Valentine's day
“Ninguém te machuca como eu te machuquei. Mas ninguém te ama como eu amo.”
Happier - Ed Sheeran.
4485k de palavras
[...]
Três anos depois.
Jungkook podia sentir cada gota de suor escorrer por sua testa, cada espasmo que seu corpo dava ao ter sua próstata atingida era um gemido alto seu. Podia sentir seu pênis sendo comprimido entre seu corpo e a mesa, a qual seu corpo estava debruçado. Sua cabeça estava erguida, sendo suspensa pelo aperto forte de Taehyung em seus cabelos, usando seus fios como apoio a suas investidas. Jeon mantinha as pernas abertas, mas temia que não fosse capaz de sustenta-las por muito tempo.
— Tae se você continuar assim eu vou... — mordeu seus lábios, incapaz de dizer aquela palavra tão devassa.
— Vai o que? — se curvou sobre o corpo de Jungkook, gemendo em seu ouvido após aumentar as investidas. — Vai gozar?
— Hm... Não diz isso tão próximo ao meu ouvido — murmurou sentindo as lágrimas se acumularem nos cantos de seus olhos.
— Você gosta né? Quando eu falo safadezas no seu ouvido, enquanto te fodo por trás em cima dessa mesa?
Jungkook gemeu alto e deixou seu corpo ser levado pela luxúria daquelas palavras, sentiu Taehyung marcar seu pescoço com mordidas e chupões enquanto gemia rouco. Os dedos do alfa seguraram a cintura do ômega com mais força e se pôs ereto novamente, apenas para poder aumentar a velocidade das investidas. Jeon revirou os olhos sentindo seu pontinho doce sendo estimulado tantas vezes, podia sentir a quantidade absurda de líquido pré-seminal sendo expelido por seu pênis.
— Jungkook estou quase lá... Vou tirar.
— Não! Não tira — implorou em meio os gemidos.
— Não estou com camisinha, não é uma boa idéia.
— Está tudo bem, eu tomo um remédio depois, mas não saia de dentro de mim por favor — choramingou apertando a madeira da mesa.
Taehyung rosnou e continuou a investir com força, o barulho das peles colidindo se tornou ainda mais alto e eles temeram que os pais do ômega escutassem do lado de fora. Jungkook deitou sua cabeça na mesa e seus lábios mal se fechavam por conta dos gemidos contínuos, podia sentir o calor embalando seu corpo. Seu coração acelerou e sua respiração engatou, todos os músculos de seu corpo se contraíram e sua mente girou. Seu orgasmo fora prolongado pelas investidas de Taehyung e suas pernas cederam.
O alfa manteve o aperto firme em sua cintura, mantendo-o sustento enquanto sentia o interior de seu namorado se contraindo em volta de seu membro, que já pulsava em êxtase. Gozou junto ao ômega, desfazendo-se de forma intensa dentro de Jeon, que agora suspirava com a sensação de estar sendo preenchido pelo homem que amava. O nó foi atado e ficaram naquela posição por alguns minutos, apenas recuperando o fôlego perdido de seus pulmões. Taehyung deixou vários beijos pelas costas, nuca e ombros se Jungkook, que sorriu terno em direção ao alfa, sentindo o nó de desfazer.
— Você está bem? — o Kim perguntou baixinho, ainda beijando o namorado.
— Melhor impossível.
— Não esquece de tomar o remédio ok? — o ômega assentiu e os dois sentiram o nó se desfazer.
— Ok — virou-se para o alfa e o beijou. — Amanhã é o grande dia hm?
— Grande dia? — fez uma expressão confusa.
— Você...? Não acredito que você esqueceu Tae! Poxa passamos tanto tempo planejando isso e você... — Taehyung o beijou novamente.
— Estou brincando meu amor, como que eu vou esquecer? Venho sonhado com isso a muito tempo — Jungkook sorriu grande.
— Então quer dizer que amanhã nós seremos noivos? Sabe que a marca é um laço inquebrável né? Você vai ficar preso a mim para sempre, não vai se arrepender depois?
