1. Aquilo que Reluz (p.1)
Dean correu em direção ao local onde viu o corpo do irmão despencar. Uma multidão de pessoas começava a se acumular ao redor, de modo que de onde estava, não podia ver nada.
Foi parado no meio do caminho quando seu braço foi segurado com firmeza por uma mulher.
— Vem, garoto.
Dean foi transportado através do vácuo para longe dali, indo parar em um lugar escuro, com o braço ainda sob o aperto da mulher. Suas unhas se cravavam firmemente em sua pele, pinicando.
Ela o soltou e no escuro, viu o brilho azul em seus dedos quando ela os movimentou no ar. Sua magia ligou as luzes e acendeu o fogo de uma lareira. Estavam no meio de uma sala não muito grande, com duas poltronas em um canto e um sofá marrom. A mesa de centro era quadrada e espelhada, enfeitada com um vaso de vidro ocupado apenas por uma flor velha e seca.
— Meu irmão! — ele tentou dizer à mulher, desesperado. — Ele despencou lá de cima, precisamos fazer alguma coisa.
— Se acalma. — Ela o segurou pelos ombros, seus olhos azuis fixavam os dele intensamente. — Não dá pra fazer nada agora, tem muitos humanos em volta.
— Mas ele pode morrer!
Ela deixou ambos os braços prenderem ao lado do corpo.
— Eu tentei salva-lo, mas foi rápido demais. — Sua cabeça estava baixa enquanto falava. — Eu criei um feitiço pra segurar a queda, mas ele simplesmente atravessou a magia. Eu não sei se foi o suficiente pra amenizar o impacto.
— Então você está dizendo que ele está morto?
— Eu não sei — ela respondeu. — Ele pode estar vivo, mas não quero te dar esperanças. Vamos esperar até amanhã antes de decidir o que fazer, se tentarmos agir agora, só vai criar ainda mais confusão
***
Zac tropeçou e rolou pelo chão, sentindo a terra se agarrar em sua pele. Havia corrido por mais de meia hora desde a briga com Delwen, e agora sequer tinha forças pra levantar, então apenas arfava e tentava puxar algum ar para dentro de seus pulmões.
Como ele tinha sido capaz daquilo? Como era possível que tivesse a capacidade de tentar matar alguém?
As lágrimas escorriam pelo seu rosto, fazendo arder os arranhões causados pelos galhos que batiam em seu rosto. As mãos, que estendera para frente a fim de abrir caminho na escuridão, já latejavam pela dor dos cortes e pancadas que levaram dos obstáculos, mas Zac sequer dava atenção a isso.
Se arrependia completamente da decisão de ir para o País das Fadas. Como acabara se metendo naquela confusão? Nada daquilo teria acontecido se simplesmente tivesse pedido a Aine para não matar Delwen e fosse embora.
Não sabia o que estava pensando quando decidiu que valeria a pena abrir mão de tudo para ficar com o garoto fada.
Observou a escuridão do céu no País das Fadas por entre os galhos das árvores. Tudo o que queria era retornar para casa, voltar no tempo antes de tudo acontecer. Queria sua família de volta, a vida normal na casa dos guardiões da fauna, as saídas noturnas com Arthur. Não era justo que tudo lhe fosse tirado de uma hora para outra, jamais fizera algo para merecer tal castigo.
Zac ouviu passos apressados se aproximando. Quem quer que fosse, não iria querer ser encontrado jogado no chão, então se pôs de pé, não demorou para ser alcançado por Delwen, que parou a apenas alguns metros de distância e permaneceu ali, apenas respirando pesadamente, mas sem pronunciar nenhuma palavra sequer.
— O que você quer? — disparou Zac. Estava com raiva por ele tê-lo seguindo, entretanto, sabia que não conseguiria fugir e se esconder para sempre de uma fada dentro do País das Fadas.
Delwen hesitou e engoliu em seco, ainda tentando recuperar o fôlego pela corrida.
— O seu perdão — disse ele.
Zac riu. Estava tão irritado que sequer se preocupava em magoar seu noivo.
Ou ex-noivo.
— Sabe qual é o seu problema? — começou Zac, dando um pequeno passo à frente e apontando o dedo em riste acusadoramente em direção à Delwen. — Você não se importa em fazer algo certo ou errado, desde que consiga o que você quer. Pra você tanto faz se Bernardo morrer, não é? Desde que eu viesse pra cá e te desse o seu “felizes para sempre”, não interessa quanta gente sofreria com isso.
— Ele estava machucando você — alegou o garoto fada. — Seu amiguinho com o qual tanto se importa podia tentar te matar.
— Eu não acho que ele queria me matar. E não podemos negar que mereci sentir um pouco de dor, não é? — Zac deixou os braços penderem dos lados do corpo. — Eu estava sendo egoísta e ferrando com a vida dele e das irmãs só pra vir pra cá com você.
— Você não estava ferrando a vida de ninguém.
— Ah, não? — Zac chegou a ficar surpreso com o intenso tom de sarcasmo na própria voz. — E o que acha que vão fazer com eles agora? Vão tentar usá-los contra César Veter de alguma maneira. Eles estão expostos, e além disso, Bernardo ainda levou um tiro no final dessa história.
— Me perdoa — Delwen voltou a repetir.
— Eu queria — respondeu Zac, sentindo a raiva abandona-lo repentinamente, dando lugar à mágoa, que muitas vezes poderia ser ainda mais devastadora. — Eu só não sei se eu consigo.
Ele se virou de costas e caminhou para longe sem pressa. Dessa vez não ouviu nenhum passo em seu encalço, e não sabia se isso o aliviava ou decepcionava.
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