Capítulo IX - Uma curva na estrada (Parte I)


O retorno da viagem ocorreu na mais profunda melancolia, a decepção nos olhos daqueles que estavam apaixonados, mas tinham de se distanciar por um tempo, tornando-a entediante e desconfortável, no bafo quente que se assolou com a chegada do anoitecer. Lilly só conseguia pensar no quanto estaria encrencada se não chegasse em casa antes das sete da noite e, quando partiram da propriedade dos Denver, já deveria ser por volta das vinte para as seis. Seria um horário apertado e o cocheiro parecia saber disso, brandindo seu cumprido chicote, berrando ao cavalo para que acelerasse. De fato, era uma região mais perigosa do que o centro. Todas as estradas eram, já que as sombras que ali recaíam pareciam as mais densas de toda a extensão de Eastbourne, tanto que a carruagem fizera apenas uma única parada, acendendo uma pequena lanterna de cerâmica que, agora, balançava ao lado do rosto daquele que guiava a carruagem, já cansado.

O silêncio dentro da cabine era estarrecedor, quase sufocante. Por algum motivo, nenhuma das duas conseguia olhar diretamente nos olhos da outra. Lilly tinha medo de fitar Heather e encontrar aquele olhar penoso, de quem sabe o quanto é doloroso não ter o destino em suas mãos, e a amiga também não o queria fazê-lo, pois, dentro de si ainda sentia-se um tanto deprimida por não ter conseguido um beijo antes dela, por mais fútil que isso pudesse ser. Mas, quando a senhorita Talbot fez menção de lhe dizer algo, foi nesse instante que um estalo metálico soou no exterior.

A carruagem trepidou, sua roda sendo arremessada por entre os campos que, agora, tinham árvores de troncos grossos e folhas pequenas. O cavalo, em meio ao relinchar, sentiu as patas falharem com o peso descompensado e, em meio aos gritos delas, a carruagem tombou para a esquerda, o corpo de Lilly esmagando-se com o próprio peso enquanto Heather tentava se segurar em meio ao ar, falhando miseravelmente e sentindo a testa chocando-se contra o vidro, que trincou de imediato.

...

Ela acordou com a visão embaçada, alguns fios de seu cabelo enroscados contra os cílios, mas ainda assim ela podia ver o rastro de sangue que escorria da testa de sua amiga, desacordada. Cada parte de seu corpo doía e os ouvidos zuniam, não distinguindo os gritos que vinham do lado de fora. O vidro estava rachado e apontava para a terra, que entrava por suas falhas, aos poucos, sorrateira. Lilly esforçou-se para olhar para cima, movendo seu corpo com cuidado para não se cortar, e a carruagem estava de uma maneira que ela nunca vira.

A única saída dali era a porta que, agora, encontrava-se a alguns metros acima de sua cabeça. Antes de mover-se novamente, certificou-se de que todo seu corpo estava apto para tal, ou ao menos tivesse o mínimo de força para tentar sair.

- Heather? – Ela perguntou num sussurro enquanto o zunido em seus ouvidos começava a diminuir, tornando-se quase o som de uma abelha próxima demais. Lilly passou a ponta dos dedos contra o rosto da amiga e o indicador tingiu-se de vermelho. O corte não parecia profundo, mas a pancada que sofrera fora o suficiente para desacordá-la. – Heather? – Ela chamou novamente e, nesse instante, a audição voltou por completo e os berros do exterior assustaram seu corpo.

- JE T'AI DIT DE NOUS AMENER LA FILLE, ENCULÉ! – Um homem berrou grosseiramente e o coração de Lilly acelerou-se. Não era inglês o que falava. O que estava acontecendo? Quem estava gritando? Seria um ladrão de estrada?

Mas antes que a mente pudesse tentar formular qualquer hipótese ao menos plausível, ela ouviu passos subindo pela lateral direita da carruagem, os pés contra o metal, e, logo em seguida, a passagem se abriu. O cocheiro estava ali, seu bigode grisalho bagunçado, um olho inchado e o lábio cortado, ainda sangrando, o ar melancólico em seu semblante fez as sobrancelhas de Lilly arquearem, fitando Heather e pensando que, talvez, o suposto ladrão no exterior não soubesse que haviam duas mulheres na carruagem, afinal, ordenara que ele entregasse a garota a eles. No singular. Pensando em manter a amiga inconsciente a salvo de quem quer que fosse, Lilly engoliu em seco e, quando o serviçal dos Denver a fitou novamente, ela apontou para a garota ainda deitada e pediu, através do gesticular da mão, para que ele não dissesse nada.