— Claro que não, seria uma honra estar preso a você para sempre. Tenho certeza que muitos estarão com inveja de mim depois de amanhã — o alfa sorriu terno e abraçou o ômega. — E você? Não vai se arrepender de prender a mim?
— Sabe a quanto tempo eu tenho esperado por isso? Eu vou me arrepender se eu deixar essa chance passar isso sim.
Taehyung sorriu grande e os dois voltaram a se beijar, de forma apaixonada como sempre faziam quando estavam nos braços um do outro. Após Jungkook reclamar que estava grudento eles foram em direção ao banheiro para tomar uma banho. Ficaram trocando beijos e carícias em baixo do chuveiro até dar o horário de Taehyung voltar para casa, ele precisava ajudar sua mãe a fazer a janta. Os dois se vestiram e Jungkook acompanhou o alfa até a porta de sua casa.
Quando Taehyung foi embora o ômega foi todo sorridente até a cozinha, sua mãe estava distraída cozinhando alguma coisa para eles comerem. Abraçou a alfa, que se assustou e depois sorriu para o filho, ele deixou um beijo em sua bochecha e resolveu ajudá-la com os preparativos da janta. Ele estava radiante, amanhã seria o dia dos namorados, data essa que Taehyung e ele decidiram lembrar futuramente como o dia em que eles findaram a marca. Iriam se unir em um laço físico e emocional, que ligava os dois como parceiros.
Jungkook sonhou tanto com esse dia que estava ansioso, o sorriso não saia de seus lábios mesmo que tentasse. Estava conversando com sua mãe sobre o que ela e seu pai fariam no dia dos namorados e o ômega sorriu, eles iriam sair para jantar em um restaurante caro. Estavam distraídos com o assunto e as tarefas na cozinha até que Jungkook gemeu quando uma dor forte e repentina surgiu em sua cabeça. A alfa ficou preocupada e se aproximou de seu filho, que agora tinha as duas mãos apoiadas na cabeça.
Jungkook sentiu sua cabeça latejar em uma dor lancinante, quase como uma britadeira tentando quebrar seu crânio. Ele cambaleou e se apoiou nos braços da mãe, estava tão forte que podia sentir que a qualquer momento desmaiaria, não era como as dores que havia tendo ultimamente. Toda vez que as dores pioravam seus pais o levava ao hospital mais próximo de casa, o médico apenas passava remédios dizendo que era um quadro de enxaqueca. Mas aquilo estava insuportável de mais para ser apenas uma enxaqueca.
A alfa se desesperou quando seu filho caiu desacordado em seus braços, ela chorou e seu corpo começou a tremer enquanto chamava por seu nome. Jungkook não reagia a seus chamadoa, então ela apoiou o braço de seu filho nos ombros e esforçou-se para caminhar até seu carro, pegando seu celular e as chaves no caminho. Com certa dificuldade ela o deitou no banco de trás e correu para o banco do motorista, ligando o carro com pressa, quando notou que estava em pânico tentou respirar e se concentrar no que fazia. Dirigiu para o hospital o mais rápido que conseguiu.
Pensou em ligar para seu marido no caminho, mas já estava sendo imprudente o suficiente no trânsito por conta de sua pressa. Quando chegou ao hospital ela estacionou perto da entrada, ignorando completamente a placa que mostrava que era proibido estacionar naquela área. Correu para dentro do recinto e em desespero pediu ajuda para pegar seu filho inconsciente no carro, três paramédicos betas foram com ela e uma maca buscar Jungkook, que ainda estava desacordado.
Ela entrou com eles até que em um dado momento sua passagem foi barrada, ela já estava chorando copiosamente mesmo sem saber o que seu filho tinha. Sua intuição de mãe não a enganava, havia algo de errado, talvez tivesse haver com as dores frequentes de seu filho e se esse fosse mesmo o caso, ela iria processar o médico que cuidava de Jungkook. Foi até a recepção onde uma ômega lhe deu um copo de água para se acalmar, preencheu a ficha de seu filho e ligou para seu marido aos prantos quando havia terminado.
