CAPÍTULO 14
Semanas se passaram desde a ultima vez em que eu tive a oportunidade de ver Mark. Ele simplesmente sumiu. Não posso negar sentir falta. Falta de sua voz grossa e gentil, do seu cheiro, e também do seu toque em minha pele.
A presença de Mark é marcante. A sua presença em um lugar é algo marcante, fazendo com que nós nos acostumarmos mais rápido e mais fácil com sua presença. O conheço tão pouco, mas parece que o conheço tão bem quanto conheço a mim mesmo, e isso é estranho. Muito estranho, na verdade.
Lucas ágil estranho ao longo dessas semanas. Nosso contato virou algo limitado, sorrisos ao seu lado é algo quase impossível de ser conquistado. Venho negando a mim mesmo por um tempo de que essa distancia que se instalou em nossa amizade seja por conta do que aconteceu no campo, mas eu sei muito bem o que foi. Por mais que nós dois tínhamos feito as pazes em frente ao refeitório, as coisas não voltariam a ser como antes. Nunca mais.
Alyssa vem ao meu apartamento frequentemente para colocarmos o papo em dia. É tão bom, reconfortante, ter alguém como ela ao meu lado todos os dias. Ter alguém para desabafar quando sentir vontade, necessidade. Alyssa sempre foi alguém a qual eu sempre tive orgulho de ter ao meu lado, orgulho de ser digno de uma amizade tão pura e sincera. Alyssa anda mais feliz que o normal esses dias, e como um bom observador, eu consegui perceber muito rapidamente.
Carl, bom... Carl está como sempre. Nós dois conversamos bastante, mas nada tão intimo como Alyssa e eu. Claro, eu e Alyssa falamos sobre homens, sexo e outras coisas que necessitam de um nível de intimidade muito grande. Claro que eu tenho essa intimidade com Carl, ou até mesmo com Lucas, mas não toco nesses tipos de assunto com nenhum dos dois, pois não é a praia deles.
Eu estava com Diana no banho nesse momento. Ao invés de tomar banho normalmente, Diana estava pulando enquanto a agua do chuveiro caia sobre sua cabeça molhando seus fios pretos, os moldando em sua cabeça. Eu lavava meu cabelo calmamente enquanto pensava em como a minha vida mudara de um tempo para cá. A mudança é nítida. Diferente de antigamente, o banho é algo constante, todos os dias tomo dois, ou até mais. A comida é muita, diferente de antes que havia dias que eu tinha a chance de comer apenas uma barra de cereal estragada. As roupas não são mais rasgadas e tecido fino, são reconfortantes e inteiras. E enfim, um lugar para dormir, um teto, algo que desde que tudo começou eu não tive a oportunidade de ter.
— Deixe de algazarra ou irá se arrepender assim que cair. — Disse, após observar Diana pular.
— Para, Papai !! É tão legal, olha... — Continuou a pular com um sorriso bobo no rosto, me fazendo acompanha-la no sorriso.
— Pode até ser legal, mocinha, mas eu lhe garanto que quando voce cair a dor não será tão legal quanto. — Disse, com um sorriso no rosto. Diana me observou e logo depois parou de pular. Ela me encarou com a cara fechada e braços cruzados tentando fazer cara de brava para tentar me intimidar, mas eu não me deixei ser intimidado e logo a encarei. Fiquei encarando-a com a cara fechada, e isso já havia virado uma disputa de quem rir primeiro perde. Eu a encarava com fúria nos olhos. Não iria perder essa, não dessa vez.
— Eu vou dizer a todo mundo que voce gosta do moco de olhos azuis...— Ela disse, me pegando de surpresa. Eu substitui a minha carranca de raiva pela de surpresa. Logo Diana voltou a pular rindo da minha cara. — Eu ganhei, papai. — Falava enquanto pulava e apontava para a minha cara, rindo.
— De onde voce tirou isso, Diana ? — Ela parou de pular e sorrir quando viu minha expressão seria no rosto. Ela havia percebido que eu não estava brincando com ela, não mais.
— Ué, papai, eu ouvi voce falando com a titia Aly sobre estar com saudade dele. — Ela falou, na maior inocência. — Mas me desculpa, papai. Eu não sabia que esse assunto iria machuca voxe. — Disse, tristonha.