- Pourquoi es-tu si lent? – Uma segunda voz ecoou pela estrada, cobrando pela demora. Haviam mais deles. O corpo de Lilly encheu-se de adrenalina, o medo correndo pelas veias enquanto se endireitava, as pernas esticando-se com dor conforme o cocheiro lhe esticava a mão. Ela a apanhou, encaixando os pés contra o acolchoado e impulsionando-se para cima enquanto ambos grunhiam e o ar quente acolhia seu pescoço em uma brisa que lançou seus cabelos para o lado.

A visão era assustadora. Havia pelo menos cinco homens ali, armados, ora com adagas francesas que refletiam a luz do crepúsculo, já em seu fim, ora com pistolas devidamente apontadas para os rostos deles, envolta da lanterna de cerâmica, ainda acesa, que a carruagem carregava. Lilly encolheu as pernas e o vestido arrastou-se pelo metal. Ela não olhou para dentro da carruagem novamente, temerosa deles desconfiarem de algo.

- Mas ela é deveras adorável, não? – Anunciou o homem de voz mais grave, que tinha uma longa barba nojenta, crespa, os fios revoltosos enquanto o indicador os enrolava ainda mais.

O cocheiro ajudou-a a chegar no solo e, agora, eles estavam ali, parados a alguns metros de homens desconhecidos, de corpos corpulentos e traços rudes, como se a natureza tivesse sido desleixada ao moldá-los. Não houveram apresentações, é claro, mas ainda assim, com uma intimidade excessiva, um dos homens apareceu ao lado dela e agarrou-lhe a nuca, arremessando Lilly contra a terra empoeirada, caindo de joelhos de frente para as botas gastas que o barbudo usava. Logo em seguida, o corpo do cocheiro também tombou ao seu lado.

- Bonsoir, ma chérie. – O ladrão dobrou os joelhos e ficou na altura dos olhos dela. Tinha um sorriso horrível, com dois dentes de latão, e os olhos eram pura malícia e fúria. – Pourriez-vous nous aider?

- Elle ne parle pas votre... – Começou o cocheiro no instante em que Lilly paralisou, sem entender o que o homem havia perguntado. Sabia que o idioma era francês, mas o pouco que sabia não lhe ajudou em nada e, agora, o mesmo homem que os empurrou contra o chão ressurgia, chutando o rosto do serviçal, que voou para trás, cuspindo sangue em meio à poeira.

- Arretê ça! – Ela implorou, tentado formular frases em sua mente, aflita, para que eles parassem. - J-Je ne parle pas fraçais. – Gaguejou como resposta e os homens, atrás do barbudo, riram. – Vocês falam inglês?

A contragosto, o barbudo entornou o nariz e pigarreou, erguendo-se, as mãos grosseiras apoiando sobre seu cinto enquanto os olhos dela ficavam numa altura nada agradável, tão próxima à braguilha dele, que fedia a sal de bacalhau. Com um gesto quase imperceptível, ele ordenou que um de seus companheiros viesse até ali, apontando para ela algumas vezes enquanto falavam algo que ela não conseguia ouvir. Lilly percebeu o momento em que seus olhos se cruzaram com os do novo indivíduo, tão alto que as sombras causadas pela fraca luz quente lhe cobriam mais do que os outros, a cabeça protegida por um chapéu pontudo e a gola de sua jaqueta erguida até a altura do queixo, mas ainda assim ela reconheceu algo em suas feições. Algo familiar demais, que faria com que alguém fosse morto naquela noite.

- O que queremos é bem simples. – O novo homem começou a dizer, seu inglês saindo por entre os lábios, surpreendendo a garota. O modo como as palavras emanavam de sua boca, carregadas demais, fizeram-na pensar que ele estava engrossando a voz para não ser reconhecido. Ela tinha certeza de que já o vira antes, só não conseguia lembrar onde. O medo, a angústia e aflição que percorriam seu corpo eram o suficiente para suprimir qualquer memória. – Onde estão as cartas de corso?

- O quê?

- Temos motivos para acreditar que a senhorita as detém.

- Mas...

- Entregue-nos. – Ordenou uma última vez e Lilly franziu o cenho.

- E-Eu não sei do que está falando. – Lilly olhou de um lado para o outro, desde o rosto assustado do cocheiro ao seu lado, passando pelos homens e recaindo sobre a vastidão de sombras que serpenteavam os campos da estrada.