[...]
Sunye estava esperando sentada naquela sala de espera a quase uma hora, e ninguém lhe dava notícias, queria ser positiva e pensar que estava tudo bem. Mas a cada minuto que se passava seu coração se apertava ainda mais, Hyunjoong seu marido estava abraçando-a, igualmente abalado. Precisavam de notícias, mas toda vez que o médico aparecia era para chamar a família de outro paciente. Estavam com as lágrimas presas nos cantos de seus olhos, mal conseguiam chorar devido ao choque.
— Parentes de Jeon Jungkook? — uma enfermeira chamou e eles rapidamente se levantaram. — Me sigam por favor.
Os dois foram até a beta que tinha uma prancheta nas mãos, eles perguntavam a ela a todo instante se o filho estava bem, mas ela apenas dizia que tinham de esperar o médico. Mas que Jungkook já estava consciente e agora estava em um leito, esperando o resultado dos exames. Assim que entraram na sala viram o filho deitado na maca olhando para o teto, eles sorriram aliviados e o ômega retribuiu o sorriso. Se aproximaram e abraçaram Jungkook com lágrimas de alívio.
— Está tudo bem meu amor, está sentindo dor? — Sunye perguntou preocupada e o menor negou.
— Estou bem agora, nem me lembro de ter desmaiado — contou franzindo o cenho confuso.
— Quase matou a gente do coração — seu pai brincou e o menor sorriu.
— O médico disse alguma coisa para você? — a alfa perguntou.
— Ele fez algumas perguntas e colheu um pouco de sangue, após isso me levou para fazer uma ressonância magnética. Disse que voltaria para falar comigo assim que o resultado dos exames saíssem — disse calmamente e seus pais assentiram.
Passaram-se muitos minutos enquanto eles conversavam, Sunye estava enfurecida com o médico que passava os remédios ao filho. Hyunjoong acalmava a esposa dizendo que eles tomariam as devidas providências quando saíssem dali. Após um tempo o médico responsável pelo ômega entrou na sala, comprimentou os pais de Jungkook e olhou para o ômega. Fez mais algumas perguntasse como: a quanto tempo ele sentia dores de cabeça e se já sentiu alguma dormência ou confusão mental.
— O que ele tem? — Hyunjoong perguntou preocupado com o teor das perguntas e o médico suspirou.
— As notícias não são boas — o clima no quarto ficou tenso. — Após chegar aqui Jungkook teve uma convulsão. Como não sabíamos a causa resolvemos fazer uma bateria de exames, ele acordou enquanto coletavámos algumas amostras de sangue. Demonstrou bastante confusão mental e após alguns minutos voltou a ficar completamente lúcido.
— O que eu tenho é grave? — o médico assentiu.
— Após vermos o resultado da ressonância identificamos um tumor maligno em seu cérebro. Era isso que causava suas dores de cabeça todo esse tempo, tudo por conta do tumor.
— I-Isso tem cura né? — Sunye perguntou aflita e o médico assentiu.
— Mas infelizmente temos mais um problemas — Jungkook engoliu em seco. — Com o tempo o tumor vai crescendo cada vez mais, o que está alojado em seu cérebro é grande o suficiente para trazer um grande risco a sua saúde e um grande desafio cirúrgico. O essencial é uma cirurgia e algumas seções de radioterapia.
— Então é isso? Qual o problema? Por que não fazem? — Hyunjoong perguntou confuso.
— O exame de sangue de Jungkook mostrou um grande nível de Beta HCG — todos olharam confusos para o médico. — Jungkook está grávido.
Aquela notícia caiu como uma bigorna na cabeça de Jungkook, ele não entendia, sempre usaram camisinha, a não ser hoje, mas ninguém engravida assim tão rápido. Até que ele se lembrou de dois meses atrás quando entrou no cio, estavam tão preocupados em satisfazer o namorado que não se lembrou de tomar o remédio. Os pais de Jungkook olhavam para o ômega com o choque refletido em seus olhos, mas o ômega não estava diferente. O médico deu um minuto para eles absorverem antes de voltar a dizer.