Me ajoelhei no chão do banheiro ficando de seu tamanho, e olhei em seus olhos e segurei em suas bochechas.
— Voce não me machucou, minha princesa, eu apenas fiquei confuso quando voce falou, ok ?! — Ela confirmou com a cabeça. — E quando nós estamos com saudades de alguém não significa que nós estamos apaixonados por essa pessoa. — Eu disse, e Diana me olhou com o cenho franzido.
— Mas eu não disse que o senhor estava apaixonado por ele, papai. — Disse, me pegando de surpresa pela segunda vez.
— Tanto faz. Voce entendeu, mocinha!! — Cortei o assunto, pois isso claramente mexeu comigo.
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Me acordei em um novo dia com batidas na porta do meu quarto. As batidas eram baixas, quase inaudíveis, mas eu consegui ser acordado por elas. Levanto da cama em que eu estava deitado ao lado de Diana e começo a caminhar em direção a porta do quarto, que por sua vez estava fechada, mas não trancada na chave.
Quando cheguei em frente a porta, eu agarrei em seu trinco e o virei. Quando a porta foi aberta, eu pude ver Lucas em minha frente, com a aparência constrangida. Quando isso vai parar ?
— O-oi... Tem dois caras armados na sala te chamando. Eles disseram que era super urgente, então eu decide vim te chamar. — Disse tudo lentamente. Eu acenei positivo com a cabeça e Lucas começou a andar em direção ao seu quarto. Eu não podia perder essa chance de falar com ele. Nem que seja apenas um obrigado, mas eu irei falar.
— Lu-lucas...— O mesmo se virou imediatamente. — Obrigado... — Lucas ficou um tempo calado, apenas me observando atentamente. Depois de um tempo ele apenas abriu um pequeno sorriso sincero e disse.
— De nada, conte comigo para tudo. — E foi embora.
Eu voltei para dentro do quarto para escovar meus dentes e ir em direção a sala onde, supostamente, havia dois homens armados a minha espera. Entrei dentro do banheiro e tentei fazer o mínimo de barulho possível. Não queria acordar Diana.
Depois de escovar os dentes, eu coloquei uma camiseta, pois estava apenas de calça moletom. Depois eu me dirigi até a sala e ao chegar na sala eu me deparei com dois homens imensos com grandes armas sendo seguradas por eles. Quase tive um infarto quando vi o tamanho daqueles dois homens, ou melhor, postes. Eles eram grandes, posso ate dizer que quase do tamanho do Mark. A roupa que eles usavam os deixavam com a aparência mais intimidadora. Suas roupas pareciam roupas do exercito.
Eles me encaravam com uma carranca seria e não pareciam muito legais. Logo comecei a refletir alguns dos possíveis motivos de eles estarem aqui, querendo falar algo serio comigo. Logo o problema de algumas semanas passadas passou pela minha cabeça, as falas de Mark dizendo que eu poderia ser expulso rondavam pela minha cabeça fazendo com que eu começasse a ficar nervoso. Sem deixar com que eu refletisse mais e ficasse ainda mais nervoso, o homem branco de cabelos loiros cortados em estilo militar se pronunciou quebrando minha linha de raciocínio.
— Ola, Loius, nós fazemos parte da segurança da cidade e estamos aqui para discutir algo a mando do Senhor Mark. — Disse.
— Sobre o que exatamente vocês querem falar ? — Perguntei, esperando o pior.
— Haverá uma pequena festa hoje a noite, e o senhor Mark pediu para que nós avisássemos ao senhor. — Disse, serio. — Ele pediu para que nós o acompanhássemos o senhor até a festa. Ele não nos disse o porque disso, mas creio eu que seja pela sua segurança, já que os homens daqui não são tão respeitosos com... — Me olhou de cima a baixo com um sorrisinho no rosto. — Com pessoas atraentes, na verdade, Gostoso.
Revirei os olhos com tanta babaquice. O homem negro que se posicionava ao lado do babaca bufou.