Então, o ladrão à sua frente endireitou-se, esticando as pernas enquanto o barbudo ressurgia atrás dele, colocando a mão direita sobre seu ombro e cochichando algo que ela não entendeu, mas o movimento em seguida fez o coração dela saltar até sua garganta e travar o ar em seus pulmões.

- Senhorita Talbot. – O homem de pele escura recomeçou, palavras suaves enquanto seu líder erguia sua pistola e a engatilhava. – É a última vez que irei perguntar: onde estão as cartas de corso?

O suor escorria pelas costas dela e os cabelos lhe caíam sobre os ombros, o âmago do desespero surgindo em seu corpo conforme o cocheiro encolhia-se entre seus ombros, chorando, as lágrimas saltando dos olhos enquanto a garota tentava pensar em uma resposta que os agradasse o bastante para, ao menos, não os matar.

- Eu não...

Mas no mesmo instante em que o barbudo ouviu-a dizer aquela negação, seu dedo gordo puxou o gatilho, a bala disparando do cano, quente e sedenta, voando na direção da testa do cocheiro, que partiu-se enquanto o projétil arrebentava as fibras de sua cabeça, arremessando-a para trás, respingos de vermelho inundado em uma explosão o lado esquerdo do rosto de Lilly, que gritou assustada, as mãos tremendo enquanto a sensação pegajosa grudava em sua pele. O corpo tombou ao seu lado, um baque surdo em meio às risadas dos homens.

- Desculpe-me, mas o meu dedo é muito pesado. – Vociferou o barbudo na direção dela, um arranhar do inglês que, apesar de imperfeito, causava temor, fazendo com que arrepios percorressem o corpo da garota. – O que você dizia? – A arma voltou-se para ela.

Lilly ainda permanecia estupefata, as mãos não paravam de tremer e os olhos apenas enxergavam borrões assustadores. Havia um homem morto ao seu lado, agora.

- Apenas nos entregue as cartas, e tudo termina. – Disse o moreno.

Mas o modo como ele terminou aquela frase. O que terminaria? Supondo que ela entregasse o que eles queriam, os homens iriam matá-la? Bom, se essa era a única opção que lhes vinham à mente, então poderiam fazê-lo, porque ela não fazia a menor ideia do que eles pediam.

- Peut-être que c'est à l'intérieur de le chariot. – Sugeriu o homem que lhes empurrou, mordendo o lábio violentamente enquanto fitava Lilly com um desejo tão forte e maligno que iluminava seus olhos.

O barbudo agachou ao lado dela, o peso de seu corpo sobre seu joelho enquanto o rosto dele se aproximava do da garota, os respingos de sangue quase tocando os fios crespos enquanto o hálito intragável de tabaco e rum invadia as narinas dela, que não conseguia fita-lo diretamente nos olhos, tremula pelo sangue salpicado que escorria em sua pele.

- Se nós revistarmos a carruagem, e as cartas estiverem lá... – Ele se ergueu novamente. – Você morre. – E, logo em seguida, ele chutou o rosto do cocheiro, já sem vida, apático, mas ainda com uma faixa fina escorrendo de sua testa.

Por alguns instantes, ela permaneceu quieta, as costas arqueadas conforme ele caminhava com passos arrastados na direção da carruagem. Nesse exato momento, o nome de Heather explodiu na mente da garota e ela sentiu os batimentos mais uma vez acelerarem. Precisava criar uma distração. Precisa resolver aquilo. Talvez se... e, sem pensar por uma segunda vez, ela apenas lançou-se para trás, agarrando as pernas do homem, fazendo-o cair.

- SALOPE! – Ele berrou assim que seus braços bateram contra a terra. Ela não sabia o que significava, mas com certeza não era agradável.

Apenas quando seus dedos estavam tocando as botas dele, foi que Lilly percebeu o que havia acabado de fazer. E, no instante que ele se voltou para ela, a garota apenas soube que era o seu fim.

- Você é tão idiota quanto seu pai. – O barbudo agarrou os cabelos dela, cada fio entrelaçando seus dedos e fazendo-a grunhir com um puxão forte que expôs seu pescoço à luz da lua. Ele iria cortar sua garganta...talvez. – Eu poderia te matar aqui e agora, sua vadia – o ladrão fez questão de dizer cada palavra no idioma da garota para que cada fibra de seu corpo sentisse medo. – Mas, antes, vou deixar que meus companheiros se divirtam com você.