— Não podemos realizar uma radioterapia em um paciente grávido. Isso é fatal ao bebê e a ele.
— Então o que propõe? — Sunye estava desesperada.
— A radiação pode afetar o bebê se for administrada durante a gravidez, portanto não deve ser administrada antes do parto. Mas atrasar a radioterapia por muito tempo poderá aumentar a chance de recidiva da doença — o médico explicou fazendo os olhos de Jungkook marejarem. — Temos duas alternativas: tentar retirar completamente o tumor fazendo uma craniotomia, é uma cirurgia de grande porte na qual o cirurgião utiliza vários instrumentos para visualizar o cérebro e realizar o procedimento de forma segura. Porém no caso de Jungkook as chances de sucesso dessa cirurgia são quase nulas, devido ao tamanho do tumor e as chances de complicações.
— E a segunda alternativa...? — Jungkook perguntou temeroso e o médico o encarou com cuidado.
— Em casos como esse o aborto é o mais indicado, pois está trazendo risco a saúde da mãe... Se for da sua escolha iremos remover o feto e fazer a cirurgia mais segura, que é remover o máximo do tumor que conseguirmos sem afetar nenhuma área do cérebro e aplicar a radioterapia ao seu tratamento. A chance de sair curado é de quase 100%.
— Ele vai fazer a segunda alternativa! — Sunye disse rapidamente.
— Infelizmente Jungkook já é maior de idade, a decisão é dele — o médico disse de forma cautelosa.
— Ele vai escolher a segunda alternativa não é filho? — Sunye encarou Jungkook, que estava com os olhos marejados e as mãos na barriga. — Filho?
— Eu não posso mãe... — ele a encarou, sua voz estava embargada.
— Jungkook por favor, pensa bem hm? Sei que é uma escolha difícil, mas você pode ter outros filhos com o Tae quando isso acabar — as lágrimas já banhavam seus bochechas.
— Eu não posso perder meu primeiro filho dessa forma... — sua frase soou completamente quebrada.
— Eu também não posso perder o meu! — ela chorou e Jungkook fez uma careta chorosa.
— Me desculpa — Sunye sufocou um soluço e se virou, caminhou para fora do quarto as pressas. Jungkook chorou ao ver sua mãe naquele estado.
— Está tudo bem meu anjo — a voz de seu pai falhou e acariciou os cabelos do filho. — Ela vai ficar bem, só está sendo difícil para ela aceitar que pode te perder. É doloroso de mais pensar nessa possibilidade...
Jungkook encarou seu pai que segurava o máximo que podia suas lágrimas, podia ver ele engolir o bolo em sua garganta e se sentiu mal. Mas ele não podia fazer aquilo, ele não conseguiria suportar viver sabendo que tirou a vida de um bebê para poder sobreviver, o bebê dele com o alfa que ele amava. Mesmo sendo tudo muito repentino ele não queria abortar, ele queria ter a chance de ver o rostinho daquela criança que estava gerando, de poder ver se ela seria parecida com ele ou com Taehyung.
Ele preferia morrer do que a viver com a peso de uma morte nas mãos.
Mesmo que dissessem que o feto ainda não tinha vida, ele não pensava nessa forma. A escolha era da mãe abortar ou não, de seu psicológico e condição financeira, independente da opinião do pai, mesmo que ele tivesse de ser avisado. Pois quem está carregando e sofrendo todas as alterações hormonais não é o pai. Mas ele não queria abortar, sempre quis construir uma família com Taehyung, e o alfa era louco para ser pai. Ele não conseguiria viver sabendo que simplesmente tirou o filho deles do ventre para sobreviver, não importa se ele morreria, ele não viveria com aquela culpa.
— Eu vou ficar com a primeira alternativa... — olhou para o médico e o mesmo assentiu.
— Tenho que te avisar, as chances de sucesso são muito pequenas. E mesmo que seja um sucesso e não haja complicações durante todo o processo, pode haver sequelas...
