso alvoroço de palavras. Ao qual encontro-me completamente turbinada.
Desliguei o celular para ter ao menos um momento de sossego e tranquilidade, já que esse será um produto escasso com minha mãe aqui.
E mais uma vez me tranco para o mundo, na esperança que o desabrochar das emoções não venha em uma péssima hora. Enquanto a frase do livro esquisito perambula pela minha mente em uma sintonia silenciosa:
🕛 Mães são como um espelho para o futuro, só não esqueça, você pode ter uma visão distorcida do seu presente.
Enfim, acho que estou tendo mais que uma visão distorcida do meu presente.
Concluir as minhas tarefas do dia pacientemente. Enquanto digiro se volto ou não para casa. Tendo em vista, que agora têm duas pessoas para criar Oliver. — Não esqueça que Mark é apenas um estranho. E ele não pode fazer parte da sua vida desse jeito, você já está fantasiando novamente? — Minha consciência perguntou em aflição, com medo da minha próxima loucura.
Sei que posso parecer ingênua, manipulável, fraca, tonta e indecisa, mas tem horas que me vejo imaginando ser outra pessoa, alguém totalmente diferente que não lembrasse nada do passado, ou seja, que tivesse a oportunidade de ter uma nova vida.
Porém, esse mundo não é uma fantasia, e esses pensamentos estão totalmente fora do meu controle, infelizmente.
Enquanto divaguei-o em pensamentos, pego minhas coisas e sigo para casa, me preparando psicologicamente para mais uma seção de tortura. Em meio aos delírios melancólicos atendo o telefonema que acabou de soar, indicando na chama ser Sary.
— Olá! Flor do dia! — disse com a sua costumeira animação, testificando o quanto feliz ela está com o futuro casamento. — Mandei para o seu e-mail o PDF da passagem, espero que não tenha esquecido do meu casamento. Como você chegará aqui na véspera, não esqueça de vim direto para a minha casa, mandei os empregados preparem o seu quarto, como de costume — pronunciou com seu jeito agitado e frenético.
Com o estresse da mamãe acabei esquecendo a cerimônia, preciso avisar sobre os demais intrusos em sua festa.
— Bom, esqueci de um pequeno detalhe, meu marido, sobrinho e mãe também terão que ir comigo. — Nesse momento quis me enterrar no buraco da árvore de Alice no país das maravilhas, definitivamente minha vida se torna mais complicada a cada momento.
Poxa! Como vou explicar para Sary sobre Mark, determinantemente terei que ter uma boa mentira, ainda mais pelo meu histórico de confusões mirabolantes.
— Ô Rosa sinto muito pela sua irmã, quando ela morreu sua mãe me avisou rapidamente e prontamente disponibilizei um dos cruzeiros da nossa família para ela espairecer a mente. De verdade, tentei adiar o casamento, mas não consegui, pois só tem vaga para daqui a seis meses, e preciso casar antes que desista. Você sabe como sou volátil. — Dessa vez moderou o seu tom de voz na fala, expressando a sua tristeza.
— Sei, mas tudo bem, realmente preciso espairecer e seu casamento será um ótimo momento para isso — Tentei encerrar a conversar por aqui para não ser pega no flagra ao mentir, sem me atentar a mais uma infâmia da mamãe.
— Calma mocinha, a sua mãe já sei que virá ao casamento, vou reservar um quarto da casa para ela, porém... como assim a senhorita está casada? Você é minha madrinha e melhor amiga, Sinceramente Rosa Vermelha Bloom, não acredito que fui a última a saber dessa história? Como você pode fazer isso, não liga para os meus sentimentos? Logo eu que passei as madrugadas te incentivando a ir à casa dos seus ex-namorados para quebrar o caro deles, colocar esterco de cavalo em suas portas e provocar pequenos incêndios em suas habitações, enquanto você chorava e se lamentava por mais um fora que levou. Francamente! Estou decepcionada. — Emitiu um ruído choroso do outro lado da linha, exageradamente artificial.
— Pare de drama Sary, não é nada disso que você está pensando. Apenas aconteceu, você sabe. Estava caminhando sossegadamente por uma praça, quando de repente iria cair com a cara no chão, foi nesse momento que ele apareceu e no mesmo instante nossos olhos se encontraram e entendemos que deveríamos ficar juntos por toda a vida. Assim nos casamos no mesmo dia, algo simples e mágico. — Tentei soar convincente com minha história mirabolante, que servirá para as futuras gerações de apaixonadas por contos de fadas.