— Dá pra parar ? — Falou encarando o babaca, impaciente. — Não cansas de ser um otário ? — Perguntou fazendo o babaca revirar os olhos e ficar calado. O homem me encarou e com um sorriso envergonhado falou: — Perdão por isso, senhor, meu amigo não foi ensinado a como tratar um pessoa bonita direito. Ele sempre fala asneiras. — Dei um sorriso tímido em resposta.
— Tudo bem, estou acostumado com pessoas babacas. Ele não é o único. — Disse, fazendo o homem babaca ficar vermelho de vergonha. — Enfim, como isso tudo da festa irá funcionar ? Vocês virão me buscar ?
— Sim, nós vamos vim, sim. Senhor Mark pediu para que nós o vigiasse de longe na festa, para que o senhor não seja dopado ou forcado a fazer qualquer coisa sem querer por alguma pessoa. — Disse.
— E qual será a graça de eu ir a uma festa sendo vigiado ? Tipo, vocês vão ficar me vigiando toda a festa, o que é bastante chato. — Disse, com as sobrancelhas franzidas. — Se não se importarem, eu ficarei em casa. Não estou com vontade de sair para qualquer lugar, e além do mais, eu tenho uma filha, cujo eu preciso cuidar e olhar.
— O senhor Mark disse que o senhor provavelmente iria tocar neste assunto da sua filha, então ele meio que irá dar uma festa na casa dele. Mas apenas para crianças, e lá haverá dez babas olhando as crianças. Não precisa se preocupar, Loius. — Disse. — Enquanto a isso de ser vigiado, voce não precisa se preocupar com a gente. Pode ter certeza que você não ira ver nem nossa alma. Ficaremos o mais longe possível.
— Mesmo assim, eu não estou querendo ir. Estou meio mal sabe ? — Menti descaradamente enquanto alisava minha barriga por cima da blusa fazendo uma cara de desconforto. Queria insinuar que estava com a barriga doendo. — Foi mal, mas não vai dar. Peça desculpas ao Mark por mim. — Disse, dando as costas na tentativa de sair de lá o mais rápido possível, porem o homem retornou a falar.
— Loius... — Me virei novamente, encarando-o. — Não viermos te convidar, apenas avisar. — Disse, me deixando confuso.
— Como assim ? — Perguntei, com a testa franzida. Ele me encarou e continuou a explicar parecendo querer tomar cuidado em cada palavra.
— O senhor Mark não quer que o senhor não vá. Ele disse que a sua presença era importante, e se o senhor não aparecesse na festa ele nos expulsaria da cidade. Por favor, vá. — Disse, parecendo nervoso.
— O que ? — Eu estava perplexo com o que acabara de ouvir. — Ele pode fazer isso com vocês mesmo ? — Balançou a cabeça, afirmando.
Eu não sabia se ficava surpreso ou com ódio. Eu estava querendo saber o porque de toda essa confusão para que eu apenas comparecesse em um festa.
Suspirei e fechei os olhos concordando vagarosamente com a cabeça. Eu iria compareceria naquela festa. Eu tinha...
— Eu irei, mas sozinho. — Eu disse, e ele logo abriu a boca na esperança de me contrariar, mas eu fui mais rápido e o interrompi. — É isso ou nada. Se ele realmente quer que eu vá, ele terá que se contentar com que eu vá sozinho.
O homem a minha frente ficou calado, sem escapatória. Então, depois de um pequeno tempo pensando em o que fazer, ele apenas concordou com a cabeça. A sua insegurança estava estampada em sua cara, e não apenas na dele. O homem babaca também estava apreensivo com o que eu propus, mas mesmo assim não disse nada. Ficou calado, provavelmente rezando para que não fosse expulso por isso.
— Certo, nós aceitamos. Mas seria melhor que voce fosse acompanhado por algum amigo, não sei. Talvez isso deixasse o Senhor Mark mais tranquilo sabendo que voce não estará sozinho. — Eu concordei com a cabeça. Nao queria mais falar sobre esse assunto, eu já estava cansado disso. Então eu me limitei em apenas disse um:
— Ok... — Então, vendo que nossa conversa já havia chegado ao fim e que não havia mais nada a ser falado, os dois homens saíram do meu apartamento segurando as suas armas. Ao fechar a porta, eu suspirei.
Hoje a noite promete, e eu não gostava disso.
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