— Está tudo bem, estou disposto a correr esse risco — ouviu um soluço de seu pai e segurou sua mão.
O médico assentiu e saiu da sala, o clima estava mórbido, Jungkook sabia que poderia não sair vivo daquele hospital e a ideia de nunca mais ver Taehyung era insuportável. Mas idéia de ele sofrer por sua morte era ainda pior, como ele reagiria se soubesse que estava grávido? E se ele morresse ele sofreria o luto pelos dois? O ômega começou a chorar por todas as coisas que iria perder ao lado do alfa, chorou porque não podia deixar uma marca tão horrível na vida dele. Preferia que ele pensasse que o namoro havia acabado do que saber que ele passaria a vida lembrando do quase noivo e filho que perdeu.
— Pai... Me empresta seu celular? Preciso falar com o Tae — sua voz falhou.
— Claro meu amor — ele tirou seu celular do bolso e entregou ao filho, que encarou o aparelho por alguns minutos. — Vou ir falar com a sua mãe tudo bem?
O ômega assentiu e seu pai sorriu, um sorriso muito pequeno e afetado pela dor, deixou um beijo em sua testa e saiu da sala. Jungkook engoliu em seco sentindo suas mãos suarem e tremerem, ele desbloqueou o celular e digitou o número que já sabia de cór. Ele ficou um tempo encarando aqueles números, sentindo seus olhos arderem pelas lágrimas em excesso e o bolo se formar em sua garganta. Pensou no que diria e sentiu seu peito doer ao imaginar a reação do alfa. Apertou o botão e colocou o aparelho no ouvido, a cada toque da chamada seu coração acelerava.
— Senhor Jeon? — a voz do outro lado soou surpresa.
— Oi Tae — sua voz saiu mais rouca do que pôde controlar.
— Oi meu amor — o coração de Jungkook se quebrou ainda mais. — Por que está ligando pelo celular do seu pai? Está tudo bem?
— Precisamos conversar — o embargo em sua voz ficou nítido.
— Jungkook está tudo bem? Eu vou ir aí.
— Eu não estou em casa Tae.
— Onde você está? Por quê está chorando?
— Nós precisamos ter uma conversa séria Taehyung — estava começado a entrar em desespero.
— Está me assustando...
— Não dá mais Tae... Isso... Nós.
— Não estou entendo...
— Não é isso que eu quero para o meu futuro Tae, eu sou jovem de mais.
— Está falando da marca? — disse com certa urgência na voz. — Podemos esperar Kookie, não precisa ser agora, eu posso esperar até que esteja pronto.
— Não é isso — as lágrimas já saiam completamente desenfreadas. — Eu não quero estar preso a alguém entende? Eu pensei que era o que eu queria, mas após pensar bem eu mudei de ideia.
— ... — a pausa na linha fez o um soluço escapar de sua garganta. — Está... Está terminando comigo?
— Eu... — mordeu seus lábios, sua voz embargou ainda mais e o bolo em sua garganta ficou ainda mais pesado. — Desculpa Tae.
— Por quê Jungkook? Eu fiz algo errado? — a voz de Taehyung tinha um timbre quebrado e o ômega desmoronou. — Você tem outro?
— Não! Eu não traí você — ele não se importava em conter as lágrimas ou os soluços. — Eu realmente fui fiel a você todos esses anos, eu te amo mais do que tudo nesse mundo.
— Então por quê? — Taehyung chorava do outro lado da linha.
— Eu não quero mais Tae... Já deu pra mim — e mais uma vez o silêncio na linha quebrou o resto do coração de Jungkook, até que o silêncio foi cessado por um soluço de Taehyung.
— Ok... — a linha ficou muda.
Jungkook retirou o celular de seu ouvido e deixou que toda a sua dor fosse liberada, ele havia acabado de partir o coração de sua alma gêmea. Havia acabado de largar toda uma vida repleta de sorrisos quadrados, era doloroso de mais suportar aquilo em silêncio. Os soluços e o choro alto cortavam sua garganta como lâminas, sentia seu peito doer como se houvessem arrancado seu coração do tórax. O peso da culpa o corroía aos poucos, sentia o desespero atingir seu corpo com tremores fortes.