E então ele deu alguma ordem que ela não conseguiu ouvir.

O medo silenciou seus ouvidos.

Lilly sentiu seu braço sendo puxado para trás, arrastando-a pela terra.

O homem ria.

As pernas dela chutavam o ar em meio ao tecido do vestido, que desfiava.

O ladrão mais alto pareceu incomodado, mas nada fez.

Ela sentiu o coração doer tanto quanto seu seio direito, apanhado descaradamente por um deles.

A garota gritou, o agudo cortando o véu quente da noite, e foi aí que tudo mudou. Ele pareceu surgir das sombras. Ninguém ouviu os cascos de seu cavalo, muito menos o engatilhar de sua pistola. Mas ouviram os tiros. O primeiro dilacerou o olho esquerdo do homem que agarrava a garota, tombando-o em agonia. Lilly empurrou para longe o ladrão que agarrava seu seio enquanto ele estava distraído, mas não por muito tempo, pois um segundo projétil disparou pela noite, arrebentando sua cabeça. Novos respingos vermelhos mancharam a terra.

O corpo do animal surgiu na frente dela. Forte. Firme. Os pelos castanhos e lisos. A crina perfeita enquanto Sebastian Pelletier empunhava sua pistola em meio às sombras com uma mira quase perfeita. Mas fora esse quase que fizera o ladrão moreno escapar, o braço sangrando por uma bala que lhe pegou de raspão.

- Fique perto de mim. – Ele ordenou ao pular do cavalo, sua farda branca perfeitamente colada ao corpo enquanto os olhos verdes procuravam pelo perigo. Não precisaram se esforçar muito, pois o barbudo já estava de pé, brandindo sua pistola na direção deles enquanto gritava. Sebastian a empurrou com seu corpo, indo para direita, o projétil passando por eles e acertando o último companheiro do ladrão.

- Evany. – O homem disse, a dor e a surpresa em sua voz tornando-se uma fúria que a garota temeu com cada músculo. O homem que ele acertara caiu de joelhos, assistindo seu peito inundando-se com um vermelho rubro antes de tombar.

Com um grito feroz, o barbudo se arremessou na direção de Sebastian, a espada ainda na bainha enquanto Lilly separava-se dele, os braços sustentando o corpo na queda enquanto o capitão esmurrava o rosto do ladrão, até mesmo agarrando a barba dele e a utilizando como arma, lançando o rosto dele contra a terra. Mas Pelletier não deu nem ao menos uma chance de ele revidar. Apanhou a espada do próprio homem e, com ela, apunhalou suas costas, o metal atravessando as costelas e perfurando os órgãos em um grito agoniante, que se desfez na calada da noite.

Lilly quis vomitar, e foi exatamente o que fez, um líquido gosmento e espumoso saindo de sua boca e escorrendo em uma faixa fina até o solo.

- Senhorita Talbot. – Sebastian apareceu ao lado dela novamente, as mãos, protegidas por luvas tão alvas quanto leite, cuidadosas ao tocá-la, certificando de que já havia parado de vomitar. – Está bem? Fora machucada?

Ela não conseguiu responder de imediato, assistindo a uma trilha de sangue vindo em sua direção. A garota respirou fundo e disse que estava bem. Assim, ele a ajudou a se erguer, as pernas doloridas enquanto o ar noturno não parecia o suficiente para seus pulmões doloridos.

- Quem eram...

- Ladrões. – Ele disse antes dela terminar a pergunta.

- Perdoe-me, capitão, mas cheguei a essa conclusão muito antes do senhor. – Ela retorquiu e os olhos tom de esmeralda pareceram ficar sérios. – Quis dizer quem, de fato, eles eram.

- Como assim?

- Suas identidades. – Lilly colocou a mão sobre o esôfago, sentindo a respiração se acalmando enquanto caminhava até um dos mortos. – Duvido que meros ladrões de estrada falassem francês.

- Eles eram franceses? – Sebastian pareceu surpreso ao ficar do lado dela, o cadáver com a cabeça arrebentada separando-os.

- Sim.

- E o que queriam? – Ele perguntou severamente enquanto se agachava, procurando por alguma coisa que os ajudasse a identificar o homem, mas nada foi encontrado.

- Eles disseram algo...sobre uma carta de corso.

Então, o capitão congelou, um movimento curto o suficiente para não ser percebido caso ela não estivesse tão atenta nele. O modo como seu maxilar enrijeceu e as sobrancelhas se alinharam...ele sabia do que ela estava falando.