— Vou fingir que acredito, quando você chegar teremos uma longa conversa. — Dizendo isso ela finalizou a chamada, para alívio meu que não acreditei na besteira que acabei de falar.
Ainda em confusões mentais e angústias entrei em casa, seguindo para preparar preparativos da minha partida amanhã.
Encaro a mansão a minha frente, em detalhes clássicos como me lembrava, sem muita diferença desde a última vez que estive aqui. Com sua pintura bege e branca trazendo uma lembrança ao século XX, remetendo a sua arquitetura estrutural e harmonizada. O ambiente deste lugar é maravilhoso, sendo bem mais encantador pelo jardim envolta da casa, trazendo mais ainda uma áurea romântica no local, se assemelhando a corte antiga.
— Bem-vindos, não se preocupem os empregados mostraram os seus aposentos. Rosa, por favor me acompanhe — disse Sary para minha mãe e Oliver, já que Mark só poderá estar presente no dia do casamento.
Quando nos acomodamos em um banco no jardim próximo ao ramal de orquídeas, Sary começou as suas indagações.
— Fale. — O seu tom de voz foi decidido, indicando que nesta hora ela não está para brincadeiras. Algo muito difícil de acontecer é esse tom sério, mas quando ocorre indica que deveremos ser transparentes nas palavras, caso contrário teremos problemas.
Antes de falar suspirei nervosamente, me preparando para contar toda a verdade. Preciso disso, minha alma e sanidade anseiam por isso. Enquanto descrevia cada fato que ocorreram na minha vida nos últimos dias, Sary manteve uma postura séria, analisando cada fala minha e acima de tudo mostrando que tem hora para ser divertida, alto-astral e vida louca, mas acima de tudo tem momentos que precisamos parar para escutar, ser eficiente, saber esperar e além de tudo ser sábia. Afinal de contas, o ser humano não é feito de apenas uma personalidade, são multiplicas que completam uma à outra, dessa forma, mostrando a verdadeira característica da vida.
— Espera, deixe-me ver se entendi, você se casou com um completo estranho porque fez uma promessa estranha a ele, mesmo sabendo que ele poderia ser um surtado? Tendo o acréscimo de pedir para você ficar casada com ele até a meia-noite. Realmente, é preciso te internar num hospício. — O choque em sua voz foi nítido, contrapondo ao meu sorriso tímido de: fiz besteira.
— Contei toda angústia que venho passando nos últimos dias e a única parte que você absorve é essa? Querida, tem certeza de que sou eu que devo me tratar? — Inclinei minha cabeça para a frente e cruzei os braços, a encarando em descrença com a sobrancelhas franzidas.
— Calma! Entendi todo o ponto de vista que você falou, mas em tudo que você passou nesses últimos dias, essa parte foi a mais louca. Sinceramente Rosa... — murmurou parecendo se encontrar em descrença.
Por que Sary nunca entende o meu ponto de vista? Mamãe sempre fala que já estou velha demais ter uma vida igual à da minha irmã mais velha. Tenho 30 anos e essa foi a oportunidade perfeita que achei para casar sem me importar com a opinião das outros pessoas. Estou no emprego dos sonhos, um chefe maravilhoso, e para completar um marido com dinheiro. Essa é a vida que Camélia teve e que a Dona Fiona sempre buscou para as filhas, e em um passe de mágica consegui tudo isso da noite para o dia, essa com certeza é a melhor fase da minha vida.
— Qual é o significado da vida? Você sabe o que é se sentir morta durante toda a sua existência? Ter uma família totalmente amercear da mamãe? Sabe o que é para uma criança de 12 anos ficar sem um presente no dia do seu aniversário simplesmente porque a Dona Fiona decidiu que todos na casa deveriam economizar justamente no mês do meu aniversário? Que eu saiba a sua vida amorosa não é um completo fracasso, sua irmã já se casou com o amor da sua vida? Teve doze "relacionamentos" que não deram em nada apenas por ter o dedo podre no amor? E quando alguém se interessa por você e te pede em casamento do nada, você não aceitaria? Na minha situação, me diz, você aceitaria? Como eu estaria agora se não tivesse dito sim, e Oliver, estaria na mão da mamãe, para se tornar mais uma múmia na mão dela. Sary me diga, eu sou realmente louca?
Gente, até o capítulo que postei para vocês, esse foi o capitulo que mais gosto, até o momento. Espero que também os agrade. Votem e comentem...
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