Seus pais entraram no quarto quando ouviram o filho chorar, sua mãe o encarou e sentiu seu peito apertar ao ver Jungkook naquele estado. Ela caminhou até o ômega e o abraçou, deixando seu pequeno chorar em seus braços, Hyunjoong abraçou os dois. A alfa sentia raiva do universo, raiva por estar sendo tudo muito injusto com seu filho, ele não havia feito nada de errado, ele não merecia nada daquilo. Ele estava tão feliz por finalmente se atar ao namorado no dia seguinte, mas aquilo seria tirado dele de forma cruel, o universo era abominável.
Agora o ômega perdera o namorado, as esperanças e possivelmente perderá a vida e o filho, o destino não poderia ter sido mais cruel com ele. Ficaram muito tempo daquela forma, até que os soluços de Jungkook acabassem, o ômega adormeceu nos braços dos pais. Pouco tempo depois o horário de visita acabou e eles tiveram que sair, o médico informou que a cirurgia havia sido marcada para a data mais próxima, para ser feita o mais rápido possível. Os dois agradeceram ao médico e foram para casa para buscarem algumas roupas.
Quando estavam estacionando o carro na garagem de casa viram Taehyung sentando nos degraus da entrada de sua casa, ele tinha a cabeça abaixada e as mãos no rosto. Podiam ouvir quando saíram do carro o choro do alfa, que soluçava alto de cabeça baixa. Quando ele ouviu a porta do carro se fechando Taehyung olhou para os dois, que tinham o rosto banhado em pena e dor, o alfa apenas sorriu fraco e se levantou, entrando em casa sem falar com eles. Aquela situação estava acabando com todos.
[...]
Hoje era o dia da cirurgia de Jungkook, todos estavam em clima mórbido. Os pais do ômega tentava ser positivos, mas suas esperanças eram sufocadas pelas chances quase nulas de seu filho sobreviver a àquilo. Jeon tentava passar o máximo de tempo que podia ao lado de seus pais, deixou mensagens para seus amigos dizendo que os amavam muito, independente da distância e pediu desculpas se já os magoaram. Alguns ficaram aflitos, estranhando o porquê da mensagem, mas não foram respondidos.
Ele já estava entubado e acariciava o rosto de seus pais, vendo em seu pulso sua pulseira de identificação. Seu peito doía mas ele segurava as lágrimas, tentando ser forte por eles, se aquela seria a última vez que veriam ele, que tivessem guardada a imagem dele sorrindo. Os enfermeiros entraram no quarto logo em seguida para levá-lo para a sala de cirurgia, seus pais o acompanharam até onde podiam ir. Se despediu com um sorriso no rosto e os olhos marejados, quando entrou em um corredor da área de cirurgia ele pousou a mão sobre sua barriga.
Quando entrou na sala várias pessoas o recebeu, levaram sua maca até o centro da sala e Jungkook viu eles pegando vários aparelhos, enquanto a mulher tirava o tubo que estava em seu nariz e substituía por outro ele viu uma luz forte ser posta sobre sua cabeça. Viu o frequencímetro ser posicionado ao seu lado e algo ser colocado em seu dedo, o barulho de sua frequência cardíaca começou a apitar, estava acelerado. Sentiu algo gelado em sua barriga e outro bipes foram ouvidos, era o coração de seu bebê.
— Oi Jungkook está pronto? — seu médico sorriu por trás da máscara.
— Nem um pouco.
— Fica tranquilo, vai ser difícil, mas eu farei de tudo para que você e seu bebê saiam vivos desta sala.
— Obrigado doutor... — sorriu.
— Então podemos começar? — o médico caminhou e ficou atrás da loja azul sobre a sua cabeça.
— Eu vou ficar acordado? — perguntou confuso.
— Sim, mas não se preocupe, não vai sentir nada — disse com um tom de voz brincalhão. Após muitos minutos e barulhos de maquininhas estranhas ele voltou a conversar. — Me conte sobre você Jungkook.