- O senhor sabe o que é, não sabe? - Lilly inferiu enquanto ele voltava a se endireitar, batendo as luvas contra as pernas e assistindo o cavalo aproximando-se da carruagem tombada.

- Não devemos falar disso aqui. – Sua voz pareceu fria. – Obviamente não é seguro. – O homem girou nos calcanhares em seus coturnos lustrosos e fez menção de caminhar até o animal, mas a garota o deteve, segurando seu braço com os dedos delicados, mas que o prenderam firmemente enquanto dizia:

- Eles sabiam exatamente quem eu era, senhor Pelletier. – Os olhos dela, tão temerosos, também suplicavam para que ele lhe explicasse o que estava acontecendo. – Creio que não haja mais um lugar seguro.

...

Não fora fácil trazer Heather de volta à consciência. Na verdade, foi necessário que Sebastian pegasse seu cantil e aproximasse o álcool das narinas dela e, ainda assim, os olhos da garota abriram-se hesitantemente. Tampouco tiveram tempo para explicações, apenas montaram no cavalo junto a Sebastian, o capitão carregando a amiga de Lilly no braço esquerdo enquanto conduzia o animal com o direito e, embora tivessem se distanciado dos corpos que ficaram na estrada, abandonados aos corvos, a garota ainda sentia como se a morte estivesse perto de sua silhueta, à espreita.

O cavalo foi guiado até uma pequena taverna mais ao sul, próxima da entrada de Eastbourne. Heather precisava de cuidados médicos e a viagem seria árdua demais para ela para ser feita por completo, assim Lilly e Pelletier concordaram em fazerem uma pequena pausa. Agora, enquanto limpava o sangue de seu rosto com um lenço que o homem tirara do bolso de sua farda, a garota pensava em como seu pai se zangaria. No quanto iria gritar...e até mesmo talvez...

- Lilly. – Sebastian a chamou, tocando-a suavemente no braço, vendo-a dar um pulo para trás, assustada. A ideia de o pai bater-lhe que nem quando menor ainda a assombrava. – Oh, perdoe-me, senhorita Talbot, não era minha intenção assustá-la.

- Está tudo bem. – Ela disse, embora era óbvio que não estivesse. – O que queria me dizer?

- A dona da estalagem conseguiu um quarto para nós – ele olhou para trás, assistindo à outra garota, sentada, as mãos cobrindo o rosto confuso, suado e dolorido, enquanto a mente não raciocinava direito. – Paguei para que fiquemos aqui até amanhã, até que consiga trazer um médico para ela. – Os olhos dele tornaram-se afáveis ao ver o estado de Lilly, com seus cabelos desgrenhados, as sobrancelhas arqueadas e o medo ainda exposto em seu olhar. – Realmente acredito que deveríamos comer alguma coisa, e passar a noite por aqui, o que acha?

- Não...

- A viagem é mais perigosa durante a noite. – Ele explicou com olhos calmos e convidativos.

- Meu pai...me mataria.

- Se chegar agora, a reação seria diferente? – Provoco ele e, por alguns instantes, ela sentiu os punhos cerrarem enquanto respirava fundo.

- Eu só... – A garota umedeceu os lábios e sustentou o peso do corpo contra a perna direita.

- Façamos o seguinte, comemos algo por enquanto, passamos a noite aqui e... eu lhe explico o que são as cartas de corso. – Ele propôs, vendo-a arregalar os olhos ao ouvir as últimas palavras, o luar fraquejando com algumas nuvens que lhe tapavam o brilho. – Depois, a levarei para casa e explicarei tudo o que ocorreu ao seu pai, está bem?

Ela disse que sim. De fato, tanto fazia se chegasse agora ou mais tarde, a reação de seu pai seria a mesma e Lilly sabia que não tinha, como sempre, uma outra escolha.


*Aaaaaa aposto que acharam esse capítulo bem diferente dos outros, não? Kkkk não tem problema se estiverem um tanto confusos, a Lilly também está he he dividi o capítulo em duas partes para que não ficasse tãaaaaaao grande, então espero ver vocês na continuação que postarei no domingo!!!!

*E aí, o que acharam dos momentos de hoje?

*Se gostaram, não se esqueçam de deixar um voto!!!! Isso ajuda muito :D

*P.S: As partes em frânces decidi manter sem tradução, deixando-as apenas subentendidas no texto, para que vocês sentissem o desespero que a Lilly sentia sem entender a maior parte das coisas.

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