— Hm... Tenho vinte e um anos, trabalho em uma biblioteca perto de casa e quero cursar artes cênicas.
— Oh isso é bom! — Jungkook sentia algo estranho na sua cabeça, não doía, só era muito estranho. — O que está sentindo? Qual a sensação de eu estar cutucando seu cérebro?
— Não sei descrever... Estranha? — o médico riu.
Passaram-se horas, na cabeça de Jeon pareciam estar ali a séculos conversando, as enfermeiras riam de algumas coisas que ele contava e o médico o tempo todo fazia perguntas. Os bipes de seu coração estavam calmos, e podia sentir um zumbido, parecia abelhas ninhadas em seus cabelos. O médico disse que era normal, alguns pacientes ouviam o mesmo, o tempo todo o médico perguntava se ele estava sentindo alguma coisa. Ficaram conversando durante toda a cirurgia, até que a pergunta foi feita.
— Quem é o pai do seu bebê?
— Kim Taehyung, o alfa por quem sou apaixonado a mais ou menos três anos e meio — sorriu ao lembrar do alfa.
— Seu namorado?
— Não mais... Iríamos findar a marca ontem. Mas eu terminei com ele — disse com seu tom de voz ficando um pouco mais triste.
— Entendo... Por conta da cirurgia então.
— Sim.
— Tenho certeza que ele irá entender quando você voltar.
— Espero que sim, eu quero contar a ele que vai ser p... — sua voz saiu embolada e ele franziu o cenho quando não conseguiu completar a frase.
Jungkook pôde ver pelo olhar de uma das enfermeiras que aquilo não era bom, ela olhou para o médico e depois focou no leitor cardíaco. Jungkook estava ficando com sono, com muito sono, podia ouvir a voz do médico chamando por ele quanto fechava os olhos, mas sua voz soava bem longe, quase um eco. Podia escutar as vozes abafadas das pessoas a sua volta, pareciam calmas como canções de ninar, até que a escuridão banhou seus sentidos. O ômega ficou inconsciente, a enfermeira foi rápida em pegar a lanterna de seu bolso e abrir os olhos de Jungkook.
— As pupilas estão dilatadas — ela disse rapidamente.
— Estou quase acabando, apenas mais um pouco — o médico disse concentrado.
— A pressão está caindo — outra enfermeira alertou.
— Como está o bebê? — o médico continuou concentrado.
— Sinais um pouco elevados — um homem informou.
— Falta pouco, não posso parar agora — o médico continuou.
— Parada cardíaca — a enfermeira informou, mas o médico ficou em silêncio por alguns segundos.
— Terminei! RCP agora! — uma das enfermeiras colocou as mãos entrelaçadas e juntas sobre o tórax de Jeon. Começou a ressuscitação enquanto outro médico finalizava e suturava a cabeça do ômega. — Vamos Jungkook reage...
— Sem batimentos — a enfermeira não parou.
— Desfibrilador bifásico 200 joules! — um dos enfermeiros trouxe o equipamento e apertou alguns botões, abriu a roupa de Jungkook enquanto o médico colocava o gel no Desfibrilador e esfregava as extremidades juntas. — Afasta.
Todos saíram de perto de Jungkook quando o médico colocou o aparelho sobre o tórax de Jeon e apertou os botões. O corpo de Jungkook impulsionou para cima e todos olharam a frequência cardíaca na tela, ainda mostrando uma linha reta e sem batimentos. Voltaram a fazer o processo de ressuscitação, o médico olhava fixamente para o leitor. Jungkook precisava reagir, ele não podia usar o desfibrilador novamente, não faria bem ao bebê, por isso teria de contar apenas com a persistência do ômega em viver.
— Vamos Jungkook... — o médico ainda olhava para o leitor. — Você ainda tem que contar ao seu namorado que ele vai ser pai.
~♥️~
Essa estória...
Espero que vocês tenham conseguido sentir a dor dos personagens e toda a mensagem que eu quis passar com ela.
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